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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O gato e o leão


Era uma vez um gatinho pequenino que de pequenino só tinha o tamanho porque era um grande pintor, muito simpático e adorava conversar com toda a gente, mas quem passava por ele achava-o estranho.
Ia sempre muito distraído, absorvido por cada pormenor da paisagem, encantado, parava, olhava, punha-se em várias posições, e em sítios diferentes para perceber se via da mesma maneira, desenhava com a patinha no ar, tudo o que via, sorria, abria e quase fechava os olhos, para guardar aquelas imagens tão bonitas, e saltitava de felicidade.
Quando chegava a casa, passava tudo o que tinha visto para papel: tanto escrevia palavras soltas, como fazia rascunhos de desenhos, imagens, sombras, desenhos pormenorizados, muito perfeitos, outros nem tanto, mas ele sabia bem o que eles significavam.
Depois brincava com as cores e as imagens, fazia montagens, misturava objetos, paisagens, animais em cenários diferentes, e criava ele próprio novas pinturas. Já tinha feito milhares de quadros lindos, que expunha e vendia todos os dias. Era muito apreciado e conhecido.
Um dia foi passear e ia tão distraído que sem dar por isso entrou na floresta onde viviam animais grandes, e alguns perigosos. Ele sabia que existiam, mas não sabia que estavam tão perto. Apareceu-lhe logo um leão que rugiu muito alto.
O gato deu um grande salto porque não contava com aquele animal tão grande à sua frente, a rugir e ainda por cima com uns dentarrões que impunham respeito, e aquele rugido que estremeceu, até fez vento. O gatinho escondeu-se para recuperar, e o leão ficou à espera dele.
- Eu sei que estás aí…ou sais a bem ou sais a mal. - Diz o leão
O gato ficou gelado, e respirou fundo, encheu-se de coragem e pergunta:
- Vais-me comer?
O leão ficou muito surpreso:
- O quê?
- Se eu aparecer comes-me?
- Que pergunta é essa, bicho?
- É uma pergunta válida…se eu aparecer, vou ser comido por esses dentarrões, certo?
- Huuummm… é isso que tu queres? – Pergunta o leão
- Não! Olha que eu vim na paz…entrei aqui por engano… mas, mas…vou-me já embora. – Responde o gato
- Espera! – Diz o leão
- O que foi?
- Aparece…eu não gosto de conversar com paredes…ou, neste caso…árvores…!
- Mas eu não quero ser engolido por ti…
- Não te vou engolir…só quero conversar um bocadinho…pode ser? – Pergunta o leão
- Está bem…posso mesmo confiar em ti?
- Podes. Se eu gostar de ti, não te como.
- Prometes?
- Prometo.
- De certeza que não é nenhuma armadilha tua?
- Não.
O gato aparece cheio de medo, o leão inclina-se sobre ele, e cheira-o. Quase aspira o gato, e dá uma gargalhada:
- Posso estar descansado…tu és do bem. – Diz o leão
- Sim, já te tinha dito que venho na paz.
- Gosto do teu cheiro! – Diz o leão
- Obrigado. – Diz o gato a sorrir
- Então…enganaste-te! E para onde ias? – Pergunta o leão
- É. Ia por ai, sem destino… é que eu sou pintor, e saio todos os dias à procura de inspiração. Hoje ia para outro sítio diferente, vi tanta coisa tão bonita pelo caminho que andei, andei, andei…e chegou a entrar na floresta.
- Hum…és pintor? E o que é isso?
O gato dá uma longa explicação, fala de todos os quadros que já pintou, das cores que usa, das coisas bonitas que vê pelo caminho, e o leão fica deliciado a ouvi-lo.
- Queres que te pinte? – Pergunta o gato
- Óh…tu farias isso? – Pergunta o leão a fazer-se de caro
- Sim. Se tu quiseres…
- Bom…achas que…sou um bom modelo? – Pergunta o leão vaidoso
- Com certeza! Eu admiro muito a tua força, o teu pêlo…
- Obrigado. Mas como me vais pintar? Queres fazê-lo agora? – Diz o leão a sorrir
- Sim, poderei fazê-lo agora se tiveres ai papel e algum material que dê para pintar…
