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domingo, 20 de setembro de 2020

As árvores e os balões

         


       Era uma vez um jardim de uma cidade, que parecia igual aos outros, com árvores enormes, umas mais frondosas do que outras, e todas estavam imóveis, aparentemente! Sim, aparentemente imóveis, porque quando não havia ninguém nas ruas, e reinava o silêncio da noite, estas árvores divertiam-se a jogar aos balões. 

        Isso mesmo! Todos os dias, algumas crianças deixavam fugir balões, para grande tristeza delas, que voavam das suas pequeninas mãos, ou dos vendedores, e repousavam nos ramos das árvores, lá em cima, onde não se conseguia chegar.

        Uma das árvores, que era mais sensível, quando os balões chegavam aos seus ramos, desprendia-os, sacudindo-se, ou com a ajuda de outros ramos mais fininhos, e devolvia o balão ao pequenito. 

        Mas nem todas faziam o mesmo, porque também elas adoravam balões e faziam verdadeiros torneios com equipas, entre si. Atiravam vários balões ao mesmo tempo, umas para as outras. 

        Um mocho era o árbitro, e juiz de ar. Dava-se ao trabalho de contar quantas vezes os balões não tocavam em nenhuma árvore, e se saíssem fora daquele espaço onde estavam, ou furassem balões de propósito por estarem zangadas, era-lhes mostrada uma pequena lâmpada vermelha que alguém tinha deixado no parque. 

        As árvores divertiam-se muito, riam, partilhavam os balões, mas também se zangavam, discutiam, ralhavam umas com as outras quando não corria como esperavam. O mocho não admitia que chamassem nomes feios, e castigava se houvesse lutas entre elas. 

        Por cada jogo, somavam pontos e ganhavam elogios. No fim de cada jogo tinham de trocar abraços, encostando e entrelaçando os ramos mais finos, agitando as folhas com as outras equipas, e o mocho seguia com os seus olhos, cada movimento, cada troca de abraço.

        De vez em quando, faziam campeonatos de jogos de balões, que voavam sem parar, de forma desorganizada, violenta e apressada, com a ansiedade e vontade de todas ganharem. O mocho ficava nervoso, e tonto dos olhos, mandava parar os jogos, obrigava-as a relaxar e a jogar com juízo, caso contrário ninguém se entendia e deixava de ser jogo. 

        Ficavam tão nervosas e entusiasmadas que nem ouviam o árbitro. Nessas alturas,  recolhia todos os balões e lançava um forte piar, que quase parecia mais agudo do que os apitos. As árvores arrepiavam-se até à raiz, estremeciam e pareciam congelar. 

        Quando o mocho percebia que estavam mais calmas, dizia: 

- Vamos voltar ao torneio, com juízo, se não, ficam todas sem pontos. 

        Mais calmas, voltavam a jogar divertidas, com os balões até ficarem completamente vazios. Ao nascer do sol, as árvores continuavam no mesmo sítio, e afinal...estes jogos de balões, aconteceram na imaginação de um menino que olhou para uma árvore cheia de balões entalados nos ramos, uns mais cheios, outros mais vazios. 

        Ficou muito curioso sobre o que aconteceria aos balões que fugiam. Para onde iriam? Será que as árvores também gostavam de balões, e de jogar com eles? E vocês? O que acham que acontece aos balões que fogem? Para onde irão? Serão atacados por aves? Ou voarão até se esvaziarem? 

        Podem deixar as vossas respostas nos comentários :) 

                                                          FIM 

                                                          Lálá 

                                                   16/Setembro/2020

       

domingo, 11 de setembro de 2016

Não acordem a princesa

       

Era uma vez uma princesa, mas não era de carne e osso, como nós. Era uma princesa muito especial, que nem todos a viam, só algumas pessoas, aquelas mais antigas que viviam nas montanhas e que amavam a natureza. Conheciam-na desde crianças e tratavam muito bem dela.

Ela era feita de folhas das árvores, como aquelas folhas que caem no Outono, linda, leve, com muitas cores. Fazia grandes caminhadas pela cidade e pelas montanhas, o ano quase todo, por muitos países, até que a partir de 21 de Setembro ela repousava para descansar. O seu sítio preferido para o fazer era em cima de relva, macia, fofa, grande, ou aparada, isso tanto lhe fazia.

