Era uma vez uma aldeia gelada, com casas e jardins, cobertos de neve, bonecos de neve, numa noite com um frio cortante. Um dos bonecos de neve sentia medo do escuro, e choramingava.
Histórias infantis, para crianças, adolescentes, e adultos, peças de teatro e monólogos
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
O boneco de neve medricas, e o boneco de neve friorento
Era uma vez uma aldeia gelada, com casas e jardins, cobertos de neve, bonecos de neve, numa noite com um frio cortante. Um dos bonecos de neve sentia medo do escuro, e choramingava.
quinta-feira, 27 de maio de 2021
O cheirinho
Foto de Lara Rocha
Era uma vez um senhor que vivia numa aldeia com mais habitantes. A sua esposa ia vender pão e bolos, legumes, sopas caseiras de vários ingredientes diferentes, frutas e flores, enquanto ele ficava em casa de volta do forno a preparar os deliciosos bolos, pão, e sopa.
Da sua casa era possível sentir quase todos os dias uma mistura de cheirinhos muito agradáveis, de fazer crescer água na boca, mas os seus vizinhos não sabiam o que era, porque a sua esposa saía antes do sol nascer, e o senhor quase nunca o viam fora de casa.
Ouviam muitas vezes a assoviar, e a cantar acompanhado de um rádio, e falava com alguém, pensavam que seria consigo próprio, com o locutor da rádio, ou com algum animal que teria dentro de casa. O sr. tinha longas conversas...
Um dia, umas crianças da aldeia, de várias idades, estavam a brincar ao ar livre e sentiram a mistura de cheiros. Mas entre esses cheiros havia um em particular que até lhes abriu o apetite, e para se distraírem da fome, cheios de curiosidade, não queriam invadir a casa, então, fizeram um jogo, em que cada um tentou adivinhar ao que pertenciam os cheiros.
Como conheciam os cheiros dos alimentos cozinhados, nas sopas, conseguiram acertar todos, mas aquele especial...huuummmm....era a bolos.
Não resistiram. Foram silenciosamente até à casa do vizinho, ficaram à porta, os cheiros tornaram-se mais fortes, e cada qual o mais apetitoso.
Espreitaram discretamente pela janela com cortinas, e perceberam que se mexia de um lado para o outro, ouviram a música, e o senhor a falar.
O sr. percebeu que estava a ser observado, e discretamente, abriu a janela. As crianças esconderam-se rapidamente, como puderam, para não serem apanhados, mas foram vistos e não repararam.
O sr. riu e fez de conta que não viu. Continuou o seu trabalho, as crianças voltaram a espreitar, e ele viu as sombras das cabecitas. Desta vez não tiveram tempo de se esconder, foram apanhados em cheio.
- Oláááááá! - diz o Sr. simpático
- Olá! - respondem todos mais vermelhos do que pimentos
- Estavam a espreitar não era...?
- Era! - respondem em coro
- Precisam de alguma coisa?
- Desculpe, não queríamos ser atrevidos, mas cheirava tão bem. - explica um mais crescidinho
- É. Não resistimos! - acrescenta outro
- Mas estávamos a tentar ver o que estava a cheirar tão bem. - diz outro
O Sr. dá uma gargalhada:
- Não precisavam de espreitar. Bastava baterem à porta. Entrem para ver o que cheira bem.
- Não queremos invadir a sua casa, nem atrapalhá-lo. - comenta outro
- Não, não tem problema. Entrem, vamos conversar um bocado.
O Sr. abre a porta, dá um aperto de mão a cada criança.
- Bem-vindos à minha casa...
Mostra a casa toda, e conversa com os pequenos, depois leva-os para a cozinha, cheia de farinha, fermento, pedaços de massa, o forno a trabalhar, e o rádio.
Um bolo de chocolate crescia no forno, e o Sr. conta a sua vida, o seu trabalho, mas sempre a trabalhar, a amassar, a fazer bolinhas de pão, a mexer as sopas no fogão, a deitar farinha e fermento, sementes e sal. Falou da sua esposa, do seu trabalho, dos filhos, dos netos. As crianças estavam boquiabertas e maravilhadas com o senhor.
- Querem experimentar fazer a massa, e as bolinhas de pão? - sugere o sr.
- Sim. - respondem em coro
Eles seguem atentamente o que o Sr. faz e diz, repetem tudo, e fazem várias bolinhas de pão enquanto o Sr. trata das sopas, e conversam alegremente uns com os outros. Há muita gargalhada, e trabalho.
- Muito bem! Agora... vai sair do forno o que cheira tão bem. Sentem-se! - Diz o senhor
Estão todos em pulgas para saber o que é. O Sr. abre o forno e tira de lá um grande bolo de chocolate. Os olhos das crianças quase saltam de órbita ao ver um bolo com tanto chocolate a acabar de fazer, e os olhos brilham.
- Huuuuummmmm... - dizem todos, a lamber a boca
- Vamos experimentar. - convida o Sr.
Corta uma fatia para cada um.
- Provem, e se quiserem podem comer mais.
Enquanto as crianças se deliciam com o bolo de chocolate, o Sr. mete as bolinhas do pão, e desliga as sopas. Pega numas caixinhas e oferece sopas diferentes a cada menino, perguntando quantos eram em cada casa.
As crianças agradecem, e vão para casa encantados com aquela experiência e com o Sr. As sopas não podiam estar melhores, e os pais vão agradecer pessoalmente a casa do Sr. A partir desse dia, os habitantes foram buscar sopas, e às vezes pão, bolos, flores, para o ajudar. As crianças também iam fazer-lhe companhia, ajudá-lo a fazer massa de pão, e às vezes como recompensa levavam um pedacinho de bolo.
Afinal, aquele cheirinho diferente dos que eles já conheciam, era a bolo.
E vocês, que cheiros sentem à vossa volta? Sabem de onde vem?
Podem escrevê-los aqui, se quiserem....
FIM
Lara Rocha
27/Maio/2021
sexta-feira, 16 de abril de 2021
A bola no rio, o cão e os patos
Era uma vez uma bola de futebol, que pertencia a uma criança que a perdeu no rio, como não podia ir lá buscá-la, era perigoso, deixou-a ficar muito triste. A bola, igualmente triste, andou por cima da água, vários quilómetros a tentar sair de lá.
Pediu ajuda aos sapos e rãs, perguntando-lhes onde havia saída, mas estes só conheciam saídas para esgotos, e claro que a bola não queria ir para um esgoto, porque só o cheiro que já pairava à entrada, era nojento. Ele não percebia como é que haviam animais a viver naquele espaço.
Ratazanas ainda tentaram tirá-la de lá, mas só conseguiam chutá-la, a pôr-se em cima dela e a deixar-se rolar. Estavam mais divertidos do que em qualquer labirinto, ainda mais a e vê-la rolar de uns para os outros, como se fosse um jogo de futebol.
A bola não gostou nada daquelas criaturas, e fez de tudo para fugir a sete roladas, ou menos, felizmente conseguiu. Rolou na água tão rápido quanto pôde, foi parar a uma cascatinha feita de rochas por onde a água passava a correr.
Respirou de alívio, e deixou-se ficar naquele sítio, a ouvir o som da água com o baloiço. Olhou em volta, não havia saída. Só água, pequenas cascatinhas. O sol fazia brilhar a água, o que tornava aquele espaço especial.
- Que lindo! O que será que brilha tanto? - suspira a bola
Foi ao ritmo mais lento da água, a olhar para todo o lado, o brilho parecia mudar de sítio, à medida que ele avançava, tanto era estreito, como começava a alargar e apanhava o rio todo! Pensou que eram pedras preciosas, mas pelo caminho não viu nenhuma, só viu o misterioso e belíssimo brilho na água.
E de repente, do lado de fora, na margem, ouviu um cão a ladrar que estava a ver a bola. Era um cão de água, que ladrava sem parar, ao ver a bola a rolar na água. Saltou disparado da margem para a parte mais baixa do rio, onde estava a bola, abocanhou-a, e esta ficou muito assustada. O dono do cão chamou-se, e ele voltou à margem com parte da bola na boca.
- Tu e as bolas...larga isso! - ralha o dono
Mas o cão não largou, e começou a brincar com a bola. O dono achou engraçada, e começaram os três a brincar. O dono atirava a bola e perdia-se de riso ao ver o cão a correr completamente louco atrás da bola, quase sem parar à beira de bola.
Às vezes até parou mais à frente da bola, deu meia volta, e voltou a correr para abocanhar a bola. O dono ria à gargalhada, e a bola também, filmou e fotografou, depois entraram os três na brincadeira. A bola ladrava como o cão, os dois pareciam conversar e entender-se muito bem.
O dono ria e atirava a bola, o cão abocanhava a bola, rolava no chão com ela na boca, chutava-a com a pata, ela deixa-se ir na brincadeira, às vezes fugia de propósito para a relva, onde o cão se sacudia, e voltava a esfregar-se na terra, com a bola na boca.
Depois de tanta brincadeira, como era um cão de água, ele e a bola entraram no rio para tomar banho, brincaram na água, como dois patinhos, o dono apreciava deliciado. E não é que aparecem mesmo 6 patos bravos que nadam loucos de medo, de forma desordenada, o cão a ladrar sem parar, a bola a ladrar e a grasnar como os patos, dividida entre o cão e os patos.
Os patos ficaram desorientados com o medo do cão que corria atrás deles, nadavam em círculo, para um lado e para o outro, deslizavam, chocavam uns com os outros, quanto mais eles tentavam fugir, mais o cão os perseguia a tentar agarrar.
O dono ria sem parar, até que gritou para ele sair, e deixar os patos em paz. O cão obedeceu, mas esqueceu-se da bola e seguiu caminho com o dono. A bola ficou com os patos, que a rodearam, depois do susto.
- Maldito animal...- grita um pato
- Vai-te embora! Deixa-nos sossegados! - grita outro pato
- Nunca outra nos aconteceu, um cão dentro de água a tentar apanhar-nos! - diz outro pato zangado
- Francamente! - respondem os outros
- E tu, quem és? - pergunta um pato à bola
- Sou uma bola. Eu pertencia a outro menino, que me atirou para aqui, como era perigoso não me veio buscar. Depois encontrei este cão, estive a brincar com ele, pensei que me ia levar mas afinal deixou-me aqui.
- Óh, que história triste, pobre bola. - lamenta um pato
- Agora tens-nos a nós.
- O que fazes?
A bola e os patos têm uma longa conversa, enquanto passeiam ao sabor da água. A bola perguntou aos patos, o que brilhava tanto, quis saber porque apareciam só alguns brilhantes na água, outras vezes apanhava o rio todo, quando na verdade, pelo caminho nunca tinha visto nenhum brilhante, mas era tão bonito!
Os patos explicaram-lhe que era o sol que refletia na água, mas não existiam mesmo brilhantes. Eles pensaram o mesmo, quando viram a primeira vez, mas ouviram várias pessoas a dizer que era efeito do sol. Concordaram que também adoravam ver aquele brilho todo, e andar sossegados ao sabor da água.
Chegada a hora de recolher, os patos bravos vão para a sua casa, e levam a bola, deixando-a num sítio bem seguro, um ninho que construíram de propósito para a bola, junto deles, bem confortável e aconchegante com penas, palha, e erva.
No dia seguinte, os patos brincam com a bola, tão divertidos como o cão, que não voltou a ir buscar a bola, porque esta escondia-se, no meio dos patos, e o menino também nunca mais o viu, mas ganhou a sua nova família, os patos, que a tratavam tão bem.
E vocês, já viram bolas no rio?
Acham que elas encontraram amigos, procuraram a saída ou ficaram lá?
FIM
Lara Rocha
16/4/2021
domingo, 20 de setembro de 2020
As árvores e os balões
Era uma vez um jardim de uma cidade, que parecia igual aos outros, com árvores enormes, umas mais frondosas do que outras, e todas estavam imóveis, aparentemente! Sim, aparentemente imóveis, porque quando não havia ninguém nas ruas, e reinava o silêncio da noite, estas árvores divertiam-se a jogar aos balões.
Isso mesmo! Todos os dias, algumas crianças deixavam fugir balões, para grande tristeza delas, que voavam das suas pequeninas mãos, ou dos vendedores, e repousavam nos ramos das árvores, lá em cima, onde não se conseguia chegar.
Uma das árvores, que era mais sensível, quando os balões chegavam aos seus ramos, desprendia-os, sacudindo-se, ou com a ajuda de outros ramos mais fininhos, e devolvia o balão ao pequenito.
Mas nem todas faziam o mesmo, porque também elas adoravam balões e faziam verdadeiros torneios com equipas, entre si. Atiravam vários balões ao mesmo tempo, umas para as outras.
Um mocho era o árbitro, e juiz de ar. Dava-se ao trabalho de contar quantas vezes os balões não tocavam em nenhuma árvore, e se saíssem fora daquele espaço onde estavam, ou furassem balões de propósito por estarem zangadas, era-lhes mostrada uma pequena lâmpada vermelha que alguém tinha deixado no parque.
As árvores divertiam-se muito, riam, partilhavam os balões, mas também se zangavam, discutiam, ralhavam umas com as outras quando não corria como esperavam. O mocho não admitia que chamassem nomes feios, e castigava se houvesse lutas entre elas.
Por cada jogo, somavam pontos e ganhavam elogios. No fim de cada jogo tinham de trocar abraços, encostando e entrelaçando os ramos mais finos, agitando as folhas com as outras equipas, e o mocho seguia com os seus olhos, cada movimento, cada troca de abraço.
De vez em quando, faziam campeonatos de jogos de balões, que voavam sem parar, de forma desorganizada, violenta e apressada, com a ansiedade e vontade de todas ganharem. O mocho ficava nervoso, e tonto dos olhos, mandava parar os jogos, obrigava-as a relaxar e a jogar com juízo, caso contrário ninguém se entendia e deixava de ser jogo.
Ficavam tão nervosas e entusiasmadas que nem ouviam o árbitro. Nessas alturas, recolhia todos os balões e lançava um forte piar, que quase parecia mais agudo do que os apitos. As árvores arrepiavam-se até à raiz, estremeciam e pareciam congelar.
Quando o mocho percebia que estavam mais calmas, dizia:
- Vamos voltar ao torneio, com juízo, se não, ficam todas sem pontos.
Mais calmas, voltavam a jogar divertidas, com os balões até ficarem completamente vazios. Ao nascer do sol, as árvores continuavam no mesmo sítio, e afinal...estes jogos de balões, aconteceram na imaginação de um menino que olhou para uma árvore cheia de balões entalados nos ramos, uns mais cheios, outros mais vazios.
Ficou muito curioso sobre o que aconteceria aos balões que fugiam. Para onde iriam? Será que as árvores também gostavam de balões, e de jogar com eles? E vocês? O que acham que acontece aos balões que fogem? Para onde irão? Serão atacados por aves? Ou voarão até se esvaziarem?
Podem deixar as vossas respostas nos comentários :)
FIM
Lálá
16/Setembro/2020
domingo, 4 de março de 2018
O castelinho na tua mão
Era uma vez uma menina que foi para a praia com a sua família, num dia quente de Verão, com muito sol.
Logo que pousaram as coisas na areia, a menina pediu aos pais para ir para a água, os pais deixaram porque havia muitas possas e o mar estava longe.
Foi a correr, e entrou devagar, primeiro molhou os pés, viu caranguejos pequeninos, estrelas-do-mar coladas nas rochas, e peixinhos.
Molhou as pernas até aos joelhos, e depois até à barriga, até que mergulhou mesmo. Nadou, e quando olha para o lado, vê um rapaz a construir alguma coisa na areia. Saiu da água, e foi ter com ele.
O rapaz sorri-lhe.
- Olá, estás sozinha, pequena? - pergunta ele
- Olá. Não, os meus pais estão lá em cima, ali...com as minhas tias. E tu?
- Eu estou sozinho.
- Como te chamas?
- Chamo-me João, e tu?
- Eu chamo-me Sofia.Onde estão os teus pais?
- Estão na minha casa. Ali.
- Porque é que eles não vieram para a praia?
- Porque não quiseram. Está muito calor.
- O que estás a fazer?
- Estou a brincar com a areia.
- Tu já és muito crescido, não podias brincar com a areia. Os crescidos não brincam.
- Achas?
- Acho.
- Não sei porque não podem brincar. Quem te disse isso?
- Todos os grandes dizem.
- Fazem mal, se não brincam. Eu sou crescido, mas brinco na mesma, e não tenho vergonha. Fico feliz por brincar.
- Eu também.
- Claro, todas as crianças gostam de brincar.
- Mas os crescidos, quando vamos à escola dizem que já não podemos brincar.
- Isso é mesmo injusto! Não te acredites neles.
- Não nos deixam brincar, é por isso que eu gosto mais dos dias em que não vou à escola, quando estou de férias, porque só nesses dias é que posso brincar. O que vais construir?
- Já vais ver.
O rapaz constrói um castelo em areia, e enquanto isso fala com a menina. No fim, ela solta uma grande exclamação:
- Áh! Que lindo.
- É um castelo de areia.
- Está maravilhoso.
- Obrigado.
- Como conseguiste fazer um castelo que parece quase verdadeiro, daqueles de princesas e príncipes, reis e rainhas...?
- Já construí muitos! Mas o mar lavou-o para longe.
- E tu não conseguiste segurá-lo?
- Não! Ele foi mais rápido.
- Nem te perguntou se podia levá-lo?
- Não!
- Óh, deves ter ficado triste!
- Não.
- Eu gostava de ter um castelo assim!
- Gostavas?
- Gostava, mas de certeza que não consigo construir um castelo assim.
- Porque não?
- Não sei.
- Então eu vou oferecer-te este!
A menina sorri.
- Como é que vais fazer isso? Não posso levar esse castelo assim.
- Este é um castelo mágico.
- É mágico? Porquê?
- Porque tu gostaste dele, e eu vou pô-lo na tua mão, para que possas levá-lo.
- Mas ele não se desfaz quando o puseres na minha mão?
- Não! Porque só tu vais vê-lo, e vais poder levá-lo para todo o lado que quiseres.
- A sério? Quem está lá?
- Isso não sei. Vais poder descobrir isso tudo...de certeza que vais encontrar no castelo muita gente Queres ver? Estende a mão.
O rapaz sopra para o castelo e este aparece na mão da menina, em tamanho pequeno.
- Áh! Tu fizeste magia...ele está aqui.
- Eu disse-te que era um castelo mágico.
- Que lindo! Mas, e agora como é que eu vou poder levá-lo para todo o lado? E como é que não vão vê-lo? Eu estou a vê-lo.
- Se lhe soprares ele desaparece, para poderes fazer tudo o que tens de fazer, e quando quiseres que ele aparece, olhas para a tua mão, pensas na palavra castelo, sopras e ele volta a aparecer.
- Mas como é que eu vejo quem vive lá?
- Podes pedir que o castelo aumente, para um tamanho que consigas entrar, e ver quem está lá.
- Áh! Que giro! Obrigada.
- Acho que vem aí alguém à tua procura.
- Óh, pois é. É a minha tia. Vou para ali...obrigada pelo castelo. Vejo-te por aqui outro dia.
- Sim, quem sabe! Diverte-te. E não te esqueças que o castelo está na tua mão. Não deixes de brincar, mesmo que os adultos não deixem, não lhes faças a vontade. Estuda, mas não te esqueças de brincar.
- Como é que eu faço isso? Eles estão sempre a tomar conta e a ver o que faço...
- Brinca quando eles não estiverem a ver. É para isso que serve esse castelo na tua mão.
- Está bem. Obrigada.
A pequena vai ter com a tia, brinca com ela, fala, ri, toma banho, mergulha, corre, enche-se de areia, e na hora mais perigosa vai para casa. No fim do almoço, vai para o seu quarto, está muito curiosa para saber quem vive no castelo da sua mão. Enquanto os adultos descansam, ela também se deita, mas olha para a sua mão, pensa na palavra castelo, sopra e ele aparece tão grande, como o espaço do seu quarto. Ela abre um grande sorriso. Bate à porta do castelo, e é recebida por simpáticos guardas, cheios de energia, sorridentes, com roupas coloridas e elegantes:
- Olá visitante, bem-vinda
Fazem uma vénia e estendem a mão à menina. Levam-na a passear pelo castelo, entre lindos jardins, floridos, flores de todas as cores, espécies, com chilreares diferentes, pássaros de muitas espécies e penas fantásticas, borboletas de muitos tamanhos, formas e cores. As princesas estão à janela, e a menina vai ter com elas.
- Olá! - Dizem as princesas
- Olá! - Diz a menina
- Anda ter connosco. - Convida uma princesa
- A vista daqui é maravilhosa! - Diz outra princesa
Os guardas acompanham a menina até às princesas, que oferecem um chá à menina, apresentam os reis, as rainhas, os príncipes, as outras princesas, e as divisórias do castelo. A menina fica encantada com o que vê. Ouve alguém a chamar, e diz:
- Óh...vou ter de ir embora, mas volto daqui a bocado, está bem?
- Sim, está bem. Nós estamos sempre aqui. Aparece!
- Até já!
- Até já!
A menina volta para o seu quarto, sorridente, sopra para o castelo e este desaparece. Mas afinal ninguém a tinha chamado. Então, volta a pensar no castelo e olha para a mão. O castelo aparece, e a menina conhece o resto do castelo. Depois desse dia, sempre que a menina queria ir ao castelo, este aparecia, e quando soprava, desaparecia. A menina não se esqueceu do que o rapaz da praia lhe disse, por isso, quando as aulas começaram depois das férias, ela já era muito amiga das princesas, brincava muito com elas, passeava pelo castelo, lanchava com elas, e elas também conheceram o quarto da menina. Viveram muitas aventuras e os adultos nunca descobriram que ela brincava às escondidas, porque eles não deixavam brincar.