- Sim, tenho…anda comigo.
E os dois vão à toca do leão, onde ele tem material de pintura. O leão põe-se numa pose confortável, e o gato olha-o fixamente, desenha-o primeiro com a pata no ar, põe-se em várias posições, o leão segue-lhe os movimentos:
- O que foi…bicho? Não estou bem assim? – Pergunta o leão
- Estás! – Responde o gato
- Falta-te alguma coisa? – Pergunta o leão
- Não. Está tudo bem. – Garante o gato
O leão ri-se:
- É que andas aí muito agitado, de um lado para o outro, olhas para mim, viras-te ao contrário, baixas-te, pões-te de pé…
- Estou a ver a tua melhor imagem, de que lado e em que posição ficas mais vistoso… quer dizer, já és vistoso, mas a que ficas melhor. – Explica o gato
- Encontraste? – Pergunta o leão
- Sim, vai ficar perfeito. – Garante o gato
E o gato respira fundo e faz a pintura do leão.
- Já está! Se não ficou perfeito vais-me comer? – Diz o gato
- Claro que não! Estará melhor do que eu próprio a fazer, com certeza.
- Já alguma vez experimentaste?
- Não. Já desenhei outras coisas, mas a mim próprio não.
E o gato vira o quadro. O leão abre a bocarra de espanto. O gato fica com medo.
- Então…? – Pergunta o gato a medo
- Mas como é possível? – Pergunta o leão muito surpreso
- Ui…o que é que isso quer dizer? – Pergunta o gato assustado
- Que maravilha…está perfeito! Parece mesmo a imagem que eu vejo no meu espelho todos os dias. Estou…sem palavras, bicho! Muitos parabéns…realmente és um grande artista. Adorei.
- Obrigado! Tu pareces assustador, és enorme, mas afinal és um bom animal…se não terias-me devorado. – Diz o gato a sorrir aliviado
O leão ri-se um pouco envergonhado:
- Acho difícil dizer como somos, sim, tenho este tamanho todo por fora, mas por dentro acho que sou assim, do teu tamanho. Entendes-me?
- Claro que sim, mas tu és muito corajoso. – Repara o gato
- Óh…isso é aparência…acho que me armo em forte, só para me defender, mas tenho medos, e nem sempre sou mau. Há animais mais fortes que eu.
- Tens medos? Nunca pensei…pensei que só metias medo… - diz o gato
- Não. O medo não tem nada a ver com tamanho. Todos temos medos. Tu também tens medos… e todos os animais que aqui vivem, têm medos…
- Sim, é verdade.
- A selva nem sempre é um lugar totalmente seguro, mas temos de estar atentos, e se virmos que há ameaças…temos de nos defender. O medo faz-nos estar mais despertos, e pode tornar-nos mais rápidos para fugirmos ou lutarmos.
- Áh, não sabia! E tu costumas fugir ou lutar, quando tens medo?
- Umas vezes fujo, outras vezes luto…depende do que aparece. E tu?
- Eu, quando tenho medo, geralmente fujo e escondo-me até a ameaça fugir!
- E que ameaças existem no lugar onde vives? 
- Muitas! Principalmente de duas patas…
- Áh, referes-te àqueles malditos que usam pistolas e umas coisas nos caminhos…
- Isso, que eles chamam de…carros…
- Não gosto deles! Desses sempre que posso luto, porque sei que eles têm medo de mim, mas eu também tenho medo deles, só que não mostro para me defender.
- Fazes tu muito bem…eles são mesmo perigosos.
- Tu também tens medo deles?
- Às vezes, porque eles são difíceis de conhecer…são maus uns com os outros, e com os animais.
- Pois.   
- As aparências iludem mesmo! Contigo fiquei surpreso. – Confessa o gato
- É verdade! (o leão sorri) A mim também me surpreendeste, pensei que ias fugir e quase fugiste, ou que ias lutar…
- Eu? Lutar contigo?
Os dois riem, conversam sobre os medos, lancham e conversam alegremente sobre vários assuntos. O leão diz a outros animais que tem um amigo pintor, mostra orgulhoso a pintura que ele fez, e muitos outros animais pedem para ele fazer o mesmo. Tornam-se grandes amigos, ensinam e aprendem um com o outro, e o gatinho passou a andar mais atento.
FIM
Lara Rocha 
(7/Fevereiro/2017)


