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terça-feira, 2 de abril de 2024

O tornado arco-íris

Era uma vez um tufão pequenino, com as cores do arco-íris. Ele queria ser visto, e tinha de cumprir as ordens da Natureza, quando ela mandava aparecer, mas sentia-se envergonhado e nervoso porque ainda era pequenino. 
    Ainda não conhecia a sua força destruidora, mas sabia que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. Já tinha ouvido falar, e sentia medo.
    Não queria magoar as pessoas da Terra, nem destruir as suas coisas que lhes fazem tanta falta. A Mãe Natureza mandou-o aparecer na cidade, e mesmo sem querer, lá foi ele. 
    Surgiu por trás de um monte na cidade, como um pequenino arco-íris, com as suas lindas cores, ondulando, e dançando ao sabor do vento, que era muito mais forte. 
   O pequenino tornado estava tímido e com medo, por isso o arco-íris não aumentou. O vento mais forte do que ele ri à gargalhada e comenta: 

- Pareces uma chama insignificante! A abanar com o meu sopro! 

  Um trovão estrondoso rasga as nuvens, o vento forte treme e fica gelado. 

- Mas o que é isto? O vento que também já foi deste tamanho, armado em forte, só porque agora é maior, a gozar com o mais fraco?! Achas bem? Tu também tens medo de mim! Tiveste medo, das primeiras vezes que apareceste na cidade...parece que já te esqueceste, e eu não te humilhei, pois não? Nem humilho!  

    O vento maior não sabe onde se meter com a vergonha, e tenta fugir. 

- Nem te atrevas a fugir, que eu vou atrás de ti. Responde! Assume que sentias medo, e sentes medo de mim, em vez de fugir. - grita o trovão

- Sim, é verdade...senti medo, e sinto. Desculpe… - responde o vento 

- Não é a mim que tens de pedir desculpa, é ao pequeno tornado. Não vês que ele ainda é pequeno? Tu nunca foste deste tamanho? Deste tamanho não sentias medo…? (ri) Óh, que valentão que eras, claro! 

- Desculpa, pequeno tornado! 

- Como és bonito, pequeno tornado. Não fiques envergonhado! Em breve, vais ser tão forte como ele! Tens umas cores maravilhosas, para encantar as pessoas da cidade. Ele é invisível, só o sentem. - diz o trovão 

- Obrigado! Mas eles não me veem. - diz o tornado envergonhado 

- Eles agora veem mais computadores e telemóveis à frente, mas ainda há quem repare em ti, principalmente os mais pequenitos, e adultos. - diz o trovão 

- Ele disse que eu parecia uma chama insignificante, a abanar com o sopro dele… - queixa-se o tornado  

- Eu ouvi. Uma chama a ondular com o vento também se vê, e é bonito. Não lhe ligues! És pequenino e envergonhado, não tem problema nenhum. Um dia destes vais ser grande e extrovertido, todos vão reparar na tua beleza. - incentiva o trovão 

- Ai, que vergonha. 

- Vergonha nada! Isso é só no início, mas habituas-te. Tenho a certeza! 

(O pequenito tornado sorri)

- Ai de ti que voltes a desvalorizar o pequeno! Já sabes como é que eu sou! - avisa o trovão 

- Sim, senhor. Sei muito bem. 

- Principalmente, quando vejo injustiças como esta, e mais comportamentos, por isso…! 

- Sim, Sr. Trovão. 

- Olha que eu estou atento. Faz a tua tarefa, sem comentários infelizes. 

- Combinado! 

    O trovão recolhe, e fica de orelha levantada. O furacão sopra mais forte e o pequeno tornado volta a abanar como se fosse uma chama. Algumas pessoas na cidade reparam nele, e fotografam-no.

- Ai, que vergonha, tanta gente a olhar por mim, e a fotografar-me! Será que estou apresentável, e bem arranjado? 

- Queres ser visto, e tens vergonha? - comenta o furacão a rir à gargalhada. 

    O trovão dispara outra vez, as pessoas na cidade gritam, umas fogem assustadas, outras tentam proteger-se, porque cai um chuveiro fenomenal, com saraiva à mistura.

- Outra vez? - pergunta o trovão furioso - Estás muito bonito, pequeno! Olha como tiveste pessoas a olhar para ti? Até te fotografaram...e ficaram a ver se crescias. Ainda não cresceste, mas cumpriste o teu papel: encantar as pessoas da cidade! Parabéns! Não sintas vergonha por ainda seres pequeno! Tens tanta beleza como um arco-íris grande. Não tenhas pressa de crescer. És na mesma apreciado, ou ainda mais, por seres como és! As pessoas gostam de ver arco-íris, estão mais habituadas aos grandes, mas é bom verem pequeninos, enche-os de ternura, que eles bem precisam. Até te fotografaram, eu percebi que ficaram encantados. Ainda estão a olhar para ti, vejo daqui o brilho nos seus olhos e sorrisos, com ternura. Estão deliciados, como se estivessem a ver uma criança, que és! Linda criança! 

