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terça-feira, 27 de agosto de 2024

Porque não tocas, flauta?


Era uma vez um pequenino rapaz, que vivia numa pequena casa, no meio da floresta com a sua família. 

Um dia, no Natal, o seu Tio ofereceu-lhe uma flauta, mas só pegou nela quando era mais crescido, num fim de tarde com um pôr do sol gigante, umas cores que pareciam saídas de um quadro. 

O Tio explicou-lhe como se fazia, experimentou soprar, e não saiu nenhum som. 

Muito surpreso, tenta outra vez, e nada. Espreitou para a flauta, aparentemente não tinha nada que não a deixasse tocar. 

- Porque é que isto não toca, se eu estou a fazer como o tio disse? - pergunta o menino a olhar para a flauta 

De repente, soa uma voz pequenina: 

- Vai lavar essa flauta ali ao rio. 

- Mas, mas...quem é que está a falar? 

- Vai lavar essa flauta ali ao rio. 

- Mas ela não está suja. 

- Está! 

- Quem é que está a falar? 

- Vai lavar esse flauta ali ao rio. 

- Está bem, pronto, já que tanto insistes! Mas eu quero ver quem está a falar! 

- Primeiro vai lavar a flauta ao rio. 

- Já vou! 

O menino, sem perceber o porquê da insistência da voz em lavar a flauta no rio, molha-a na água, e esta começa a borbulhar. 

- A água está a borbulhar..! 

E de repente, do interior da flauta saem bolas de tintas de cores diferentes, pequeninas, que ao tocar na água aumentam de tamanho. Ficam tão grandes, e a pairar no ar que o menino até se assusta. 

- O que é isto? 

- São cores. Toca agora! - diz a voz 

O menino toca e sai um som estridente da flauta, as bolas estremecem, encolhem, como se ficassem arrepiadas. 

- Áh, mudaram de forma…! 

- Arrepiaram-se com o som. Toca melhor.- diz a voz 

- Mas como? 

- Como o teu tio te ensinou. 

- Eu fiz isso há bocado e não tocou nada, não saiu nenhum som. 

- Mas toca agora. - manda a voz 

- Não sei tocar. 

- Sabes sim - diz a voz 

O menino experimenta, e vê um peixinho transparente, de cristal a dar luz. Descobre que é a voz que ele ouvia, 

- Toca! 

- Foste tu que me mandaste lavar aqui a flauta? 

- Sim. 

- Áhhh...que lindo! Nunca te vi por aqui. De onde saíste? 

- Da flauta. 

- Era por tua causa que a flauta não tocava? 

- Era. Esta água está maravilhosa! 

- E como é que estavas numa flauta? 

- Para te ensinar a tocar. 

- Áh! E tu sabes tocar? 

- Sei. 

- E estas bolas que apareceram? 

- Já vais ver. Segue os meus movimentos... 

- Está bem. 

- Sopro para aqui? 

- Sim. 

O peixinho parece dançar, como se fosse um maestro ao mexer com as barbatanas, com um sorriso. As misteriosas bolas de cor, parecem ganhar vida própria, bailarinas, esticam, encolhem, aumentam, diminuem, mudam de cores, rebolam no ar, seguindo os sons. 

O menino fica tão encantado com aquele som, o peixinho e as bolas coloridas, que toca entusiasmado, mas a certa altura, as bolas cansam, o peixinho e o menino também. 

- Obrigada! Adorei. Podes vir aqui mais vezes, para me ensinares mais? 

- Sim, claro, vou ficar aqui. 

- Boa! E estas bolas para que servem? 

- Umas vão rebentar, com surpresas lá dentro, outras, vão dançar connosco, enquanto tocamos. 

- Áh! Que giro. E quando é que as bolas com surpresas vão rebentar? 

- Espera! 

- Vou ter de esperar? 

- Com certeza! 

- Mas eu queria saber agora. 

- Não! Ainda não podes, elas estão cansadas. 

- Está bem. 

- Vai descansar também. 