Uma vez deitou-se no jardim da cidade onde viviam muitas crianças, e pessoas mais velhas, ocupou um espaço muito grande que ficou coberto de folhas.

As crianças iam a passear com os seus avós e preparavam-se para saltar em cima das folhas, mas os avós gritaram-lhes que parassem imediatamente.

- Parem! – Gritam os avós em coro

- Essas folhas não são para pisar. – Recomenda uma avó

- São só para ser apreciadas. – Diz outra avó

- Porquê? – Perguntam as crianças

- Se elas estão no chão podem ser pisadas. – Insiste uma das crianças  

- Não! – Gritam os avós em coro

- Porquê? – Voltam a perguntar as crianças  

- Porque vão pisar a princesa. – Diz uma avó.

- O quê? – Perguntam as crianças em coro

- Que princesa? – Pergunta uma menina

- Eu não estou a ver aqui ninguém! – Diz outra menina

- Nem eu! – Dizem todos

- A princesa está deitada. – Repara outra avó

- Xiu! – Dizem todos os avós

- Não façam barulho. – Diz outra avó.

- Acho que a minha avó está a perder o juizinho… - Diz um menino muito chocado

- Também acho! – Concordam todos

- A minha também… - Comenta outra criança

- A minha mãe tem razão. A minha avó está a ficar tolinha com a idade. – Diz outro menino

- O quê? – Perguntam os avós

- Eu não estou a ver nenhuma princesa… só vejo folhas. – Repara uma criança

- Mas está aí! A princesa é feita de folhas… - Diz outra Avó

- Como ela está linda! – Diz um Avô a sorrir

- Ela sempre foi linda. – Corrige a sua esposa

- Áh…eu acho que vocês não estão bem, Avós! – Diz outra menina

- Mas que atrevida! – Ralha a sua avó zangada

- Estejam calados…- Recomenda outra avó

- E quietos! – Diz outro avô.

A princesa mexe-se, e algumas folhas do seu vestido levantam, mexem e voltam a pousar. Todos sorriem.

- Ela mexeu-se! – Diz uma avó

- Quem? – Perguntam as crianças

- A tal princesa que os avós estão a ver. – Comenta outra menina

- Não a acordem…deixem-na descansar. – Recomenda outra avó

- Acho que vou avisar a minha mãe… - Comenta outra menina

- Eu também. – Diz outra menina

- A tua mãe também conhece a princesa. – Responde a Avó, ofendida

- Ela também a vê? – Pergunta a menina

- Vê. – Garante a avó

- E porque é que eu não a vejo? Será que ela é um… - comenta a menina

- Cala-te! Não é nada disso.

- Ela existe. Está a descansar…viram-na a mexer?

- Não façam barulho. – Resmungam todos os avós

- Eu só vi folhas a levantar e a pousar. – Recorda outro menino

- Pois…ela mexeu-se. – Diz a sua avó

A princesa mexe-se mais um pouco e algumas folhas rodopiam e levantam outra vez. As crianças não estão a perceber nada, e até estão assustadas. Vão para casa e contam aos pais. As mães confirmam, os pais quase quebram a magia, mas as mães cortam-lhes a palavra, e eles acabam por confirmar também.

No dia seguinte, as crianças voltam a sair com os avós, e à espera de ver se a tal princesa vai aparecer. Aparece mesmo, aliás continua lá, a descansar…as crianças preparam-se para pisá-las, escorregar em cima delas, fazem uma gritaria tão grande e correm, os avós não conseguem pará-los.

A princesa acorda muito assustada, levanta-se e foge, esconde-se atrás de uma árvore a quem se abraça. Formam-se uma grande ventania e as folhas levantam todas, voam, rodopiam, amontoa-se aos pés e à volta do tronco da árvore, no chão.

As crianças adoraram ver aquelas folhas todas pelo ar, a rodar e a esvoaçar de um lado para o outro, muito rápido…adoraram ver aquele espetáculo de cores. Os avós ficam muito irritados, e ordenaram que parassem. Puseram-nos de castigo, e levaram-nos de volta para casa. Nos dias seguintes não foram.

A princesa voltou a dormir, mais uns dias, até ao dia 22 de Setembro. Muitos avós sabiam que ela ia acordar nesse dia, e foram ter com ela. O seu despertar era sempre um momento de paz, e especialmente bonito para eles.

Nesse dia, o sol deu um beijinho à princesa, e ela acordou devagar, levantou-se a sorrir, os avós sorriram com ela, sacudiu-se e as folhas abanaram suavemente. Sentou-se, e levantou-se.

