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sábado, 1 de abril de 2017

O passeio do Gugas e do Golfinho


Era uma vez um menino pequenino, com 5 anos, a quem chamavam Gugas, mas o seu nome verdadeiro era Gonçalo. Muito simpático, brincalhão, cheio de energia, e vivia numa casa em cima da praia.
Adorava acordar e sempre que não tinha de ir para o colégio, ia logo com os seus Avós (pai da mãe e pai do pai), e o seu Pai que eram pescadores, para a praia, mas ficava em terra com a mãe e as Avós (mãe da mãe e mãe do pai).
Enquanto os adultos trabalhavam, ele andava livre pela praia, a brincar com os seus primos, e amigos, na areia, e a ver o mar, a correr, a saltar, e a falar com a natureza à sua volta, como lhe tinham ensinado. Era uma criança feliz.
Um dia sentou-se ao pé do mar que estava calmo, e um golfinho foi ter com ele. Este foi um encontro que o deixou muito surpreso mas feliz, embora ele já conhecesse golfinhos, não era muito comum vê-los ali tão perto, ainda por cima, este golfinho convidou-o para um passeio.
O Gugas aceitou logo, e subiu para as costas do golfinho.
- Onde me vais levar? – Perguntou o Gugas                          
- Já vais ver! – Diz o golfinho
E este entra outra vez no mar, e parece que o rasga como quem rasga papel, quando vai a nadar, até chegar a um lugar não muito longe da costa, por trás de uma grande rocha, onde o menino nunca tinha ido. O mar parecia um lago, não tinha ondas, era transparente, e via-se o fundo.

