Número total de visualizações de páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta VENTO. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta VENTO. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 30 de março de 2016

O caça sonhos da aldeia

          
         Foto de Lara Rocha 

           Era uma vez uma aldeia pequenina, onde vivia gente simples, em casas feitas nos troncos de árvores e onde reinava a paz. Na entrada dessa aldeia havia um caça sonhos grande, muito bonito, leve que protegia os habitantes de pesadelos. Acolhia e guardava bons sonhos, sorrisos, abraços e gestos de bondade, energias de amizade, e coisas boas.
          Um dia as energias de pesadelos invadiram a aldeia, vindas de um pónei que fugiu de um circo e que estava muito nervoso, assustado...cavalgava desnorteado de um lado para o outro, a dar coices, a correr desajeitado, a levantar muito pó, num campo entre girassóis, que se fecharam com o susto. 
         Por um lado o pónei queria mesmo fugir, não aguentava mais aquele ambiente cheio de barulho, aquela música a gritar, aqueles enfeites todos que espalhou pelo caminho e a inveja dos outros animais, que ele não percebia a razão. Ao mesmo tempo, ele estava assustado, não conhecia nada, mas aquele parecia-lhe um lugar seguro.
        Por onde ele passou, espalhou más energias que chegaram à floresta, mesmo com o caça sonhos à entrada. Os habitantes da aldeia começaram a ficar com muito mau humor, carrancudos, nervosos, a peguinhar uns com os outros, resmungavam, protestavam por tudo e por nada, discutiam, e estavam muito estranhos. Até o caça sonhos ficou mais pesado, com as cores escuras e molengo...parecia estar doente.
- Não sei o que está a acontecer, mas não me sinto nada bem. - Murmura o caça sonhos
Voa uma fada pequenina trazida pelo vento:
- Olá...o que temos aqui? Sinto o ambiente muito pesado. E tu incluída.
- É verdade! Não sei o que está a acontecer...mas acho que a culpa é minha.
- O quê?
- Sim.
- Mas que disparate! Porque haveria de ser por tua causa...não estás com bom aspeto.  
- Sinto-me estranho...e todos estão loucos.
- Realmente o ambiente está pesado.
Os dois conversam.
- Esperem aí que eu já resolvo tudo... - Diz o vento
- Como? - Perguntam os dois
- Já vão ver. - Responde o vento
Chama uma família de bruxas.
- Mas o que é isto? - Pergunta o caça sonhos assustado
- Não acredito no que tu acabaste de fazer... - Comenta a fada
- Até ele está louco. - Comenta o caça sonhos
- O que é que lhe deu para chamar estas...? - Pergunta a fada surpresa  
- Olá...Espero que tenhas bons motivos para me teres interrompido os meus trabalhos. - Diz uma bruxa áspera.
- Mas que coisa horrorosa...um caça sonhos e uma fada. - Comenta outra bruxa empertigada
- Que nojo...cheira bem demais. - Comenta outra bruxa
- Para que é que nos trouxeste para aqui, sua peste? - Pergunta outra bruxa
- Maldito! - Dizem todas em coro
- Não penses que gosto da tua presença,...só te chamei porque sei que vais adorar o que tenho para te dar. - Diz o vento
- Ááááááhhhh...!!!! - Exclamam as bruxas surpresas
- Ele não está bom da cabeça...! - Comenta a quarta bruxa
- Nisso elas têm razão! - Comenta a fada, baixinho
- Também acho! - Concorda o caça sonhos   
