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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Os desejos da Sofia às estrelas

       


     Era uma vez um casal de lavradores que viviam numa casa pequena, humilde, simples, na aldeia, onde trabalhavam a Terra e esta era o seu principal sustento, além dos extras que a mãe de Sofia fazia para fora como bolos, compotas, croquetes, rissóis e sopas, a preços acessíveis para toda a gente e não lhe faltavam clientes.
            Este casal ainda jovem tinha quatro filhos, pequenos, e Sofia era a mais velha com seis anos. Na casa do lado viviam os avós, pais da mãe, os pais do pai viviam um pouco mais desviados.
            Apesar de não serem muito ricos, sentiam-se felizes e não faltava o principal: comida, conforto e amor. Todos se davam muito bem.
            Sofia, a filha do casal é uma menina muito especial…muito querida, meiga, simpática, bem-disposta que adora ajudar os pais a trabalhar na terra…Geralmente é ela que deita as sementes na terra, as flores…rega as plantas dos vasos, ajuda a alimentar os bichos, ajuda a colher os frutos, adora colaborar com a mãe na cozinha e a tomar conta dos irmãos, com quem brinca e a quem adora.
            De algumas noites para cá, Sofia, antes de dormir ia à sua janela que estava meia aberta por estar muito calor, sentava-se num sofazinho que decorava o quarto, olhava para as estrelas e falava com elas. Às vezes tinha mesmo longas conversas…contava-lhes o que tinha feito durante o dia e à noite, falava sobre os irmãos, os pais, os avós…agradecia-lhes sempre tudo de bom desses dias, mas ultimamente, Sofia acrescentou uma coisa nova…um pedido. Ela disse para as estrelas:
- Queridas estrelas…que estão aí em cima a brilhar, e são minhas amigas…eu gosto muito de vocês, mas gostava ainda mais se…vocês realizassem o meu desejo! (p.c) Eu queria…ajudar umas casas onde vivem muitos meninas e meninos como eu…e como os meus manos. E aquelas casas onde estão senhoras como os meus avós… (p.c) Aqueles meninos, meninas e mais crescidos que são pobrezinhos e não têm o que vestir, nem o que comer, ou se têm são poucas coisas… (p.c) aqueles que a minha mamã e as minhas avós ajudam…dão roupas nossas que já não servem, comidas, cobertores, e outras coisas! (p.c) Só que eu não tenho nada para eles! (p.c) Fico triste porque sei que esses meninos e meninas e mais crescidos…nem têm família com eles…ou que os pais não podem estar com eles! (p.c) Eu queria dar-lhes isso, e queria dar dinheiro para essas casas grandes, para que pudessem dar-lhes as mesmas coisas que os meus pais me dão… (p.c) queria outra coisa…queria ver sorrisos nas caras desses meninos e meninas…e…grandes…dessas casas…e queria que…os meninos que estão nos hospitais ficassem bons depressa! (p.c) Esta noite…os meus desejos são estes…não são muitos pois não? (p.c) Será que vocês podem realizar esses desejos? (p.c) Mas…não demorem muito está bem? Essas pessoas precisam muito (boceja, aparece um duende do sono com um saquinho e sininhos; mete a mão ao saco, e atira ao ar o pó do soninho, solta risinhos) aaaaaaaaaaahhhhhhhhhh…Olhem o João Pestana já chegou! (p.c) Desculpem. (boceja outra vez) Eu ficava aqui mais tempo a falar convosco, mas o João Pestana já está aqui e não posso fazê-lo esperar muito porque ele ainda tem muitos meninos para visitar não é João? (O duende diz que «sim» com a cabeça e sorri) …Boa noite, amigas estrelas! (p.c) Obrigada…e não se esqueçam dos meus desejos!
            A Sofia manda beijinhos às estrelas, deita-se, sorri ao João Pestana que ronda a cama dela aos saltinhos e com risinhos, mete a mão ao saco, tira mais pozinho. Sofia e João Pestana dizem um ao outro «boa noite». Sofia boceja, deita-se, cobre-se e João Pestana sai. Sofia adormece. Entretanto, duas fadas: Di e Mára, ouviram os desejos da Sofia, e ficaram totalmente rendidas à sua inocência e pedido tão simples, que sorriem deliciadas, e trocam impressões:
- Ai, que coisa mais fofa!
- Sim…tão linda!
- Com esta idade, e já pensa nos outros…
- Os desejos que ela pede são para os outros meninos, não são propriamente para ela!
- Esta menina tem uns pais e uns avós maravilhosos!
- Com certeza! São pessoas muito boas, trabalhadoras, humildes, simples…
- E transmitem valores lindíssimos aos filhos.
- É mesmo!
- Ela já aprendeu bem a lição…
- Achas que isto não é o que ela sente?
- Sim, é o que ela sente mesmo…os pedidos dela são sinceros, e verdadeiros.
- Vamos materializar os desejos dela…não vamos?
- Sim, claro! É já. Mas…ela é ainda tão pequenina…achas que ela vai conseguir?
- Claro que vai.
- Bem…também se ela tiver alguma dúvida, nós estamos por aqui, para a ajudar.
- Pois. (p.c) Quando começamos?
- Hoje…a seguir!
- E como…por onde vamos começar?
- Ora…como sempre…deixamos os saquinhos com as sementinhas, e ela terá de cultivar e tratar deles.
- Está bem. Vamos entrar?
