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sexta-feira, 15 de abril de 2016

a descoberta do gato

         

 Era uma vez um gato que vivia numa casa com uma família muito numerosa. De entre os filhos do casal, havia um rapaz que adorava pintar e desenhar, e tinha muito jeito. O gato recebia mimos de toda a família mas tinha uma relação mais próxima e mais especial com o rapaz que pintava. 
         Os dois ficavam na varanda fechada, espaçosa e envidraçada, quente, e com lareira que às vezes estava acesa. O rapaz sentado em frente ás telas, umas atrás das outras, de volta das tintas, e ás vezes parado a olhar para elas, talvez em busca de inspiração, e mergulhado nas cores, nos seus sonhos, desejos, imaginação e fantasias, que punha nas telas.
       O gato circulava pela varanda, umas vezes dormitava, outras vezes estendia-se em cima das almofadas que estavam no chão, outras vezes senta-se num cadeirão e parecia o dono daquilo tudo, quando tinha mais frio, deitava-se nas mantas aos pés da lareira e dormia.
          Mas o que ele gostava realmente...era de ver o rapaz a pintar. Seguia todos os movimentos, ficava em suspenso, e a sua cabeça acompanhava os braços do pintor...isto fazia-o tentar imaginar o que ia sair dali, parecia que era o gato que estava a desenhar ou a pintar. Muitas vezes acertava! E ficava encantado...quase hipnotizado com a beleza dos quadros do seu amigo humano. Miava, enroscava-se nas pernas do rapaz, ele pegava no gato ao colo para ver melhor, e perguntava-lhe sempre o que achava. 
       O gato não usava palavras, mas apreciava e transmitia isso ao dono de outra maneira, que ele entendia muito bem. Era só elogios. O gato imaginava como seria bom pintar, pois o seu dono ficava feliz sempre que pintava...e tinha um enorme desejo de experimentar, para ver se era fácil ou difícil, se conseguia fazer coisas tão bonitas como ele. 
          Mas como é que ele ia fazer isso? Não podia falar... Nem de propósito, um dia, o rapaz atirou uma folha para o chão, num momento em que estava muito zangado, e também caíram pincéis,e tintas. O gato nem queria acreditar...e num impulso começou a experimentar, imitando todos os movimentos que tinha visto o seu dono a fazer enquanto pintava. 
         O rapaz ficou a apreciar...o gato estava tão absorvido na pintura com o seu dono, que nem reparou que estava a ser visto. Pintou uma bela gata, muito perfeita, parecia quase uma fotografia. O dono ficou espantado, aplaudiu-o, o gato ficou assustado e depois riu-se...miou, como que a pedir desculpa, mas o dono ficou deliciado, achou lindo, maravilhoso e perfeito. O gato tinha acabado de descobrir um novo talento e pôde perceber nesse momento, como é que o seu dono se sentia. Desde esse dia, o seu dono pintava em conjunto com o gato, e quando não estava inspirado, o gato inventava sempre alguma coisa nova...Mas que grande artista! Passado uns tempos, já tinham tantos quadros, que quase não tinham espaço para eles, então foram vendê-los para ajudar a família. Eram quadros tão especiais que desapareciam no mesmo dia, e porque havia pessoas que não acreditavam que tinha sido o gato a pintar, o dono punha-o a pintar diante das pessoas, tudo o que elas quisessem. Elas ficavam sem palavras...aplaudiam, tiravam fotografias, e pagavam os quadros. O dono e o gato não tiveram mais sossego, mas era algo que eles adoravam fazer, tinham esse dom, e ajudaram mesmo muito a família. Nem o gato sabia que tinha jeito para a pintura...foi uma descoberta mágica! 
E se vocês tivessem um gato pintor...ou um gato que aprendesse os vossos talentos? Será que ele aprender alguma coisa convosco, ou ensinar-vos alguma coisa? 
Nós também somos assim...às vezes só descobrimos os nossos talentos para certas coisas, sem estarmos á espera. Experimentamos e descobrimos...e com os nossos amigos também! Não é? Já aprenderam coisas novas com os vossos amigos? Quais? Coisas que não sabiam que gostavam, ou que tinham jeito? 

Fim 
Lálá 
(15/Abril/2016) 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A CAIXA VAZIA
























