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terça-feira, 2 de abril de 2024

O tornado arco-íris

Era uma vez um tufão pequenino, com as cores do arco-íris. Ele queria ser visto, e tinha de cumprir as ordens da Natureza, quando ela mandava aparecer, mas sentia-se envergonhado e nervoso porque ainda era pequenino. 
    Ainda não conhecia a sua força destruidora, mas sabia que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. Já tinha ouvido falar, e sentia medo.
    Não queria magoar as pessoas da Terra, nem destruir as suas coisas que lhes fazem tanta falta. A Mãe Natureza mandou-o aparecer na cidade, e mesmo sem querer, lá foi ele. 
    Surgiu por trás de um monte na cidade, como um pequenino arco-íris, com as suas lindas cores, ondulando, e dançando ao sabor do vento, que era muito mais forte. 
   O pequenino tornado estava tímido e com medo, por isso o arco-íris não aumentou. O vento mais forte do que ele ri à gargalhada e comenta: 

- Pareces uma chama insignificante! A abanar com o meu sopro! 

  Um trovão estrondoso rasga as nuvens, o vento forte treme e fica gelado. 

- Mas o que é isto? O vento que também já foi deste tamanho, armado em forte, só porque agora é maior, a gozar com o mais fraco?! Achas bem? Tu também tens medo de mim! Tiveste medo, das primeiras vezes que apareceste na cidade...parece que já te esqueceste, e eu não te humilhei, pois não? Nem humilho!  

    O vento maior não sabe onde se meter com a vergonha, e tenta fugir. 

- Nem te atrevas a fugir, que eu vou atrás de ti. Responde! Assume que sentias medo, e sentes medo de mim, em vez de fugir. - grita o trovão

- Sim, é verdade...senti medo, e sinto. Desculpe… - responde o vento 

- Não é a mim que tens de pedir desculpa, é ao pequeno tornado. Não vês que ele ainda é pequeno? Tu nunca foste deste tamanho? Deste tamanho não sentias medo…? (ri) Óh, que valentão que eras, claro! 

- Desculpa, pequeno tornado! 

- Como és bonito, pequeno tornado. Não fiques envergonhado! Em breve, vais ser tão forte como ele! Tens umas cores maravilhosas, para encantar as pessoas da cidade. Ele é invisível, só o sentem. - diz o trovão 

- Obrigado! Mas eles não me veem. - diz o tornado envergonhado 

- Eles agora veem mais computadores e telemóveis à frente, mas ainda há quem repare em ti, principalmente os mais pequenitos, e adultos. - diz o trovão 

- Ele disse que eu parecia uma chama insignificante, a abanar com o sopro dele… - queixa-se o tornado  

- Eu ouvi. Uma chama a ondular com o vento também se vê, e é bonito. Não lhe ligues! És pequenino e envergonhado, não tem problema nenhum. Um dia destes vais ser grande e extrovertido, todos vão reparar na tua beleza. - incentiva o trovão 

- Ai, que vergonha. 

- Vergonha nada! Isso é só no início, mas habituas-te. Tenho a certeza! 

(O pequenito tornado sorri)

- Ai de ti que voltes a desvalorizar o pequeno! Já sabes como é que eu sou! - avisa o trovão 

- Sim, senhor. Sei muito bem. 

- Principalmente, quando vejo injustiças como esta, e mais comportamentos, por isso…! 

- Sim, Sr. Trovão. 

- Olha que eu estou atento. Faz a tua tarefa, sem comentários infelizes. 

- Combinado! 

    O trovão recolhe, e fica de orelha levantada. O furacão sopra mais forte e o pequeno tornado volta a abanar como se fosse uma chama. Algumas pessoas na cidade reparam nele, e fotografam-no.

- Ai, que vergonha, tanta gente a olhar por mim, e a fotografar-me! Será que estou apresentável, e bem arranjado? 

- Queres ser visto, e tens vergonha? - comenta o furacão a rir à gargalhada. 

