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sexta-feira, 5 de julho de 2024

A estátua da fonte

        Era uma vez uma fonte com uma estátua, muito bonita, com água muito transparente, sempre a correr, onde os passarinhos iam beber e refrescar-se. 
       A bela estátua adorava a visita dos bichinhos, e retribuía-lhes a cantar com eles, salpicava as penas. Isso era como se ela lhes fizesse carinhos. 
       Uma tarde de tempestade, a estátua da fonte serviu de abrigo aos passarinhos, nos seus pés que eram largos, juntamente com grandes folhas de uma planta, e debaixo de cogumelos. 
       Todos encostadinhos uns aos outros, assustados com a trovoada, e para se aquecerem, chilreavam quase ao som da chuva, outros momentos ficavam calados a ouvi-la a cair, e o som do vento que soprava forte. 
       A estátua adorava ser abrigo de passarinhos, e ela própria, ficava deliciada a ouvir a trovoada, a chuva e o vento, não sentia medo. 
       Nessa tarde, além dos passarinhos, a estátua viu duas borboletas a esvoaçar à sua frente, com grande dificuldade, a tentar segurar-se, a lutar contra o vento. 
       Eram enormes! As suas asas cheias de lindas cores, e tentavam agarrar-se uma à outra para se segurarem, mas pareciam estar a dançar. 
       A fonte convidou-as a abrigarem-se debaixo dela, e assim fizeram. Os passarinhos sentiram ciúmes, mas respeitaram a decisão da estátua da fonte. 
       Pouco depois, os ciúmes desapareceram quando repararam na beleza das borboletas, e quando estas começaram a conversar e a brincar carinhosamente com eles. 
      A fonte nunca tinha visto duas borboletas a dançar, e na verdade, a primeira vez que as viu, pensou que se estavam a tentar segurar. 
     Afinal primeiro tentavam segurar-se, mas depois mostraram as suas danças, ao som do chilrear dos passarinhos e as duas dançavam uma com a outra. 
- Estão a dançar? - pergunta um passarinho 
- Sim. - respondem as duas borboletas 
- Que música? - pergunta outro passarinho
- A música da natureza! - respondem as duas  
- Estamos rodeadas de música para dançar. 
- A música do vento - diz uma borboleta 
- A música da chuva - diz outra borboleta 
- A música da trovoada - acrescenta outra 
- A música da fonte! 
    A fonte sorri: 
- É verdade! Estamos rodeados de música. E que bonita que é! 
    Enquanto dura a tempestade, conversam uns com os outros, e quando o sol volta, as lindas borboletas dão um espetáculo de dança, movimento, beleza, e leveza, só com a música da Natureza à sua volta. 
    Ficam maravilhados e aplaudem, até parecem hipnotizados. As borboletas unem as asas e pousam na estátua, para lhe dar um abraço e um sonoro beijo. 
    A estátua fica tão feliz, que até deixa escapar umas lágrimas mais pequeninas, e abre um grande sorriso. As borboletas fazem o mesmo aos passarinhos, e estes ficam derretidos, riem. 
- Obrigada, linda estátua da fonte, por nos teres abrigado! - diz uma borboleta 
- Obrigada queridos passarinhos, pela companhia enquanto durou a tempestade! 
- De nada! Foi um gosto, e voltem mais vezes, que são maravilhosamente lindas. Adoramos ver-vos dançar, as vossas cores, a vossa leveza, e danças só com a música da Natureza! 
- Sim, voltem! - dizem os passarinhos 
- Nós adoramos esta fonte, estamos aqui todos os dias, para nos refrescarmos, e para bebermos. - diz um passarinho
- Eu também adoro a companhia deles, e de todos os que aqui vem. - diz a estátua. 
    E como prometido, nos dias seguintes, as maravilhosas borboletas voltaram à fonte, para dançar e encantar, a fonte, os passarinhos que chilreavam com ela, e dançavam com as borboletas. 

                                                    FIM 
                                              Lara Rocha
                                               5/Julho/2024 

Como imaginam essa estátua? 
E a fonte? 
Como imaginam as borboletas? 

Podem deixar nos comentários.   

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

O arco-íris sobre o mar

 


      Foto de Lara Rocha 

    Era uma vez uma ilha deserta, onde não ia ninguém a não ser aves marinhas e animais aquáticos. Era muito bonita, onde se respirava ar puro, a água era transparente e calma, ouvia-se o seu cantar sereno e melodioso com o movimento das ondas, que se mexiam sem pressa, baixinho. 

