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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O que faz um girassol à janela?

  

 

fotos de Lara Rocha 

 
    Era uma vez uma montanha com casas de pedra, muito bonita, em paisagem, e na decoração das casinhas, onde viviam grandes famílias. Já chovia há muito tempo, e havia neve. 

        Os habitantes já estavam habituados, mas uns girassóis que só foram para lá há pouco tempo, antes da chuva, não sabiam, nem estavam habituados àquele frio e tempo chuvoso. 

        Nos campos juntavam-se para tentar aquecer-se, virados uns para os outros, com a energia que tinham conseguido armazenar nos meses em que houve sol. Mas como estava a chover, os habitantes, a partir de uma certa altura, recolheram os girassóis para as suas casas à espera que chegasse o sol. 

        O sol não dava sinais de voltar tão cedo. Alguns habitantes punham os girassóis às janelas, nos alpendres, para não se molharem mais, e sentirem pelo menos alguma claridade. 

        Não era a mesma coisa que o sol, como os girassóis precisavam e gostavam, mas pelo menos não se estragavam com a chuva. Estavam murchos, de tristeza, com as pétalas quase fechadas sobre o seu centro, e pelo menos viam a paisagem.  

        Passavam uns miúdos pequenos, olhavam para as janelas e comentavam: 

- O que é que aquelas coisas feias estão a fazer ali na janela? 

       Riam à gargalhada

- Os meus Avós também têm aquilo à janela. 

- Para quê? 

- Deve ser para afugentar os pássaros. 

        Gargalhadas 

- Só se for. São mesmo feios, nem deviam estar à janela. 

- Também acho, deviam estar no campo. 

- Mas no campo e com este frio, estavam ainda piores. 

- Pois. 

- Ou no lixo! 

- Ou ainda a servir de adubo. 

- Mas à janela, com as pétalas feias, quase em cor, todos melados, também não ficam bonitos! 

- Não. 

- Óh girassol ou coisa parecida...o que fazes à janela? 

- Estás a ver quem passa, é? 

- Ou à caça de um namorado…? 

        Gargalhadas. 

- Podem esperar sentados, aí, e com esse aspeto, ninguém vos quer! 

        Gargalhadas. Os girassóis ficam ainda mais tristes, e só respondem: 

- Estamos à espera do sol! - dizem os girassóis em coro 

- O sol não vem tão cedo. - diz uma menina 

        Os miúdos riem e seguem caminho ainda a dizer mal dos pobres girassóis. Quando os girassóis fechavam os olhos, sonhavam com o sol, imaginavam-no, e sorriam, parecia que conseguiam senti-lo, mas a tristeza voltava, quando olhavam para a janela, e o sol não estava lá. 

        De vez em quando, o sol mostrava os seus raios entre as pesadas nuvens, chegava aos girassóis e eles abriam um sorriso de pétala a pétala, deliciavam-se, com aquele carinho. 

        Mas era sol de pouca dura, porque a seguir voltava a desaparecer. Lá ficavam outra vez tristes, e ainda mais, quando os miúdos passavam e diziam que eles estavam feios. Eles imaginavam que sim, sem sol, e como se sentiam frios, com as pétalas caídas. 

        Insistiam em perguntar: 

- O que faz um girassol à janela? 

- Nada! - respondia uma criança 

- Papa moscas ou insetos! - diz outra 

- Está à espera do príncipe encantado! 

        Todos dão uma gargalhada, um girassol respondia, triste: 

- Maldosos! Estamos à espera do sol. Vocês também gostam dele, não gostam? 

        Os outros estão tão tristes que nem sentem forças para responder, apenas deixaram cair as lágrimas. Fechavam os olhos, pediam mentalmente para que o sol voltasse rápido, porque estavam fracos, e quase não se aguentavam. 

- Gostamos, mas já sabemos que não vai aparecer tão cedo! 

- Que crueldade. - responde outro girassol

- Vão-se embora! - grita outro girassol 

- Tenham respeito pela nossa dor e tristeza. 

        Os miúdos saem às gargalhadas. À noite, os girassóis olhavam tristes para as estrelas, e pediam um desejo: que o sol voltasse rapidamente! Pensavam que as estrelas não estavam a ouvi-los, mas ainda sentiam alguma esperança.  Fechavam os olhos, imaginavam um sol maravilhoso à sua frente, sonhavam com o sol, recordavam o seu calor, e sorriam quando acordavam. 

        De repente passa um menino mais crescido e sensível que não gosta dos comentários que os mais pequenos fazem aos girassóis. Parou a olhar para eles, muito pensativo, triste, e teve uma ideia genial. 

        Bateu às portas, e sugeriu aos moradores, colocarem uma lâmpada da cor do sol, para aquecer os girassóis. Os moradores ficaram surpresos, porque nunca tinham pensado nisso, mas experimentaram. 

        Puseram uma lâmpada amarela na tomada mais próxima dos girassóis, e aconteceu magia...os girassóis viraram-se de imediato para as luzes amarelas, tão felizes, que as pétalas abriram de um lado ao outro, estiveram assim vários dias, sentiam um calor muito semelhante ao do sol, e ficaram com outro aspeto. 