- Humm...interesseiro.... - Dizem as bruxas
O vento, o caça sonhos e a fada dão umas boas gargalhadas.
- Meninas...calem-se! Sintam...um...cheiro diferente... - Resmunga a bruxa chefe
Todas farejam.
- Por esse cheiro é que vos chamei aqui. Não foi pelas vossas caras feias. - Diz o vento
- Obrigada! - Dizem todas as bruxas a rir
- Sempre antipático, este vento... - Diz outra bruxa
- Horrorizador... ! - Dizem as bruxas em coro a rir
- Eu sei...! Precisamos que vocês comam todas as energias más que invadiram a nossa aldeia. Estes cheiros que vocês dizem que sentem. - Diz o vento
- Áh! - Dizem as bruxas em coro
- Fedores deliciosos... então era isso! - Diz outra bruxa
- Convidaste-nos para um banquete! - Comenta outra bruxa
- Isso mesmo. - Confirma o vento
- Não sabia que tinhas estes fedores tão desagradáveis por aqui. - Comenta outra bruxa a rir
- Nós também não sabíamos...mas não gostamos deles, por isso...deleitem-se com eles. Levem-nos todos. - Diz o vento
- Óh...que maravilha... - Dizem as bruxas
Elas aspiram todas as energias más, e dão gargalhadas, enquanto isso, o pónei para à entrada da floresta. As bruxas sentem que vem dele, uma grande quantidade de energias más, circundam-no, e sugam toda a sua energia. O pónei cai de cansaço.
- Ai...que susto! - Dizem todos
- O que é isto? - Pergunta o caça sonhos
- É um pónei... - Diz a fada
- Parece muito cansado! - Diz o caça sonhos
- É. Parece que vem a fugir...coitadinho! - Diz a fada
- Obrigado... - Dizem todos
- Já se respira outro ar! - Comenta o caça sonhos a sorrir
- Também acho. - Concorda a fada
- Ai, estou a rebentar... - Diz uma bruxa
- Eu também...estou cansada de comer. - Diz outra bruxa
- Comi que nem uma besta... - Diz outra bruxa
Todas riem.
- Vamos embora...está aqui outra vez aqueles cheiros asquerosos! Lhec. - Comenta outra bruxa
- Já estou a ficar tonta...mas não quero dormir aqui. - Diz outra bruxa
- É. Vamos embora. - Concordam todas
- Obrigado... - Dizem todos
           As bruxas saem a voar lentamente e pesadas, parando muitas vezes pelo caminho...parecem balões de tanta energia má que sugaram. E na aldeia volta a respirar-se paz...o pónei desperta e sente-se bem. Conta a sua fuga e o que o levou a fugir, como encontrou aquele lugar, pediu desculpa, e pediu para o deixarem ficar lá.
           Todos ficam com pena dele, e como as bruxas sugaram as más energia, o pónei só ficou com as boas, tal como a fada, o caça sonhos que voltou a ganhar as suas belas cores, e capacidades para proteger a aldeia.
          Os habitantes voltaram a dar-se bem, como antes, quando regressaram nesse dia dos trabalhos, sentiram um novo e fresco ambiente, reuniram-se, pediram desculpas uns aos outros, e passaram a noite em festa, na companhia do pónei que adotaram e de quem cuidaram muito bem, nunca mais voltou para o circo, nem o encontraram. Do caça sonhos só saíram energias positivas como sempre, e quando sentiam que o ambiente estava a ficar outra vez tóxico, carregado, chamavam as bruxas para elas comerem à farta. Eram bruxas, mas no fundo não eram muito más.
Às vezes nós também nos enchemos de energias más...e precisamos de coisas que nos devolvam as boas energias.
Já vos aconteceu? Como ficaram outra vez bem dispostos e felizes?
FIM
Lálá
(30/Março/2016)  