    Era uma vez um grupo de meninos pequeninos que estavam no corredor do seu colégio, e de repente ouviram alguém a chorar muito. Olharam todos uns para os outros e não estava nenhum a chorar.
- Está alguém a chorar…! – Observa uma menina
- Não somos nós. – Dizem todos
- Pois não…
- Mas alguém está.
        E procuram por todas as salas alguém que possa estar a chorar. Não está ninguém. Voltam ao corredor, e voltam a ouvir chorar, sem saber de onde, e quem. De repente, vêem água a cair de uma caixa vazia.
- Olhem…está aqui água…- Diz um menino
- Pois está…- Dizem todos
- E estou a ouvir chorar…
- Eu também.
     A água vinha da caixa…eram as suas lágrimas.
- Óhhh… - Dizem todos
- A caixa está a chorar! – Repara uma menina
- Coitadinha! – Comenta outra menina
- Pois está… - Dizem todos
- Porque estás a chorar? – Pergunta outra menina
- Porque estou vazia. – Responde a caixa
- Tens fome?
- Não.
- Então porque querias estar cheia?
- Queria estar cheia de brinquedos para dar a meninos que não têm.
- Nós estamos aqui a fazer isso.
- Mas eu ainda não tenho nada.
- Porque os nossos pais ainda não trouxeram…
- Mas fica descansada, nós vamos pedir aos nossos pais outra vez, para deixarem aqui uma prendinha.
- Não chores mais, está bem?
- Se me prometerem que vão encher-me de brinquedos e outras coisas, para meninos pobres, eu não choro mais.
- Prometemos!
        Os meninos cumpriram a promessa. Quando os pais vão lá buscá-los, eles dizem-lhes que a caixa estava a chorar muito triste, porque estava vazia e queria estar cheia de brinquedos e outras coisas para muitos meninos pobres.
        Os pais ficam felizes e orgulhosos por terem uns filhos sensíveis e bondosos, e nos dias seguintes dessa semana, a caixa que chorava por estar vazia, ficou muito feliz e risonha porque fica cheia de brinquedos, comida e roupas para dar a meninos mais pobres. Até a enchem muitas mais vezes.
        Na noite de Natal, os meninos pobres recebem muitas prendas, e os meninos que encheram a caixa, recebem um presente extra: uma luzinha, que um duende do Pai Natal lhes deixa na almofada com um bilhetinho que diz para eles porem essa luzinha junto deles, junto do coração…era o prémio pela sua bondade. A luz do amor, da bondade, da partilha e da felicidade.
        Os meninos, não esqueceram nunca mais essa noite de Natal tão especial. Nem os que deram os presentes, nem os que receberam. E os que deram os presentes, nunca mais se separaram da luzinha.
        Feliz Natal…e que a luzinha oferecida pelo Pai Natal brilhe cada vez mais em nós, todo o ano, porque Natal pode ser todo o ano. E não se esqueçam de agradecer tudo o que têm, mesmo que achem que vos falte alguma coisa. Com certeza falta muita coisa, não temos tudo, nem podemos ter tudo o que queremos, mas o mais importante é que não falte: a saúde, a comida, roupa, higiene, amor, carinho, atenção, dedicação e amizade, e partilha, quando queremos ou podemos.
        Esses são os presentes mais importantes que podemos e devemos ter todo o ano, e não só no Natal.

FIM
Lálá

(1/Dezembro/2014)

