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quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Os beijinhos das flores



     Era uma vez uma bela montanha com grandes rochedos, desviada da cidade de onde brotavam belos riachos de água. 

    Estes formavam cascatinhas, primeiro pequeninas, depois aumentavam a intensidade da água, à medida que seguiam caminho para um grande lago, onde havia um espaço muito agradável, verde, cheio de árvores, bancos e mesas para merendas, e um rio. 

    Mas além da água que se formava nas grutinhas das rochas, entre muitas fissuras espalhadas até ao rio, nasciam lindas flores selvagens, de várias cores, tamanhos, e  delicadas. 

    Tinham a companhia dos lobos, há muitos anos, das águias, dos falcões, dos veados, das corças, dos esquilos, morcegos, mochos, corujas, lagartixas, coelhos bravos, linces, corvos, e muitos outros. 

    Os pastores levavam o gado: as vacas, os bois, as ovelhas, as cabras, os bodes, para o pasto que naquela zona era muito bom, juntamente com os seus cães. 

    O vento, a chuva, o sol, o calor, as trovoadas, a neve, também marcavam a sua presença, de forma mais ou menos intensa, de acordo com a estação do ano. 

    Os pastores tinham sempre as suas casinhas de resguardo, porque já sabiam o tempo podia mudar. Infelizmente, nos últimos tempos, as cascatinhas e os riachos, tal como o grande rio do parque estavam praticamente secas e paradas, quase não circulavam pelas rochas, nem nas grutinhas. 

    Estavam sem força, e em vez de transparente, a sua cor, era verde, da pouca que circulava. As flores dos rochedos e da margem do lago, bebiam dela, mas andavam a sentir-se estranhas. 

    O sabor não era o mesmo, uma água que antes sabia tão bem, agora, sentiam um sabor estranho, não sabiam o que estava a acontecer. 

    Nunca tinham visto a água daquela cor, sentiam medo, mas bebiam-na porque não havia outra, e precisavam dela, caso contrário, secavam. 

    Uma tarde, ouviram dois pastores que tinham levado o gado, nos rochedos a comentar um com o outro: 

- Moço, já viste que está quase tudo seco, aqui? 

- Pois! Já reparei. Se calhar tem raízes ou lixo ali nas grutas! 

- Pode ser! Ou é de não chover há muito. 

- É verdade! Pode ser das alterações climáticas! Olha a cor da água! 

- Está horrível. Até lá em baixo! 

- Aquilo não será perigoso? 

    As flores ficam em pânico, agarradas aos caules, e trocam olhares: 

- Pois! Também tenho medo! Aquilo...aquela cor parece veneno. 

- Veneno? - murmuram as flores umas com as outras 

- Se for veneno, estamos todos fritos. 

- Fritos mesmo! Nós e o gado, tudo o que aqui está. 

- Não sei como é que as flores resistem.  

- Mas também veneno não será, se não, os nossos animais ficavam mal dispostos, e não estão. 

- Pois. Mas pelo sim, pelo não, é melhor analisarmos a água, não? Os animais bebem-na pelo caminho, mas para percebermos porque é que está daquela cor. 

- É. Boa ideia. Pode ser uma alga. Os meus às vezes também bebem, mas esta de cima também está quase seca, acho que é melhor do que a de lá de baixo! 

-É, mesmo assim, já está com uma cor estranha! 

- Vamos ver às grutinhas de onde ela sai, se há alguma coisa a poluir. 

- Boa ideia. 

    As flores ficam muito ansiosas e com muito medo. Os pastores entram nas grutinhas, iluminam o espaço, e não há nada a impedir a passagem da água, nem a polui-la. Quando voltam a sair, os dois comentam: 

- Nada! 

- É. Deve ser a própria poluição do ar, e de estarem paradas! Mesmo assim, já não são nada do que eram, e pelo sim, pelo não...vamos levar uma amostra para análise. 

- É. É melhor. Estas flores não estão com um ar muito saudável, mas deve ser da pouca água. 

    Os pastores recolhem um bocadinho de água num frasco limpo, em cima e em baixo, e levam ao laboratório. As flores, olham para a água, para ver o seu aspeto. 

- Que exagero, aqueles dois pastores! - comenta uma flor 

- Não estamos assim com tão mau aspeto. - comenta outra 

- Nem eu! - diz outra 

    Mesmo com muito medo, uma flor inclina-se e encosta as pétalas às águas, que tem ao seu lado, como se fosse dar um beijinho, soprar ou fazer uma oração. 

- Óh maravilhas águas, por favor...não estejam doentes, se não, onde vamos beber? Precisamos muito de vocês. Gratidão, gratidão, gratidão, Natureza, por estas águas que nos fazem bem! 

- A quem é que estás a agradecer? - pergunta uma 

- À Natureza! Ela gosta que lhe agradeçam, e acredito que está tão feliz, que vai limpar estas águas. 

- Ela não está boa do caule, nem das pétalas! - diz uma flor surpresa 

- A água deve ter mesmo qualquer coisa venenosa, nunca disse isto. - comenta outra 

    Dá mais um beijinho com a pétala, e endireita-se. As outras gritam: 

- Cuidado! Não te encostes a essas águas. 