- Vamos.
            A menina está deitada, as duas fadas entram sem fazer barulho e põem-se à volta dela. Iluminam o quarto todo dela com estrelas. Sofia olha em volta, senta-se na cama, sorri, e vê as duas fadas. Pergunta muito surpresa:
- Ááááhhh…! Fadas?
            As duas respondem em coro sorridentes, e depois falam: Di e Mára e a menina vai respondendo e perguntando:
- Boa Noite!
- Não te assustes.
- Como é que entraram aqui?
- Pela tua janela!
- Estamos aqui por causa dos teus desejos…hoje pediste uns desejos não foi?
- Sim, pedi, peço muitas vezes, mas foi às estrelas…!
- Sim, nós sabemos.
- Vocês ouviram?
- Ouvimos.
- Tu pediste às estrelas, mas nós é que vamos realizar os teus desejos!
- Mas…porque é que não são as estrelas?
- Porque as estrelas ouvem os teus desejos, mas não podem sair dali de cima…elas não têm assim tanto poder! (p.c) Bem gostavam...é por isso que nós existimos.
- Ai, vocês são amigas das estrelas?
- (em coro) Sim!
- Gostamos muito dos teus desejos, são muito bonitos.
- (sorri) Obrigada! Eu também acho. E a minha mãe e a minha avó dizem que eu tenho bom coração, e que temos mesmo de ser bonzinhos, para ter prendas no Natal, e para sermos felizes temos que dar aos outros.
- (sorriem) Verdade!
- Estás preparada?
- (sorri) Sim, claro! Quero muito ajudar aqueles meninos, e grandes, mas não tenho dinheiro…! Como é que vocês vão realizar os meus desejos? Vão dar dinheiro e outras coisas a esses meninos…? Sim…porque vocês são mágicas.
- (as duas riem. Mára) Trouxemos-te aqui uns saquinhos muito especiais.
- Ááááhhh…uns saquinhos, com poderes mágicos que vão fazer aparecer tudo o que eu pedir, como o génio da lâmpada ou o tapete do Aladino?
- (riem. Di) É…parecido com isso…só que…não basta pedires…vais ter que pedir e plantar estas sementinhas. Os teus pais também podem ajudar se quiserem. Depois de plantá-las…vais ter de as regar…e quando crescerem distribuis e ofereces às crianças dessas casas, e aos mais crescidos! Percebeste?
- Sim…mas nunca ouvi dizer que os desejos se plantavam, regavam e distribuíam…!
- Não, princesa! Infelizmente nem todos os desejos se podem realizar, porque alguns são para fazer mal às pessoas…e são…maus…!
- Para realizarmos o que desejamos, temos de trabalhar, fazer as coisas em direcção à realização dos desejos, temos de nos dedicar…tratar deles…com carinho…e nem sempre os desejos se realizam assim tão rápido!
- Mas…então não quero…porque não posso demorar…os meninos precisam muito urgentemente daquilo, não podem esperar…! Assim não tem piada!
- Assim, é que é! Assim é que tem piada…vais ver! Se fossemos nós a realizar logo todos os desejos que nos pedem…uuuiiii…não sei onde a terra iria parar…talvez já nem existisse…nem sequer humanos…!
- Se realizássemos logo tudo, não vias a beleza que é, de deitar uma sementinha à terra, ou de plantar um sonho no terreno dos sonhos, que vai crescendo…que nos obriga a ter cuidados com ela, a regá-la com entusiasmo, e carinho…
- Óhhh…mas as plantas demoram a crescer…e se demoram…os meninos vão continuar sem nada! (p.c) Não há outro meio mais rápido de realizar os meus desejos?
- Nós percebemos a tua preocupação, querida, mas não tenhas pressa! Eu não disse que estas sementinhas demoram muito tempo a crescer…!
- Quando estas sementinhas crescerem, ainda vais muito a tempo de os ajudar!
- Vais ver que coisas bonitas vão nascer!
- Queres fazer alguma pergunta?
- Não!
- Queres plantar os teus desejos ou não?
- Sim.
- Se quiseres podes plantá-los apenas no terreno dos sonhos…aí, eles crescem rápido…e não tens de cuidar deles…mas se queres mesmo ajudar os meninos…tens de plantar estas sementinhas…cuidar delas, e esperar que elas cresçam…está bem?
- Está bem.
- Qualquer coisa, nós estamos por aqui.
- São sementes de quê?
- De tudo o que quiseres…
- A cada sementinha que pegares…e plantares, pensas num desejo.
- Está bem!
- Aqui estão…!
            As fadas pousam os saquinhos em cima da cama. Mara diz:
- Agora…dorme…amanhã de manhã ou de tarde, plantas tudo o que quiseres está bem?
- Está bem…mas…porque é que não pode ser agora?
- Porque agora é noite, e está escuro…! Vais dormir.
- E os teus papás também precisam de dormir…estão cansados. Não os acordes.
- Está bem. Então…boa noite, e muito obrigada!
- (sorriem) De nada! Boa noite…!
            As fadas saem, e Sofia adormece. Acorda bem cedo, cheia de vontade, alegria e ansiosa para plantar. De madrugada, muito antes do sol nascer, Sofia acorda, vê à janela, e vai a correr para o quarto dos pais. Os pais ainda dormem. Ela mete-se no meio do casal, dá beijos ao pai e à mãe e diz baixinho:
- Mamã…papá…acordem…! Tenho que plantar os meus desejos…mas preciso da vossa ajuda.
