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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Voa livre

 

Voa Livre 

Voam livres os meus olhos, 

Á procura do que é bom, 

À procura do que é bonito.  

À procura de amor, 

À procura da paz, 

À procura da simplicidade,

À procura da amizade! 

Voa livre 

O som do sino

Voa livre 

O meu pensamento. 

Voam livres os meus sonhos, 

As minhas palavras, 

As minhas vontades.  

Voam livres os meus dedos

Quando escrevem para ti! 

Voam livres os meus pés. 

Voam livres os caminhos, 

Voam livres as aves, 

Voam livres as borboletas 

com as suas cores maravilhosas 

e o seu bater das asas, 

As libelinhas, 

O cantar dos pássaros. 

Voam livres os olhos das águias, 

Os falcões, os gansos, os patos, 

Voa livre o miar dos gatos 

Voam livres os cavalos e os burrinhos no campo, 

Voam livres as galinhas. 

Voa livre o dançar das cearas de milho, 

E o vento que passa entre elas. 

Voam livres as espreitadelas do sol 

Entre as folhagens das árvores, 

E as brincadeiras com a luz e a sombra.  

Voam as sombras, 

Voam as luzes, 

Voam as carícias do vento 

às agulhas dos pinheiros, 

às pétalas, à agua. 

Voam livres  

As joaninhas, 

Voam livres as abelhas, 

Voam livres as recordações, 

Voam livres as fotografias, 

Voam livres, os livros, 

Voam livres os lápis, 

Voam livres as canetas ao escrever. 

Voam livres todas as cores, 

Voam livres os desenhos. 

Voam livres os desejos. 

Voa livre o sol da Primavera, 

As flores que nascem dela, 

Voa livre o vento que as acaricia. 

Voa livre o sol do Verão, 

Voam livres as areias, 

Os peixes, as gaivotas esfomeadas, 

As ondas, as conchas, os búzios, as algas, 

Voam livres os amores de Verão!  

Voam livres as folhas das árvores no Outono, 

E as suas cores, 

As ervas, as espigas, os espantalhos, 

As castanhas e as nozes, 

As frutas que enfeitam as árvores. 

Voam livres os pássaros, 

Que fazem os ninhos, 

As gotas da chuva, os trovões, os flocos de neve. 

Voam livres 

As águas dos rios, das fontes, dos ribeiros, 

Das fendas das montanhas, das grutas naturais, 

As lavas dos vulcões 

E os furacões. 

Voam livres os uivos dos lobos e dos cães, 

No alto das montanhas. 

Voa livre o olhar do lince,  

Os sorrisos, as gargalhadas, os risos, as lágrimas. 

Voam livres 

Os abraços, os beijos, as mãos dadas, 

Voa livre a amizade, 

Voa livre a felicidade, a tristeza, a dor. 

Voa livre o amor e o carinho 

Em todas as suas formas. 

Voa livre a inocência, pureza, 

Voam livres os risos e o brilho dos olhos das crianças, 

Voa livre a sua imaginação nas brincadeiras, 

Voam as palavras nas histórias que inventam. 

Voa livre o frio do Inverno, 

Voam os dias pequenos, 

O sono prolongado da Natureza. 

Voam as velas que se acendem, as lareiras, as mantas 

Voam as luzes das ruas, das cidades, das casas. 

Voam as paixões, 

Voam as saudades e as recordações. 

Voam as estrelas 

Entre o céu infinito 

E a Terra a perder de vista. 

Voa livre a dança, 

Voa livre o teatro, 

Voa livre a pintura, 

Voam livres os sonhos e os pesadelos, 

Voam livres as palavras bonitas, 

Os poemas, as canções. 

Voam livres as emoções, 

Voa livre a bondade, a paz, 

Voa livre a simpatia, 

Voa livre a gratidão 

FIM

Lara Rocha 

                                           18/Junho/2026                                            

E para vocês? O que voa? 

Podem deixar nos comentários, se quiserem.


                                




sábado, 3 de maio de 2025

Rosa Amor

 

foto de Lara Rocha 


    Há uns anos atrás, uma jovem misteriosa, chamada Natureza, ofereceu a um casal, um lindo botão de flor, fechado. 

    Disse para cuidarem dele com amor, regar com carinho, educação, sensibilidade atenção e dedicação, para falar com ele. 

    Acrescentou que desabrocharia passado nove meses, numa linda flor e desapareceu. O casal ficou surpreso e apreensivo, sem perceber o que tinha acabado de acontecer, e o que significaria aquilo.

    Procuraram por ela, mas não a viram em lado nenhum, estava escondida, e a sorrir. 

- Tenho a certeza que estarás muito bem entregue! - murmura a jovem Natureza, ao ver o carinho com que o casal segurou a flor

    Assim aconteceu, o casal cuidou do botão de flor com amor, e estavam ansiosos por saber que flor seria, e porque demoraria tanto tempo. Regaram-na, falavam com ela, o botãozinho ia crescendo, alargando, tentavam imaginar a cor que teria, mas ele não a mostrava. 

    O casal não tinha preferência, pois adoravam todas as flores, em botão, e, ou abertas. Acariciavam o botãozinho, mudavam de terra de vez em quando, punham-no a apanhar sol, e ar, quando estava vento recolhiam-no. 

    O botãozinho ouvia as conversas todas, e sorria fechado nas pétalas, quando o casal lhe tocava. Não viam, mas era um sorriso luminoso, por se sentir acarinhado, acolhido, amado. 

    Passados nove meses, como a Natureza anunciou, o botãozinho de flor, abriu. Era uma linda rosa cor-de-fogo, com amarelo, laranja e vermelho! Uma perfeição, parecia que estava a sorrir, com as pétalas delicadas, o casal não ouvia, mas imaginava, o som do sorriso da rosa, quando lhe tocavam com carinho. 