        Talvez os girassóis soubessem que não era o sol deles, mas muito semelhantes, também os aquecia, e deixava-os abertos, enquanto a lâmpada estava acesa. Os moradores estavam encantados! Agradecera  ao jovem, e o próprio ficou orgulhoso, feliz com a mudança.

        Quando os miúdos passavam, viram como estavam bonitos, e nem queriam acreditar. Agora já diziam: 

- O que faz um girassol á janela? 

- Mostra a sua beleza! - responde uma menina 

- O que aconteceu para eles estarem tão bonitos, parece que estiveram ao sol! 

- Mas não houve sol. 

- Ou será que houve sol só para eles? 

- Não sei, mas estão maravilhosos, como novos! 

- Pois estão. 

        Os girassóis riem à gargalhada: 

- O sol apareceu para quem mereceu! - diz um girassol 

       Todos os girassóis riem à gargalhada 

- Eu não o vi! - diz um menino 

- Que pena! - diz um girassol irónico, e os outros riem 

- O sol vai voltar em breve. - comenta outro rapaz 

- Esperamos nós! - acrescenta outra menina 

        Os girassóis riem à gargalhada, e os meninos viram costas, envergonhados. O sol, finalmente apareceu, ao fim de vários meses de chuva, neve e frio. Cheio de luz, cheio de força, brilho e calor. 

        Os habitantes das casas, mudam-nos para os campos, plantam-nos novamente, e  não podem estar mais felizes, com o sol verdadeiro, crescem de repente, abrem como nunca antes visto, sorriem de pétala a pétala, brilham de felicidade, como se tivessem brilhantes amarelos colados. 

        Agradecem aos moradores que os acolheram, agradecem ao jovem que deu a ideia da lâmpada, e dão gritos de alegria, agradecimento, ao verdadeiro sol, que parece acariciá-los e sorrir-lhes. 

        Os moradores cuidam deles com todo o carinho. E o sol devolve toda a beleza que a chuva e o frio tinham tirado aos girassóis, estão radiantes. Quando é noite, estes juntam-se para continuarem a receber o calor do sol, e a sua energia saudável. 


                                                                                Fim 

                                                                        Lara Rocha 

                                                                    13/Fevereiro/2026 


E vocês? 

O que respondiam se fossem girassóis à janela, no Inverno? 

Como se sentiriam? 

E ao ouvir os comentários dos meninos? 

O que acharam da ideia do jovem? 

E vocês, o que faziam? 

Gostam de girassóis? 

Se fossem estrelas, realizavam o desejo dos girassóis, que eles pediam? Como? 

Podem deixar nos comentários, se quiserem. 



    

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Os sapos e a festa da chuva

 


      Era uma vez uma grande quinta, numa aldeia onde já não chovia há muitos meses, só havia calor, sol, nada comum, pois era uma aldeia que costumava ter temperaturas agradáveis, o ano todo.  

       Frio e chuva na sua época, tempo quente no Verão, no Outono e Primavera era instável, tanto chovia como estava sol, mas todos respeitavam a vontade da Natureza. 

       Este ano é que estava um calor fora do normal, tudo seco, a erva dos campos, os riachos onde havia sapos, rãs e peixes, secos em quase todo o caminho, pequenas possecas de água de longe a longe. 

       Até eles estavam a sentir-se tristes, cansados, porque já não aguentavam tão pouco água, às vezes percorriam quilómetros atrás de poças de água, e encontravam, deliciavam-se a refrescar-se, a brincar, a cantar.  

       Mas pouco tempo depois, sentiam saudades de casa e regressavam na esperança de encontrar água, mas infelizmente, o seu desejo não se realizava. 

       O dono, com pena deles, deitava água no local onde estavam, tal como fazia aos outros animais da quinta, eles bebiam com sofreguidão, e sobrava pouca para o resto. 

       Um dia, depois de tanta seca e tanto calor, o seu desejo realizou-se. Acordaram numa manhã, cinzenta, fria, até pensaram que os tinham levado para outro sítio, mas não. Estavam na sua casa, trocaram olhares surpresos: 

- Onde estamos? 

- Na nossa casa, parece-me! 

- Sim, olha ali aquelas flores, e a corte dos animais, a casa do senhor e da família. 

- É! Estou a ver, mas o tempo está diferente... 

- Pois está. 

- Será que dormimos tanto, que nem nos apercebemos da mudança de estação? 

- Não, isso não é possível. 

- Mas ainda ontem estava sol e um calor que não se podia, hoje está cinzento, e frio. 

- Pois é, realmente nem parece o mesmo sítio. 

- Será que vai trazer a nossa tão desejada chuva? 

       Eles disseram o que parecia quase a palavra chave: chuva! De repente, parece que se abre uma torneira gigantesca das nuvens, e descarrega uma tromba de água, litros e litros de chuva, como nunca viram, uma ventania fria e forte. 