O menino obedece, janta com a família, vai dormir, e quando se deita no escuro, vê uma luz de presença ao seu lado. Assusta-se, mas fica encantado com ela.

- Não te assustes! Sou uma das bolas coloridas com surpresas. Rebentei. Vim fazer-te companhia, juntamente com a Lua e as estrelas! 

- Áh! Que linda, obrigado. 

- Vim inspirar-te e tomar conta de ti. 

- Está bem. E o que tem as outras bolas de cores? 

- Logo verás, ou quando elas quiserem, 

- Mas eu queria já! 

- Queres tudo já, não pode ser. 

- Pronto, está bem, eu espero. 

Os dois conversam, até o menino adormecer. No dia seguinte, cheio de sol e calor, volta a tocar flauta, junto ao rio, com as instruções do peixinho, e as bolas coloridas a dançar. A luz de presença continua com o menino, 

Nada acontece, tal como nos dias seguintes, até que...uma outra bola colorida, rebenta, e cobre todas as árvores, enche-as de frutos, e lindas cores. Folhas salpicadas de verde, vermelho, folhas vermelhas, folhas com salpicos de roxo e vermelho, amarelo, folhas verdes, folhas castanhas. Frutos como uvas lindas, enormes, penduradas nas ramas, maçãs vermelhas e amarelas, outras com cores misturadas, grandes, ouriços pendurados, e outros que caem, cheios de castanhas grandes.  

O menino assiste a tudo. 

- Qual era a surpresa desta bola que rebentou? 

- Olha bem para lá! Para as árvores! - recomenda o peixinho 

- Estão cheias de cores…! E aquelas cheias de frutos. - diz o menino  

- Quando é que isto acontece? - pergunta o peixinho 

- No...no...Outono? 

- Isso mesmo! - diz o peixinho 

- Então...começou o Outono, e a bola que rebentou, trouxe o Outono? 

- Sim! 

- Áh! Que lindo…! Uau, adoro aquelas cores, estão carregadas de frutos. 

O menino está maravilhado, tal como a família, ao ver aquelas cores e frutos. Continua a tocar, e uns dias depois, outra bola rebenta, Surge um cãozinho pequenino, do mais fofo que há, lindo, muito meigo, e outra bola rebenta, de onde sai a mãe do cãozinho, com mais três filhotes, igualmente lindos! O menino nem quer acreditar. 

Fica tão feliz, que continua a tocar, aquela flauta, e todos os dias, uma cor das bolas coloridas, faz com que o menino repare num aspeto bonito da Natureza, atrai passarinhos, borboletas, pirilampos, cuida muito bem dos cãezinhos que o adoram. 

Uma das bolas rebenta e faz com que ele repare na beleza da Lua Cheia, e nas estrelas, outra leva-o a apanhar chuva, feliz, a brincar com os animais, e a última, que rebenta, cobre tudo com um grosso manto branco, gelado, um vento cortante, que obriga a acender a lareira e a conviver com a família, com muitos petiscos, brincadeiras, gargalhadas.

Esta última bola, trouxe o Natal, e um irmãozinho bebé, para o menino, o seu desejo como prenda de Natal, de quem cuida com todo o carinho com a ajuda da mãe e do pai. 

E o menino continua a tocar, continuam a acontecer coisas mágicas, toda a família aplaude, quando o ouve. O tio, não cabe nele de orgulho. 

Era por isso que a flauta não tocava, mas quando a magia saiu, muitas coisas boas começaram a acontecer!  

E se fossem vocês a receber uma flauta que não tocasse? 

Porque não tocava? 

E se recebessem bolas surpresa, que rebentavam, o que é que elas trariam? 

Podem deixar nos comentários, se quiserem. 


                                        FIM 

                                 Lara Rocha 

                          26/Agosto/2024 



sábado, 19 de setembro de 2020

o escorrega dos gatos

         

Foto de Lara Rocha 

Era uma vez um dia de pleno Inverno, onde tudo à volta estava gelado, exceto uns gatos vadios que se protegiam do frio sem terem lugar certo, era em qualquer árvore onde existisse uma toca. 