- Também acho melhor não, enquanto não soubermos o que está a acontecer com essas águas. 

- Façam o mesmo! Ou não vão beber, só porque aqueles falaram? - convida a flor 

- O que é que tu fizeste? 

- Dei-lhe dois beijinhos e disse o que vocês ouviram. 

- E achas mesmo que as águas vão ficar limpas, só porque disseste isso… 

- Com certeza! Façam, e vão ver amanhã. 

- És mesmo sonhadora. - diz outra 

- Mas…- diz outra assustada 

- O que é que tem o mas? - pergunta a flor 

- Não sei...acho que não...quer dizer...não queria! Mas depois do que aqueles disseram, fiquei a pensar que podia estar ou podemos ficar doentes! - diz outra flor nervosa. 

- Há quanto tempo já bebemos desta água e as de lá de baixo, e nunca nos aconteceu nada? - pergunta a flor 

- Já há bastante tempo, é verdade, quer dizer...desde sempre que estamos aqui. Mas a água não era daquela cor. - responde a outra flor 

- Que mudou de cor e está fraca, está! Porquê? Não sabemos...-repara outra 

- Pode ser a poluição do ar, a falta de chuva. - diz a flor 

- Sim, é...! É verdade. Pelo que sei...desde que estamos aqui, quando não chove há muito tempo, ela fica com esta cor. - lembra outra flor 

- Pois é! - diz a flor 

- Vamos experimentar! Dar também um beijinho nas águas, para ver se acontece alguma coisa. - aceita outra flor 

- E não se esqueçam de agradecer. - reforça a flor 

- Boa! - dizem todas 

- É isso. - concordam todas

    Cada uma encosta as pétalas como fazem para beber, tocam com as pétalas nas águas e nas rochas, como se fossem a dar um abraço às rochas. As águas vibram e fazem pequeninas ondinhas, dão beijinhos com as pétalas e agradecem à Natureza. Convidam as de baixo a fazer o mesmo, e fazem.  

    Na manhã seguinte, nem querem acreditar no que estão a ver...as águas pareciam sair de todos os buracos e mais alguns, até de espaços invisíveis, como se tivesse chovido vários meses, e enchesse os riachos. 

    Uma água limpa, a correr com toda a força, as flores de cima e da berma do rio, aplaudem, felizes, e provam a água: 

- Humm...que delícia! - Suspiram todas 

- Como está transparente e abundante. - comenta uma 

- Mas o que é que aconteceu aqui? - pergunta outra 

- Parece que choveram meses seguidos de ontem para hoje! - comenta uma flor surpresa 

- Realmente! - dizem em coro 

- Que maravilha! - sorriem todas 

- Olhem a de lá de baixo, que espetáculo. Com o sol a dar, parecem brilhantes. - repara outra flor 

- Eu disse que ia resultar! - diz a flor que começou, orgulhosa. 

- Tinhas razão, a Natureza gostou que lhe agradecêssemos. - comenta outra flor 

- E dos nossos beijinhos. - acrescenta outra 

- Claro! Eu disse, e vamos agradecer outra vez, em coro? - sugere a flor 

- Claro que sim, ela merece. Meninas aí de baixo, gritem connosco...vamos agradecer à Natureza! 

- Estamos convosco! - gritam as de baixo 

- Um...dois...três…- grita uma flor de cima 

- Gratidão, gratidão, gratidão, querida Natureza!

    Dizem todas em coro e aplaudem. Chegam os pastores com o gado, e ficam quase congelados com a surpresa de ver tanta água e tão limpa. 

- Mas, mas...o que é que aconteceu aqui? - pergunta um pastor 

- Não sei. Mas realmente as análises deram tudo bem. 

    O gado bebe deliciado, e manifestam-se, como se estivessem a confirmar que aquela água está mesmo boa, e até eles ficaram surpresos. 

    Os pastores sobem com o gado, provam a água das rochas. 

- Que diferença! - diz um pastor 

- Realmente...é pura! - diz o outro 

    Ajoelham-se, rezam e agradecem o regresso e a limpeza da água. 

- E quando for época das chuvas, das trovoadas e da neve é que vai ser! - acrescenta um pastor 

- Pois é. - concorda o outro 

    Os dois dão uma gargalhada, de tão felizes: 

- Até as flores estão mais bonitas! - comenta um pastor 

- Pois estão. 

- Vou já encher a minha garrafa. 

- Eu também. 

    E os dois ficam a apreciar a mudança, encantados, enquanto o gado pasta e bebe a água, sem saberem que foram os beijinhos, os abraços e a gratidão das flores, à Natureza. 