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O PASSARINHO EGOÍSTA













foto de Lara Rocha 

             Era uma vez um passarinho que vivia num ninho ao lado de uma fonte de água fresca, num jardim de uma grande cidade. O passarinho…só porque vivia ao lado da linda e fresca fonte, achava que era dono dela, e por isso, não deixava que ninguém se aproximasse dela. Quando alguém ou outros passarinhos pousavam na fonte para beber, o passarinho gritava:
- Sai…fora daqui! A fonte é minha.
            Os passarinhos resmungavam com ele, e explicavam-lhe:
- Não, não! A fonte não é tua!
- A fonte está no jardim, por isso…é de todos!  
- Todos podemos beber!
            Mas o passarinho não queria saber…e ficava ainda mais zangado: dava bicadas, e chilreava muito alto, punha as patinhas esticadas e atirava-se a quem fosse beber…arranhava, empurrava-os e dava sapatadas, tentava arrancar penas e cabelos aos meninos e pessoas que queriam beber. As pessoas tinhas medo dele, e o malandreco ria satisfeito. Mas também era por causa disso que não tinha amigos. Achava que era o Rei da fonte:
- A fonte é minha! Não é de mais ninguém! – Gritava orgulhoso.
            A fonte ficava triste com isso, pois era muito boa, e gostava muito de ajudar, mas o passarinho não deixava! E ela também não podia fazer nada. Um dia, a fonte ficou farta do egoísmo e da maldade do passarinho, que pediu um desejo às estrelas:
- Estrelinhas…eu quero que me tornem transparente! Aquele passarinho está a precisar de uma lição…não pode ser! O que ele está a fazer é muito feio.
            A estrelinha que a ouviu, concordou com a fonte e disse:
- Tens toda a razão! Tu não és dele…és do jardim…qualquer pessoa, e animal pode beber a tua água! Deixa comigo, fonte! 1…2…3…desejo concedido!
            Magia…a fonte torna-se mesmo transparente. Na manhã seguinte, o passarinho ia para tomar banho, lavar as suas penas e bico na fonte e refrescar-se…mas não viu a fonte. Ficou muito assustado e grita:
- Fonte…! Fonte…! Onde estás?
            A fonte não responde, e o passarinho procura por todo o lado, nervoso, zangado e assustado:
- Fonte! Óh minha fonte…onde estás? Levaram-te? Óh, não…não pode ser…! Eu preciso da minha fonte…Óóóhhh…e agora? Quem é que fez esta maldade?
- Maldade…é o que tu fazes com toda a gente, e com todos os animais que querem beber! – Diz a fonte.
- Óh! Estás aqui minha fonte…onde? – Procura o passarinho.
- Porque é que dizes que sou tua? – Pergunta a fonte.
- Porque vives ao lado da minha casa, e é onde bebo a tua água deliciosa, fresca…é onde tomo banho…e és minha! – Explica o passarinho.
- Que coisa mais feia! – Suspira a fonte – É por isso que não tens amigos…! Não partilhas nada…e no meu caso não sou mesmo de partilhar…porque é que és tão egoísta? – Pergunta a fonte.
- Eu não sou isso. Não tenho amigos porque eles não querem – Responde o passarinho.
- Claro que és! – Exclama a fonte. Porque é que queres as coisas todas só para ti, se depois não lhes ligas nenhuma…? Já pensaste? Tiras as coisas aos outros, e depois não pegas nelas, nem fazes amigos. Eles não querem porque tu és mau…dás bicadas, arranhas, arrancas penas e cabelos, empurras…dás tudo, menos carinho…! Os amigos tratam-se com carinho…festinhas, beijinhos, abraços…risos…e emprestam-se coisas…como fontes, brinquedos, roupas…! E não é por viver ao lado da tua casa, e beberes a minha água que podes chamar-me tua! - Continua a fonte.
- Óh, aparece fontezinha linda…! – Implora o passarinho.
- Não apareço enquanto fores tão egoísta. Ou deixas toda a gente que quiser, beber…e paras de dizer que sou tua…ou então eu não apareço! – Ameaça a fonte.
- Óh, eu prometo que deixo beber…aparece por favor! – Pede o passarinho.
- A água que sai de mim, é minha…e nem por isso eu proíbo os outros de a beberem, nem fico sem ela. Aliás, até fico muito feliz por dar a minha água, a quem tem sede. – Explica a fonte.
- Mas a tua água é só minha. – Insiste o passarinho.
- Não é só tua…olha que não apareço…- avisa a fonte.
- Desculpa! Aparece…eu não digo mais isso. – Diz o passarinho.
- Assim está melhor. Espero mesmo que faças isso! – Ordena a fonte.
            A fonte volta a aparecer. O passarinho delicia-se com a água, refresca-se, leva as penas, bebe e chapinha feliz. Mas o passarinho esqueceu-se muito rápido, do que tinha prometido à fonte, porque quando se aproxima um gatinho cheio de sede, já fraco, que tenta beber…o malvado passarinho empurra, bica e arranha o pobre gatinho, e ele como estava fraco, caiu, a miar. O passarinho esqueceu-se, mas a fonte não se esqueceu…e desaparece, torna-se transparente, com a água virada para o gatinho. O gatinho bebe consolado. O passarinho muito zangado começa a chorar muito:
- A minha fonte…! Seu gato feio…a fonte foi-se embora por tua causa. – Acusa o passarinho muito chorão.
            O gatinho não lhe responde, mas a fonte resmunga-lhe:
- Esqueceste-te do que me prometeste passarinho…mauzão…feio! Não vês que o gatinho está doente…cheio de sede…e outra vez…disseste que eu sou tua! Enquanto fizeres isso, eu não apareço. Tens de fazer pelo menos uma boa acção…tens de ser bom…estás a ser muito mau! Não sejas egoísta…se estivesses doente, fraco e cheio de sede, também gostavas de encontrar uma ajuda como a tua? – Pergunta a fonte.
- Não. – Responde o passarinho.
- Pois é! O gatinho também não gosta. – Acrescenta a fonte.
            E assim é. Enquanto o gatinho bebe, a fonte não aparece, porque o passarinho ainda não fez uma boa acção. De repente, o passarinho, com medo que a fonte não voltasse a aparecer, lá foi contrariado procurar ajuda para o gatinho. A fonte aprecia, e sorri. Chega com uma borboleta que é médica.
- Olha…este está doente. – Informa o passarinho.
- O que é que ele tem? – Pergunta a borboleta.
- Não sei…- Responde o passarinho.
- Está desidratado e com fome…- informa a fonte.
- Porque não apareces, fonte? – Pergunta o passarinho.
- Não fizeste uma boa acção – Responde a fonte.
- Fui chamar a médica para esse peludo…não é uma boa acção? – Pergunta o passarinho?
- Não fizeste com o coração. – Responde a fonte.
- O quê? – Pergunta o passarinho.
- Tens de ser bom, tens de ficar feliz por ser bom para os outros. Não é fazeres bem, só porque te mandam. – Explica a fonte.
            A borboleta analisa o gatinho carinhosamente, e o passarinho não sabe o que fazer mais para a fonte aparecer outra vez. De repente, lembra-se de convidar os outros passarinhos para brincar com ele, e para beberem água, e refrescarem-se na fonte. Os passarinhos, no inicio ficaram desconfiados, porque sabiam que ele era mauzinho, mas decidiram aceitar. Todos brincam juntos, muito divertidos, felizes, trocam carinhos uns com os outros, dividem brinquedos, riem, saltitam…e quando ficam com sede, todos vão beber água e refrescar-se. A fonte está feliz e orgulhosa, e aparece.
- Muito bem! Assim sim…agora foste um bom passarinho…e arranjaste muitos amigos. Que bonito que foi ver-vos a brincar todos juntos, a trocar carinhos e brinquedos…e agora aqui na fonte! – Elogia a fonte.
- Sim! – Respondem em coro.
- O gato, onde está? – Pergunta o passarinho.
- Está ali à sombra, a descansar. – Responde a fonte.
- Mas o que é que ele tinha? – Pergunta o passarinho.
- Estava muito cansado e fraco, com fome e sede…não tinha dono…quer dizer…tinha, mas os donos puseram-no fora de casa. – Explica a fonte.
- Coitadinho! – Respondem os passarinhos em coro.
- Ele pode ir para a minha árvore, quando estiver sol, ali. – Informa o passarinho.
- Muito bem, passarinho! Obrigada! Ele vai. Para já está bem ali. – Elogia a fonte, sorridente.
            E a partir desse dia, o passarinho começou a ser mais bonzinho, a ser amigo de todos, e simpático com todos…passou a dar carinhos aos outros, e a receber também muito carinho, a brincar muito, e a emprestar coisas aos outros, e fez muitos amigos. Andava muito mais feliz, e a fonte também gostou muito mais dele. Pois é, meninos…também temos de ser como a fonte…e como o passarinho…ser bonzinhos, emprestar os brinquedos e livros uns aos outros, dar carinhos uns aos outros…abraços, beijinhos, dar as mãos…é muito mais divertido brincarmos juntos, e felizes, com os brinquedos que são de todos…e todos podemos brincar com os mesmo brinquedos, não ao mesmo tempo…um de cada vez…enquanto um menino está com um brinquedo que nós queríamos, nós brincamos com outro brinquedos, e quando o menino nos der o brinquedo que queríamos, emprestamos o que tínhamos, e ele brinca com outros. É muito bom, e todos ficamos muito mais felizes…se formos todos amigos uns dos outros. Experimentem!