    O trovão dispara outra vez, as pessoas na cidade gritam, umas fogem assustadas, outras tentam proteger-se, porque cai um chuveiro fenomenal, com saraiva à mistura.

- Outra vez? - pergunta o trovão furioso - Estás muito bonito, pequeno! Olha como tiveste pessoas a olhar para ti? Até te fotografaram...e ficaram a ver se crescias. Ainda não cresceste, mas cumpriste o teu papel: encantar as pessoas da cidade! Parabéns! Não sintas vergonha por ainda seres pequeno! Tens tanta beleza como um arco-íris grande. Não tenhas pressa de crescer. És na mesma apreciado, ou ainda mais, por seres como és! As pessoas gostam de ver arco-íris, estão mais habituadas aos grandes, mas é bom verem pequeninos, enche-os de ternura, que eles bem precisam. Até te fotografaram, eu percebi que ficaram encantados. Ainda estão a olhar para ti, vejo daqui o brilho nos seus olhos e sorrisos, com ternura. Estão deliciados, como se estivessem a ver uma criança, que és! Linda criança! 

- Obrigado! - diz o tornado a sorrir 

 A Mãe Natureza está orgulhosa, e manda o pequeno tornado para casa, onde os seus pais também sentem orgulho por ele ter chamado a atenção. 

- Muito bem, filho! Continua...para a próxima estarás maior, mas para já, valeu a pena! O trovão tem toda a razão...lembra-te das palavras dele. 

  Passados uns dias, o pequeno tornado, com as cores do arco-íris, ganha força, cresce, e a Mãe Natureza manda-o para a cidade. 

 Mesmo ainda com alguma vergonha, mas maior, ele lembrou-se das palavras do trovão, e aparece por trás do monte, até meio círculo, vaidoso.  

 Os habitantes ficam encantados, fotografam, sorriem, soltam exclamações de surpresa, e o tornado recolhe, todos ficam na expectativa para ver se vai desaparecer. 

- Anda cá, vamos brincar com eles…! - diz o furacão

  O tornado arco-íris volta a parecer uma chama ondulante com o vento, mas desta vez, com a ajuda do furacão, faz redemoinho, e começa a subir na vertical, com círculos grandes, em movimento.

 Os habitantes nunca tinham visto tal coisa, ficam assustados porque o vento era fortíssimo, o céu estava muito escuro, as nuvens muito pesadas. 

  Todos repararam, fotografaram, sorriram ao ver aqueles círculos, embora pensassem que se estava a formar um tornado, ficaram a olhar, pareciam hipnotizados. 

- Que bonito! 

- Uau! 

- Nunca tinha visto nada disto! 

- Parece um tornado, mas tem as cores do arco-íris! 

- É mágico!

- Ááááhhhh...mesmo bonito! 

   Todos aplaudem, e os que param para ver: 

- Gratidão, Natureza, por este presente! 

  Pouco depois, o tornado arco-íris desaparece. Quando regressa a casa, todos dizem: 

- Estamos orgulhosos de ti. 

- Obrigada! Obrigado! 

   Partilha a sua experiência com todos, sorriem, continua a crescer, orgulhoso e vaidoso. A Natureza manda-o aparecer, quando ele já está com o triplo do tamanho, e todos repararam na sua beleza, o arco-íris, como o conhecemos agora. 

                              Fim 

                           Lara Rocha 

                            2/Abril/2024 


segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

O arco-íris sobre o mar

 


      Foto de Lara Rocha 

    Era uma vez uma ilha deserta, onde não ia ninguém a não ser aves marinhas e animais aquáticos. Era muito bonita, onde se respirava ar puro, a água era transparente e calma, ouvia-se o seu cantar sereno e melodioso com o movimento das ondas, que se mexiam sem pressa, baixinho. 