                                                    FIM 

                                               Lara Rocha

                                        25/Novembro/2024  





segunda-feira, 4 de março de 2019

A lição do lixo à volta das escamas

           


Era uma vez um ouriço-do-mar que fugiu do oceano onde vivia com a sua família, de muito longe por causa da poluição. Percorreram longos quilómetros à procura de uma casa onde não houvesse lixo. Estava difícil de encontrar, mas finalmente, passaram por uma montanha aquática onde a água era transparente, morna e bem salgada como eles gostavam! Cheirava bem a algas.
           Estavam muito cansados, por isso instalaram-se no primeiro sítio que viram, e caíram num sono como já não se lembravam de ter. Tudo parecia calmo, outros animais que passavam, olhavam para eles, mas não lhes tocavam.
          Mas um acontecimento inesperado, despertou-os de repente, e assustou-os muito. Um violento tremor de terra! Instalou-se a agitação e o terror debaixo de água. Não sabiam bem o que estava a acontecer, mesmo assim, viam todos a correr de um lado para o outro, e um peixinho gritou-lhes:

- Saiam daí. Estão num sítio muito perigoso.

- O que é que está a acontecer, pergunta um ouriço-do-mar.

- Não temos tempo de explicar, agora. Venham atrás de nós! Rápido.

           Os ouriços-do-mar seguem-nos, assustados. Levanta-se um monte de areia que se move a uma velocidade arrepiante, e corre debaixo da água, formam-se centenas de bolhas de água que sobem em redemoinho para a superfície, e quase arrasta tudo o que é animal, mas eles já sabem que quando isso acontece, juntam-se e escondem-se num abrigo que construíram no casco de um navio afundado há muitos anos.
           O caos vai para a superfície, e as água nas profundezas acalmam. Todos respiram de alívio.

- Passou! - suspiram todos

           Um peixe matreiro, muito bonito, mas perigoso, grita:

- Intrusos!

           Estava a falar dos ouriços-do-mar. Como eram todos muito unidos, e todos obedeciam às ordens desse peixe, porque tinham medo dele, o que ele dissesse, tinham de fazer, se não, eram castigados.  Na verdade não gostavam de muitas coisas que ele fazia ou dizia, mas ninguém tinha coragem de o desafiar.

- Óh, não...nós viemos na paz, à procura de um lugar para viver, porque o nosso estava cheio de lixo! Quase não conseguíamos respirar! - explica um deles

- Eu não perguntei nada! - exclama o peixe arrogante

- Ele odeia perguntas... - diz outro peixe 

- Fora daqui. - Grita o peixe

- Mas nós... - tenta outro ouriço-do-mar

- Não quero saber de explicações! Fora... - Grita o peixe

           Os ouriços-do-mar afastam-se tristes. O peixe malvado vai passear todo emperuado e de repente algo se enrola nas suas barbatanas. Não consegue nadar, nem sair do mesmo sítio, e quanto mais tenta libertar-se, mais atado fica.
           Os ouriços-do-mar vêem a aflição do peixe, vão ter com ele, e ele escorraça-os, grita com eles, chama-lhes nomes feios, mas eles não se deixam intimidar.

- Vão-se embora...eu não vos quero aqui. - Grita o peixe 

- Para de te mexer e de gritar! - recomenda um ouriço

- Olha que porcaria que ele tem aqui à volta...

- Como vamos tirar daqui isto?

          Os ouriços-do-mar agem rapidamente, juntam-se e quando encontram uma possível saída do lixo, uns puxam dum lado, outros doutro, cortam com os seus picos partes dos fios, passa um peixe espada e ajuda a cortar os fios, e aos bocadinhos vão libertando o peixe.
          No fim estavam todos completamente exaustos. Respiram fundo, e caem na areia lentamente.Os ouriços agradecem ao peixe espada. O peixe está ofegante e muito nervoso, mas ao mesmo tempo envergonhado, por isso, depois de estar um pouco em silêncio, começa a soluçar e a chorar. Os ouriços-do-mar aproximam-se, olham-no, a medo, recuam.

- Estás bem? - pergunta um ouriço

- Ele odeia perguntas, lembras-te? - relembra o ouriço  

- Vamos... - diz um ouriço com medo

- Óh... esperem! - Diz o peixe a chorar

           Eles param, e olham para o peixe

- Estou muito envergonhado! Desculpem... muito obrigado por me terem tirado aquela porcaria! Ai, quase me acontecia alguma coisa má! Não sei de onde veio aquilo.

- Nós tínhamos toneladas...talvez... dessa porcaria na nossa zona!

- E o que é?

- É lixo... coisas que os humanos já não precisam...

- É que... não devem ter onde pôr.

- Parece que é o que dizem!

- Malditos! - Grita o peixe zangado

- Nós? - perguntam os ouriços assustados

- Não! Aqueles...

- Áh, sim! Tens razão...

- Eu fui muito bruto convosco. Escorracei-vos e vocês ainda me libertaram do lixo! Desculpem.

- Na hora de precisar...

- Pois, eu sei! Não merecia.

- Não foi isso que quisemos dizer!

- Na hora de alguém precisar não pensamos muito. Respondemos!

- Mas eu fui tão estúpido, que vocês deviam deixar-me ali enrolado naquela coisa.

- Porquê?

- Isso ia tirar-te a brutidade?

- Tu realmente não és nada simpático, és arrogante e bruto, mas talvez também tenhas as tuas razões para ser assim!

- Sim, têm razão!

- Toda a gente tem medo de ti.