    Que surpresa tão agradável, o casal não podia estar mais feliz, e continuaram a cuidar dele, com tanto amor e dedicação que cresceu como nunca se tinha visto. 

    Que lindo que era, sempre viçoso e vistoso, brilhante, adorava sol, e ficava ainda mais bonito, continuaram a regá-lo, a alimentá-lo, a conversar com ele. Deram-lhe o nome de Rosa Amor. 

    Um nome que fazia todo o sentido, porque era o símbolo do amor do casal, um pelo outro, dos dois pela Natureza, um prémio por terem cuidado tão bem dele. 

    Era como se fosse um filho, aliás, quando a esposa soube que vinha a caminho, um bebé verdadeiro. Pensaram que a flor iria murchar de tristeza, ou ciúmes, mas não. 

    Porque tinham atenção e amor para os dois; para o bebé, para a flor, a diferença é que este botãozinho que vinha a caminho, era uma pessoa. Um ser vivo, como um botãozinho em flor, que exigia mais amor, mais dedicação, mais regras, mais atenção, carinho. 

    Sem nunca se esquecerem da  Rosa Amor, que mesmo sendo uma flor, estava feliz por ter um irmãozinho em forma de pessoa, nunca se sentiu excluída, nem abandonada. 

     Quando o bebé nasceu, a flor chorou de alegria, surgiram gotas de água nas suas pétalas, e algumas caíram, ao ver aquele ser delicado, frágil e lindo como ela. 

     Rosa Amor, sorria ao ver a ternura dos pais, com aquele bebé, e a gratidão do bebé a olhar para eles, o carinho que ele recebia, e chegava para a flor. Mostraram o bebé à flor, e esta inclinou-se, encostou-se à carinha dele, com as suas pétalas macias, e voltou a chorar de alegria como se estivesse a fazer uma carícia ou a dar um beijinho no seu irmãozinho humano. 

     O bebé e os pais sorriram de alegria, pegaram na mãozinha do bebé, e fizeram uma festinha das pétalas da flor. Ela sorriu e brilhou com tanto amor. Cresceram juntos, nunca faltou carinho, atenção, dedicação, amor, regras, diálogo, aos dois, e formaram uma linda família.  

    Todos os dias agradeciam à Natureza, aquele botãozinho maravilhoso, e o botãozinho verdadeiro, o bebé que também adorava a flor. Ela abanava-se e ele desatava à gargalhada, que fazia o mesmo com os pais. 

    Parecia que os dois comunicavam um com o outro, só entre eles, balbucios e gargalhadas, trocas de mimos, e papagueados que só a flor e o bebé entendiam. 

    O casal agradecia todos os dias, a saúde, e a alegria, o amor que havia naquela casa, com aquela flor. A jovem Natureza apreciava encantada, espreitava e sorria à flor, esta retribuía. 

    Sentia-se orgulhosa, e de vez em quando as duas conversavam sobre a felicidade da flor naquela casa, o bebé, a forma como eram tratados, e outros assuntos. 

    E assim se constroem as amizades, os amores, com dedicação, paciência, carinho, diálogo, respeito, acolhimento, atenção, sem pressa, com delicadeza. Botõezinhos fechados, que se vão abrindo em lindas flores. 

                                            FIM 

                                       Lara Rocha 

                                      2/Maio/2025 

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Tudo fechado


    Era uma vez uma aldeia numa montanha muito alta, congelada, cheia de neve, onde se sentia um vento cortante, e os dias pareciam ainda mais pequenos do que são, no Inverno. 

     As pessoas que lá viviam eram tão frias umas com as outras que pareciam não saber sorrir, não viam nada de bonito, mas as estrelas quiseram fazer uma surpresa para ver se essas pessoas saiam daquele gelo. 

  Num dia de sol, quando todos estavam no seu trabalho e em casa, começaram a atirar garrafas de água com arco-íris a girar, rodopiar, fazer redemoinhos. 

    Deixaram uma garrafa à porta de cada um, e espalhadas pelo chão. Outras garrafas tinham plantas com gotinhas de água que brilhavam como diamantes ao sol. 

    Em algumas garrafas havia flores pequeninas, muito mimosas, de muitas cores. Numas garrafas estavam pequeninas luzes, de muitas cores a piscar, noutras lindas borboletas gigantes, de tamanhos variados e cores. 

   Noutras garrafas estavam guardadas palavras bonitas, noutras estrelas, noutras, raios de luz de todas as cores, e noutra, brilhantes. Todas teriam de ser abertas, e tudo o que estava em cada uma delas, queria sair. 

    Quando regressou o primeiro habitante viu as garrafas espalhadas,  muito surpreso, começou a ver o que tinha em cada uma delas. Ficou maravilhado, nunca tinha visto tanta coisa nova e bonita. 

- Quem pôs isto aqui? Que coisas tão bonitas…! - diz com um sorriso aberto 

    Ainda ficou mais surpreso, quando viu na sua porta uma garrafa, com um bilhete: «Abre a garrafa, ou as garrafas, que tocarem mais o teu coração, e que te tenham feito sorrir». 

- Mas… 

    Volta a olhar para todas as garrafas, e a que tinha as florinhas pequeninas mimosinhas, foi a que tocou o coração dele, e fez abrir um sorriso luminoso. 

  Abriu a garrafa e as florinhas saltam felizes da garrafa para o chão, dançam e dão risadinhas. 

- Obrigada! - dizem todos 

   O Sr. ri à gargalhada, deliciado ao ver flores tão pequeninas a dançar, a cantar de forma tão diferente da dele, mas tão encantadora. Chega outro e pergunta o que o amigo estava a ver e a rir à gargalhada. 