       Os sapos nem queriam acreditar. Os donos apavorados, tal como os animais, as flores encolhidas, mas ao mesmo tempo felizes por ter água, a erva a assobiar de felicidade com o vento, e por sentirem a chuva. 

       As árvores um bocadinho assustadas porque o vento fustigava-as, mas estavam a gostar do ar fresco e da chuva, podiam ouvir-se os risos delas, e elas deixavam-se levar, com os seus ramos de um lado para o outro, a frescura entre as folhas, fazia-as estremecer e ao mesmo tempo rir. As flores sorriam felizes, sentiam-se frescas, renovadas, eufóricas com tanta água. 

      Os donos assistiram dentro de casa, assustados, mas agradecidos por finalmente chover, os cães muito quietos e assustados, encolhidos nas casotas, em silêncio, no estábulo a agitação era grande, pois os bichos nunca tinham visto tal coisa.  

       Os sapos levantam as patas para as nuvens e fazem vénias como forma de agradecimento, cantam, dançam uns com os outros, abanam-se felizes. 

       Saltam, chapinham, brincam na água, mergulham, boiam, dão gritinhos de alegria e satisfação, coaxam bem alto, nem se abrigam, abrem as patas como se estivessem a apanhar cada gota de chuva que caía.  

       Num instante, tudo fica ensopado, enlameado, o riacho voltou a ter água até às bermas, como ficavam quando a chuva vinha na sua época, e no tempo normal. 

       O dono grita para eles se abrigarem, mas eles nem o ouvem, continuam numa grande festa, tantas eram as saudades da chuva. Só recolhem às suas casas, quando ouvem um estrondoso trovão que iluminou o céu todo, parecia noite, desenhou raios por todo o lado, e rebentou por todo o lado. 

        Os sapos não sabiam o que era, mas assustaram-se realmente, começaram aos gritos e meteram-se nas tocas. A luz na casa falhou, os cães não param de ladrar, os animais na corte, andam de um lado para o outro nervosos.  

        As árvores entram em pânico porque sabem que os relâmpagos podem ser perigosas para elas, estremecem, juntam os ramos umas às outras, cantam para correr com o medo, abanam-se, soltam um grande grito quando um raio cai na terra aos seus pés, além do barulho que fez, mas suspiram de alívio quando percebem que estão todas bem. 

       A tempestade continua, e os sapos não saem mais das casas, até esta passar, ao fim de dois dias a chover sem parar e a trovejar. Apesar de sentirem medo, depois da festa, estão felizes pela chuva, que mudou a paisagem, souberam que tinham água para muito tempo, e as pessoas da casa, os outros animais também. Já não precisavam de fazer quilómetros atrás da água. 

       Enquanto choveu sem trovejar, os sapos saíram muitas vezes das casas, para apanhá-la, numa grande euforia, gritavam, coaxavam, riam, cantavam, dançavam, saltavam, mergulhavam, brincavam uns com os outros, mas quando começavam os trovões, fugiam o mais depressa que podiam, e ficavam calados, assustados. 

- Abençoada chuva! - diz o agricultor

       Quando o sol regressa, perceberam que as pastagens estavam maravilhosas para o gado, os sapos não cabiam em si de felicidade, sempre que chovia, faziam sempre uma festa, um bailado, com cantares e dançares, muito riso e brincadeira. 

       O que era pó, palha seca em vez de erva, amarela, transformou-se em erva fresca, verde, suculenta, tenra. Pouco depois, voltou a neve, com camadas que nunca ninguém tinha visto, e os sapos ficaram recolhidos, porque estava frio, tal como os outros animais, mas encantados com a paisagem. 

        Tudo é preciso, para a Terra, para nós, e para os animais. 

E vocês festejam quando chove, ou ficam zangados e tristes? 

Para que serve a chuva? 

Sentem medo da trovoada? 

O que fazem para não sentir tanto medo? 

Podem deixar nos comentários. 

Até já. 

                                                FIM 

                                             Lara Rocha 

                                     15/Setembro/2023

segunda-feira, 22 de abril de 2019

A amizade entre as gotinhas de água e a aranha

       

Era uma vez uma aranha que vivia num país muito quente, poluído, onde já não chovia há muitos anos. Os habitantes e os animais que lá viviam já estavam habituados ao calor. Mas ultimamente estava a ser demasiado, o calor, e a secura.
         Uma aranha passeava pela areia quente, sem pressa, e aos saltinhos pequeninos para não sentir tanto o quente, procurava desesperadamente uma sombra, era quase um oásis encontrar alguma. Para não ficar ao sol, ela andava mais rápido, e finalmente encontrou uma palmeira com grandes folhas.    Trepou rapidamente pelo tronco e chegou à primeira folha, dobrada, macia.

- Áh! Que bela sombra! - Suspira a aranha - Encontrei o paraíso. Como é possível este forno, quase ficava esturricada. Que sufoco...aqui está fresquinho. Áh! Que bom. Só falta água para ser perfeito. Quando irá acontecer? Aiiii...