- Medo de mim? Acham?

- Claro que sim!

- Óh, também não queria isso... é que eu acho que se não for mau, ninguém vai gostar de mim.

- Que disparate!

- Acham?

- Claro. Eles e toda a gente gostam de amigos bons.

- Que vergonha... sou um monstro!

- Não... és bonito, mas podes ser mais suave a falar como os outros.

- Como?

- Queres aprender?

- Quero! É uma forma de vos pedir perdão, e de agradecer!

- Podemos ficar?

- Claro que sim! Por favor!

             Os ouriços-do-mar dão umas verdadeiras aulas ao peixe, de como ser amigo e generoso com os outros, para gostarem dele, sem ser mau. Mas que grande mudança. O peixe mau passou a ser  um verdadeiro doce, cavalheiro, colaborador, educado, delicado, sedutor, brincalhão, divertido... e todos os outros que o rodeavam repararam. Elogiaram-no, chamavam-no sempre que precisavam, ele fazia convívios e divertia-se muito!
            Deixou de ser um chefe mau, e tornou-se no que sempre tinha sido: um peixe amigo, como os outros, que precisava dos outros, e que ajudava quem precisava. Desde esse dia, aquele lugar subaquático nunca mais foi o mesmo. Ao primeiro sinal de lixo, instalava-se a confusão, juntavam-se todos, e devolviam o lixo à superfície, na tentativa que os humanos deixassem de fazer lixo nas praias.

Acham que seria uma boa solução para resolver o problema dos lixos nas praias e nos mares?
               
                                                                         FIM
                                                                         Lálá
                                                                     4/Março/2019 

domingo, 19 de junho de 2016

As botas

Lara Rocha 

Era uma vez uma família de andorinhas que emigrou do seu país de origem pelas alterações climáticas, que tornaram o ar da cidade muito poluído, com ondas de calor insuportáveis daquelas que nem dava para mexer uma pena…e muitos ficaram doentes porque em vez de boa comida e água limpa, passou a haver toneladas de lixo.
Voaram milhares de quilómetros, pararam em vários sítios que gostaram para descansar, mas decidiram continuar, até que chegaram a uma aldeia no meio de uma montanha muito alta, com muito poucas casas, muitas árvores, e gado a pastar.
O vento estava forte, apesar de sol. Viram uma fonte, beberam, refrescaram-se, e pousaram na relva macia, debaixo de uma árvore à sombra. Olharam em volta, respiraram e gostaram do ar, do silêncio quase total que já não ouviam há tanto tempo, sentiram paz, e que era ali!
Tinham encontrado finalmente um sítio que reunia tudo o que queriam, procuravam…quer dizer…só faltava uma casa! Haviam de encontrar, mas primeiro quiseram descansar…estavam tão cansados que nem ouviram os movimentos e as vozes das pessoas. Só acordaram quando a fome apertava, e comida não faltava! Estavam mesmo em paz.
Quando se sentiram mais fortes foram conhecer a floresta à procura de um ninho, e tudo era lindo: as flores, as árvores, as fontes, os animais, os sons e as cores que os rodeavam…até que viraram as cabeças e viram umas botas grandes que tinham ar de ter sido abandonadas! E estavam mesmo abandonadas. Tinham sido deixadas por um dos humanos por estarem velhas.
Elas não sabiam que o que estavam a ver eram botas, só que já tinham visto muitas nas cidades por onde passaram à beira do lixo. Espreitaram, não cheiravam a nada e por dentro estavam boas.
As andorinhas não procuraram mais, pois já estavam habituadas a ter de se desenrascar, inventar e criar habitações, meios de sobreviver e de se protegerem. Aproveitaram o par de botas e puseram-nas encostadas a uma árvore muito grande, velha, com um grande buraco no tronco.
Usaram tudo o que precisavam e mais gostavam para o ninho que ficou dentro do tronco, muito espaçoso e aconchegante, confortável. Uma bota pousada num ramo de uma árvore serviu de teto para tapar o ninho e a outra bota serviu de porta que elas puxavam nos dias de tempestade e frio.
Estavam maravilhosamente bem instaladas e sossegadas, rapidamente conheceram outras andorinhas que também tinham fugido e que se instalaram nas árvores à volta, quase parecia um condomínio fechado, onde todas eram como família, e usavam às vezes a bota da porta para abrigar, quando havia convívios nos dias frios e chuvosos. Todas partilhavam coisas umas com as outras, o que precisavam, todas ajudavam e faziam muitas festas.
Quando chegou a altura de ovos e bebés, a bota de entrada serviu muitas vezes de infantário onde estavam sempre acompanhados e vigiados por adultos que se revezavam enquanto iam buscar comida.
Umas fadas gostaram tanto da ideia das andorinhas que preparam uma surpresa para todas. Arranjaram mais pares de botas que estavam velhas e transformaram-nas em autênticos prédios para andorinhas, espaçosos, climatizados com uma temperatura sempre agradável que todas suportavam bem, com janelas que abriam e fechavam, infantário, parque e centro de convívio para as andorinhas mais velhas…depois, estes prédios abrigaram outros pássaros de outras espécies que eram sempre muito bem recebidos.