   Ele responde que encontrou todas aquelas garrafas no chão, cheias de coisas tão bonitas, que o fizeram sorrir, e tinha um bilhete à sua porta, a dizer para abrir aquela, ou aquelas garrafa (s), que tocasse (m) o seu coração, e o tivessem feito sorrir. 

    O amigo riu, e ficou a apreciar juntamente com ele, as florinhas a dançar, a ouvir as risadinhas que depois se separaram e foram parara em vários sítios, espalhadas pela neve. 

    Esse amigo, também tinha o mesmo bilhete à porta da sua casa, tal como todos os outros que foram chegando. Cada um abriu uma garrafa diferente, os outros dois ainda estavam com um sorriso aberto, e maravilhados. 

    Uma senhora abriu a garrafa das plantas com as gotinhas de chuva que brilhavam como diamantes. Mal saíram da garrafa começaram a cantar em forma de agradecimento, umas vozes fininhas, que parecia o som do vento, a passar pelos pinheiros. A Sra. riu à gargalhada. 

- Obrigada. - disseram elas no fim, e espalharam-se pelo espaço 

    Outra senhora, viu o bilhete e o que mais tocou o seu coração, foi a garrafa de água com arco-íris a girar, rodopiar, e fazer redemoinho. 

- Ááááhhh…que coisa tão bonita! - diz a senhora com um sorriso de orelha a orelha. 

    Quando abre essa garrafa, os arco-íris espalham-se pelo ar, em forma de grandes e leves bolas de sabão, onde se veem todas as suas lindas cores. Todos suspiram de espanto e de encanto, seguindo as bolas de sabão com os olhos e com sorrisos abertos. 

   Os habitantes ficam deliciados com o que veem. Outro casal abriu a garrafa das borboletas gigantes de todas as cores. Todos pareciam hipnotizados com tantas, e tão bonitas, tão grandes a esvoaçar levemente à sua frente. 

    Algumas borboletas pousaram nos cabelos, outras nas bochechas, outras nas mãos, como se estivessem a fazer carinho. Abriram sorrisos como nunca antes visto, e soltaram gargalhadas, palmas, exclamações de encanto. 

    As borboletas ficam por ali, escolhem lugares diferentes para se instalar. Outro casal com  filhos, abriu a garrafa das estrelas, que sopraram e espalharam-se por todo o lado, deixando tudo brilhante e luminoso, todos aplaudem. 

    O outro casal com filhos, abre a garrafa dos raios de luz, de todas as cores, que se tornam enormes, e iluminam todo o espaço, como holofotes que giravam, mudavam de direções, escondiam-se nas nuvens e voltavam a aparecer, todos riram com vontade. 

  Os habitantes nem querem acreditar, nunca tinham visto tanta coisa bonita. A garrafa das palavras bonitas, quase era esquecida, foi ignorada, mas um pequeno cãozinho deu sinal: ladrou sem parar à beira da garrafa, depois de a cheirar. 

  Ficaram todos preocupados, com aquele nervosismo do cão. Quando se aproximaram, perceberam que estava lá uma garrafa e dizia: «palavras bonitas», abram por favor e leiam-nas uns aos outros. 

    Como não estavam habituados a dizer e a usar palavras bonitas, sentiram medo, e ficaram quase congelados sem mexer na garrafa, a olhar uns para os outros. 

  Juntam-se vários cães, dos habitantes, cheiram a garrafa, ladram em coro, sem parar, lambem a garrafa, põem as patas em cima, e tentam abrir. 

- Os cães gostaram dela! 

- Se calhar podemos abrir, e ver o que há. 

- É. Deve ser isso que os cães estão a dizer. 

    Os cães ladram como que a confirmar que é seguro abrir. 

- Quem abre primeiro? - pergunta uma senhora

- Posso abrir eu! - diz outra 

    Ficam todos na expectativa, a ver o que sairia da garrafa. O que estaria escrito? Além de palavras bonitas, dizia: Leiam com o coração, sinceridade, e um sorriso na cara. 

- Que coisa estranha! Vamos tentar. 

    Cada um tira um papel com uma palavra bonita, lê em voz alta, com um sorriso, uns deixam escapar umas lagriminhas de alegria, ternura e gratidão, outros distribuem abraços que se tornam longos, outros elogiam, outros dão as mãos, outros procuram pequeninos mimos e oferecem.

    Outros fazem mimos aos animais. No final combinam uma festa à noite, ao ar livre, onde viram as estrelas, como nunca antes tinham visto, as luzinhas pequeninas por todo o lado, os raios de luz que pareciam auroras boreais a dançar, os arco-íris em forma de milhares de bolas de sabão, que se juntaram à festa, esvoaçando por todo o lado. 

    Gostaram tanto das palavras bonitas, que leram, e transformaram num jogo coletivo, onde baralhavam as palavras na garrafa e cada um tirava uma diferente, e as estrelas enviavam todos os dias, palavras bonitas diferentes, e os próprios procuraram. 

    Aprenderam a sorrir com o coração, a elogiar com sinceridade e a abraçar com muito carinho, a conversar muito mais uns com os outros e a ajudar. Aprenderam a apreciar em conjunto e sozinhos as maravilhas da Natureza, que os fazia conversar uns com os outros sobre isso, iam investigar quando não conheciam o que viam, e adoravam ver as lindas borboletas. 

  À noite, juntavam-se para tomar chá, apreciar as estrelas, a lua, e conviver. Tornaram-se uma grande família, onde havia muita amizade, brincadeiras, festas, respeito, felicidade e apesar do gelo da noite, do frio do vento, havia sol, no céu, calor humano, nos abraços, nos elogios, nos sorrisos abertos, nas mãos dadas, nos carinhos que davam aos animais, e uns aos outros, no amor à Natureza, na beleza que aprenderam a ver em tudo o que até aí parecia não existir. 