- Obrigado! - diz o tornado a sorrir 

 A Mãe Natureza está orgulhosa, e manda o pequeno tornado para casa, onde os seus pais também sentem orgulho por ele ter chamado a atenção. 

- Muito bem, filho! Continua...para a próxima estarás maior, mas para já, valeu a pena! O trovão tem toda a razão...lembra-te das palavras dele. 

  Passados uns dias, o pequeno tornado, com as cores do arco-íris, ganha força, cresce, e a Mãe Natureza manda-o para a cidade. 

 Mesmo ainda com alguma vergonha, mas maior, ele lembrou-se das palavras do trovão, e aparece por trás do monte, até meio círculo, vaidoso.  

 Os habitantes ficam encantados, fotografam, sorriem, soltam exclamações de surpresa, e o tornado recolhe, todos ficam na expectativa para ver se vai desaparecer. 

- Anda cá, vamos brincar com eles…! - diz o furacão

  O tornado arco-íris volta a parecer uma chama ondulante com o vento, mas desta vez, com a ajuda do furacão, faz redemoinho, e começa a subir na vertical, com círculos grandes, em movimento.

 Os habitantes nunca tinham visto tal coisa, ficam assustados porque o vento era fortíssimo, o céu estava muito escuro, as nuvens muito pesadas. 

  Todos repararam, fotografaram, sorriram ao ver aqueles círculos, embora pensassem que se estava a formar um tornado, ficaram a olhar, pareciam hipnotizados. 

- Que bonito! 

- Uau! 

- Nunca tinha visto nada disto! 

- Parece um tornado, mas tem as cores do arco-íris! 

- É mágico!

- Ááááhhhh...mesmo bonito! 

   Todos aplaudem, e os que param para ver: 

- Gratidão, Natureza, por este presente! 

  Pouco depois, o tornado arco-íris desaparece. Quando regressa a casa, todos dizem: 

- Estamos orgulhosos de ti. 

- Obrigada! Obrigado! 

   Partilha a sua experiência com todos, sorriem, continua a crescer, orgulhoso e vaidoso. A Natureza manda-o aparecer, quando ele já está com o triplo do tamanho, e todos repararam na sua beleza, o arco-íris, como o conhecemos agora. 

                              Fim 

                           Lara Rocha 

                            2/Abril/2024 


segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

O arco-íris sobre o mar

 


      Foto de Lara Rocha 

    Era uma vez uma ilha deserta, onde não ia ninguém a não ser aves marinhas e animais aquáticos. Era muito bonita, onde se respirava ar puro, a água era transparente e calma, ouvia-se o seu cantar sereno e melodioso com o movimento das ondas, que se mexiam sem pressa, baixinho. 

     Tinha palmeiras, areia branca e limpa, macia. Era um recanto mágico onde a entrada do ser humano não era permitida. Quem tentava entrar, voltava rapidamente empurrado pelos golfinhos que não os deixavam aproximar-se sequer!  

    Eram vigilantes atentos! Os homens pensavam que no início era brincadeira, mas rapidamente percebiam que os animais não os queriam lá, ficavam irritados e quase os atacavam. 

   As aves cantavam felizes, as gaivotas voavam por todo o lado, pousavam na areia, mergulhavam no mar, sem ser incomodadas nas palmeiras e noutras árvores selvagens. 

    As focas, os leões marinhos, as lontras, os golfinhos, os cavalos marinhos, e toda uma variedade de peixes nadavam livremente, brincavam uns com os outros. 

      Parecia uma ilha de sonho, e era mesmo, porque estava intacta. Não se sabia como tinha nascido ali, há quantos anos ou séculos,  e porque é que ninguém conseguia entrar nesse espaço. 

      Por causa deste mistério, despertava muito a imaginação de quem a via, inspirava a criação de lendas, na tentativa de encontrar as respostas que procuravam. 

    Um dia, o céu ficou escuro na praia da cidade e na ilha. Todos os animais ficaram muito assustados, agitados, inquietos. As aves voavam sem rumo, desajeitadas, assustadas, chocavam umas com as outras e caíam ao mar. 

- Mas o que é que está a acontecer aqui? - pergunta uma gaivota 

- Não sei! Não consigo voar! - diz outra 

- Parece que desaprendi ou que me esqueci de como voar! - lamenta outra assustada.

- Isto não me cheira bem! - comenta uma lontra 

- Nem a mim! - acrescenta um golfinho 

- Está a acontecer ou vai acontecer alguma coisa muito estranha! - diz um leão marinho 

   Levanta-se um forte vento, que começa a sacudir a areia, as palmeiras, as árvores, a fazer redemoinho. 

- O que é isto? - pergunta uma foca assustada 

- Não sei! Nunca vi nada assim. - responde outra assustada 

- Este vento não é normal! - comenta uma gaivota 

- E olhem a cor do céu! - repara outra ave marinha 

- Uuuuiii que medo! - dizem em coro 

     Os peixes parecem ligados à tomada, mexem-se sem saber para onde vão, parece que estão a fugir de alguma coisa. 