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A pintora desajeitada

foto de Lara Rocha 



Era uma vez uma fada toda feita de nuvens que vivia nas nuvens, numa casa feita de nuvens com a sua família de nuvens. Um dia estava muito amuada, irritada e triste, porque estava farta de chuva na sua zona. Ela olha pela janela.          
- Não posso acreditar! – Grita ela com os dentes cerrados e a gritar
- O que foi? – Pergunta a sua mãe
- Não me faças perguntas… - Resmunga ela
- Tu não falas assim comigo! – Diz a mãe, muito séria
- Ei…estás séria como o céu…
- E vou ficar ainda pior. Ouviste a maneira como me respondeste? Isso são maneiras de falar com a tua mãe?
- Desculpa. Estou de mau humor.
- Ai… que paciência. Vai apanhar ar lá fora.
- Está a chover outra vez. – Grita a fada
- E que culpa tenho eu…? Ou…nós?
- Nenhuma. Mas é que… bem… acho que vou mesmo lá fora. Vou ter uma conversinha com alguém.
- É. Vai. E deixa a raiva lá fora…vai apanhar ar.
    Ela sai a porta a resmungar sozinha.
- Detesto este céu, desta cor. – Grita ela no dobro do seu tamanho de tão zangada que estava. 
    Pegou na sua palete de cores e começa a saltar em cima dos tubos de tinta que lançam um enorme jato de todas as cores. 
    As cores gritam, dão as mãos, dançam, misturam-se e fazem um enorme e lindo círculo de arco-íris.
- Áh! Assim sim, já gosto mais deste céu. Mas mesmo assim, ainda não gosto.
As cores, que estavam felizes, ficam tristes com o comentário, dissolvem-se nas suas próprias lágrimas, e juntam-se numa nuvem negra assustadora.
- Ei…onde é que vocês foram?
Não há resposta nem barulho. A fada fica triste. Pega outra vez na sua paleta de cores, mistura-as, mas vem uma rajada de vento muito forte que a faz rodar muito rápido, e ela sem largar os pincéis e as cores grita. 
O trabalho final não é nada bonito, mas há muitas cores. 
O vento desata às gargalhadas.
- Já viste o que fizeste? – Pergunta ela muito zangada
- Tu é que és a pintora, mas não fazes obras nada bonitas.
- O quê? Tu é que és um insensível.
- Não. Tu é que não tens mesmo gosto nenhum, nem jeito.
- Áhhhh!
- É verdade.
- Mas…
- Sim, enquanto estiveres nesse estado, não vais fazer nada de jeito.
- Que estado?
- Assim, quase a explodir…tu é que pareces uma ventania.
- Huummm…estou muito zangada.
- Já reparei. Mas posso saber porquê?
- Não.
- Pronto, está bem…então fica lá com o teu mau humor, e a tua irritação. (o vento afasta-se ligeiramente) Desculpa! Acho que estraguei as tuas obras. (afasta-se mais um bocadinho) Deve ser por isso que estás tão zangada…
- Não. Espera…talvez me possas ajudar.
- Eu? Ajudar-te? (ri) Tu é que costumas ajudar os outros, não sou eu. Eu sou vento, tu és fada.
- Mas as Fadas também precisam de ajuda…às vezes!
- Precisam?
- Claro! Tu também precisas?
- Sim, claro.
- Detesto este céu. Estou farta da chuva, farta de ver estas nuvens escuras…queria dar-lhes outras cores mais bonitas, alegres… sem cores fico muito triste.
- Eu também gosto muito de cores. E mesmo as nuvens escuras, e a chuva…têm cor.
- Sim, é verdade. Mas são muito escuras…eu gosto mais de cores alegres.
- Mas não podes mudar as cores que elas têm.
- Porque não?
- Isso é com o sol.