O golfinho acompanha o Gugas, sempre à superfície, e aí ele vê coisas tão lindas! Algas com formas estranhas, cores variadas, que estavam presas na areia, mas mexiam-se, umas compridas que pareciam cabelos, outras mais pequenas, umas mais grossas, outras mais finas.
 Gugas sentou-se na areia, e ficou com água até à barriga, estava quentinha, tocou nas algas e sentiu que eram macias, escorregadias, e faziam cócegas, os dois riram-se.
Viu ao fundo do mar, sereias a saltar, a mergulhar, e pousadas nas rochas a abanar as caudas. Viu várias lindas estrelas-do-mar mesmo à sua frente, a mexer-se à procura de alimento, e outras estavam encostadas às rochas, outras pousadas, e outras desfilavam pela água sem pressa, cada uma mais bonita e exótica que dava gosto.
O Gugas ficou com vontade de levá-las todas para a sua praia, mas sabia que não podia, então, ficou só a encher os olhos com todas aquelas cores, e tentou imaginar o que cada uma iria fazer…pensou que umas estariam a comer, outras à procura de alimento, outras na hora da sesta a descansar, outras procuravam um lugar à sombra, ou iriam ter com amigas, outras talvez fossem só passear ou às compras.
Gugas molhou-se com a água, quis chapinhar e teve de dar um mergulho. Quando voltou
à superfície, olhou para o lado esquerdo e viu passar um cortejo de dezenas de peixes estranhos, mas tão bonitos, que ele nem imaginava alguma vez existirem. 
Uns tinham cabeça de peixe, mas as barbatanas pareciam asas de borboletas, que abriam e fechavam ao sabor da corrente da água, e dependendo do sítio para onde se queriam deslocar, cheias de cores diferentes. 
Outros eram pequeninos, compridos, com escamas vermelhas, brancas, amarelas, verdes, roxas, prateadas, douradas, azuis, e de cores misturadas e nadavam devagar.
Atrás desses peixes veio um batalhão de peixes, veio outro de Plutão de tartarugas pequeninas de carapaças verdes, umas mais claras, outras mais escuras, atrás de uma grande.
O Gugas ainda conseguiu tocar nelas, quando passavam, e achou muito engraçado a forma como elas nadavam, a dar às patinhas e que rápidas que eram.
Nadou para outro sítio, e aí encontrou milhares de pedras, conchas e búzios, de todos os tamanhos, formas engraçadas que pareciam estátuas, outras pareciam pessoas, outras não tinham formas definidas. 
Os búzios e as conchas eram perfeitos. Gugas nadou por cima delas, e tocou em todas, mas a sua vontade era mesmo levá-las consigo.
Entretanto, do outro lado viu sair de umas toquinhas na areia, que quase passavam despercebidas, dezenas de caranguejos pequeninos e grandes que nadavam rapidamente, mas pareciam estar perdidos, uns foram para um lado, outros foram para outro, cruzaram-se, sem chocarem uns com os outros, e o Gugas achou muito engraçado.
Nadou mais um bocadinho e parou num sítio onde estavam muitos golfinhos a nadar, a saltar no ar, cheio de corais de sonho, com plantas submarinas exóticas, lindas, muito coloridas, de onde saiam peixes de rara beleza, que ele nunca tinha visto. 
Peixes que pareciam monstrinhos, peixes que pareciam ter uma cara misteriosa, lulas, polvos, leões-marinhos, peixes compridos e feios, focas, cavalos-marinhos.
Plantas e pequenas árvores marinhas, parecidas com palmeiras e arbustos redondos, de muitas cores diferentes e feitios, animais que nem sabia bem se eram peixes, se eram aves marinhas, que conseguiam respirar debaixo de água, umas pareciam pavões que abriam as asas e mexiam-nas, com grande elegância, delicadeza e arte, mostrando os seus padrões de cores e círculos das penas.   
Viu bailados de peixes variados que nadavam em conjunto, muito certinhos, de um lado para o outro, peixes diferentes dos que ele conhecia. 
Isto fez-lhe lembrar o bailado dos pássaros, das gaivotas na praia que ele estava habituado a ver e a acompanhar todos os dias ao fim da tarde, e de manhã, quando acordava com o barulho que elas faziam à espera do pequeno-almoço.  
Depois no mesmo sítio, viu uma rocha pequena misteriosa. Uma sereia que estava refastelada em cima dessa rocha, entrou na toca, e tirou de lá algumas pérolas para o Gugas ver: pérolas de ostras brancas e conchas. 
O Gugas sentiu que eram duras, frias, lisas, leves e encantadoras, e ficou também encantado ao ver o reflexo do sol na água, que dava a impressão que eram fios de cristais brilhantes a boiar na água.