O sol ficou mais quente, mas pouco depois, quando ela se cruzou com a princesa Verona, que estava de saída para outros sítios, deixou cair algumas lágrimas em cima da princesa quando trocaram um abraço de amizade, e o céu ficou mais carregado. Os avós agradeceram à princesa Verona e desejaram-lhe boa viagem.

O vento tornou-se mais forte, e o seu vestido esvoaçou por onde passou. A princesa para anunciar a sua chegada espalhou folhas de árvores de muitas cores e tamanhos por todo o lado, cumprimentou toda a gente que passava, espalhou ouriços, castanhas, uvas, espigas de milho, bolotas e outros mimos, como amoras e flores silvestres.

Salpicou as árvores com as cores do seu vestido, borrifou folhas de cores diferentes, e o sol brilhou mais forte outra vez, para tornar as cores mais visíveis.  

- Olá princesa! – Dizem todos

- Olá! – Responde ela a sorrir

Nesse dia, as crianças perceberam de quem se tratava…viram a princesa que os Avós e os pais lhes falavam…e que já não estava deitada na relva…andava por lá, a espalhar a sua beleza.

Era a princesa Outonia…mais conhecida por Outono…a estação do ano em que estavam a entrar! Desse dia em diante, até ao Inverno, as paisagens mudaram, houve muitas festas, como magustos, desfiles de cores e folhas, colheitas, e muitas coisas boas.  


Esta princesa já chegou à vossa cidade? Já a viram deitada na relva? O que é que ela espalhou na vossa cidade?


FIM

Lálá

(10/Setembro/2016)

domingo, 19 de junho de 2016

As botas

Lara Rocha 

Era uma vez uma família de andorinhas que emigrou do seu país de origem pelas alterações climáticas, que tornaram o ar da cidade muito poluído, com ondas de calor insuportáveis daquelas que nem dava para mexer uma pena…e muitos ficaram doentes porque em vez de boa comida e água limpa, passou a haver toneladas de lixo.
Voaram milhares de quilómetros, pararam em vários sítios que gostaram para descansar, mas decidiram continuar, até que chegaram a uma aldeia no meio de uma montanha muito alta, com muito poucas casas, muitas árvores, e gado a pastar.
O vento estava forte, apesar de sol. Viram uma fonte, beberam, refrescaram-se, e pousaram na relva macia, debaixo de uma árvore à sombra. Olharam em volta, respiraram e gostaram do ar, do silêncio quase total que já não ouviam há tanto tempo, sentiram paz, e que era ali!
Tinham encontrado finalmente um sítio que reunia tudo o que queriam, procuravam…quer dizer…só faltava uma casa! Haviam de encontrar, mas primeiro quiseram descansar…estavam tão cansados que nem ouviram os movimentos e as vozes das pessoas. Só acordaram quando a fome apertava, e comida não faltava! Estavam mesmo em paz.
Quando se sentiram mais fortes foram conhecer a floresta à procura de um ninho, e tudo era lindo: as flores, as árvores, as fontes, os animais, os sons e as cores que os rodeavam…até que viraram as cabeças e viram umas botas grandes que tinham ar de ter sido abandonadas! E estavam mesmo abandonadas. Tinham sido deixadas por um dos humanos por estarem velhas.
Elas não sabiam que o que estavam a ver eram botas, só que já tinham visto muitas nas cidades por onde passaram à beira do lixo. Espreitaram, não cheiravam a nada e por dentro estavam boas.
As andorinhas não procuraram mais, pois já estavam habituadas a ter de se desenrascar, inventar e criar habitações, meios de sobreviver e de se protegerem. Aproveitaram o par de botas e puseram-nas encostadas a uma árvore muito grande, velha, com um grande buraco no tronco.
Usaram tudo o que precisavam e mais gostavam para o ninho que ficou dentro do tronco, muito espaçoso e aconchegante, confortável. Uma bota pousada num ramo de uma árvore serviu de teto para tapar o ninho e a outra bota serviu de porta que elas puxavam nos dias de tempestade e frio.
Estavam maravilhosamente bem instaladas e sossegadas, rapidamente conheceram outras andorinhas que também tinham fugido e que se instalaram nas árvores à volta, quase parecia um condomínio fechado, onde todas eram como família, e usavam às vezes a bota da porta para abrigar, quando havia convívios nos dias frios e chuvosos. Todas partilhavam coisas umas com as outras, o que precisavam, todas ajudavam e faziam muitas festas.
Quando chegou a altura de ovos e bebés, a bota de entrada serviu muitas vezes de infantário onde estavam sempre acompanhados e vigiados por adultos que se revezavam enquanto iam buscar comida.
Umas fadas gostaram tanto da ideia das andorinhas que preparam uma surpresa para todas. Arranjaram mais pares de botas que estavam velhas e transformaram-nas em autênticos prédios para andorinhas, espaçosos, climatizados com uma temperatura sempre agradável que todas suportavam bem, com janelas que abriam e fechavam, infantário, parque e centro de convívio para as andorinhas mais velhas…depois, estes prédios abrigaram outros pássaros de outras espécies que eram sempre muito bem recebidos.

O que alguns deitam fora só porque estão com um aspeto menos bonito, outros aproveitam!

                                                           FIM
                                                           Lálá
                                                    (17/Junho/2016)
   

   

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

O mistério das árvores

        

foto de Lara Rocha 

         Era uma vez um jardim na casa de uma família onde existiam muitas árvores que pareciam iguais às outras, umas grandes, outras pequenas, umas mais largas outras mais finas, umas com mais galhos, outras com menos, mais folhas, menos folhas, cores diferentes, e serviam de abrigo a muitos passarinhos.
As pessoas não lhes ligavam, raramente olhavam para elas, só quando mudavam as estações a correr, para ver se tinham folhas ou se estavam carecas, mas logo voltavam à sua vida, ou lembravam-se delas, quando agradeciam nas suas orações noturnas a sua presença. 
Mesmo com tanta indiferença dos humanos, as árvores continuavam resistentes, de pé, e felizes, porque sabiam o seu valor.
            Um dia, a menina parou de trabalhar e sentou-se numa cadeira no sótão. Olhou para a janela e para as árvores que eram verdes, frondosas e na sua copa viu fios dourados, muito finos. Ela nunca tinha visto nada assim...por isso ficou maravilhada e surpresa.
Que fios eram aqueles? Será que já tinham estado ali desde sempre e ela nunca reparou, ou só estariam lá hoje? O que seria? Mil perguntas encheram a sua cabeça, e enquanto isso, do nada… os fios começaram a desaparecer. Olhou outra vez e já não havia um único fio dourado.
Como tinham desaparecido foi jantar, e quando se ia deitar foi ver a linda lua cheia, olhou para a árvore e reparou que não haviam fios dourados, mas sim fios prateados muito leves, que ondulavam para um lado e para o outro na copa da árvore que ela achava que era a mesma, ficou surpresa e pensativa…mas foi dormir.
De manhã cedo, acordou e olhou para a árvore…não havia fios dourados, nem prateados, mas havia uma cor azulada, parecia que estava uma nuvem leve em cima da copa da árvore, e brilhantes por todo o lado, uns que brilhavam mais, outros que brilhavam menos, e pareciam cristais tão transparentes que quase se viam arco-íris.
Noutra árvore os cristais deslizavam pelos troncos, e outros pendurados nos troncos, outros pousados no musgo, noutra árvore ao lado ela viu mesmo pequeninos arco-íris vindos não se sabia de onde.
Muito preocupada e assustada, foi contar aos seus avós. Estes sorriram e não lhe contaram o segredo daquele mistério todo. Só lhe disseram que os fios dourados, os fios prateados, os cristais e os arco-íris eram as danças das fadas da natureza, quando se encontravam com os anjos, para nos lembrar que a natureza é perfeita, o mundo existe, está cheio de magia, beleza e mistérios que nunca saberemos explicar! Nem são para compreendermos, apenas para aproveitarmos e saborearmos cada mimo que ela nos oferece, cuidar dela, protegê-la, respeitá-la a amá-la!
A partir daí ela passou a estar muito mais atenta, todos os dias, para ver todas as surpresas da natureza! Elas não paravam….e até despertou esse gosto nos outros elementos da família, que muitas vezes pareciam distraídos com o trabalho.
Aliás…só a natureza é perfeita!
            E vocês? O que acham que poderiam ver de uma janela para as árvores?

