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domingo, 17 de maio de 2026

Os melrinhos

 


Era uma vez um parque na cidade, um espaço muito verde, onde circulavam pessoas a pé, de bicicletas, skates, a passear cães, a correr. Além de muitas árvores, frondosas, que faziam sombra, com bancos para as pessoas se sentarem a ler, a descansar, a meditar, a escrever, havia laguinhos artificiais com patos, passarinhos de várias espécies, tamanhos, borboletas e melros. 

    Era uma paz, passear nesse parque, e os melros cantavam, tanto no chão, aos saltinhos, perto das pessoas, na berma dos lagos, outras vezes, nas árvores. Em manhãs de Primavera, Verão e Outono, o silêncio era quebrado por grupos grandes de crianças, e jovens, que iam com monitores fazer atividades. 

    Nesses momentos, os pássaros chilreavam, faziam as delícias de quem os ouvia, mas esses grupos faziam muito barulho. Gritavam, falavam muito alto, corriam, batiam palmas, riam à gargalhada, as aves ficavam nervosas, tentavam chilrear mais alto, para serem ouvidos, sem sucesso. 

    Saltavam de ramo em ramo, a chilrear, pousavam mesmo à frente dos jovens para serem vistos e ouvidos, mas eram ignorados. Isso deixava-os irritados, principalmente os melros que costumavam cantar maravilhosamente bem, melodias com variações de sons, intensidades e ritmos. 

    Estavam mais habituados a ter mais silêncio, e a ser o centro das atenções com os seus cantos; mas quando os jovens se juntavam, ficavam muito zangados, agitados, nervosos. Porque tinham de cantar no dobro da altura, e em vez de ser um chilrear calmo, melodioso, era nervoso, alterado, agitado. 

    Até os seus saltinhos eram diferentes, de galho em galho,  e no chão. Uma mãe que estava com um bebé pequenino ao colo, sentada num banco, ficou intrigada com aquela agitação dos pássaros.

    Perguntou alto: 

- Porque será que os pássaros hoje estão tão nervosos? Até os melros estão diferentes. 

    Um melrinho ficou deliciado ao ver aquela cena ternurenta da mãe, com o bebé tão pequenino, que parou aos seus pés a olhar para ela. 

- Olá! - disse a mãe

    O melrinho gira a cabecinha, a contemplar aquela beleza. 

- Olá, que linda que és! Que espécie de ave és? 

    A mãe ri e responde: 

- Obrigada, não sou uma ave, sou uma pessoa, um ser humano. 

- Áh! Desculpa, pensei que eras uma ave. E essa...cria...quer dizer...esse ser tão pequenino que tens no colo? É um animal?

    A mãe ri e responde: 

- Também não é um animal, é um bebé. Meu filho! 

- Áh! Que lindo! 

- Obrigada. 

- Ele canta? - pergunta o melro 

- Não, daqui a uns anos, poderá cantar, mas primeiro tem de falar. E pode não cantar tão bem como tu. 

- Óh! Que honra, muito obrigado. Ou...poderá cantar melhor, nunca se sabe! - diz o melro 

- Pois, quer dizer...vai cantar, se cantar, diferente de ti. 

- Sim. 

- Adoramos ouvir-te, mas hoje parecem muito agitados. - diz a mãe 

- Sim, hoje realmente estamos diferentes! Nervosos. Com vontade de de correr aquelas criaturas, que estão ali ao molho, com os outros grandes, a guinchar, a gritar, aos saltos, a correr, e ignoram-nos! Fazem um barulho infernal. E não nos ouvem! Paramos em frente a eles, a cantar, e eles nem olham para nós. Estão capazes de nos esmagar, ou correr à sapatada. Nós não gostamos daquele barulho. Detestamos quando o nosso espaço é invadido por barulhos como estes. Fazem mais barulho que um bando de...pássaros todos juntos. 

- Áh! Percebo. São grupos de jovens, crianças e adolescentes com os adultos a fazer atividades. Tens razão, Mas podes cantar na mesma! 