O que alguns deitam fora só porque estão com um aspeto menos bonito, outros aproveitam!

                                                           FIM
                                                           Lálá
                                                    (17/Junho/2016)
   

   

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A ABELHINHA, A JOANINHA E O DOUTOR

 

   Era uma vez uma joaninha que foi passear num dia bastante quente, cheio de sol. 
 Pelo caminho dançou sozinha, cantarolou, apanhou e comeu frutas deliciosas, bebeu em fontes e refrescou-se numa cascatinha.
   Por causa do calor, a joaninha ficou muito molenga, e deitou-se à sombra de uma grande flor, em cima de uma almofada de relva fofa.
      Estava ela muito confortável, quase a dormir, quando, pousou uma abelhinha em cima da flor. 
   A abelhinha não reparou na joaninha que estava por baixo, e sacudiu pólen das pétalas, ao colhê-lo para si.
    O pólen caiu sobre a joaninha. A joaninha não viu o pólen a cair porque estava de olhos fechados. 
     Mas sentiu! Desata aos espirros, abre os olhos, sobressaltada e tosse, coça-se…que sinfonia! Pobre joaninha.
        A abelhinha assusta-se e olha para baixo.
- Ai…! – Geme a joaninha
- Óhhh… - Diz a abelhinha – Desculpa! Não vi que estavas aí…! Estás muito constipada!
- Eu não estava doente! Quando cheguei estava bem…deitei-me aqui debaixo, e acordo assim.
- Acho que caiu pólen sobre ti…se calhar és alérgica ao pólen das flores!
- Não sei o que é isso! Só sei que a…atchim…cof…cof…! Que comichão!
- O pólen é aquilo que existe no meio das flores…nós, abelhas adoramos. E aqueles de duas pernas também o usam para muita coisa.
- Quem são esses?
- Aqueles…estranhos, que dizem que somos más…nós às vezes picamo-los porque eles são maus connosco.
- Áh! Aqueles que destroem e poluem…
- Sim! Também os conheces!
- Quem não conhece essa raça!
- Pois é! Não conhecemos grande coisa…
      As duas riem. A joaninha continua a espirrar e a tossir.
- O que é que eu posso fazer por ti? Estou preocupada.
- Ah…não sei. Acho que nada!
        Passa um grilo com a sua mala de veterinário.
- Doutor…ainda bem que aparece! – Diz a joaninha
- Olá Dr. – Diz a abelhinha
- Olá! Posso ajudar-vos?
- Acho que sim! Olhe como eu estou, Dr. Estou farta de espirrar, tossir, coçar-me…
- Huummm…estou a ver! Isso é alergia.
- Será que foi do pólen? – Pergunta a abelhinha – Ela estava aqui deitada, eu não a vi! Vim buscar o pólen e ela ficou assim.
- Áh! Pólen…claro! Com certeza és alérgica. Mas anda comigo! Vou dar-te uns medicamente e isso vai passar rápido. – Diz o veterinário   
- Nunca me aconteceu isto antes! Andei sempre de volta de flores, apanho-as, até faço fios e coroas e nunca fiquei assim… sempre tive boa saúde! - Diz a joaninha
- Eu também! – Diz a abelhinha - Posso ir também?
- Sim, claro. – Diz o veterinário
- Dr.…acho que fui eu que lhe provoquei alergia! – Diz a abelhinha
- Claro que não foste tu. Foi o pólen da flor…há muita gente agora que sofre de alergias – Explica o veterinário
- Muita gente? – Perguntam as duas
- Sim. Gente, plantas, animais, águas….tudo está doente. A terra toda. – Diz o veterinário
- Que horror! – Dizem as duas
- Mas como é que sabe disso? – Pergunta a abelhinha
- Eu trato todos os dias, tudo o que é ser, menos os humanos…aqueles que tem pernas não trato… Estudo todos os dias, e todos os dias vê-se a poluição! Agora…nada está como antes. Nada escapa à maldade do homem! Tudo paga pelos seus erros, mesmo os que amam e tratam da natureza. -  Diz o DR.  
- Áh! – Exclamam as duas
- Mas isso não está certo! – Exclama a abelhinha zangada
- Pois não! Mas é assim que as coisas funcionam! – Explica o Dr.
- Humanos…claro! Só podia ser. É por isso que não gostamos deles! Apetece-me furá-los todos! – Diz a abelhinha
- (O Dr. Ri-se) – Tens razão! Tu vais muito para a cidade, não vais joaninha?
- Sim!
- Pois. É por isso que estás mais fragilizada, e apanhas mais facilmente doenças como alergias! Infelizmente o ar da cidade está muito tóxico, poluído! – Explica o veterinário
- Perigoso! – Diz a abelhinha
- Isso mesmo! – Diz o veterinário
        Chegam ao consultório.
- Dr. Eu não tenho dinheiro para a consulta! – Diz a joaninha envergonhada
- Mas quem disse que vais ter de pagar? – Pergunta o veterinário
- É uma consulta!
- Mas não pagas.
- Ai…que vergonha.
       O Dr. ausculta a joaninha, ela tosse e espirra, e tem pingo no nariz, coça-se. O Dr. Receita-lhe umas pomadas e uns comprimidos para as alergias.
- Muito obrigada, Dr. – Diz a joaninha
- De nada! As melhoras, e se precisares, volta cá!
- Está bem. Obrigada.
- Até eu agradeço, Dr. – Diz a abelhinha
- Estarei sempre aqui! – Diz o Dr.
        A abelhinha vai com a joaninha. Ela aplica na hora, e toma os comprimidos. A abelhinha faz-lhe um chá que o Dr. Indicou. As duas não se conheciam antes, mas conversam alegremente e tornam-se grandes amigas.
        Nos dias seguintes, a abelhinha vai todos os dias ver a joaninha e conversar com ela, ela está melhor, mas ainda constipada. Uns dias depois, a joaninha já está boa, mas a abelhinha ficou doente, e não foi ter com a sua amiga. Estranhando a sua ausência, foi a casa dela.
     A mãe da abelhinha disse-lhe que ela também estava doente, com alergias, tal como esteve a joaninha. A joaninha chama o Dr. E a abelhinha é medicada.
        As duas passam as tardes juntas, divertidas e quando ficam boas volta a passear pelos campos e a brincar. 
        Tudo se resolveu, mas elas perceberam que a poluição tinha mesmo aumentado muito, e que faz muito mal à saúde humana, animal e vegetal.
        Protejam a Terra, para que não vos aconteça o mesmo.