- Eu vi o arco-íris, mas desapareceu. Saltei em cima dos tubos de tintas, um de cada cor… delas saiu um grande jato de cores, elas deram as mãos, dançaram, misturaram-se e formaram o arco-íris, mas…desapareceram…Acho que ficaram tristes, por uma coisa que eu disse.
- Pois! Estou a ver…
- Quem? O arco-íris?
- Não. O que tu fizeste…
- Foi mau, não foi?
- Foi. Mas o que é que tu querias pintar?
- Nada de especial…e…tudo à minha volta…para ficar colorido...para dar cor a estas nuvens tão escuras.
- As nuvens escuras são importantes…e têm a sua beleza.
- É. Mas cansam depressa. Eu não gosto de tudo tão escuro.
- Mas também não podes mudar a cor…podes pintar com outras cores, mas em desenhos, ou nos teus sonhos.
As cores gostaram tanto do que o vento disse, que voltam a aparecer em forma de arco-íris entre as nuvens a sorrir. A fada tenta agarrá-las, mas elas escondem-se.
- Porque é que fogem?
- Porque não fomos feitas para sermos agarradas…
- Só…olhadas.
- E apreciadas.
- De longe!
- Para sermos vistas…
- Sentidas…
- Tocadas com os olhos.
- E vocês gostam dessas nuvens tão escuras?
- Sim! – Respondem todas
- Eu não gosto. E quero pintar tudo à minha volta com outras cores.
As cores desatam a rir às gargalhadas.
- Achas que mandas nisto…
Aparece um raio de trovoada e faz um estrondo.
- Vai-te embora. – Grita a fada
- O quê? – Pergunta o raio
- Eu não gosto de ti. – Resmunga a fada
- Olha para a minha cara de preocupado… (responde o raio a rir) tu ficas aí, que eu fico aqui… e está tudo bem.
- Tu não me dás cores…não gosto de ti.
- Quero lá saber. Não tenho nada a ver com cores…só com…luz.
A fada fica mesmo furiosa. Aperta os tubos de tintas aos gritos, roda, salta…todos a mandam calar. O vento prende-a.
- Pára quieta e pára de gritar, criatura irritante. Já me estás a deixar muito nervoso…e olha que eu até sou calmo…
Aparece o sol.
- Mas o que é que se passa?
- Esta criatura só grita… reclama por cores. Diz que detesta nuvens escuras, que está farta de nuvens escuras e de chuva. – Explica o vento
O sol ri.
- Sou pintora. – Grita a fada
- Pintora? – Todos desatam a rir
- És uma pintora muito desajeitada. – Brinca o vento
- É verdade. – Confirma o sol
- Tu queres pintar o quê? – Pergunta outra nuvem
- Quero encher isto tudo de cores.
- Não podes.
- Porquê?
- Eu é que mando…
- Porque é que me roubaste as cores?
- As cores estão mesmo diante de ti. – Mostra o sol
- Mas eu vejo tudo igual…e não gosto destas cores.
- Enquanto estiveres assim tão irritada, eu não te ajudo. – Diz o sol
- Porque não?
- Porque não são maneiras de tratares a natureza.
- Mas ela é quem manda?
- Claro.
- Pensei que eras tu!
- Não. Eu faço parte dela, mas é ela quem decide tudo. Não sou eu…eu só obedeço…ou apareço ou não…e onde…quando ela quer…ou manda.
- Mas…ela não entende que ficamos tristes quando tu não estás?
- Entende. Mas é porque ela acha que sou mais preciso noutros lugares.
- Óhhh…
- Não posso contrariar as ordens dela. Nem vai ser por tu ficares tão irritada que ela vai mudar as coisas.
- Não?
- Não!
- Eu só quero cores…
- Vais tê-las aqui fora, quando a Natureza entender…
- Mas…
- E é melhor não discutires com ela.
- Porquê?
- Ela não gosta…e não é para brincadeiras.
- É pior do que eu?
- Muito pior.
- Não pode ser.
- É.
- Achas que se falares com ela, ela vai fazer-me a vontade?
- Não. Isso tens de ser tu a pedir, e mesmo assim é melhor não teres muita certeza que ela vai realizar o teu desejo.