    Numa dessas tardes cheias, ameaçava chover, e os gatos já há vários dias andavam de olho num escorrega gigante de uma casa para uma piscina. Olhavam e voltavam a olhar, sem saber o que era, mas cheios de curiosidade.

    Os donos da casa saíram e os gatos puderam finalmente investigar mais de perto o que era aquilo. Entraram no jardim, cheiraram, e mal puseram uma pata no escorrega, coberto de água e gelo, deslizaram a alta velocidade, sem conseguir parar. 

    Tentaram agarrar-se, espetaram as unhas no gelo, deram muitas cambalhotas, voltas e mais voltas, viraram-se ao contrário, miaram aflitos, tentaram segurar-se uns nos outros, mas só pararam no muro da piscina. Quase eram projetados, a sorte é que a piscina também estava coberta com um plástico e gelo. 

- Uau! - suspiram todos ofegantes

- O que é que acabou de acontecer aqui? - pergunta um gato 

- Não sei. - respondem todos 

- Estes humanos são loucos. Metem-se numa coisa destas? - comenta outro gato 

- Malta... não sei o que é isto, mas foi radical! - diz um gato a rir 

- Foi. - Dizem todos numa gargalhada coletiva 

- Acho que nunca andamos tão rápido como hoje... - comenta outro gato a rir 

- Parece que fizemos uma maratona! - diz outro gato 

- Aquilo parece um bocado perigoso, mas até foi divertido. - diz outro 

- Sim. - concordam todos 

- Vamos outra vez? - sugere outro gato 

- Vamos... 

    E os gatos voltam a subir o escorrega, com muita dificuldade, deslizes, arranhadelas e unhadas no gelo, pequenas descidas enquanto subiam, muita brincadeira, às vezes até se deixavam escorregar de propósito, giravam e voltavam a subir, riram, tentaram agarrar-se uns aos outros, mas escorregavam e miavam.

      Ao chegar ao topo do escorrega, recuperaram o fôlego, olharam para a paisagem. 

- Que linda a paisagem daqui. - suspira um gato 

- É mesmo! - concordam todos 

    Ficam em silêncio a percorrer a paisagem com os olhos, encantados. 

- O que haverá ali por trás do nevoeiro...? - pensa alto, um gato 

- Talvez... monte! - responde outro gato 

- Sim. - concordam todos 

- Uau! - suspiram todos 

    Sentem o vento no pelo, estremecem, sacodem-se. Aparece um jovem a tocar violino, e para a olhar para os gatos. Deitam-se de barriga e começam a descer, deixam-se levar ao sabor do gelo, e do entusiasmo. 

    O rapaz começa a tocar, e os gatos parecem deslizar no escorrega, ao som da música que ele toca. Rodam, dançam, giram, mudam de posição, brincam, miam divertidos, e param outra vez no muro da piscina. 

    O rapaz aplaude, e gosta tanto que os convida para repetir o que fizeram, enquanto ele toca, e filma. Os gatos aceitaram, voltaram a subir o escorrega, e tanto na subida como na descida do escorrega, divertem-se, gritam, riem, dançam, fazem coreografias, ao som do violino. 

    O rapaz aplaude, agradece e para retribuir convida-os a entrar na sua casa. Oferece-lhes um banho de água quente, numa bacia para cada um, enquanto prepara petiscos e camas confortáveis, os gatos deliciam-se com a água quente, conversando alegremente uns com os outros sobre o que tinha acontecido nesse dia. 

    Saem do banho, esfregam-se nas toalhas, o rapaz penteia-lhes o pelo, dá-lhes de comer, e põe-nos comodamente instalados em almofadões perto da lareira. Enquanto se deliciam com os petiscos, o conforto e o calor, ouvem as histórias do jovem, que fala com eles, como se estivesse com pessoas. 

    Os gatos compreendem-no, lambem-no, esfregam-se nele, e o jovem mostra-lhes os vídeos daquela tarde. Todos se riem com vontade. Depois desse dia, os gatos não saíram mais daquela casa, e tornaram-se amigos inseparáveis do jovem, uma segunda família. 

