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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A ÁRVORE E OS SEUS BRACINHOS

      
            Foto de Lara Rocha 

       Era uma vez um tronco de uma árvore muito grosso e largo, cheio de braços com garras finas, que vivia numa floresta. Num dia de Inverno, os galhos observaram atentamente e muito curiosos, um céu cinzento e nuvens roxas, azuis escuras, violetas.
        Eles preferiam o sol, é claro, mas amavam a natureza, por isso aceitavam e respeitavam! Os galhos sentiram uma enorme vontade de tocar nas nuvens.
        Os braços mais carinhosos queriam pegar nelas, deitá-las e sentá-las nos seus colos, embalá-las nos seus braços para dormirem.  Os mais delicados queriam tocar-lhes para saber como eram. Os mais comilões queriam poder prová-las ou trincá-las.
O mais agressivo, o mais nervoso e o mais resmungão, queriam chegar-lhes e arranhá-las, rasgá-las, pisá-las, amassá-las e torcê-las. Os mais irrequietos queriam subir, saltar, correr, escorregar, rebolar.
Os mais pesados, queriam ir lá, para ver se ficavam mais leves, os mais tristes queriam abraçar-se às nuvens e conversar com elas. Os mais preguiçosos, os dorminhocos e os sonhadores, queriam as nuvens para fazer uma caminha, uma almofadinha e um cobertor.
Cada um tinha os seus sonhos e desejos. Nesse mesmo dia, depois de uma chuva torrencial, um nevoeiro muito cerrado envolveu toda a floresta.
Os galhos pensaram que o seu desejo se ia realizar, que as nuvens tinham ido ao seu encontro, porque eles estavam presos e não podiam sair, e ficaram muito entusiasmados, felizes…
Tentaram fazer tudo o que queriam, mas perceberam que não conseguiam agarrá-las, nem prová-las, nem tocar-lhes, nem abraçá-las, como tinham imaginado.
Óh…ficaram mesmo tristes! Tão tristes que começaram a chorar. O tronco ficou encharcado, parecia que de repente tinha recomeçado a chover outra vez, muito forte.
O tronco olhou para os galhos e perguntou o porquê de tanta tristeza. Cada um contou os seus desejos, e todos pensaram que podiam realizá-los…
O tronco explicou que não eram nuvens. Era nevoeiro, por isso, nem nas nuvens, nem no nevoeiro podiam ou conseguiam tocar…só na imaginação deles.
Foi mesmo isso que fizeram! Fecharam os olhos e deixaram-se levar pelos seus sonhos, sem nunca sair do seu tronco. Lá…cada um conseguiu realizar o que queria.
E todos sorriram. O sorriso deles foi tão luminoso, e tão doce, sincero, que até as nuvens gostaram, afastaram-se envergonhadas, a sorrir, porque sabiam que aqueles galhos estavam a pensar nelas, parou a chuva…o sol voltou a brilhar, mesmo que com as nuvens por trás.
Para retribuírem a lembrança e o carinho, cada nuvem deu um bocadinho das suas cores através de um sopro, e todas juntas construíram um gigantesco arco-íris, visto em toda a floresta. Os galhos perceberam que foram as nuvens, agradeceram em coro e aplaudiram.
E vocês? Já sonharam com nuvens? Ou imaginaram histórias ao ver as nuvens? O que é que já descobriram lá?

FIM
Lálá
(11/Fevereiro/2016)


