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sábado, 3 de maio de 2025

Rosa Amor

 

foto de Lara Rocha 


    Há uns anos atrás, uma jovem misteriosa, chamada Natureza, ofereceu a um casal, um lindo botão de flor, fechado. 

    Disse para cuidarem dele com amor, regar com carinho, educação, sensibilidade atenção e dedicação, para falar com ele. 

    Acrescentou que desabrocharia passado nove meses, numa linda flor e desapareceu. O casal ficou surpreso e apreensivo, sem perceber o que tinha acabado de acontecer, e o que significaria aquilo.

    Procuraram por ela, mas não a viram em lado nenhum, estava escondida, e a sorrir. 

- Tenho a certeza que estarás muito bem entregue! - murmura a jovem Natureza, ao ver o carinho com que o casal segurou a flor

    Assim aconteceu, o casal cuidou do botão de flor com amor, e estavam ansiosos por saber que flor seria, e porque demoraria tanto tempo. Regaram-na, falavam com ela, o botãozinho ia crescendo, alargando, tentavam imaginar a cor que teria, mas ele não a mostrava. 

    O casal não tinha preferência, pois adoravam todas as flores, em botão, e, ou abertas. Acariciavam o botãozinho, mudavam de terra de vez em quando, punham-no a apanhar sol, e ar, quando estava vento recolhiam-no. 

    O botãozinho ouvia as conversas todas, e sorria fechado nas pétalas, quando o casal lhe tocava. Não viam, mas era um sorriso luminoso, por se sentir acarinhado, acolhido, amado. 

    Passados nove meses, como a Natureza anunciou, o botãozinho de flor, abriu. Era uma linda rosa cor-de-fogo, com amarelo, laranja e vermelho! Uma perfeição, parecia que estava a sorrir, com as pétalas delicadas, o casal não ouvia, mas imaginava, o som do sorriso da rosa, quando lhe tocavam com carinho. 

    Que surpresa tão agradável, o casal não podia estar mais feliz, e continuaram a cuidar dele, com tanto amor e dedicação que cresceu como nunca se tinha visto. 

    Que lindo que era, sempre viçoso e vistoso, brilhante, adorava sol, e ficava ainda mais bonito, continuaram a regá-lo, a alimentá-lo, a conversar com ele. Deram-lhe o nome de Rosa Amor. 

    Um nome que fazia todo o sentido, porque era o símbolo do amor do casal, um pelo outro, dos dois pela Natureza, um prémio por terem cuidado tão bem dele. 

    Era como se fosse um filho, aliás, quando a esposa soube que vinha a caminho, um bebé verdadeiro. Pensaram que a flor iria murchar de tristeza, ou ciúmes, mas não. 

    Porque tinham atenção e amor para os dois; para o bebé, para a flor, a diferença é que este botãozinho que vinha a caminho, era uma pessoa. Um ser vivo, como um botãozinho em flor, que exigia mais amor, mais dedicação, mais regras, mais atenção, carinho. 

    Sem nunca se esquecerem da  Rosa Amor, que mesmo sendo uma flor, estava feliz por ter um irmãozinho em forma de pessoa, nunca se sentiu excluída, nem abandonada. 

     Quando o bebé nasceu, a flor chorou de alegria, surgiram gotas de água nas suas pétalas, e algumas caíram, ao ver aquele ser delicado, frágil e lindo como ela. 

     Rosa Amor, sorria ao ver a ternura dos pais, com aquele bebé, e a gratidão do bebé a olhar para eles, o carinho que ele recebia, e chegava para a flor. Mostraram o bebé à flor, e esta inclinou-se, encostou-se à carinha dele, com as suas pétalas macias, e voltou a chorar de alegria como se estivesse a fazer uma carícia ou a dar um beijinho no seu irmãozinho humano. 

     O bebé e os pais sorriram de alegria, pegaram na mãozinha do bebé, e fizeram uma festinha das pétalas da flor. Ela sorriu e brilhou com tanto amor. Cresceram juntos, nunca faltou carinho, atenção, dedicação, amor, regras, diálogo, aos dois, e formaram uma linda família.  

    Todos os dias agradeciam à Natureza, aquele botãozinho maravilhoso, e o botãozinho verdadeiro, o bebé que também adorava a flor. Ela abanava-se e ele desatava à gargalhada, que fazia o mesmo com os pais. 

    Parecia que os dois comunicavam um com o outro, só entre eles, balbucios e gargalhadas, trocas de mimos, e papagueados que só a flor e o bebé entendiam. 

    O casal agradecia todos os dias, a saúde, e a alegria, o amor que havia naquela casa, com aquela flor. A jovem Natureza apreciava encantada, espreitava e sorria à flor, esta retribuía. 

    Sentia-se orgulhosa, e de vez em quando as duas conversavam sobre a felicidade da flor naquela casa, o bebé, a forma como eram tratados, e outros assuntos. 

    E assim se constroem as amizades, os amores, com dedicação, paciência, carinho, diálogo, respeito, acolhimento, atenção, sem pressa, com delicadeza. Botõezinhos fechados, que se vão abrindo em lindas flores. 

                                            FIM 

                                       Lara Rocha 

                                      2/Maio/2025 

sexta-feira, 9 de março de 2018

O CAVALO SOBRE AS ONDAS




        