- Eu quero cores…
A voz da natureza soa:
- Pinta, e cala-te um bocadinho, por favor. Já estou cansada de te ouvir.
- Ãh? – Pergunta a fada
- É a mãe. Respeita-a…- diz o sol
- Ela está a mandar-te pintares. – Diz o vento
- Mas vou pintar onde?
- Na tua casa…sossegada, calada… e bem comportada. Em papel branco, com as tuas tintas. – Manda a natureza
- Mas…
- Vai já para casa. – Ordena a natureza
A fada obedece, triste e um pouco assustada. Senta-se em frente ao apoio das folhas de desenho, e olha para as tintas.
- O que é que eu vou pintar?
- O que tu quiseres… - soa a voz da natureza
Ela faz um desenho cheio de riscos, pintas, borrões com várias cores.
- Está bem?
- Não! – Respondem todos
- Está muito mau. – Diz o vento
A fada quase explode.
- Nem te atrevas…respira…- Ordena a natureza – Eu não faço obras dessas
Ela respira muito zangada, e faz outro desenho, ainda mais trapalhão. A natureza ri-se.
- O que é isso?
- Faz um desenho como deve ser. – Sugere o vento
Ela tenta outra vez, muito zangada. Uma mancha de tinta salta da folha e transforma-se em gota gigante. Fica a olhar para ela.
- Isso é coisa que se apresente, menina?
- Ai, que susto. De onde saíste?
- Daqui. Desta salsichada que chamas desenho. Olha para isto…? Que coisa é esta…? Não tem pés, nem cabeça.
- O quê? Mas…que indelicada…Eu não estou a desenhar salsichas. 
- Estou a ser muito sincera. Tu não sabes pintar.
- Sei.
- Não. Muito menos quando estás nervosa. Olha para isto…? Que bagunça. A natureza não gosta disto…nem ela nem ninguém.
- Óh!
- É verdade.
A mancha dá uma longa lição de pintura à fada, explica tudo passo a passo de como fazer a pintura.  Mostra cores, fala com elas, elas dizem as suas funções, explica quais as cores que se podem misturar, e as que não podem 
Pega nas mãos da fada e põe-nas a desenhar como deve ser. Quando ela começa a desenhar coisas bonitas, e a ficar muito bem-disposta com a mancha, a natureza à sua volta começa a ganhar uma nova vida. 
As nuvens mudam de sítio, aparece o sol, as gotinhas escorregam das pétalas das flores, e dos troncos das árvores, e todas as cores de tudo o que parecia ser pintado com a mesma, sorriem.
A fada sai a correr de casa, toda feliz, com um grande sorriso, e corre solta pelo espaço.
- Finalmente…sol! Luz…muito obrigada… obrigada Natureza… obrigada, mancha de tinta…por me teres ensinado a pintar.
- Mas lembra-te de respeitar também a chuva, porque até ela tem a sua beleza…e é muito necessária. – Aconselha a Natureza
- Sim, já percebi.
E a fada volta a brincar com as cores. Quando estava chuva, ela deixou de ficar zangada, e aprendeu a pintar de verdade…até a chuva ela pintou. 
Quadros lindíssimos, da Natureza, com todos os belos e pequeninos pormenores, pois adorava tudo o que via, e via com olhos bem abertos para captar tudo…
Sonhava, e passava todos os seus sonhos para o papel, enquanto viajava pelo mundo das cores, que às vezes era só seu.
Era de certeza um mundo lindo, porque todos os seus quadros passaram a ser muito apreciados por todos. 
Até lhe pediam para fazer quadros especiais, quando queriam oferecer alguma coisa muito especial a alguém.
A pintora que era desajeitada, aprendeu a pintar e a não ficar zangada quando estava a chover. Com sol ou chuva, a Natureza é mesmo assim, e ela merece sempre a nossa admiração, não é?