        Umas gotas de água ouviram o seu desejo e ficaram com pena dela. Decidiram cair da atmosfera e pousaram em cima da teia. A aranha tece uma teia em cima da folha, muito vagarosamente, mas o efeito final parece uma colcha rendilhada. Finalmente repousa num cantinho da sua teia. Adormece, e sonha com muita água, que havia água por todo o lado, e ela nadava feliz, saboreava a frescura da água, e refrescava-se.
       As gotinhas já lá estão a brincar e a saltar na teia, quando a aranha acorda a sorrir. Teve de olhar várias vezes para as gotinhas, pois pensava que ainda estava a sonhar.

- Água...? Ááááááhhhhh.... Sim, quero água! Quero tanto água que até sonho com ela. Acho que ainda estou a sonhar, e a vê-las aqui. Mas com este calor é impossível haver água. Ai, que sede! Água... por favor, onde há água? Água!

- Coitadinha, está a delirar com o calor. - diz uma gotinha

- Olá! - dizem as gotinhas em coro

- Água...- diz a aranha

- Estamos aqui. - Respondem as gotinhas

         Sacodem-se e molham a aranha, outras gotas contorcem-se por cima da aranha e dão-lhe um belo jato de água. A Aranha suspira feliz, ri.

- É real ou estou a sonhar?

- É real.

- Água? Isto é água? Áááááááhhhhhh... Á-g-u-a...Água! Sim, é agua! - Salta a aranha feliz - molhem-me mais, por favor.

         As gotas juntam-se, entrelaçam-se, abraçam-se, e enchem um buraco no tronco da palmeira com água. Depois enchem outro buraco ainda maior com água para ela beber. A aranha sorri, saltita feliz, toda brilhante.

- Áh! Água... Muito obrigada. Quero beber mais água...

         Abre a boca, e as gotinhas deitam mais água na teia para a aranha se molhar e beber sempre que sentisse sede. As gotinhas riem ao ver a enorme felicidade da aranha.

- Quando precisares de água, chama-nos. - Diz outra gotinha

- Muito obrigada!

         As gotinhas voltam para a sua casa, e a aranha sente-se tão feliz, mas tão feliz que fica mergulhada na água que as gotinhas deixaram no tronco. Mas, começou a pensar:

- Eu estou aqui agora, rodeada de água, que maravilha! Mas...e os humanos, será que também não precisam de água? Eu até lhes dava alguma, mas não quero saber, também não gostam de mim, nem da minha família. Que se arranjem! Espera...e se eu lhes der água, será que eles me aceitam melhor e começam a gostar mais de mim? Hum, acho que não. Eles são muito nojentos. Tratam-nos muito mal, não merecem! Não. Esta água é toda para mim. Óh…mas...e se há bebés? E outros animais? Todos precisamos de água! Mas não quero saber.
       
         Enquanto a aranha refletia, dividida entre a bondade e a vontade de ignorar quem não gosta dela, começa a chover torrencialmente. Ela dá um grito, e muito assustada corre para uma toca onde estavam morcegos a dormir. Ela nem reparou.
         Choveu durante horas e horas seguidas, as pessoas da terra ficaram tão felizes, queriam tanto água, e precisavam mesmo, que dançaram, apanharam chuva, cantaram, encheram baldes, atiraram-se para as piscinas, porque estava calor.
         A chuva foi tanta que encheu barragens completamente vazias. Felizmente voltou a haver muita água nas torneiras, criaram ilhas naturais no meio de areias, encheu tanques, fez crescer vegetais, e voltou a haver água que se farta, o que foi ótimo para a alimentação dos animais.
        A teia da aranha ficou cheia de gotinhas saltitantes, que se desprendiam com o vento, que as sacudia. Umas conseguiam agarrar-se à teia, outras caíam. A aranha ficou deliciada a ouvir o barulho da chuva a cantar em tudo o que batia. Ela saiu da toca e foi brincar com as gotinhas. Por isso, além de água, a aranha ganhou novas amigas que adoravam saltar na sua teia, e elas, em troca para agradecer, matavam-lhe a sede, e refrescavam-na. A aranha e as gotinhas tinham longas conversas, riam e brincavam muito umas com as outras. Sempre que estava tudo demasiado seco, as simpáticas gotinhas levavam as famílias e as amigas para inundar tudo outra vez.
         E assim cresceu uma linda amizade entre as gotinhas e a aranha.