    Era uma vez um lindo cavalo com asas que vivia numa aldeia de nuvens, com a sua enorme família, onde tinha tudo. Ele sentia-se feliz na sua aldeia, mas às vezes gostava de sair e ir para a praia, que ficava por baixo. Para lá chegar tinha de atravessar apenas um fofo, claro e macio caminho de nuvens.
        Não se via todos os dias, aliás, ele fazia de tudo para ir à praia sem ser visto. Quem estava na praia de dia, às vezes viam-no, mas pensavam que eram nuvens juntas a formar a imagem de um cavalo. Outras vezes, aparecia de noite, quando a lua era tão grande e luminosa que quase parecia mergulhar.
        Quando ia de noite, cavalgava sobre as ondas pequeninas que cresciam com o pisar das suas patas. De dia, cavalgava longe da costa, e só refrescava as suas asas, algo que adorava fazer.
        Um dia, de noite, com a lua enorme e luminosa, lá foi ele…atravessou o caminho e cavalgou por cima das ondas grandes até quase à areia, a sentir a aragem agitar-lhe suavemente as crinas. Tinha muita vontade de conhecer a areia, saber o que se sentia nas patas, se era macia ou áspera, quente ou fria, ou se tinha cheiro.
         Deu mais uns passinhos e olhou para trás.
- Áh…a paisagem que se vê daqui é muito diferente! Nunca tinha visto. Que linda lua! Como o mar é mesmo interminável…já parecia não ter fim, mas daqui é muito maior. E a brisa…também é mais fresca, aqui. Ali não sinto tanto, ou é mais leve. E a areia...?
        Finalmente pôs as suas patinhas na areia, primeiro a medo, tocou um bocadinho e tirou rapidamente. Voltou a tocar, e a recuar outra vez. Até que decidiu pousar totalmente as patas na areia molhada, mas não sabia que se chamava assim.
- Áh…é…macia e fria. Mas acho que está molhada, parece…grossa…é parecida com lama.
        Caminha mais para cima, na areia seca, ao longo da praia, sempre atento a tudo o que sentia.
- Agora a areia está mais quente, é mais fina, e parece que está…seca. É diferente. A brisa também é mais forte. Tanto espaço…tanta areia. Então é aqui que as pessoas se deitam, ou será ali? Se calhar é nos dois sítios, quando há sol. É muito agradável.
        Estava encantado com aquela experiência, mas ainda queria saber mais. Decidiu sentir a areia com o corpo todo, estendeu as patas, sentou-se, mexeu-se livremente, e gostou tanto que se esfregou totalmente, rebolou na areia, às gargalhadas, esfrega com as patas, levanta a areia:
- Faz cócegas…que maravilha! É mesmo macia. Áh, áh, áh…
        Sacode-se, para e olha para a paisagem à sua frente.
- Uau! Isto é lindo!
        Fecha os olhos, inspira, expira, e sente o cheiro a maresia:
- Áh…que cheiro é este…? Vem dali…é…do mar? Hum, que agradável.
      Fecha os olhos outra vez, sente o cheiro a maresia, a aragem suave a mexer nas suas crinas, e o som do mar suave, ao longe, pareciam sussurros. Abre os olhos, vê a lua gigante e sorri.
- Que linda que está a lua. Adoro esta paisagem, a aragem, este som.
        O vento sopra mais forte, e assobia entre as folhas das palmeiras:
- Quem está aí?
        Olha em volta e não vê ninguém, mas ouve outra vez o som:
- Áh…é o vento! Gosto deste som!
        O cavalo levanta-se, e cavalga mais um pouco por aquele espaço.
- Maravilhoso! Obrigado, Natureza, por este sítio, por tudo o que há aqui. Adoro o sítio onde vivo, mas aqui também parece um lugar de sonho. Vou voltar para a minha aldeia…mas vou voltar aqui outro dia!
        Regressa ao mar, cavalga pelas ondas sem pressa, para e volta a olhar para trás. Cavalga mais um pouco e regressa a casa, quase hipnotizado com tanta beleza.
Conta à família, e vão todos à praia. O mar ganha ondas enormes, com tantos cavalos a cavalgar, dirigem-se para a areia, e experimentam o mesmo que o cavalo. Ficam tão felizes, e gostam tanto daquele sítio, daquelas sensações que fazem uma festa e divertem-se até ao nascer do sol, que também ficam a ver da praia, e só de manhã regressam para a sua casa.
                              
FIM
                                          Lálá
                                   9/Março/2018