De outras tocas viu sair milhares de bolas de água, como se fossem bolas de sabão, mas não descobriu como apareciam, não sabia se eram feitas por peixes a respirar ou se eram correntes de água. De uma toca ao lado saíram peixes muito atraentes, mas o golfinho meteu-se à frente e avisou o Gugas que eram perigosos e venenosos.  
O Gugas estava a gostar tanto do que estava a ver, mas de repente lembrou-se que não tinha dito à mãe, ou à Avó ou aos primos que ia passear. Já deveriam estar preocupados à procura dele. Então, pediu ao golfinho que o levasse de volta à sua praia, com muita pena dele, porque aquele sítio era mesmo especial, e teria com certeza muito mais para ver, mas ficou preocupado com a sua família.
Gugas acertou…já todos andavam loucos à procura dele, a mamã em pânico, e as Avós, a chamar por ele, a correr tudo de um lado para o outro, os primos no mar e em terra, e do Gugas nem sinal. Até os cães ladravam nervosos e farejavam.
Quando o veem a chegar, respiram de alívio, mas mesmo assim, não se livrou de uma palmada, e de um ralhete. Ele pediu desculpa, e explicou que tinha ido passear com um golfinho, a um lugar muito bonito que já muitos conheciam mas ele não, e que se esqueceu de avisar, mas prometeu não voltar a fazer isso, e percebeu que todos tinham ficado preocupados.
O golfinho ficou triste por ver o Gugas levar um ralhete e uma sapatada. Foi à sua zona, pediu a uma sereia para lhe fazer um ramo de conchas, búzios e algas para oferecer à mãe do Gugas, e mais dois para as Avós dele. 
A sereia ainda meteu algumas pérolas brancas nos búzios, e fez uns lindos ramos.
O golfinho voltou à praia onde vivia o menino com os ramos nas costas, presos com umas folhas de árvore marinha às patinhas, só para não caírem. 
Chamou o menino, e ele abriu um grande sorriso, mas ficou logo triste porque se lembrou que estava de castigo:
- Óh, amigo, adorava ir contigo outra vez, mas estou de castigo por ter deixado a minha mãe e as minhas avós preocupadas. É que esqueci-me de lhes dizer que ia contigo… - explica o menino
- Eu sei, eu ouvi. Mas a culpa também foi minha. Por isso, pedi a uma sereia minha amiga que fizesse uns ramos especiais para tu ofereceres à tua mãe e às tuas avós. Pega! Elas vão gostar.
- Áhhh…como é que te lembraste de uma coisa dessas?
- Nós também fazemos isso na minha zona.
- Eu nem me tinha lembrado disto, mas acho que elas vão adorar. Muito obrigado, estão lindos. Não sabia que tinhas amigas com tanto jeito.
- Sim, tenho, e para muito mais, mas um dia mostro-te. Gostaste do passeio?
- Adorei. Tens coisas tão bonitas na tua zona! Obrigado por teres vindo e por me teres levado a um sítio tão especial.
- De nada. Voltarei! Quando já não estiveres de castigo. Ainda ficou muita coisa por ver!
- Imagino! E vou querer ver mais. Vai aparecendo por aqui.
- Combinado. Voltarei! Podes tirar os ramos, por favor…?
- Claro que sim! Têm nomes?
- Acho que são todos iguais… um para cada uma.
- Entendo. Muito obrigado, amigo.
Gugas abraça o amigo, e o golfinho canta e sorri. O menino tira-lhe os ramos, e vai oferecer à mãe e às avós. Todas ficam muito surpresas e encantadas.
- Ááááááhhhh! – Exclamam todas
- Que coisa tão bonita… - Exclama a mãe
- Está fabuloso! – Diz uma avó
- Que lindos… - Diz a outra avó
- Onde arranjaste? – Pergunta a mãe
- Foi o meu amigo golfinho que pediu a uma sereia amiga dele, para vos pedir desculpa.
- Óh, que simpático! – Diz uma Avó
- Obrigado, meu amor… - Diz a mãe
- Que doçura! – Diz a outra avó
- Obrigado. – Dizem todas
Abraçam e beijam o menino, e o golfinho assiste feliz.
- Um dia destes levo-vos lá! É um sítio muito especial. – Diz o menino
- Iremos! – Dizem todas  
- Com muito gosto! – Diz a mãe.   
- Eu quero conhecer essa sereia tão jeitosa. – Diz uma avó
- Tem umas mãos de fada! – Comenta a outra avó
- Acho que até lhe vou encomendar uns raminhos para oferecer…  - Pensa alto, a mãe
- Ótima ideia! – Concorda a Avó
E uns dias depois, o golfinho levou o Gugas, a sua mãe e as suas Avós para conhecer o lugar onde vivia. Elas ficaram deliciadas, encantadas com tanta coisa bonita e diferente, conheceram a sereia artista, agradeceram-lhe e pediram-lhe encomendas.
O golfinho era o moço dos recados, e com todo o gosto. Passou a andar sempre entre a sua zona e a zona do Gugas, onde brincava com ele e com os seus primos, e até ajudava os seus familiares pescadores.
Que grande passeio deu o Gugas, não foi?


