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sábado, 19 de setembro de 2020

o escorrega dos gatos

         

Foto de Lara Rocha 

Era uma vez um dia de pleno Inverno, onde tudo à volta estava gelado, exceto uns gatos vadios que se protegiam do frio sem terem lugar certo, era em qualquer árvore onde existisse uma toca. 

    Numa dessas tardes cheias, ameaçava chover, e os gatos já há vários dias andavam de olho num escorrega gigante de uma casa para uma piscina. Olhavam e voltavam a olhar, sem saber o que era, mas cheios de curiosidade.

    Os donos da casa saíram e os gatos puderam finalmente investigar mais de perto o que era aquilo. Entraram no jardim, cheiraram, e mal puseram uma pata no escorrega, coberto de água e gelo, deslizaram a alta velocidade, sem conseguir parar. 

    Tentaram agarrar-se, espetaram as unhas no gelo, deram muitas cambalhotas, voltas e mais voltas, viraram-se ao contrário, miaram aflitos, tentaram segurar-se uns nos outros, mas só pararam no muro da piscina. Quase eram projetados, a sorte é que a piscina também estava coberta com um plástico e gelo. 

- Uau! - suspiram todos ofegantes

- O que é que acabou de acontecer aqui? - pergunta um gato 

- Não sei. - respondem todos 

- Estes humanos são loucos. Metem-se numa coisa destas? - comenta outro gato 

- Malta... não sei o que é isto, mas foi radical! - diz um gato a rir 

- Foi. - Dizem todos numa gargalhada coletiva 

- Acho que nunca andamos tão rápido como hoje... - comenta outro gato a rir 

- Parece que fizemos uma maratona! - diz outro gato 

- Aquilo parece um bocado perigoso, mas até foi divertido. - diz outro 

- Sim. - concordam todos 

- Vamos outra vez? - sugere outro gato 

- Vamos... 

    E os gatos voltam a subir o escorrega, com muita dificuldade, deslizes, arranhadelas e unhadas no gelo, pequenas descidas enquanto subiam, muita brincadeira, às vezes até se deixavam escorregar de propósito, giravam e voltavam a subir, riram, tentaram agarrar-se uns aos outros, mas escorregavam e miavam.

      Ao chegar ao topo do escorrega, recuperaram o fôlego, olharam para a paisagem. 

- Que linda a paisagem daqui. - suspira um gato 

- É mesmo! - concordam todos 

    Ficam em silêncio a percorrer a paisagem com os olhos, encantados. 

- O que haverá ali por trás do nevoeiro...? - pensa alto, um gato 

- Talvez... monte! - responde outro gato 

- Sim. - concordam todos 

- Uau! - suspiram todos 

    Sentem o vento no pelo, estremecem, sacodem-se. Aparece um jovem a tocar violino, e para a olhar para os gatos. Deitam-se de barriga e começam a descer, deixam-se levar ao sabor do gelo, e do entusiasmo. 

    O rapaz começa a tocar, e os gatos parecem deslizar no escorrega, ao som da música que ele toca. Rodam, dançam, giram, mudam de posição, brincam, miam divertidos, e param outra vez no muro da piscina. 

    O rapaz aplaude, e gosta tanto que os convida para repetir o que fizeram, enquanto ele toca, e filma. Os gatos aceitaram, voltaram a subir o escorrega, e tanto na subida como na descida do escorrega, divertem-se, gritam, riem, dançam, fazem coreografias, ao som do violino. 

    O rapaz aplaude, agradece e para retribuir convida-os a entrar na sua casa. Oferece-lhes um banho de água quente, numa bacia para cada um, enquanto prepara petiscos e camas confortáveis, os gatos deliciam-se com a água quente, conversando alegremente uns com os outros sobre o que tinha acontecido nesse dia. 

    Saem do banho, esfregam-se nas toalhas, o rapaz penteia-lhes o pelo, dá-lhes de comer, e põe-nos comodamente instalados em almofadões perto da lareira. Enquanto se deliciam com os petiscos, o conforto e o calor, ouvem as histórias do jovem, que fala com eles, como se estivesse com pessoas. 