- Olhem os peixes! - repara um cavalo marinho 

- Estão loucos…! - responde um leão marinho assustado e espantado 

      As ondas tornam-se revoltas, enormes, como nunca as tinham visto, tudo faz redemoinho, as nuvens estão muito pesadas, parece que vão estourar, e são escuras. 

- Fujam! É uma valente tempestade! - grita outro golfinho

  Os animais escondem-se o mais rápido que podem, nervosos, assustados, e quando encontram abrigo, olham para o céu...por cima e a todo o comprimento da ilha, surge um gigantesco e lindo arco-íris duplo, e na praia da cidade mais outro. 

        Os animais ficam boquiabertos com aquele fenómeno maravilhoso.

- Áh! Que coisa tão bonita! 

- Uau! 

- Que lindo! 

- É enorme. 

- E tem outro mais pequeno ao lado! 

- Na praia da cidade também há. 

- Que raro, aparecerem aqui dois arco-íris. 

- Olhem que bonito! As cores do céu, com algum sol e estes arco-íris… 

- São mesmo! 

- Parece magia! 

- Ááááááhhhh

  Soltam grandes exclamações de espanto, parece que ficam hipnotizados por aquelas belezas, e pouco depois desaparece, com o sol, dando lugar a uma valente chuvada torrencial, vento ciclónico, que deixa os animais nervosos e aos gritos, agarrados às árvores. 

   Debaixo da água, nas suas tocas, porque o mar também está assustador, chega às palmeiras, e bate-lhes com força, parece que engole a areia. 

        A chuva faz fumo ao cair no mar. Os animais que estão fora de água ficam a apreciar, com medo, mas ao mesmo tempo encantados. Uns valentes trovões rasgam e iluminam os céus. Todos gritam e tentam fugir mas não têm para onde, voltam para o mesmo sítio. 

- Nunca vi nada assim! - comenta uma gaivota 

- Nem eu. Quer dizer, vi na outra praia… - diz outra gaivota 

- Se calhar foram os humanos que mandaram para aqui, como não os deixamos entrar…- diz outra gaivota a rir 

        Todas riem: 

- Se calhar tens razão! 

- Que medo! - grita um golfinho do mar 

- O que estás a fazer aqui fora, rapaz? - pergunta uma gaivota 

- Volta a mergulhar. - recomenda outra 

- Vim ver se já tinha passado. E se vocês estão bem! 

- Não te preocupes connosco! Estamos bem… em segurança. - diz a gaivota 

- Põe-te também em segurança! 

- Mergulha. 

        O golfinho volta a mergulhar 

- Está horrível! - comenta o golfinho com os outros 

- Ainda não passou? - pergunta outro 

- Não! Nem está para passar já.   

- E as outras estão em segurança? 

- Disseram que sim. 

- E aquela coisa maravilhosa? 

- Não estava! 

      A tempestade dura várias horas, quando acalma, os arco-íris voltam a aparecer. Os animais abrem grandes sorrisos, respiram de alívio por já ter passado a tempestade, e felizes por verem outra vez aquelas cores tão bonitas do arco-íris. 

- O que será aquilo tão bonito? - pergunta uma foca 

- Será que quer dizer que vai haver outra tempestade? - pergunta outra foca 

- Acho que não! 

- Mas não sei o que é! 

- Nem eu, mas sei que é muito bonito! 

- Ainda bem que já passou. 

- Também acho! 

- Que grande susto! - dizem em coro

        Gargalhada geral. 

- É bom que não volte a acontecer tão cedo! - diz um golfinho 

- Isso acho que é muito improvável! - diz uma gaivota 

- O quê? Acontecer, ou não acontecer? - pergunta uma foca 

- Não acontecer! - dizem todos 

- Pois. Também acho. - concorda a foca 

- É pena aquelas cores tão bonitas, desaparecerem tão rápido! 

- Deviam estar sempre ali, como o sol! 

- Também acho. 

- Olhem como ficou a areia… 

- Toda ensopada! 

- E as palmeiras… 

- Também. 

- O mar bateu ali com uma força! 

- O que nós tivemos de nos agarrar aos troncos e o que nos safou foram aquelas toquinhas. 

        Continuam a conversar, e apesar da tempestade, eles adoraram ver o arco-íris. Para eles foi uma grande e agradável surpresa! Abraçam-se todos, felizes e sorridentes, por terem escapado todos, e a paz da ilha regressa, sem a presença dos humanos, mas possivelmente com mais tempestades. 

        Mas sempre que viam o arco-íris, e sem saber o que era, para eles era qualquer coisa de mágico, e de encher os olhos com aquelas cores. Apesar do medo das tempestades, sabiam que quando estava para acontecer alguma, onde se esconder e abrigar em segurança, até passar. 

     Para eles, a melhor parte eram os arco- íris sobre a ilha que a tornavam ainda mais bonita e aguçava ainda mais a curiosidade, a imaginação dos humanos da praia da cidade, que viam aquele espetáculo natural. 

E vocês? Gostam de ver o arco-íris? 

Quais são as suas cores? 

Gostavam de estar numa ilha como estas? Sim, não, porquê? 

Já viram algum arco-íris? E uma tempestade? Sentiram medo? 