     Tinha palmeiras, areia branca e limpa, macia. Era um recanto mágico onde a entrada do ser humano não era permitida. Quem tentava entrar, voltava rapidamente empurrado pelos golfinhos que não os deixavam aproximar-se sequer!  

    Eram vigilantes atentos! Os homens pensavam que no início era brincadeira, mas rapidamente percebiam que os animais não os queriam lá, ficavam irritados e quase os atacavam. 

   As aves cantavam felizes, as gaivotas voavam por todo o lado, pousavam na areia, mergulhavam no mar, sem ser incomodadas nas palmeiras e noutras árvores selvagens. 

    As focas, os leões marinhos, as lontras, os golfinhos, os cavalos marinhos, e toda uma variedade de peixes nadavam livremente, brincavam uns com os outros. 

      Parecia uma ilha de sonho, e era mesmo, porque estava intacta. Não se sabia como tinha nascido ali, há quantos anos ou séculos,  e porque é que ninguém conseguia entrar nesse espaço. 

      Por causa deste mistério, despertava muito a imaginação de quem a via, inspirava a criação de lendas, na tentativa de encontrar as respostas que procuravam. 

    Um dia, o céu ficou escuro na praia da cidade e na ilha. Todos os animais ficaram muito assustados, agitados, inquietos. As aves voavam sem rumo, desajeitadas, assustadas, chocavam umas com as outras e caíam ao mar. 

- Mas o que é que está a acontecer aqui? - pergunta uma gaivota 

- Não sei! Não consigo voar! - diz outra 

- Parece que desaprendi ou que me esqueci de como voar! - lamenta outra assustada.

- Isto não me cheira bem! - comenta uma lontra 

- Nem a mim! - acrescenta um golfinho 

- Está a acontecer ou vai acontecer alguma coisa muito estranha! - diz um leão marinho 

   Levanta-se um forte vento, que começa a sacudir a areia, as palmeiras, as árvores, a fazer redemoinho. 

- O que é isto? - pergunta uma foca assustada 

- Não sei! Nunca vi nada assim. - responde outra assustada 

- Este vento não é normal! - comenta uma gaivota 

- E olhem a cor do céu! - repara outra ave marinha 

- Uuuuiii que medo! - dizem em coro 

     Os peixes parecem ligados à tomada, mexem-se sem saber para onde vão, parece que estão a fugir de alguma coisa. 

- Olhem os peixes! - repara um cavalo marinho 

- Estão loucos…! - responde um leão marinho assustado e espantado 

      As ondas tornam-se revoltas, enormes, como nunca as tinham visto, tudo faz redemoinho, as nuvens estão muito pesadas, parece que vão estourar, e são escuras. 

- Fujam! É uma valente tempestade! - grita outro golfinho

  Os animais escondem-se o mais rápido que podem, nervosos, assustados, e quando encontram abrigo, olham para o céu...por cima e a todo o comprimento da ilha, surge um gigantesco e lindo arco-íris duplo, e na praia da cidade mais outro. 

        Os animais ficam boquiabertos com aquele fenómeno maravilhoso.

- Áh! Que coisa tão bonita! 

- Uau! 

- Que lindo! 

- É enorme. 

- E tem outro mais pequeno ao lado! 

- Na praia da cidade também há. 

- Que raro, aparecerem aqui dois arco-íris. 

- Olhem que bonito! As cores do céu, com algum sol e estes arco-íris… 

- São mesmo! 

- Parece magia! 

- Ááááááhhhh

  Soltam grandes exclamações de espanto, parece que ficam hipnotizados por aquelas belezas, e pouco depois desaparece, com o sol, dando lugar a uma valente chuvada torrencial, vento ciclónico, que deixa os animais nervosos e aos gritos, agarrados às árvores. 

   Debaixo da água, nas suas tocas, porque o mar também está assustador, chega às palmeiras, e bate-lhes com força, parece que engole a areia. 

        A chuva faz fumo ao cair no mar. Os animais que estão fora de água ficam a apreciar, com medo, mas ao mesmo tempo encantados. Uns valentes trovões rasgam e iluminam os céus. Todos gritam e tentam fugir mas não têm para onde, voltam para o mesmo sítio. 