quinta-feira, 28 de abril de 2016

O monte vermelho

                                foto tirada por Lara Rocha 

Era uma vez várias famílias que viviam num lugar sossegado, que se chamava monte amarelo. Um paraíso perto da cidade onde trabalhavam, com ar puro, sem poluição, só com os sons da natureza.
A paisagem era encantada, e fazia parte desta um monte mais alto, conhecido como o Monte Vermelho que era habitado por lobos…alguns humanos já tinham ido lá, mas poucos se atreviam, porque tinham medo dos lobos que ouviam uivar, e que os fazia arrepiar até os ossos.
Esse Monte Vermelho também servia de inspiração para as ameaças dos pais quando queriam pôr os filhos na ordem, e para artistas escritores, pintores e fotógrafas que tiravam boas ideias. Um dia uma criança de uma das famílias olhou para o monte dos lobos e reparou que em vez de verde ou amarelo, estava vermelho, e mostrou ao Avô:
- Avô, olha aquele monte…não é verde, nem amarelo.
- Pois não. É vermelho. – Responde o avô
- Porquê? – Pergunta a criança
- O nosso é amarelo, aquele é verde, o outro é vermelho…olha…foi o nome que lhe deram…podia ser o monte azul, o monte branco. Sempre o conheci com esse nome. – Explica o Avô
- Já foste lá?
- Não.
- Porque não?
- Porque…olha porque…é…muito longe daqui.
- E não gostavas de ir lá?
- Não faço muita questão.
- O que é isso?
- Isso, o quê?
- Não fazes isso que disseste?
- Muita questão?
- Sim.
- Quer dizer que não quero ir lá.
- Porquê?
- Porque…já te disse que é longe.
- O Avô está a mentir. – Diz a Avó  
- O quê? 8entre dentes para a Avó) Não lhe contes. – Resmunga o Avô
- Estás a mentir, Avô? Isso não se faz. – Repara a criança
- O Avô não vai lá porque lá vivem os lobos. – Responde a Avó
- Lobos? – Pergunta a criança
- Sim, lobos. – Respondem todos
- É um lugar horrível. – Reforça o pai
- Já foste lá? – Pergunta a criança
- Já. – Diz o pai
- Não queiras ir para lá…sempre me disseram que era um lugar perigoso. – Acrescenta um tio
- Já foste lá, tio?
- Não. Mas os adultos ameaçavam-me muitas vezes que me levavam para lá se eu não ficasse à mesa,  e que os lo… (os adultos interrompem e mandam-no calar discretamente)
- E quê? – Pergunta a criança curiosa
- E que… - Dizem todos
- E que esse lugar é selvagem, não é para nós, seres humanos. – Diz a outra avó
- Já foste lá, Avó?
- Não. Bastou que me ameaçassem uma única vez… respeito era muito bonito.
- E porque é que o monte é vermelho? – Volta a perguntar a criança
- Porque…os lobos…
O outro tio ia dizer o que lhe tinham dito, mas os adultos interrompem e respondem em coro:
- Foi o nome que lhe deram!
- É…! – Dizem todos
- Podia-se ter chamado monte roxo, monte cor-de-rosa… - Diz uma tia
- Pois. – Dizem todos
- Já foste lá, tia?
- Não.
- Eu gostava de ir lá. – Comenta a criança
- Só os lobos podem andar por lá, o caminho é muito difícil
A criança não ficou convencida, mas não perguntou mais nada. Quando se foi deitar, olhou para o monte e não estava vermelho. Estava escuro.
No dia seguinte, a criança volta a olhar para o monte e estava vermelho, mas quando se ia deitar, estava escuro outra vez. Ele começou a achar muito estranho, e perguntou ao outro avô:
- Avô…olha…aquele monte está vermelho. Mas à noite, quando vou para a cama, o monte não está desta cor.
- Pois não, porque quando vais dormir, está escuro.
- Muda de cor?
- Muda.
- Porquê?
- Porque de dia tudo tem cor, de noite, parece tudo igual…a nossa casa e todas as outras casas, as árvores, os montes…tudo parece igual. De dia o monte é vermelho porque se reparares existem ali nuvens, e o sol está por trás das nuvens, que fazem o sol parecer vermelho, por isso, onde o sol reflecte, ali, no chão do monte, parece que tudo fica vermelho! Se estivesse um sol aberto como aqui, ias ver o monte amarelo, ou verde-claro e verde escuro…ao fim da tarde é cor-de-laranja ou vermelho, e é branco quando há neve.
- Áh! Que lindo. E há mesmo lobos lá, ou são homens disfarçados? – Pergunta a criança
- Há lobos, mesmo.
- Daqueles como a história do capuchinho?
- Sim.
- E maus como ele?
- Nem sempre.
- Como assim?
- Se sentirem que estão em perigo, se os agredires, ou se estiverem com fome, são selvagens, podem ser um pouco agressivos, ou tentar magoar-te para se defenderem, e às vezes comem animais para se alimentarem. Mas poucas vezes vêm aqui ao monte.
- Áh! Estou a perceber.
Nessa noite, foi Lua Cheia…e estava enorme, linda. Começou a aparecer por trás do monte vermelho. O menino estava a ver com a família. Um espectáculo da natureza que todos gostam de ver, e deliciam-se.
- Avô…olha a cor do monte…parece que tem ali uma bola de luz.
- Sim, já vais ver o que é.
A lua sobe, sobe, sobe…até que aparece por inteira.
- A lua. – Diz a criança encantada com um grande sorriso.
E ouve-se o uivo crescente dos lobos…como uma orquestra…começa o chefe da alcateia, e os outros seguem-no, até que todos uivam prolongadamente em coro, virados para a lua. Pode ver-se as sombras deles. Os humanos arrepiam-se e sorriem, os cães ladram.
- O que é isto? – Pergunta a criança
- São os uivos dos lobos. – Respondem todos
- Estão a saudar a lua! – Diz uma avó
- Áhhhh…que lindo! Agora o monte já não está vermelho…está… – Suspira a criança a sorrir  
- Prateado. – Diz a mãe
- Branco. – Diz um tio
- Amarelado. – Diz outra tia
- Branco azulado. – Diz o pai
- Enluado! – Diz o Avô.
- Agora o monte está avermelhado porque o sol viu a sua apaixonada lua. – Diz uma adolescente da família com ar de sonhadora
- Eu acho que ele está vermelho por ter tantos lobos a olhar para ele… - Diz outra adolescente da família
- Pode ser o reflexo da raiva dos lobos por alguma coisa…olha como eles uivam…- Diz outra adolescente da família  
Estas famílias tinham a tradição de se reunir em noites de Lua Cheia, para viver e reviver estas fantasias saudáveis da infância, e para correr com os medos, que sabiam agora em adultos, não serem reais, mesmo assim gostavam de sonhar…Eram momentos de união e partilha, convívio, magia…depois das crianças se deitarem, a noite era dos crescidos.
Muitos segredos e medos que os adultos viveram, os mitos, as lendas, as histórias e as fantasias que o Monte Vermelho tinha despertado nas suas infâncias, ficaram por contar às crianças, para que elas não ganhassem medo, e para cada uma delas poder viver, experimentar a magia, as suas próprias fantasias em relação aos mistérios da Natureza.
E vocês? Porque acham que o monte era vermelho?

Fim
Lálá

(27/Abril/2016)

sexta-feira, 15 de abril de 2016

a descoberta do gato

         