- Não conseguimos! Com este barulho, o nosso canto, fica alterado. 

- Pois! Isso já tinha reparado. Mas canta só para nós os dois, por favor! Nós não te irritamos, pois não? 

- Claro que não! Está bem, vou tentar. 

    O melro começa a cantar para a mãe do bebé melodiosamente, calmo, como costuma, a dobrar, a mãe parece percebê-lo, e sorri encantada. O bebé também sorri. Outros melros, ouvem o amigo a cantar para aquela mãe, sorriem, e juntam-se ao melro: 

- Podemos? - pergunta outro melro 

- Óh! Claro que sim. Por favor! 

  Meia dúzia de melros cantam em coro, abrem as asas, olham uns para os outros, como se estivessem num diálogo musical ou a dramatizar. Umas vezes cantam sozinhos, outras vezes os outros acompanham. 

  A mãe está maravilhada com aquele quase concerto musical para ela e para o bebé. Sorri, aplaude, os melros inclinam as cabecinhas, e abrem as asas, como se estivessem a fazer uma vénia. 

- Tão bonito! Muito obrigada. - diz a mãe a sorrir 

- De nada! Muito obrigado, nós. - responde o melro 

- Adoramos cantar para vocês! - diz outro melro 

- Obrigada. - sorri a mãe 

- Obrigado por nos ouvirem! - diz outro melro 

- É maravilhoso ouvir-vos! - diz a mãe 

- Esperamos que aqueles saiam rápido, com eles nunca conseguimos cantar na nossa perfeição! 

- murmura outro melro 

- Mas cantaram de forma perfeita, agora! - diz a mãe 

- Obrigado! - dizem todos 

- Sabemos que há pessoas que gostam de nos ouvir cantar, e nós sentimo-nos vaidosos, orgulhosos por gostarem de nos ouvir. - diz um melro 

- E com toda a razão! O vosso canto é maravilhoso, quase consigo imaginar que estão a dialogar ou a fazer alguma peça de teatro, a cantar ao desafio...é muito gito! - diz a mãe 

- E estamos! - respondem todos a sorrir 

- Vamos deixar-vos, com um até já. Precisamos de ir ao um dos laguinhos beber. - diz outro melro

- Claro! Com certeza. À vontade, mas voltam, está bem? Se não for hoje, outros dias estaremos aqui. - pede a mãe 

- Está bem, voltaremos, claro que sim! - diz outro melro 

- Daqui a pouco vamos para casa, mas voltamos nos próximos dias, o meu bebé também adora ouvir-vos. Gosto muito de estar aqui. - diz a mãe 

- Também estaremos aqui! - garante o melro 

- Andamos sempre por aqui. Obrigado por nos ajudarem a acalmar - diz outro melro 

- Ora essa. Igualmente. 

- Até logo! E não deixem de cantar, talvez daqui a pouco, os jovens vão embora e regressa o sossego para vocês. - lembra a mãe 

- É verdade! Oxalá que sim. Não gostamos que o nosso espaço seja invadido por barulho. - confessa outro melro 

- Claro, compreendo-vos! Eu também não gosto de muito barulho. Divirtam-se! Existem cantos do parque sossegados. - diz a mãe 

- Sim, vamos procurá-los. Obrigado, Até breve! - diz outro melro 

- Vemo-nos por aqui. 

    A mãe sai com o bebé, e os melros, orgulhosos, por poderem cantar as suas melodias com calma, harmoniosas, lindas, para alguém que os queria ouvir. Os sorrisos da mãe e do bebé, e as palmas para eles, foram a compensação. 

    Nos dias seguintes, os melros continuam a visitar a mãe e a cantar para quem os queria ouvir, mesmo na cidade, a receber aplausos, mesmo irritados quando há mais barulho do que o habitual, procuram sítios sossegados, para não ficarem nervosos. 

                                                                      FIM 

                                                                   Lara Rocha 

                                                                (17/Maio/2026) 

    E vocês, já ouviram melros a cantar? 