    Os gatos compreendem-no, lambem-no, esfregam-se nele, e o jovem mostra-lhes os vídeos daquela tarde. Todos se riem com vontade. Depois desse dia, os gatos não saíram mais daquela casa, e tornaram-se amigos inseparáveis do jovem, uma segunda família. 

    Sentiam-se uns reis. participaram em muitos trabalhos do amigo músico, com bailados inventados por eles, cheios de encanto e magia. Esses trabalhos passaram a ser o sustento do jovem. 

    Um escorrega que mudou a vida de gatos e de um jovem músico   


                                                            FIM 

                                                            Lálá 

                                                   19/Setembro/2020


  

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A ÁRVORE E OS SEUS BRACINHOS

      
            Foto de Lara Rocha 

       Era uma vez um tronco de uma árvore muito grosso e largo, cheio de braços com garras finas, que vivia numa floresta. Num dia de Inverno, os galhos observaram atentamente e muito curiosos, um céu cinzento e nuvens roxas, azuis escuras, violetas.
        Eles preferiam o sol, é claro, mas amavam a natureza, por isso aceitavam e respeitavam! Os galhos sentiram uma enorme vontade de tocar nas nuvens.
        Os braços mais carinhosos queriam pegar nelas, deitá-las e sentá-las nos seus colos, embalá-las nos seus braços para dormirem.  Os mais delicados queriam tocar-lhes para saber como eram. Os mais comilões queriam poder prová-las ou trincá-las.
O mais agressivo, o mais nervoso e o mais resmungão, queriam chegar-lhes e arranhá-las, rasgá-las, pisá-las, amassá-las e torcê-las. Os mais irrequietos queriam subir, saltar, correr, escorregar, rebolar.
Os mais pesados, queriam ir lá, para ver se ficavam mais leves, os mais tristes queriam abraçar-se às nuvens e conversar com elas. Os mais preguiçosos, os dorminhocos e os sonhadores, queriam as nuvens para fazer uma caminha, uma almofadinha e um cobertor.
Cada um tinha os seus sonhos e desejos. Nesse mesmo dia, depois de uma chuva torrencial, um nevoeiro muito cerrado envolveu toda a floresta.
Os galhos pensaram que o seu desejo se ia realizar, que as nuvens tinham ido ao seu encontro, porque eles estavam presos e não podiam sair, e ficaram muito entusiasmados, felizes…
Tentaram fazer tudo o que queriam, mas perceberam que não conseguiam agarrá-las, nem prová-las, nem tocar-lhes, nem abraçá-las, como tinham imaginado.
Óh…ficaram mesmo tristes! Tão tristes que começaram a chorar. O tronco ficou encharcado, parecia que de repente tinha recomeçado a chover outra vez, muito forte.
O tronco olhou para os galhos e perguntou o porquê de tanta tristeza. Cada um contou os seus desejos, e todos pensaram que podiam realizá-los…
O tronco explicou que não eram nuvens. Era nevoeiro, por isso, nem nas nuvens, nem no nevoeiro podiam ou conseguiam tocar…só na imaginação deles.
Foi mesmo isso que fizeram! Fecharam os olhos e deixaram-se levar pelos seus sonhos, sem nunca sair do seu tronco. Lá…cada um conseguiu realizar o que queria.
E todos sorriram. O sorriso deles foi tão luminoso, e tão doce, sincero, que até as nuvens gostaram, afastaram-se envergonhadas, a sorrir, porque sabiam que aqueles galhos estavam a pensar nelas, parou a chuva…o sol voltou a brilhar, mesmo que com as nuvens por trás.
Para retribuírem a lembrança e o carinho, cada nuvem deu um bocadinho das suas cores através de um sopro, e todas juntas construíram um gigantesco arco-íris, visto em toda a floresta. Os galhos perceberam que foram as nuvens, agradeceram em coro e aplaudiram.
E vocês? Já sonharam com nuvens? Ou imaginaram histórias ao ver as nuvens? O que é que já descobriram lá?

FIM
Lálá
(11/Fevereiro/2016)


        


terça-feira, 5 de maio de 2015

O pássaro de asas douradas

 
Pintado por Lara Rocha num livro para colorir de arte terapia e relaxamento para adultos. 