                                                                            FIM
                                                                            Lala
                                                                      22/Abril/2019
                                                                     
                                                               
 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A ÁRVORE E OS SEUS BRACINHOS

      
            Foto de Lara Rocha 

       Era uma vez um tronco de uma árvore muito grosso e largo, cheio de braços com garras finas, que vivia numa floresta. Num dia de Inverno, os galhos observaram atentamente e muito curiosos, um céu cinzento e nuvens roxas, azuis escuras, violetas.
        Eles preferiam o sol, é claro, mas amavam a natureza, por isso aceitavam e respeitavam! Os galhos sentiram uma enorme vontade de tocar nas nuvens.
        Os braços mais carinhosos queriam pegar nelas, deitá-las e sentá-las nos seus colos, embalá-las nos seus braços para dormirem.  Os mais delicados queriam tocar-lhes para saber como eram. Os mais comilões queriam poder prová-las ou trincá-las.
O mais agressivo, o mais nervoso e o mais resmungão, queriam chegar-lhes e arranhá-las, rasgá-las, pisá-las, amassá-las e torcê-las. Os mais irrequietos queriam subir, saltar, correr, escorregar, rebolar.
Os mais pesados, queriam ir lá, para ver se ficavam mais leves, os mais tristes queriam abraçar-se às nuvens e conversar com elas. Os mais preguiçosos, os dorminhocos e os sonhadores, queriam as nuvens para fazer uma caminha, uma almofadinha e um cobertor.
Cada um tinha os seus sonhos e desejos. Nesse mesmo dia, depois de uma chuva torrencial, um nevoeiro muito cerrado envolveu toda a floresta.
Os galhos pensaram que o seu desejo se ia realizar, que as nuvens tinham ido ao seu encontro, porque eles estavam presos e não podiam sair, e ficaram muito entusiasmados, felizes…
Tentaram fazer tudo o que queriam, mas perceberam que não conseguiam agarrá-las, nem prová-las, nem tocar-lhes, nem abraçá-las, como tinham imaginado.
Óh…ficaram mesmo tristes! Tão tristes que começaram a chorar. O tronco ficou encharcado, parecia que de repente tinha recomeçado a chover outra vez, muito forte.
O tronco olhou para os galhos e perguntou o porquê de tanta tristeza. Cada um contou os seus desejos, e todos pensaram que podiam realizá-los…
O tronco explicou que não eram nuvens. Era nevoeiro, por isso, nem nas nuvens, nem no nevoeiro podiam ou conseguiam tocar…só na imaginação deles.
Foi mesmo isso que fizeram! Fecharam os olhos e deixaram-se levar pelos seus sonhos, sem nunca sair do seu tronco. Lá…cada um conseguiu realizar o que queria.
E todos sorriram. O sorriso deles foi tão luminoso, e tão doce, sincero, que até as nuvens gostaram, afastaram-se envergonhadas, a sorrir, porque sabiam que aqueles galhos estavam a pensar nelas, parou a chuva…o sol voltou a brilhar, mesmo que com as nuvens por trás.
Para retribuírem a lembrança e o carinho, cada nuvem deu um bocadinho das suas cores através de um sopro, e todas juntas construíram um gigantesco arco-íris, visto em toda a floresta. Os galhos perceberam que foram as nuvens, agradeceram em coro e aplaudiram.
E vocês? Já sonharam com nuvens? Ou imaginaram histórias ao ver as nuvens? O que é que já descobriram lá?

FIM
Lálá
(11/Fevereiro/2016)


        