        


terça-feira, 10 de novembro de 2015

A pintora desajeitada

foto de Lara Rocha 



Era uma vez uma fada toda feita de nuvens que vivia nas nuvens, numa casa feita de nuvens com a sua família de nuvens. Um dia estava muito amuada, irritada e triste, porque estava farta de chuva na sua zona. Ela olha pela janela.          
- Não posso acreditar! – Grita ela com os dentes cerrados e a gritar
- O que foi? – Pergunta a sua mãe
- Não me faças perguntas… - Resmunga ela
- Tu não falas assim comigo! – Diz a mãe, muito séria
- Ei…estás séria como o céu…
- E vou ficar ainda pior. Ouviste a maneira como me respondeste? Isso são maneiras de falar com a tua mãe?
- Desculpa. Estou de mau humor.
- Ai… que paciência. Vai apanhar ar lá fora.
- Está a chover outra vez. – Grita a fada
- E que culpa tenho eu…? Ou…nós?
- Nenhuma. Mas é que… bem… acho que vou mesmo lá fora. Vou ter uma conversinha com alguém.
- É. Vai. E deixa a raiva lá fora…vai apanhar ar.
    Ela sai a porta a resmungar sozinha.
- Detesto este céu, desta cor. – Grita ela no dobro do seu tamanho de tão zangada que estava. 
    Pegou na sua palete de cores e começa a saltar em cima dos tubos de tinta que lançam um enorme jato de todas as cores. 
    As cores gritam, dão as mãos, dançam, misturam-se e fazem um enorme e lindo círculo de arco-íris.
- Áh! Assim sim, já gosto mais deste céu. Mas mesmo assim, ainda não gosto.
As cores, que estavam felizes, ficam tristes com o comentário, dissolvem-se nas suas próprias lágrimas, e juntam-se numa nuvem negra assustadora.
- Ei…onde é que vocês foram?
Não há resposta nem barulho. A fada fica triste. Pega outra vez na sua paleta de cores, mistura-as, mas vem uma rajada de vento muito forte que a faz rodar muito rápido, e ela sem largar os pincéis e as cores grita. 
O trabalho final não é nada bonito, mas há muitas cores. 
O vento desata às gargalhadas.
- Já viste o que fizeste? – Pergunta ela muito zangada
- Tu é que és a pintora, mas não fazes obras nada bonitas.
- O quê? Tu é que és um insensível.
- Não. Tu é que não tens mesmo gosto nenhum, nem jeito.
- Áhhhh!
- É verdade.
- Mas…
- Sim, enquanto estiveres nesse estado, não vais fazer nada de jeito.
- Que estado?
- Assim, quase a explodir…tu é que pareces uma ventania.
- Huummm…estou muito zangada.
- Já reparei. Mas posso saber porquê?
- Não.
- Pronto, está bem…então fica lá com o teu mau humor, e a tua irritação. (o vento afasta-se ligeiramente) Desculpa! Acho que estraguei as tuas obras. (afasta-se mais um bocadinho) Deve ser por isso que estás tão zangada…
- Não. Espera…talvez me possas ajudar.
- Eu? Ajudar-te? (ri) Tu é que costumas ajudar os outros, não sou eu. Eu sou vento, tu és fada.
- Mas as Fadas também precisam de ajuda…às vezes!
- Precisam?
- Claro! Tu também precisas?
- Sim, claro.
- Detesto este céu. Estou farta da chuva, farta de ver estas nuvens escuras…queria dar-lhes outras cores mais bonitas, alegres… sem cores fico muito triste.
- Eu também gosto muito de cores. E mesmo as nuvens escuras, e a chuva…têm cor.
- Sim, é verdade. Mas são muito escuras…eu gosto mais de cores alegres.
- Mas não podes mudar as cores que elas têm.
- Porque não?
- Isso é com o sol.