Era uma vez um lugar gelado, com neves eternas, onde o sol praticamente nunca era visto, porque embora ele tentasse entrar o gelo era imenso e era a mesma coisa que não entrar. Não havia flores, nem animais porque não encontravam lá comida, só árvores enormes que faziam uma imensa sombra.
O gelo da paisagem estendia-se aos seus habitantes: pessoas muito sérias, tristonhas, com ar pesado, que não sabiam rir, nem se olhavam ou falavam uns com os outros. Só quando o sol tentava entrar é que todos faziam uma grande festa, mas era de pouca dura.
Um dia, uma criança que lá vivia viu alguma coisa dourada a brilhar no céu. Pensou que era uma estrela, mas esta mexia-se, e ficou na sua janela a ver se voltava a mexer-se ou se desaparecia.
Para sua surpresa, o que ela pensava ser uma estrela mexeu-se, e foi-se tornando maior…quanto mais se aproximava, maior se tornava. Só aí é que ela viu que afinal não era uma estrela, era um enorme pássaro muito bonito, de penas recortadas e finas, cheias de cor e douradas nas pontas, pareciam asas bordadas.
- Áh! Que lindo! – Diz a menina  
O pássaro quase congelado pousa na janela da menina. Ela abre a janela.
- Posso entrar só um bocadinho? – Pediu o pássaro
- Claro que sim…deves estar congelado.
- Quase!
Ele entra.
- Uau! És tão bonito. – Diz a menina
- Obrigado. – Responde o pássaro
- Nunca te vi por aqui. Parecias-me uma estrela.
- Eu sou de muito longe.
- E porque é que vieste aqui?
- Em breve saberás.
- Porque é que não posso saber agora?
- Ainda é cedo.
- Porquê?
- Porque ainda é cedo. Não posso dizer já. Como é que conseguem viver aqui neste gelo? Não têm sol, nem paisagem, flores ou animais…
- Sim! É mesmo muito frio aqui, mas já estamos habituados.
- O sol não entra aqui, pois não?
- Muito raramente! Quando entra fazemos uma grande festa.
- Imagino! Espreitei pelas janelas das casas, e não estavam nada sorridentes.
- Não. Acho que nenhum de nós sabe o que é isso!
- Não sabem sorrir?
- Não.
- E rir?
- Também não. Já é de nós sermos muito tristes e sérios…
- Não admira, com este gelo e sem sol.
- O sol faz milagres?
- Faz! É muito precioso e preciso.
Os dois têm uma longa conversa até a menina ir dormir. O pássaro também já estava a ficar muito triste naquele ambiente, pois estava muito habituado ao sol.
Voltou para a sua toca e pediu a uma estrela que lhe desse um banho de sol. A estrela fez-lhe a vontade e ele ficou outra vez com as penas douradas.
Depois, no dia seguinte de manhã bem cedo, voltou ao sítio gelado e com o nascer dos primeiros raios de sol, abanou as suas asas douradas e dançou.
A menina lá estava na janela à procura dele, e quando o viu ficou muito surpresa. Com o mexer das asas douradas, caem na neve raios enormes de sol e todo o gelo começa a partir.
Fica nesse espaço uma claridade imensa, e aparece o sol no céu…as enormes árvores que tapavam o sol, e estavam encostadas umas às outras para se aquecerem, desencostam-se e afastam-se.
Finalmente o sol conseguiu entrar lá e até as árvores sentiram o seu calor ainda leve por ser muito cedo…mesmo assim, elas já estão mais sorridentes e com uma força renovada. Até já têm mais cor.
Depois, o pássaro sacode as suas asas de cor, e onde o gelo derreteu rapidamente caem sementes de flores que vão nascer em breve de todas as cores.
As pessoas saem de casa e nem querem acreditar….que grande mudança. Primeiro, todas abrem um pequenino sorriso, e depois quando vêem tanta claridade abrem um sorriso de orelha a orelha. Olham uns para os outros, e em vez de não se falarem nem sorrirem, cumprimentam-se sorridentes.
- Áh! Que milagre…quem fez isto? - Diz a menina
        O pássaro pousa outra vez na sua janela:
- Muito melhor agora…e ainda verão muitas mais surpresas.
- Então foste tu?
- Sim!
- Foi para isto que vieste?
- Foi.
- Isto era o que eu não podia saber ontem?
- Isso mesmo.
- Que lindo! Muito obrigada! A nossa aldeia nunca mais vai ser a mesma. O sol é lindo.
- É. E vai aquecer ainda mais.
- Boa!
- Já vi as pessoas que saíram de casa cumprimentarem-se com sorrisos abertos.
- Mas o sol veio para ficar?
- Claro que sim.
- Obrigada! – Diz a menina
E nesse mesmo dia, no fim dos trabalhos das pessoas, ainda de dia, os habitantes juntaram-se todos na praça do sol, que embora tivesse esse nome, não via o sol há muito tempo, e festejaram a presença do sol.
Estavam todos muito sorridentes, e procuraram conhecer-se uns aos outros, até estavam a sentir calor porque não estavam habituados a tanto sol. O pássaro de asas douradas aprecia orgulhoso e feliz, pousado no solo e recebe muitos mimos das pessoas.
Desde esse dia, o sol nunca mais saiu de lá, até porque adorava ver os sorrisos e a felicidade dos habitantes, pela sua presença, e porque toda a natureza precisava dele para nascer e tornar aquele espaço mais bonito, mais saudável e alegre. E conseguiu.
O sol faz bem a tudo! Aquece-nos, dá-nos luz, cor, saúde e alegria, porque todos nós, seres humanos também somos filhos da Mãe Natureza como o sol, e precisamos dele. Quando não há sol ficamos mais tristes como as pessoas deste sítio.
E vocês? Gostam de sol?
Sabem qual é a importância do sol para nós e para o planeta?
  