FIM
Lálá
(26/Fevereiro/2016)



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A ÁRVORE E OS SEUS BRACINHOS

      
            Foto de Lara Rocha 

       Era uma vez um tronco de uma árvore muito grosso e largo, cheio de braços com garras finas, que vivia numa floresta. Num dia de Inverno, os galhos observaram atentamente e muito curiosos, um céu cinzento e nuvens roxas, azuis escuras, violetas.
        Eles preferiam o sol, é claro, mas amavam a natureza, por isso aceitavam e respeitavam! Os galhos sentiram uma enorme vontade de tocar nas nuvens.
        Os braços mais carinhosos queriam pegar nelas, deitá-las e sentá-las nos seus colos, embalá-las nos seus braços para dormirem.  Os mais delicados queriam tocar-lhes para saber como eram. Os mais comilões queriam poder prová-las ou trincá-las.
O mais agressivo, o mais nervoso e o mais resmungão, queriam chegar-lhes e arranhá-las, rasgá-las, pisá-las, amassá-las e torcê-las. Os mais irrequietos queriam subir, saltar, correr, escorregar, rebolar.
Os mais pesados, queriam ir lá, para ver se ficavam mais leves, os mais tristes queriam abraçar-se às nuvens e conversar com elas. Os mais preguiçosos, os dorminhocos e os sonhadores, queriam as nuvens para fazer uma caminha, uma almofadinha e um cobertor.
Cada um tinha os seus sonhos e desejos. Nesse mesmo dia, depois de uma chuva torrencial, um nevoeiro muito cerrado envolveu toda a floresta.
Os galhos pensaram que o seu desejo se ia realizar, que as nuvens tinham ido ao seu encontro, porque eles estavam presos e não podiam sair, e ficaram muito entusiasmados, felizes…
Tentaram fazer tudo o que queriam, mas perceberam que não conseguiam agarrá-las, nem prová-las, nem tocar-lhes, nem abraçá-las, como tinham imaginado.
Óh…ficaram mesmo tristes! Tão tristes que começaram a chorar. O tronco ficou encharcado, parecia que de repente tinha recomeçado a chover outra vez, muito forte.
O tronco olhou para os galhos e perguntou o porquê de tanta tristeza. Cada um contou os seus desejos, e todos pensaram que podiam realizá-los…
O tronco explicou que não eram nuvens. Era nevoeiro, por isso, nem nas nuvens, nem no nevoeiro podiam ou conseguiam tocar…só na imaginação deles.
Foi mesmo isso que fizeram! Fecharam os olhos e deixaram-se levar pelos seus sonhos, sem nunca sair do seu tronco. Lá…cada um conseguiu realizar o que queria.
E todos sorriram. O sorriso deles foi tão luminoso, e tão doce, sincero, que até as nuvens gostaram, afastaram-se envergonhadas, a sorrir, porque sabiam que aqueles galhos estavam a pensar nelas, parou a chuva…o sol voltou a brilhar, mesmo que com as nuvens por trás.
Para retribuírem a lembrança e o carinho, cada nuvem deu um bocadinho das suas cores através de um sopro, e todas juntas construíram um gigantesco arco-íris, visto em toda a floresta. Os galhos perceberam que foram as nuvens, agradeceram em coro e aplaudiram.
E vocês? Já sonharam com nuvens? Ou imaginaram histórias ao ver as nuvens? O que é que já descobriram lá?

FIM
Lálá
(11/Fevereiro/2016)


        


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O presente da Princesa Verona