     Tinha palmeiras, areia branca e limpa, macia. Era um recanto mágico onde a entrada do ser humano não era permitida. Quem tentava entrar, voltava rapidamente empurrado pelos golfinhos que não os deixavam aproximar-se sequer!  

    Eram vigilantes atentos! Os homens pensavam que no início era brincadeira, mas rapidamente percebiam que os animais não os queriam lá, ficavam irritados e quase os atacavam. 

   As aves cantavam felizes, as gaivotas voavam por todo o lado, pousavam na areia, mergulhavam no mar, sem ser incomodadas nas palmeiras e noutras árvores selvagens. 

    As focas, os leões marinhos, as lontras, os golfinhos, os cavalos marinhos, e toda uma variedade de peixes nadavam livremente, brincavam uns com os outros. 

      Parecia uma ilha de sonho, e era mesmo, porque estava intacta. Não se sabia como tinha nascido ali, há quantos anos ou séculos,  e porque é que ninguém conseguia entrar nesse espaço. 

      Por causa deste mistério, despertava muito a imaginação de quem a via, inspirava a criação de lendas, na tentativa de encontrar as respostas que procuravam. 

    Um dia, o céu ficou escuro na praia da cidade e na ilha. Todos os animais ficaram muito assustados, agitados, inquietos. As aves voavam sem rumo, desajeitadas, assustadas, chocavam umas com as outras e caíam ao mar. 

- Mas o que é que está a acontecer aqui? - pergunta uma gaivota 

- Não sei! Não consigo voar! - diz outra 

- Parece que desaprendi ou que me esqueci de como voar! - lamenta outra assustada.

- Isto não me cheira bem! - comenta uma lontra 

- Nem a mim! - acrescenta um golfinho 

- Está a acontecer ou vai acontecer alguma coisa muito estranha! - diz um leão marinho 

   Levanta-se um forte vento, que começa a sacudir a areia, as palmeiras, as árvores, a fazer redemoinho. 

- O que é isto? - pergunta uma foca assustada 

- Não sei! Nunca vi nada assim. - responde outra assustada 

- Este vento não é normal! - comenta uma gaivota 

- E olhem a cor do céu! - repara outra ave marinha 

- Uuuuiii que medo! - dizem em coro 

     Os peixes parecem ligados à tomada, mexem-se sem saber para onde vão, parece que estão a fugir de alguma coisa. 

- Olhem os peixes! - repara um cavalo marinho 

- Estão loucos…! - responde um leão marinho assustado e espantado 

      As ondas tornam-se revoltas, enormes, como nunca as tinham visto, tudo faz redemoinho, as nuvens estão muito pesadas, parece que vão estourar, e são escuras. 

- Fujam! É uma valente tempestade! - grita outro golfinho

  Os animais escondem-se o mais rápido que podem, nervosos, assustados, e quando encontram abrigo, olham para o céu...por cima e a todo o comprimento da ilha, surge um gigantesco e lindo arco-íris duplo, e na praia da cidade mais outro. 

        Os animais ficam boquiabertos com aquele fenómeno maravilhoso.

- Áh! Que coisa tão bonita! 

- Uau! 

- Que lindo! 

- É enorme. 

- E tem outro mais pequeno ao lado! 

- Na praia da cidade também há. 

- Que raro, aparecerem aqui dois arco-íris. 

- Olhem que bonito! As cores do céu, com algum sol e estes arco-íris… 

- São mesmo! 

- Parece magia! 

- Ááááááhhhh

  Soltam grandes exclamações de espanto, parece que ficam hipnotizados por aquelas belezas, e pouco depois desaparece, com o sol, dando lugar a uma valente chuvada torrencial, vento ciclónico, que deixa os animais nervosos e aos gritos, agarrados às árvores. 

   Debaixo da água, nas suas tocas, porque o mar também está assustador, chega às palmeiras, e bate-lhes com força, parece que engole a areia. 