                                       FIM
                                       Lara Rocha 

                                    (5/Maio/2015)  

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A CAIXA VAZIA
























    Era uma vez um grupo de meninos pequeninos que estavam no corredor do seu colégio, e de repente ouviram alguém a chorar muito. Olharam todos uns para os outros e não estava nenhum a chorar.
- Está alguém a chorar…! – Observa uma menina
- Não somos nós. – Dizem todos
- Pois não…
- Mas alguém está.
        E procuram por todas as salas alguém que possa estar a chorar. Não está ninguém. Voltam ao corredor, e voltam a ouvir chorar, sem saber de onde, e quem. De repente, vêem água a cair de uma caixa vazia.
- Olhem…está aqui água…- Diz um menino
- Pois está…- Dizem todos
- E estou a ouvir chorar…
- Eu também.
     A água vinha da caixa…eram as suas lágrimas.
- Óhhh… - Dizem todos
- A caixa está a chorar! – Repara uma menina
- Coitadinha! – Comenta outra menina
- Pois está… - Dizem todos
- Porque estás a chorar? – Pergunta outra menina
- Porque estou vazia. – Responde a caixa
- Tens fome?
- Não.
- Então porque querias estar cheia?
- Queria estar cheia de brinquedos para dar a meninos que não têm.
- Nós estamos aqui a fazer isso.
- Mas eu ainda não tenho nada.
- Porque os nossos pais ainda não trouxeram…
- Mas fica descansada, nós vamos pedir aos nossos pais outra vez, para deixarem aqui uma prendinha.
- Não chores mais, está bem?
- Se me prometerem que vão encher-me de brinquedos e outras coisas, para meninos pobres, eu não choro mais.
- Prometemos!
        Os meninos cumpriram a promessa. Quando os pais vão lá buscá-los, eles dizem-lhes que a caixa estava a chorar muito triste, porque estava vazia e queria estar cheia de brinquedos e outras coisas para muitos meninos pobres.
        Os pais ficam felizes e orgulhosos por terem uns filhos sensíveis e bondosos, e nos dias seguintes dessa semana, a caixa que chorava por estar vazia, ficou muito feliz e risonha porque fica cheia de brinquedos, comida e roupas para dar a meninos mais pobres. Até a enchem muitas mais vezes.
        Na noite de Natal, os meninos pobres recebem muitas prendas, e os meninos que encheram a caixa, recebem um presente extra: uma luzinha, que um duende do Pai Natal lhes deixa na almofada com um bilhetinho que diz para eles porem essa luzinha junto deles, junto do coração…era o prémio pela sua bondade. A luz do amor, da bondade, da partilha e da felicidade.
        Os meninos, não esqueceram nunca mais essa noite de Natal tão especial. Nem os que deram os presentes, nem os que receberam. E os que deram os presentes, nunca mais se separaram da luzinha.
        Feliz Natal…e que a luzinha oferecida pelo Pai Natal brilhe cada vez mais em nós, todo o ano, porque Natal pode ser todo o ano. E não se esqueçam de agradecer tudo o que têm, mesmo que achem que vos falte alguma coisa. Com certeza falta muita coisa, não temos tudo, nem podemos ter tudo o que queremos, mas o mais importante é que não falte: a saúde, a comida, roupa, higiene, amor, carinho, atenção, dedicação e amizade, e partilha, quando queremos ou podemos.
        Esses são os presentes mais importantes que podemos e devemos ter todo o ano, e não só no Natal.