Podem deixar nos comentários.

                                            FIM 

                                       Lara Rocha  

                                   14/Janeiro/2024

        

segunda-feira, 4 de março de 2019

A lição do lixo à volta das escamas

           


Era uma vez um ouriço-do-mar que fugiu do oceano onde vivia com a sua família, de muito longe por causa da poluição. Percorreram longos quilómetros à procura de uma casa onde não houvesse lixo. Estava difícil de encontrar, mas finalmente, passaram por uma montanha aquática onde a água era transparente, morna e bem salgada como eles gostavam! Cheirava bem a algas.
           Estavam muito cansados, por isso instalaram-se no primeiro sítio que viram, e caíram num sono como já não se lembravam de ter. Tudo parecia calmo, outros animais que passavam, olhavam para eles, mas não lhes tocavam.
          Mas um acontecimento inesperado, despertou-os de repente, e assustou-os muito. Um violento tremor de terra! Instalou-se a agitação e o terror debaixo de água. Não sabiam bem o que estava a acontecer, mesmo assim, viam todos a correr de um lado para o outro, e um peixinho gritou-lhes:

- Saiam daí. Estão num sítio muito perigoso.

- O que é que está a acontecer, pergunta um ouriço-do-mar.

- Não temos tempo de explicar, agora. Venham atrás de nós! Rápido.

           Os ouriços-do-mar seguem-nos, assustados. Levanta-se um monte de areia que se move a uma velocidade arrepiante, e corre debaixo da água, formam-se centenas de bolhas de água que sobem em redemoinho para a superfície, e quase arrasta tudo o que é animal, mas eles já sabem que quando isso acontece, juntam-se e escondem-se num abrigo que construíram no casco de um navio afundado há muitos anos.
           O caos vai para a superfície, e as água nas profundezas acalmam. Todos respiram de alívio.

- Passou! - suspiram todos

           Um peixe matreiro, muito bonito, mas perigoso, grita:

- Intrusos!

           Estava a falar dos ouriços-do-mar. Como eram todos muito unidos, e todos obedeciam às ordens desse peixe, porque tinham medo dele, o que ele dissesse, tinham de fazer, se não, eram castigados.  Na verdade não gostavam de muitas coisas que ele fazia ou dizia, mas ninguém tinha coragem de o desafiar.

- Óh, não...nós viemos na paz, à procura de um lugar para viver, porque o nosso estava cheio de lixo! Quase não conseguíamos respirar! - explica um deles

- Eu não perguntei nada! - exclama o peixe arrogante

- Ele odeia perguntas... - diz outro peixe 

- Fora daqui. - Grita o peixe

- Mas nós... - tenta outro ouriço-do-mar

- Não quero saber de explicações! Fora... - Grita o peixe

           Os ouriços-do-mar afastam-se tristes. O peixe malvado vai passear todo emperuado e de repente algo se enrola nas suas barbatanas. Não consegue nadar, nem sair do mesmo sítio, e quanto mais tenta libertar-se, mais atado fica.
           Os ouriços-do-mar vêem a aflição do peixe, vão ter com ele, e ele escorraça-os, grita com eles, chama-lhes nomes feios, mas eles não se deixam intimidar.

- Vão-se embora...eu não vos quero aqui. - Grita o peixe 

- Para de te mexer e de gritar! - recomenda um ouriço

- Olha que porcaria que ele tem aqui à volta...

- Como vamos tirar daqui isto?

          Os ouriços-do-mar agem rapidamente, juntam-se e quando encontram uma possível saída do lixo, uns puxam dum lado, outros doutro, cortam com os seus picos partes dos fios, passa um peixe espada e ajuda a cortar os fios, e aos bocadinhos vão libertando o peixe.
          No fim estavam todos completamente exaustos. Respiram fundo, e caem na areia lentamente.Os ouriços agradecem ao peixe espada. O peixe está ofegante e muito nervoso, mas ao mesmo tempo envergonhado, por isso, depois de estar um pouco em silêncio, começa a soluçar e a chorar. Os ouriços-do-mar aproximam-se, olham-no, a medo, recuam.

- Estás bem? - pergunta um ouriço

- Ele odeia perguntas, lembras-te? - relembra o ouriço  

- Vamos... - diz um ouriço com medo

- Óh... esperem! - Diz o peixe a chorar

           Eles param, e olham para o peixe

- Estou muito envergonhado! Desculpem... muito obrigado por me terem tirado aquela porcaria! Ai, quase me acontecia alguma coisa má! Não sei de onde veio aquilo.

- Nós tínhamos toneladas...talvez... dessa porcaria na nossa zona!

- E o que é?

- É lixo... coisas que os humanos já não precisam...

- É que... não devem ter onde pôr.

- Parece que é o que dizem!

- Malditos! - Grita o peixe zangado

- Nós? - perguntam os ouriços assustados

- Não! Aqueles...

- Áh, sim! Tens razão...

- Eu fui muito bruto convosco. Escorracei-vos e vocês ainda me libertaram do lixo! Desculpem.

- Na hora de precisar...

- Pois, eu sei! Não merecia.