                                               FIM
                                          Lara Rocha 
                                  (9/Novembro/2015)

  

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O presente da Princesa Verona


A princesa Verona costuma aparecer na terra no Verão, chega no dia 21 de Junho, quando a princesa Vera vai de férias. 
Não é difícil saber que ela chegou, desfila com toda a sua beleza e sedução, todos sentem os seus passos leves, tão leves… que parece flutuar.
As suas roupas saltam à vista de quem passa, pelas suas cores ardentes, e arejadas, frescas, cheia de luz, brilho, alegria, sorrisos e risos. 
Ela é tão especial que contagia todos os seres humanos mais felizes, entusiasmados, procuram as praias, o mar, as montanhas, e tudo o que refresque. 
O Sol entrega-se completamente a ela, fica louco de paixão e desejo por esta princesa, eufórico…
Mas…esta princesa também vai de férias, para a chegada de outra princesa: a Outonia, não sem antes deixar um presente aos terráqueos porque sabe que todos ficam muito tristes quando vai embora. As duas são muito amigas, e encontram-se no dia 21 de Setembro.  
        Este ano a Princesa Verona não sabia o que deixar de presente, e pediu ajuda à sua amiga Outonia que chegou na noite de 20 para 21 de Setembro, com uma Lua Cheia enorme, luminosa, um céu cheio de estrelas, e um ar quente no cimo da montanha mais alta nos arredores da cidade. 
          A Lua sorri às duas.
- Amiga Outonia…fizeste boa viagem?
- Olá Verona, sim, foi muito longa, mas correu tudo bem, obrigada. Já vais embora não é?
- Sim! Vou de férias. Sei que eles vão ficar muito bem entregues. Mas não sei o que lhes deixar de presente desta vez! – Suspira a princesa Verona
            A lua tosse:
- Desculpa, princesa Verona, mas não concordo…acho que já deixaste um belo presente para eles…olha que não merecem tanto. Fartaram-se de pegar incêndios.
- Isso é verdade! – Responde a princesa Verona
- Até tu ficaste com alergias e doente, lembras-te? – Relembra a lua
- Sim, claro que me lembro… - Diz Verona triste
- Então, acho que não devias deixar nada. – Sugere a Lua
- A Lua tem razão, amiga. – Concorda a princesa Outonia
            Faz-se silêncio e as três ficam pensativas.
- Olha…se fazes mesmo questão de deixar alguma coisa…espera até de manhã, e aparecemos as duas juntas, numa dança… - Sugere a Outonia
- Não posso esperar. Tenho de ir andando…bom, este ano não deixo nada. – Diz a Verona
- Ou mandas depois. – Diz a Outonia
- Porque não fazem agora, vocês as duas? Pode ser que alguém vos veja…- Sugere a Lua
- É…também nos divertimos um pouco. O que achas? – Pergunta Outonia
- Está bem! – Concorda Verona
         As duas estalam os dedos, dão umas voltas, rodopiam perto do chão, e aparecem vestidas de gala. 
      Aparece logo o vento coscuvilheiro, e as fadas da Natureza, que começam a tocar com as suas harpas, flautas, violinos, violoncelos, ferrinhos e tambores.
As fadas sabem muito bem que música tocar, e as duas princesas dançam ao som das várias músicas, leves, lindas, de mãos dadas, a flutuar, e cruzam-se várias vezes.
Enquanto dançam, espalham magia por todo o lado, riem, rodam no ar, com os longos cabelos a esvoaçar, as árvores do espaço despertam, e dançam com as princesas…as suas folhas começam a desprender-se devagar, a medo, uma por uma, e também elas dançam umas com as outras, juntamente com as princesas.
Ainda ficam muitas nas árvores, aquelas que são mais tímidas, e que já estão tristes por saber que a princesa Verona vai embora. 
Cada princesa espalha as suas cores, o vento dá uma ajudinha, soprando-as em diferentes direcções, e elas juntam-se, separam-se, fazem rodas sempre a dançar, e a rir, misturam-se ao dar abraços, as princesas acariciam as árvores, e os seus troncos arrepiam-se de frio. 