    Gostaram? Ou gostam de os ouvir? Onde? 

    Acham que eles conversam uns com os outros, quando os ouvem? Conseguem imaginar o que dirão? Podem deixar nos comentários, se quiserem. 

    Se nunca os ouviram, oiçam-nos, onde puderem, porque vale a pena! :) 

       

        


segunda-feira, 4 de maio de 2026

A lenda da Giralua


     Era uma vez uma linda égua, jovem, rejeitada e gozada pelas outras, por causa da sua cor de pelo ser igual à Lua, e pelo seu nome, Giralua: 

- És tão feia! Não sei como te chamam Giralua. A Lua é bonita, tu não tens nada de bonito! - comentava um cavalo. 

- Eu tinha vergonha de andar por aí a desfilar com essa cor. - dizia uma coelha com risinhos 

- Eu pintava logo o pelo, de outra cor! Que horror. - comenta um ouriço cacheiro 

- Parece uma anémica! - repara um pássaro cheio de cores

- Até é uma ofensa para a Lua que está lá em cima, saber que tem uma égua tão feia com uma parte do nome dela! - ri um canguru 

- Feiosa! Não tem ar de égua, sequer. Parece uma coisa deslavada. 

- É! Um pedaço de tecido tingido por lixivia ou estragado. - comenta uma cegonha 

    Ela não respondia, mas ficava triste e com vergonha de si mesma, mas toda a sua família era assim, era genético. As outras éguas e cavalos não a chamavam para brincar. Quando ela se aproximava, escorraçavam-na, gritavam-lhe, davam-lhe coices. 

- Sai daqui, óh criatura estranha! - diz uma égua castanha 

- Porque é que eu sou criatura estranha? - pergunta a égua Giralua 

- Porque tens o pelo dessa cor! 

- E depois? Vocês também não têm todos, nem todas as mesmas cores de pelos. Sou uma égua como vocês. 

- Não podes ser uma égua como nós, nenhuma de nós é feia, com o pelo dessa cor. 

- Ainda por cima, com esse nome!

- Parece que vens de outro planeta. 

- O meu pelo é assim, é genético. Toda a minha família é assim! - explica Giralua 

    As éguas e cavalos desatam a relinchar e a gritar, a correr assustados. 

- Uma doença....ááááhhhh.... sai daqui! - gritam todos 

- Não é nenhuma doença! É um sinal de toda a família, como vocês têm! São mais parecidos com o vosso pai, ou com a vossa mãe, têm coisas da vossa mãe, e coisas do vosso pai. Isso é que é genético. Não é nenhuma doença, muito menos contagiosa.

    Todos param a olhar para ela. 

- Não é contagiosa?

- Claro que não. Nem sequer é doença. 

- Tens a certeza? 

- Perguntem aos vossos pais. Há mais como eu! Como vocês. 

- Há? 

- Há! Noutras aldeias, e montes.

- É a única diferença de vocês, na cor do pelo! Todos os animais têm cores de pelos diferentes, dependendo da espécie, verdade? 

- Sim! - dizem todos pensativos 

- Uns são mais parecidos do que outros. 

- É! - dizem todos 

- Porque te chamas Giralua? 

- Porque os meus pais disseram que quando eu nasci, a Lua girou, mudou! E foi uma homenagem a ela! É tão bonita. Os meus pais adoram a Lua, e eu também. Como temos esta cor de pelo, deram esse nome. 

- Ááááhhh! - exclamam todos

    Olham para ela. 

- Sou igual a vocês, nos sentimentos, nas emoções, nos medos, nas alegrias, sonhos. Adoro companhia como vocês, correr e alimentar-me como vocês. 

- Ááááááhhhh….! - exclamam todos 

- Não sei porque me insultam, e porque fogem de mim, só porque eu tenho este pelo, que não é nada demais. Só muda a cor, diferente do vosso! Se a Lua é bonita, porque é que eu, tenho as cores parecidas com as dela, sou feia? 

    Faz-se silêncio. 