FIM
Lálá

(1/Dezembro/2014)

BAILADO NO GELO

        Era uma vez um cantinho que uma floresta que estava completamente gelada, e congelada. Tudo o que era água estava em pedra, as flores estavam cobertas de gelo, os troncos cheios de neve e gelo, e um silêncio gelado. Tudo dormia.
        Uma menina passou nesse jardim, e arrepiou-se.
- Mas como é possível…? Está tudo petrificado…gelado…! Não gosto!
        A menina fecha os olhos, e imagina o jardim todo em movimento. De repente, ela abre os olhos, e ouve uma música suave e alegre. Olha para todo o lado, e não sabe de onde vem.
De uma gruta que parecia congelada, deslizam do seu interior, lindos cisnes e patinhos, por cima do gelo, sem partir, e dançam ao som da música como se andassem de patins. A menina fica encantada, e bate palmas.
De um tronco congelado, aparecem dezenas de lindas borboletas e pequeninas fadinhas que andam de patins de gelo, em cima do gelo das pétalas das flores, congeladas. Deslizam levemente e com delicadeza. Lindo! Fazem piruetas, saltam, rodopiam no solo, e o gelo não parte. Patinam de flor em flor, felizes.
Mais à frente, a menina anda em cima de gelo que está no chão, com cuidado. Escorrega e senta o rabo no chão. Outras fadas riem-se e dão-lhe as mãos, e todas escorregam alegremente, dançam em cima do gelo, de mãos dadas, brincam e o gelo não parte.
Mais à frente, estão uns ursinhos bebés a brincar em cima de pequenos pedaços de gelo, partidos, num grande lago, que nos anos anteriores costumava ter camadas muito grossas de gelo, e dentro da água, estão mergulhadas foquinhas, golfinhos, pinguins e muitos peixes diferentes.
Estes animais não parecem nada felizes. A menina pergunta-lhes porquê. Eles explicam-lhe que estão muito preocupados porque o gelo está a desaparecer, porque o planeta está a mudar e a aquecer. Isso é muito perigoso para eles.
A menina perguntou-lhes o que podia fazer para os ajudar. Eles responderam…nada! Ela pensou que eles estavam a dizer para ela nadar na água gelada, e começa aos gritos.
A mãe vai ter com ela. Ela abre os olhos…
- Mãe…os bichos queriam que eu nadasse na água gelada.
- Que água gelada? Que bichos?
- Áhhh…estou em casa.
- Claro. Onde querias estar?
- Pensei que estava num jardim congelado, onde dançaram borboletas, e fadas de patins, cisnes, e patinhos que caminharam sobre o gelo do lago, patinaram nas pétalas das flores que estavam congeladas, que lindo! Dançavam tão bem! Tão levezinhas…. E depois…estive num lago enorme, onde vi ursos a brincar em cima de pedaços de gelo, separados do gelo…eu perguntei-lhes se podia fazer alguma coisa por eles, e eles mandaram-me nadar…disseram…nada! Mas como é que eu ia nadar naquela água gelada…?
- (ri) Áh! Já percebi…estavas a sonhar…
- Estava? Parece que sim…se estou no quarto, e no quentinho…estava a sonhar. Ufa! Que susto!
- Foi porque ouviste dizer que o gelo está a derreter e o planeta a aquecer…não foi?
- Foi. Fiquei muito preocupada…
- Pois. E é de ficar.
- Não podemos fazer nada?
- Podemos…muita coisa. Principalmente…reciclar tudo o que pudermos, não destruirmos ainda mais a natureza, limpá-la para não a queimar…mas não basta seres tu, ou eu…ou nós as duas…tem que ser toda a gente!
        Afinal…era só um sonho, mas um dia destes, se não tivermos cuidado, pode acontecer.