terça-feira, 10 de novembro de 2015

A pintora desajeitada

foto de Lara Rocha 



Era uma vez uma fada toda feita de nuvens que vivia nas nuvens, numa casa feita de nuvens com a sua família de nuvens. Um dia estava muito amuada, irritada e triste, porque estava farta de chuva na sua zona. Ela olha pela janela.          
- Não posso acreditar! – Grita ela com os dentes cerrados e a gritar
- O que foi? – Pergunta a sua mãe
- Não me faças perguntas… - Resmunga ela
- Tu não falas assim comigo! – Diz a mãe, muito séria
- Ei…estás séria como o céu…
- E vou ficar ainda pior. Ouviste a maneira como me respondeste? Isso são maneiras de falar com a tua mãe?
- Desculpa. Estou de mau humor.
- Ai… que paciência. Vai apanhar ar lá fora.
- Está a chover outra vez. – Grita a fada
- E que culpa tenho eu…? Ou…nós?
- Nenhuma. Mas é que… bem… acho que vou mesmo lá fora. Vou ter uma conversinha com alguém.
- É. Vai. E deixa a raiva lá fora…vai apanhar ar.
    Ela sai a porta a resmungar sozinha.
- Detesto este céu, desta cor. – Grita ela no dobro do seu tamanho de tão zangada que estava. 
    Pegou na sua palete de cores e começa a saltar em cima dos tubos de tinta que lançam um enorme jato de todas as cores. 
    As cores gritam, dão as mãos, dançam, misturam-se e fazem um enorme e lindo círculo de arco-íris.
- Áh! Assim sim, já gosto mais deste céu. Mas mesmo assim, ainda não gosto.
As cores, que estavam felizes, ficam tristes com o comentário, dissolvem-se nas suas próprias lágrimas, e juntam-se numa nuvem negra assustadora.
- Ei…onde é que vocês foram?
Não há resposta nem barulho. A fada fica triste. Pega outra vez na sua paleta de cores, mistura-as, mas vem uma rajada de vento muito forte que a faz rodar muito rápido, e ela sem largar os pincéis e as cores grita. 
O trabalho final não é nada bonito, mas há muitas cores. 
O vento desata às gargalhadas.
- Já viste o que fizeste? – Pergunta ela muito zangada
- Tu é que és a pintora, mas não fazes obras nada bonitas.
- O quê? Tu é que és um insensível.
- Não. Tu é que não tens mesmo gosto nenhum, nem jeito.
- Áhhhh!
- É verdade.
- Mas…
- Sim, enquanto estiveres nesse estado, não vais fazer nada de jeito.
- Que estado?
- Assim, quase a explodir…tu é que pareces uma ventania.
- Huummm…estou muito zangada.
- Já reparei. Mas posso saber porquê?
- Não.
- Pronto, está bem…então fica lá com o teu mau humor, e a tua irritação. (o vento afasta-se ligeiramente) Desculpa! Acho que estraguei as tuas obras. (afasta-se mais um bocadinho) Deve ser por isso que estás tão zangada…
- Não. Espera…talvez me possas ajudar.
- Eu? Ajudar-te? (ri) Tu é que costumas ajudar os outros, não sou eu. Eu sou vento, tu és fada.
- Mas as Fadas também precisam de ajuda…às vezes!
- Precisam?
- Claro! Tu também precisas?
- Sim, claro.
- Detesto este céu. Estou farta da chuva, farta de ver estas nuvens escuras…queria dar-lhes outras cores mais bonitas, alegres… sem cores fico muito triste.
- Eu também gosto muito de cores. E mesmo as nuvens escuras, e a chuva…têm cor.
- Sim, é verdade. Mas são muito escuras…eu gosto mais de cores alegres.
- Mas não podes mudar as cores que elas têm.
- Porque não?
- Isso é com o sol.
- Eu vi o arco-íris, mas desapareceu. Saltei em cima dos tubos de tintas, um de cada cor… delas saiu um grande jato de cores, elas deram as mãos, dançaram, misturaram-se e formaram o arco-íris, mas…desapareceram…Acho que ficaram tristes, por uma coisa que eu disse.
- Pois! Estou a ver…
- Quem? O arco-íris?
- Não. O que tu fizeste…
- Foi mau, não foi?
- Foi. Mas o que é que tu querias pintar?
- Nada de especial…e…tudo à minha volta…para ficar colorido...para dar cor a estas nuvens tão escuras.
- As nuvens escuras são importantes…e têm a sua beleza.
- É. Mas cansam depressa. Eu não gosto de tudo tão escuro.
- Mas também não podes mudar a cor…podes pintar com outras cores, mas em desenhos, ou nos teus sonhos.
As cores gostaram tanto do que o vento disse, que voltam a aparecer em forma de arco-íris entre as nuvens a sorrir. A fada tenta agarrá-las, mas elas escondem-se.
- Porque é que fogem?
- Porque não fomos feitas para sermos agarradas…
- Só…olhadas.
- E apreciadas.
- De longe!
- Para sermos vistas…
- Sentidas…
- Tocadas com os olhos.
- E vocês gostam dessas nuvens tão escuras?
- Sim! – Respondem todas
- Eu não gosto. E quero pintar tudo à minha volta com outras cores.
As cores desatam a rir às gargalhadas.
- Achas que mandas nisto…
Aparece um raio de trovoada e faz um estrondo.
- Vai-te embora. – Grita a fada
- O quê? – Pergunta o raio
- Eu não gosto de ti. – Resmunga a fada
- Olha para a minha cara de preocupado… (responde o raio a rir) tu ficas aí, que eu fico aqui… e está tudo bem.
- Tu não me dás cores…não gosto de ti.
- Quero lá saber. Não tenho nada a ver com cores…só com…luz.
A fada fica mesmo furiosa. Aperta os tubos de tintas aos gritos, roda, salta…todos a mandam calar. O vento prende-a.
- Pára quieta e pára de gritar, criatura irritante. Já me estás a deixar muito nervoso…e olha que eu até sou calmo…