- Não dizem nada? Não são obrigados, mas gostava de saber! 

    Vira costas, e todos gritam: 

- Espera! 

    Vira-se para ela: 

- Sim? 

- Desculpa! - dizem em coro 

- Olhando bem para ti, és mesmo parecida connosco e com as cores da Lua. - diz uma égua 

- Pois! E nós, olhando uns para os outros, também somos todos diferentes! - acrescenta um cavalo 

- É verdade! - respondem em coro 

- Olha que nunca tínhamos pensado nisto! - diz outra égua 

- Pois não! - dizem todos 

- Mas tens toda a razão! És igual a nós, em tudo o que disseste, fazes tudo o o que nós fazemos, só muda a cor do pelo, mas isso...é só uma diferença! Na verdade, nem sabemos bem como és. - reconhece outro cavalo

- E magoamos-te, de certeza, ao dizermos que eras feia, não foi? 

- Foi! - confirma a Giralua

- O teu nome...pensando bem, até é bonito! Realmente, a Lua gira! 

- Pois é! - confirmam todos

- Desculpa-nos! Mostra-nos como és. Anda, junta-te a nós! 

    Giralua salta de alegria, a rir: 

- Obrigada. Só quero que respeitem a minha diferença exterior. Verão - como eu sou por dentro! 

    Giralua é acolhida por todos, abraça todos, corre, salta, conversa com todos, riem às gargalhadas, uns com os outros, e percebem que se precipitaram a insultar, e a fugir da Giralua. 

    Todos ganharam uma amiga que nunca tinham descoberto, porque só viam a cor diferente do seu pelo. Mas perceberam rapidamente, como ela era amorosa, querida, simpática, meiga, divertida, fazia rir, e tinha um riso contagiante, brincava, estava sempre pronta para dizer palavras simpáticas quando precisavam. 

    Conta a lenda que, aconteceu uma onda de calor, com um ar irrespirável, como nunca tinha acontecido, incêndios à volta, parecia que tudo ia derreter, incluindo os cavalos, e toda a aldeia. 

    Todos estavam recolhidos e quase a sufocar. Giralua olha para a Lua, nima noite, como fazia muitas vezes, preocupada, e as lágrimas caem -lhe dos olhos. Queria ajudar, mas não podia! A Lua que sempre tomou conta dela, olhava para ela, via tudo, ouvia tudo, conhecia-a bem, era uma espécie de madrinha com quem ela desabafava. 

    Nessa noite, a Lua Cheia disse-lhe: 

- Giralua...cavalga por toda a aldeia, com toda a tua força que puderes. 

- Mas...mas...até eu parece que estou sem força...e vou correr? Acho que não consigo! Está tudo a derreter! O que é que o meu cavalgar vai fazer? 

- Querida, faz o que eu te digo, e verás! Eu estou aqui. Vai! É claro que consegues. 

    A Giralua muito intrigada, levanta-se, olha para a Lua. Começa a caminhar, e a Lua lança raios de luz azul para Giralua. Giralua sente uma força poderosa, e começa a galopar, cheia de energia, como se estivesse ligada a uma tomada. 

- Anda! Com confiança. 

    A Giralua faz o que a Lua Cheia manda, sem saber o porquê, e para quê! Essa força da Lua, fê-la cavalgar confiante, curiosa para ver o que ia acontecer. Quando começa a cavalgar, e a saltar, atrás de si, o chão vai-se transformando em gelo, fontes de água corrente à porta de cada casa, fresca, pura,. 

- Bom trabalho, Giralua. Continua! - diz a Lua 

    Giralua continua a cavalgar, a rodar, a saltar, cheia de energia, e do seu pelo azul saem rajadas de vento fresco. 

- Boa, Giralua! Continua. 

    Por onde a Giralua passa, tudo à sua volta torna-se mais fresco, como num dia de Primavera. Alguns animais e pessoas vão à janela, e sentem uma grande diferença na aragem, aquela frescura, veem Giralua a correr, e a saltar, as fontes nas casas, com água. 