- Nunca vi nada assim! - comenta uma gaivota 

- Nem eu. Quer dizer, vi na outra praia… - diz outra gaivota 

- Se calhar foram os humanos que mandaram para aqui, como não os deixamos entrar…- diz outra gaivota a rir 

        Todas riem: 

- Se calhar tens razão! 

- Que medo! - grita um golfinho do mar 

- O que estás a fazer aqui fora, rapaz? - pergunta uma gaivota 

- Volta a mergulhar. - recomenda outra 

- Vim ver se já tinha passado. E se vocês estão bem! 

- Não te preocupes connosco! Estamos bem… em segurança. - diz a gaivota 

- Põe-te também em segurança! 

- Mergulha. 

        O golfinho volta a mergulhar 

- Está horrível! - comenta o golfinho com os outros 

- Ainda não passou? - pergunta outro 

- Não! Nem está para passar já.   

- E as outras estão em segurança? 

- Disseram que sim. 

- E aquela coisa maravilhosa? 

- Não estava! 

      A tempestade dura várias horas, quando acalma, os arco-íris voltam a aparecer. Os animais abrem grandes sorrisos, respiram de alívio por já ter passado a tempestade, e felizes por verem outra vez aquelas cores tão bonitas do arco-íris. 

- O que será aquilo tão bonito? - pergunta uma foca 

- Será que quer dizer que vai haver outra tempestade? - pergunta outra foca 

- Acho que não! 

- Mas não sei o que é! 

- Nem eu, mas sei que é muito bonito! 

- Ainda bem que já passou. 

- Também acho! 

- Que grande susto! - dizem em coro

        Gargalhada geral. 

- É bom que não volte a acontecer tão cedo! - diz um golfinho 

- Isso acho que é muito improvável! - diz uma gaivota 

- O quê? Acontecer, ou não acontecer? - pergunta uma foca 

- Não acontecer! - dizem todos 

- Pois. Também acho. - concorda a foca 

- É pena aquelas cores tão bonitas, desaparecerem tão rápido! 

- Deviam estar sempre ali, como o sol! 

- Também acho. 

- Olhem como ficou a areia… 

- Toda ensopada! 

- E as palmeiras… 

- Também. 

- O mar bateu ali com uma força! 

- O que nós tivemos de nos agarrar aos troncos e o que nos safou foram aquelas toquinhas. 

        Continuam a conversar, e apesar da tempestade, eles adoraram ver o arco-íris. Para eles foi uma grande e agradável surpresa! Abraçam-se todos, felizes e sorridentes, por terem escapado todos, e a paz da ilha regressa, sem a presença dos humanos, mas possivelmente com mais tempestades. 

        Mas sempre que viam o arco-íris, e sem saber o que era, para eles era qualquer coisa de mágico, e de encher os olhos com aquelas cores. Apesar do medo das tempestades, sabiam que quando estava para acontecer alguma, onde se esconder e abrigar em segurança, até passar. 

     Para eles, a melhor parte eram os arco- íris sobre a ilha que a tornavam ainda mais bonita e aguçava ainda mais a curiosidade, a imaginação dos humanos da praia da cidade, que viam aquele espetáculo natural. 

E vocês? Gostam de ver o arco-íris? 

Quais são as suas cores? 

Gostavam de estar numa ilha como estas? Sim, não, porquê? 

Já viram algum arco-íris? E uma tempestade? Sentiram medo? 

Podem deixar nos comentários.

                                            FIM 

                                       Lara Rocha  

                                   14/Janeiro/2024

        