A princesa Verona costuma aparecer na terra no Verão, chega no dia 21 de Junho, quando a princesa Vera vai de férias. 
Não é difícil saber que ela chegou, desfila com toda a sua beleza e sedução, todos sentem os seus passos leves, tão leves… que parece flutuar.
As suas roupas saltam à vista de quem passa, pelas suas cores ardentes, e arejadas, frescas, cheia de luz, brilho, alegria, sorrisos e risos. 
Ela é tão especial que contagia todos os seres humanos mais felizes, entusiasmados, procuram as praias, o mar, as montanhas, e tudo o que refresque. 
O Sol entrega-se completamente a ela, fica louco de paixão e desejo por esta princesa, eufórico…
Mas…esta princesa também vai de férias, para a chegada de outra princesa: a Outonia, não sem antes deixar um presente aos terráqueos porque sabe que todos ficam muito tristes quando vai embora. As duas são muito amigas, e encontram-se no dia 21 de Setembro.  
        Este ano a Princesa Verona não sabia o que deixar de presente, e pediu ajuda à sua amiga Outonia que chegou na noite de 20 para 21 de Setembro, com uma Lua Cheia enorme, luminosa, um céu cheio de estrelas, e um ar quente no cimo da montanha mais alta nos arredores da cidade. 
          A Lua sorri às duas.
- Amiga Outonia…fizeste boa viagem?
- Olá Verona, sim, foi muito longa, mas correu tudo bem, obrigada. Já vais embora não é?
- Sim! Vou de férias. Sei que eles vão ficar muito bem entregues. Mas não sei o que lhes deixar de presente desta vez! – Suspira a princesa Verona
            A lua tosse:
- Desculpa, princesa Verona, mas não concordo…acho que já deixaste um belo presente para eles…olha que não merecem tanto. Fartaram-se de pegar incêndios.
- Isso é verdade! – Responde a princesa Verona
- Até tu ficaste com alergias e doente, lembras-te? – Relembra a lua
- Sim, claro que me lembro… - Diz Verona triste
- Então, acho que não devias deixar nada. – Sugere a Lua
- A Lua tem razão, amiga. – Concorda a princesa Outonia
            Faz-se silêncio e as três ficam pensativas.
- Olha…se fazes mesmo questão de deixar alguma coisa…espera até de manhã, e aparecemos as duas juntas, numa dança… - Sugere a Outonia
- Não posso esperar. Tenho de ir andando…bom, este ano não deixo nada. – Diz a Verona
- Ou mandas depois. – Diz a Outonia
- Porque não fazem agora, vocês as duas? Pode ser que alguém vos veja…- Sugere a Lua
- É…também nos divertimos um pouco. O que achas? – Pergunta Outonia
- Está bem! – Concorda Verona
         As duas estalam os dedos, dão umas voltas, rodopiam perto do chão, e aparecem vestidas de gala. 
      Aparece logo o vento coscuvilheiro, e as fadas da Natureza, que começam a tocar com as suas harpas, flautas, violinos, violoncelos, ferrinhos e tambores.
As fadas sabem muito bem que música tocar, e as duas princesas dançam ao som das várias músicas, leves, lindas, de mãos dadas, a flutuar, e cruzam-se várias vezes.
Enquanto dançam, espalham magia por todo o lado, riem, rodam no ar, com os longos cabelos a esvoaçar, as árvores do espaço despertam, e dançam com as princesas…as suas folhas começam a desprender-se devagar, a medo, uma por uma, e também elas dançam umas com as outras, juntamente com as princesas.
Ainda ficam muitas nas árvores, aquelas que são mais tímidas, e que já estão tristes por saber que a princesa Verona vai embora. 
Cada princesa espalha as suas cores, o vento dá uma ajudinha, soprando-as em diferentes direcções, e elas juntam-se, separam-se, fazem rodas sempre a dançar, e a rir, misturam-se ao dar abraços, as princesas acariciam as árvores, e os seus troncos arrepiam-se de frio. 