FIM
Lara Rocha 
(1/Abril/2017)

E vocês?
Acham que o Gugas fez bem em ter ido com o golfinho sem avisar a família?
Acham que a mamã e as Avós do Gugas fizeram bem em tê-lo posto de castigo? Porquê?  
Acham que o Gugas fez bem em ter oferecido alguma coisa para pedir desculpa?
Gostavam de ir para um sítio tão bonito como este?
Se fossem passear com um golfinho, onde iriam?
O que veriam?





domingo, 11 de setembro de 2016

Não acordem a princesa

       

Era uma vez uma princesa, mas não era de carne e osso, como nós. Era uma princesa muito especial, que nem todos a viam, só algumas pessoas, aquelas mais antigas que viviam nas montanhas e que amavam a natureza. Conheciam-na desde crianças e tratavam muito bem dela.

Ela era feita de folhas das árvores, como aquelas folhas que caem no Outono, linda, leve, com muitas cores. Fazia grandes caminhadas pela cidade e pelas montanhas, o ano quase todo, por muitos países, até que a partir de 21 de Setembro ela repousava para descansar. O seu sítio preferido para o fazer era em cima de relva, macia, fofa, grande, ou aparada, isso tanto lhe fazia.

Uma vez deitou-se no jardim da cidade onde viviam muitas crianças, e pessoas mais velhas, ocupou um espaço muito grande que ficou coberto de folhas.

As crianças iam a passear com os seus avós e preparavam-se para saltar em cima das folhas, mas os avós gritaram-lhes que parassem imediatamente.

- Parem! – Gritam os avós em coro

- Essas folhas não são para pisar. – Recomenda uma avó

- São só para ser apreciadas. – Diz outra avó

- Porquê? – Perguntam as crianças

- Se elas estão no chão podem ser pisadas. – Insiste uma das crianças  

- Não! – Gritam os avós em coro

- Porquê? – Voltam a perguntar as crianças  

- Porque vão pisar a princesa. – Diz uma avó.

- O quê? – Perguntam as crianças em coro

- Que princesa? – Pergunta uma menina

- Eu não estou a ver aqui ninguém! – Diz outra menina

- Nem eu! – Dizem todos

- A princesa está deitada. – Repara outra avó

- Xiu! – Dizem todos os avós

- Não façam barulho. – Diz outra avó.

- Acho que a minha avó está a perder o juizinho… - Diz um menino muito chocado

- Também acho! – Concordam todos

- A minha também… - Comenta outra criança

- A minha mãe tem razão. A minha avó está a ficar tolinha com a idade. – Diz outro menino

- O quê? – Perguntam os avós

- Eu não estou a ver nenhuma princesa… só vejo folhas. – Repara uma criança

- Mas está aí! A princesa é feita de folhas… - Diz outra Avó

- Como ela está linda! – Diz um Avô a sorrir

- Ela sempre foi linda. – Corrige a sua esposa

- Áh…eu acho que vocês não estão bem, Avós! – Diz outra menina

- Mas que atrevida! – Ralha a sua avó zangada

- Estejam calados…- Recomenda outra avó

- E quietos! – Diz outro avô.

A princesa mexe-se, e algumas folhas do seu vestido levantam, mexem e voltam a pousar. Todos sorriem.