   As estrelas não podiam estar mais orgulhosas! 

E vocês? Que palavras bonitas acham que estavam na garrafa que dizia «palavras bonitas»? 

Qual ou quais a (as) garrafa (s) que podem vocês escolheriam? 

Porquê? 

Podem deixar as vossas respostas nos comentários, se quiserem. 

                                                                               Fim 

                                                                        Lara Rocha 

                                                                         31/12/2024   


quinta-feira, 3 de outubro de 2024

O esquilo bondoso



    Era uma vez um esquilo que não parava um segundo!   Enquanto estava de olhos abertos, tinha sempre o que fazer, parecia ligado à tomada. 

   Corria de um lado para o outro, pedia aos trabalhadores no campo, que lhe emprestassem cestas, baldes, bacias, e desaparecia na floresta. 

    Os trabalhadores emprestavam-lhe, não sabiam para que era, mas achavam engraçada e misteriosa aquela correria toda. 

    Apanhava uma série de bolotas, pinhas, castanhas, folhas de Outono, enchia tudo o que podia, ficava com uma boa quantidade para si, para poder comer no Inverno, no conforto da sua casinha de árvore, e partilhar se precisasse. 

    Armazenava, mas distribuía por quem mais gostava, dizia que não podia perder tempo e tinha muito que fazer. 

    O que iria fazer um esquilo, com aquilo tudo? - perguntavam os trabalhadores 

    O esquilo fazia embrulhos de bolotas nas folhas que caiam das árvores, de várias cores, e oferecia aos outros esquilos, aos porcos que também comiam bolotas. 

    Deixava à porta dos trabalhadores tudo o que lhe emprestavam, com pequenos mimos, embrulhados nas folhas: pinhas que pintava com muitas cores diferentes, as cores do Outono.  

    Outras mais brilhantes, uvas com um tamanho grande, e um sabor delicioso, que eles desconheciam, maçãs grandes, bonitas e doces, castanhas grandes.

    Os trabalhadores ficavam muito surpresos, e numa tarde em que o esquilo passou a correr, perguntaram:

- Ei...obrigado por teres devolvido o nosso material! 

- De nada! Obrigado eu - diz o esquilo a sorrir 

- Onde vais a correr tanto? 

- Podemos ajudar? 

- Fica aqui um bocadinho connosco! 

- Ahhh...está bem! - diz o esquilo, um pouco cansado

- Mas, porque o trouxeste com isto tudo? - pergunta uma senhora 

- Para vos agradecer, e lembrar que é Outono! 

- Mas que coisas tão bonitas! - diz uma senhora 

- E são deliciosas! - diz outro senhor 

- Onde foste buscá-las? - pergunta outras senhora  

- Fui...por aí! O que interessa é que tenham gostado! - responde o esquilo 

- Claro que sim! - respondem todos 

- Mas gostávamos de saber onde é, para irmos apanhar também. - comenta outra senhora 

- Aaaaahhhh... eu trago-vos! 

- Mas que querido! - comenta uma senhora a sorrir 

- Que esquilo tão generoso! - diz uma menina 

- Também dou a quem precisa mais, sim. - confirma o esquilo 

- Então, estás convidado para a nossa festa. 

- Está bem! Obrigado. Quando é? E onde? 

    Os trabalhadores explicam tudo, contam a tradição, e o motivo da festa. O esquilo não fazia ideia, mas adorou ouvir tudo sobre a famosa tradição no Outono. 

    Depois de muita conversa: 

- Muito obrigado. Adorei saber tudo o que me contaram. Cá estarei. Se precisarem de alguma coisa de mim, eu ando sempre por aí.

- E andas sempre a correr? 

- Bem...quase sempre! Não posso perder muito tempo. Tenho muita coisa para fazer. Não sei andar de outra maneira - diz o esquilo 

- Mas também precisas de descansar! 

    Todos riem. 

- Sim, também descanso! Então...até já.

- Até já. - dizem todos 

    Lá vai o esquilo, e a festa começa a ser preparada. Sem que estivessem a contar, no dia da festa, de manhã bem cedo, o esquilo estava no largo, verdejante, a fazer a decoração das mesas, com coisas que tinha feito, parecido com os presentes que ofereceu aos trabalhadores.

    Cheio de energia, feliz, pinhas aqui, pinhas ali, pintadas de diferentes cores, castanhas espalhadas, uvas em cima de folhas de árvores, nozes ao natural, outras pintadas na casca de fora, lindas! Velas em cascas de nozes, e outros objetos decorativos que o esquilo tinha criado. 

    Quando os trabalhadores viram, nem queriam acreditar. 

- Ááhhhhh... que coisa mais linda! - suspiram 

- Obrigado! - diz o esquilo a sorrir 

- Mas não precisavas de ter este trabalho todo! 

- Fiz com todo o gosto, não foi trabalho nenhum. Trabalho têm vocês, a preparar as refeições e petiscos todos! 

- Sim, mas também fazemos com gosto. 

- Acredito! Estou curioso para provar - diz o esquilo

- Já está quase tudo pronto, daqui a bocadinho começamos a trazer. 

- Querem ajuda? 

- Não, obrigado! Já fizeste tanto. 

- Está bem. 

    Os trabalhadores estão maravilhados, e como o esquilo não consegue estar quieto, vai ajudar. Todos riem com a energia dele. 

    Depois de tudo pronto, começa a festa. Vestidos a rigor, muita música, muita animação, muita dança, muitos abraços, cantares, fotografias, petiscos, brincadeiras, jogos, o esquilo come de tudo, adora tudo, até não poder mais, como os trabalhadores. 