- Eu vi o arco-íris, mas desapareceu. Saltei em cima dos tubos de tintas, um de cada cor… delas saiu um grande jato de cores, elas deram as mãos, dançaram, misturaram-se e formaram o arco-íris, mas…desapareceram…Acho que ficaram tristes, por uma coisa que eu disse.
- Pois! Estou a ver…
- Quem? O arco-íris?
- Não. O que tu fizeste…
- Foi mau, não foi?
- Foi. Mas o que é que tu querias pintar?
- Nada de especial…e…tudo à minha volta…para ficar colorido...para dar cor a estas nuvens tão escuras.
- As nuvens escuras são importantes…e têm a sua beleza.
- É. Mas cansam depressa. Eu não gosto de tudo tão escuro.
- Mas também não podes mudar a cor…podes pintar com outras cores, mas em desenhos, ou nos teus sonhos.
As cores gostaram tanto do que o vento disse, que voltam a aparecer em forma de arco-íris entre as nuvens a sorrir. A fada tenta agarrá-las, mas elas escondem-se.
- Porque é que fogem?
- Porque não fomos feitas para sermos agarradas…
- Só…olhadas.
- E apreciadas.
- De longe!
- Para sermos vistas…
- Sentidas…
- Tocadas com os olhos.
- E vocês gostam dessas nuvens tão escuras?
- Sim! – Respondem todas
- Eu não gosto. E quero pintar tudo à minha volta com outras cores.
As cores desatam a rir às gargalhadas.
- Achas que mandas nisto…
Aparece um raio de trovoada e faz um estrondo.
- Vai-te embora. – Grita a fada
- O quê? – Pergunta o raio
- Eu não gosto de ti. – Resmunga a fada
- Olha para a minha cara de preocupado… (responde o raio a rir) tu ficas aí, que eu fico aqui… e está tudo bem.
- Tu não me dás cores…não gosto de ti.
- Quero lá saber. Não tenho nada a ver com cores…só com…luz.
A fada fica mesmo furiosa. Aperta os tubos de tintas aos gritos, roda, salta…todos a mandam calar. O vento prende-a.
- Pára quieta e pára de gritar, criatura irritante. Já me estás a deixar muito nervoso…e olha que eu até sou calmo…
Aparece o sol.
- Mas o que é que se passa?
- Esta criatura só grita… reclama por cores. Diz que detesta nuvens escuras, que está farta de nuvens escuras e de chuva. – Explica o vento
O sol ri.
- Sou pintora. – Grita a fada
- Pintora? – Todos desatam a rir
- És uma pintora muito desajeitada. – Brinca o vento
- É verdade. – Confirma o sol
- Tu queres pintar o quê? – Pergunta outra nuvem
- Quero encher isto tudo de cores.
- Não podes.
- Porquê?
- Eu é que mando…
- Porque é que me roubaste as cores?
- As cores estão mesmo diante de ti. – Mostra o sol
- Mas eu vejo tudo igual…e não gosto destas cores.
- Enquanto estiveres assim tão irritada, eu não te ajudo. – Diz o sol
- Porque não?
- Porque não são maneiras de tratares a natureza.
- Mas ela é quem manda?
- Claro.
- Pensei que eras tu!
- Não. Eu faço parte dela, mas é ela quem decide tudo. Não sou eu…eu só obedeço…ou apareço ou não…e onde…quando ela quer…ou manda.
- Mas…ela não entende que ficamos tristes quando tu não estás?
- Entende. Mas é porque ela acha que sou mais preciso noutros lugares.
- Óhhh…
- Não posso contrariar as ordens dela. Nem vai ser por tu ficares tão irritada que ela vai mudar as coisas.
- Não?
- Não!
- Eu só quero cores…
- Vais tê-las aqui fora, quando a Natureza entender…
- Mas…
- E é melhor não discutires com ela.
- Porquê?
- Ela não gosta…e não é para brincadeiras.
- É pior do que eu?
- Muito pior.
- Não pode ser.
- É.
- Achas que se falares com ela, ela vai fazer-me a vontade?
- Não. Isso tens de ser tu a pedir, e mesmo assim é melhor não teres muita certeza que ela vai realizar o teu desejo.