                                     FIM
                                     Lálá

                            (4/Fevereiro/2015) 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

BAILADO NO GELO

        Era uma vez um cantinho que uma floresta que estava completamente gelada, e congelada. Tudo o que era água estava em pedra, as flores estavam cobertas de gelo, os troncos cheios de neve e gelo, e um silêncio gelado. Tudo dormia.
        Uma menina passou nesse jardim, e arrepiou-se.
- Mas como é possível…? Está tudo petrificado…gelado…! Não gosto!
        A menina fecha os olhos, e imagina o jardim todo em movimento. De repente, ela abre os olhos, e ouve uma música suave e alegre. Olha para todo o lado, e não sabe de onde vem.
De uma gruta que parecia congelada, deslizam do seu interior, lindos cisnes e patinhos, por cima do gelo, sem partir, e dançam ao som da música como se andassem de patins. A menina fica encantada, e bate palmas.
De um tronco congelado, aparecem dezenas de lindas borboletas e pequeninas fadinhas que andam de patins de gelo, em cima do gelo das pétalas das flores, congeladas. Deslizam levemente e com delicadeza. Lindo! Fazem piruetas, saltam, rodopiam no solo, e o gelo não parte. Patinam de flor em flor, felizes.
Mais à frente, a menina anda em cima de gelo que está no chão, com cuidado. Escorrega e senta o rabo no chão. Outras fadas riem-se e dão-lhe as mãos, e todas escorregam alegremente, dançam em cima do gelo, de mãos dadas, brincam e o gelo não parte.
Mais à frente, estão uns ursinhos bebés a brincar em cima de pequenos pedaços de gelo, partidos, num grande lago, que nos anos anteriores costumava ter camadas muito grossas de gelo, e dentro da água, estão mergulhadas foquinhas, golfinhos, pinguins e muitos peixes diferentes.
Estes animais não parecem nada felizes. A menina pergunta-lhes porquê. Eles explicam-lhe que estão muito preocupados porque o gelo está a desaparecer, porque o planeta está a mudar e a aquecer. Isso é muito perigoso para eles.
A menina perguntou-lhes o que podia fazer para os ajudar. Eles responderam…nada! Ela pensou que eles estavam a dizer para ela nadar na água gelada, e começa aos gritos.
A mãe vai ter com ela. Ela abre os olhos…
- Mãe…os bichos queriam que eu nadasse na água gelada.
- Que água gelada? Que bichos?
- Áhhh…estou em casa.
- Claro. Onde querias estar?
- Pensei que estava num jardim congelado, onde dançaram borboletas, e fadas de patins, cisnes, e patinhos que caminharam sobre o gelo do lago, patinaram nas pétalas das flores que estavam congeladas, que lindo! Dançavam tão bem! Tão levezinhas…. E depois…estive num lago enorme, onde vi ursos a brincar em cima de pedaços de gelo, separados do gelo…eu perguntei-lhes se podia fazer alguma coisa por eles, e eles mandaram-me nadar…disseram…nada! Mas como é que eu ia nadar naquela água gelada…?
- (ri) Áh! Já percebi…estavas a sonhar…
- Estava? Parece que sim…se estou no quarto, e no quentinho…estava a sonhar. Ufa! Que susto!
- Foi porque ouviste dizer que o gelo está a derreter e o planeta a aquecer…não foi?
- Foi. Fiquei muito preocupada…
- Pois. E é de ficar.
- Não podemos fazer nada?
- Podemos…muita coisa. Principalmente…reciclar tudo o que pudermos, não destruirmos ainda mais a natureza, limpá-la para não a queimar…mas não basta seres tu, ou eu…ou nós as duas…tem que ser toda a gente!
        Afinal…era só um sonho, mas um dia destes, se não tivermos cuidado, pode acontecer.