            O pai abre os olhos com dificuldade e resmunga com a pequena:
- O que é que estás aqui a fazer, Sofia…vai para a tua cama…! Ainda é muito cedo. (p.c) Deixa-nos dormir.
- Mas…papá…já é quase dia…e eu tenho que plantar os meus desejos…os meninos precisam muitos deles.
- (pai resmunga) Sofia…de manhã plantas o que quiseres…agora dorme, e deixa-nos dormir! (p.c) Vai para a tua cama. Que chata!
            A mãe acorda, e pergunta:
- O que é filha…? (p.c) Tiveste um pesadelo?
- Não, mamã…! Eu vim-vos chamar porque tenho de plantar os meus desejos.
- Mas…que desejos?
- Eu pedi uns desejos às estrelas, e umas fadas deixaram uns saquinhos na minha cama com umas sementinhas para eu plantar…!
- Está bem, princesa…mas daqui a bocado fazemos isso…ainda está escuro. Vai dormir mais um bocadinho.
            O pai aumenta o tom de voz, e resmunga:
- Ainda estás aqui…? Irra…que teimosa…! Já te disse para ires para a tua cama.
            A mãe chateada levanta-se, dá a mão à Sofia, e as duas descem da cama. Sofia abre um grande sorriso. O pai resmunga, a mãe responde meiga:
- Onde vais?
- Dorme…! Vou deitar a Sofia.
- Ela que vá sozinha….Sofia, vai dormir…sabes muito bem onde é o teu quarto, não precisas que a mãe vá contigo.
- Dorme…! Deixa comigo.
- Eu não acredito que vais alimentar as fantasias dela?
- Já te disse que vou deitá-la para dormires em paz.
- E tu também precisas de dormir.
- Não te preocupes comigo…!
- És pior que ela…estás a estragá-la com o mimo.
- Cala-te e dorme.
            Antes que o pai resmungasse mais, as duas vão para o quarto de Sofia. Sofia está em pulgas, e mostra à mãe os saquinhos. A mãe sorri um pouco incrédula, Sofia conta tudo. A mãe ouve-a deliciada e diz:
- Está bem, Sofia, mas olha, o sol ainda não nasceu…vamos deitar-nos mais um bocadinho, para a noite passar mais rápido, e o sol nascer…para podermos plantar isso tudo, está bem?
- Está bem, Mamã…tu ajudas-me?
- Sim. Agora vamos deitar-nos…
- Fica aqui comigo…!
- Está bem.
            Sofia deita-se e a mãe ao lado. Abraçam-se e a mãe de Sofia beija a filha carinhosamente. Sofia retribui os carinhos, e segreda:
- És a melhor mamã do mundo…! Adoro-te, Mamã!
            A Mãe sorri deliciada, e responde:
- Eu também te amo muito, filhota…! Agora vamos dormir, está bem…?! ~
- Está bem...mas…o papá vai ficar sozinho…?
- (sorri) Não faz mal…ele não tem medo.
            Sofia adormece pouco depois. A mãe levanta-se devagar, e vai à janela, sorri, encantada com a noite. Aparece-lhe a Fada Mara. A mãe acha que está a sonhar acordada, ou a imaginar coisas, com o sono…mas sorri á Fada. A Fada Mara e a Mãe de Sofia falam uma com a outra:
- Olá…boa noite!
- Rafaela…há quanto tempo…!
- Nós…já nos conhecemos não…?!
- Sim. Já não te via há muitos anos…desde que…cresceste. Quando eras da idade da tua filha, até quase à Adolescência…eu e tu tínhamos longas conversas…lembras-te?
- (sorri feliz) Sim…! Claro…Fada Mara…!
- (sorri) Eu mesma.
- (sorri) Ááááááhhhh…que saudades! (p.c) Dá-me um abraço…! (as duas abraçam-se e beijam-se) Ai, que bom! (p.c) Eras a minha melhor amiga e confidente…! (p.c) Na verdade…acho que nunca me esqueci de ti, mas claro…toda a gente ia achar que eu era louca…! (p.c) Mas eu sentia muitas vezes a tua presença! 
- Eu tenho andado sempre por aqui. (p.c) Só que agora estou mais com a tua filha! (p.c) Continuas linda…! (p.c) Mesmo assim, não deixo de estar de olho em ti.
- (sorri) Tu também, querida…! (p.c) Sempre foste lindíssima…! És tu que tomas conta da minha princesa?!
- (sorri) Sim. (p.c) Está tão linda…sai bem a ti. (p.c) E é uma menina de ouro. Tem tão bons sentimentos…! (p.c) Pediu uns desejos tão queridos…deixamos aqui umas sementinhas para ela plantar.
- Ááááhhh…a sério? (p.c) Então…era disso que ela estava a falar…?!
- Sim! (p.c) Tu és uma mãe exemplar…linda…maravilhosa…carinhosa…amorosa…e sabes muito bem educar os teus quatro príncipes para os melhores valores que uma pessoa pode ter!
- (sorri) Sim, essa sempre foi uma das minhas principais preocupações! (p.c) Não é por serem meus filhos, mas tenho muito orgulho neles, e acho que são bons meninos.
