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sábado, 19 de setembro de 2020

o escorrega dos gatos

         

Foto de Lara Rocha 

Era uma vez um dia de pleno Inverno, onde tudo à volta estava gelado, exceto uns gatos vadios que se protegiam do frio sem terem lugar certo, era em qualquer árvore onde existisse uma toca. 

    Numa dessas tardes cheias, ameaçava chover, e os gatos já há vários dias andavam de olho num escorrega gigante de uma casa para uma piscina. Olhavam e voltavam a olhar, sem saber o que era, mas cheios de curiosidade.

    Os donos da casa saíram e os gatos puderam finalmente investigar mais de perto o que era aquilo. Entraram no jardim, cheiraram, e mal puseram uma pata no escorrega, coberto de água e gelo, deslizaram a alta velocidade, sem conseguir parar. 

    Tentaram agarrar-se, espetaram as unhas no gelo, deram muitas cambalhotas, voltas e mais voltas, viraram-se ao contrário, miaram aflitos, tentaram segurar-se uns nos outros, mas só pararam no muro da piscina. Quase eram projetados, a sorte é que a piscina também estava coberta com um plástico e gelo. 

- Uau! - suspiram todos ofegantes

- O que é que acabou de acontecer aqui? - pergunta um gato 

- Não sei. - respondem todos 

- Estes humanos são loucos. Metem-se numa coisa destas? - comenta outro gato 

- Malta... não sei o que é isto, mas foi radical! - diz um gato a rir 

- Foi. - Dizem todos numa gargalhada coletiva 

- Acho que nunca andamos tão rápido como hoje... - comenta outro gato a rir 

- Parece que fizemos uma maratona! - diz outro gato 

- Aquilo parece um bocado perigoso, mas até foi divertido. - diz outro 

- Sim. - concordam todos 

- Vamos outra vez? - sugere outro gato 

- Vamos... 

    E os gatos voltam a subir o escorrega, com muita dificuldade, deslizes, arranhadelas e unhadas no gelo, pequenas descidas enquanto subiam, muita brincadeira, às vezes até se deixavam escorregar de propósito, giravam e voltavam a subir, riram, tentaram agarrar-se uns aos outros, mas escorregavam e miavam.

      Ao chegar ao topo do escorrega, recuperaram o fôlego, olharam para a paisagem. 

- Que linda a paisagem daqui. - suspira um gato 

- É mesmo! - concordam todos 

    Ficam em silêncio a percorrer a paisagem com os olhos, encantados. 

- O que haverá ali por trás do nevoeiro...? - pensa alto, um gato 

- Talvez... monte! - responde outro gato 

- Sim. - concordam todos 

- Uau! - suspiram todos 

    Sentem o vento no pelo, estremecem, sacodem-se. Aparece um jovem a tocar violino, e para a olhar para os gatos. Deitam-se de barriga e começam a descer, deixam-se levar ao sabor do gelo, e do entusiasmo. 

    O rapaz começa a tocar, e os gatos parecem deslizar no escorrega, ao som da música que ele toca. Rodam, dançam, giram, mudam de posição, brincam, miam divertidos, e param outra vez no muro da piscina. 

    O rapaz aplaude, e gosta tanto que os convida para repetir o que fizeram, enquanto ele toca, e filma. Os gatos aceitaram, voltaram a subir o escorrega, e tanto na subida como na descida do escorrega, divertem-se, gritam, riem, dançam, fazem coreografias, ao som do violino. 

    O rapaz aplaude, agradece e para retribuir convida-os a entrar na sua casa. Oferece-lhes um banho de água quente, numa bacia para cada um, enquanto prepara petiscos e camas confortáveis, os gatos deliciam-se com a água quente, conversando alegremente uns com os outros sobre o que tinha acontecido nesse dia. 

    Saem do banho, esfregam-se nas toalhas, o rapaz penteia-lhes o pelo, dá-lhes de comer, e põe-nos comodamente instalados em almofadões perto da lareira. Enquanto se deliciam com os petiscos, o conforto e o calor, ouvem as histórias do jovem, que fala com eles, como se estivesse com pessoas. 

    Os gatos compreendem-no, lambem-no, esfregam-se nele, e o jovem mostra-lhes os vídeos daquela tarde. Todos se riem com vontade. Depois desse dia, os gatos não saíram mais daquela casa, e tornaram-se amigos inseparáveis do jovem, uma segunda família. 

    Sentiam-se uns reis. participaram em muitos trabalhos do amigo músico, com bailados inventados por eles, cheios de encanto e magia. Esses trabalhos passaram a ser o sustento do jovem. 

    Um escorrega que mudou a vida de gatos e de um jovem músico   


                                                            FIM 

                                                            Lálá 

                                                   19/Setembro/2020


  

domingo, 21 de junho de 2015

Mergulho


Era uma vez uma tartaruga jovem que vivia num aquário de uma casa, e hibernou. Os seus donos cansaram-se de a ver dentro da sua carapaça e levaram-na ainda a dormir para um monte.
Abriram a janela do carro e atiraram-na como se fosse uma pedra ou lixo, sem dó nem piedade de cima do monte. A tartaruga resvalou monte abaixo e pelo caminho acordou sobressaltada, estremeceu, sentiu tudo a andar a roda e ficou muito assustada. Só parou quando bateu contra o portão de uma casa. Abriu os olhos, saiu da sua casca, respirou, e olhou em volta.
- Onde estou? O que aconteceu? (boceja) Que acordar tão estranho…Ui…quer dizer… nem sei se já acordei ou se estive a dormir, nem quanto tempo estive a dormir. Óh…estou perdida. Não conheço este sítio! Ou conheço?
E caminha um pouco para reconhecer o sítio. Está confusa, anda à procura de alguma coisa familiar, ou até de água.
- Ai! Tenho as patas todas empenadas! Devo ter dormido mesmo muito…espera aí, onde estão os meus donos? Esta não é a minha casa! (Inspira e expira) Agora tenho a certeza que não estou onde estava. Na outra casa estava dentro de água, num sítio pequeno, até nem tinha grande luz…aqui…tenho muito espaço e não tenho água. Mas os meus donos? Onde estão? Onde foram? Foram eles que me mandaram para aqui? Mas porquê?
De repente ouve uma buzina de um carro. Dá um grito, fica gelada, arregala os olhos, e anda de um lado para o outro, sem saber o que é aquilo, ou para onde fugir.
São os donos da casa do portão onde ela bateu que chegaram com os filhotes das compras. O cão da família sente alguma coisa diferente, e logo que lhe abrem a porta, ele salta e vai atrás da tartaruga.
- Só faltava este também…ai…socorro!
O cão detecta a tartaruga e cheira.
- Áh, que nojo. Vai-te embora! Xô. – Ordena a tartaruga cheia de medo
Mas o cão insiste, e começa a ladrar sem parar.
- Cala-te! Estás a irritar-me! – Pede a tartaruga
Os pequenos vão ver o que se passa, porque é que o cão ladra sem parar. Quando chegam ao pé dele gritam em coro:
- Uma tartaruga!
- Áh! Que gira… - Diz a menina
- Como é que ela veio ter aqui? – Pergunta o menino
- Óh mãe…óh pai… - Gritam os meninos
O cão vai ter com os donos a ladrar. Os adultos vão ver.
- Olhem…uma tartaruga. – Diz o pai
- Hum…é muito estranho, uma tartaruga por aqui. - Comenta a mãe
- Se calhar fugiu de alguma casa.
- Ou foi largada…deitada fora. Às tantas ela estava a hibernar, e pensaram que ela estaria doente ou algo assim. – Diz o pai
- Coitadinha! – Diz a menina
- Óh mãe…vamos levá-la connosco! – Pedem os dois
- Não me parece boa ideia. – Diz a mãe
- Isto não dá trabalho nenhum nem suja a casa. – Diz o pai
-E onde a vais pôr? Tens que a alimentar, sabes o que é que ela come…? – Pergunta a mãe
- Vá lá, mamã…não a deixes aqui fora. – Diz a menina
- Pomo-la na piscina e num aquário. – Sugere o menino
- Isso mesmo. – Diz o pai
A mãe não quer, o pai e os filhos começam todos a protestar e a arranjar argumentos para acolherem a tartaruga. Discutem, negoceiam, resmungam, e tentam de todas as maneiras convencer a mãe a autorizar que levassem a tartaruga para casa.  
- Acho que é melhor fugir daqui…já está muita confusão! Antes que dêem cabo de mim! – Murmura a tartaruga.
A mãe para não se chatear mais autoriza a que levem a tartaruga para casa.
- Mas porque é que vocês ganham sempre! – Resmunga a mãe
- Porque tu és a melhor… - Dizem as crianças em coro
- Tu também gostas de animais. – Comenta o filho
- Vocês é que vão ter essa responsabilidade de tomar conta dela, eu já tenho muito que fazer. – Lembra a mãe
- Sim! – Dizem todos
Por isto, eles enchem a mãe de mimos.
- Boa! Estou salva…obrigada miúdos, obrigada senhor. - Diz a tartaruga aliviada e feliz.
Em casa, metem a tartaruga na piscina, e ela nada feliz, livre, enquanto o pai vai comprar um aquário e comida para ela.
- Áh! Este sim, é o meu meio…o meu mundo! Uau! Está fresquinha a água. Valeu a pena ter batido contra o portão, e ainda bem que aquele farrusco veio atrás de mim. Já nem sabia o que era água. Áh! Tanto espaço…
As crianças deliciam-se a ver a tartaruga na piscina, entram na piscina e brincam com ela felizes. O pai chega e mudam-na para o aquário com um cenário de fundo do mar e água. Ela fica encantada.
- Isto sim…é um aquário. Aqui não me importo de ficar! Gosto deste sítio. (ri) Parece que estou no fundo do mar…um sítio onde gostava de ir com certeza! Pode ser que estes donos vão à praia um dia destes e que me levem.
E o sonho da tartaruga realizou-se! Uns dias depois de se ter instalado na casa, os donos levaram-na no aquário para a praia, onde passaram uns belos dias, e a tartaruga teve a grande felicidade de experimentar com a sua família de humanos, a praia, o mar, e o mergulho.
A diferença é que a tartaruga não precisava de máscara de oxigénio para mergulhar como os seus donos, mas nunca se afastou deles…e quando eles voltavam à superfície, ela também voltava e instalava-se no seu aquário.
A tartaruga estava mesmo feliz, teve muita sorte, e sentia-se como se fosse mesmo parte da sua nova família. Davam-lhe carinho, atenção, e levavam-na para todo o lado onde fossem.
FIM
Lálá
(21/Junho/2015)