Umas folhas que caíram dão as mãos e fazem um enorme cobertor de folhas para cobrir os ramos das árvores.
É uma noite cheia de música, de diversão, muitas gargalhadas e brincadeiras entre as duas princesas, as folhas e as árvores. 
Com os primeiros raios da manhã, as centenas de folhas que caíram adormecem no chão, aos pés das árvores, a Princesa Verona saiu discretamente, e silenciosa, suavemente, quando a princesa Outonia também se deitou e dormiu na relva fofa.
Na manhã seguinte, o sol aparece, e a princesa Outonia acorda com a claridade.
- Já é de manhã? Verona…
            Procura Verona pelos arredores, mas não a vê.
- A Verona já foi embora.
- Óhhh…! Não pode ser, e eu adormeci, sem falar mais com ela, ou sem lhe dar um abraço. Óh Verona, podias-me ter acordado! – Diz Outonia, triste
            Do sol, Verona responde:
- Outonia…dorme! Ainda é muito cedo.
- Porque é que já foste embora? Não te vi mais, nem falamos mais, nem te dei um abraço!
- Demos muitos abraços…vá lá, não fiques triste, se não também fico. Eu vou voltar, muito em breve!
- A sério? – Diz Outonia com um sorriso
- Claro que sim. Só chegaste hoje, mas eu ainda vou continuar aí contigo mais uns dias. Para fazermos mais umas festas! Gostei muito desta noite. – Diz Verona sorridente
- Eu também! Era por isso que eu já estava triste…a pensar que só nos veríamos daqui a uns meses! – Responde Outonia
- Não! Já devias saber que todos os anos eu fico contigo mais tempo…não te lembras?
- Claro que me lembro, mas vi-te com tanta pressa…
- Eu sou assim. Tu já chegaste, mas eu vou ficar mais uns dias. Este é o meu presente para os terráqueos, este ano…para lhes dizer que embora esses me tivessem mal tratado, acredito que vão melhorar, e que podem mudar…passar a tratar-me melhor. Vão apanhar um grande susto, vais ver.
- Com a tua presença?
- É! Mas daqui a bocado eu conto-te…agora descansa, que eu também vou descansar.
- Está bem. Obrigada, amiga!
- Obrigada eu…até já.
- Até já.
           As duas princesas dormiram um pouco, e voltaram a encontrar-se muitos dias seguidos. Foi um início de Outono muito seco, e com dias ainda muito quentes. 
        A princesa Verona ainda ficou mais dias, e queria assustar os humanos, mas estava mais preocupada em divertir-se.
A princesa Outonia é mais tímida, e chegou discreta, mas igualmente linda: vestida com cores: vermelhos, verdes, amarelos, cor-de-laranja, castanho claro e escuro, roxo. 
E este ano a princesa Outonia ensinou a sua amiga princesa Verona a construir lindos tapetes com as folhas, parecem mantas de retalhos, cheios de cores.
A princesa Verona adorou. Por isso é que vemos sempre tantas folhas espalhadas pelo chão, o que tem a sua beleza, pela mistura de cores, e variedade de tamanhos, formatos...
As crianças adoram andar por cima destes tapetes, mas nem sempre acaba bem…porque caem…principalmente quando chove.
Alem destas belezas, estes dois manos oferecem às pessoas: castanhas, frutos deliciosos como uvas, que fazem muito bem à saúde, milho, espigas, há muita alegria nas vindimas, fazem-se magustos, e os campos ficam lindíssimos.
Como as pessoas no Outono ficam mais tristes, a princesa Verona ficou muitos mais dias, com a sua amiga princesa Outonia, para as deixar mais felizes e mais bem-dispostas.
As duas princesas estiveram pouco tempo sem se verem, porque não tardou nada e chegou a Princesa Invernia, antes do dia previsto, com todas as suas belezas.
E vocês? Já sentiram a presença destas duas princesas? A Verona e a Outonia?
Que presentes já vos deixou a Princesa Verona antes de ir de férias?
E a princesa Outonia? Já viram os lindos tapetes que ela faz?