- Ela mexeu-se! – Diz uma avó

- Quem? – Perguntam as crianças

- A tal princesa que os avós estão a ver. – Comenta outra menina

- Não a acordem…deixem-na descansar. – Recomenda outra avó

- Acho que vou avisar a minha mãe… - Comenta outra menina

- Eu também. – Diz outra menina

- A tua mãe também conhece a princesa. – Responde a Avó, ofendida

- Ela também a vê? – Pergunta a menina

- Vê. – Garante a avó

- E porque é que eu não a vejo? Será que ela é um… - comenta a menina

- Cala-te! Não é nada disso.

- Ela existe. Está a descansar…viram-na a mexer?

- Não façam barulho. – Resmungam todos os avós

- Eu só vi folhas a levantar e a pousar. – Recorda outro menino

- Pois…ela mexeu-se. – Diz a sua avó

A princesa mexe-se mais um pouco e algumas folhas rodopiam e levantam outra vez. As crianças não estão a perceber nada, e até estão assustadas. Vão para casa e contam aos pais. As mães confirmam, os pais quase quebram a magia, mas as mães cortam-lhes a palavra, e eles acabam por confirmar também.

No dia seguinte, as crianças voltam a sair com os avós, e à espera de ver se a tal princesa vai aparecer. Aparece mesmo, aliás continua lá, a descansar…as crianças preparam-se para pisá-las, escorregar em cima delas, fazem uma gritaria tão grande e correm, os avós não conseguem pará-los.

A princesa acorda muito assustada, levanta-se e foge, esconde-se atrás de uma árvore a quem se abraça. Formam-se uma grande ventania e as folhas levantam todas, voam, rodopiam, amontoa-se aos pés e à volta do tronco da árvore, no chão.

As crianças adoraram ver aquelas folhas todas pelo ar, a rodar e a esvoaçar de um lado para o outro, muito rápido…adoraram ver aquele espetáculo de cores. Os avós ficam muito irritados, e ordenaram que parassem. Puseram-nos de castigo, e levaram-nos de volta para casa. Nos dias seguintes não foram.

A princesa voltou a dormir, mais uns dias, até ao dia 22 de Setembro. Muitos avós sabiam que ela ia acordar nesse dia, e foram ter com ela. O seu despertar era sempre um momento de paz, e especialmente bonito para eles.

Nesse dia, o sol deu um beijinho à princesa, e ela acordou devagar, levantou-se a sorrir, os avós sorriram com ela, sacudiu-se e as folhas abanaram suavemente. Sentou-se, e levantou-se.

O sol ficou mais quente, mas pouco depois, quando ela se cruzou com a princesa Verona, que estava de saída para outros sítios, deixou cair algumas lágrimas em cima da princesa quando trocaram um abraço de amizade, e o céu ficou mais carregado. Os avós agradeceram à princesa Verona e desejaram-lhe boa viagem.

O vento tornou-se mais forte, e o seu vestido esvoaçou por onde passou. A princesa para anunciar a sua chegada espalhou folhas de árvores de muitas cores e tamanhos por todo o lado, cumprimentou toda a gente que passava, espalhou ouriços, castanhas, uvas, espigas de milho, bolotas e outros mimos, como amoras e flores silvestres.

Salpicou as árvores com as cores do seu vestido, borrifou folhas de cores diferentes, e o sol brilhou mais forte outra vez, para tornar as cores mais visíveis.  

- Olá princesa! – Dizem todos

- Olá! – Responde ela a sorrir

Nesse dia, as crianças perceberam de quem se tratava…viram a princesa que os Avós e os pais lhes falavam…e que já não estava deitada na relva…andava por lá, a espalhar a sua beleza.

Era a princesa Outonia…mais conhecida por Outono…a estação do ano em que estavam a entrar! Desse dia em diante, até ao Inverno, as paisagens mudaram, houve muitas festas, como magustos, desfiles de cores e folhas, colheitas, e muitas coisas boas.  


Esta princesa já chegou à vossa cidade? Já a viram deitada na relva? O que é que ela espalhou na vossa cidade?


FIM

Lálá

(10/Setembro/2016)