        A chuva faz fumo ao cair no mar. Os animais que estão fora de água ficam a apreciar, com medo, mas ao mesmo tempo encantados. Uns valentes trovões rasgam e iluminam os céus. Todos gritam e tentam fugir mas não têm para onde, voltam para o mesmo sítio. 

- Nunca vi nada assim! - comenta uma gaivota 

- Nem eu. Quer dizer, vi na outra praia… - diz outra gaivota 

- Se calhar foram os humanos que mandaram para aqui, como não os deixamos entrar…- diz outra gaivota a rir 

        Todas riem: 

- Se calhar tens razão! 

- Que medo! - grita um golfinho do mar 

- O que estás a fazer aqui fora, rapaz? - pergunta uma gaivota 

- Volta a mergulhar. - recomenda outra 

- Vim ver se já tinha passado. E se vocês estão bem! 

- Não te preocupes connosco! Estamos bem… em segurança. - diz a gaivota 

- Põe-te também em segurança! 

- Mergulha. 

        O golfinho volta a mergulhar 

- Está horrível! - comenta o golfinho com os outros 

- Ainda não passou? - pergunta outro 

- Não! Nem está para passar já.   

- E as outras estão em segurança? 

- Disseram que sim. 

- E aquela coisa maravilhosa? 

- Não estava! 

      A tempestade dura várias horas, quando acalma, os arco-íris voltam a aparecer. Os animais abrem grandes sorrisos, respiram de alívio por já ter passado a tempestade, e felizes por verem outra vez aquelas cores tão bonitas do arco-íris. 

- O que será aquilo tão bonito? - pergunta uma foca 

- Será que quer dizer que vai haver outra tempestade? - pergunta outra foca 

- Acho que não! 

- Mas não sei o que é! 

- Nem eu, mas sei que é muito bonito! 

- Ainda bem que já passou. 

- Também acho! 

- Que grande susto! - dizem em coro

        Gargalhada geral. 

- É bom que não volte a acontecer tão cedo! - diz um golfinho 

- Isso acho que é muito improvável! - diz uma gaivota 

- O quê? Acontecer, ou não acontecer? - pergunta uma foca 

- Não acontecer! - dizem todos 

- Pois. Também acho. - concorda a foca 

- É pena aquelas cores tão bonitas, desaparecerem tão rápido! 

- Deviam estar sempre ali, como o sol! 

- Também acho. 

- Olhem como ficou a areia… 

- Toda ensopada! 

- E as palmeiras… 

- Também. 

- O mar bateu ali com uma força! 

- O que nós tivemos de nos agarrar aos troncos e o que nos safou foram aquelas toquinhas. 

        Continuam a conversar, e apesar da tempestade, eles adoraram ver o arco-íris. Para eles foi uma grande e agradável surpresa! Abraçam-se todos, felizes e sorridentes, por terem escapado todos, e a paz da ilha regressa, sem a presença dos humanos, mas possivelmente com mais tempestades. 

        Mas sempre que viam o arco-íris, e sem saber o que era, para eles era qualquer coisa de mágico, e de encher os olhos com aquelas cores. Apesar do medo das tempestades, sabiam que quando estava para acontecer alguma, onde se esconder e abrigar em segurança, até passar. 

     Para eles, a melhor parte eram os arco- íris sobre a ilha que a tornavam ainda mais bonita e aguçava ainda mais a curiosidade, a imaginação dos humanos da praia da cidade, que viam aquele espetáculo natural. 

E vocês? Gostam de ver o arco-íris? 

Quais são as suas cores? 

Gostavam de estar numa ilha como estas? Sim, não, porquê? 

Já viram algum arco-íris? E uma tempestade? Sentiram medo? 

Podem deixar nos comentários.