- Não foi isso que quisemos dizer!

- Na hora de alguém precisar não pensamos muito. Respondemos!

- Mas eu fui tão estúpido, que vocês deviam deixar-me ali enrolado naquela coisa.

- Porquê?

- Isso ia tirar-te a brutidade?

- Tu realmente não és nada simpático, és arrogante e bruto, mas talvez também tenhas as tuas razões para ser assim!

- Sim, têm razão!

- Toda a gente tem medo de ti.

- Medo de mim? Acham?

- Claro que sim!

- Óh, também não queria isso... é que eu acho que se não for mau, ninguém vai gostar de mim.

- Que disparate!

- Acham?

- Claro. Eles e toda a gente gostam de amigos bons.

- Que vergonha... sou um monstro!

- Não... és bonito, mas podes ser mais suave a falar como os outros.

- Como?

- Queres aprender?

- Quero! É uma forma de vos pedir perdão, e de agradecer!

- Podemos ficar?

- Claro que sim! Por favor!

             Os ouriços-do-mar dão umas verdadeiras aulas ao peixe, de como ser amigo e generoso com os outros, para gostarem dele, sem ser mau. Mas que grande mudança. O peixe mau passou a ser  um verdadeiro doce, cavalheiro, colaborador, educado, delicado, sedutor, brincalhão, divertido... e todos os outros que o rodeavam repararam. Elogiaram-no, chamavam-no sempre que precisavam, ele fazia convívios e divertia-se muito!
            Deixou de ser um chefe mau, e tornou-se no que sempre tinha sido: um peixe amigo, como os outros, que precisava dos outros, e que ajudava quem precisava. Desde esse dia, aquele lugar subaquático nunca mais foi o mesmo. Ao primeiro sinal de lixo, instalava-se a confusão, juntavam-se todos, e devolviam o lixo à superfície, na tentativa que os humanos deixassem de fazer lixo nas praias.

Acham que seria uma boa solução para resolver o problema dos lixos nas praias e nos mares?
               
                                                                         FIM
                                                                         Lálá
                                                                     4/Março/2019 

terça-feira, 9 de outubro de 2018

O gigante esfomeado

  

Era uma vez um ser gigante, que sobrevoava muitas cidades. Quer dizer...na verdade ele não era assim tão gigante! 
Só parecia, porque quando o viam ele estava muito esfomeado, como só conheciam a sua sombra e os barulhos que fazia, imaginavam-no com um tamanho assombroso, uma bocarra enorme, garras e patas que impunham respeito.
Mas ao aterrar para ir buscar comida, ninguém pensava que ele era a figura escura que viam, porque tinha um tamanho normal, não passava de um gato grande. 
Como é que ele parecia tão gigante, ninguém sabe explicar. Talvez fosse a sua fome, que o tornava muito maior do que era na realidade.
Mesmo assim, ele continuava a assustar, porque a sua fome não era bem de comida. Corria atrás das pessoas, e todos gritavam, porque pensavam que ia atacá-los, ou comê-los. O pequeno gigante não entendia porque todos fugiam dele.
Um dia, o sábio da aldeia, farto de queixas desse ser assustador, pediu para ser chamado quando esse tal monstro aparecesse que ele queria vê-lo. O sábio não acreditava que fosse um monstro, havia alguma coisa que lhe dizia que as pessoas estavam a exagerar.
         E assim foi. Quando o terrível monstro imaginário voltou a aparecer, todos os habitantes gritaram. O sábio apareceu. O gigante ficou assustado, e tremia, branco, com o medo.

- É ele! - Gritam todos

- Cuidado! - Recomenda um vizinho

- Ele é perigoso, olhe que tem máscaras e tudo, porque quando o vemos aqui por cima é enorme e ruidoso, aqui em baixo é esta amostra.

- Não se deixe levar pelo ar dele... é falso.

- Calem-se! Vão para as vossas casas. Eu quero ficar a sós com ele.

- Mas... - dizem todos surpresos

- Eu já disse. Vão para casa.

- Mestre...

- Casa! - Ordena o sábio

- Veja lá!- Alertam todos

- Casa. - Diz o sábio firmemente

- Se precisar...

- Vão!

Todos se retiram, com medo, e o gigante ainda com mais medo. O sábio olha-o de cima a baixo. Suspira, fecha os olhos, fica em silêncio uns segundos e dá uma risadinha...depois... solta uma valente gargalhada, que quase congela o gigante.

- Óh, pequeno...desculpa a minha gargalhada! - Diz o sábio

O gigante está quase congelado com o medo

- Então... tu... é que... (outra gargalhada) és o...tal monstro... que sobrevoa a cidade e ataca?

- Ah... sou? Talvez... não sei, acho que é o que dizem para aí.

O sábio dá outra gargalhada

- Muito gosto em conhecer-te...(gargalhada) tenebroso gigante.

- Não se ria para ele! - grita uma voz dentro de uma janela

O gigante ri nervoso.

- Onde está o teu gigantismo? - pergunta o sábio a rir

- Não sei porque dizem que sou gigante.