    Sentiam-se uns reis. participaram em muitos trabalhos do amigo músico, com bailados inventados por eles, cheios de encanto e magia. Esses trabalhos passaram a ser o sustento do jovem. 

    Um escorrega que mudou a vida de gatos e de um jovem músico   


                                                            FIM 

                                                            Lálá 

                                                   19/Setembro/2020


  

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

A jovem e o seu vizinho luminoso

            
Desenhado por Lara Rocha 


        Era uma vez uma jovem que para descansar os olhos da luz da cidade, ao entardecer, antes de entrar em casa, olhava para uma árvore cheia de buracos. 
       Ela sentia que aquela árvore tinha alguma coisa de especial, não sabia explicar. Já não era a primeira vez que ela tinha a sensação de ter visto a sair de um dos buracos um arco, com uma luzinha.
       Nunca deu importância, nem quis investigar, porque achou que era de cansaço, e que a sua mente procurava alguma coisa para relaxar, mesmo que não existisse. Ela sorria e voltava a entrar com outra energia.
       Um dia chegou do trabalho, olhou para a árvore, e viu outra vez o arco com a luzinha. Desta vez, quis ver de perto, para tirar dúvidas se era real, ou se estava a imaginar. Aproximou-se, e para sua grande surpresa...
- Áhhhhhhh!!! É real! Eu via mesmo este arco e uma luzinha. Que lindo! Mas como é que isto veio aqui parar...? De onde veio?
        Antes que a jovem continuasse a fazer mais perguntas, a luzinha começa a tocar, no arco, sem cordas.
- Mas, está a tocar sozinho, o arco?
        Era a luzinha que tocava maravilhosamente bem.
- Que música tão suave! Mas... como é que este arco dá música...?
        A luzinha aumenta de tamanho, e pisca, o arco continua a tocar. A luzinha mexe-se de um lado para o outro, roda no arco, desliza, como se estivesse a tocar cordas que não existiam. 
       A jovem estava tão deliciada a ver e a ouvir aquilo que quase não se mexia. Quando a luzinha para de tocar, ganha a forma de um lindo e pequeno pirilampo, que tocava num arco sem cordas, porque era ele que cantava e tocava, pois não tinha dinheiro para comprar um arco com cordas, como ele adorava poder ter.          
       Partilhou a sua história com a jovem, que gostou tanto dele, e ficou com pena dele, ofereceu fio de pesca e ajudou-o a pôr cordas no arco, bem presas e próximas umas das outras, como se fosse uma harpa.
      O pirilampo ficou tão feliz e tão agradecido à jovem, que quis logo experimentar. Ele nem queria acreditar que estava a tocar em fios verdadeiros.
      Tocou delicadamente em cada corda, primeiro, depois, soltou toda a sua alegria enquanto tocava músicas alegres, saltitando de fio em fio, dando cambalhotas, rodopios, saltinhos e até algumas lágrimas, que também o ajudaram a compor músicas.
        A jovem aplaudia e ria ao ver a felicidade do pequeno, com uma coisa tão simples, mas para ele era tudo. 
        O pirilampo nunca mais abandonou aquela árvore, e todos os dias, várias vezes ao dia, tocava para a jovem, como forma de agradecimento, conversava com ela, ajudava-a a adormecer, e fazia-lhe companhia.
        Em troca, ela dava-lhe abrigo, calor, alimentação e amizade, a ponto de acolher o pirilampo na sua sala de estar, ou no seu quarto, quando estava mais triste. 
        Às vezes a jovem cantava com ele, e outras vezes, os dois abraçavam-se, choravam juntos. Eram uma verdadeira família.