- Quem pôs isto aqui? 

- Como é que isto apareceu aqui? 

- Ui, gelo no chão? 

- Mas o que é que está a acontecer? 

- Áh! Que delícia este fresco...e água à porta! 

- Giralua, que energia é essa? 

- Continua, Giralua! - diz a Lua 

    Giralua ouve os comentários, e está tão incrédula como os habitantes, que viram de quem se tratava, quem estava a fazer aquelas mudanças tão maravilhosas. 

- Agora, vai aos campos, Giralua! - diz a Lua 

    Giralua vai aos campos. Olha para a Lua: 

- E agora? Olha como isto está? Como estão os meus amigos! 

- Não faz mal. Eu sei, corre pelos campos. - diz a Lua

- Está bem! 

    Giralua corre pelos campos, regando a relva e a palha, refrescando o espaço, e pedaços de gelo espalhados pelo chão, com fontes de água para se refrescarem e beberem. 

    Arregalam os olhos, ao ver que era Giralua, e no que estava a acontecer. 

- Estamos a sonhar, ou isto está mesmo a acontecer? - pergunta um cavalo quase sem força 

- Está mesmo a acontecer! - responde Giralua

    Os cavalos e as éguas, levantam-se, refrescam-se nas fontes, bebem água fresca, deitam-se, rebolam no gelo e na relva fresca salpicada. 

- Áh! Que maravilha! - Suspiram os cavalos e as águas, felizes. 

- Que delícia de água! - repara uma égua 

- É mesmo! 

- Ela tem poderes. - comenta um cavalo 

- Parece que sim! - concordam todos, baixinho 

- Como é que ela está a fazer isto tudo? - pergunta outro, baixinho 

- Não sei! Mas é fantástico, mágico. Salvou-nos! - diz uma égua 

- Pois foi. - dizem todos 

- Muito obrigada, Giralua! - dizem todos 

- Salvaste-nos. 

    Quando olha, a Giralua estava com o pelo igual aos outros cavalos, e éguas. Branco! Os animais assustam-se: 

- Giralua...Giralua...Giralua... - chamam e olham  para todo o lado, assustados, preocupados 

- O que é que fizeste à nossa amiga? - pergunta um cavalo

- Estou aqui! - responde a própria 

- O teu pelo está igual ao nosso! - diz uma égua de pelo branco 

- A sério? - pergunta Giralua

- Sim! - dizem todos 

- És uma linda égua branca, como nós! 

- Eu disse que era igual a vocês, o que me tornava diferente, era a cor do pelo, mas não sei porque ficou branco, agora. - diz Giralua 

- Salvaste-nos, Giralua! - diz outra égua 

    A Giralua, olha para a Lua, a Lua sorri-lhe: 

- Bom trabalho, minha Giralua. Em breve voltarás a estar com o pelo azul. Este é o troco de tudo o que acabaste de fazer, pela tua bondade, pela égua que és. 

    Giralua sorri. 

- Gratidão, querida Lua. 

- Estou sempre aqui. - diz a Lua 

    Os cavalos e as éguas ainda estão em choque, mas felizes. Um por um, abraça a Giralua, agradecem e brincam com ela, andam por cima do gelo, riem, deitam-se, bebem água, e os habitantes fazem o mesmo, sem saber como tudo estava tão diferente, tão bom, e felizes, porque a onda de calor tinha passado. 

    A lenda diz que Giralua tinha poderes,  o seu pelo voltou a ser azul, mas muitas vezes, tornava-se branco, sempre que havia ondas de calor, ou necessidade de ajudar, com a Lua a fazer o resto. 

    Passou a ser uma égua linda, respeitada por todos, adorada e acarinhada. O que realmente tinha mudado, era a cor do pelo, mas a sua ligação à Lua, e o que ela tinha ensinado a quem a humilhou, gozou com o seu nome, e a cor do seu pelo, foi real, e ficou com todos, segundo a lenda. 

                                                                                              FIM 

                    Lara Rocha

                                                                                      3/Maio/2026