FIM
Lara Rocha 
(27/Agosto/2015)



sábado, 25 de julho de 2015

O baloiço



Era uma vez uma menina pequenina que quis andar de baloiço na casa dos seus avós, onde ficava todos os dias enquanto os seus pais iam trabalhar. 
Ela pediu à Avó para pôr o baloiço, mas a Avó disse-lhe que estava muito ocupada e não podia interromper o que estava a fazer, por isso, que fosse pedir ao Avô. 
A menina foi pedir ao Avô, mas este disse-lhe para pedir à Avó, porque também estava muito ocupado na sua oficina de concertos de carros.
- Mas Avô…já pedi à Avó e ela disse que estava muito ocupada, não podia, e para pedir a ti. Agora peço a ti e tu dizes para pedir à Avó…estão os dois muito ocupados. E eu? – Resmunga a menina triste
- Filha, vai brincar com outra coisa…mais tarde, eu ponho-te o baloiço, estamos combinados? – Negoceia o Avô
- Mas que chatice! Vocês adultos às vezes são horríveis. Põe o trabalho à frente dos filhos e dos netos. Que seca! – Resmunga e vira costas
Vai para o jardim amuada, e senta-se no banco de ferro em forma de nuvem, pintado de azul-bebé. Aparece um duende pequeno, muito traquinas, a voar muito apressado sobre as árvores de mochila às costas e óculos de sol.
- Ei…onde vais com tanta pressa? Até tu estás com pressa…? De quê? – Pergunta a menina
O duende para e olha para ela.
- Estás a falar comigo?
- Sim! Porque estás a voar tão depressa?
- Estou no meu trabalho.
- Até tu, tens trabalho? Só trabalho...só trabalho.
- Estás zangada?
- Estou.
- Posso saber porquê?
- Pedi aos meus avós para pôr o baloiço, e não podem. Pedi à minha Avó, ela disse para pedir ao meu Avô porque estava muito ocupada. Pedi ao meu Avô, ele disse para eu pedir à Avó, porque estava muito ocupado. Estão sempre muito ocupados…sempre o trabalho primeiro do que as netas.
- E qual é o trabalho deles?
- A minha Avó faz bolos, e costuras, roupas, lãs…o meu Avô concerta carros. Os meus pais estão a trabalhar, e eu fico sempre aqui. Brinco muitas vezes sozinha, e não gosto nada. Hoje queria andar de baloiço e os meus avós não podem. Que chatice. – Resmunga
- Eu ponho-te o baloiço e brinco contigo, pode ser?
- Pode! Não te importas…?
- Não.
- Mas estás a trabalhar.
- Não faz mal. Há tempo para tudo…eu quero, é ver um sorriso teu, e brilho nos olhos.
- Boa…obrigada.
O duende chama os amigos e juntos prendem o baloiço feito pelo Avô, a gosto da menina, entre duas árvores, fazem uma vénia à menina e ajudam-na a subir para o baloiço, e empurram-na.
A menina grita e ri feliz, pede para dar mais ou menos lanço, e os duendes aproveitam a boleia, numa grande alegria, e conversam divertidos uns com os outros.
- Áh, áh, áh…faz cócegas…e os cabelos a voar…Uau! Parece que até estou a voar… éééééééhhhhhhhhhhhh…………
Todos riem e aplaudem, voam à volta do baloiço, penduram-se e balançam-se. Passado um bocado, o trombone da floresta dos duendes soa, e eles estremecem.
- Óh não…vamos ter de ir embora. Até logo, menina…voltaremos.
- Até logo. Obrigada…
Eles voltam para a floresta e a menina fica outra vez sozinha e triste:
- Óh…estava a ser tão divertido. Que pena! – Lamenta a menina
A árvore dá um valente e sonoro espirro. A menina salta do baloiço muito assustada, mas ao mesmo tempo ri-se.
- Foste tu que espirraste?
- Sim, desculpa, querida…
- Santinho!
- Obrigada.
- Estás constipada?
- Sim…esta poluição.
- Óh, coitadinha. Olha, podes empurrar-me um bocadinho, por favor…?
- Claro que sim!
A menina e as árvores têm uma longa conversa, enquanto a árvore empurra o baloiço. Quando a menina não quer andar mais de baloiço, as árvores contam-lhe histórias, ela ouve encantada, e conta outras, riem e no fim da tarde voltam os duendes para brincar com a menina.
Os Avós continuam a trabalhar, até que se lembram que a menina deveria estar sozinha e saem de casa muito preocupados para o jardim. Quando vêem a menina ela está divertidíssima, e brincar com os duendes e com as árvores.
- Já acabaram o trabalho? – Pergunta a menina zangada
- Sim…
- Agora já não quero andar de baloiço. Já andei…pelo menos alguém ainda teve tempo para mim. Vocês sempre ocupados. – Resmunga
- Quem? – Perguntam os avós assustados
- Os duendes da floresta, e as árvores. Eles puseram-me o baloiço, as árvores empurraram-me e contaram-me histórias, eu contei-lhes outras…os duendes foram trabalhar, mas voltaram para brincar comigo! – Responde a menina
- Acho que é imaginação dela… - murmura a Avó
- Ááááááhhhh… - respondem os dois avós
- Porque é que vocês os dois e os meus pais…só pensam em trabalhar, e não têm tempo para mim?
Os Avós tentam explicar à menina, mas ela ainda é muito pequena para entender. Mas depois desse dia, os Avós passaram a dar-lhe um bocadinho mais de atenção, a empurrá-la no baloiço e a contar-lhe histórias.
Os duendes e as árvores substituíam os Avós, quando estes estavam muito ocupados, e a menina já não estava sozinha. Ela adorava esses amigos, eles eram muito enérgicos, eléctricos e divertidíssimos.
Perceberam que a menina se sentia muito sozinha, e como os pais também trabalhavam, eles também, mas se não fossem os Avós, a menina sentia-se abandonada. Como dizia o duende…há sempre tempo para tudo, mesmo com muito trabalho, há sempre tempo para as crianças.

FIM
Lara Rocha 
(25/Julho/2015)