quinta-feira, 28 de abril de 2016

O monte vermelho

                                foto tirada por Lara Rocha 

Era uma vez várias famílias que viviam num lugar sossegado, que se chamava monte amarelo. Um paraíso perto da cidade onde trabalhavam, com ar puro, sem poluição, só com os sons da natureza.
A paisagem era encantada, e fazia parte desta um monte mais alto, conhecido como o Monte Vermelho que era habitado por lobos…alguns humanos já tinham ido lá, mas poucos se atreviam, porque tinham medo dos lobos que ouviam uivar, e que os fazia arrepiar até os ossos.
Esse Monte Vermelho também servia de inspiração para as ameaças dos pais quando queriam pôr os filhos na ordem, e para artistas escritores, pintores e fotógrafas que tiravam boas ideias. Um dia uma criança de uma das famílias olhou para o monte dos lobos e reparou que em vez de verde ou amarelo, estava vermelho, e mostrou ao Avô:
- Avô, olha aquele monte…não é verde, nem amarelo.
- Pois não. É vermelho. – Responde o avô
- Porquê? – Pergunta a criança
- O nosso é amarelo, aquele é verde, o outro é vermelho…olha…foi o nome que lhe deram…podia ser o monte azul, o monte branco. Sempre o conheci com esse nome. – Explica o Avô
- Já foste lá?
- Não.
- Porque não?
- Porque…olha porque…é…muito longe daqui.
- E não gostavas de ir lá?
- Não faço muita questão.
- O que é isso?
- Isso, o quê?
- Não fazes isso que disseste?
- Muita questão?
- Sim.
- Quer dizer que não quero ir lá.
- Porquê?
- Porque…já te disse que é longe.
- O Avô está a mentir. – Diz a Avó  
- O quê? 8entre dentes para a Avó) Não lhe contes. – Resmunga o Avô
- Estás a mentir, Avô? Isso não se faz. – Repara a criança
- O Avô não vai lá porque lá vivem os lobos. – Responde a Avó
- Lobos? – Pergunta a criança
- Sim, lobos. – Respondem todos
- É um lugar horrível. – Reforça o pai
- Já foste lá? – Pergunta a criança
- Já. – Diz o pai
- Não queiras ir para lá…sempre me disseram que era um lugar perigoso. – Acrescenta um tio
- Já foste lá, tio?
- Não. Mas os adultos ameaçavam-me muitas vezes que me levavam para lá se eu não ficasse à mesa,  e que os lo… (os adultos interrompem e mandam-no calar discretamente)
- E quê? – Pergunta a criança curiosa
- E que… - Dizem todos
- E que esse lugar é selvagem, não é para nós, seres humanos. – Diz a outra avó
- Já foste lá, Avó?
- Não. Bastou que me ameaçassem uma única vez… respeito era muito bonito.
- E porque é que o monte é vermelho? – Volta a perguntar a criança
- Porque…os lobos…
O outro tio ia dizer o que lhe tinham dito, mas os adultos interrompem e respondem em coro:
- Foi o nome que lhe deram!
- É…! – Dizem todos
- Podia-se ter chamado monte roxo, monte cor-de-rosa… - Diz uma tia
- Pois. – Dizem todos
- Já foste lá, tia?
- Não.
- Eu gostava de ir lá. – Comenta a criança
- Só os lobos podem andar por lá, o caminho é muito difícil
A criança não ficou convencida, mas não perguntou mais nada. Quando se foi deitar, olhou para o monte e não estava vermelho. Estava escuro.
No dia seguinte, a criança volta a olhar para o monte e estava vermelho, mas quando se ia deitar, estava escuro outra vez. Ele começou a achar muito estranho, e perguntou ao outro avô:
- Avô…olha…aquele monte está vermelho. Mas à noite, quando vou para a cama, o monte não está desta cor.
- Pois não, porque quando vais dormir, está escuro.
- Muda de cor?
- Muda.
- Porquê?
- Porque de dia tudo tem cor, de noite, parece tudo igual…a nossa casa e todas as outras casas, as árvores, os montes…tudo parece igual. De dia o monte é vermelho porque se reparares existem ali nuvens, e o sol está por trás das nuvens, que fazem o sol parecer vermelho, por isso, onde o sol reflecte, ali, no chão do monte, parece que tudo fica vermelho! Se estivesse um sol aberto como aqui, ias ver o monte amarelo, ou verde-claro e verde escuro…ao fim da tarde é cor-de-laranja ou vermelho, e é branco quando há neve.
- Áh! Que lindo. E há mesmo lobos lá, ou são homens disfarçados? – Pergunta a criança
- Há lobos, mesmo.
- Daqueles como a história do capuchinho?
- Sim.
- E maus como ele?
- Nem sempre.
- Como assim?
- Se sentirem que estão em perigo, se os agredires, ou se estiverem com fome, são selvagens, podem ser um pouco agressivos, ou tentar magoar-te para se defenderem, e às vezes comem animais para se alimentarem. Mas poucas vezes vêm aqui ao monte.
- Áh! Estou a perceber.
Nessa noite, foi Lua Cheia…e estava enorme, linda. Começou a aparecer por trás do monte vermelho. O menino estava a ver com a família. Um espectáculo da natureza que todos gostam de ver, e deliciam-se.
- Avô…olha a cor do monte…parece que tem ali uma bola de luz.
- Sim, já vais ver o que é.
A lua sobe, sobe, sobe…até que aparece por inteira.
- A lua. – Diz a criança encantada com um grande sorriso.
E ouve-se o uivo crescente dos lobos…como uma orquestra…começa o chefe da alcateia, e os outros seguem-no, até que todos uivam prolongadamente em coro, virados para a lua. Pode ver-se as sombras deles. Os humanos arrepiam-se e sorriem, os cães ladram.
- O que é isto? – Pergunta a criança
- São os uivos dos lobos. – Respondem todos
- Estão a saudar a lua! – Diz uma avó
- Áhhhh…que lindo! Agora o monte já não está vermelho…está… – Suspira a criança a sorrir  
- Prateado. – Diz a mãe
- Branco. – Diz um tio
- Amarelado. – Diz outra tia
- Branco azulado. – Diz o pai
- Enluado! – Diz o Avô.
- Agora o monte está avermelhado porque o sol viu a sua apaixonada lua. – Diz uma adolescente da família com ar de sonhadora
- Eu acho que ele está vermelho por ter tantos lobos a olhar para ele… - Diz outra adolescente da família
- Pode ser o reflexo da raiva dos lobos por alguma coisa…olha como eles uivam…- Diz outra adolescente da família  
Estas famílias tinham a tradição de se reunir em noites de Lua Cheia, para viver e reviver estas fantasias saudáveis da infância, e para correr com os medos, que sabiam agora em adultos, não serem reais, mesmo assim gostavam de sonhar…Eram momentos de união e partilha, convívio, magia…depois das crianças se deitarem, a noite era dos crescidos.
Muitos segredos e medos que os adultos viveram, os mitos, as lendas, as histórias e as fantasias que o Monte Vermelho tinha despertado nas suas infâncias, ficaram por contar às crianças, para que elas não ganhassem medo, e para cada uma delas poder viver, experimentar a magia, as suas próprias fantasias em relação aos mistérios da Natureza.
E vocês? Porque acham que o monte era vermelho?