 Era uma vez um gato que vivia numa casa com uma família muito numerosa. De entre os filhos do casal, havia um rapaz que adorava pintar e desenhar, e tinha muito jeito. O gato recebia mimos de toda a família mas tinha uma relação mais próxima e mais especial com o rapaz que pintava. 
         Os dois ficavam na varanda fechada, espaçosa e envidraçada, quente, e com lareira que às vezes estava acesa. O rapaz sentado em frente ás telas, umas atrás das outras, de volta das tintas, e ás vezes parado a olhar para elas, talvez em busca de inspiração, e mergulhado nas cores, nos seus sonhos, desejos, imaginação e fantasias, que punha nas telas.
       O gato circulava pela varanda, umas vezes dormitava, outras vezes estendia-se em cima das almofadas que estavam no chão, outras vezes senta-se num cadeirão e parecia o dono daquilo tudo, quando tinha mais frio, deitava-se nas mantas aos pés da lareira e dormia.
          Mas o que ele gostava realmente...era de ver o rapaz a pintar. Seguia todos os movimentos, ficava em suspenso, e a sua cabeça acompanhava os braços do pintor...isto fazia-o tentar imaginar o que ia sair dali, parecia que era o gato que estava a desenhar ou a pintar. Muitas vezes acertava! E ficava encantado...quase hipnotizado com a beleza dos quadros do seu amigo humano. Miava, enroscava-se nas pernas do rapaz, ele pegava no gato ao colo para ver melhor, e perguntava-lhe sempre o que achava. 
       O gato não usava palavras, mas apreciava e transmitia isso ao dono de outra maneira, que ele entendia muito bem. Era só elogios. O gato imaginava como seria bom pintar, pois o seu dono ficava feliz sempre que pintava...e tinha um enorme desejo de experimentar, para ver se era fácil ou difícil, se conseguia fazer coisas tão bonitas como ele. 
          Mas como é que ele ia fazer isso? Não podia falar... Nem de propósito, um dia, o rapaz atirou uma folha para o chão, num momento em que estava muito zangado, e também caíram pincéis,e tintas. O gato nem queria acreditar...e num impulso começou a experimentar, imitando todos os movimentos que tinha visto o seu dono a fazer enquanto pintava. 
         O rapaz ficou a apreciar...o gato estava tão absorvido na pintura com o seu dono, que nem reparou que estava a ser visto. Pintou uma bela gata, muito perfeita, parecia quase uma fotografia. O dono ficou espantado, aplaudiu-o, o gato ficou assustado e depois riu-se...miou, como que a pedir desculpa, mas o dono ficou deliciado, achou lindo, maravilhoso e perfeito. O gato tinha acabado de descobrir um novo talento e pôde perceber nesse momento, como é que o seu dono se sentia. Desde esse dia, o seu dono pintava em conjunto com o gato, e quando não estava inspirado, o gato inventava sempre alguma coisa nova...Mas que grande artista! Passado uns tempos, já tinham tantos quadros, que quase não tinham espaço para eles, então foram vendê-los para ajudar a família. Eram quadros tão especiais que desapareciam no mesmo dia, e porque havia pessoas que não acreditavam que tinha sido o gato a pintar, o dono punha-o a pintar diante das pessoas, tudo o que elas quisessem. Elas ficavam sem palavras...aplaudiam, tiravam fotografias, e pagavam os quadros. O dono e o gato não tiveram mais sossego, mas era algo que eles adoravam fazer, tinham esse dom, e ajudaram mesmo muito a família. Nem o gato sabia que tinha jeito para a pintura...foi uma descoberta mágica! 
E se vocês tivessem um gato pintor...ou um gato que aprendesse os vossos talentos? Será que ele aprender alguma coisa convosco, ou ensinar-vos alguma coisa? 
Nós também somos assim...às vezes só descobrimos os nossos talentos para certas coisas, sem estarmos á espera. Experimentamos e descobrimos...e com os nossos amigos também! Não é? Já aprenderam coisas novas com os vossos amigos? Quais? Coisas que não sabiam que gostavam, ou que tinham jeito? 

Fim 
Lálá 
(15/Abril/2016) 

sexta-feira, 25 de março de 2016

Duas famílias

Personagens:

- 1 Menino pequenino, bonzinho, de 6 anos, cabelo loiro, olhos castanhos, pele branca, educado muito meigo, simpático, chama – se Pedro
 - 1 menino mau, revoltado, nervoso, vingativo, de 9 anos, cabelo preto, curto e liso, pele branca, olhos castanhos, mal educado…chama – se Roberto

- Avô Rafael (Avô do Pedro)                       
- Mamã Paula (Mãe do Pedro)                     
- Papá Cláudio (Pai do Pedro)
- Avó Diana (Avó do Pedro)
- Dona Tânia (Mãe do Roberto)                                        
- Sr. Filipe (Pai do Roberto)
- Avó Paulina (Avó do Roberto)
- Avô Afonso (Avô do Roberto)
- 1 Cãozinho