Umas folhas que caíram dão as mãos e fazem um enorme cobertor de folhas para cobrir os ramos das árvores.
É uma noite cheia de música, de diversão, muitas gargalhadas e brincadeiras entre as duas princesas, as folhas e as árvores. 
Com os primeiros raios da manhã, as centenas de folhas que caíram adormecem no chão, aos pés das árvores, a Princesa Verona saiu discretamente, e silenciosa, suavemente, quando a princesa Outonia também se deitou e dormiu na relva fofa.
Na manhã seguinte, o sol aparece, e a princesa Outonia acorda com a claridade.
- Já é de manhã? Verona…
            Procura Verona pelos arredores, mas não a vê.
- A Verona já foi embora.
- Óhhh…! Não pode ser, e eu adormeci, sem falar mais com ela, ou sem lhe dar um abraço. Óh Verona, podias-me ter acordado! – Diz Outonia, triste
            Do sol, Verona responde:
- Outonia…dorme! Ainda é muito cedo.
- Porque é que já foste embora? Não te vi mais, nem falamos mais, nem te dei um abraço!
- Demos muitos abraços…vá lá, não fiques triste, se não também fico. Eu vou voltar, muito em breve!
- A sério? – Diz Outonia com um sorriso
- Claro que sim. Só chegaste hoje, mas eu ainda vou continuar aí contigo mais uns dias. Para fazermos mais umas festas! Gostei muito desta noite. – Diz Verona sorridente
- Eu também! Era por isso que eu já estava triste…a pensar que só nos veríamos daqui a uns meses! – Responde Outonia
- Não! Já devias saber que todos os anos eu fico contigo mais tempo…não te lembras?
- Claro que me lembro, mas vi-te com tanta pressa…
- Eu sou assim. Tu já chegaste, mas eu vou ficar mais uns dias. Este é o meu presente para os terráqueos, este ano…para lhes dizer que embora esses me tivessem mal tratado, acredito que vão melhorar, e que podem mudar…passar a tratar-me melhor. Vão apanhar um grande susto, vais ver.
- Com a tua presença?
- É! Mas daqui a bocado eu conto-te…agora descansa, que eu também vou descansar.
- Está bem. Obrigada, amiga!
- Obrigada eu…até já.
- Até já.
           As duas princesas dormiram um pouco, e voltaram a encontrar-se muitos dias seguidos. Foi um início de Outono muito seco, e com dias ainda muito quentes. 
        A princesa Verona ainda ficou mais dias, e queria assustar os humanos, mas estava mais preocupada em divertir-se.
A princesa Outonia é mais tímida, e chegou discreta, mas igualmente linda: vestida com cores: vermelhos, verdes, amarelos, cor-de-laranja, castanho claro e escuro, roxo. 
E este ano a princesa Outonia ensinou a sua amiga princesa Verona a construir lindos tapetes com as folhas, parecem mantas de retalhos, cheios de cores.
A princesa Verona adorou. Por isso é que vemos sempre tantas folhas espalhadas pelo chão, o que tem a sua beleza, pela mistura de cores, e variedade de tamanhos, formatos...
As crianças adoram andar por cima destes tapetes, mas nem sempre acaba bem…porque caem…principalmente quando chove.
Alem destas belezas, estes dois manos oferecem às pessoas: castanhas, frutos deliciosos como uvas, que fazem muito bem à saúde, milho, espigas, há muita alegria nas vindimas, fazem-se magustos, e os campos ficam lindíssimos.
Como as pessoas no Outono ficam mais tristes, a princesa Verona ficou muitos mais dias, com a sua amiga princesa Outonia, para as deixar mais felizes e mais bem-dispostas.
As duas princesas estiveram pouco tempo sem se verem, porque não tardou nada e chegou a Princesa Invernia, antes do dia previsto, com todas as suas belezas.
E vocês? Já sentiram a presença destas duas princesas? A Verona e a Outonia?
Que presentes já vos deixou a Princesa Verona antes de ir de férias?
E a princesa Outonia? Já viram os lindos tapetes que ela faz?