Fim
Lálá

(27/Abril/2016)

sexta-feira, 25 de março de 2016

A árvore



Foto de Lara Rocha 


NARRADORA – Era uma vez uma árvore enorme plantada num pinhal onde existiam casas. O seu tronco era enorme e largo, quase parecia uma casa; e os troncos pequenos pareciam braços. Mas esta não era uma árvore qualquer…! Vejam porquê. Num dia de Verão, passa uma Avozinha pequenina, enrogadinha, mas cheia de genica e sorridente a carregar sacos. A Avó já era muito conhecida da Árvore, e adorada por esta, pois a Avozinha sentava-se muitas vezes debaixo das suas folhas á sombra, no Verão, e abrigava-se da chuva no Inverno, desde que era muito pequenina e guardava o gado. Actualmente, a Avó sentava-se, encostava-se ao tronco, e tinha longas conversas com a sua amiga Árvore a quem contava histórias. A Avó tinha netos, e também estes já iam para debaixo da árvore.
ÁRVORE (sorridente) – Óh…olá querida Avozinha, como estamos hoje?
AVOZINHA (sorridente) – Olá bom dia, estou bem…quer dizer…viva…de olhos abertos, a respirar, com o coração a bater…e posso mexer-me. É sinal que estou bem, tirando as dores nas costas.
ÁRVORE (ri) – Ai Avó, a Avó é uma maravilha! Um exemplo a seguir para toda a gente.
AVOZINHA (sorri) – Óh, filha…a minha vida não foi fácil, mas considero que sempre fui feliz. Agora as pessoas têm tudo e estão sempre infelizes e insatisfeitas…! (p.c) Não dão valor ao que é mais importante, e o que é do melhor que podemos ter.
ÁRVORE (sorri) – A Avó está sempre bem disposta…é por isso que tem essa saúde fantástica, e essa carinha de boneca…!
(Gargalhadas da Avó)
AVOZINHA (ri) – Ai, querida, achas que acredito mesmo no que tu dizes…?
ÁRVORE – Eu estou a ser sincera…está com um ar óptimo.
AVOZINHA (ri) – É…sou uma boneca…está bem…uma boneca de papel ou de trapos velhos.
ÁRVORE – Que horror…não diga essas coisas. (p.c) Sente aqui…pouse os sacos e descanse um pouco.
AVOZINHA – Filha, não posso demorar…os meus netos devem estar a chegar.
ÁRVORE – Sim, mas sente…vou dar-lhe um copinho de água! (p.c) Quer uma cadeira, um banco, um sofá…?
AVOZINHA – Qualquer coisa.
ÁRVORE – O que é mais confortável para si…?
AVOZINHA (sorri) – Tudo é confortável, eu não sou esquisita.
NARRADORA – Num instante, a árvore remexe com uns troncos fininhos dentro do seu tronco grosso, e tiras de lá um sofá, e um copo de água para a Avó. A Avó senta-se no sofá e bebe água.
AVOZINHA (sorri) – Ááááhhh…que delícia de água! Obrigada, querida.
ÁRVORE (sorri) – De nada! Quer mais?
AVOZINHA (sorri) – Não! (p.c) Tu estragas-me com mimos!
ÁRVORE (ri) – A Avó merece! (p.c) Permita-me que lhe faça umas massagens, posso?
AVOZINHA (sorri) – Óh, filha, isso é fantástico. Claro que sim. Mas eu não quero incomodar-te, nem abusar da tua bondade!
ÁRVORE – Fique descansada, Avó, que se eu não tivesse nada para lhe oferecer, não lhe falaria nisso. Dou-lhe todo o carinho, do coração. (p.c) Vá…deite-se à vontade, por favor…logo, logo vão desaparecer as dores nas suas costas. Só tem que se entregar a mim.
(A Avó ri, deita-se)
AVOZINHA (sorri) – Áh! Que bom…estou nas tuas mãos! (p.c) Mas… (preocupada) e os meus netos…?! (p.c) Ai, não posso ficar as massagens! (p.c) Não, não me posso entregar às dores.
ÁRVORE – Calma, Avó. Não se preocupe, que quando os seus netos chegarem, eu chamo-os! (p.c) Descanse. Eu vejo daqui.
AVOZINHA (sorri) – Obrigada.
NARRADORA – E assim é…a Árvore, com uns troncos fininhos massaja delicadamente a Avó nas costas. A Avó está deliciada e relaxada! (p.c) De cima, a árvore vê os netos pequenos da Avó, e estica os troncos, para chama-los delicadamente. Os meninos também já conhecem a árvore, e seguem-na. A árvore pede que façam silêncio, e eles…pé ante pé, silenciosamente vão ter com a árvore, que continua a massajar a Avó.
MENINOS – Avó!
AVÓ (sorri) – Olá meus amores. (p.c) Desculpem não vos dar beijinho, mas estou aqui a receber massagens.
MENINOS (sorriem) – Está bem Avó.
AVÓ – É que doem-me as costas. Tudo bem convosco?
MENINOS (sorridentes) – Sim.
MENINA – Avó…temos fome!
AVÓ – Esperem um bocadinho…!
ÁRVORE – O que querem comer?
AVÓ – Eu já lhes dou a seguir.
ÁRVORE – Digam lá…!
MENINA – Eu quero um iogurte, e uma torrada.
MENINO – Eu também quero isso.
AVÓ – Óh meninos, que chatos…esperem.
ÁRVORE – Deixe-se estar, Avó, eu dou-lhes.
AVÓ – Ai, que já estamos a abusar.
ÁRVORE – De maneira nenhuma.
NARRADORA – A Árvore, enquanto massaja a Avó, com outros tronquinhos pequeninos, remexe no seu tronco e tira de lá uma mesinha e umas cadeiras para os meninos. Eles sentam-se e a árvore tira do tronco o lanche dos meninos. Eles sorriem.
MENINOS – Obrigada!
ÁRVORE – Querem mais alguma coisa?
MENINOS – Não, obrigada.
ÁRVORE (sorridente) – Como correu a escolinha?
MENINOS (sorridentes) – Bem!
NARRADORA – A Árvore, a Avó e os netos falam alegremente. De repente, um menino está perdido no campo, e chora muito assustado, andando de um lado para o outro e a chamar pelos pais e pelos avós. A Árvore conhece-o, agarra-o pela camisola e arrasta-o para a sua beira.
ÁRVORE (sorridente) – Então, pequenote? (o pequeno pára de chorar) O que foi?
MENINO 2 – Eu não sei onde estão os meus pais, e os meus avós, nem sei onde é a minha casa.