Aparece o sol.
- Mas o que é que se passa?
- Esta criatura só grita… reclama por cores. Diz que detesta nuvens escuras, que está farta de nuvens escuras e de chuva. – Explica o vento
O sol ri.
- Sou pintora. – Grita a fada
- Pintora? – Todos desatam a rir
- És uma pintora muito desajeitada. – Brinca o vento
- É verdade. – Confirma o sol
- Tu queres pintar o quê? – Pergunta outra nuvem
- Quero encher isto tudo de cores.
- Não podes.
- Porquê?
- Eu é que mando…
- Porque é que me roubaste as cores?
- As cores estão mesmo diante de ti. – Mostra o sol
- Mas eu vejo tudo igual…e não gosto destas cores.
- Enquanto estiveres assim tão irritada, eu não te ajudo. – Diz o sol
- Porque não?
- Porque não são maneiras de tratares a natureza.
- Mas ela é quem manda?
- Claro.
- Pensei que eras tu!
- Não. Eu faço parte dela, mas é ela quem decide tudo. Não sou eu…eu só obedeço…ou apareço ou não…e onde…quando ela quer…ou manda.
- Mas…ela não entende que ficamos tristes quando tu não estás?
- Entende. Mas é porque ela acha que sou mais preciso noutros lugares.
- Óhhh…
- Não posso contrariar as ordens dela. Nem vai ser por tu ficares tão irritada que ela vai mudar as coisas.
- Não?
- Não!
- Eu só quero cores…
- Vais tê-las aqui fora, quando a Natureza entender…
- Mas…
- E é melhor não discutires com ela.
- Porquê?
- Ela não gosta…e não é para brincadeiras.
- É pior do que eu?
- Muito pior.
- Não pode ser.
- É.
- Achas que se falares com ela, ela vai fazer-me a vontade?
- Não. Isso tens de ser tu a pedir, e mesmo assim é melhor não teres muita certeza que ela vai realizar o teu desejo.
- Eu quero cores…
A voz da natureza soa:
- Pinta, e cala-te um bocadinho, por favor. Já estou cansada de te ouvir.
- Ãh? – Pergunta a fada
- É a mãe. Respeita-a…- diz o sol
- Ela está a mandar-te pintares. – Diz o vento
- Mas vou pintar onde?
- Na tua casa…sossegada, calada… e bem comportada. Em papel branco, com as tuas tintas. – Manda a natureza
- Mas…
- Vai já para casa. – Ordena a natureza
A fada obedece, triste e um pouco assustada. Senta-se em frente ao apoio das folhas de desenho, e olha para as tintas.
- O que é que eu vou pintar?
- O que tu quiseres… - soa a voz da natureza
Ela faz um desenho cheio de riscos, pintas, borrões com várias cores.
- Está bem?
- Não! – Respondem todos
- Está muito mau. – Diz o vento
A fada quase explode.
- Nem te atrevas…respira…- Ordena a natureza – Eu não faço obras dessas
Ela respira muito zangada, e faz outro desenho, ainda mais trapalhão. A natureza ri-se.
- O que é isso?
- Faz um desenho como deve ser. – Sugere o vento
Ela tenta outra vez, muito zangada. Uma mancha de tinta salta da folha e transforma-se em gota gigante. Fica a olhar para ela.
- Isso é coisa que se apresente, menina?
- Ai, que susto. De onde saíste?
- Daqui. Desta salsichada que chamas desenho. Olha para isto…? Que coisa é esta…? Não tem pés, nem cabeça.
- O quê? Mas…que indelicada…Eu não estou a desenhar salsichas. 
- Estou a ser muito sincera. Tu não sabes pintar.
- Sei.
- Não. Muito menos quando estás nervosa. Olha para isto…? Que bagunça. A natureza não gosta disto…nem ela nem ninguém.
- Óh!
- É verdade.
A mancha dá uma longa lição de pintura à fada, explica tudo passo a passo de como fazer a pintura.  Mostra cores, fala com elas, elas dizem as suas funções, explica quais as cores que se podem misturar, e as que não podem 
Pega nas mãos da fada e põe-nas a desenhar como deve ser. Quando ela começa a desenhar coisas bonitas, e a ficar muito bem-disposta com a mancha, a natureza à sua volta começa a ganhar uma nova vida. 
As nuvens mudam de sítio, aparece o sol, as gotinhas escorregam das pétalas das flores, e dos troncos das árvores, e todas as cores de tudo o que parecia ser pintado com a mesma, sorriem.
A fada sai a correr de casa, toda feliz, com um grande sorriso, e corre solta pelo espaço.
- Finalmente…sol! Luz…muito obrigada… obrigada Natureza… obrigada, mancha de tinta…por me teres ensinado a pintar.
- Mas lembra-te de respeitar também a chuva, porque até ela tem a sua beleza…e é muito necessária. – Aconselha a Natureza
- Sim, já percebi.
E a fada volta a brincar com as cores. Quando estava chuva, ela deixou de ficar zangada, e aprendeu a pintar de verdade…até a chuva ela pintou. 
Quadros lindíssimos, da Natureza, com todos os belos e pequeninos pormenores, pois adorava tudo o que via, e via com olhos bem abertos para captar tudo…
Sonhava, e passava todos os seus sonhos para o papel, enquanto viajava pelo mundo das cores, que às vezes era só seu.
Era de certeza um mundo lindo, porque todos os seus quadros passaram a ser muito apreciados por todos. 
Até lhe pediam para fazer quadros especiais, quando queriam oferecer alguma coisa muito especial a alguém.
A pintora que era desajeitada, aprendeu a pintar e a não ficar zangada quando estava a chover. Com sol ou chuva, a Natureza é mesmo assim, e ela merece sempre a nossa admiração, não é?