    Há momentos de contemplação da Natureza em silêncio, e agradecimento de cada um a tudo o que ela dá, tudo o que ela tem de maravilhoso. 

    Escrevem bilhetinhos, e põem aos pés de uma árvore, abraçam a árvore, acariciam-na, encostam-se a ela, dão as mãos à volta da árvore, de olhos fechados, e dizem em coro, em voz alta: «gratidão, Mãe Natureza por tudo o que nos dás!» 

    Largam as mãos, sorriem, aplaudem, e depois a animação continua noite dentro, com o esquilo sempre divertido, a fazer rir toda a gente, muita gargalhada e brincadeiras, a beber e a brindar com sumos de frutas, deliciosos, dançam, batem palmas, e a festa acaba com a chegada do nascer do sol, apreciado por todos. 

    O esquilo e os habitantes estão muito cansados e com sono, e cada um vai para sua casa. Depois de recuperados, ao fim do dia, comem o que sobrou, e ajudam a arrumar as coisas, com o esquilo todo elétrico. 

    O esquilo passa a ser visto como um amigo, um elemento de uma grande família, que visitava praticamente todos os dias, além da dele, mesmo no Inverno, com neve e frio, bem agasalhado, perguntava a todos se precisavam de alguma coisa. 

    Era muito bem recebido nas casas todas, ofereciam-lhe chá e biscoitos deliciosos. E no Natal voltavam a fazer uma grande festa, com a presença do esquilo, e os seus presentes tão lindos para cada um. 

    Estava sempre presente, e até apresentou a sua família, e amigos, aos trabalhadores, que nunca tinham visto tanto esquilo junto, e tão simpáticos como eram. 

    No Inverno ficava mais recolhido, a preparar presentes, mesmo assim, visitava a família e os amigos humanos. 

    Era um esquilinho mesmo bondoso! 

E vocês? 

Se fizessem uma festa no Outono, quem levariam? 

O que poriam nas mesas? 

Que produtos de Outono conhecem? 

Como seria essa festa? 

Podem deixar nos comentários, se quiserem :) 


                                            FIM 

                                      Lara Rocha 

                                       3/10/2024 

terça-feira, 27 de agosto de 2024

Porque não tocas, flauta?


Era uma vez um pequenino rapaz, que vivia numa pequena casa, no meio da floresta com a sua família. 

Um dia, no Natal, o seu Tio ofereceu-lhe uma flauta, mas só pegou nela quando era mais crescido, num fim de tarde com um pôr do sol gigante, umas cores que pareciam saídas de um quadro. 

O Tio explicou-lhe como se fazia, experimentou soprar, e não saiu nenhum som. 

Muito surpreso, tenta outra vez, e nada. Espreitou para a flauta, aparentemente não tinha nada que não a deixasse tocar. 

- Porque é que isto não toca, se eu estou a fazer como o tio disse? - pergunta o menino a olhar para a flauta 

De repente, soa uma voz pequenina: 

- Vai lavar essa flauta ali ao rio. 

- Mas, mas...quem é que está a falar? 

- Vai lavar essa flauta ali ao rio. 

- Mas ela não está suja. 

- Está! 

- Quem é que está a falar? 

- Vai lavar esse flauta ali ao rio. 

- Está bem, pronto, já que tanto insistes! Mas eu quero ver quem está a falar! 

- Primeiro vai lavar a flauta ao rio. 

- Já vou! 

O menino, sem perceber o porquê da insistência da voz em lavar a flauta no rio, molha-a na água, e esta começa a borbulhar. 

- A água está a borbulhar..! 

E de repente, do interior da flauta saem bolas de tintas de cores diferentes, pequeninas, que ao tocar na água aumentam de tamanho. Ficam tão grandes, e a pairar no ar que o menino até se assusta. 

- O que é isto? 

- São cores. Toca agora! - diz a voz 

O menino toca e sai um som estridente da flauta, as bolas estremecem, encolhem, como se ficassem arrepiadas. 

- Áh, mudaram de forma…! 

- Arrepiaram-se com o som. Toca melhor.- diz a voz 

- Mas como? 

- Como o teu tio te ensinou. 

- Eu fiz isso há bocado e não tocou nada, não saiu nenhum som. 

- Mas toca agora. - manda a voz 

- Não sei tocar. 

- Sabes sim - diz a voz 

O menino experimenta, e vê um peixinho transparente, de cristal a dar luz. Descobre que é a voz que ele ouvia, 

- Toca! 

- Foste tu que me mandaste lavar aqui a flauta? 

- Sim. 

- Áhhh...que lindo! Nunca te vi por aqui. De onde saíste? 

- Da flauta. 

- Era por tua causa que a flauta não tocava? 

- Era. Esta água está maravilhosa! 

- E como é que estavas numa flauta? 

- Para te ensinar a tocar. 

- Áh! E tu sabes tocar? 

- Sei. 

- E estas bolas que apareceram? 

- Já vais ver. Segue os meus movimentos... 

- Está bem. 

- Sopro para aqui? 

- Sim. 

O peixinho parece dançar, como se fosse um maestro ao mexer com as barbatanas, com um sorriso. As misteriosas bolas de cor, parecem ganhar vida própria, bailarinas, esticam, encolhem, aumentam, diminuem, mudam de cores, rebolam no ar, seguindo os sons. 

O menino fica tão encantado com aquele som, o peixinho e as bolas coloridas, que toca entusiasmado, mas a certa altura, as bolas cansam, o peixinho e o menino também. 

- Obrigada! Adorei. Podes vir aqui mais vezes, para me ensinares mais? 

- Sim, claro, vou ficar aqui. 