                                            FIM
                                            Lálá  
                                                                                                                            26/Fev/2020

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O grilo


Desenho e foto de Lara Rocha 

        Era uma vez um grilo que fugiu de um país muito quente, onde deixou de haver árvores…foram todas queimadas pelas mãos de homens ambiciosos, não havia mais erva, porque também deixou de existir água, por isso, todos os animais tiveram de sair com grande tristeza e à pressa.
Todos caminharam muitos e muitos quilómetros, os que se cansavam depressa ficavam no primeiro sítio onde se sentiam bem, com sombra, água fresca e ar puro, outros andaram mais um pouco porque sentiam que mais à frente poderia ser mais seguro, e ainda outros continuaram.
Um grilo caminhou e encontrou um repouso, quando apanhou uma tempestade e teve de se abrigar…escolheu debaixo de um cogumelo grande e largo, que vivia num jardim de uma casa. Estava muito frio e ele sentia fome.
Uma coruja que estava sempre pousada na enorme árvore que abrigava o cogumelo, fazia a sua ronda nocturna com os seus olhos gigantes, e sentiu alguma coisa estranha. Pareceu-lhe ter visto uma sombra pequenina e muito frágil passar no jardim. No inicio não ligou…estava a chover muito, frio e muitos animais passavam por ali. Como não perturbavam, ela deixava-os ficar. Entretanto, quando olha para baixo, o cogumelo chamou-a.
- Está tudo bem aí em baixo, cogumelo? – Pergunta a coruja
- Temos uma visita… - Diz ele baixinho
- Quem?
- Anda cá ver.
A coruja desce, e pousa no solo. Debaixo do cogumelo está o frágil grilo, que traz consigo um instrumento musical e um saco com algumas coisas. Ele estava muito cansado e a tremer tanto que não conseguia abrir o saco para tirar de lá comida, água e roupa. As poucas coisas que ele tinha conseguido levar.
- O que temos aqui…? – Pergunta a coruja
O grilo treme ainda mais e deixa-se cair, todo encolhido.
- Um grilo… - Observa a coruja
- Sim…vais comer-me? Bom proveito…não sei se vais gostar. – Diz o grilo
- Óh, que disparate…eu…comer-te? Não… estou preocupada.
- Sou um grilo da paz. Mas se quiseres manda-me embora.
- Tu já costumas vir para aqui?
- Não. Só quero um sítio para me abrigar e descansar…estou…muito fraco. Já venho de muito longe.
- De onde?
- De uma terra que se transformou num deserto, sem água, sem árvores, sem relva… por mãos maldosas, gente ambiciosa que destrui tudo…
- Mas que horror!
- Já andei muitos quilómetros…acho eu…não sei quantos.
- Óh, fica à vontade. Não estás nada bem. Olha para ti…precisas de ajuda? Claro que sim… (abre-lhe o saco) Acho que precisas disto…e…disto…não…espera…vou arranjar-te algo melhor.
- Óh, não quero incomodar. Só quero descansar…e quando acordar procuro outro sítio. Por favor…deixe-me ficar aqui, só esta noite.
- Não te preocupes…podes ficar sempre aqui…esta pode ser a tua casa, se gostares do sítio. Ninguém se vai incomodar. Espera aí…
O grilo deita-se encolhido, a coruja arranca umas folhas grandes da árvore, umas cascas e volta a descer.
- Ora levanta-te…por favor.
O grilo levanta-se com muita dificuldade, a coruja faz uma bela e confortável cama para o grilo, pondo a casca da árvore por baixo, em forma de barco, duas grandes folhas da árvore.
- Deita-te, e experimenta se está confortável. – Diz a coruja
O grilo deita-se, surpreso e diz com um grande sorriso:
- Está maravilhosa…mais que confortável…perfeita.
A coruja sorri, e voa outra vez, vai buscar pedaços de musgo e penas de pássaros que se amontoaram no jardim. Volta e vê que o grilo está a comer e a beber o que lhe restava.
- Boa. Quando quiseres deita-te.