         O sol já pintou toda a Serra de dourado e está escaldante. Numa casinha rústica típica da Serra, com um grande espaço verde á volta, vive o menino Pedro com os Pais e os Avós.
Os Avós já foram tratar dos animais e dos cultivos da horta, desde que os passarinhos anunciaram o nascer do dia com os seus doces chilreares.
Pedro ainda está no mundo dos sonhos.
Paula já acordou para preparar o pequeno-almoço ao marido que está a resmungar porque ela se atrasou a acordar e não o despertou á hora que ele pretendia.
– Querido, não precisas de tomar o pequeno-almoço a correr… ainda é cedo!
– Já estou atrasado! Já devia ter saído há muito! Já me devias ter acordado há muito tempo…não sei como é que te deixaste adormecer outra vez sabendo que eu tinha que sair… tanto te pedi…
– Desculpa meu amor! O nosso filho vomitou vezes sem conta esta noite, fartei – me de acordar para o limpar e mudar os lençóis, senão era desagradável, tive que lhe fazer 1 chá, pôr – lhe toalhas de água fria na testinha… aliviá-lo porque ele estava muito quente, cheio de febre.
– (preocupado) Mas… vomitou porquê?
– Não sei querido. Deve ser ouvidos ou garganta.
– (preocupado) E não me chamaste?!
– Não amor! Eu sei que tens que trabalhar e á noite tens de descansar. Não havia necessidade de te acordar, fofinho! (p.c.) Não ias fazer nada!
– Querida, ao menos estava do teu lado e entretinha – o. 
– Não deve ser nada grave! Há bocadinho estava a dormir bem. Depois eu estava tão cansada e com sono de manhã ouvi o despertador, mas olha, deixei – me estar mais um bocadinho. Desculpa!
– Ok, ok…! Desculpa, não sabia que tinhas passado a noite acordada.
– Pensaste que era preguiça?
– (a sorrir) Desculpa! Vai descansar agora, meu amor, enquanto ele dorme e por favor: qualquer coisa liga – me. É melhor levá-lo ao Dr. Miguel.
– Está bem. Vai descansado!
– Vou lá cima dar – lhe 1 beijinho.
Cláudio e Paula vão ao quarto do pequeno que acabou de acordar todo sujo á volta dele e comentam:  
– (preocupado) Vomitou outra vez.
– Vou levá-lo ao Dr. Vai descansado, eu trato dele.
– Eu ligo mais tarde.
– Está bem meu amor. Bom trabalho!
– Obrigado.
Ele dá 1 beijo terno á mulher e outro ao filho que fala com o Pai, e o Pai responde:
– (choquinho a choramingar) Onde vais papá?
– Vou trabalhar filho!
– (choquinho) Não vais brincar comigo?
– Mais tarde sim, filho. Agora vou trabalhar para ganhar dinheiro. Até já!
– Até já! Não demores.
Cláudio sai depressa, Paula pega no Pedro ao colo, beija – o carinhosamente, dá – lhe banho numa conversa muito animada, os dois trocam carinhos, enquanto a mãe fala com o pequeno, e o pequeno responde:
– Dói alguma coisa meu amor?
– A garganta.
– Áh, então vamos ao Dr. Miguel… ele vai dar um remedinho e vai já passar sim?
– Pica não!
– Não.
– Tu não deixas pois não?
– Não.
A Paula veste – o, dá – lhe o pequeno-almoço e aparece o Avô Rafael e cumprimenta os dois sorridente:  
– Bom Dia!
         Os dois respondem em coro (a sorrir):  
– Bom Dia!
Pedro pendura – se no Avô e dá – lhe beijinhos, o Avô retribui. Paula faz um pedido ao Pai, o qual aceita de imediato:
– Óh Pai, não se importa de tomar conta dos recados para mim, se aparecerem freguesas… é que eu tenho de o levar ao médico.
– Óh filha, eu levo – o.
– Eu tenho umas coisas para acabar, mas primeiro está o meu filho; depois digo às freguesas o que aconteceu.
– Não, filha vai acabar o que tens a fazer, descansada, eu levo – o lá!
– Não se importa?
– Óh mulher, eu sou AVÔ dele, achas que me vou importar? Está descansada… suspeitas de quê?
– Não sei bem, talvez uma crise de garganta ou ouvidos. Ele diz que lhe dói a garganta, tem febre e vomitou várias vezes de noite.
– Está bem. Não te preocupes, eu vou lá. Vai tratar do teu trabalho. Eu tomo conta do recado. A Mãe também deve estar a chegar com as coisas para a sopa que tu pediste.
– Está bem… (sorri) Muito obrigada, Pai.
– Ora essa... até já.
Paula dá um sonoro beijo nas bochechas vermelhas do filho, o pequeno retribui sorridente e Paula informa-o:  
– (a sorrir) Vais com o Avô, está bem?
– (a sorrir) Sim, está bem. Até já Mamã.
– (a sorrir) Até já, meu Amor!
A Mãe é costureira, e tem trabalhos para acabar, vai para o atelier dela. A Avó Diana passa pelo marido e pelo neto cumprimentam-se, e a Avó diz a sorrir:  
– Bom Dia, meu anjinho.
– (a sorrir) Bom Dia, Vovó.
         O Avô Rafael informa a Avó, e o Pedro acrescenta:
– Vou levá-lo ao Dr. Miguel
– Tou doente…
         A Avó Diana fica preocupada, mas o Avô Rafael tranquiliza-a:
– Mas… o que é que ele tem?
– Calma, querida, não deve ser nada grave, em princípio é uma simples crise de garganta, já que vomitou e diz que lhe dói a garganta, que tem febre. A Paula está atulhada de trabalhos para acabar, vou lá eu com ele.
– Está bem querido! Vai. Eu vou lá ter com ela ajudá-la na costura e depois fazer o almoço. Não precisas que vá contigo?
– Não! Vai ajudar a Paula, ela precisa mais.
– Está bem… Até já! Lembranças ao Dr. Miguel.
– Sim, eu dou. Até já.
Pedro dá 1 beijo na Avó, a Avó retribui. O Avô Rafael segue de mão dada com o neto, a conversar muito animados, e a Avó vai ajudar a Mãe do Pedro.  
                 ENTRETANTO NA CASA DO ROBERTO…A confusão é total.
Os Avós estão a trabalhar no campo.
O Sr. Filipe está de ressaca, é uma pessoa nervosa, que bebe muito álcool e pára pouco em casa. Não dá atenção ao filho e é violento com a mulher.
A Dona Tânia está acordada e já fez muita coisa. Está na cozinha e resmunga:  
– O raio do Homem nunca mais acorda! Parece impossível! A esta hora, aqui em casa tudo por fazer e sua excelência a trabalhar para a engorda! Chegou a umas lindas horas, chegou. Já o sol tinha nascido. Mas não quero saber; vai acordar a bem ou a mal. Dona Tânia sobe as escadas, nervosa, entra no quarto, abre a persiana e grita com o marido, que também responde de forma agressiva com a esposa:
– Óh porco de engorda… pincha já do ninho, bola de carne…! Andor…
– (grita) Cala – te! Pareces uma cabra. No monte a juntar o gado não berras tu assim. Vai berrar para o raio que te parta!
– (Grita) Anda! Salta.
– (resmunga) Vai comer erva e deixa – me dormir!
– (grita nervosa) Estás – me a chamar vaca é?! (P.C.) Onde é que tu andaste a noite toda para chegares de manhã completamente bêbado?! E eu em claro a noite toda preocupada contigo!
– (resmunga) Cala – te! Não estás a juntar o gado por isso escusas de falar alto.
– (resmunga) Responde ao que eu te perguntei!
O marido levanta – se nervoso, o Roberto acorda, vai lá ao quarto dos Pais chateado e vê o Pai a bater na Mãe; e a Mãe sem se defender. Roberto implora ao Pai, mas o Pai ameaça-o também:
– (nervoso) Não batas na Mãe.
– (nervoso) Põe – te a andar senão também apanhas.
A Dona Tânia agarra nos cabelos do Sr. Filipe e atira – lhe uma almofada para os olhos, ele larga – a deita – se na cama e adormece!
A Dona Tânia fica incrédula com a reacção que teve e ri – se, e murmura:
– Monstro… Porco de engorda… estou a ficar farta de ti!
A Dona Tânia vai – se consolar com uns cãezinhos que nasceram há muito poucos dias. Roberto está na cozinha a chorar. Dona Tânia e Roberto têm uma conversa séria:   
– Estás a chorar porquê? Não foste tu que apanhaste!
– (a chorar) Mãe… porque é que estão sempre a discutir e a bater um no outro?
– Não tens nada a ver com isso, és muito pequeno para perceber os problemas dos adultos.
– (A chorar) Como é que tu gostas do Pai, se ele te está sempre a bater e aos gritos contigo?!
– (triste) O teu Pai tem alguns problemas…mas é meu marido… já estou habituada a apanhar dele… mas no fundo amamo-nos!
– (a chorar) Não sabia que amar era dar porrada…
– (triste) E não é, mas se o teu Pai me bate é porque acha que mereço…
– (a chorar) Não mereces nada! Eu não gosto de vos ver assim! Preparas – me o pequeno-almoço?
– (zangada) Prepara tu, já és grandinho e sabes muito bem preparar…
– (a chorar) O Pai já é velhote, bate – te e tu preparas – lhe…
Dona Tânia puxa 1 orelha ao Roberto e grita-lhe:
– Cala – te. Prepara tu… e é se queres! É só deitar o leite no copo… e não digas aos Avós que o teu Pai me bate.
Ele faz o que a Mãe diz, e resmunga:
– Para esse nojento tu preparas, para mim que sou teu filho não!
– (zangada) Vê lá como falas do bichinho…
Dona Tânia enche o cão de festinhas, mimos, beijinhos, põe leite na tigela do cão e dá – lhe o leite com o cão ao colo… passado um bocado a Mãe pousa o bichinho e vai para a horta. Roberto, nervoso pega no cãozinho pelas orelhas e diz – lhe nervoso e revoltado:
– Detesto – te! A minha Mãe em vez de gostar de mim gosta de ti. Tu é que tens direito a pequeno-almoço no colo, e és um estúpido de um cão, eu sou um ser humano e eu é que devia tomar o pequeno-almoço preparado por ela, no colo dela tu é um cão… não tens direito. Tens os mimos todos para ti, eu que sou filho dela é que devia ter mimos, mas és tu que os tens… detesto – te! Vou pôr – te na rua… assim, a minha Mãe já vai gostar de mim, e dar – me o mimo todo que eu quiser.
Roberto revoltado sai com o cão pelas orelhas e anda com ele assim um bom bocado, até quase á casa do Pedro. Ai, bate no animal sem dó nem piedade, atira – o para ao chão, bate – lhe com sapatadas, dá – lhe pontapés… o cão está a tremer no chão, a ganir, e ferido.
O Avô Rafael vê aquele rapaz e vai ter com ele, juntamente com o neto e diz:   
– Um cãozinho… Coitadinho, está ferido… Roberto, de quem é este cão?
         Roberto é muito mal-educado e responde nervoso:
– Era meu… como é que você pode ter pena desta coisa, seu velho estúpido?!
         Pedro ralha com o rapaz:
– Não fales assim com o meu Avô!
         O Avô Rafael tenta falar a bem com Roberto, mas ele é mal-educado e responde de maneira rude:
– Primeiro, vê se tens mais respeito, porque eu só te fiz 1 simples pergunta… posso ser velho, mas por isso mesmo, tenho autoridade suficiente para dar umas boas sapatadas quando me faltam ao respeito… mesmo não sendo teu avô…! O que é que lhe aconteceu?
– (nervoso) Sei lá, nem me interessa!
O Avô Rafael, perde a paciência, puxa – lhe a orelha e aperta – lha, ralhando-lhe:  
– (chateado) Baixa a crista quando falas com as pessoas mais velhas!
– (grita) Ai, está – me a magoar! Você não me pode bater velho monstruoso.
– (chateado) Cala – te! Não sabes o que estás a dizer! Daqui a pouco ficas sem orelha (dá – lhe 1 sapatada no rabo) O que é que fizeste ao pobre cão? Olha o estado em que ele está!
– (nervoso) Quero lá saber do nojento do cão! Não faz falta nenhuma em casa! É um palerma! A minha Mãe gosta mais dele do que de mim … só se preocupa com ele… se eu não comer, ela não quer saber, mas se este pulguento não comer já fica toda cheia de pena e quer logo dar de comer. Só este… insignificante é que tem direito aos mimos e ao colo… eu é que sou o filho. A mim nunca dá mimo nem colo. O meu Pai também não quer saber de mim, quase nunca o vejo e quando está em casa bate na minha Mãe… tudo por causa dos cães.
         Pedro defende o animal e ralha com Roberto:  
– Não digas mal do bichinho! Ele é um ser vivo como nós, quer colo e mimos como nós. Ele não tem culpa. Eu também tenho muitos cães, a minha Mãe dá – lhes festinhas e pega neles ao colo, e a mim faz o mesmo. Dá comida aos cães e a mim também.
         O Avô dá toda a razão ao neto:
– Claro! Um não tira o lugar do outro. Os teus Pais amam – te. Os animais não têm nada a ver com os assuntos dos adultos, e não devias ter tirado da Mãe dele!
         Pedro acrescenta reprovador:
– És um menino muito mau. A Mãe do cãozinho devia – te morder!
         O Avô tenta que Roberto se coloque no lugar do cão, mas o Roberto mantém a revolta dele:
– Também não gostavas de ser tirado da tua Mãe e maltratado pois não?!
– (a chorar) Para a minha Mãe ter – te com ela ou tirarem – me dela era o mesmo. Ela até devia ficar contente e eu ia deixar de ser maltratado!
– Não digas disparates! (p. c.) vou levar – te já ao teu avô e falar com ele!
         Pedro chora com pena do cãozinho:
– Coitadinho do cãozinho!
O AVÔ Rafael pega no cãozinho com uma mão e leva o rapaz preso pela orelha e diz ao Roberto:
- Tu devias era ser arrastado pelas orelhas, ou levado preso por uma trela ou por correias puxadas por bois…seu palerma!
         Roberto responde-lhe a chorar:
– Larga a minha orelha velho.
O Avô Rafael dá – lhe outra sapatada e ralha com ele o resto do caminho a puxar – lhe a orelha. Chegam a casa do Roberto. A Avó Paulina está á porta e pergunta:  
– O que estás a fazer com o meu neto pela orelha?
         O Avô Rafael explica:
– O teu neto, além de me faltar ao respeito maltratou este pobre bichinho. Despejou toda a raiva num inocente.
         A Avó não acredita:  
– O meu neto?! Tenho a certeza que ele não era capaz de fazer isso.
         O Avô Rafael comenta, mas a Avó nega para defender o neto:
– Eu também achava que ele não era capaz de tal monstruosidade mas foi!
– Não pode ser.
A Avó chocada e incrédula, preocupada, vai ter com a Dona Tânia à cozinha, enquanto o AVÔ Rafael fala com o Avô Afonso. A Avó Paulina comunica à filha:  
– Tânia, filha, o teu filho fez uma coisa muito má e muito feia, com um pobre bichinho de quem gostas muito…e foi mal-educado com o Avô Rafael. O cãozinho está ferido. (P.C) Foi tudo por causa de ciúmes! Ele acha que tu não gostas dele… só gostas do cão; só dás colo ao cão e mimos… e a ele não… ele sente – se rejeitado. (p.c) Não grites com ele quando falares com ele sobre o que aconteceu, nem lhe batas… agora é tarde demais para lhe bater… mostra – lhe que o amas, dá – lhe muito carinho, explica – lhe que o cão não ocupa o lugar dele, que ele é muito importante para ti e que não tem que ter ciúmes do cão, nem precisa de o tratar mal! (p.c.) Ouve – o… pergunta – lhe o que fez e porque o fez… diz – lhe que ele ocupa todo o teu coração e promete – lhe que a partir de agora vais brincar com ele e demonstrar – lhe todo o teu amor! (P.C) E que o Pai dele vai ser tratado para não te bater mais.
         O Avô Afonso está louco com o neto e grita da porta:
– Tâââââânnnnniiiiiiiaaaaaaaaaa…., Tânia…
Tânia aparece á porta. A Avó acompanha – a de braço dado e segreda:
– Controla – te filha.
         O Avô Afonso informa:
– Anda cá ver e saber a asneira que o teu filho fez.
Dona Tânia aproxima – se, calma, preocupada, meiga e fala com o Avô Rafael que responde educadamente:  
– O que foi? (P.C) Bom Dia Sr. Rafael.
– Bom Dia filha, como estás?
– Bem, obrigada e o Sr.?
– Também.
         A Avó Paulina já está a atacar a filha. A filha faz-lhe um pedido, mas o Avô Afonso também não a poupa:
– Tu não lhe dás educação, agora atura – o.
– Mãe, poupe – me das suas críticas por favor.
– Olha o que ele fez ao pobre Bobbie…
         Dona Tânia pergunta ao filho, mas antes do filho se explicar, a Avó Paulina responde a criticar a filha:
– Filho, porque é que fizeste isso?
– (chateada) Ainda perguntas? Facilidades a mais… sempre lhe disseste que sim a tudo, sempre achaste muita piadinha a tudo o que ele fazia, eu bem te disse para te impores na altura certa… tinhas sempre pena de lhe dar uma boa sapatada quando fazia o que não devia, nunca o chamaste a atenção e até te viravas contra mim quando eu ralhava com ele…
– Outra vez, Mãe?! Francamente!
– Devias ter – lhe dito que não a muitas palermices que ele fazia e eu nunca achei piada… bater ao menino…que coisa mais antiga, Mãe… era o que ele precisava! Umas boas sapatadas.
– (chateada) Chega Mãe! Não se pode voltar mais atrás!
         O Avô Afonso reforça:
– Claro que não se pode voltar atrás mas a tua sogra tem razão, e pode – se emendar o passado no presente, tomando as atitudes certas enquanto é tempo, e enquanto ele é pequeno. Ainda está muito a tempo de apanhar umas boas tareias para aprender!
         O Avô Rafael tenta acalmar os ânimos, embora concorde com os mais velhos:
– Calma! Ele acha que os Pais não gostam dele e preferem o cachorrinho a ele! Ele maltratou o bichinho com ciúmes.
Dona Tânia abraça o Roberto e diz meiga:
– Estou muito triste contigo! (P.C) Eu e o teu Pai amamos – te muito. Gostamos muito dos bichinhos, mas tu é que preenches o nosso coração todinho! (P.C) Não tens que ter ciúmes do cão.
         A Avó Paulina manda uma directa, mas Dona Tânia não gosta e responde:  
– Ele precisa é de irmãos e não de cães.
– (chateada) Mãe, por favor deixe – me falar com o meu filho e pare de me atacar está bem?! (P.C) É certo que nós adultos discutimos muito às vezes, mas a culpa nunca é dos filhos… Também sei que nem sempre te dou a atenção e o carinho que mereces…
         Roberto continua com a ciumeira dele:
– Mas dás aos cães!
         Dona Tânia nega:
– Isso não é verdade. Agora estou mais de volta dos cães porque eles são bebés e precisam de ajuda! (P.C) Não voltes a fazer isso e pede desculpa ao SR, Rafael!
         Roberto resmunga e nega-se:
– Eu não tenho que pedir desculpa a este velho; ele puxou – me as orelhas; bateu – me no rabo e veio o caminho todo a resmungar.
         A Avó Paulina e o Avô Afonso reconhecem a bondade do Avô Rafael e elogiam a sua atitude com o neto deles:
– Bendito Sr. Rafael.
– Muito obrigado, bom amigo!
         Roberto sente-se ofendido e responde:
– Ainda o defendem?
         A Avó Paulina responde:  
– Eu e o teu Avô fazíamos o mesmo, e a tua Mãe também devia fazer. Nunca te ensinamos, nem nunca te educamos para o mal.
         Dona Tânia dá uma ordem ao filho:
– Pede desculpa ao Sr. Rafael, e não me envergonhes.
         Roberto obedece contrariado:
– Desculpe!
         O Avô Rafael explica-lhe:
– Eu quero é que te lembres que os animais não têm que sofrer as consequências de tu estares chateado! Ele precisa de muito amor, carinho e atenção dos Pais… não precisa propriamente de ser espancado quando faz 1 asneira apenas, nessa altura chamá-lo a atenção e explicar – lhe porque é que aquilo não se faz. Eu sempre fiz isso com os meus filhos, com os meus netos, e os meus filhos fazem o mesmo. O Pedro nunca precisou de apanhar!
         Dona Tânia informa:
– A partir de hoje, vai ser diferente aqui em casa, filho. Porque nós amamos – te demais, vamos dar – te tudo de bom que mereces!
Roberto abraça a Mãe contente, a Mãe a ele e trocam beijos. O Avô Rafael informa:
– Quando o bichinho estiver curado, nós devolvemo – lo!
         Dona Tânia faz um pedido:  
– Não, por favor… fique com ele!
Pedro salta de alegria, sorri e bate palminhas e grita:  
– Ééééééééhhhhhhh… mais um bichinho! Que bom!
         Dona Tânia sorri e responde:
– Eu sei que ele vai ser muito bem tratado na vossa casa.
         O Avô Rafael assegura:  
– (a sorrir) Eu fico com ele com todo o gosto.
         Dona Tânia pede desculpa ao Avô Rafael:  
– Desculpe, Sr. Rafael… e muito obrigada.
         O Avô Rafael sorri e diz:
– Óh… não foi nada! Eu já fui Pai de muitos filhos Graças a Deus, e tenho netos… sei bem o que são as crianças e o que eles sentem! Até eu já fui criança! E traquina… (Riem) Vê se agora te portas bem rapaz.
         Roberto promete:
– Vou portar – me bem.
         Dona Tânia diz:  
– Lembranças a todos lá em casa!
         O Avô Rafael responde:  
– Serão dadas.
         O Avô Afonso fala com o Avô Rafael: 
– Não tomas nada, velho amigo?
– (sorri) Outro dia, meu amigo! A Paula já deve estar preocupada.
         A Avó Paulina sorri e diz:
– Óh Rafael, diz á Diana que brevemente apareço lá para tomar 1 chazinho e conversar!
         O Avô Rafael sorri e responde:
– Claro que sim. Apareçam lá todos sempre que quiserem. Até logo!
         Respondem todos em coro:
– Até logo.
O Avô Rafael regressa a casa feliz com o neto e com o cãozinho, os 2 numa conversa muito animada. A Paula e a Avó Diana estão a trabalhar na costura. Eles entram em casa, vão ter com elas e cumprimentam-nas a sorrir:
– Olá!
         A Avó Diana pergunta preocupada, o Avô responde:
– Então querido?! O que é que tem o Pedrinho lindo?
– (a sorrir) Não é nada grave. É garganta! O Sr. Dr. Mandou 1 xarope para ele tomar ao almoço e ao jantar e recomendou ficar na caminha até não ter febre.
A Avó Diana assusta – se quando vê 1 coisa preta no colo do Avô e pergunta. O Avô e o Neto respondem em coro:
– Ááááááááhhhhhh… o que é isso na tua mão querido?
– É um cãozinho.
As duas levantam – se contentes, deliciadas. Paula repara que ele está ferido e pergunta:
– Coitadinho, está ferido. Onde o encontrou?
         O Avô Rafael responde:
– É uma longa história…! Vamos tratar – lhe estas feridas e eu conto – vos.
A Mãe e a Avó do Pedro cuidam das feridas do cãozinho e alimentam – no ouvindo a história do AVÔ deliciadas.
Enquanto almoçam animados, o cãozinho está bem instalado, confortável e de vez em quando bebe leitinho e recebe festinhas dos donos.
No fim do almoço Pedro vai para a cama como o médico recomendou e o AVÔ passa a tarde a brincar com ele no quarto, a contar histórias e a ler algumas, a Avó também o vai ver frequentemente e leva – lhe chazinhos de limão com mel; bolinhos…
À noite chega o Pai Cláudio, abraça e beija carinhosamente a mulher e o filho, e os sogros. Fica deliciado com o cãozinho, faz – lhe muitas festinhas e vai com ele ao colo ver o filho.
Pedro fica muito contente, faz festinhas ao cão, a Mãe leva o cãozinho para baixo e o Pai abraça e beija carinhosamente o filho, brinca, fala com ele e riem muito, parecem 2 crianças.
Já com o Pedro quase a dormir, o Pai conta – lhe 1 história, ele adormece, o Pai cobre – o cuidadosamente, dá – lhe 1 beijo suave, apaga a luz e vai para a beira da Paula falar e namorar antes de dormirem até ao dia seguinte.
O cãozinho recupera das feridas e é muito bem tratado por todos. Sobre a família do Roberto: o Pai foi internado num Hospital de Psiquiatria e a Mãe cumpriu o que prometeu ao filho, o qual se tornou numa boa pessoa.

                                      FIM.

MENSAGEM:
Pois é, nesta história tínhamos 2 famílias diferentes.
1 onde reinava a violência e a falta de amor, de carinho e atenção, na qual o Roberto era o reflexo desse ambiente: 1 criança revoltada, má, vingativa, sem o mínimo de respeito, não tinha bons sentimentos.
O Pedro era o oposto. Vivia num meio onde tinha amor de toda a gente, carinho, atenção, dedicação, delicadeza, paz, serenidade, calma, respeito, educação, bondade, por isso era 1 menino meigo, doce, amoroso, sensível, feliz, educado, respeitador…
Os Avós também tiveram 1 papel importante tal como acontece hoje em dia, os quais substituem muitas vezes os Pais na educação, crescimento e desenvolvimento dos netos como pessoas. São eles que tomam conta dos pequenos enquanto os Pais passam horas intermináveis nos locais de trabalho. São os guias sentimentais e emocionais dos netos.
A família é a base de tudo, os Pais e os filhos são reflexo de tudo o que se passa dentro das 4 paredes, bom ou mau.
O ideal seria que todas as famílias fossem constituídas por bons sentimentos, e boas pessoas. Talvez o mundo e as relações entre as pessoas fossem mais equilibrados e mais duradouras…
                                                   FIM 
                                                 Lálá
                                              (Setembro / 2005)