FIM
Lálá
10/Julho/2013

  

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Os desejos da Sofia às estrelas

       


     Era uma vez um casal de lavradores que viviam numa casa pequena, humilde, simples, na aldeia, onde trabalhavam a Terra e esta era o seu principal sustento, além dos extras que a mãe de Sofia fazia para fora como bolos, compotas, croquetes, rissóis e sopas, a preços acessíveis para toda a gente e não lhe faltavam clientes.
            Este casal ainda jovem tinha quatro filhos, pequenos, e Sofia era a mais velha com seis anos. Na casa do lado viviam os avós, pais da mãe, os pais do pai viviam um pouco mais desviados.
            Apesar de não serem muito ricos, sentiam-se felizes e não faltava o principal: comida, conforto e amor. Todos se davam muito bem.
            Sofia, a filha do casal é uma menina muito especial…muito querida, meiga, simpática, bem-disposta que adora ajudar os pais a trabalhar na terra…Geralmente é ela que deita as sementes na terra, as flores…rega as plantas dos vasos, ajuda a alimentar os bichos, ajuda a colher os frutos, adora colaborar com a mãe na cozinha e a tomar conta dos irmãos, com quem brinca e a quem adora.
            De algumas noites para cá, Sofia, antes de dormir ia à sua janela que estava meia aberta por estar muito calor, sentava-se num sofazinho que decorava o quarto, olhava para as estrelas e falava com elas. Às vezes tinha mesmo longas conversas…contava-lhes o que tinha feito durante o dia e à noite, falava sobre os irmãos, os pais, os avós…agradecia-lhes sempre tudo de bom desses dias, mas ultimamente, Sofia acrescentou uma coisa nova…um pedido. Ela disse para as estrelas:
- Queridas estrelas…que estão aí em cima a brilhar, e são minhas amigas…eu gosto muito de vocês, mas gostava ainda mais se…vocês realizassem o meu desejo! (p.c) Eu queria…ajudar umas casas onde vivem muitos meninas e meninos como eu…e como os meus manos. E aquelas casas onde estão senhoras como os meus avós… (p.c) Aqueles meninos, meninas e mais crescidos que são pobrezinhos e não têm o que vestir, nem o que comer, ou se têm são poucas coisas… (p.c) aqueles que a minha mamã e as minhas avós ajudam…dão roupas nossas que já não servem, comidas, cobertores, e outras coisas! (p.c) Só que eu não tenho nada para eles! (p.c) Fico triste porque sei que esses meninos e meninas e mais crescidos…nem têm família com eles…ou que os pais não podem estar com eles! (p.c) Eu queria dar-lhes isso, e queria dar dinheiro para essas casas grandes, para que pudessem dar-lhes as mesmas coisas que os meus pais me dão… (p.c) queria outra coisa…queria ver sorrisos nas caras desses meninos e meninas…e…grandes…dessas casas…e queria que…os meninos que estão nos hospitais ficassem bons depressa! (p.c) Esta noite…os meus desejos são estes…não são muitos pois não? (p.c) Será que vocês podem realizar esses desejos? (p.c) Mas…não demorem muito está bem? Essas pessoas precisam muito (boceja, aparece um duende do sono com um saquinho e sininhos; mete a mão ao saco, e atira ao ar o pó do soninho, solta risinhos) aaaaaaaaaaahhhhhhhhhh…Olhem o João Pestana já chegou! (p.c) Desculpem. (boceja outra vez) Eu ficava aqui mais tempo a falar convosco, mas o João Pestana já está aqui e não posso fazê-lo esperar muito porque ele ainda tem muitos meninos para visitar não é João? (O duende diz que «sim» com a cabeça e sorri) …Boa noite, amigas estrelas! (p.c) Obrigada…e não se esqueçam dos meus desejos!
            A Sofia manda beijinhos às estrelas, deita-se, sorri ao João Pestana que ronda a cama dela aos saltinhos e com risinhos, mete a mão ao saco, tira mais pozinho. Sofia e João Pestana dizem um ao outro «boa noite». Sofia boceja, deita-se, cobre-se e João Pestana sai. Sofia adormece. Entretanto, duas fadas: Di e Mára, ouviram os desejos da Sofia, e ficaram totalmente rendidas à sua inocência e pedido tão simples, que sorriem deliciadas, e trocam impressões:
- Ai, que coisa mais fofa!
- Sim…tão linda!
- Com esta idade, e já pensa nos outros…
- Os desejos que ela pede são para os outros meninos, não são propriamente para ela!
- Esta menina tem uns pais e uns avós maravilhosos!
- Com certeza! São pessoas muito boas, trabalhadoras, humildes, simples…
- E transmitem valores lindíssimos aos filhos.
- É mesmo!
- Ela já aprendeu bem a lição…
- Achas que isto não é o que ela sente?
- Sim, é o que ela sente mesmo…os pedidos dela são sinceros, e verdadeiros.
- Vamos materializar os desejos dela…não vamos?
- Sim, claro! É já. Mas…ela é ainda tão pequenina…achas que ela vai conseguir?
- Claro que vai.
- Bem…também se ela tiver alguma dúvida, nós estamos por aqui, para a ajudar.
- Pois. (p.c) Quando começamos?
- Hoje…a seguir!
- E como…por onde vamos começar?
- Ora…como sempre…deixamos os saquinhos com as sementinhas, e ela terá de cultivar e tratar deles.
- Está bem. Vamos entrar?
- Vamos.
            A menina está deitada, as duas fadas entram sem fazer barulho e põem-se à volta dela. Iluminam o quarto todo dela com estrelas. Sofia olha em volta, senta-se na cama, sorri, e vê as duas fadas. Pergunta muito surpresa:
- Ááááhhh…! Fadas?
            As duas respondem em coro sorridentes, e depois falam: Di e Mára e a menina vai respondendo e perguntando:
- Boa Noite!
- Não te assustes.
- Como é que entraram aqui?
- Pela tua janela!
- Estamos aqui por causa dos teus desejos…hoje pediste uns desejos não foi?
- Sim, pedi, peço muitas vezes, mas foi às estrelas…!
- Sim, nós sabemos.
- Vocês ouviram?
- Ouvimos.
- Tu pediste às estrelas, mas nós é que vamos realizar os teus desejos!
- Mas…porque é que não são as estrelas?
- Porque as estrelas ouvem os teus desejos, mas não podem sair dali de cima…elas não têm assim tanto poder! (p.c) Bem gostavam...é por isso que nós existimos.
- Ai, vocês são amigas das estrelas?
- (em coro) Sim!
- Gostamos muito dos teus desejos, são muito bonitos.
- (sorri) Obrigada! Eu também acho. E a minha mãe e a minha avó dizem que eu tenho bom coração, e que temos mesmo de ser bonzinhos, para ter prendas no Natal, e para sermos felizes temos que dar aos outros.
- (sorriem) Verdade!
- Estás preparada?
- (sorri) Sim, claro! Quero muito ajudar aqueles meninos, e grandes, mas não tenho dinheiro…! Como é que vocês vão realizar os meus desejos? Vão dar dinheiro e outras coisas a esses meninos…? Sim…porque vocês são mágicas.
- (as duas riem. Mára) Trouxemos-te aqui uns saquinhos muito especiais.
- Ááááhhh…uns saquinhos, com poderes mágicos que vão fazer aparecer tudo o que eu pedir, como o génio da lâmpada ou o tapete do Aladino?
- (riem. Di) É…parecido com isso…só que…não basta pedires…vais ter que pedir e plantar estas sementinhas. Os teus pais também podem ajudar se quiserem. Depois de plantá-las…vais ter de as regar…e quando crescerem distribuis e ofereces às crianças dessas casas, e aos mais crescidos! Percebeste?
- Sim…mas nunca ouvi dizer que os desejos se plantavam, regavam e distribuíam…!
- Não, princesa! Infelizmente nem todos os desejos se podem realizar, porque alguns são para fazer mal às pessoas…e são…maus…!
- Para realizarmos o que desejamos, temos de trabalhar, fazer as coisas em direcção à realização dos desejos, temos de nos dedicar…tratar deles…com carinho…e nem sempre os desejos se realizam assim tão rápido!
- Mas…então não quero…porque não posso demorar…os meninos precisam muito urgentemente daquilo, não podem esperar…! Assim não tem piada!
- Assim, é que é! Assim é que tem piada…vais ver! Se fossemos nós a realizar logo todos os desejos que nos pedem…uuuiiii…não sei onde a terra iria parar…talvez já nem existisse…nem sequer humanos…!
- Se realizássemos logo tudo, não vias a beleza que é, de deitar uma sementinha à terra, ou de plantar um sonho no terreno dos sonhos, que vai crescendo…que nos obriga a ter cuidados com ela, a regá-la com entusiasmo, e carinho…
- Óhhh…mas as plantas demoram a crescer…e se demoram…os meninos vão continuar sem nada! (p.c) Não há outro meio mais rápido de realizar os meus desejos?
- Nós percebemos a tua preocupação, querida, mas não tenhas pressa! Eu não disse que estas sementinhas demoram muito tempo a crescer…!
- Quando estas sementinhas crescerem, ainda vais muito a tempo de os ajudar!
- Vais ver que coisas bonitas vão nascer!
- Queres fazer alguma pergunta?
- Não!
- Queres plantar os teus desejos ou não?
- Sim.
- Se quiseres podes plantá-los apenas no terreno dos sonhos…aí, eles crescem rápido…e não tens de cuidar deles…mas se queres mesmo ajudar os meninos…tens de plantar estas sementinhas…cuidar delas, e esperar que elas cresçam…está bem?
- Está bem.
- Qualquer coisa, nós estamos por aqui.
- São sementes de quê?
- De tudo o que quiseres…
- A cada sementinha que pegares…e plantares, pensas num desejo.
- Está bem!
- Aqui estão…!
            As fadas pousam os saquinhos em cima da cama. Mara diz:
- Agora…dorme…amanhã de manhã ou de tarde, plantas tudo o que quiseres está bem?
- Está bem…mas…porque é que não pode ser agora?
- Porque agora é noite, e está escuro…! Vais dormir.
- E os teus papás também precisam de dormir…estão cansados. Não os acordes.
- Está bem. Então…boa noite, e muito obrigada!
- (sorriem) De nada! Boa noite…!
            As fadas saem, e Sofia adormece. Acorda bem cedo, cheia de vontade, alegria e ansiosa para plantar. De madrugada, muito antes do sol nascer, Sofia acorda, vê à janela, e vai a correr para o quarto dos pais. Os pais ainda dormem. Ela mete-se no meio do casal, dá beijos ao pai e à mãe e diz baixinho:
- Mamã…papá…acordem…! Tenho que plantar os meus desejos…mas preciso da vossa ajuda.
            O pai abre os olhos com dificuldade e resmunga com a pequena:
- O que é que estás aqui a fazer, Sofia…vai para a tua cama…! Ainda é muito cedo. (p.c) Deixa-nos dormir.
- Mas…papá…já é quase dia…e eu tenho que plantar os meus desejos…os meninos precisam muitos deles.
- (pai resmunga) Sofia…de manhã plantas o que quiseres…agora dorme, e deixa-nos dormir! (p.c) Vai para a tua cama. Que chata!
            A mãe acorda, e pergunta:
- O que é filha…? (p.c) Tiveste um pesadelo?
- Não, mamã…! Eu vim-vos chamar porque tenho de plantar os meus desejos.