- Eu quero cores…
A voz da natureza soa:
- Pinta, e cala-te um bocadinho, por favor. Já estou cansada de te ouvir.
- Ãh? – Pergunta a fada
- É a mãe. Respeita-a…- diz o sol
- Ela está a mandar-te pintares. – Diz o vento
- Mas vou pintar onde?
- Na tua casa…sossegada, calada… e bem comportada. Em papel branco, com as tuas tintas. – Manda a natureza
- Mas…
- Vai já para casa. – Ordena a natureza
A fada obedece, triste e um pouco assustada. Senta-se em frente ao apoio das folhas de desenho, e olha para as tintas.
- O que é que eu vou pintar?
- O que tu quiseres… - soa a voz da natureza
Ela faz um desenho cheio de riscos, pintas, borrões com várias cores.
- Está bem?
- Não! – Respondem todos
- Está muito mau. – Diz o vento
A fada quase explode.
- Nem te atrevas…respira…- Ordena a natureza – Eu não faço obras dessas
Ela respira muito zangada, e faz outro desenho, ainda mais trapalhão. A natureza ri-se.
- O que é isso?
- Faz um desenho como deve ser. – Sugere o vento
Ela tenta outra vez, muito zangada. Uma mancha de tinta salta da folha e transforma-se em gota gigante. Fica a olhar para ela.
- Isso é coisa que se apresente, menina?
- Ai, que susto. De onde saíste?
- Daqui. Desta salsichada que chamas desenho. Olha para isto…? Que coisa é esta…? Não tem pés, nem cabeça.
- O quê? Mas…que indelicada…Eu não estou a desenhar salsichas. 
- Estou a ser muito sincera. Tu não sabes pintar.
- Sei.
- Não. Muito menos quando estás nervosa. Olha para isto…? Que bagunça. A natureza não gosta disto…nem ela nem ninguém.
- Óh!
- É verdade.
A mancha dá uma longa lição de pintura à fada, explica tudo passo a passo de como fazer a pintura.  Mostra cores, fala com elas, elas dizem as suas funções, explica quais as cores que se podem misturar, e as que não podem 
Pega nas mãos da fada e põe-nas a desenhar como deve ser. Quando ela começa a desenhar coisas bonitas, e a ficar muito bem-disposta com a mancha, a natureza à sua volta começa a ganhar uma nova vida. 
As nuvens mudam de sítio, aparece o sol, as gotinhas escorregam das pétalas das flores, e dos troncos das árvores, e todas as cores de tudo o que parecia ser pintado com a mesma, sorriem.
A fada sai a correr de casa, toda feliz, com um grande sorriso, e corre solta pelo espaço.
- Finalmente…sol! Luz…muito obrigada… obrigada Natureza… obrigada, mancha de tinta…por me teres ensinado a pintar.
- Mas lembra-te de respeitar também a chuva, porque até ela tem a sua beleza…e é muito necessária. – Aconselha a Natureza
- Sim, já percebi.
E a fada volta a brincar com as cores. Quando estava chuva, ela deixou de ficar zangada, e aprendeu a pintar de verdade…até a chuva ela pintou. 
Quadros lindíssimos, da Natureza, com todos os belos e pequeninos pormenores, pois adorava tudo o que via, e via com olhos bem abertos para captar tudo…
Sonhava, e passava todos os seus sonhos para o papel, enquanto viajava pelo mundo das cores, que às vezes era só seu.
Era de certeza um mundo lindo, porque todos os seus quadros passaram a ser muito apreciados por todos. 
Até lhe pediam para fazer quadros especiais, quando queriam oferecer alguma coisa muito especial a alguém.
A pintora que era desajeitada, aprendeu a pintar e a não ficar zangada quando estava a chover. Com sol ou chuva, a Natureza é mesmo assim, e ela merece sempre a nossa admiração, não é?