FIM
Lálá

(1/Dezembro/2014) 

domingo, 23 de novembro de 2014

A LENDA DO INVERNO



     Era uma vez um Avô que estava sentado à lareira, numa sala muito confortável, num dia de pleno Inverno, muito chuvoso e frio com os seus netos. De repente suspira e comenta com a esposa:
- Querida…está um dia de pleno Inverno, não está?
- Está!
- Não estás com frio?
- Não. Estou muito confortável e tu?
- Eu também. E muito bem acompanhado pelos meus netos.
- Avô, também somos netos da Avó! – Reclama uma menina
- Pois somos! – Acrescenta um menino
- Claro que somos…somos dos dois. – Responde outra menina
- Não sejas egoísta. Nossos netos…- Diz a Avó.
            Todos desatam a rir.
- Avô…ou Avó…conte-nos uma história… - Sugere outra menina
- Uma história? Não sei nenhuma história. A tua Avó é que sabe. – Pergunta o Avô
- Sim, sei muitas… e tu também sabes. – Responde a Avó.
- Não…tu é que sabes… - Diz o Avô
- Vá lá…
- Contem! – Pedem os 4 netos em coro
- Está bem. Eu conto. – Diz a Avó. Era uma vez…
      Era uma vez, num país muito longe da Terra, numa outra galáxia, onde tudo era encantado. Havia sol, calor, praias, lagos, rios, mares, sereias, fadas, anjos, duendes, unicórnios e muitos outros seres maravilhosos. 
         Não havia poluição e tudo era perfeito. Mas um dia…tudo mudou. Uma coisa muito terrível aconteceu! 
      O que era perfeito, transformou-se. Tudo por culpa de uma bruxa invejosa, malvada, que vivia num sítio escuro, feio, cheio de criaturas nojentas e más. 
        Essa bruxa gostava de um príncipe que vivia nas redondezas do seu mundo assustador. Quer dizer…ela não tinha sentimentos…só queria o príncipe para contrariar a princesa, e depois transformá-lo num mauzão ao seu serviço. 
      Felizmente, o príncipe não gostava dela, tinha medo dela, e não caía na sua conversa muito agradável. 
        Como a bruxa não queria que o príncipe ficasse com ela, fez um feitiço, e preparou uma armadilha monstruosa como ela. 
     Primeiro deixou que os dois apaixonados fossem para uma das muitas lindas florestas, e quando se abraçaram…a paisagem transformou-se completamente. 
      O sol escureceu, o céu ficou cheio de nuvens pesadas, e do céu voaram pássaros horrendos, feios, que lançavam dos seus bicos, fogo. 
      O casal ficou muito assustado e tentou fugir, mas quanto mais fugia mais fogo crescia á sua volta. 
    Depois…a terrível bruxa, enviou fadas muito atraentes, mas sopravam gelo. Elas voavam e sopravam…e tudo ficou congelado, cheio de neve.
    Um dragão de gelo atravessou as nuvens, e transformou as gotas de chuva em flocos de neve. Caiu com tanta intensidade que tudo ficou gelado, até o pobre casal apaixonado. 
   A maldita bruxa riu às gargalhadas, ficou orgulhosa e feliz, porque o seu feitiço tinha funcionado. 
     Quando regressou à floresta, para levar o príncipe para o seu castelo escuro, um bebé de gelo, criado por uma fada boa arrotou e congelou a bruxa, sem ela contar. 
       Nessa altura, o sol voltou a brilhar, o céu voltou a ficar azul, e voltaram a voar pássaros lindos. Tudo voltou a ser como era antes. a bruxa ficou transformada num boneco de neve, mas com o sol derreteu. 