                                            FIM 

                                       Lara Rocha  

                                   14/Janeiro/2024

        

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A ÁRVORE E OS SEUS BRACINHOS

      
            Foto de Lara Rocha 

       Era uma vez um tronco de uma árvore muito grosso e largo, cheio de braços com garras finas, que vivia numa floresta. Num dia de Inverno, os galhos observaram atentamente e muito curiosos, um céu cinzento e nuvens roxas, azuis escuras, violetas.
        Eles preferiam o sol, é claro, mas amavam a natureza, por isso aceitavam e respeitavam! Os galhos sentiram uma enorme vontade de tocar nas nuvens.
        Os braços mais carinhosos queriam pegar nelas, deitá-las e sentá-las nos seus colos, embalá-las nos seus braços para dormirem.  Os mais delicados queriam tocar-lhes para saber como eram. Os mais comilões queriam poder prová-las ou trincá-las.
O mais agressivo, o mais nervoso e o mais resmungão, queriam chegar-lhes e arranhá-las, rasgá-las, pisá-las, amassá-las e torcê-las. Os mais irrequietos queriam subir, saltar, correr, escorregar, rebolar.
Os mais pesados, queriam ir lá, para ver se ficavam mais leves, os mais tristes queriam abraçar-se às nuvens e conversar com elas. Os mais preguiçosos, os dorminhocos e os sonhadores, queriam as nuvens para fazer uma caminha, uma almofadinha e um cobertor.
Cada um tinha os seus sonhos e desejos. Nesse mesmo dia, depois de uma chuva torrencial, um nevoeiro muito cerrado envolveu toda a floresta.
Os galhos pensaram que o seu desejo se ia realizar, que as nuvens tinham ido ao seu encontro, porque eles estavam presos e não podiam sair, e ficaram muito entusiasmados, felizes…
Tentaram fazer tudo o que queriam, mas perceberam que não conseguiam agarrá-las, nem prová-las, nem tocar-lhes, nem abraçá-las, como tinham imaginado.
Óh…ficaram mesmo tristes! Tão tristes que começaram a chorar. O tronco ficou encharcado, parecia que de repente tinha recomeçado a chover outra vez, muito forte.
O tronco olhou para os galhos e perguntou o porquê de tanta tristeza. Cada um contou os seus desejos, e todos pensaram que podiam realizá-los…
O tronco explicou que não eram nuvens. Era nevoeiro, por isso, nem nas nuvens, nem no nevoeiro podiam ou conseguiam tocar…só na imaginação deles.
Foi mesmo isso que fizeram! Fecharam os olhos e deixaram-se levar pelos seus sonhos, sem nunca sair do seu tronco. Lá…cada um conseguiu realizar o que queria.
E todos sorriram. O sorriso deles foi tão luminoso, e tão doce, sincero, que até as nuvens gostaram, afastaram-se envergonhadas, a sorrir, porque sabiam que aqueles galhos estavam a pensar nelas, parou a chuva…o sol voltou a brilhar, mesmo que com as nuvens por trás.
Para retribuírem a lembrança e o carinho, cada nuvem deu um bocadinho das suas cores através de um sopro, e todas juntas construíram um gigantesco arco-íris, visto em toda a floresta. Os galhos perceberam que foram as nuvens, agradeceram em coro e aplaudiram.
E vocês? Já sonharam com nuvens? Ou imaginaram histórias ao ver as nuvens? O que é que já descobriram lá?

FIM
Lálá
(11/Fevereiro/2016)


        