                                               FIM
                                          Lara Rocha 
                                  (9/Novembro/2015)

  

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O DESEJO DA GOTINHA


Era uma vez uma gotinha de chuva que vivia numa pequena nuvem com a sua família. 
Um dia, a gotinha Esmeralda estava à janela da sua nuvem e olhou para as estrelas que estavam muito lá em cima, mas pareciam perto.

Teve uma longa conversa, com elas, e antes de dormir, depois de ouvir as notícias da terra, voltou à sua janela muito desanimada e triste.

- Então, amiga, que tristeza é essa? Ainda há bocado estavas feliz e a rir-te comigo, e agora estás aí com as lágrimas nos olhos? – Perguntou a estrelinha

- É. Fiquei mesmo muito triste com as notícias que ouvi da terra. – Explica a gotinha

- Óh, amiga…entendo-te, eu também fico muito triste, quando ouço essas notícias, e toda a gente. Mas fico ainda mais triste, porque infelizmente não podemos fazer nada para melhorar a terra. – Diz a estrelinha triste

        A gotinha ficou pensativa…ela queria mesmo encontrar uma maneira de melhorar a situação da terra. Para quebrar a tristeza daquele momento, a estrelinha conta um episódio divertido que viveu naquela tarde, e as duas riem às gargalhadas.
    
     A gotinha conta outras situações engraçadas, e as duas riem-se muito. Não pensam mais na tristeza, pelo menos enquanto estão a conversar e a rir. 

    Passado um bocado, a gotinha boceja.

- Ai…desculpa! Estou com sono.

- Claro. Vai descansar…eu é que quando começo a falar também nunca mais me calo. – Diz a estrelinha a rir

- Eu também! E gosto muito de conversar. Hoje gostei muito de conversar e de me rir contigo! – Responde a gotinha

- Eu também! – Retribui a estrelinha  

- Tu não realizas desejos? – Perguntou a gotinha Esmeralda

- Bem…alguns…sim, tentamos sempre fazer o nosso melhor, mas há coisas que nos pedem, que não dependem de nós para serem realizadas. – Responde a estrelinha

- Áh! Claro. E tu tens os teus desejos? – Perguntou a gotinha Esmeralda

- Claro que sim. Todos temos desejos. – Responde a estrelinha

- Já realizaste muitos? – Perguntou a gotinha Esmeralda

- Não! Ainda não realizei muitos. Mas não faz mal. Sei que alguns são isso mesmo…desejos, e sei que são como os sonhos…muitos não se realizam, mas é sempre bom que eles façam parte da nossa vida! Mesmo que não se realizem, dão-nos força para lutarmos, e darmos o nosso melhor, ou querer mais. É muito bom. Para realizarmos os nossos desejos, temos de procurar caminhos para os realizar, aqueles que sabemos que não são possíveis, bem...preenchem-nos e fazem-nos sonhar. – Responde a estrelinha

- Eu posso pedir-te um desejo? – Perguntou a gotinha Esmeralda

- Sim, se eu puder realizar-to. – Responde a estrelinha

- Este acho que podes realizar. – Diz a gotinha confiante

- Qual? – Pergunta a estrelinha

- Eu gostava que vocês estrelas, se juntassem e fizessem no céu o desenho de uma vela, pela paz. Que fosse vista na terra. – Conta a gotinha

- Áhhh…que lindo desejo. Quem sabe! Mas agora vai descansar… se ele se realizar chamamos-te. – Diz a estrelinha

- A sério? – Pergunta a gotinha em dúvida

- Sim! – Responde a estrela segura

- Prometes? – Tenta confirmar a gotinha

- Prometo. – Responde a estrelinha

- Uau! Muito obrigada. – Responde a gotinha

- Boa noite! – Deseja a estrelinha

- Boa noite! – Retribui a gotinha

        E a menina vai para a sua cama. Fica a olhar para a janela enquanto não adormece. A estrelinha partilha o desejo da menina com as outras estrelas, e decidem realizá-lo. 
  
  Unem as pontas e formam uma gigantesca vela, brilhante, com uma chama enorme. Caminham todas juntas, ao mesmo tempo como se estivessem de mãos dadas. 

      A vela parece verdadeira, mas esta é feita só de estrelas. O vento fica tão maravilhado com aquela imagem que assobia, e elas pedem-lhe para as levar pelo universo, para que todos os seres humanos da terra as vissem, e ficassem a pensar.

  A gotinha vê um lindo brilho na janela, levanta-se rapidamente da cama, e elas acenam-lhe sorridentes. Ela abre um grande sorriso, e saltita de felicidade.

   Vai chamar toda a família de gotinhas e todos ficam à janela ver aquela vela gigante de estrelas, caminhar pelo espaço, levadas pelo vento. 