- Mas…que desejos?
- Eu pedi uns desejos às estrelas, e umas fadas deixaram uns saquinhos na minha cama com umas sementinhas para eu plantar…!
- Está bem, princesa…mas daqui a bocado fazemos isso…ainda está escuro. Vai dormir mais um bocadinho.
            O pai aumenta o tom de voz, e resmunga:
- Ainda estás aqui…? Irra…que teimosa…! Já te disse para ires para a tua cama.
            A mãe chateada levanta-se, dá a mão à Sofia, e as duas descem da cama. Sofia abre um grande sorriso. O pai resmunga, a mãe responde meiga:
- Onde vais?
- Dorme…! Vou deitar a Sofia.
- Ela que vá sozinha….Sofia, vai dormir…sabes muito bem onde é o teu quarto, não precisas que a mãe vá contigo.
- Dorme…! Deixa comigo.
- Eu não acredito que vais alimentar as fantasias dela?
- Já te disse que vou deitá-la para dormires em paz.
- E tu também precisas de dormir.
- Não te preocupes comigo…!
- És pior que ela…estás a estragá-la com o mimo.
- Cala-te e dorme.
            Antes que o pai resmungasse mais, as duas vão para o quarto de Sofia. Sofia está em pulgas, e mostra à mãe os saquinhos. A mãe sorri um pouco incrédula, Sofia conta tudo. A mãe ouve-a deliciada e diz:
- Está bem, Sofia, mas olha, o sol ainda não nasceu…vamos deitar-nos mais um bocadinho, para a noite passar mais rápido, e o sol nascer…para podermos plantar isso tudo, está bem?
- Está bem, Mamã…tu ajudas-me?
- Sim. Agora vamos deitar-nos…
- Fica aqui comigo…!
- Está bem.
            Sofia deita-se e a mãe ao lado. Abraçam-se e a mãe de Sofia beija a filha carinhosamente. Sofia retribui os carinhos, e segreda:
- És a melhor mamã do mundo…! Adoro-te, Mamã!
            A Mãe sorri deliciada, e responde:
- Eu também te amo muito, filhota…! Agora vamos dormir, está bem…?! ~
- Está bem...mas…o papá vai ficar sozinho…?
- (sorri) Não faz mal…ele não tem medo.
            Sofia adormece pouco depois. A mãe levanta-se devagar, e vai à janela, sorri, encantada com a noite. Aparece-lhe a Fada Mara. A mãe acha que está a sonhar acordada, ou a imaginar coisas, com o sono…mas sorri á Fada. A Fada Mara e a Mãe de Sofia falam uma com a outra:
- Olá…boa noite!
- Rafaela…há quanto tempo…!
- Nós…já nos conhecemos não…?!
- Sim. Já não te via há muitos anos…desde que…cresceste. Quando eras da idade da tua filha, até quase à Adolescência…eu e tu tínhamos longas conversas…lembras-te?
- (sorri feliz) Sim…! Claro…Fada Mara…!
- (sorri) Eu mesma.
- (sorri) Ááááááhhhh…que saudades! (p.c) Dá-me um abraço…! (as duas abraçam-se e beijam-se) Ai, que bom! (p.c) Eras a minha melhor amiga e confidente…! (p.c) Na verdade…acho que nunca me esqueci de ti, mas claro…toda a gente ia achar que eu era louca…! (p.c) Mas eu sentia muitas vezes a tua presença! 
- Eu tenho andado sempre por aqui. (p.c) Só que agora estou mais com a tua filha! (p.c) Continuas linda…! (p.c) Mesmo assim, não deixo de estar de olho em ti.
- (sorri) Tu também, querida…! (p.c) Sempre foste lindíssima…! És tu que tomas conta da minha princesa?!
- (sorri) Sim. (p.c) Está tão linda…sai bem a ti. (p.c) E é uma menina de ouro. Tem tão bons sentimentos…! (p.c) Pediu uns desejos tão queridos…deixamos aqui umas sementinhas para ela plantar.
- Ááááhhh…a sério? (p.c) Então…era disso que ela estava a falar…?!
- Sim! (p.c) Tu és uma mãe exemplar…linda…maravilhosa…carinhosa…amorosa…e sabes muito bem educar os teus quatro príncipes para os melhores valores que uma pessoa pode ter!
- (sorri) Sim, essa sempre foi uma das minhas principais preocupações! (p.c) Não é por serem meus filhos, mas tenho muito orgulho neles, e acho que são bons meninos.
- (sorri) Podes ter a certeza que sim, e bem podes ter orgulho neles! (p.c) E foi por isso que decidimos realizar os desejos dela…e tem que os plantar, para lhe mostra desde cedo, que os desejos não caem assim das estrelas…que têm de lutar por eles…
            As duas falam mais um pouco, riem, e combinam encontrar-se noutros dias, pois a mãe de Sofia tinha de descansar. Sofia voltou a dormir, e a mãe regressa ao seu quarto, sorridente, e orgulhosa, feliz…onde o marido também está a dormir, e ela própria volta a adormecer.
            De manhã, lá vai Sofia ter com os pais que já estão na cozinha a tomar o pequeno-almoço. Cumprimentam-se, e Sofia pergunta de imediato:
- Óh, mamã…já está sol…onde posso plantar os meus desejos?
            O pai ri-se e responde:
- Sofia…os desejos não se plantam em vasinhos…muitos deles nem se realizam.
- Mas as minhas amigas fadinhas deixaram uns saquinhos com sementinhas para eu plantar.
- Achas que os pais têm tempo para plantar sonhinhos e coisas da tua imaginação?
            A mãe responde com um sorriso:
- Eu já te arranjo um canteirinho para plantares lá os teus desejos.
            Sofia sorri feliz, o pai abana a cabeça e encolhe os ombros, murmurando:
- Não acredito que vais alimentar as fantasias ridículas da tua filha…
- Vou claro, que sim.
- Como é possível…? Que idade é que tu tens, mulher?
            A mãe nem responde. Tomam o pequeno-almoço e enquanto a mãe vai vestir os pequenotes, Sofia já se veste sozinha, e vai a correr para o terreno com os saquinhos das sementes na mão. O pai já lá está com os avós. Sofia cumprimenta os avós alegremente, e diz à avó feliz:
- Avó…vou plantar os meus desejos.
            As avós sorriem e fazem de conta que acreditam. O pai ignora a abanar a cabeça. As fadas estão de olho, espreitam atrás do espigueiro, onde tem um canteiro de vago, sorriem e ficam a ver tudo. A Avó pergunta, e Sofia responde:
- E onde arranjaste isso?
- Foram umas fadas que me deram…eu pedi uns desejos às estrelas, e elas enviaram as fadas para realizarem os meus desejos!
- Áh. Muito bem…que simpáticas que foram as estrelas e as fadas…é porque mereces…!
- (sorri) Sim. (p.c) Só espero que cresçam rápido…!
            Entra a mãe com os mais pequenotes, sorridente e cumprimenta a sua mãe. Ela diz:
- Sofia: planta aqui…! Sabes como fazer não sabes?
- (feliz e sorridente) Sim, sei mamã!
            A Avó acrescenta:
- Se precisares de ajuda, diz…está bem?
- Está bem, Avó…obrigada.
            Sofia, com a pá pequena abre uns buraquinhos e pergunta:
- Avó…achas que assim está bem…este tamanho de buraco?
            A avó vê e responde:
- Está bem, querida…mas se for mais fundo um bocadinho não faz mal…planta um carreirinho está bem?
            A Sofia abre mais um pouco, sorri, põe uma sementinha em cada buraco, pensando sempre num desejo para os meninos, tapa as sementinhas, manda beijinhos, planta em fila, pelo canteirinho todo. A Avó e a Mãe sorriem ao apreciar a delicadeza da pequena, e o jeitinho para plantar. Depois de todas tapadas, rega uma por uma. A avó questiona-se:
- Humm…o que sairá dali…? (p.c) Óh filha…que sementes são aquelas?
            A mãe sorri e responde:
- São…de flores…de estrelas…dos desejos da Sofia… (p.c. a Avó não percebe) Não sei o que vai sair dali.
            A Avó ri-se, e o marido que ouviu comenta:
- Que disparate! (p.c) Não acredito que te estás a deixar influenciar pelas fantasias infantis da tua filha…! (p.c) Aquelas sementes o mais certo é que não dêem nada…ela deve-as ter arranjado por aí espalhadas, e meteu-as nuns sacos, para fingir que foram lá…aquelas figuras…que lhes deram.
            A mãe responde, e a Avó acrescenta:
- Tens que ser sempre o mesmo desmancha prazeres…! Deixa a nossa filha imaginar…é criança…! Tudo isto é normal e saudável.
- Olha…mesmo que seja fantasia e não saia nada de lá, pelo menos ela está a mexer na terra…a brincar e a aprender…! Olha que jeitinho que ela tem…!
            As duas riem. Sofia vai brincar com os manos. Depois de um dia intenso de trabalho dos pais, e de brincadeira da Sofia, vão descansar, mas antes disso, Sofia volta a olhar para as estrelas e a falar com elas:
- Queridas estrelas…já plantei todos os meus desejos, com as sementinhas que as fadas me deixaram. (p.c) Queria pedir-vos agora…que as faças crescer rápido! (p.c) Obrigada. (p.c) Desculpem não falar mais convosco, mas hoje estou cansada…vou dormir, está bem? (p.c) Boa Noite!
            As fadas viram tudo, e sorriem ao ouvi-la. Enquanto Sofia dorme, os duendes trabalham por ela…dão uma mãozinha para que os desejos da menina se cumpram. Dançam alegremente à frente do canteiro, batem palmas, riem, sacodem-se, para abençoar as sementinhas, e para crescerem mais rápido. Regam novamente as sementinhas…e essa dança faz com que as sementinhas comecem a despertar da terra. Aparecem umas folhinhas verdes, pequeninas.
Na manhã seguinte, a Sofia fica em êxtase, feliz ao ver as folhinhas pequeninas. Mostra à Avó e à Mãe e ao Pai. A Avó e a Mãe sorriem surpresas, e intrigadas, o Pai desvaloriza. A Sofia fica a apreciar, acaricia suavemente cada folhinha verde, sorridente e rega novamente.
Mas nesse dia, uma coisa muito estranha acontece…fica tudo nublado, de repente e ameaça chover. Levanta-se um vento fortíssimo. Todos vão para dentro de casa, e os cães e outros animais correm para debaixo do espigueiro, onde estão as sementinhas, muito assustados com a forte trovoada que rompe o céu. As crianças estão assustadíssimas. Sofia lembra-se das sementinhas, e grita:
- Óhhh…as sementinhas…! (p.c. olha pela janela) Óóóhhhh…não acredito…os cães estão ali…com os gatos…e com os pássaros…Aaaaaiiii… (e chora).
            O Avô acalma Sofia, mas ela arranja sempre argumentos de insegurança e de medo que alguma coisa aconteça com as sementinhas:
- Calma, querida…não tem problema os animais estarem ali…estão abrigados. E as sementinhas também estão protegidas pela terra.
- Mas eles vão esmagar as folhinhas…ou comê-las…!
- Não vão nada…! As folhinhas ainda são muito pequeninas, eles não lhes tocam!
- Olha para ali…aaaaahhhhhh…! (chora e grita)
- Não te preocupes, filha.
- Óh, estava tão contente com as folhinhas…!
- E elas vão continuar ali…!
            Mas infelizmente, o medo da Sofia concretizou-se…os passarinhos comeram muitas das sementinhas…começaram a debicar e comeram bastantes, deliciados. Os cães de tão assustados com a trovoada, mexem-se de um lado para o outro, e pisam as folhinhas todas. A tempestade prolonga-se pela tarde toda, e no final da tarde, quando deixa de chover, Sofia vai a correr ver o canteiro. E está tudo destruído. Ela desata a gritar e a chorar:
- Nãããããããããããoooooooooooooo….não pode ser! p.c. Os meus desejos…todos destruídos…! E agora...­? (p.c) Fadas…! O que faço? Seus malvados… cães feios. E pássaros estúpidos.
            A fada Mara aprece e diz suavemente. Sofia está desconsolada.
- Óh, princesa… não fiques triste…!
- Já viste o que aconteceu aos meus desejos?
- Plantas de novo. Tens aqui mais sementes.
- Tanto trabalho, para agora ficarem assim…em terra…! (p.c) Os meninos vão ficar muito tristes comigo! 
- Não vão nada! Eles esperam.
- Estava tão feliz com as folhinhas verdes que tinham aparecido…e de repente, por causa daqueles bichos patetas…ficou tudo destruído. (p.c) Não é justo!
- Pois não, princesa, mas o que tens de fazer agora é plantar novamente!
- Aaaaaiiii…apetece-me bater-lhes!
- Não faças isso! Os bichinhos não fizeram por mal.
            A fada Mara entrega mais sementinhas a Sofia, e incentiva a plantar de novo. Sofia alisa a terra e volta a plantar muito triste. A fada comenta…
- Querida, sorri…! Assim tão triste, elas não vão vingar!
- Mas como posso sorrir, se não estou feliz?
- Então plantas de novo mais tarde, ou noutro dia.
- Mas os meninos…!
- Não te preocupes com os meninos. Eles não fogem. Tu és tão corajosa…e tão boa menina, que vais ser recompensada, mesmo que pelo meio, te aconteçam coisas menos boas, como esta…sabes…há coisas que nos acontecem e não podemos prever nem controlar. Mas temos de continuar e fazer de novo, quantas vezes forem precisas!
- Aaaaaiiii…que trabalho…! Não me podes ajudar para ser mais rápido?
- Não querida…desculpa, mas tens de ser tu.
- Então, pelo menos protege as minhas novas sementinhas.
- Isso…prometo que vou tentar. Planta com muito amor e carinho.
            A menina planta de novo, e rega as sementinhas com muito amor e carinho. Nessa noite, aparece o Índio das estrelas, e juntamente com os duendes atiram uns pozinhos para a terra, em cima das sementinhas e estas renascem. Sofia fica feliz ao ver novamente as folhinhas verdes de fora, e um bocadinho maiores. Rega a terra, mas nem por azar, nessa mesma tarde, vai tudo outra vez pelos ares por causa de uma forte ventania, chuva e trovoada que arranca as sementinhas, transportando as mesmas para os respectivos orfanatos e lares que Sofia tanto queria ajudar.
Sofia fica outra vez muito triste, e desanimada, mas a Fada dá essa boa notícia à menina. Ela fica feliz e no dia seguinte, ouvem pessoas a dizer que os orfanatos e lares da aldeia encontraram umas plantas desconhecidas nos seus jardins das quais nasceram lindíssimas flores, enormes e nunca antes vistas. Mas aos milhares. E iriam vender essas flores para quem quisesse, a favor dos orfanatos e lares, para ajudar. Eram as sementinhas da Sofia.
Ela ficou muito feliz e planta mais sementes cheias de amor e carinho. Durante muitos dias, a menina, o índio das estrelas e os duendes voltam a deitar pozinho com as duas danças para as sementes, e nascem rapidamente mais milhares de lindas e enormes flores, que são transportadas para os jardins dos orfanatos e lares no bico de passarinhos, em asas de borboletas, e penas de galinha, levadas pelo vento.
Por serem tão lindas, todos os habitantes da aldeia as compram, muitas de cada vez, e levam para vender nos seus empregos. Num instante, os orfanatos e lares juntam muito dinheiro, e passam a receber a visita de imensa gente que todos os dias vão comprar e vender. Assim, conseguem superar todas as dificuldades e necessidades principais. Sofia agradece ao vento e aos animais…
- Querido vento…queridos animais…muito obrigada pela vossa ajuda! (p.c) Fiquei muito triste por terem destruído as minhas sementinhas, e por as terem comido…mas agora…estou muito feliz convosco porque foram vocês que transportaram as sementinhas das flores, cada qual a mais bonita, e a venda dessas flores, realizou o meu desejo de ajudar os meninos dos orfanatos e lares. (p.c) Muito obrigada, estrelinhas, por terem realizado o meu desejo. (p.c) Podem dar – me mais sementinhas…? (p.c) Muito obrigada! Boa noite.
            A menina deita – se, adormece, e as fadas voltam a por mais uns saquinhos de sementinhas. A fada Mara sussurra…
- Linda menina…! Planta com muito amor e carinho…mesmo que encontres obstáculos não fiques triste, e planta de novo com alegria!
- Muitas vezes a realização dos nossos desejos não é fácil, e temos de enfrentar vários obstáculos, mas esses devem tornar a nossa vontade mais forte, e nunca devemos desistir à primeira!
- Muitas vezes, os nossos desejos são realizados indirectamente…!
- Os sonhos e os desejos podem ser plantados, no terreno da nossa vontade, da nossa luta, do nosso empenho e dedicação…tudo isto leva o seu tempo…como qualquer plantação demora o seu tempo a nascer e a crescer…por isso também é importante sabermos esperar.
- Se esses sonhos e desejos forem com o coração e se forem o melhor para nos ou para os outros, eles vão realizar – se.

FIM
Lálá
21 Junho de 2012