FIM
Lálá

(1/Dezembro/2014) 

sábado, 24 de maio de 2014

AS MULHERES GAIVOTAS

       


       Era uma vez uma praia cheia de lixo e gaivotas. Não era uma praia que tivesse muita gente, porque de dia para dia, aumentava o lixo.
Era Inverno, e por isso, as tempestades no mar, eram quase diárias. Por causa disso, as gaivotas não podiam comer no mar, nem tinham a sorte de encontrar pescadores.
Estavam cheias de fome, e voavam baixinho, ao contrário do que era costume, com o peso das nuvens. Quando há tempestades, as gaivotas não têm outra escolha a não ser procurar no lixo das cidades alguma coisa para comer. Nem sempre é o que elas mais gostam, mas comem para sobreviver.
Um dia, com muita chuva, o monstro que vivia no mar, vem à superfície. Um ser de lata, com sucata, mas simpático.
Quando chegou à superfície assustou-se:
- O que está a acontecer aqui? Tanta gaivota em terra?! Áh…já sei…deve haver tempestade no mar! óh…e há mesmo…que ondas tão grandes se aproximam…ui…que medo! Acho que os terrocos não vão escapar…o mar vai engoli-los.
- O que estás a fazer aqui? Volta para a tua casa! – Grita uma gaivota.
- Mas quem és tu para me mandar para casa?
- Sou uma gaivota.
- E eu sou o monstro sucata! Conheço muito bem o fundo do mar.
- E nós a superfície! – Diz outra gaivota
- Eu também conheço a superfície! Sei muito bem que vem aí uma tempestade daquelas!
- Nós também sabemos. Por isso é que te estamos a avisar.
- Eu vivo aqui no mar…
- E nós também vivemos por aqui.
- Se o mar está tempestuoso porque é que estão aqui?
- Porque viemos à procura de comida, e vimos-te aqui…achamos que te devíamos avisar.
- Obrigada! Sabem, eu tenho lixo de sobra, lá em baixo. Vou trazer-vos algum. O que gostam mais?
- Óh! Que simpático!
- Gostamos de qualquer coisa.
- Espera…qualquer coisa, não é bem assim. Um dia quase sufocamos com plástico, por isso, plástico e ferro, e pedras, pregos ou madeira não comemos.
- Pois! Já vi muitas iguais a vocês aflitas por causa de lixo.
- Mas porque tens lixo na tua casa?
- Porque…olha…não sei…eu também fui criado a partir de lixo, pelas mãos de um homem!
- Um homem?
- Sim! Um terroco…ou terra…qualquer coisa…
- Terráqueos…ou…terrenos… - Dizem as gaivotas em coro.
- Isso!
- E como é que ele te criou?
- Devia ser uma mulher!
- Uma mulher porquê?
- Era uma artista.
- Áh! – Respondem todas
- E deixou-te aí em baixo?
- Sim!
- Porquê?
- Não sei.
- E onde é que ele, ou ela foi buscar o teu corpo?
- Ao fundo do mar! – Diz o monstro
- Como é possível?
- Vocês não fazem ideia do lixo que há lá em baixo.
- A sério?
- Sim!
- Como pode ser?
- As pessoas fazem do mar…um gigantesco caixote do lixo! Não sei de quem foi a estúpida ideia de dizer que o mar é um caixote do lixo.
- Só pode ter sido alguém que em vez de miolos, tinha lixo na cabeça.
- Os terráqueos também têm lixo na cabeça?
- Desconfio bem que sim!
- Não tenho pena nenhuma… - Diz o monstro a rir
- Nós também não! – Dizem as gaivotas
- Bom, volto já, com os vossos petiscos.
        O monstro de sucata mergulha outra vez e manda para a superfície muito lixo, que não serve para alimentar as gaivotas. Mas de repente, um barco estranho despeja baldes de restos de comida, como cascas, fritos, alface…as gaivotas enchem o papo de comida, satisfeitas e felizes.
- Ei…eu aqui com este trabalho todo, e agora não querem nada? Mas que mal agradecidas. – Resmunga o monstro.
- Só nos trazes coisas que não comemos!
- Fidalgas!
- Lembra-te que somos seres vivos… gaivotas…! Não comemos qualquer coisa como tu, que és feito de sucata!
- Áh…pois é! Tens razão, desculpem…mas já viram o que aquele louco fez?
- Deu-nos de comer! – Diz uma gaivota satisfeita.
- Sim, mas também poluiu, e arriscou-se a ser engolido pelas ondas.
- Pois foi! – Dizem as gaivotas em coro.
        Vem uma onde enorme e vira o barco. O rapaz cai á água. Um bando de gaivotas voa logo em direcção a ele.
- Socorro…! – Grita o rapaz.
        As gaivotas às centenas transformam-se em lindas mulheres e ajudam o rapaz a sair da água.
- Ei…vamos salvá-lo ou damos-lhe uma liçãozinha? Só…uma brincadeirinha! – Propõe uma gaivota.
- Salvamo-lo! – Gritam todas.
- Tenho tantas saudades de ser mazinha…aaaaiiiii…!
- Eu também, mas agora não! – Responde outra gaivota.
- Controla lá esses desejos maléficos…
- Também acho.
- Se o deixarmos vai ser mais lixo para o mar!
(Todas desatam às gargalhadas, levam o rapaz para terra. Enquanto ele recupera, as gaivotas comentam entre si)
- Aii…que tentação! – Suspira uma gaivota a olhar para ele
- Temos aqui um belo peixão…realmente! – Comenta outra
- Ai, que vontade de lhe dar umas belas bicadas…
- Que jeitoso…
- Ui, acho que vou levá-lo outra vez para a água…
(Todas riem)
- Olhem-me para estes lábios…este corpo…
(Todas suspiram a sorrir)
- Por momentos até senti inveja dos polvos…quem me dera ser um polvo! Agarrava-me a esta escultura, não o largava mais…corria este corpinho todo centenas de vezes por dia…huuummm…! Só se ele me cortasse os tentáculos.
(Todas riem)
- Acho que vamos virar mais vezes o barco dele…
O rapaz abre os olhos, olha em volta, vê as gaivotas e diz)
 (Riem)
- Estou vivo?
- Sim! – Gritam as gaivotas.
- Óh…que maravilha! Óh…milagre!
- Milagre? Bem…eu chamo-lhe sorte!
- Pois. Se não estivéssemos ali, bem que te passavas…
- Tu tiveste noção do que fizeste?
- Mas que grande louco! Meteste-te ao mar, com este tempo, e com estas ondas?
- Salvaram-me a vida…uau! Um bando de gaivotas salvou-me a vida.
- Louco!
- Óh…nem sei como vos agradecer.
- Deste-nos de comer, mas estamos zangadas contigo, porque poluíste o mar com a comida. – Resmunga uma gaivota.
- Tu fazes sempre isso? – Pergunta outra gaivota
- Sim! Não tenho outra solução.
- O quê?
- Então para que servem os caixotes do lixo?
- Estão sempre a rebentar. Não há espaço para mais!
- Que desculpa mais esfarrapada.
- Vocês humanos são mesmo porcos selvagens. Até os animais porcos são mais limpos na natureza.
- Não sejam assim…
- Vê se mudas de comportamento, se não da próxima vez deixamos que vás ao fundo, principalmente para veres a porcaria que mandam para o mar!
- Esperem aí…eu estou a falar com um bando de gaivotas, ou a delirar?
- Estás a falar com gaivotas, sim!
- Eu quase podia jurar que tinha, sido umas mulheres que me salvaram.
- Mulheres? – Perguntam em coro.
- Sim! Os pescadores que já foram salvos, disseram que eram mulheres!
- Mulheres? – Perguntam em coro.
- Não! – Diz outra gaivota
- Isso queriam eles! – Diz outra.
- O quê? Viram sereias, não? – Diz outra.
(Todas riem)
- Devem ter tido uma visão, com o medo! – Diz outra gaivota.
- Sim…deve ter sido isso! – Diz o rapaz desconfiado
- E tu, também viste a mais…ou…viste aquilo que querias…gostarias de ter visto! Querias ter sido salvo por mulheres, não era?
- Bem! Sim! – Diz ele a sorrir.
- Vê se tens juízo, e se paras de poluir! Há muitos sítios e muitas pessoas que têm fome, dormem na rua, e procuram comida como nós, nos caixotes! Em vez de deitarem para o mar…ponham tudo junto dos caixotes do lixo, que há pela cidade. Vão ver que desaparece tudo num instante.
- Áh! É?
- Sim! Não sabias?
- Moras na cidade e não sabes dessa triste realidade?
- Andas a dormir.
- EU não vou para esses sítios.
- Tens muita sorte! Então abre os olhos, e lembra-te disto, quando deitares comida no mar…
- Sim, porque da próxima vez, podes não ter a mesma sorte que tiveste desta.
- O mar já tem lixo que chegue e sobre.
- Quem o deitou para aqui, devia engoli-lo.
- Pois era.
- Bom…gaivotas…muito obrigado! Não me vou esquecer do que me disseram…- murmura – Parecem a minha mãe…
- A tua mãe é com certeza alguém que te ama e que te quer proteger! Agradece-lhe e trata-a bem.
        O rapaz fica embaraçado, sorri e volta para a sua casa. as gaivotas caminham pela praia em forma de mulheres lindas, leves e misteriosas, ao sabor do vento forte, e à chuva.
        E depois deste dia, o rapaz nunca mais deitou comida para o mar. Fez o que as raparigas gaivotas disseram, e matou a fome a muita gente sem poluir.
        Antes de poluirmos o mar, é melhor pensarmos duas ou três vezes antes de o fazermos. Devemos pensar se queremos ficar doentes por causa da poluição dos mares, ou se queremos ter saúde, ser amigos do mar, e aproveitar tudo o que ele tem de bom.
        O mar não é um caixote do lixo gigante!

FIM
Lálá
(13/Maio/2014)