  A gotinha e os seus familiares ficam emocionados, e deixam escapar algumas lágrimas dos seus olhos. Na terra todos viram a imagem da vela, e a Paz tomou conta de todos, iluminou todos os olhares, abriu sorrisos e aplaudiram…pelo menos naqueles instantes em que a vela de estrelas passeou pelo espaço, sentiu-se a paz! 

      As estrelas percorreram um longo caminho para passar a sua mensagem tão importante ao Mundo. E escreveram de mãos dadas, a palavra PAZ.

       A gotinha ficou muito feliz por ver realizado o seu desejo de Paz para o mundo, e quando as estrelas regressaram, a gotinha agradeceu-lhes convidando um grupo de pirilampos malabaristas, elfos brincalhões, fadas dançarinas e mágicos que deram vários espetáculos, vários dias seguidos só para as estrelas verem. 

    As estrelas adoraram, e fartaram-se de rir, de brincar. Era bom para o Mundo, que dos nossos desejos individuais e secretos, fizesse parte um desejo comum para todos…para o Mundo: que a Guerra acabasse, e que houvesse Paz, amizade entre os povos, união e respeito, e que as armas se transformassem em instrumentos, para que os corações toquem o hino da paz e do amor, numa única sinfonia…Feliz.

  Vocês gostariam de fazer parte da grande vela feita de estrelas?
  Se fossem a estrela realizavam esse desejo da gotinha? Como?
    Já fizeram alguma coisa pela PAZ no Mundo? 
    O quê? 
    Só vocês, ou vocês e amigos?
    O que fizeram pela Paz no Mundo?
    Quantas vezes?
    Como se sentiram?
    O que acham que poderiam fazer mais?
   Como acham que poderíamos acabar com as armas e as guerras?

FIM
Lara Rocha 
(23/JULHO/2015)