- Boa! E estas bolas para que servem? 

- Umas vão rebentar, com surpresas lá dentro, outras, vão dançar connosco, enquanto tocamos. 

- Áh! Que giro. E quando é que as bolas com surpresas vão rebentar? 

- Espera! 

- Vou ter de esperar? 

- Com certeza! 

- Mas eu queria saber agora. 

- Não! Ainda não podes, elas estão cansadas. 

- Está bem. 

- Vai descansar também. 

O menino obedece, janta com a família, vai dormir, e quando se deita no escuro, vê uma luz de presença ao seu lado. Assusta-se, mas fica encantado com ela.

- Não te assustes! Sou uma das bolas coloridas com surpresas. Rebentei. Vim fazer-te companhia, juntamente com a Lua e as estrelas! 

- Áh! Que linda, obrigado. 

- Vim inspirar-te e tomar conta de ti. 

- Está bem. E o que tem as outras bolas de cores? 

- Logo verás, ou quando elas quiserem, 

- Mas eu queria já! 

- Queres tudo já, não pode ser. 

- Pronto, está bem, eu espero. 

Os dois conversam, até o menino adormecer. No dia seguinte, cheio de sol e calor, volta a tocar flauta, junto ao rio, com as instruções do peixinho, e as bolas coloridas a dançar. A luz de presença continua com o menino, 

Nada acontece, tal como nos dias seguintes, até que...uma outra bola colorida, rebenta, e cobre todas as árvores, enche-as de frutos, e lindas cores. Folhas salpicadas de verde, vermelho, folhas vermelhas, folhas com salpicos de roxo e vermelho, amarelo, folhas verdes, folhas castanhas. Frutos como uvas lindas, enormes, penduradas nas ramas, maçãs vermelhas e amarelas, outras com cores misturadas, grandes, ouriços pendurados, e outros que caem, cheios de castanhas grandes.  

O menino assiste a tudo. 

- Qual era a surpresa desta bola que rebentou? 

- Olha bem para lá! Para as árvores! - recomenda o peixinho 

- Estão cheias de cores…! E aquelas cheias de frutos. - diz o menino  

- Quando é que isto acontece? - pergunta o peixinho 

- No...no...Outono? 

- Isso mesmo! - diz o peixinho 

- Então...começou o Outono, e a bola que rebentou, trouxe o Outono? 

- Sim! 

- Áh! Que lindo…! Uau, adoro aquelas cores, estão carregadas de frutos. 

O menino está maravilhado, tal como a família, ao ver aquelas cores e frutos. Continua a tocar, e uns dias depois, outra bola rebenta, Surge um cãozinho pequenino, do mais fofo que há, lindo, muito meigo, e outra bola rebenta, de onde sai a mãe do cãozinho, com mais três filhotes, igualmente lindos! O menino nem quer acreditar. 

Fica tão feliz, que continua a tocar, aquela flauta, e todos os dias, uma cor das bolas coloridas, faz com que o menino repare num aspeto bonito da Natureza, atrai passarinhos, borboletas, pirilampos, cuida muito bem dos cãezinhos que o adoram. 

Uma das bolas rebenta e faz com que ele repare na beleza da Lua Cheia, e nas estrelas, outra leva-o a apanhar chuva, feliz, a brincar com os animais, e a última, que rebenta, cobre tudo com um grosso manto branco, gelado, um vento cortante, que obriga a acender a lareira e a conviver com a família, com muitos petiscos, brincadeiras, gargalhadas.

Esta última bola, trouxe o Natal, e um irmãozinho bebé, para o menino, o seu desejo como prenda de Natal, de quem cuida com todo o carinho com a ajuda da mãe e do pai. 

E o menino continua a tocar, continuam a acontecer coisas mágicas, toda a família aplaude, quando o ouve. O tio, não cabe nele de orgulho. 

Era por isso que a flauta não tocava, mas quando a magia saiu, muitas coisas boas começaram a acontecer!  

E se fossem vocês a receber uma flauta que não tocasse? 

Porque não tocava? 

E se recebessem bolas surpresa, que rebentavam, o que é que elas trariam? 

Podem deixar nos comentários, se quiserem. 


                                        FIM 

                                 Lara Rocha 

                          26/Agosto/2024 



terça-feira, 2 de abril de 2024

O tornado arco-íris

Era uma vez um tufão pequenino, com as cores do arco-íris. Ele queria ser visto, e tinha de cumprir as ordens da Natureza, quando ela mandava aparecer, mas sentia-se envergonhado e nervoso porque ainda era pequenino. 
    Ainda não conhecia a sua força destruidora, mas sabia que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. Já tinha ouvido falar, e sentia medo.
    Não queria magoar as pessoas da Terra, nem destruir as suas coisas que lhes fazem tanta falta. A Mãe Natureza mandou-o aparecer na cidade, e mesmo sem querer, lá foi ele. 
    Surgiu por trás de um monte na cidade, como um pequenino arco-íris, com as suas lindas cores, ondulando, e dançando ao sabor do vento, que era muito mais forte. 
   O pequenino tornado estava tímido e com medo, por isso o arco-íris não aumentou. O vento mais forte do que ele ri à gargalhada e comenta: 

- Pareces uma chama insignificante! A abanar com o meu sopro! 

  Um trovão estrondoso rasga as nuvens, o vento forte treme e fica gelado. 

- Mas o que é isto? O vento que também já foi deste tamanho, armado em forte, só porque agora é maior, a gozar com o mais fraco?! Achas bem? Tu também tens medo de mim! Tiveste medo, das primeiras vezes que apareceste na cidade...parece que já te esqueceste, e eu não te humilhei, pois não? Nem humilho!  

    O vento maior não sabe onde se meter com a vergonha, e tenta fugir. 