sexta-feira, 15 de abril de 2016

a descoberta do gato

         

 Era uma vez um gato que vivia numa casa com uma família muito numerosa. De entre os filhos do casal, havia um rapaz que adorava pintar e desenhar, e tinha muito jeito. O gato recebia mimos de toda a família mas tinha uma relação mais próxima e mais especial com o rapaz que pintava. 
         Os dois ficavam na varanda fechada, espaçosa e envidraçada, quente, e com lareira que às vezes estava acesa. O rapaz sentado em frente ás telas, umas atrás das outras, de volta das tintas, e ás vezes parado a olhar para elas, talvez em busca de inspiração, e mergulhado nas cores, nos seus sonhos, desejos, imaginação e fantasias, que punha nas telas.
       O gato circulava pela varanda, umas vezes dormitava, outras vezes estendia-se em cima das almofadas que estavam no chão, outras vezes senta-se num cadeirão e parecia o dono daquilo tudo, quando tinha mais frio, deitava-se nas mantas aos pés da lareira e dormia.
          Mas o que ele gostava realmente...era de ver o rapaz a pintar. Seguia todos os movimentos, ficava em suspenso, e a sua cabeça acompanhava os braços do pintor...isto fazia-o tentar imaginar o que ia sair dali, parecia que era o gato que estava a desenhar ou a pintar. Muitas vezes acertava! E ficava encantado...quase hipnotizado com a beleza dos quadros do seu amigo humano. Miava, enroscava-se nas pernas do rapaz, ele pegava no gato ao colo para ver melhor, e perguntava-lhe sempre o que achava. 
       O gato não usava palavras, mas apreciava e transmitia isso ao dono de outra maneira, que ele entendia muito bem. Era só elogios. O gato imaginava como seria bom pintar, pois o seu dono ficava feliz sempre que pintava...e tinha um enorme desejo de experimentar, para ver se era fácil ou difícil, se conseguia fazer coisas tão bonitas como ele. 
          Mas como é que ele ia fazer isso? Não podia falar... Nem de propósito, um dia, o rapaz atirou uma folha para o chão, num momento em que estava muito zangado, e também caíram pincéis,e tintas. O gato nem queria acreditar...e num impulso começou a experimentar, imitando todos os movimentos que tinha visto o seu dono a fazer enquanto pintava. 
         O rapaz ficou a apreciar...o gato estava tão absorvido na pintura com o seu dono, que nem reparou que estava a ser visto. Pintou uma bela gata, muito perfeita, parecia quase uma fotografia. O dono ficou espantado, aplaudiu-o, o gato ficou assustado e depois riu-se...miou, como que a pedir desculpa, mas o dono ficou deliciado, achou lindo, maravilhoso e perfeito. O gato tinha acabado de descobrir um novo talento e pôde perceber nesse momento, como é que o seu dono se sentia. Desde esse dia, o seu dono pintava em conjunto com o gato, e quando não estava inspirado, o gato inventava sempre alguma coisa nova...Mas que grande artista! Passado uns tempos, já tinham tantos quadros, que quase não tinham espaço para eles, então foram vendê-los para ajudar a família. Eram quadros tão especiais que desapareciam no mesmo dia, e porque havia pessoas que não acreditavam que tinha sido o gato a pintar, o dono punha-o a pintar diante das pessoas, tudo o que elas quisessem. Elas ficavam sem palavras...aplaudiam, tiravam fotografias, e pagavam os quadros. O dono e o gato não tiveram mais sossego, mas era algo que eles adoravam fazer, tinham esse dom, e ajudaram mesmo muito a família. Nem o gato sabia que tinha jeito para a pintura...foi uma descoberta mágica! 
E se vocês tivessem um gato pintor...ou um gato que aprendesse os vossos talentos? Será que ele aprender alguma coisa convosco, ou ensinar-vos alguma coisa? 
Nós também somos assim...às vezes só descobrimos os nossos talentos para certas coisas, sem estarmos á espera. Experimentamos e descobrimos...e com os nossos amigos também! Não é? Já aprenderam coisas novas com os vossos amigos? Quais? Coisas que não sabiam que gostavam, ou que tinham jeito? 

Fim 
Lálá 
(15/Abril/2016) 

domingo, 25 de outubro de 2015

O gato e o sol

      
                                                                        foto de Lara Rocha 

          Era uma vez uma gato vadio que adorava vaguear pela cidade, caminhar sem pressa pelos jardins, principalmente aqueles com vista privilegiada para o rio. Embora o vento fosse às vezes frio, ele também gostava muito de sentir os arrepios e ficar com o pelo espetado, com a aragem, e de levar com ele no focinho, porque arrastava perfumes deliciosos, que lhe abriam o apetite. e até o faziam sonhar...correr atrás de boa comida e encontrava! 
       Era um gato romântico e conquistador, solitário e sonhador, por isso, outra coisa que ele adorava fazer era vaguear pelos telhados, ver o pôr do sol, a lua, as estrelas e o nascer do sol. Não tinha sítio certo de dormir...umas vezes aterrava onde o cansaço lhe cotucava, ou quando o soninho chegava...tanto era nos jardins, debaixo de um banco, como nos telhados, nas soleiras das portas ou em carcaças de árvores, dentro de troncos. 
      Um dia o gato estava em cima de um telhado, de telhas quentes, que já conhecia muito bem, porque as pessoas davam - lhe mimos e comida, até tinham um ninho confortável para ele num anexo da casa, que era uma lavandaria. Em cima do telhado cheirava muito bem, pela chaminé...enquanto esperava para ver o que hoje lhe tocava jantar, olhou para o céu...procurou a lua e as estrelas, mas só viu muitas nuvens. 
       O cheiro da comida estava cada vez mais perto, e era cada vez melhor, tal como a sua fome. Desceu do telhado, e óh...que delicioso prato o esperava! A família deixou para ele à entrada da lavandaria, uma rica sopa forte, cheia de petiscos que ele adorava. Ficou consolado, e como comeu tudo...adormeceu pouco depois. Nesse dia já tinha andado muito, estava cansado.
      Acordou quase de manhã, o céu estava escuro, mas ele estava cheio de energia. decidiu subir ao telhado a ver se a luz tinha aparecido, ou se estava escondida. Estava bem visível...e cheia! À sua volta haviam estrelas, e uma pequenina claridade sobressaía no meio da escuridão. 
      Tudo silencioso...Mas num instante...começa a clarear o dia...a lua vai embora, as estrelas vão atrás dela, e o sol começa a aparecer devagarinho, envergonhado. O gato sorri...de repente, o sol transforma-se bum barco todo iluminado, onde vai a linda luz com as estrelas. O gato não acredita no que está a ver e solta uma grande exclamação. 
      Ele nunca tinha visto um barco assim...e o sol barco navega nas ondas, de todo o tipo: grossas e escuras, grandes e brancas, bem enroladas. Algumas vezes, o barco parece que desaparece...e volta a aparecer, outras vezes, aparece só um bocadinho do barco: 

- Óh não...será que o barco se afundou? Onde foi? Agora...parece que o barco está a arder...tem uma cor vermelha! (O gato fica inquieto...) E não se vê todo...O que aconteceu? A lua e as estrelas escaparam? Atiraram-se à água? Será que foi o vento? - Pergunta o gato e dos seus olhos até escaparam umas lágrimas. - Como é que eu vou viver aqui... sem o sol...a lua e as estrelas? - Lamenta o gato triste. 

          E desce do telhado, volta para o seu ninho.

- Eu gostava tanto da lua, do sol, e das estrelas...como é que o sol se transformou num barco? Será que foi só hoje? Ou já acontecia antes? Será que foi algum feitiço da lua? Óhhh... 

         E volta a dormir. Quando acorda vê muita claridade à sua frente, dá um grande salto assustado e sai da lavandaria. Mesmo por cima de si está um sol maravilhoso, lindo, luminoso, o céu muito azul e já estava a aquecer. 

Os meninos da casa estavam mergulhados na piscina a brincar felizes com a água e os adultos a apanhar sol. 

- Olá dorminhoco! - Dizem os meninos ao gato 

- Será que eles não viram a mesma coisa? 

       Tudo está como antes! Olha para cima, não vê o barco, com luz, que levava a lua e as estrelas, que aparecia e desaparecia, e parecia que tinha ardido, nem as ondas. 

- Afinal...o sol não desapareceu? Áh! Boa! E a lua e as estrelas...hummm...acho que...é dia...por isso...só está o sol! Então...eu...sonhei ou imaginei que aquilo estava a acontecer! Claro! Ainda bem...não queria nada que aquilo acontecesse. O mundo não existia de não houvesse sol...que horror...o sol é tão bom! Faz tanta falta. Obrigada Sol, por apareceres todos os dias...e por fazeres tão bem ao nosso planeta! Se mais ninguém te agradece...agradeço eu...que sou um gato, mas também sonho contigo, gosto e preciso de ti, querido sol! 

        Os gatos sonham e agradecem à maneira deles, e vocês, meninos, já pensaram como o sol é importante para nós? E para a nossa terra? Já agradeceram? 

FIM 
Lálá 
(24/Outubro/2015)