quinta-feira, 4 de junho de 2015

As amiguinhas da mamã

       Era uma vez uma menina que costumava ter longas conversas com a lua que via da sua janela, enquanto a mãe não chegava a casa do trabalho para a deitar. A menina contava à Lua todo o seu dia, falava da mãe, do pai, dos avós, dos amiguinhos do colégio e dos seus trabalhinhos.
Como adorava livros, até contava histórias, mostrava as imagens e pedia desejos às estrelas. Um dos seus grandes desejos era que a sua mãe arranjasse um emprego onde ganhasse mais dinheiro, mas que tivesse mais tempo para estar com ela, que chegasse mais cedo para brincar com ela, e conversar.
         A mãe ficou desempregada, e nesse dia chegou muito cedo a casa, triste.
- Mamã…já chegaste hoje? – Pergunta a menina surpresa
- Sim, filha. Fiquei sem trabalho!
- Porquê?
- Por coisas muito estranhas…mas não te preocupes com isso!
- E agora?
- Agora, vou procurar outro, mas até lá, tenho mais tempo para ti, poderei brincar mais contigo.
- Boa! As estrelas realizaram o meu desejo! – Grita a menina feliz
- Tu querias que a mãe ficasse sem trabalho?
- Não. Queria que arranjasses um trabalho que te deixasse ficar mais tempo comigo.
- Áh! Está bem. Vamos brincar?
- Sim…
         E a mãe brinca com a filha, conversa e ri, apesar da tristeza. Ela sabia que a menina sentia a sua falta e que precisava mesmo da sua atenção. O sorriso e o brilho nos olhos da filha pela felicidade de estar com a mãe, preenchiam-na e tornavam a tristeza mais leve. Brincam bastante até à hora do jantar, e no fim de jantar a menina disse à mãe:
- Mamã: vou-te apresentar uma nova amiga, hoje.
- Uma nova amiga, do colégio?
- Não. Esta é diferente, mas vais adorar conhecê-la, tenho a certeza.
         Estava uma linda e quente noite de Verão, um céu cheio de estrelas e uma lua cheia enorme. Mãe e filha vão para a janela do quarto da menina onde tem um pequeno sofá. Sentam-se as duas a olhar para a Lua.
- Olha mãe, afinal hoje vou apresentar-te uma amiga e um amigo. A lua hoje está acompanhada.
- Áh. Então a tua nova amiga é a Lua!
- Sim!
- A lua vem sempre acompanhada pelas estrelas, filha.
- Mas hoje a lua vem também com o arco-íris! Olha!
- Áh! Pois é. O teu amigo é o arco-íris.
- Sim.
- Que lindo! Olá Lua, e olá arco-íris, amigos da minha filha…muito gosto em conhecer-vos. Eu sou a mãe da vossa amiguinha!
- (ri) É. A lua hoje está mais bonita sabes porquê, mãe?
- Hum…será porque está cheia?
- Sim, mas também é porque estás comigo, e os teus olhos lindos reflectem-se nela!
-Ela até fica com inveja!
- (ri) Não. A lua não é invejosa, porque ela sabe que é tão bonita como tu.
- Sabe?
- Sabe! E também acha que és muito bonita.
- É? Obrigada lua. Mas ela conhece-me?
- Conhece! Ela vê tudo. E eu falho-lhe muito de ti, todos os dias enquanto não chegas! Disse-lhe que um dia ela ia conhecer-te. Olha lua, esta é a minha mãe! É linda não é? Eu disse-te. Olha mãe, ela está a sorrir para ti!
- Áh! Olá Lua. Muito gosto.
- Lua…pede às estrelas que arranjem um trabalho para a minha mãe que dê para ficar mais tempo comigo e ganhar dinheiro. Está bem?
- Óh filha, tão querida… Agora vou ter mais tempo para ti.
- Boa! A lua tem asas! Mas eu tenho os teus braços que me pegam ao colo, que me abraçam e que me seguram ou adormecem. Gostavas de ser lua, mãe?
- É verdade. Eu gosto muito de ver a lua, mas não gostava de ser lua. Se fosse lua não te podia ter nem tocar-te.
- Pois era. Eu também não queria que fosses uma lua…só se eu fosse uma estrela… ou o sol, mas não gostava. Gosto muito de ver a lua cá de baixo, mas gosto ainda mais de te ter aqui comigo, mamã!
- Eu também, querida estrelinha, minha estrelinha que faz brilhar todo o meu ser.
- Em ti é que brilham todas as estrelas e luas que me enchem de alegria.
- Olha, agora a lua tem asas!
- Pois tem. É uma fada que está lá a dormir.
- É? Uma fada? Como é que sabes?
- Sou amiga dela, já desde bebé!
- A sério? Como é que ela é?
- É linda, pequenina. Só consegues vê-la quando estiveres deitada, quentinha e de olhos fechados. Queres vê-la?
- Sim!
- Então vamo-nos deitar e eu vou convidá-la a entrar.
- Está bem.
         As duas deitam-se na cama grande, abraçadas, e trocam mimos.
- Achas que ela vai gostar do meu pijama, mamã?
- Vai.
- Ela também usa pijama?
- Usa. O dela também é muito bonito, vais ver. Fecha os olhos…vou chamá-la!
         A menina fecha os olhos, sorridente e a mãe conta-lhe uma história maravilhosa e encantada que imaginou com a idade da sua filha sempre que olhava para a lua, como faz agora a estrela que brilha no seu coração e no seu olhar.
Nessa noite, as duas viram e sentiram a pequenina fada amiga da mãe que vivia na lua…era por isso que viam asinhas na lua, as asas da fantasia, do sonho. As duas adormecem felizes e serenas, abraçadas.
         E depois dessa noite, as duas viveram mais aventuras, deram passeios e brincaram com a fadinha que as levava para onde queriam.
         E a vossa mamã também já vos apresentaram as suas amiguinhas mágicas da infância? Peçam-lhes para vos apresentarem e contarem as suas aventuras, passeios ou brincadeiras juntas.
FIM
LÁLÁ

(3/JUNHO/2015)