      Como derreteu, tentou arranjar outra vez maneira de prender o príncipe. Voltaram as lindas fadas e dragões de gelo, que tudo congelaram, menos a bruxa. 
     O casal ficou outra vez petrificado. A bruxa tentou pegar no príncipe ao colo, mas estava colado ao chão, agarrado à sua princesa. 
    A bruxa puxou, puxou, puxou…bateu no gelo, atirou fogo e nada descongelou. Ela ficou possuída, ainda mais maldosa e raivosa. Inventou muitos feitiços, mas não conseguiu o que queria. 
O casal continuava intacto debaixo do gelo, e o gelo sem derreter. 
     Reza a lenda que foi assim que o Inverno nasceu. Do amor do casal que ficou protegido pelo gelo, para que a bruxa não conseguisse destrui-lo.                   Embora estivessem congelados, o amor dos dois debaixo do gelo, continuava bem ardente, verdadeiro…e dizem que os dois escaparam por um túnel subterrâneo…só os bonecos de gelo continuavam lá. 
      Uns anos depois, a bruxa encontrou o amor…ou o horror da sua vida…por quem se apaixonou loucamente…um ser asqueroso e horrível como ela, mau, que fazia tudo o que ela queria…assim, ela nunca mais perseguiu o bondoso príncipe da princesa. 
     Diziam os antigos, que muitos anos depois, sempre que havia neve e frio, era a bruxa a tentar apanhar o príncipe, mas nunca conseguia porque só os bonecos de gelo, dos dois estava lá. 
         Os dois, estavam num lugar seguro e quente. A bruxa pensava que os bonecos de gelo eram eles, mas sempre que tentava tirá-los de lá, nunca conseguia. 
       Dizem ainda hoje, que as fadas e o dragão de gelo aparecem por lá todos os anos, várias vezes…não para fazer mal, ou fazer o que a bruxa mandava, mas apenas porque querem. 
       Para passear e transformar a paisagem…só por brincadeira! E tudo fica cheio de neve. Dizem também que foi assim que nasceu o Inverno…para proteger os amores.
- Áhhh…que lindo! – Suspiram e sorriem os netos
- Está a nevar lá fora! – Repara a Avó
- São os príncipes debaixo dos bonecos de neve, ou serão as fadas e o dragão que vieram para cá brincar? – Pergunta outra menina
- Podia ter sido verdade…! – Suspira uma das meninas a sorrir
- Pois era! – Concordam todos
- Para mim…sempre foi verdade! – Diz a Avó a sorrir
- Sempre te contaram essa verdade… - Diz o Avô a sorrir
- Pois foi…
- A mim também!
- E eu vi o casal congelado, as fadas e o dragão a congelar tudo… - Garante a Avó.
- Viste? – Perguntam todos
- Vi. Quando era da vossa idade…e depois…vivi o amor do príncipe e da princesa…com o vosso Avô…
- Ááááhhh…que lindo! – Suspiram e sorriem os netos
- Então tu e o Avô também foram transformados em bonecos de neve? – Pergunta um menino
- Fomos! – Responde o casal
- Havia bruxas invejosas, apaixonadas pelo vosso avô, que bem tentaram…mas os feitiços delas, foram quebrados pelo nosso amor que nem o gelo do Inverno quebrou. – Diz a Avó
     O Avô ri-se, beija a mão à Avó, e abraçam-se. Os netos ficam deliciados e sorriem encantados. Conversam e riem uns com os outros, até que chega a hora de jantar, e todos se levantam. A neve fica lá fora…e o Inverno também. A lenda…bom…fica nos ouvidos e na imaginação de cada um de nós.