quarta-feira, 23 de março de 2016

A bruxa irada



Era uma vez umas flores muito belas que viviam sossegadas no seu jardim. Certo dia, uma bruxa que odiava flores, perguntou ao seu namorado:
- Bruxão, monstrão…meu horroroso…quem é mais bonita…eu…ou aquelas coisas?
- Claro que és tu, minha horrorosidade monstrona. – Responde o namorado
- Pois claro! Eu sabia! É claro que não ias gostar daquelas pirosas, vaidosas, pois não?
- Claro que não! Eu só gosto de ti…quer dizer, odeio-te, minha monstruosa horrível.
        A bruxa desata a rir, e trocam carinhos. Entretanto, sem ela saber, e enquanto tomava o seu banho em lama quente, o namorado foi ter com as flores, ao jardim.
        Ele tinha dito à bruxa que não gostava de flores, mas mentiu! Na verdade, ele gostava mesmo muito das flores, e até ia ter com elas, disfarçado de vespa.
        As flores não sabiam quem ele era, mas gostavam dele…ele tinha sempre uma conversa muito agradável e simpática, era delicado. As flores nem imaginavam que era o monstro namorado da bruxa.
E por falar na bruxa…quando ela não viu o seu namorado em casa, e ele não respondia às suas chamadas, foi ao seu caldeirão ver se o descobria.
Quando a bola de cor de fogo do caldeirão abriu, ela viu o seu namorado disfarçado de vespa, de volta das flores de quem ela tinha tanta inveja e tanto detestava.
- Mas o que é isto? O que é que ele está a fazer de volta destas pirosas?
- Ele mentiu-te! – Soa uma voz
- Mentiu? Como assim?
- Mentiu! Disse-te que não gostava das flores, mas na verdade…gosta…e olha como! Olha para ele, vestido ou disfarçado de vespão, para andar à volta delas…! E mais…
- Mais? Não chegava mentir-me?
- Não! Mentiu-te, e chega! A mentira que ele te disse, não foi só essa, de que não gostava das flores…ele acha-as lindas!
- O quê?
- Isso mesmo…ele acha as flores muito mais bonitas do que tu!
- Não pode ser!
- É! Olha para ele, todo derretido com elas…
- Ááááhhh… (grita) não pode ser!  
- Pode! E é!
- Mas como é possível? Como é que ele fez isto comigo? Maldito! E malditas flores…
- Confessa lá…tu até gostas delas…
- Claro que não. Já me conheces bem…
- Estás ruída de inveja delas.
- Bom…claro…isso sim. Mas a culpa é dele.
- Pois. Ninguém diz o contrário. Porque estás tão ciumenta?
- E achas que não é para estar?
- Acho que não! Elas são só umas flores…tu és uma bruxa. Com as flores, nunca vai poder ter nada…e contigo…pode…e tem!
- Ele nunca me fez isto.
- Que tu saibas…
- Sabes de alguma coisa, que eu não sei?
- Não. Só sei tudo o que tu sabes.
- Huummm…
- Mas que saibamos, ele nunca te enganou, nem tu a ele.
- Eu já. Ele é que não soube!
- A sério? Ááááhhh…
- Claro.
- Conta-me…
- Noutra altura, agora não posso! Tenho de me concentrar no castigo… ele mentiu-me a dobrar… maldito!
        Fica tão nervosa, tão irritada e chateada, que grita, guincha, e pensa numa vingança.
- Malditas…e maldito! Vão ver…
        Prepara no caldeirão um castigo: uma valente tempestade! Primeiro, põe milhares de nuvens no céu, roxas, pretas, cinzentas, azuis-escuras, quase a rebentar. O sol fica completamente tapado.
- Ei…! – Dizem todas as flores
- O que aconteceu? – Pergunta uma flor
- Ficou noite, de repente? – Pergunta outra flor
- Não! – Dizem todas
        Olham para o céu.
- Parece que vai chover! – Diz o namorado da bruxa
- Pois! – Dizem todas
- Óh não! – Diz o namorado da bruxa
- O que foi? – Pergunta outra flor
        O namorado suspeita, mas disfarça:
- Áh! Acho que vamos ter de nos abrigar.
- Onde? – Perguntam as flores
- Acho que vamos ter de levar com ela! – Comenta outra flor
        A bruxa desata às gargalhadas, e grita, gira as mãos, e faz levantar uma forte ventania. A vespa que era o seu namorado, tenta voar, mas não consegue, e dá uma série de cambalhotas com o vento.
        As flores gritam e quase são arrancadas da terra, batem várias vezes na terra e choram muito assustadas, abraçam-se para tentar segurar-se.
        A vespa bate várias vezes nas árvores pelo jardim, e desata a chover, uma valente tromba de água. As flores ficam rodeadas de lama, e quando estavam quase a afogar-se, com tanta água, o namorado da bruxa chama uma nuvem amiga sua, e boa. Ela desce ao jardim e protege-as da chuva.
        A bruxa fica completamente histérica de raiva.
- Outra…? Mas que traidor…
        Castiga o namorado de várias maneiras, sacode-o, puxa-lhe as asas, aperta-o, tenta esmagá-lo, dá-lhe sapatadas através do vento, e forma-se trovoada. As flores não se molharam mais, com a nuvem a protegê-las. A bruxa puxa o namorado, todo amassado. Ele grita quando a vê:

- Olha o que me fizeste! Foste tu, não foste?
- Quem mais podia ser? Idiota…traidor…- grita a bruxa
- O quê?
- O quê? Pergunto eu… o que é que estavas a fazer de volta daquelas pirosas malditas? E disseste que não gostavas delas…
- Eu sabia que isso tinha garra tua.
        Ela dá-lhe um estalo e puxa-lhe os cabelos. Agarra-lhe no pescoço e grita-lhe:
- Mentiste-me! Maldito! Disseste que não gostavas daquelas nojentas, e afinal disfarças-te de vespa para andar de volta delas.
- Sou só amigo delas!
- Sou só amigo delas…que palerma! Odeio essa palavra. Isso é traição.
- Não. É amizade. Tu também tens amigos, e amigas, mas és minha namorada.
- Mas eu não me disfarço para ir ter com eles, e tu sabes quem são…tu disfarças-te de vespa para andar de volta delas. E ainda chamaste outra…para as defender…que ódio…
- Claro. Como é que eu ia chegar a elas? Que outra?
- Aquela nuvem. Não tinhas nada que te chegar a elas.
- Porquê?
- Porque eu odeio-as…são horrorosas…e tu, todo babado com elas…que nojo. Mentiste-me!
- Não menti…só não te disse!
- Estúpido. Não me disseste, e mentiste!
- Ciumenta.
- Claro que sou. E depois?
- E depois? É mau.
- É como nós. Podias gostar de outra coisa…de outra bruxa qualquer…agora…daquelas…francamente! Traíste-me.
- Não te traí. Amigas não são a mesma coisa que namoradas. Não sejas assim.
- Estás feito bonzinho agora…? Foram elas que te deram a volta à cabeça? Disseste que eu era a mais bonita, então porque foste atrás delas?
- E és. Mas as flores também são bonitas.
- Ainda confessas?
- Confesso. Acho-as bonitas, mas não podia dizer-te porque já sei que és muito ciumenta.
- Quem é mais bonita afinal?
- És tu! Mas elas também são, não és a única bonita…
- Palerma! Pelo menos agora não me mentiste…é a tua sorte…mas, ai de ti que vás outra vez ter com elas.
- Mas o que é que tem, ir ter com elas?
- Ainda perguntas? Não podes.
        Dá-lhe umas fustigadas.
- Ai! – Geme ele
- É para aprenderes que sou tua! E mais ninguém pode ser.
- Elas são minhas amigas.
- Não podem ser. Ou elas, ou eu.
- Que disparate. Então o nosso namoro fica por aqui.
- Vais atrás delas?
- Vou. Para ver se ganhas juízo.
        Ele sai a porta, e a bruxa faz uma série de maldades, para tentar destruir as flores e o namorado. Mas ele defende-se e defende sempre as amigas. Protege-as.
        Mais tarde, a bruxa sentiu falta do namorado e pediu-lhe que voltasse, prometendo que o deixava ser amigo das flores. Ele não acreditou nela, e não voltou.
        A bruxa cansou-se, e desistiu de chatear o rapaz, entregando-se à tristeza e à solidão. O choro dela ouvia-se muito longe, e estava a ficar doente, fraca.
Isto fez com que ela deixasse de ser má, e tornou-se também amiga das flores, que a ajudaram com pena dela. Assim, ganhou outra vez o amor do namorado.
        E foram felizes para sempre…com a amizade das flores, a quem a bruxa pediu desculpa. Ela deixou de ser má e de ser ciumenta.

FIM
Lálá 
(23/Fevereiro/2015)





quarta-feira, 22 de abril de 2015

AS MAGIAS DAS TULIPAS



                                        (fotos de Lara Rocha) 