No fim de comer, o grilo deita-se, e a coruja cobre-o delicadamente, com a roupa que ele trazia, mais o musgo enrolado numa folha grande, e as penas presas.
- Estás confortável? – Pergunta a coruja
- Maravilhosamente confortável. – Responde o grilo
- Quente? – Pergunta a coruja
- Muito quente. Muito obrigada. Quer dizer…obrigado é pouco para tudo isto que estás a fazer por mim.
- Não te preocupes com isso! O que eu quero é que estejas bem. E qualquer coisa que precises, estou nesta árvore. Aqui estás protegido do frio, do vento e da chuva. Mesmo assim, se sentires frio ou precisares de alguma coisa diz-me… ou ao cogumelo. Agora…descansa!
- Combinado. Muito, muito obrigado.
A coruja voa para a sua toca, sempre atenta a tudo, e o grilo dorme a noite toda, e nos dias seguintes, só acorda quando sente fome, vai buscar comida, recomendada pelo cogumelo, e volta a dormir. A coruja está sempre de vigia.
Uma semana depois, o grilo está como novo. Alimenta-se, e sai da sua casa:
- Sim, eu quero ficar aqui. – Diz o grilo
E vai explorar todo o jardim. Fica encantado! Mete logo conversa com as flores e outros animais que por lá andam, muito simpático, faz grandes amigos, que lhe dão coisas que ele precisa, mesmo sem ele pedir.
Uns dias mais tarde, ele sente saudades do seu instrumento musical, acompanhado do seu belo canto, e começa a tocar timidamente para não incomodar. Muitas cigarras e outros grilos saem das tocas, muito curiosos para ver quem estava a tocar daquela maneira, o cogumelo fica a ouvir deliciado, e de repente o grilo pára.
- Áh! – Exclamam todos
- Que lindo… - Suspira uma cigarra
Todos aplaudem. 
- Continua mano… - Diz outro grilo
- Tanta timidez para quê? – Pergunta outro grilo desafiador mas simpático
- Toca mais… - Diz outro grilo
- Sim… - Incentivam todos
- Obrigado! – Diz o grilo a sorrir
Todos querem saber tudo sobre ele e fazem-lhe muitas perguntas, ele responde de forma simpática e delicada a todos. Todos se oferecem para o ajudar, acolhem-no e integram-no como mais um da família deles. ele fica muito feliz.
- Porque paraste, amigo? – Pergunta o cogumelo
- Não quero incomodar…desculpa! Tive saudades do meu instrumento…
- Mas não incomodas nada. Continua. Eu estava a gostar tanto. Que instrumento é esse?
o grilo sorri:
- A sério? Pensei que te ia incomodar…
- Não…
- É um violino.
- Violino? Huummm… nunca ouvi falar.
- Há umas meninas com asas que também tocam muito bem este instrumento.
- As fadas.
- Isso. Conheces?
- Sim, muito bem…sou um grande amigo delas. Elas vêm aqui muitas vezes…vão adorar conhecer-te e saber que tocas o mesmo que elas…Adoro esse som. Não tenhas vergonha de o tocar. É tão lindo…tão bom ouvi-lo.
- Obrigado.
- Toca mais…por favor!
O grilo fica tão feliz que toca alegremente, e o cogumelo dança, ri, e aplaude. As fadas ouvem e aproximam-se. O grilo sorri envergonhado, mas depressa fica à vontade, porque elas pedem-lhe para tocar mais, e acompanham-no.
Cresce logo entre eles uma linda amizade, e dias depois dão fantásticos concertos de música a tocar todos juntos…todos os animais e flores do jardim adoram esses momentos musicais, dançam, convivem, conversam, brincam, cantam, aplaudem e deixam-se levar pelas músicas.
Num instante, todos ficaram a conhecer o grilo. Até a menina da casa foi conhece-lo e pedia-lhe para ele tocar…enquanto ele tocava, ela sonhava, e brincava com as fadas, fazia os seus trabalhos da escola muito mais feliz e muito mais bonitos.
A coruja estava sempre a tomar conta dele e a aquece-lo quando caiu neve, e a menina também cuidava da casinha dele, com todo o carinho, tal como as fadas. Era tratado com muito carinho por todos, era muito feliz e fazia os outros muito mais felizes. 
Já imaginaram um grilo a viver no vosso jardim?
Já o ouviram cantar?
Fim
Lálá
19/Novembro/2015
   