FIM
Lara Rocha 
(27/Agosto/2015)



quarta-feira, 22 de abril de 2015

AS MAGIAS DAS TULIPAS



                                        (fotos de Lara Rocha) 

Era uma vez uma casa que tinha um jardim. Nesse jardim havia muitas flores, e entre elas lindas tulipas de muitas cores, que abriam e fechavam.
A menina da casa ficava muitas vezes pensativa, e a perguntar-se porque é que ela umas vezes via as tulipas abertas, e outras vezes, estavam fechadas.
Um dia, choveu muito, e as tulipas estavam abertas, por isso, as gotas da chuva entraram…milhares delas para cada copo de tulipa. A menina continua a ver chover, e a tentar imaginar o que teriam as flores, e porque estariam abertas.
Ela pensava: se estava a chover tanto, as flores deviam estar fechadas, como fazemos nas nossas casas com as janelas e com as portas…mas estão abertas…e…para onde irá a água…?
Parou de chover, e volta a brilhar o sol. A menina sai de casa e vai ver se descobre porque é que umas flores estavam abertas e outras fechadas, e se tinham afogado com tanta água.
A água via-se através das flores que estavam fechadas, onde dava o sol, e parecia que tinham alguma coisa lá dentro…Nas pétalas de algumas delas estava pousado o arco-íris, e noutras viam-se milhares de bolas de sabão a sair, pareciam vir de dentro das flores.
Mas como é que isso podia ser? Vinham mesmo de dentro das flores, eram as fadas feitas de gotas de água que estavam a tocar os seus instrumentos, para não terem medo da tempestade que se aproximava, e não demorava muito. A menina não ouvia música.   
Ela toca numa flor fechada, e de repente, a flor abre-se, saltando de lá uma borboleta feita de gostas de água, e voa. A menina nunca tinha visto aquilo, e abre um enorme sorriso.
- Áh! Uma borboleta de cristal? Que linda…não conhecia esta espécie.
- Não sou de cristal…sou de água! – Diz a borboleta
- De água?
- Sim.
- Mas…não sabia que existiam borboletas feitas de água.
- Existem, borboletas e muitas outras coisas.
- O quê?
- Espera para ver! Até já! – Diz a borboleta
E vai passear. Noutra flor, fechada, as gotas estão por cima, nas pétalas, a menina sopra, e a flor abre-se. De lá saem várias fadas com instrumentos musicais, todos diferentes, e tudo feito de gostas de água. As fadas começam a tocar nos instrumentos, e brilham com o sol.
- Áh! As bolas de sabão vinham daqui.
- Olá…estamos a fazer muito barulho para ti? – Pergunta a fada de água
- Não! És feita de água? – Pergunta a menina
- Sim! Eu e o meu instrumento musical
        A fada mostra uma bela viola à menina, toda feita de gostas de água.
- Uau! Que lindo, e faz música?
- Faz.
        A fada começa a toca, e corre todo o jardim, sempre a tocar. Com a sua música, desperta todas as outras flores que estavam fechadas, e abrem-se, ao som dos diferentes instrumentos…aparecem meninas bailarinas, pequenas índias, pássaros, mais borboletas, sereias, focas, pinguins, pequeninos ursinhos, joaninhas, gatinhos, ovelhas, princesas, fadas e dragões…tudo feito de gotas de água. Caminham felizes pelo jardim, e desafiam a menina para dançar.
As fadas tocam, e os outros dançam alegremente, com a menina. Com o sol a dar-lhes, pareciam todos feitos de vidro ou de cristais. Que lindo! Pareciam transparentes e muito delicados, levezinhos… A mãe vê a menina em movimento, e pequeninos brilhantes a voar.
Mas o sol é de pouca dura…porque aproxima-se rapidamente uma enorme tempestade. As borboletas e as fadas começam a voas desajeitadas, e a mexer-se de forma estranha com a forte ventania que se levantou.
Os instrumentos começam a falhar, e os outros seres começam aos gritos muitos assustados:
- Vem aí uma tempestade.
- Vai para casa…vem aí uma tempestade… demora menos de cinco minutos. – Avisa uma borboletinha
- Óh, não vão embora, por favor… - Pede a menina
- Voltamos quando a tempestade passar. – Promete uma fada
        E todos se refugiam, escondem-se em todas as tocas que vêem e as que estão mais próximas…uns, numa velha árvore cheia de buracos que havia no jardim, outros dentro das tulipas que se fecham rapidamente, e outros, debaixo das flores.
        A menina corre para casa, assustada. Mal ela entra a porta… chega a tempestade, com muitos raios e trovões, vento muito forte, muita chuva. As tulipas também serviam de casa e abrigo para estes seres mágicos.
        Como tinham prometido, não foram embora. Muito pelo contrário…Desde esse dia, até levaram mais amigos! A menina recebeu a visita dos amigos feitos de gotas de água que brincavam com ela, e traziam outros.
        Todos os dias, aquelas tulipas abriam com novas surpresas e transformavam todo o jardim num espaço muito mágico.

                                                   FIM 
                                                   Lálá 
                                             (22/Abril/2015) 

Desafio:
E vocês? Já viram tulipas mágicas?
Gostavam de ter tulipas mágicas no vosso jardim, ou num vasinho? De que cor seria a tulipa, ou seriam as tulipas?
Se as conhecessem, que cores teriam?
E que magias é que elas vos mostravam?