Era uma vez uma casa que tinha um jardim. Nesse jardim havia muitas flores, e entre elas lindas tulipas de muitas cores, que abriam e fechavam.
A menina da casa ficava muitas vezes pensativa, e a perguntar-se porque é que ela umas vezes via as tulipas abertas, e outras vezes, estavam fechadas.
Um dia, choveu muito, e as tulipas estavam abertas, por isso, as gotas da chuva entraram…milhares delas para cada copo de tulipa. A menina continua a ver chover, e a tentar imaginar o que teriam as flores, e porque estariam abertas.
Ela pensava: se estava a chover tanto, as flores deviam estar fechadas, como fazemos nas nossas casas com as janelas e com as portas…mas estão abertas…e…para onde irá a água…?
Parou de chover, e volta a brilhar o sol. A menina sai de casa e vai ver se descobre porque é que umas flores estavam abertas e outras fechadas, e se tinham afogado com tanta água.
A água via-se através das flores que estavam fechadas, onde dava o sol, e parecia que tinham alguma coisa lá dentro…Nas pétalas de algumas delas estava pousado o arco-íris, e noutras viam-se milhares de bolas de sabão a sair, pareciam vir de dentro das flores.
Mas como é que isso podia ser? Vinham mesmo de dentro das flores, eram as fadas feitas de gotas de água que estavam a tocar os seus instrumentos, para não terem medo da tempestade que se aproximava, e não demorava muito. A menina não ouvia música.   
Ela toca numa flor fechada, e de repente, a flor abre-se, saltando de lá uma borboleta feita de gostas de água, e voa. A menina nunca tinha visto aquilo, e abre um enorme sorriso.
- Áh! Uma borboleta de cristal? Que linda…não conhecia esta espécie.
- Não sou de cristal…sou de água! – Diz a borboleta
- De água?
- Sim.
- Mas…não sabia que existiam borboletas feitas de água.
- Existem, borboletas e muitas outras coisas.
- O quê?
- Espera para ver! Até já! – Diz a borboleta
E vai passear. Noutra flor, fechada, as gotas estão por cima, nas pétalas, a menina sopra, e a flor abre-se. De lá saem várias fadas com instrumentos musicais, todos diferentes, e tudo feito de gostas de água. As fadas começam a tocar nos instrumentos, e brilham com o sol.
- Áh! As bolas de sabão vinham daqui.
- Olá…estamos a fazer muito barulho para ti? – Pergunta a fada de água
- Não! És feita de água? – Pergunta a menina
- Sim! Eu e o meu instrumento musical
        A fada mostra uma bela viola à menina, toda feita de gostas de água.
- Uau! Que lindo, e faz música?
- Faz.
        A fada começa a toca, e corre todo o jardim, sempre a tocar. Com a sua música, desperta todas as outras flores que estavam fechadas, e abrem-se, ao som dos diferentes instrumentos…aparecem meninas bailarinas, pequenas índias, pássaros, mais borboletas, sereias, focas, pinguins, pequeninos ursinhos, joaninhas, gatinhos, ovelhas, princesas, fadas e dragões…tudo feito de gotas de água. Caminham felizes pelo jardim, e desafiam a menina para dançar.
As fadas tocam, e os outros dançam alegremente, com a menina. Com o sol a dar-lhes, pareciam todos feitos de vidro ou de cristais. Que lindo! Pareciam transparentes e muito delicados, levezinhos… A mãe vê a menina em movimento, e pequeninos brilhantes a voar.
Mas o sol é de pouca dura…porque aproxima-se rapidamente uma enorme tempestade. As borboletas e as fadas começam a voas desajeitadas, e a mexer-se de forma estranha com a forte ventania que se levantou.
Os instrumentos começam a falhar, e os outros seres começam aos gritos muitos assustados:
- Vem aí uma tempestade.
- Vai para casa…vem aí uma tempestade… demora menos de cinco minutos. – Avisa uma borboletinha
- Óh, não vão embora, por favor… - Pede a menina
- Voltamos quando a tempestade passar. – Promete uma fada
        E todos se refugiam, escondem-se em todas as tocas que vêem e as que estão mais próximas…uns, numa velha árvore cheia de buracos que havia no jardim, outros dentro das tulipas que se fecham rapidamente, e outros, debaixo das flores.
        A menina corre para casa, assustada. Mal ela entra a porta… chega a tempestade, com muitos raios e trovões, vento muito forte, muita chuva. As tulipas também serviam de casa e abrigo para estes seres mágicos.
        Como tinham prometido, não foram embora. Muito pelo contrário…Desde esse dia, até levaram mais amigos! A menina recebeu a visita dos amigos feitos de gotas de água que brincavam com ela, e traziam outros.
        Todos os dias, aquelas tulipas abriam com novas surpresas e transformavam todo o jardim num espaço muito mágico.

                                                   FIM 
                                                   Lálá 
                                             (22/Abril/2015) 

Desafio:
E vocês? Já viram tulipas mágicas?
Gostavam de ter tulipas mágicas no vosso jardim, ou num vasinho? De que cor seria a tulipa, ou seriam as tulipas?
Se as conhecessem, que cores teriam?
E que magias é que elas vos mostravam?