    

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O DUENDE DOS PÓLENS

    

     Era uma vez um pequeno duende em tamanho, mas enorme por dentro, com um mega coração, cheio de bondade. Gostava muito de brincar e também trabalhava muito. Era um pouco distraído, mas muito engraçado e sempre pronto a ajudar.
     Na floresta onde vivia quase não tinha descanso. Parecia eléctrico. Quando conseguia parar uns minutos, uma das suas actividades preferidas era sentar-se na berma de um rio a ouvir a água a cair. Respirava fundo, e recuperava novamente a energia.
         O seu trabalho era recolher pólen das flores. Percorria quilómetros pela floresta, e parava em cada flor que via. Dizia bom dia, tinha sempre um sorriso que encantava, e falava com elas. Pedia autorização e às vezes eram elas que escolhiam o pólen mais adequado para o que ele precisava. No fim, agradecia e acariciava-as.
Uns saquinhos eram para a fábrica de transformação, onde o pólen servia para rebuçados, sabonetes, cremes, xaropes, almofadas perfumadas, mel, velas e outras aplicações. Outros saquinhos eram para ele.
Um dia, a fábrica foi obrigada a fechar, pelo menos enquanto não surgiam novas ideias. Precisavam de inventar outras utilidades para o pólen, pois todos os produtos começaram a ser pouco vendidos.
O duende ficou um pouco triste, mas não desistiu. Aproveitou para conhecer um pouco mais a floresta, e descansar. Inicialmente até estava a gostar dessa folga, mas passados uns dias ficou impaciente.
Isolou-se numa pequena gruta, cheia de mimos da natureza, que ele adorava. Perguntou ao rio o que fazer. Não teve resposta. O rio seguia o seu curso normal, e ele ficou sem resposta.
Saiu, e foi pegar nos seus instrumentos musicais. Colocou uns pozinhos de pólen e tocou. Dos instrumentos começaram a sair notas musicais feitas de pólen, que dançaram à sua frente, como belas fadas, e outras com caras de bebés sorridentes e davam risadinhas. Algumas tinham um cheiro delicioso, e pareciam bolas de sabão. Ele dá uma gargalhada:

- O que é isto?

       As notas musicais feitas de pólen, continuam a sair dos instrumentos aos milhares, e quando se juntam ou cruzam, fazem sons diferentes. Ele dança com elas, feliz, e foi quando lhe surgiu uma nova ideia: levar música e a magia do pólen a quem precisava, por exemplo, os que estavam doentes.
          Pôs pés ao caminho, e dirigiu-se ao hospital da cidade. Levou os instrumentos, e começa a tocar na sala de espera. Aconteceu o mesmo: as notas musicais voam em forma de pólen, por toda a sala, e fazem belas melodias quando se juntam. Todos ficam boquiabertos, aplaudem, riem, e todo o ambiente, todos os doentes fica contagiado por uma energia leve, deliciosa, perfumada, e saudável. Mesmo os que estavam mais doentes, ganham novamente saúde, ao ver aquele espectáculo, e as notas musicais desafiam-nos a dançar.
            Ele segue pelos corredores, e em cada quarto faz o mesmo espectáculo…quase magicamente, todos ficam curados, com o seu sorriso, e as suas músicas.
            No final desse dia ficou com o coração cheio de alegria e no dia seguinte, volta a trabalhar na fábrica que reabriu. Contou o que aconteceu, e o director da fábrica cria mais um produto novo. Flores musicais, onde estão armazenadas as notas musicais que o duende toca e que saem dos instrumentos. Vende-se aos milhares por dia.
            O duende ganhou agora mais outro trabalho: além de recolher o pólen das flores, ainda toca instrumentos para as suas notas musicais preencherem as flores, e curarem. São lindas, e tocam melodias muito doces.
            Mesmo com tanto sucesso, o duende do pólen continua a ser o menino simples, simpático e mágico que era antes.

FIM
Lálá
(6/Fevereiro/2015)