- Nem te atrevas a fugir, que eu vou atrás de ti. Responde! Assume que sentias medo, e sentes medo de mim, em vez de fugir. - grita o trovão

- Sim, é verdade...senti medo, e sinto. Desculpe… - responde o vento 

- Não é a mim que tens de pedir desculpa, é ao pequeno tornado. Não vês que ele ainda é pequeno? Tu nunca foste deste tamanho? Deste tamanho não sentias medo…? (ri) Óh, que valentão que eras, claro! 

- Desculpa, pequeno tornado! 

- Como és bonito, pequeno tornado. Não fiques envergonhado! Em breve, vais ser tão forte como ele! Tens umas cores maravilhosas, para encantar as pessoas da cidade. Ele é invisível, só o sentem. - diz o trovão 

- Obrigado! Mas eles não me veem. - diz o tornado envergonhado 

- Eles agora veem mais computadores e telemóveis à frente, mas ainda há quem repare em ti, principalmente os mais pequenitos, e adultos. - diz o trovão 

- Ele disse que eu parecia uma chama insignificante, a abanar com o sopro dele… - queixa-se o tornado  

- Eu ouvi. Uma chama a ondular com o vento também se vê, e é bonito. Não lhe ligues! És pequenino e envergonhado, não tem problema nenhum. Um dia destes vais ser grande e extrovertido, todos vão reparar na tua beleza. - incentiva o trovão 

- Ai, que vergonha. 

- Vergonha nada! Isso é só no início, mas habituas-te. Tenho a certeza! 

(O pequenito tornado sorri)

- Ai de ti que voltes a desvalorizar o pequeno! Já sabes como é que eu sou! - avisa o trovão 

- Sim, senhor. Sei muito bem. 

- Principalmente, quando vejo injustiças como esta, e mais comportamentos, por isso…! 

- Sim, Sr. Trovão. 

- Olha que eu estou atento. Faz a tua tarefa, sem comentários infelizes. 

- Combinado! 

    O trovão recolhe, e fica de orelha levantada. O furacão sopra mais forte e o pequeno tornado volta a abanar como se fosse uma chama. Algumas pessoas na cidade reparam nele, e fotografam-no.

- Ai, que vergonha, tanta gente a olhar por mim, e a fotografar-me! Será que estou apresentável, e bem arranjado? 

- Queres ser visto, e tens vergonha? - comenta o furacão a rir à gargalhada. 

    O trovão dispara outra vez, as pessoas na cidade gritam, umas fogem assustadas, outras tentam proteger-se, porque cai um chuveiro fenomenal, com saraiva à mistura.

- Outra vez? - pergunta o trovão furioso - Estás muito bonito, pequeno! Olha como tiveste pessoas a olhar para ti? Até te fotografaram...e ficaram a ver se crescias. Ainda não cresceste, mas cumpriste o teu papel: encantar as pessoas da cidade! Parabéns! Não sintas vergonha por ainda seres pequeno! Tens tanta beleza como um arco-íris grande. Não tenhas pressa de crescer. És na mesma apreciado, ou ainda mais, por seres como és! As pessoas gostam de ver arco-íris, estão mais habituadas aos grandes, mas é bom verem pequeninos, enche-os de ternura, que eles bem precisam. Até te fotografaram, eu percebi que ficaram encantados. Ainda estão a olhar para ti, vejo daqui o brilho nos seus olhos e sorrisos, com ternura. Estão deliciados, como se estivessem a ver uma criança, que és! Linda criança! 

- Obrigado! - diz o tornado a sorrir 

 A Mãe Natureza está orgulhosa, e manda o pequeno tornado para casa, onde os seus pais também sentem orgulho por ele ter chamado a atenção. 

- Muito bem, filho! Continua...para a próxima estarás maior, mas para já, valeu a pena! O trovão tem toda a razão...lembra-te das palavras dele. 

  Passados uns dias, o pequeno tornado, com as cores do arco-íris, ganha força, cresce, e a Mãe Natureza manda-o para a cidade. 

 Mesmo ainda com alguma vergonha, mas maior, ele lembrou-se das palavras do trovão, e aparece por trás do monte, até meio círculo, vaidoso.  

 Os habitantes ficam encantados, fotografam, sorriem, soltam exclamações de surpresa, e o tornado recolhe, todos ficam na expectativa para ver se vai desaparecer. 

- Anda cá, vamos brincar com eles…! - diz o furacão

  O tornado arco-íris volta a parecer uma chama ondulante com o vento, mas desta vez, com a ajuda do furacão, faz redemoinho, e começa a subir na vertical, com círculos grandes, em movimento.

 Os habitantes nunca tinham visto tal coisa, ficam assustados porque o vento era fortíssimo, o céu estava muito escuro, as nuvens muito pesadas. 

  Todos repararam, fotografaram, sorriram ao ver aqueles círculos, embora pensassem que se estava a formar um tornado, ficaram a olhar, pareciam hipnotizados. 

- Que bonito! 

- Uau! 

- Nunca tinha visto nada disto! 

- Parece um tornado, mas tem as cores do arco-íris! 

- É mágico!

- Ááááhhhh...mesmo bonito! 

   Todos aplaudem, e os que param para ver: 

- Gratidão, Natureza, por este presente! 

  Pouco depois, o tornado arco-íris desaparece. Quando regressa a casa, todos dizem: 

- Estamos orgulhosos de ti. 

- Obrigada! Obrigado! 

   Partilha a sua experiência com todos, sorriem, continua a crescer, orgulhoso e vaidoso. A Natureza manda-o aparecer, quando ele já está com o triplo do tamanho, e todos repararam na sua beleza, o arco-íris, como o conhecemos agora. 