                                               FIM
                                          Lara Rocha 
                                  (9/Novembro/2015)

  

quarta-feira, 22 de abril de 2015

AS MAGIAS DAS TULIPAS



                                        (fotos de Lara Rocha) 

Era uma vez uma casa que tinha um jardim. Nesse jardim havia muitas flores, e entre elas lindas tulipas de muitas cores, que abriam e fechavam.
A menina da casa ficava muitas vezes pensativa, e a perguntar-se porque é que ela umas vezes via as tulipas abertas, e outras vezes, estavam fechadas.
Um dia, choveu muito, e as tulipas estavam abertas, por isso, as gotas da chuva entraram…milhares delas para cada copo de tulipa. A menina continua a ver chover, e a tentar imaginar o que teriam as flores, e porque estariam abertas.
Ela pensava: se estava a chover tanto, as flores deviam estar fechadas, como fazemos nas nossas casas com as janelas e com as portas…mas estão abertas…e…para onde irá a água…?
Parou de chover, e volta a brilhar o sol. A menina sai de casa e vai ver se descobre porque é que umas flores estavam abertas e outras fechadas, e se tinham afogado com tanta água.
A água via-se através das flores que estavam fechadas, onde dava o sol, e parecia que tinham alguma coisa lá dentro…Nas pétalas de algumas delas estava pousado o arco-íris, e noutras viam-se milhares de bolas de sabão a sair, pareciam vir de dentro das flores.
Mas como é que isso podia ser? Vinham mesmo de dentro das flores, eram as fadas feitas de gotas de água que estavam a tocar os seus instrumentos, para não terem medo da tempestade que se aproximava, e não demorava muito. A menina não ouvia música.   
Ela toca numa flor fechada, e de repente, a flor abre-se, saltando de lá uma borboleta feita de gostas de água, e voa. A menina nunca tinha visto aquilo, e abre um enorme sorriso.
- Áh! Uma borboleta de cristal? Que linda…não conhecia esta espécie.
- Não sou de cristal…sou de água! – Diz a borboleta
- De água?
- Sim.
- Mas…não sabia que existiam borboletas feitas de água.
- Existem, borboletas e muitas outras coisas.
- O quê?
- Espera para ver! Até já! – Diz a borboleta
E vai passear. Noutra flor, fechada, as gotas estão por cima, nas pétalas, a menina sopra, e a flor abre-se. De lá saem várias fadas com instrumentos musicais, todos diferentes, e tudo feito de gostas de água. As fadas começam a tocar nos instrumentos, e brilham com o sol.
- Áh! As bolas de sabão vinham daqui.
- Olá…estamos a fazer muito barulho para ti? – Pergunta a fada de água
- Não! És feita de água? – Pergunta a menina
- Sim! Eu e o meu instrumento musical
        A fada mostra uma bela viola à menina, toda feita de gostas de água.
- Uau! Que lindo, e faz música?
- Faz.
        A fada começa a toca, e corre todo o jardim, sempre a tocar. Com a sua música, desperta todas as outras flores que estavam fechadas, e abrem-se, ao som dos diferentes instrumentos…aparecem meninas bailarinas, pequenas índias, pássaros, mais borboletas, sereias, focas, pinguins, pequeninos ursinhos, joaninhas, gatinhos, ovelhas, princesas, fadas e dragões…tudo feito de gotas de água. Caminham felizes pelo jardim, e desafiam a menina para dançar.
As fadas tocam, e os outros dançam alegremente, com a menina. Com o sol a dar-lhes, pareciam todos feitos de vidro ou de cristais. Que lindo! Pareciam transparentes e muito delicados, levezinhos… A mãe vê a menina em movimento, e pequeninos brilhantes a voar.
Mas o sol é de pouca dura…porque aproxima-se rapidamente uma enorme tempestade. As borboletas e as fadas começam a voas desajeitadas, e a mexer-se de forma estranha com a forte ventania que se levantou.
Os instrumentos começam a falhar, e os outros seres começam aos gritos muitos assustados:
- Vem aí uma tempestade.
- Vai para casa…vem aí uma tempestade… demora menos de cinco minutos. – Avisa uma borboletinha
- Óh, não vão embora, por favor… - Pede a menina
- Voltamos quando a tempestade passar. – Promete uma fada
        E todos se refugiam, escondem-se em todas as tocas que vêem e as que estão mais próximas…uns, numa velha árvore cheia de buracos que havia no jardim, outros dentro das tulipas que se fecham rapidamente, e outros, debaixo das flores.
        A menina corre para casa, assustada. Mal ela entra a porta… chega a tempestade, com muitos raios e trovões, vento muito forte, muita chuva. As tulipas também serviam de casa e abrigo para estes seres mágicos.
        Como tinham prometido, não foram embora. Muito pelo contrário…Desde esse dia, até levaram mais amigos! A menina recebeu a visita dos amigos feitos de gotas de água que brincavam com ela, e traziam outros.
        Todos os dias, aquelas tulipas abriam com novas surpresas e transformavam todo o jardim num espaço muito mágico.

                                                   FIM 
                                                   Lálá 
                                             (22/Abril/2015) 

Desafio:
E vocês? Já viram tulipas mágicas?
Gostavam de ter tulipas mágicas no vosso jardim, ou num vasinho? De que cor seria a tulipa, ou seriam as tulipas?
Se as conhecessem, que cores teriam?
E que magias é que elas vos mostravam?