- (sorri) Podes ter a certeza que sim, e bem podes ter orgulho neles! (p.c) E foi por isso que decidimos realizar os desejos dela…e tem que os plantar, para lhe mostra desde cedo, que os desejos não caem assim das estrelas…que têm de lutar por eles…
            As duas falam mais um pouco, riem, e combinam encontrar-se noutros dias, pois a mãe de Sofia tinha de descansar. Sofia voltou a dormir, e a mãe regressa ao seu quarto, sorridente, e orgulhosa, feliz…onde o marido também está a dormir, e ela própria volta a adormecer.
            De manhã, lá vai Sofia ter com os pais que já estão na cozinha a tomar o pequeno-almoço. Cumprimentam-se, e Sofia pergunta de imediato:
- Óh, mamã…já está sol…onde posso plantar os meus desejos?
            O pai ri-se e responde:
- Sofia…os desejos não se plantam em vasinhos…muitos deles nem se realizam.
- Mas as minhas amigas fadinhas deixaram uns saquinhos com sementinhas para eu plantar.
- Achas que os pais têm tempo para plantar sonhinhos e coisas da tua imaginação?
            A mãe responde com um sorriso:
- Eu já te arranjo um canteirinho para plantares lá os teus desejos.
            Sofia sorri feliz, o pai abana a cabeça e encolhe os ombros, murmurando:
- Não acredito que vais alimentar as fantasias ridículas da tua filha…
- Vou claro, que sim.
- Como é possível…? Que idade é que tu tens, mulher?
            A mãe nem responde. Tomam o pequeno-almoço e enquanto a mãe vai vestir os pequenotes, Sofia já se veste sozinha, e vai a correr para o terreno com os saquinhos das sementes na mão. O pai já lá está com os avós. Sofia cumprimenta os avós alegremente, e diz à avó feliz:
- Avó…vou plantar os meus desejos.
            As avós sorriem e fazem de conta que acreditam. O pai ignora a abanar a cabeça. As fadas estão de olho, espreitam atrás do espigueiro, onde tem um canteiro de vago, sorriem e ficam a ver tudo. A Avó pergunta, e Sofia responde:
- E onde arranjaste isso?
- Foram umas fadas que me deram…eu pedi uns desejos às estrelas, e elas enviaram as fadas para realizarem os meus desejos!
- Áh. Muito bem…que simpáticas que foram as estrelas e as fadas…é porque mereces…!
- (sorri) Sim. (p.c) Só espero que cresçam rápido…!
            Entra a mãe com os mais pequenotes, sorridente e cumprimenta a sua mãe. Ela diz:
- Sofia: planta aqui…! Sabes como fazer não sabes?
- (feliz e sorridente) Sim, sei mamã!
            A Avó acrescenta:
- Se precisares de ajuda, diz…está bem?
- Está bem, Avó…obrigada.
            Sofia, com a pá pequena abre uns buraquinhos e pergunta:
- Avó…achas que assim está bem…este tamanho de buraco?
            A avó vê e responde:
- Está bem, querida…mas se for mais fundo um bocadinho não faz mal…planta um carreirinho está bem?
            A Sofia abre mais um pouco, sorri, põe uma sementinha em cada buraco, pensando sempre num desejo para os meninos, tapa as sementinhas, manda beijinhos, planta em fila, pelo canteirinho todo. A Avó e a Mãe sorriem ao apreciar a delicadeza da pequena, e o jeitinho para plantar. Depois de todas tapadas, rega uma por uma. A avó questiona-se:
- Humm…o que sairá dali…? (p.c) Óh filha…que sementes são aquelas?
            A mãe sorri e responde:
- São…de flores…de estrelas…dos desejos da Sofia… (p.c. a Avó não percebe) Não sei o que vai sair dali.
            A Avó ri-se, e o marido que ouviu comenta:
- Que disparate! (p.c) Não acredito que te estás a deixar influenciar pelas fantasias infantis da tua filha…! (p.c) Aquelas sementes o mais certo é que não dêem nada…ela deve-as ter arranjado por aí espalhadas, e meteu-as nuns sacos, para fingir que foram lá…aquelas figuras…que lhes deram.
            A mãe responde, e a Avó acrescenta:
- Tens que ser sempre o mesmo desmancha prazeres…! Deixa a nossa filha imaginar…é criança…! Tudo isto é normal e saudável.
- Olha…mesmo que seja fantasia e não saia nada de lá, pelo menos ela está a mexer na terra…a brincar e a aprender…! Olha que jeitinho que ela tem…!
            As duas riem. Sofia vai brincar com os manos. Depois de um dia intenso de trabalho dos pais, e de brincadeira da Sofia, vão descansar, mas antes disso, Sofia volta a olhar para as estrelas e a falar com elas:
- Queridas estrelas…já plantei todos os meus desejos, com as sementinhas que as fadas me deixaram. (p.c) Queria pedir-vos agora…que as faças crescer rápido! (p.c) Obrigada. (p.c) Desculpem não falar mais convosco, mas hoje estou cansada…vou dormir, está bem? (p.c) Boa Noite!
            As fadas viram tudo, e sorriem ao ouvi-la. Enquanto Sofia dorme, os duendes trabalham por ela…dão uma mãozinha para que os desejos da menina se cumpram. Dançam alegremente à frente do canteiro, batem palmas, riem, sacodem-se, para abençoar as sementinhas, e para crescerem mais rápido. Regam novamente as sementinhas…e essa dança faz com que as sementinhas comecem a despertar da terra. Aparecem umas folhinhas verdes, pequeninas.
Na manhã seguinte, a Sofia fica em êxtase, feliz ao ver as folhinhas pequeninas. Mostra à Avó e à Mãe e ao Pai. A Avó e a Mãe sorriem surpresas, e intrigadas, o Pai desvaloriza. A Sofia fica a apreciar, acaricia suavemente cada folhinha verde, sorridente e rega novamente.
Mas nesse dia, uma coisa muito estranha acontece…fica tudo nublado, de repente e ameaça chover. Levanta-se um vento fortíssimo. Todos vão para dentro de casa, e os cães e outros animais correm para debaixo do espigueiro, onde estão as sementinhas, muito assustados com a forte trovoada que rompe o céu. As crianças estão assustadíssimas. Sofia lembra-se das sementinhas, e grita:
- Óhhh…as sementinhas…! (p.c. olha pela janela) Óóóhhhh…não acredito…os cães estão ali…com os gatos…e com os pássaros…Aaaaaiiii… (e chora).
            O Avô acalma Sofia, mas ela arranja sempre argumentos de insegurança e de medo que alguma coisa aconteça com as sementinhas:
- Calma, querida…não tem problema os animais estarem ali…estão abrigados. E as sementinhas também estão protegidas pela terra.
- Mas eles vão esmagar as folhinhas…ou comê-las…!
- Não vão nada…! As folhinhas ainda são muito pequeninas, eles não lhes tocam!
- Olha para ali…aaaaahhhhhh…! (chora e grita)
- Não te preocupes, filha.
- Óh, estava tão contente com as folhinhas…!
- E elas vão continuar ali…!
            Mas infelizmente, o medo da Sofia concretizou-se…os passarinhos comeram muitas das sementinhas…começaram a debicar e comeram bastantes, deliciados. Os cães de tão assustados com a trovoada, mexem-se de um lado para o outro, e pisam as folhinhas todas. A tempestade prolonga-se pela tarde toda, e no final da tarde, quando deixa de chover, Sofia vai a correr ver o canteiro. E está tudo destruído. Ela desata a gritar e a chorar:
- Nãããããããããããoooooooooooooo….não pode ser! p.c. Os meus desejos…todos destruídos…! E agora...­? (p.c) Fadas…! O que faço? Seus malvados… cães feios. E pássaros estúpidos.
            A fada Mara aprece e diz suavemente. Sofia está desconsolada.
- Óh, princesa… não fiques triste…!
- Já viste o que aconteceu aos meus desejos?
- Plantas de novo. Tens aqui mais sementes.
- Tanto trabalho, para agora ficarem assim…em terra…! (p.c) Os meninos vão ficar muito tristes comigo! 
- Não vão nada! Eles esperam.
- Estava tão feliz com as folhinhas verdes que tinham aparecido…e de repente, por causa daqueles bichos patetas…ficou tudo destruído. (p.c) Não é justo!
- Pois não, princesa, mas o que tens de fazer agora é plantar novamente!
- Aaaaaiiii…apetece-me bater-lhes!
- Não faças isso! Os bichinhos não fizeram por mal.
            A fada Mara entrega mais sementinhas a Sofia, e incentiva a plantar de novo. Sofia alisa a terra e volta a plantar muito triste. A fada comenta…
- Querida, sorri…! Assim tão triste, elas não vão vingar!
- Mas como posso sorrir, se não estou feliz?
- Então plantas de novo mais tarde, ou noutro dia.
- Mas os meninos…!
- Não te preocupes com os meninos. Eles não fogem. Tu és tão corajosa…e tão boa menina, que vais ser recompensada, mesmo que pelo meio, te aconteçam coisas menos boas, como esta…sabes…há coisas que nos acontecem e não podemos prever nem controlar. Mas temos de continuar e fazer de novo, quantas vezes forem precisas!
- Aaaaaiiii…que trabalho…! Não me podes ajudar para ser mais rápido?
- Não querida…desculpa, mas tens de ser tu.
- Então, pelo menos protege as minhas novas sementinhas.
- Isso…prometo que vou tentar. Planta com muito amor e carinho.
            A menina planta de novo, e rega as sementinhas com muito amor e carinho. Nessa noite, aparece o Índio das estrelas, e juntamente com os duendes atiram uns pozinhos para a terra, em cima das sementinhas e estas renascem. Sofia fica feliz ao ver novamente as folhinhas verdes de fora, e um bocadinho maiores. Rega a terra, mas nem por azar, nessa mesma tarde, vai tudo outra vez pelos ares por causa de uma forte ventania, chuva e trovoada que arranca as sementinhas, transportando as mesmas para os respectivos orfanatos e lares que Sofia tanto queria ajudar.
Sofia fica outra vez muito triste, e desanimada, mas a Fada dá essa boa notícia à menina. Ela fica feliz e no dia seguinte, ouvem pessoas a dizer que os orfanatos e lares da aldeia encontraram umas plantas desconhecidas nos seus jardins das quais nasceram lindíssimas flores, enormes e nunca antes vistas. Mas aos milhares. E iriam vender essas flores para quem quisesse, a favor dos orfanatos e lares, para ajudar. Eram as sementinhas da Sofia.
Ela ficou muito feliz e planta mais sementes cheias de amor e carinho. Durante muitos dias, a menina, o índio das estrelas e os duendes voltam a deitar pozinho com as duas danças para as sementes, e nascem rapidamente mais milhares de lindas e enormes flores, que são transportadas para os jardins dos orfanatos e lares no bico de passarinhos, em asas de borboletas, e penas de galinha, levadas pelo vento.
Por serem tão lindas, todos os habitantes da aldeia as compram, muitas de cada vez, e levam para vender nos seus empregos. Num instante, os orfanatos e lares juntam muito dinheiro, e passam a receber a visita de imensa gente que todos os dias vão comprar e vender. Assim, conseguem superar todas as dificuldades e necessidades principais. Sofia agradece ao vento e aos animais…
- Querido vento…queridos animais…muito obrigada pela vossa ajuda! (p.c) Fiquei muito triste por terem destruído as minhas sementinhas, e por as terem comido…mas agora…estou muito feliz convosco porque foram vocês que transportaram as sementinhas das flores, cada qual a mais bonita, e a venda dessas flores, realizou o meu desejo de ajudar os meninos dos orfanatos e lares. (p.c) Muito obrigada, estrelinhas, por terem realizado o meu desejo. (p.c) Podem dar – me mais sementinhas…? (p.c) Muito obrigada! Boa noite.
            A menina deita – se, adormece, e as fadas voltam a por mais uns saquinhos de sementinhas. A fada Mara sussurra…
- Linda menina…! Planta com muito amor e carinho…mesmo que encontres obstáculos não fiques triste, e planta de novo com alegria!
- Muitas vezes a realização dos nossos desejos não é fácil, e temos de enfrentar vários obstáculos, mas esses devem tornar a nossa vontade mais forte, e nunca devemos desistir à primeira!
- Muitas vezes, os nossos desejos são realizados indirectamente…!
- Os sonhos e os desejos podem ser plantados, no terreno da nossa vontade, da nossa luta, do nosso empenho e dedicação…tudo isto leva o seu tempo…como qualquer plantação demora o seu tempo a nascer e a crescer…por isso também é importante sabermos esperar.
- Se esses sonhos e desejos forem com o coração e se forem o melhor para nos ou para os outros, eles vão realizar – se.

FIM
Lálá
21 Junho de 2012

HUGO E O SUPER CORTA-UNHAS

Olá amigos, vocês têm medo de cortar as unhas? Vão conhecer agora um menino como vocês, que vos vai contar o segredo dele, pois já não tem medo. Junta-te a ele, com os teus pais. Hugo apresenta-te aos nossos amigos, por favor!
– Olá amigos e amigas…chamo-me Hugo, e sou um menino como vocês. Vou contar-vos um segredo…eu tinha medo do meu super amigo Corta Unhas, mas isso passou, quando ele me contou uma história. Queres saber qual foi? Amigo…não te importas de contar essa história para os meninos?
         O Super Corta Unhas adora contar esta história…fica muito feliz sempre que a conta.
– Claro que não me importo…contarei esta história quantas vezes forem precisas. Olá amiguinhos e amiguinhas…aí desse lado…Chamo-me Corta Unhas. Sim…tenho um nome muito estranho não tenho…? Não sou Hugo, nem Miguel, nem David…nem outro nome igual ao vosso, e sou diferente de vocês…não sou de carne osso. E porque sou diferente, todos somos, conheço gente diferente. Por exemplo…grupos de famílias de fungos e micro-organismos, pais e filhos…não conheces? É possível, mas também não fiques triste por não saberes quem são essas famílias. Porquê? Porque são todos muito feios, horríveis, irritantes…minúsculos…tu não os vês, mas eles vêem – te! Estes seres nojentos estão constantemente a mudar de casa, porque ninguém os quer…e não admira, pois eles deixam sempre as casas imundas, estragadas, maltratadas. São tão diferentes de nós…que tanto de instalam debaixo das unhas das crianças, como nas unhas de adultos; conforme o número de elementos da família. Eles estão por todo o lado, na Natureza, em tudo o que tu tocas, e o seu passatempo preferido é caminhar pelos corpos humanos, e provocar doenças nas células, órgãos, por onde passam. Ninguém gosta deles, nem os querem por perto, claro, quem é que quer ficar doente? Ninguém! Tu também não os deves querer, nem deves deixar que eles se instalem nas tuas unhas! Não te fazem falta nenhuma, não são simpáticos, não falam contigo, não brincam contigo, nem partilham brinquedos…não te dão nada de bom. Mas também não precisas deles para nada, por isso, o melhor é mesmo mandá-los embora! Porque…não é bonito teres as unhas grandes e sujas…lhec! Nós somos seres humanos, não somos bactérias, micro-organismos, nem fungos horrorosos, por isso devemos estar só na companhia de pessoas…como os nossos pais…os nossos avós…os nossos manos, manas, primos, tios e amigos…e muitas outras pessoas boas. Não sejas amigo ou amiga deles! Eles são muito maus contigo, não merecem a tua amizade, nem a tua companhia. Às vezes eles são muito atrevidos e invadem as nossas unhas, mesmo sem deixarmos e sem querermos. É natural que aconteça, quando estás a brincar ou a pintar. E nem dás por isso! Mas quando isso acontecer, despacha-os rapidamente, caso contrário…vão-te dar muitos aborrecimentos e aos teus pais também, que terão de te levar ao doutor…sim, aquele senhor ou senhora da bata branca!
– Não sabes como? É muito fácil…chamas o super Corta Unhas!
– Eu mesmo!
– Permites-me que fale um bocadinho mais de ti, amigo?
– Claro que sim! À vontade!
– Este é o meu amigo super Corta Unhas. Somos amigos inseparáveis, tanto…que ele vive na minha casa com outros familiares muito semelhantes a ele! Ele é um verdadeiro amigo nosso. Não precisas de ter medo dele…ele pode ser grande ou pequeno, é assim brilhante e tem uma poderosa arma contra esses vizinhos malvadões que invadem as nossas unhas e fazem-nos muito bem! Eu e o super Corta Unhas somos uma dupla imparável. Até sou membro de um clube de amigos que se juntam com muito orgulho ao super Corta Unhas no combate à maldade de fungos, micro-organismos e família. O meu super amigo, tem uma arma super poderosa, mas não tenhas medo. O quê? Disseram-te para teres medo de armas?! Sim, os adultos têm razão…deves proteger-te de armas verdadeiras que os grandes usam com intenção de magoar os outros. Mas desta arma do meu amigo não tens que ter medo, pois não, amigo?
- Não! Nada de medo!
- O super Corta Unhas não te come nenhum pedaço de dedo, ou o dedo todo, nem te atravessa a pele. Ele só se junta às cabeças dos teus dedos para expulsar os habitantes horríveis que vivem nas nossas unhas. Ele não nos magoa, nem nos vai matar! Só vais sentir o fresquinho do seu fato, porque ele é feito de metal. É bom! E vais ouvir um som discreto, que passa quase despercebido…um tic…tic…tic…não te assustes com esse barulhinho. São só os disparos da sua arma! Para nós são sons baixinhos, mas para aqueles monstros, são um som muito potente. E há outra arma do meu amigo, que às vezes usa primeiro, para erradicar todos os vestígios que possam ter deixado…quer dizer…essa arma que parece uma espada, limpa toda a porcaria que esses malvados deixam nas casas…as nossas unhas. Já viste que atrevimento…?
- Verdade, amigo! É isso mesmo!
- Pede a um adulto para se juntar…e fazer uns miminhos ao meu amigo…assim ele dispara de uma maneira mais segura e certeira! Quando fores mais crescido farás tu isso.
- É isso mesmo! Olha…tu que ouviste esta história tão linda de amizade…convido-te para fazeres parte do meu clube…! Que tal? Junta-te a nós! Só tens que preencher o cartãozinho de membro do clube no fim desta história, e recebes a medalha…mas só quando deixares de ter medo de cortar as unhas! Só receberás a medalha se prometeres que terás sempre as unhas limpas e curtinhas! Lembra-te…livra-te desses vizinhos feios, maus…não deixes que se instalem nas tuas unhas! Sempre que eles teimarem em aparecer…chama-me e juntos vamos combate-los! Algum adulto deve assinar o cartão como testemunha! E depois podes pendurar a medalha do clube super corta unhas para te lembrares que tens o super poder de te livrares de fungos, bactérias e companhia limitada…as famílias deles…todos aqueles seres horrorosos de que te falamos…e assim também não precisarás de ir tantas vezes aos senhores e senhoras da bata branca!
- Eu já sou membro deste clube do super Corta Unhas! Junta-te a nós…nós gostamos muito de estar rodeados de amigos…e traz os teus amigos…! Vai ser uma grande alegria. Dá-me um abraço…meu amigão!
- É para já, querido super amigo! Com todo o gosto.
         Abraçam-se.
- Gosto muito de ti!
- Eu também gosto muito de ti…e de todos os meninos que fazem parte do meu clube!

FIM!!
Lálá
(25/Maio/2012)

As quatro princesas do ano




Era uma vez quatro raparigas que viviam numa floresta, mas gostavam muito de ir para a cidade que ficava logo ali ao lado. 
Estas quatro raparigas eram particularmente atraentes e belas, que nunca apareciam juntas e tinham poderes especiais sobre as pessoas, elas e os seus familiares que adoravam acompanhá-las nos passeios. 
Tanto elas como os familiares não se viam todo o ano, mas quando iam à cidade toda a gente sentia a sua presença e reparava nelas.



De 21 de Março até 21 de Junho, a Princesa de nome Primavera, desfila elegantemente pela cidade. 
Sempre misteriosamente muito linda, com uma presença forte, sorridente, leve, fresca, colorida, deixando um rasto de flores por onde passa. 
As suas roupas são mais leves, mais frescas, mais coloridas, mas leva sempre um casaquinho de malha, pelo menos de manhã.
Muitas vezes, a Princesa passeia-se com o seu namorado, de nome Vento, igualmente poderoso e com uma presença forte, pois toda a gente o sente...é que ele é muito possessivo e demasiado ciumento, e por isso sopra muitas vezes forte.
Na cidade, as pessoas sentem estes dois seres porque a Princesa tem o poder de derreter todo o gelo, e despertar à sua passagem toda a terra adormecida…obra da Princesa Inverno. 
É o que acontece às fontes de água, como rios, ribeiros e outros, que aumentam o seu caudal…talvez…seja a Natureza a chorar de alegria pelo seu renascer mágico, ou chorará pela intensidade da luz do sol. 
Independentemente da razão que a leva a chorar, esta é uma altura de ouro para os animais e para toda a Terra.
Por onde ela passa: as flores despertam cheias de cor, alegria, delicadeza, vaidade, sorridentes, lindas, abrem-se para receber o carinho do sol, e serem apreciadas por quem passa. A relva e erva renascem muito tenras, de um verde irresistível, fresco, crescem rápido.
Além Princesa também acaricia os passarinhos e todos os animais que dormiram muitos meses e que ficaram nas suas tocas por causa da Princesa Inverno. 
Todos saem alegremente das tocas, correm soltos e felizes ao sol, pelos campos, chilreiam deliciosamente nas árvores e voam livres, outros desentorpecem as asas e voam, dançam pelo ar…parece que flutuam, e pousam, beijam e rebolam nas flores…é lindo ver!
Tão lindo que nem o Sol resiste…fica mais ardente de atracção pela Princesa, mais brilhante e luminoso…como acontece com os olhos das pessoas que se apaixonam. 
Às vezes fica tão encantado e tão entusiasmado com esta Princesa, que o seu sorriso encandeia as pessoas, torna-se até perigosamente quente para as pessoas!
Tudo ganha novamente vida, cor e alegria. Mas nem tudo é bom…porque com tanto entusiasmo as pessoas querem andar à vontade, e facilitam porque está quentinho e sol…e quando o namorado da Princesa vai com ela, as pessoas aguentam com os seus intensos ataques de ciúmes…prejudicando a sua saúde.
Ele não é meigo, e não tem medo de expressar o que sente: fica tão louco de ciúmes por toda a gente reparar e apreciar a sua deusa, que puxa cabelos às pessoas, sacode as pobres flores e árvores para soltar os pólens e plátanos das flores e das árvores…para as fazer espirrar, tossir, coçar, os narizes quase caem, mas isso dá imenso gozo ao vento…ele ri às gargalhadas e sente-se muito poderoso. 
Adora ver as pessoas doentes, para saberem quem manda! Por vezes, a sua raiva é tão grande que sopra quente.
Esta Princesa também gosta de passear na companhia de alguns amigos, filhos da sua amiga, a Princesa Inverno: as nuvens, o frio, a chuva e…de tempos a tempos…a trovoada e a Neve, cujas presenças também se sentem intensamente por todas as pessoas.



Dizem que Paixões de Verão enterram-se na areia. Pois…algumas. Com tanta paixão, calor e euforia, o Sol fica um pouco cansado a partir de 21 de Setembro…altura em que a Princesa Verão dá lugar à Princesa Outono, embora à Princesa Verão lhe custe muito ir embora, porque adora ver a felicidade das pessoas esses meses em que está presente. 
É por isto que muitas vezes, no Outono, ainda há dias quentes, em que se pode fazer praia, mas o Sol já não está tão apaixonado, nem tão luminoso.
Depois de tantos passeios, a 21 de Junho, a Princesa Primavera e Amigos vão de férias, e no seu lugar, aparece a Princesa Verão, igualmente linda…sedutora, provocadora. 
Desfila muito leve, parece que flutua, veste-se de forma ardente, quase sem roupa, cheia de luz, brilho, alegria, sorrisos e risos.
A sua passagem e a sua presença na Terra são contagiantes, deixam os seres humanos felizes, entusiasmados.
Procuram incessantemente as praias para estar perto do mar, as montanhas para se refrescarem à sombra, outras fontes de água, e andam quase sem roupa. 
O que desperta muitas paixões entre os homens…mas infelizmente nem sempre este entusiasmo traz bons resultados, porque há gente que polui a Terra o ano todo, e nesta altura, os incêndios e os mosquitos são uma constante.
O Sol fica completamente louco de paixão e desejo por esta Princesa, eufórico…não resiste à sua presença. 
É por isso que os dias no Verão são muito grandes, pois o Sol quer apreciar esta Princesa o máximo de tempo possível…e por esta razão, as pessoas sentem muito calor, o sol queima mesmo…ficam mais sonolentas, molengas e cansadas.


A Princesa Outono é mais tímida que a Princesa Primavera e que a Princesa Verão, mas é também muito bonita, e oferece surpresas especiais aos seres humanos. 
Adora vestir-se de cores como: vermelho, verde, amarelo, cor-de-laranja, castanho…e porque a sua presença é mais discreta, as pessoas ficam mais tristes, sentem mais frio, agasalham-se mais, os dias já são mais pequenos, e até aparecem muitas nuvens, vento e chuva. Os animais andam mais murchos.
Esta Princesa costuma trazer o seu irmão Vento (namorado da Primavera) e estes não são muito delicados. 
O vento com os seus ciúmes e a sua sede de vingança. Juntamente com a sua irmã tímida e solitária, divertem-se à grande, a fazer novos penteados às árvores…
Mas a Princesa, gosta mais de se dedicar aos trabalhos manuais, usando essas folhas para construir tapetes fenomenais.
Á sua passagem, arrancam-lhes as folhas como quem arranca cabelos, pisam-nas, atiram-nas pelo ar, e secam-nas. 
Por isso é que vemos sempre tantas folhas espalhadas pelo chão, o que tem a sua beleza, pela mistura de cores, e variedade de tamanhos, formatos...
As crianças adoram andar por cima destes tapetes, mas nem sempre acaba bem…porque caem…principalmente quando chove.
Alem destas belezas, estes dois manos oferecem às pessoas: castanhas, frutos deliciosos como uvas, que fazem muito bem à saúde, milho, espigas, há muita alegria nas vindimas, fazem-se magustos, e os campos ficam lindíssimos.

                             Lara Rocha