ÁRVORE – Eu sei onde é a tua casa, e quem são os teus pais…não te preocupes…vais já ter com eles! (p.c) Queres alguma coisa?
MENINO 2 – Não!
ÁRVORE – Meninos, podem ir levar este menino ali a casa, por favor?! Aqui…mesmo em frente!
MENINOS – Sim, anda!
(Os dois dão a mão ao menino)
ÁRVORE (sorri) – Já passou, querido! (p.c) Já vais para casa.
MENINO 2 – Está bem!
ÁRVORE (sorri) – Um beijinho para os teus pais e Avós!
MENINO 2 (sorri) – Obrigado!
AVÓ (sorri) – Eu sei quem és! (p.c) Vou lá contigo cumprimentar os teus pais. (p.c) Muito obrigada querida árvore, as massagens souberam mesmo bem.
ÁRVORE – Óh, já vai Avó? Hoje não me vai contar uma história?
AVÓ – Desculpa, hoje não tenho histórias para contar.
ÁRVORE (sorri) – Não faz mal, Avó…! (p.c) Quer ajuda para levar os sacos?
AVÓ – Não, filha, os meninos levam!
ÁRVORE – Não é preciso, vá descansada, eu deixo-lhe os sacos em casa!
MENINA – Não, nós levamos!
ÁRVORE (sorri) – Levem o menino a casa! (p.c) Eu deixo lá em casa.
TODOS – Está bem.
NARRADORA – Vão levar o menino a casa, a mãe já estava preocupada, e a árvore estica uns troncos e pousa os sacos da Avó à porta da sua casa. Aparece um casal de Aves feridos, que levaram um tiro numa asa e numa pata, por isso não conseguem voar…vão pelo chão com muita dificuldade e a gemer.
AVE – Por favor…pode ajudar-nos? (p.c) Estamos…ai, ai, ai…feridos!
ÁRVORE (preocupada) – Claro que sim, mas…o que vos aconteceu?
AVES – Levamos um tiro.
AVE 2 – Sim, íamos a voar sossegados, e um maluco deu-nos um tiro…conseguimos fugir e esconder-nos mesmo feridos…e depois viemos pelo chão.
AVE – Chegamos, mas está a doer muito!
ÁRVORE – Mas que maldade…
NARRADORA – Remexe no tronco, e retira de lá um almofadão, uma lupa, duas pinças, álcool, algodão, mercúrio, adesivo, tesoura…observa, limpa as feridas, e faz os curativos às aves.
ÁRVORE (sorri) – Já está. Agora, vão ter de ficar de repouso.
AVES – Nem pensar.
AVE – Não temos onde ficar…!
ÁRVORE – Têm sim…ficam aqui num dos meus ramos, vou preparar-vos o ninho.
AVE 2 (sorridente) – Ai, muito obrigada. Nem sabemos como lhe agradecer a sua generosidade!
ÁRVORE (ri) – E quem disse que têm de agradecer…!
NARRADORA – A árvore prepara um ninho confortável, num ramo, pega em cada uma das aves e coloca-as carinhosamente no ninho. Dá-lhes água, e cobre-as com um lençol. Dá-lhes alimento e fala um pouco com eles. Aparece um pequeno gatinho que consegue trepar à árvore, a brincar e distraído, mas não consegue descer, fica com medo. A árvore pega nele e pousa-o no chão. Pouco depois um jovem cavaleiro cai de cansaço no campo e porque está doente. A árvore arrasta-o para o seu tronco, põe – lhe a mão na testa, e sente que está muito quente. Remexe no seu tronco, tira de lá um termómetro, e realmente, o pobre cavaleiro está mesmo com muita febre. Ela abre uma portinha no seu tronco e mete lá o cavaleiro. Dá-lhe um medicamento, água e agasalha-o cuidadosamente. O cavaleiro adormece. A árvore olha em volta, e avista o cavalo deitado na relva, igualmente desidratado e doente. Remexe no seu tronco, e tira de lá água para o cavalo, um cobertor, alimento, um guarda-sol e medicamentos. Tapa o cavalo com o guarda-sol, dá-lhe água e alimento, deita os medicamentos na água, e cobre o cavalo, deixando água ao pé do cavalo para ele ir bebendo. Nos dias seguintes, os doentes recuperam, com tanto carinho da árvore. E qualquer pessoa ou animal que estivesse em perigo, a árvore ajudava com tudo o que podia. Que árvore maravilhosa! Era adorada por todos, e mágica. Gostavam de ser uma árvore assim? Sabem…podem ser como ela…! Sim, é verdade…não são árvore, nem têm aquelas coisas todas no tronco, mas há sempre alguma coisa de bom no vosso coração, que podem dar aos outros, para os ajudar…se não for bens materiais, podem muito bem, dar simplesmente um sorriso, um abraço, uma mão, a vossa amizade, a vossa presença, podem emprestar os vossos ouvidos a quem precisa de falar, um desenho bonito, uma flor, um beijinho, emprestar alguma coisa que tenham e o outro menino não tenha, e muitas outras coisas boas que descobrirão certamente, poderão fazer alguém que está ao vosso lado muito, muito feliz.

MORAL DA HISTÓRIA PARA OS PAIS, AVÓS, PROFESSORES E OUTROS:
Infelizmente não somos árvores poderosas, com tudo o que precisamos de dar a nós mesmos e aos outros, mas temos sempre alguma coisa. E não precisamos de ir muito longe para fazer alguma coisa pelos outros, pois mesmo ao nosso lado, e às vezes dentro de nossa casa, temos alguém que precisa sempre de alguma ajuda nossa, ainda que pequena e simples. E mesmo que pequena…deve ser sempre valorizada e elogiada, para que as seguintes possam ser cada vez melhor e maiores. Papás…e mamãs…e Avós…valorizem sempre a boa vontade dos vossos pequenos, e engrandeçam todas as pequenas vitórias e pequenos esforços que eles mostram…mesmo que não seja de forma perfeita! Mesmo as tentativas falhadas, e as críticas devem ser cautelosas, suaves, sem humilhar e sem desvalorizar totalmente. Corrijam, mas realcem sempre a parte positiva, e expliquem como devem fazer, até a brincar! Aprenderão muito melhor do que se forem criticados e humilhados! