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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O boneco de neve medricas, e o boneco de neve friorento

  

 
  
  Era uma vez uma aldeia gelada, com casas e jardins, cobertos de neve, bonecos de neve, numa noite com um frio cortante. Um dos bonecos de neve sentia medo do escuro, e choramingava. 

       Os amigos ouviram chorinhos e perguntaram: 

- Estou a ouvir choramingar. - comenta um 

Quem está aí a choramingar? - pergunta outro 

        O boneco sentiu muita vergonha de dizer que era ele e calou-se. Ficaram em silêncio. Passado algum tempo, o boneco volta a choramingar. 

- Outra vez? - pergunta outro muito intrigado 

- É ele… - descobriu outro que estava ao lado 

- Quem? - pergunta outro 

- Este! - aponta o boneco 

- Ai, que vergonha (murmura). Para que é que disseste que era eu? - diz o boneco ofendido 

- Porque ouvi agora que és tu. Todos nós ficamos preocupados, ouvimos chorinhos, não sabíamos que eras tu. 

- Não sei porque tens vergonha! Todos nós choramingamos, ou choramos mesmo. 

- Está bem! Fui eu. - reconhece o boneco 

- E que se passa? 

- Que vergonha…! 

- Vergonha? - Perguntam todos surpresos 

- Porque tens vergonha? - pergunta outro boneco 

- Por estar a choramingar. - diz o boneco 

- E porque estás a choramingar? 

- Porque, porque...porque…

- Porque…? - Dizem em coro 

- Vá lá, diz lá! Estamos aqui todos. Podemos ajudar-te. 

- Porque tenho medo do escuro...ai...quero um buraco para me esconder! - diz o boneco, nervoso. 

Todos os bonecos dão umas belas gargalhadas. 

- Tens medo do escuro? - diz um a rir

- Porquê? - pergunta outro 

- Não sei. Está tão escuro! - comenta o boneco assustado 

- Mas há luzes...não está totalmente escuro! Olha para cima de ti, ali… A Lua! As estrelas, as luzes das casas…

- Estou de costas para as casas… 

- Mas consegues ver-nos. 

- Muito pouco, 

- Sabes que estamos muitos, aqui! 

- Acho que sim! 

- Então não viste, quem nos pôs aqui? 

- Sim, mas estava claro, Agora está escuro. 

- E depois? O escuro não te come! 

- Não tem nada de especial. 

- Porque tens medo? 

- Não sei. Parece tudo tão diferente...tão...grande! Cheio de sombras escuras. 

- Achas que são monstros, é? 

- Talvez! 

- Que maluquice não existe nada disso. 

- Se não estivesse escuro, não conseguias ver a Lua, e as estrelas....olha que bonitas que elas são! Uau! - diz um boneco 

- Nem estás sozinho. Olha quantos estamos aqui? As sombras que vês, somos nós. 

- Ai é? - pergunta o boneco envergonhado 

- Claro! - Dizem todos

        Os bonecos conversam com esse medricas, e riem, ele percebe que afinal não havia razão para sentir medo das sombras que viam, porque eram os seus amigos. 

        Mas outro boneco de neve, tremia como uma vara verde, estava capaz de se desmontar, e descongelar. Os amigos olham para ele, e o que era medroso comenta a rir: 

- Olhem, também está com medo, até treme! 

Todos riem: 

- Não...não estou a tremer de medo, estou a tremer de frio! - diz o boneco 

- Com frio? - perguntam todos a rir 

- Sim! - responde o boneco a tremer 

- Não pode ser....tu és de gelo! 

- E estás no gelo, como nós. - diz outro a rir 

- Pois, mas estou a sentir muito frio. Vocês estão bem vestidos, e agasalhados, mas eu não! 

- Bem, até aí tens razão, mas não era para sentires tanto frio. 

- Se calhar estás doente! - comenta outro a rir 

- Acho que não. - responde o boneco 

- Gostávamos de te ajudar, mas...não sei como! 

        Parece que uma criança que espreitava pela janela da sua sala, de uma das casas ouviu. Pediu aos Avós para irem com ela, levar roupa para aquele boneco de neve, que estava sem roupa, e não era justo estarem todos vestidos, menos ele. 

        Os Avós riram, e primeiro não queriam ir, mas a menina pediu à mãe, que riu à gargalhada com a preocupação da filha, mas pegou em roupas e disse que podia vesti-lo. 

        A criança sai da sala toda contente, aos saltinhos, de mão dada com a mãe e o pai, e vestem o boneco de neve, da cabeça até aos pés, ainda põem peças de roupa extra nos outros. 

        O boneco friorento suspirou de alívio, sorriu, e não cabia nele, de felicidade. Os outros também ficaram bem mais confortáveis e sorriram. 

- Olha Mamã, olha Papá, estão a sorrir! - diz a menina também a sorrir

        Os pais riem, e os bonecos de neve também, mas não são ouvidos. Que confortáveis. Os bonecos queriam agradecer, não sabiam como. Os pais tiram fotos: 

- Agora sim, estão mais quentinhos. Estava com pena deste, e não era justo, os outros todos vestidos e este não! Que bonitos. - comenta a menina a sorrir 

- Achas que eles sentem frio como tu? São de neve, nós é que gostamos de brincar e de os vestir, mas não acredito que sintam frio. 

- Eu estava a sentir frio..- comenta baixinho o boneco friorento 

        Todos riem.  

- Vamos para dentro, que está muito frio! - diz a mãe 

- Áh! Não sou só eu… - comenta o boneco friorento 

- Eles são pessoas, as pessoas sentem frio, nós não! - comenta um boneco 

- Obrigada, querida menina! - dizem todos os bonecos 

        A menina manda beijinhos aos bonecos, e eles sorriem. 

- Tão querida! - comentam os bonecos a rir 

        Os humanos voltam para casa, e os bonecos passam a noite divertidos, bem quentinhos. Ficam maravilhados a ver o nascer do sol, que começa a aparecer, o boneco medroso abre um sorriso de orelha a orelha, olha em volta: 

- Áh! Realmente são vocês… - ri - que bonitos! 

- Tu também estás. - dizem todos 

- Tanta Luz… uau! É pena não haver esta luz toda quando está escuro. 

- Olha, tudo a brilhar à nossa volta! - diz um boneco a sorrir 

- Que lindo! - dizem todos com um sorriso de orelha a orelha 

- Será que a menina espalhou brilhantes no chão? - pergunta o boneco friorento 

- Não, é o reflexo do sol na neve! - explica outro 

- É mágico! - diz o boneco friorento 

- Pois é. - concordam todos 

- Vamos dar uma volta por aí, enquanto a menina não aparece? - propõe um dos bonecos

- Vamos. 

- Mas é melhor deixarmos uma peça de roupa para sabermos onde estamos. - sugere um boneco

- Boa ideia! - concordam todos 

- Mas depois ficamos com frio! - diz o boneco friorento 

- Não...deixa aí o cinto, por exemplo, ou o chapéu. 

- Está bem. 

        Cada um deixa uma peça de roupa no lugar, e vão passear alegremente pela aldeia, sobre a neve, encantados com as gotas de orvalho e a neve penduradas nos pinheiros, nas ervas, os flocos nas janelas, nos telhados, nas flores, lagos e bancos, no chão. 

        Conversam uns com os outros, sorriem, riem, e voltam para o lugar, põem a peça de roupa que deixaram, e pouco depois aparece a menina, a espreitar. 
Logo que está pronta, vai brincar com eles. 

        Ainda ficam lá mais uns dias. O medricas perde o medo do escuro, aprendeu com os amigos, a olhar para outros sítios, as estrelas, a lua, e conversavam com ele. O friorento deixou de sentir frio. 

                                                                     FIM 
                                                              Lara Rocha 
                                                             01/01/2026 

E vocês? 
O que faziam, para ajudar o medricas e o friorento? 
Se tivessem no vosso jardim, bonecos de neve: um deles com medo do escuro, o outro friorento? 

Já fizeram bonecos de neve? Vestiram-nos? 

Podem deixar nos comentários, se quiserem. 

                                                               




 

quinta-feira, 27 de maio de 2021

O cheirinho

       



Foto de Lara Rocha  

       Era uma vez um senhor que vivia numa aldeia com mais habitantes. A sua esposa ia vender pão e bolos, legumes,  sopas caseiras de vários ingredientes diferentes, frutas e flores, enquanto ele ficava em casa de volta do forno a preparar os deliciosos bolos, pão, e sopa.  

        Da sua casa era possível sentir quase todos os dias uma mistura de cheirinhos muito agradáveis, de fazer crescer água na boca, mas os seus vizinhos não sabiam o que era, porque a sua esposa saía antes do sol nascer, e o senhor quase nunca o viam fora de casa. 

        Ouviam muitas vezes a assoviar, e a cantar acompanhado de um rádio, e falava com alguém, pensavam que seria consigo próprio, com o locutor da rádio, ou com algum animal que teria dentro de casa. O sr. tinha longas conversas...

        Um dia, umas crianças da aldeia, de várias idades, estavam a brincar ao ar livre e sentiram a mistura de cheiros. Mas entre esses cheiros havia um em particular que até lhes abriu o apetite, e para se distraírem da fome, cheios de curiosidade, não queriam invadir a casa, então, fizeram um jogo, em que cada um tentou adivinhar ao que pertenciam os cheiros. 

        Como conheciam os cheiros dos alimentos cozinhados, nas sopas, conseguiram acertar todos, mas aquele especial...huuummmm....era a bolos. 

        Não resistiram. Foram silenciosamente até à casa do vizinho, ficaram à porta, os cheiros tornaram-se mais fortes, e cada qual o mais apetitoso. 

        Espreitaram discretamente pela janela com cortinas, e perceberam que se mexia de um lado para o outro, ouviram a música, e o senhor a falar. 

       O sr. percebeu que estava a ser observado, e discretamente, abriu a janela. As crianças esconderam-se rapidamente, como puderam, para não serem apanhados, mas foram vistos e não repararam. 

       O sr. riu e fez de conta que não viu. Continuou o seu trabalho, as crianças voltaram a espreitar, e ele viu as sombras das cabecitas. Desta vez não tiveram tempo de se esconder, foram apanhados em cheio. 

- Oláááááá! - diz o Sr. simpático 

- Olá! - respondem todos mais vermelhos do que pimentos 

- Estavam a espreitar não era...? 

- Era! - respondem em coro 

- Precisam de alguma coisa? 

- Desculpe, não queríamos ser atrevidos, mas cheirava tão bem. - explica um mais crescidinho 

- É. Não resistimos! - acrescenta outro 

- Mas estávamos a tentar ver o que estava a cheirar tão bem. - diz outro 

            O Sr. dá uma gargalhada: 

- Não precisavam de espreitar. Bastava baterem à porta. Entrem para ver o que cheira bem. 

- Não queremos invadir a sua casa, nem atrapalhá-lo. - comenta outro 

- Não, não tem problema. Entrem, vamos conversar um bocado. 

O Sr. abre a porta, dá um aperto de mão a cada criança. 

- Bem-vindos à minha casa... 

           Mostra a casa toda, e conversa com os pequenos, depois leva-os para a cozinha, cheia de farinha, fermento, pedaços de massa, o forno a trabalhar, e o rádio. 

         Um bolo de chocolate crescia no forno, e o Sr. conta a sua vida, o seu trabalho, mas sempre a trabalhar, a amassar, a fazer bolinhas de pão, a mexer as sopas no fogão, a deitar farinha e fermento, sementes e sal. Falou da sua esposa, do seu trabalho, dos filhos, dos netos. As crianças estavam boquiabertas e maravilhadas com o senhor. 

- Querem experimentar fazer a massa, e as bolinhas de pão? - sugere o sr. 

- Sim. - respondem em coro 

           Eles seguem atentamente o que o Sr. faz e diz, repetem tudo, e fazem várias bolinhas de pão enquanto o Sr. trata das sopas, e conversam alegremente uns com os outros. Há muita gargalhada, e trabalho. 

- Muito bem! Agora... vai sair do forno o que cheira tão bem. Sentem-se! - Diz o senhor 

          Estão todos em pulgas para saber o que é. O Sr. abre o forno e tira de lá um grande bolo de chocolate. Os olhos das crianças quase saltam de órbita ao ver um bolo com tanto chocolate a acabar de fazer, e os olhos brilham. 

- Huuuuummmmm... - dizem todos, a lamber a boca

- Vamos experimentar. - convida o Sr. 

           Corta uma fatia para cada um. 

- Provem, e se quiserem podem comer mais. 

            Enquanto as crianças se deliciam com o bolo de chocolate, o Sr. mete as bolinhas do pão, e desliga as sopas. Pega numas caixinhas e oferece sopas diferentes a cada menino, perguntando quantos eram em cada casa. 

            As crianças agradecem, e vão para casa encantados com aquela experiência e com o Sr. As sopas não podiam estar melhores, e os pais vão agradecer pessoalmente a casa do Sr. A partir desse dia,  os habitantes foram buscar sopas, e às vezes pão, bolos, flores, para o ajudar. As crianças também iam fazer-lhe companhia, ajudá-lo a fazer massa de pão, e às vezes como recompensa levavam um pedacinho de bolo. 

Afinal, aquele cheirinho diferente dos que eles já conheciam, era a bolo. 

E vocês, que cheiros sentem à vossa volta? Sabem de onde vem? 

Podem escrevê-los aqui, se quiserem....


                                                                    FIM 

                                                                    Lara Rocha 

                                                                    27/Maio/2021

sexta-feira, 16 de abril de 2021

A bola no rio, o cão e os patos

      


Foto de Lara Rocha 

        Era uma vez uma bola de futebol, que pertencia a uma criança que a perdeu no rio, como não podia ir lá buscá-la, era perigoso, deixou-a ficar muito triste. A bola, igualmente triste, andou por cima da água, vários quilómetros a tentar sair de lá. 

        Pediu ajuda aos sapos e rãs, perguntando-lhes onde havia saída, mas estes só conheciam saídas para esgotos, e claro que a bola não queria ir para um esgoto, porque só o cheiro que já pairava à entrada, era nojento. Ele não percebia como é que haviam animais a viver naquele espaço. 

        Ratazanas ainda tentaram tirá-la de lá, mas só conseguiam chutá-la, a pôr-se em cima dela e a deixar-se rolar. Estavam mais divertidos do que em qualquer labirinto, ainda mais a e vê-la rolar de uns para os outros, como se fosse um jogo de futebol. 

        A bola não gostou nada daquelas criaturas, e fez de tudo para fugir a sete roladas, ou menos, felizmente conseguiu. Rolou na água tão rápido quanto pôde, foi parar a uma cascatinha feita de rochas por onde a água passava a correr. 

        Respirou de alívio, e deixou-se ficar naquele sítio, a ouvir o som da água com o baloiço. Olhou em volta, não havia saída. Só água, pequenas cascatinhas. O sol fazia brilhar a água, o que tornava aquele espaço especial. 

- Que lindo! O que será que brilha tanto? - suspira a bola 

        Foi ao ritmo mais lento da água, a olhar para todo o lado, o brilho parecia mudar de sítio, à medida que ele avançava, tanto era estreito, como começava a alargar e apanhava o rio todo! Pensou que eram pedras preciosas, mas pelo caminho não viu nenhuma, só viu o misterioso e belíssimo brilho na água. 

        E de repente, do lado de fora, na margem, ouviu um cão a ladrar que estava a ver a bola. Era um cão de água, que ladrava sem parar, ao ver a bola a rolar na água. Saltou disparado da margem para a parte mais baixa do rio, onde estava a bola, abocanhou-a, e esta ficou muito assustada. O dono do cão chamou-se, e ele voltou à margem com parte da bola na boca.

- Tu e as bolas...larga isso! - ralha o dono 

        Mas o cão não largou, e começou a brincar com a bola. O dono achou engraçada, e começaram os três a brincar. O dono atirava a bola e perdia-se de riso ao ver o cão a correr completamente louco atrás da bola, quase sem parar à beira de bola. 

        Às vezes até parou mais à frente da bola, deu meia volta, e voltou a correr para abocanhar a bola. O dono ria à gargalhada, e a bola também, filmou e fotografou, depois entraram os três na brincadeira. A bola ladrava como o cão, os dois pareciam conversar e entender-se muito bem. 

        O dono ria e atirava a bola, o cão abocanhava a bola, rolava no chão com ela na boca, chutava-a com a pata, ela deixa-se ir na brincadeira, às vezes fugia de propósito para a relva, onde o cão se sacudia, e voltava a esfregar-se na terra, com a bola na boca. 

        Depois de tanta brincadeira, como era um cão de água, ele e a bola entraram no rio para tomar banho, brincaram na água, como dois patinhos, o dono apreciava deliciado. E não é que aparecem mesmo 6 patos bravos que nadam loucos de medo, de forma desordenada, o cão a ladrar sem parar, a bola a ladrar e a grasnar como os patos, dividida entre o cão e os patos. 

        Os patos ficaram desorientados com o medo do cão que corria atrás deles, nadavam em círculo, para um lado e para o outro, deslizavam, chocavam uns com os outros, quanto mais eles tentavam fugir, mais o cão os perseguia a tentar agarrar. 

      O dono ria sem parar, até que gritou para ele  sair, e deixar os patos em paz. O cão obedeceu, mas esqueceu-se da bola e seguiu caminho com o dono. A bola ficou com os patos, que a rodearam, depois do susto. 

- Maldito animal...- grita um pato 

- Vai-te embora! Deixa-nos sossegados! - grita outro pato 

- Nunca outra nos aconteceu, um cão dentro de água a tentar apanhar-nos! - diz outro pato zangado 

- Francamente! - respondem os outros 

- E tu, quem és? - pergunta um pato à bola 

- Sou uma bola. Eu pertencia a outro menino, que me atirou para aqui, como era perigoso não me veio buscar. Depois encontrei este cão, estive a brincar com ele, pensei que me ia levar mas afinal deixou-me aqui. 

- Óh, que história triste, pobre bola. - lamenta um pato 

- Agora tens-nos a nós. 

- O que fazes? 

         A bola e os patos têm uma longa conversa, enquanto passeiam ao sabor da água. A bola perguntou aos patos, o que brilhava tanto, quis saber porque apareciam só alguns brilhantes na água, outras vezes apanhava o rio todo, quando na verdade, pelo caminho nunca tinha visto nenhum brilhante, mas era tão bonito! 

        Os patos explicaram-lhe que era o sol que refletia na água, mas não existiam mesmo brilhantes. Eles pensaram o mesmo, quando viram a primeira vez, mas ouviram várias pessoas a dizer que era efeito do sol. Concordaram que também adoravam ver aquele brilho todo, e andar sossegados ao sabor da água. 

       Chegada a hora de recolher, os patos bravos vão para a sua casa, e levam a bola, deixando-a num sítio bem seguro, um ninho que construíram de propósito para a bola, junto deles, bem confortável e aconchegante com penas, palha, e erva.  

        No dia seguinte, os patos brincam com a bola, tão divertidos como o cão, que não voltou a ir buscar a bola, porque esta escondia-se, no meio dos patos, e o menino também nunca mais o viu, mas ganhou a sua nova família, os patos, que a tratavam tão bem. 

E vocês, já viram bolas no rio? 

Acham que elas encontraram amigos, procuraram a saída ou ficaram lá? 

                                                                FIM 

                                                             Lara Rocha 

                                                             16/4/2021   

       

domingo, 20 de setembro de 2020

As árvores e os balões

         


       Era uma vez um jardim de uma cidade, que parecia igual aos outros, com árvores enormes, umas mais frondosas do que outras, e todas estavam imóveis, aparentemente! Sim, aparentemente imóveis, porque quando não havia ninguém nas ruas, e reinava o silêncio da noite, estas árvores divertiam-se a jogar aos balões. 

        Isso mesmo! Todos os dias, algumas crianças deixavam fugir balões, para grande tristeza delas, que voavam das suas pequeninas mãos, ou dos vendedores, e repousavam nos ramos das árvores, lá em cima, onde não se conseguia chegar.

        Uma das árvores, que era mais sensível, quando os balões chegavam aos seus ramos, desprendia-os, sacudindo-se, ou com a ajuda de outros ramos mais fininhos, e devolvia o balão ao pequenito. 

        Mas nem todas faziam o mesmo, porque também elas adoravam balões e faziam verdadeiros torneios com equipas, entre si. Atiravam vários balões ao mesmo tempo, umas para as outras. 

        Um mocho era o árbitro, e juiz de ar. Dava-se ao trabalho de contar quantas vezes os balões não tocavam em nenhuma árvore, e se saíssem fora daquele espaço onde estavam, ou furassem balões de propósito por estarem zangadas, era-lhes mostrada uma pequena lâmpada vermelha que alguém tinha deixado no parque. 

        As árvores divertiam-se muito, riam, partilhavam os balões, mas também se zangavam, discutiam, ralhavam umas com as outras quando não corria como esperavam. O mocho não admitia que chamassem nomes feios, e castigava se houvesse lutas entre elas. 

        Por cada jogo, somavam pontos e ganhavam elogios. No fim de cada jogo tinham de trocar abraços, encostando e entrelaçando os ramos mais finos, agitando as folhas com as outras equipas, e o mocho seguia com os seus olhos, cada movimento, cada troca de abraço.

        De vez em quando, faziam campeonatos de jogos de balões, que voavam sem parar, de forma desorganizada, violenta e apressada, com a ansiedade e vontade de todas ganharem. O mocho ficava nervoso, e tonto dos olhos, mandava parar os jogos, obrigava-as a relaxar e a jogar com juízo, caso contrário ninguém se entendia e deixava de ser jogo. 

        Ficavam tão nervosas e entusiasmadas que nem ouviam o árbitro. Nessas alturas,  recolhia todos os balões e lançava um forte piar, que quase parecia mais agudo do que os apitos. As árvores arrepiavam-se até à raiz, estremeciam e pareciam congelar. 

        Quando o mocho percebia que estavam mais calmas, dizia: 

- Vamos voltar ao torneio, com juízo, se não, ficam todas sem pontos. 

        Mais calmas, voltavam a jogar divertidas, com os balões até ficarem completamente vazios. Ao nascer do sol, as árvores continuavam no mesmo sítio, e afinal...estes jogos de balões, aconteceram na imaginação de um menino que olhou para uma árvore cheia de balões entalados nos ramos, uns mais cheios, outros mais vazios. 

        Ficou muito curioso sobre o que aconteceria aos balões que fugiam. Para onde iriam? Será que as árvores também gostavam de balões, e de jogar com eles? E vocês? O que acham que acontece aos balões que fogem? Para onde irão? Serão atacados por aves? Ou voarão até se esvaziarem? 

        Podem deixar as vossas respostas nos comentários :) 

                                                          FIM 

                                                          Lálá 

                                                   16/Setembro/2020

       

domingo, 4 de março de 2018

O castelinho na tua mão



         Era uma vez uma menina que foi para a praia com a sua família, num dia quente de Verão, com muito sol.
         Logo que pousaram as coisas na areia, a menina pediu aos pais para ir para a água, os pais deixaram porque havia muitas possas e o mar estava longe.
         Foi a correr, e entrou devagar, primeiro molhou os pés, viu caranguejos pequeninos, estrelas-do-mar coladas nas rochas, e peixinhos.
         Molhou as pernas até aos joelhos, e depois até à barriga, até que mergulhou mesmo. Nadou, e quando olha para o lado, vê um rapaz a construir alguma coisa na areia. Saiu da água, e foi ter com ele.
O rapaz sorri-lhe.
- Olá, estás sozinha, pequena? - pergunta ele
- Olá. Não, os meus pais estão lá em cima, ali...com as minhas tias. E tu?
- Eu estou sozinho.
- Como te chamas?
- Chamo-me João, e tu?
- Eu chamo-me Sofia.Onde estão os teus pais?
- Estão na minha casa. Ali.
- Porque é que eles não vieram para a praia?
- Porque não quiseram. Está muito calor.
- O que estás a fazer?
- Estou a brincar com a areia.
- Tu já és muito crescido, não podias brincar com a areia. Os crescidos não brincam.
- Achas?
- Acho.
- Não sei porque não podem brincar. Quem te disse isso?
- Todos os grandes dizem.
- Fazem mal, se não brincam. Eu sou crescido, mas brinco na mesma, e não tenho vergonha. Fico feliz por brincar.
- Eu também.
- Claro, todas as crianças gostam de brincar.
- Mas os crescidos, quando vamos à escola dizem que já não podemos brincar.
- Isso é mesmo injusto! Não te acredites neles.
- Não nos deixam brincar, é por isso que eu gosto mais dos dias em que não vou à escola, quando estou de férias, porque só nesses dias é que posso brincar. O que vais construir?
- Já vais ver.
            O rapaz constrói um castelo em areia, e enquanto isso fala com a menina. No fim, ela solta uma grande exclamação:
- Áh! Que lindo.
- É um castelo de areia.
- Está maravilhoso.
- Obrigado.
- Como conseguiste fazer um castelo que parece quase verdadeiro, daqueles de princesas e príncipes, reis e rainhas...?
- Já construí muitos! Mas o mar lavou-o para longe.
- E tu não conseguiste segurá-lo?
- Não! Ele foi mais rápido.
- Nem te perguntou se podia levá-lo?
- Não!
- Óh, deves ter ficado triste!
- Não.
- Eu gostava de ter um castelo assim!
- Gostavas?
- Gostava, mas de certeza que não consigo construir um castelo assim.
- Porque não?
- Não sei.
- Então eu vou oferecer-te este!
             A menina sorri.
- Como é que vais fazer isso? Não posso levar esse castelo assim.
- Este é um castelo mágico.
- É mágico? Porquê?
- Porque tu gostaste dele, e eu vou pô-lo na tua mão, para que possas levá-lo.
- Mas ele não se desfaz quando o puseres na minha mão?
- Não! Porque só tu vais vê-lo, e vais poder levá-lo para todo o lado que quiseres.
- A sério? Quem está lá?
- Isso não sei. Vais poder descobrir isso tudo...de certeza que vais encontrar no castelo muita gente Queres ver? Estende a mão.
            O rapaz sopra para o castelo e este aparece na mão da menina, em tamanho pequeno.
- Áh! Tu fizeste magia...ele está aqui.
- Eu disse-te que era um castelo mágico.
- Que lindo! Mas, e agora como é que eu vou poder levá-lo para todo o lado? E como é que não vão vê-lo? Eu estou a vê-lo.
- Se lhe soprares ele desaparece, para poderes fazer tudo o que tens de fazer, e quando quiseres que ele aparece, olhas para a tua mão, pensas na palavra castelo, sopras e ele volta a aparecer.
- Mas como é que eu vejo quem vive lá?
- Podes pedir que o castelo aumente, para um tamanho que consigas entrar, e ver quem está lá.
- Áh! Que giro! Obrigada.
- Acho que vem aí alguém à tua procura.
- Óh, pois é. É a minha tia. Vou para ali...obrigada pelo castelo. Vejo-te por aqui outro dia.
- Sim, quem sabe! Diverte-te. E não te esqueças que o castelo está na tua mão. Não deixes de brincar, mesmo que os adultos não deixem, não lhes faças a vontade. Estuda, mas não te esqueças de brincar.
- Como é que eu faço isso? Eles estão sempre a tomar conta e a ver o que faço...
- Brinca quando eles não estiverem a ver. É para isso que serve esse castelo na tua mão.
- Está bem. Obrigada.
              A pequena vai ter com a tia, brinca com ela, fala, ri, toma banho, mergulha, corre, enche-se de areia, e na hora mais perigosa vai para casa. No fim do almoço, vai para o seu quarto, está muito curiosa para saber quem vive no castelo da sua mão. Enquanto os adultos descansam, ela também se deita, mas olha para a sua mão, pensa na palavra castelo, sopra e ele aparece tão grande, como o espaço do seu quarto. Ela abre um grande sorriso. Bate à porta do castelo, e é recebida por simpáticos guardas, cheios de energia, sorridentes, com roupas coloridas e elegantes:
- Olá visitante, bem-vinda
             Fazem uma vénia e estendem a mão à menina. Levam-na a passear pelo castelo, entre lindos jardins, floridos, flores de todas as cores, espécies, com chilreares diferentes, pássaros de muitas espécies e penas fantásticas, borboletas de muitos tamanhos, formas e cores. As princesas estão à janela, e a menina vai ter com elas.
- Olá! - Dizem as princesas
- Olá! -  Diz a menina
- Anda ter connosco. - Convida uma princesa
- A vista daqui é maravilhosa! - Diz outra princesa
            Os guardas acompanham a menina até às princesas,  que oferecem um chá à menina, apresentam os reis, as rainhas, os príncipes, as outras princesas, e as divisórias do castelo. A menina fica encantada com o que vê. Ouve alguém a chamar, e diz:
- Óh...vou ter de ir embora, mas volto daqui a bocado, está bem?
- Sim, está bem. Nós estamos sempre aqui. Aparece!
- Até já!
- Até já!
             A menina volta para o seu quarto, sorridente, sopra para o castelo e este desaparece. Mas afinal ninguém a tinha chamado. Então, volta a pensar no castelo e olha para a mão. O castelo aparece, e a menina conhece o resto do castelo. Depois desse dia, sempre que a menina queria ir ao castelo, este aparecia, e quando soprava, desaparecia. A menina não se esqueceu do que o rapaz da praia lhe disse, por isso, quando as aulas começaram depois das férias, ela já era muito amiga das princesas, brincava muito com elas, passeava pelo castelo, lanchava com elas, e elas também conheceram o quarto da menina. Viveram muitas aventuras e os adultos nunca descobriram que ela brincava às escondidas, porque eles não deixavam brincar.
             E vocês também têm um castelinho na vossa mão? Como é esse castelo? Quem vive lá? 

FIM 
Lálá 
(4/Março/2018) 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O gato e o leão


Era uma vez um gatinho pequenino que de pequenino só tinha o tamanho porque era um grande pintor, muito simpático e adorava conversar com toda a gente, mas quem passava por ele achava-o estranho.
Ia sempre muito distraído, absorvido por cada pormenor da paisagem, encantado, parava, olhava, punha-se em várias posições, e em sítios diferentes para perceber se via da mesma maneira, desenhava com a patinha no ar, tudo o que via, sorria, abria e quase fechava os olhos, para guardar aquelas imagens tão bonitas, e saltitava de felicidade.
Quando chegava a casa, passava tudo o que tinha visto para papel: tanto escrevia palavras soltas, como fazia rascunhos de desenhos, imagens, sombras, desenhos pormenorizados, muito perfeitos, outros nem tanto, mas ele sabia bem o que eles significavam.
Depois brincava com as cores e as imagens, fazia montagens, misturava objetos, paisagens, animais em cenários diferentes, e criava ele próprio novas pinturas. Já tinha feito milhares de quadros lindos, que expunha e vendia todos os dias. Era muito apreciado e conhecido.
Um dia foi passear e ia tão distraído que sem dar por isso entrou na floresta onde viviam animais grandes, e alguns perigosos. Ele sabia que existiam, mas não sabia que estavam tão perto. Apareceu-lhe logo um leão que rugiu muito alto.
O gato deu um grande salto porque não contava com aquele animal tão grande à sua frente, a rugir e ainda por cima com uns dentarrões que impunham respeito, e aquele rugido que estremeceu, até fez vento. O gatinho escondeu-se para recuperar, e o leão ficou à espera dele.
- Eu sei que estás aí…ou sais a bem ou sais a mal. - Diz o leão
O gato ficou gelado, e respirou fundo, encheu-se de coragem e pergunta:
- Vais-me comer?
O leão ficou muito surpreso:
- O quê?
- Se eu aparecer comes-me?
- Que pergunta é essa, bicho?
- É uma pergunta válida…se eu aparecer, vou ser comido por esses dentarrões, certo?
- Huuummm… é isso que tu queres? – Pergunta o leão
- Não! Olha que eu vim na paz…entrei aqui por engano… mas, mas…vou-me já embora. – Responde o gato
- Espera! – Diz o leão
- O que foi?
- Aparece…eu não gosto de conversar com paredes…ou, neste caso…árvores…!
- Mas eu não quero ser engolido por ti…
- Não te vou engolir…só quero conversar um bocadinho…pode ser? – Pergunta o leão
- Está bem…posso mesmo confiar em ti?
- Podes. Se eu gostar de ti, não te como.
- Prometes?
- Prometo.
- De certeza que não é nenhuma armadilha tua?
- Não.
O gato aparece cheio de medo, o leão inclina-se sobre ele, e cheira-o. Quase aspira o gato, e dá uma gargalhada:
- Posso estar descansado…tu és do bem. – Diz o leão
- Sim, já te tinha dito que venho na paz.
- Gosto do teu cheiro! – Diz o leão
- Obrigado. – Diz o gato a sorrir
- Então…enganaste-te! E para onde ias? – Pergunta o leão
- É. Ia por ai, sem destino… é que eu sou pintor, e saio todos os dias à procura de inspiração. Hoje ia para outro sítio diferente, vi tanta coisa tão bonita pelo caminho que andei, andei, andei…e chegou a entrar na floresta.
- Hum…és pintor? E o que é isso?
O gato dá uma longa explicação, fala de todos os quadros que já pintou, das cores que usa, das coisas bonitas que vê pelo caminho, e o leão fica deliciado a ouvi-lo.
- Queres que te pinte? – Pergunta o gato
- Óh…tu farias isso? – Pergunta o leão a fazer-se de caro
- Sim. Se tu quiseres…
- Bom…achas que…sou um bom modelo? – Pergunta o leão vaidoso
- Com certeza! Eu admiro muito a tua força, o teu pêlo…
- Obrigado. Mas como me vais pintar? Queres fazê-lo agora? – Diz o leão a sorrir
- Sim, poderei fazê-lo agora se tiveres ai papel e algum material que dê para pintar…
- Sim, tenho…anda comigo.
E os dois vão à toca do leão, onde ele tem material de pintura. O leão põe-se numa pose confortável, e o gato olha-o fixamente, desenha-o primeiro com a pata no ar, põe-se em várias posições, o leão segue-lhe os movimentos:
- O que foi…bicho? Não estou bem assim? – Pergunta o leão
- Estás! – Responde o gato
- Falta-te alguma coisa? – Pergunta o leão
- Não. Está tudo bem. – Garante o gato
O leão ri-se:
- É que andas aí muito agitado, de um lado para o outro, olhas para mim, viras-te ao contrário, baixas-te, pões-te de pé…
- Estou a ver a tua melhor imagem, de que lado e em que posição ficas mais vistoso… quer dizer, já és vistoso, mas a que ficas melhor. – Explica o gato
- Encontraste? – Pergunta o leão
- Sim, vai ficar perfeito. – Garante o gato
E o gato respira fundo e faz a pintura do leão.
- Já está! Se não ficou perfeito vais-me comer? – Diz o gato
- Claro que não! Estará melhor do que eu próprio a fazer, com certeza.
- Já alguma vez experimentaste?
- Não. Já desenhei outras coisas, mas a mim próprio não.
E o gato vira o quadro. O leão abre a bocarra de espanto. O gato fica com medo.
- Então…? – Pergunta o gato a medo
- Mas como é possível? – Pergunta o leão muito surpreso
- Ui…o que é que isso quer dizer? – Pergunta o gato assustado
- Que maravilha…está perfeito! Parece mesmo a imagem que eu vejo no meu espelho todos os dias. Estou…sem palavras, bicho! Muitos parabéns…realmente és um grande artista. Adorei.
- Obrigado! Tu pareces assustador, és enorme, mas afinal és um bom animal…se não terias-me devorado. – Diz o gato a sorrir aliviado
O leão ri-se um pouco envergonhado:
- Acho difícil dizer como somos, sim, tenho este tamanho todo por fora, mas por dentro acho que sou assim, do teu tamanho. Entendes-me?
- Claro que sim, mas tu és muito corajoso. – Repara o gato
- Óh…isso é aparência…acho que me armo em forte, só para me defender, mas tenho medos, e nem sempre sou mau. Há animais mais fortes que eu.
- Tens medos? Nunca pensei…pensei que só metias medo… - diz o gato
- Não. O medo não tem nada a ver com tamanho. Todos temos medos. Tu também tens medos… e todos os animais que aqui vivem, têm medos…
- Sim, é verdade.
- A selva nem sempre é um lugar totalmente seguro, mas temos de estar atentos, e se virmos que há ameaças…temos de nos defender. O medo faz-nos estar mais despertos, e pode tornar-nos mais rápidos para fugirmos ou lutarmos.
- Áh, não sabia! E tu costumas fugir ou lutar, quando tens medo?
- Umas vezes fujo, outras vezes luto…depende do que aparece. E tu?
- Eu, quando tenho medo, geralmente fujo e escondo-me até a ameaça fugir!
- E que ameaças existem no lugar onde vives? 
- Muitas! Principalmente de duas patas…
- Áh, referes-te àqueles malditos que usam pistolas e umas coisas nos caminhos…
- Isso, que eles chamam de…carros…
- Não gosto deles! Desses sempre que posso luto, porque sei que eles têm medo de mim, mas eu também tenho medo deles, só que não mostro para me defender.
- Fazes tu muito bem…eles são mesmo perigosos.
- Tu também tens medo deles?
- Às vezes, porque eles são difíceis de conhecer…são maus uns com os outros, e com os animais.
- Pois.   
- As aparências iludem mesmo! Contigo fiquei surpreso. – Confessa o gato
- É verdade! (o leão sorri) A mim também me surpreendeste, pensei que ias fugir e quase fugiste, ou que ias lutar…
- Eu? Lutar contigo?
Os dois riem, conversam sobre os medos, lancham e conversam alegremente sobre vários assuntos. O leão diz a outros animais que tem um amigo pintor, mostra orgulhoso a pintura que ele fez, e muitos outros animais pedem para ele fazer o mesmo. Tornam-se grandes amigos, ensinam e aprendem um com o outro, e o gatinho passou a andar mais atento.
FIM
Lara Rocha 
(7/Fevereiro/2017)


segunda-feira, 18 de abril de 2016

As várias atividades da árvore

       
               Foto de Lara Rocha 
 
          Era uma vez uma árvore mágica muito sensível às energias boas e más das pessoas. Mudava o seu tamanho, a sua forma, as cores das suas folhas, mexia-se, abraçava e transformava-se em colo, em berço, em cadeira de encosto e em casa para quem precisasse.
        Quando alguém bom se aproximava dela, ela sorria, enchia-se de folhas que ficavam mais verdes e luminosas, às vezes o tronco ficava mais largo e ganhava novas formas, e quem se encostava a ela sentia-se bem.
          Se alguém estava mais triste ou solitária, a árvore transformava o seu tronco em banco onde a pessoa se sentava, e os seus ramos transformavam-se em braços que a envolviam, ouvia os desabafos, amparava e secava as suas lágrimas, e às vezes chorava com elas, mesmo antes da pessoa se aproximar, mas também tinha sempre palavras agradáveis e bonitas para dizer, consolar, até deixava cair flores no colo da pessoa, por isso ficava melhor.
     Se a árvore sentia que alguém mau se aproximava, umas vezes transformava-se em terra, em pó, em erva ou em cinzas, e voltava como árvore depois de a pessoa ir embora. Outras vezes deixava enormes e grossas raízes de fora da terra, para as pessoas que ela sentia como más ou perigosas não se aproximarem, caiam, e para proteger as outras árvores.
     Brincava com as crianças, e estava sempre atenta para que elas não se perdessem, nem ficassem sozinhas, divertia-se muito com elas, transformava-se em lindas figuras femininas, ou em fadas, e era tão criança como elas. Os pais pensavam que era da imaginação das crianças, porque quando olhavam, ela já estava em árvore outra vez.
    Se sentia que as pessoas estavam doentes, as suas folhas cheiravam a eucalipto e deixava que os passarinhos fizessem ninhos nos seus troncos e ramos…ela ficava deliciada a ouvir as melodias e cantos dos passarinhos, abrigava flores, animais e pessoas aos seus pés e debaixo das suas folhas.    
     À noite, a árvore dava luz, iluminava o parque todo, as outras árvores, e as pessoas que gostavam de passear no parque. Rodava e circulava com a sua luz forte por todo o lado, onde ela sentia energias…como se fosse um farol.
     Além de luz, a árvore ganhava muitas formas e tamanhos para se proteger, e proteger os outros sem darem por ela, descansar e renovar as suas energias, para se encher outra vez de força. 
      Umas vezes borboleta e voava ao sabor do vento, leve, outras vezes pássaros e aves grandes, quando queria ver mais de cima, ou subir aos montes e prédios da cidade, ou candeeiros, e sempre que queria ir à praia com vontade de se molhar no mar transformava-se em sereia, peixe, concha, búzio ou estrela-do-mar. 
      Outras vezes mocho, coruja, pirilampo, outras vezes lobo, flor, cigarra cantora que se juntava aos outros e cantava e dançava com eles, muito divertida, fada do lago para se juntar com as outras fadas do lago e participar nas suas grandes festas, cheias de música, cor, alegria, espetáculos, magia e amizade, e até transparente.   
      Muitas vezes à noite, a árvore dava grandes passeios e voltava sempre ao seu sítio, onde sonhava e era feliz. Era uma árvore realmente sensível, amiga, acolhedora, protetora e cuidadora, tinha muitas formas, nunca se sentia sozinha.

FIM
Lálá
(18/Abril/2016)