O sábio ri:

- A cabeça desta gente inventa cada uma...é o medo do desconhecido que desperta a imaginação!

- Áh! Não sei o que é isso. Mas...E o senhor não tem medo de mim? Está-se a rir?

- Não! Claro que não tenho medo de ti. Sei que és do bem!

- Como é que sabe?

- Sei! O que fazes por aqui?

- Estou esfomeado... vim à procura de comida.

- Comida...? Huuummmm... mas não é uma comida qualquer, como a nossa pois não? - pergunta o sábio

- É. - Diz o gigante

- Não é! Sentes fome?

- Sinto!

- Fome de comida?

- Sim.

- Não!

- Então... eu é que sei como está a minha barriga. Está vazia.

- Certo...mas... e a tua alma está alimentada?

- Está... - Diz o gigante, triste

- De quê?

- De... da comida que lhe dou.

- Vá lá... tu sabes que não é desse tipo de comida que estou a falar.

- Não?

- Claro que não! Tu vens à procura de comida para a tua alma! Queres saciar a tua fome de carinho, amizade, amor, atenção, afeto, risos... companhia... não é?

- É? - Pergunta o gigante muito surpreso

- É! E tu sabes muito bem do que estou a falar!

                O gigante faz silêncio e olha para o chão.

- Porque é que toda a gente diz que sou gigante?

- De facto não és assim tão grande em tamanho, mas as pessoas vêem o tamanho da fome da tua alma, com o tamanho dos ruídos que fazes, e por correres atrás deles.

- Mas eu não corro atrás deles para lhes fazer mal.

- Certo, mas eles não sabem da fome da tua alma. Tu só transmites a fome interior...que eles não conhecem! Como é gigante a tua fome! Toda a gente tem fome...as mesmas fomes que tu...a do corpo e a da alma, mas só conhecem a do corpo. Se conseguissem ver a da alma, tudo seria diferente.

- E porque é que eles não conseguem a fome deles...?

- Há muitas coisas que não os deixa ver essa fome interior deles...

- Como é que eu posso matar a minha fome...?

O sábio suspira.

- Deixa-me pensar um pouco, por favor. Enquanto isso, podes vir a minha casa.

O sábio entra em casa com o gigante, os dois conversam durante muito tempo, enquanto tomam chá. O Sábio decide fazer um baile com todos os habitantes, a que chamou: baile dos gigantes, e apresenta o gigante.

O sábio fala da fome interior, e todos deixam escapar algumas lágrimas, quando reconhecem que também eles têm um gigante dentro deles, ruidoso e faminto de amor, de atenção, carinho, afeto, diálogo, amizade, companhia.

Nesse dia todos os gigantes esfomeados se encontraram, partilharam afetos, abraços, carinhos, amizade, conversaram, acolheram o gigante, pediram desculpa, e encheram-no de carinho. Ele não podia estar mais feliz, e passou a ser mais um daquela cidade.

Somos cada vez mais, gigantes esfomeados de valores, de amor, de amizade, dos outros, embora tenhamos medo de nos aproximarmos. Há muitos fatores que não deixam ver os gigantes uns dos outros, se não, veríamos que afinal somos mais iguais na nossa essência, do que alguma vez imaginamos, e por muito diferentes que sejamos, não deixamos de ser... gigantes esfomeados!



FIM

Lara Rocha

9/Outubro/2018



                                                                







  

quinta-feira, 24 de março de 2016

INVASÃO DE LUZES (adultos)


Era uma vez uma comunidade de fadas, que viviam numa floresta encantada, e tinham poderes curativos. Toda a Natureza dava-lhes aumentava os seus poderes. Tudo na Natureza servia para elas curarem, e recebiam milhares de pedidos todos os dias. Felizmente todos funcionavam, embora alguns achassem que tudo não passava de ilusão da cabeça das pessoas doentes, que tinham de se agarrar a alguma coisa, para não ficarem com tanto medo. Um dia, umas mães desesperadas, fartas de rezar e sem sucesso, entregaram-se à sua tristeza e à sua dor. As fadas receberam esses gritos desesperados, e uma das mães ouve uma voz.
VOZ DA FADA 1 – Não se entregue à tristeza e à dor.
VOZ DA FADA 2 – Não se acredite em tudo o que ouvem dos médicos.
VOZ DA FADA 3 – O vosso amor é mais forte!
MÃE 1 (chora) – Ai, meu filho…
FADA FLOR – Calma. O teu filho vai vencer.
MÃE 1 (chora) – Eu queria acreditar nisso, mas é muito grave.
FADA BRANCA – Não penses na tristeza e na dor…pensa na força do teu amor, e na sua vitória. Ele vai vencer!
FADA PRATA – Vá lá Mãe…une-te às outras mães…dêem as mãos…e vão ver!
FADA AZUL – Juntas podem mais, são mais fortes.
MÃE 1 (chora) – Até já falo sozinha…e ouço vozes…estou mesmo louquinha
            Em cada quarto, das crianças, adolescentes e adultos que estão com graves problemas de saúde, estão as mães a chorar, entregues à sua dor, quase sem forças, sem conseguir acreditar, de tanta tristeza. Uma fada entra em cada quarto, e apanha as lágrimas das mães, delicadamente para um frasco. 
        Leva-as para o reino da floresta, e põe os frascos abertos num lago sereno. As águas do lago misturam-se com as milhentas lágrimas, e as fadas juntam-se num campo cheio de flores. Colocam os frascos na relva, cobertos pelas flores, dão as mãos e passam a sua energia, os seus pensamentos positivos, para os frascos das lágrimas. 
        A força delas é tão grande que se forma uma aurora boreal por cima dos frascos, e as lágrimas transformam-se em cristais pequeninos, transparentes, cheios de luz. As fadas olham para a aurora boreal e esta desce, atravessa cada frasco de lágrimas, e enche-os de luz. É lindo de ver! 
        Todas murmuram pequenos pedidos, viradas para os frascos cheios de luz, e esta luz torna-se ainda mais intensa. As fadas juntam-se, e cada uma leva um frasco de lágrimas cheias de luz para os quartos dos doentes, crianças, adolescentes e adultos. 
            Abrem os frascos, e viram-nos sobre o corpo dos doentes, da cabeça para os pés, delicadamente, e sem pressa. Os corpos absorvem toda a luz sem se aperceberem. No dia seguinte, voltam a fazer o mesmo, mas desta vez juntam-lhes pétalas de flores, que existem na floresta, mas não são umas flores comuns…estas…quando são colocadas nos frascos, misturadas com as lágrimas das mães, e lavadas nas águas serenas do lago, transformam-se em gotinhas. 
     As fadas voltam a juntar-se de mãos dadas, à volta dos frasquinhos, e a energia dos seus pensamentos, vai para os frasquinhos…as gotinhas ficam cheias de luz, muito poderosas, perfumadas, e curativas. Recolhem os frascos, e voltam aos quartos onde estão os doentes. 
        Cada fada abre um frasquinho, e as gotinhas de luz, que foram misturadas com as flores, e com a água do lago, são largadas sobre o corpo dos doentes, devagar. Eles não sentem nada, nem sabem, mas estas gotinhas de luz vão curá-los. 
         As fadas voltam à floresta, e recolhem a luz do sol, para umas pedras. As pedras, são lavadas no lago tranquilo, e transformam-se em plumas muito leves. As fadas levam esse frasco de plumas para os quartos onde estão as mães, destroçadas, sem forças, vencidas pela tristeza e pela dor, e as plumas voam pelo quarto, em torno das mães, acariciam-nas, e renovam as suas forças interiores. 
        As mães não sabem o que aconteceu…sabem que sentem-se muito mais fortes, bem-dispostas, sorridentes, felizes, e com cheias de pensamentos positivos. Os filhos de todas as idades começam a dar alguns sinais de melhoria. As mães conseguem transmitir aos filhos uma energia e uma força renovada, que os deixa mais felizes. Uma fada informa as mães:
VOZ – Mães…não desistam…juntem todas as pessoas de bem, e enviem pensamentos positivos aos vossos filhos.
           Todas as mães ouvem esta voz, nos diferentes quartos. Estremecem.
VOZ – Acreditem, Mães…façam isso! Os vossos filhos vão vencer. Eles vão ficar curados. Mesmo que seja grave.
VOZ 2 – Acreditem na força curativa do vosso amor!
VOZ – Estamos convosco!
          As mães não sabem se estão mesmo a ouvir a voz, ou se estão a imaginar…mas não dizem nada sobre isso. Ficam a pensar nessas palavras o dia todo.
MÃE 2 – Não custa tentar…vamos lá!
         Uma mãe fala com as outras mães, e com os amigos, família e vizinhos. Pede que se juntem todos, e que peçam pelos seus filhos. Nessa mesma noite, em vários sítios, juntam-se centenas de pessoas, nos sítios onde moram quem está doente, e dão as mãos, em silêncio, numa grande roda, e cada um pede à sua maneira, pela saúde, e pela cura de quem sofre…pedem pela cura de crianças, de adolescentes e adultos, que conhecem e que estão a passar por um momento muito difícil. 
        Cada elemento da roda leva a sua família, e mais amigos deles e dos filhos. De cada pessoa sai uma luz, cada um com uma cor diferente, uma luz que se intensifica a cada pensamento positivo que têm. 
       É lindo de ver! Tanta luz! Essa luz chega à floresta das fadas, que esperam na berma do lago, em forma de pequenas chamas. As fadas espalharam por todo lado, milhares de velas, e cada chaminha que vai chegando, pousa numa vela. Num instante todas as velas ficam acesas, e são necessárias mais. 
        As fadas espalham mais velas, e todas se acendem, mais e mais e mais. O lago fica todo iluminado com milhares de luzes, que são os pensamentos positivos, os pedidos de saúde para os doentes.
As fadas recolhem todas as chaminhas e levam aos quartos dos doentes, espalham pelo corpo dos doentes, e concentram-nas principalmente nas partes do corpo afetadas. 
        No dia seguinte, os doentes estão melhores, e as mães também, e as fadas envolvem o corpo deles, em flores enormes, que não se veem, umas flores que absorveram o brilho das estrelas, e foram lavadas no lago das águas serenas para se tornarem invisíveis, pois as fadas não gostam de aparecer. Essas flores, são metade da cura dos doentes. 
     Elas voltam a pedir às mães que façam o mesmo…um cordão humano, cheio de pensamentos positivos, e mais uma vez, todos se juntam. As fadas, na sua floresta recolhem toda essa luz, as chaminhas dos pensamentos cheios de força, pousam sobre as velas acesas no lago, juntam as lágrimas das mães, as pétalas das flores, as plumas e as gotinhas de luz, e armazenam nas suas asas. 
     Nos quartos dos doentes, sacodem as asinhas por cima deles, nos medicamentos, nas flores do quarto, e o corpo deles absorve tudo. No dia seguinte, para surpresa de todos, os doentes estão quase curados, todos se apresentam muito melhores, muito mais animados, e sorridentes, mais fortes, mais corados, e com mais energia. 
      As mães estão também mais fortes, mas voltam a juntar-se todos nessa noite. As fadas voltam a recolher tudo, e despejam uma cascata de luz nos quartos dos doentes, por cima deles, que não molha, mas todo o corpo absorve a energia positiva, e os pedidos que foram feitos por eles. A cascata de luz fica no quarto deles, e sobre eles, durante toda a noite. No dia seguinte, eles fazem exames, e chega a boa noticia, tão esperada, que deixa os médicos boquiabertos.
MÉDICOS – Estão curados!
MÃES – Ãhhh…?
MÉDICO – Sim, o seu filho está curado.
MÃE 1 – Mas…como?
MÉDICO 2 (sorridente) – Olhe, sinceramente, não sabemos o que aconteceu…provavelmente o organismos reagiu aos medicamentos.
MÉDICO 3 (sorridente) – Sim, estamos estupefactos…! Nunca vimos tal evolução tão rápida, e tão boa!   
MÉDICO 4 (sorridente) – Estamos mesmo muito felizes!
MÉDICO 5 (sorridente) – Muitos parabéns…
MÉDICO 1 (feliz) – Já podem ir para casa!
MÉDICO 2 (feliz) – É um caso de estudo muito interessante.
MÉDICA 1 (feliz) – Eles queriam mesmo viver, são jovens…
MÉDICA 2 (sorridente) – E com o amor das mães!
MÃES (emocionadas, sorridentes e felizes) – Maravilhoso.
MÃE 1 (feliz, de joelhos) – Muito obrigada…muito, muito obrigada senhores doutores.
MÉDICOS (sorriem) – De nada…
MÉDICO 2 (sorridente) – Essa é a nossa missão!
MÉDICA 1 – Mas a maior parte da cura deles, foi a força de vontade de viver…
MÉDICA 2 – Sim, e a força do amor das mães.
MÃE 3 (feliz) – Ai, senhoras doutoras, eu já tinha perdido as esperanças todas.
MÉDICO (feliz) – Mas ainda bem que não desistiu, e que não se entregou…!
MÉDICA 1 – Claro! Mesmo sem esperanças, continuou a rezar, e olhe…valeu a pena!
MÃE 4 (feliz) – Milagre!
MÉDICA 2 – Foi o milagre do amor, e da força dos seus pensamentos positivos…
MÃE 5 – Sim, é verdade…à volta dele, formou-se uma corrente curativa!
MÉDICAS (sorridentes) – Claro que sim!
MÉDICA 1 – Vá…preparem-se para irem para casa…descansar, e recuperar o tempo perdido.
TODOS – Muito obrigada.
         As mães estão radiantes, e os doentes estão curados…tudo graças à força do amor das mães, e das energias boas, dos pensamentos positivos que se geraram à volta deles. Quando a luz de cada um se junta…forma-se uma linda e forte corrente positiva, de amor e de cura, e quando isso acontece…tudo é possível acontecer! 
        Não desistam. Por mais grave que seja o problema, juntem todas as vossas forças, todas as luzes dos vossos pensamentos positivos, e verão que tudo se transforma! Façamos neste momento uma corrente positiva, de cura e de luz, para todos os que sofrem de problemas graves de saúde, crianças, adolescentes e adultos…todos precisamos…ou poderemos vir a precisar de uma corrente…para nós ou para alguém ligado a nós. 
        Não desistam! Vale a pena! Compartilhem, e nem que seja 1 minuto por dia, pensem positivo, enviem nem que seja só um pensamento positivo, de cura, e de saúde, para todos os que neste momento enfrentam problemas graves de saúde. Quem sabe, não teremos todos umas surpresas muito agradáveis, e comecem a surgir noticias muito boas! 
        Experimentem! E partilhem com toda a gente que conhecem, para que façam o mesmo… com carinho, sinceridade, e vontade. Tudo pode acontecer. Todos podemos contribuir para uma saúde mundial, melhor, e para a cura de alguém que precisa. Para todos os que sofrem de problemas graves…muita força, e estamos convosco. Vencerão!

FIM
Lara Rocha 
(15/Abril/2013)