FIM
Lara Rocha 
(23/Novembro/2014)


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O FLOCO E OS FLOCOS


            

















         Era uma vez um floco de neve, branco, muito leve. Passeava entre nuvens enormes, muito escuras e muito pesadas. Uma nuvem pequenina ficou maravilhada a ver o floquinho passear tão leve e tão sorridente que quis segui-lo para ver onde ia.
            A sua mãe, uma nuvem muito pesada, muito escura, cheia de raios de trovoada não gostou nada que a pequena tivesse ido atrás do floquinho e começa a disparar raios.
O floquinho, não percebeu o que estava a acontecer, só sentiu um empurrão e começou a descer a rodar a grande velocidade. Rodou, rodou, rodou…gritou assustado e aterrou num monte de folhas secas no chão de um parque cheio de meninos.  
- Mas que coisa tão estranha…onde estou? Como é que eu vim parar aqui?
            Todos os meninos o rodeiam e olham para ele:
- Um floco de neve…-Grita um menino, todo feliz
- Sim…! – Gritam todos
- De onde veio? – Pergunta outro menino
- De lá de cima, é claro. – Responde outro menino
- Então quer dizer que…vai começar a nevar. – Diz uma menina
- Sim. Olhem aquelas nuvens. – Observa outra menina
- Que pesadas e escuras. – Reparam todos
- Pois é! – Diz a professora
- Olhe professora, vai nevar…está aqui um floco de neve. – Repara uma menina
- Pois está. Está muito frio, e aquelas nuvens são mesmo de chuva…- Diz a professora
- Em forma de neve! – Acrescenta outra menina
- Isso mesmo. – Diz a professora
            A nuvenzinha que o seguia, depois de o procurar por todo o lado, lá em cima, viu que ele estava lá em baixo. Começou a chorar com pena do floco. E porque está tanto frio, as suas lágrimas transformam-se em gelo, e quando aterram, no solo, junto do outro floco, são floquinhos de neve.
            Os meninos fazem uma grande festa, gritam, riem, todos querem pegar nos floquinhos.
- Áh…! – Gritam todos
            Estendem as mãos, e os floquinhos caem nelas.
- Que levezinhos… - Diz a professora a sorrir
- Pois são! – Respondem todos
            Sopram floquinhos de neve uns para os outros, felizes. Uns floquinhos caem e abraçam-se uns aos outros, juntando-se a muitos outros, e formando grandes pedaços de neve.
            Eles caem sem parar, e os flocos começam a acumular. Em certos sítios, os meninos já conseguem fazer com os montinhos de flocos, um boneco de neve, e bolas para atirar uns aos outros.
A nuvem já não sabe qual é, nem onde está o floco que ela tinha visto. Chora ainda mais, e forma-se ainda mais neve.  
- Tantos flocos juntos…Agora já não sei qual deles és…! Óh… porque é que foste lá para baixo? Eu queria brincar contigo. - Suspira a nuvem
            A nuvem ficou tão triste, que caíram mais flocos.
- Tanto floco… óh, não acredito.
- Não sejas egoísta. Olha como estão felizes lá em baixo. – Grita a nuvem mãe trovoada.
- Foste tu que o mandaste lá para baixo?
- Claro.
- Porquê?
- Onde já se viu. Não eras tu que tinhas de ir atrás dele…ele é que tinha de ir atrás de ti, e conquistar-te, se conseguisse.
- Mas eu é que estava a gostar dele.
- Por isso é que eu o mandei lá para baixo.
- Então foste tu…?
- Fui.
- Porquê?
- Ele nunca seria para ti.
- Não sabes!
- Claro que sei…não seria. Andavas sempre com ele perdido.
- Só queria que ele fosse meu amigo.
- Mas ele podia não querer. E depois? Ficavas a sofrer, é claro.
            Mas a nuvem não desistiu. Nessa mesma noite, enquanto tudo dormia, ela aspira todos os flocos de neve. Olha para eles.
- Onde está o meu floco? Ai, como é que eu vou saber? Eles são todos iguais…
- Já estamos cá em cima outra vez? – Pergunta outro floco
- Parece que sim. – Diz outro floco
            A nuvem não reconhece o amigo e manda outra vez os flocos de neve todos lá para baixo. Amontoam-se e formam tapetes de neve à porta das casas, aos pés das árvores e no chão.
            Da nuvem formam-se mais flocos, e caem nos troncos das árvores. A nuvem aspira outra vez os flocos todos para ver se encontra o que ela tinha gostado e não encontra. Volta a atirar os flocos todos para o solo.
            A quantidade de neve cresce cada vez mais, porque a nuvem desistiu de procurar entre milhares de flocos. Eram todos iguais…todos brancos, todos muito leves e frios…
            Os flocos caem sem parar. Juntam-se todos no solo, e os meninos, na manhã seguinte acordam com uma bela paisagem branca, com um sol frio e fraquinho.
            Cada um, e depois em grupo, fazem lindos bonecos de neve, diferentes, vestidos a rigor com a estação, decorados com muito gosto e divertem-se muito.
            E vocês? Já sentiram um floquinho de neve a cair na vossa mão? Como foi? Gostaram?

FIM
Lálá

(19/Novembro/2014)