quinta-feira, 4 de junho de 2015

As amiguinhas da mamã

       Era uma vez uma menina que costumava ter longas conversas com a lua que via da sua janela, enquanto a mãe não chegava a casa do trabalho para a deitar. A menina contava à Lua todo o seu dia, falava da mãe, do pai, dos avós, dos amiguinhos do colégio e dos seus trabalhinhos.
Como adorava livros, até contava histórias, mostrava as imagens e pedia desejos às estrelas. Um dos seus grandes desejos era que a sua mãe arranjasse um emprego onde ganhasse mais dinheiro, mas que tivesse mais tempo para estar com ela, que chegasse mais cedo para brincar com ela, e conversar.
         A mãe ficou desempregada, e nesse dia chegou muito cedo a casa, triste.
- Mamã…já chegaste hoje? – Pergunta a menina surpresa
- Sim, filha. Fiquei sem trabalho!
- Porquê?
- Por coisas muito estranhas…mas não te preocupes com isso!
- E agora?
- Agora, vou procurar outro, mas até lá, tenho mais tempo para ti, poderei brincar mais contigo.
- Boa! As estrelas realizaram o meu desejo! – Grita a menina feliz
- Tu querias que a mãe ficasse sem trabalho?
- Não. Queria que arranjasses um trabalho que te deixasse ficar mais tempo comigo.
- Áh! Está bem. Vamos brincar?
- Sim…
         E a mãe brinca com a filha, conversa e ri, apesar da tristeza. Ela sabia que a menina sentia a sua falta e que precisava mesmo da sua atenção. O sorriso e o brilho nos olhos da filha pela felicidade de estar com a mãe, preenchiam-na e tornavam a tristeza mais leve. Brincam bastante até à hora do jantar, e no fim de jantar a menina disse à mãe:
- Mamã: vou-te apresentar uma nova amiga, hoje.
- Uma nova amiga, do colégio?
- Não. Esta é diferente, mas vais adorar conhecê-la, tenho a certeza.
         Estava uma linda e quente noite de Verão, um céu cheio de estrelas e uma lua cheia enorme. Mãe e filha vão para a janela do quarto da menina onde tem um pequeno sofá. Sentam-se as duas a olhar para a Lua.
- Olha mãe, afinal hoje vou apresentar-te uma amiga e um amigo. A lua hoje está acompanhada.
- Áh. Então a tua nova amiga é a Lua!
- Sim!
- A lua vem sempre acompanhada pelas estrelas, filha.
- Mas hoje a lua vem também com o arco-íris! Olha!
- Áh! Pois é. O teu amigo é o arco-íris.
- Sim.
- Que lindo! Olá Lua, e olá arco-íris, amigos da minha filha…muito gosto em conhecer-vos. Eu sou a mãe da vossa amiguinha!
- (ri) É. A lua hoje está mais bonita sabes porquê, mãe?
- Hum…será porque está cheia?
- Sim, mas também é porque estás comigo, e os teus olhos lindos reflectem-se nela!
-Ela até fica com inveja!
- (ri) Não. A lua não é invejosa, porque ela sabe que é tão bonita como tu.
- Sabe?
- Sabe! E também acha que és muito bonita.
- É? Obrigada lua. Mas ela conhece-me?
- Conhece! Ela vê tudo. E eu falho-lhe muito de ti, todos os dias enquanto não chegas! Disse-lhe que um dia ela ia conhecer-te. Olha lua, esta é a minha mãe! É linda não é? Eu disse-te. Olha mãe, ela está a sorrir para ti!
- Áh! Olá Lua. Muito gosto.
- Lua…pede às estrelas que arranjem um trabalho para a minha mãe que dê para ficar mais tempo comigo e ganhar dinheiro. Está bem?
- Óh filha, tão querida… Agora vou ter mais tempo para ti.
- Boa! A lua tem asas! Mas eu tenho os teus braços que me pegam ao colo, que me abraçam e que me seguram ou adormecem. Gostavas de ser lua, mãe?
- É verdade. Eu gosto muito de ver a lua, mas não gostava de ser lua. Se fosse lua não te podia ter nem tocar-te.
- Pois era. Eu também não queria que fosses uma lua…só se eu fosse uma estrela… ou o sol, mas não gostava. Gosto muito de ver a lua cá de baixo, mas gosto ainda mais de te ter aqui comigo, mamã!
- Eu também, querida estrelinha, minha estrelinha que faz brilhar todo o meu ser.
- Em ti é que brilham todas as estrelas e luas que me enchem de alegria.
- Olha, agora a lua tem asas!
- Pois tem. É uma fada que está lá a dormir.
- É? Uma fada? Como é que sabes?
- Sou amiga dela, já desde bebé!
- A sério? Como é que ela é?
- É linda, pequenina. Só consegues vê-la quando estiveres deitada, quentinha e de olhos fechados. Queres vê-la?
- Sim!
- Então vamo-nos deitar e eu vou convidá-la a entrar.
- Está bem.
         As duas deitam-se na cama grande, abraçadas, e trocam mimos.
- Achas que ela vai gostar do meu pijama, mamã?
- Vai.
- Ela também usa pijama?
- Usa. O dela também é muito bonito, vais ver. Fecha os olhos…vou chamá-la!
         A menina fecha os olhos, sorridente e a mãe conta-lhe uma história maravilhosa e encantada que imaginou com a idade da sua filha sempre que olhava para a lua, como faz agora a estrela que brilha no seu coração e no seu olhar.
Nessa noite, as duas viram e sentiram a pequenina fada amiga da mãe que vivia na lua…era por isso que viam asinhas na lua, as asas da fantasia, do sonho. As duas adormecem felizes e serenas, abraçadas.
         E depois dessa noite, as duas viveram mais aventuras, deram passeios e brincaram com a fadinha que as levava para onde queriam.
         E a vossa mamã também já vos apresentaram as suas amiguinhas mágicas da infância? Peçam-lhes para vos apresentarem e contarem as suas aventuras, passeios ou brincadeiras juntas.
FIM
LÁLÁ

(3/JUNHO/2015)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

AS SETE UTILIDADES DOS ARCO-ÍRIS


        Era uma vez um grupo de belos arco-íris que viviam nas nuvens, e agradavam a todos os habitantes de árvores gigantes, e na terra. Eram cobiçados por todos.
        Um dia, quando um arco-íris se preparava para aparecer na terra entre as nuvens, um anão que vivia no cimo de uma árvores tão gigante que tocava nas nuvens, estava na sua varanda e puxou o arco-íris. Gostou tanto dele que o meteu num frasco.
        O anão gostava tanto dele que olhava todos os dias para o frasco onde o tinha prendido e andava com o frasco sempre atrás dele, abrindo um grande sorriso.
        Um dia, o anão tropeçou, caiu, o frasco partiu e o arco-íris saiu.
        Numa outra nuvem, uma gotinha de chuva estava a precisar de uma nova toalha para a sua saída de banho. Quando ia a sair a porta, puxou outro arco-íris do grupo, e limpou-se a ele. Até se sentiu mais bonita.
        Numa outra nuvem, vivia uma cozinheira que precisava de apoios e pegas para as panelas. Quando viu um arco-íris, agarrou nele, cortou-o em vários pedaços e usou esses pedaços para as pegas e apoios que precisava.
        Outro arco-íris foi apanhado por uma jovem cegonha que voava com um bebé, e como estava muito vento, pediu ao arco-íris que a cobrisse e ao bebé também. O arco-íris fê-lo com todo o gosto. Tanto o bebé como a cegonha, ficaram muito mais quentinhos.
        Um pequeno pintor, que vivia noutra nuvem, estava sem tintas. Quando ia sair para as comprar, cruza-se com outro arco-íris, agarra nele, espreme cada uma das cores, torce-as, para frascos, mistura as cores, e arranja muitas cores.
        Um monstrinho que era muito guloso e comilão, mal viu um arco-íris à sua frente, não resistiu. Transformou as sete cores do arco-íris em rebuçados, doces, gomas, borrachinhas e outras coisas que ele adorava comer.    
         Por fim, muitos dos arco-íris foram sugados pelas nuvens, para enfeitarem os campos na terra e serem admirados pelos habitantes.
        E vocês? Se pudessem pegar no arco-íris, o que faziam com ele? Imaginem e desenhem, ou peçam a alguém para escrever. Divirtam-se e vejam como é lindo um arco-íris.

FIM
Lálá

(1/Dezembro/2014)