                              Fim 

                           Lara Rocha 

                            2/Abril/2024 


quarta-feira, 1 de novembro de 2023

O menino que imaginava

   Era uma vez um menino que vivia numa casa de campo, grande, de pedra, com um jardim onde existia uma fonte que o fascinava, além das flores. 

foto de Lara Rocha 


 Havia qualquer coisa de mágico, que ele não sabia explicar, mas adorava aquela fonte. A água a correr, límpida, aquele cantar doce e o som das variações da água a cair, faziam-no relaxar e sorrir. 

    Ele cantarolava sem letra acompanhando os ritmos com mais ou menos força da água, ria, outras vezes inventava letras, aplaudia feliz. 

    Ele dizia que aquela água tinha cristais, quando o sol dava na fonte. Às vezes olhava para a fonte e via pequenos arco-íris a flutuar, a andar pela água, a pairar em frente aos seus olhos. 

foto de Lara Rocha 

  Quando isso acontecia, soltava grandes exclamações de encanto: 

- Áhhhhhh....que lindo! Como é que isto veio aqui parar? 

   Imaginava-se muito leve, tão leve como aquela água e os arco-íris. Imaginava que era o próprio arco-íris e tinha consigo um caderno, uma lapiseira onde escrevia tudo o que mais gostava. Até o que imaginava ver enquanto arco-íris, ou o que cantaria a água. 

   Outras vezes achava que aqueles arco-íris eram seres mágicos da floresta, como nas histórias que os adultos lhe contavam, e ele próprio completava com a sua imaginação, gostos, os cenários, as personagens, sendo ele próprio uma delas. 

    Não gostava quando as abelhas se aproximavam da fonte. Pedia-lhes para elas não o picarem e ficava imóvel. Elas só queriam beber, e brincar com as flores, alimentar-se. 

- Fica descansado! Só queremos beber e descansar nas flores, alimentarmo-nos. Podemos? - pediu uma abelha 

- Está bem! Se não me picarem...estejam à vontade. - diz o rapaz 

- Se não mexeres connosco, nem nos bateres podemos conviver como bons amigos! - diz outra abelha

- Combinado! - diz o rapaz, e acrescenta: 

- Gosto muito desta fonte! 

- Nós também! - dizem as abelhas em coro 

    Quando as ouvia zumbir, parecia-lhe que estavam a cantar, ou às vezes a ralhar umas com as outras. O menino ria à gargalhada, e elas riam com ele, imitava os sons das abelhas e parecia estar a cantar ou a conversar com elas, com as flores. 

    Ele apreciava cada detalhe das flores, desenhava algumas, conversava com elas. Adorava ver borboletas que pousavam na água para beber, e era cada qual a mais bonita. 

  Perguntava-lhes como era ser borboleta, e elas respondiam-lhe, ele escrevia. Imaginava-se como borboleta, os passeios que daria se fosse como elas. 

    Parecia que também cantavam, ou tocavam piano com as suas finas patinhas, e asas que batiam na água. 

    Elas saltitavam e dançavam, e ele fazia o mesmo em terra, depois de acompanhar todos os movimentos delas. 

    Outra coisa que para ele era mágico: ouvir o som do vento entre as folhas das árvores, as agulhas dos pinheiros, as flores, as searas de milho nos campos, a erva do chão. 

    Ao ouvir o som da chuva, ele pensava se não se magoariam. Adorava vê-la cair, todo o tipo de chuva: a mais fina, a chuva com granizo, a chuva pesada que inundava tudo, a chuva com a trovoada, a chuva com vento, a chuva silenciosa. 

    Imaginava a chuva, e a trovoada como pessoas, um casal a discutir ou a conversar, como pessoas, ou instrumentos musicais. 

  Imaginava conversas entre os cães, gatos, pássaros, galinhas, pintainhos, porcos, galos, cavalos, vacas, ovelhas e tudo o que via. 

    Acariciava e apreciava cada tronco, galho, e musgo de cada árvore, sorria, falava com elas, agradecia, abraçava as que conseguia, encostava-se a elas, para apreciar tudo o que tinha à sua volta, todas as maravilhas e tesouros. 

  Adorava tudo o que o rodeava, tratava todos os animais e pessoas com carinho, ajudava-as, deitava-se na terra, que adorava fazê-lo. 

  Adorava o sol, as nuvens, as pedras, as frutas, o frio e o calor, mexer na terra, senti-la, cheirá-la, tocar-lhe. 

  A sua família e amigos chegaram a pensar que ele teria algum problema de saúde mental mas não tinham a certeza, porque ele era um menino como os outros. 

   Os pais e os avós, os tios, as tias, os primos, as primas também brincavam com ele, e davam-lhe atenção, mas todos os dias ele tinha esses momentos só para si. 

    Agradecia por tudo o que tinha, por tudo o que via, por tudo o que a terra lhe oferecia. Ensinou os adultos e as crianças a fazer o mesmo. 

    Uns seguiram o exemplo dele, e adoraram, outros não, ou só faziam alguma coisa, de vez em quando. Ele não se importava, porque ao fazer isso, era feliz, e ajudou muita gente a ser feliz. 

    Sentia-se preenchido, era saudável e sonhador!

E vocês? 

Reparam e agradecem, apreciam tudo o que têm à vossa volta? 

O que veem à vossa volta? 

Descrevam num papel, ou podem partilhar aqui, um lugar à vossa volta, um caminho, e escrever tudo o que veem, ou tudo o que viram, tudo o que imaginaram, e gostariam que esse sítio tivesse. 

E destes lugares da história? 

Qual ou quais cenários gostaram mais? 

O que, ou como imaginavam? 

                                FIM 

                            Lara Rocha 

                            30/10/2023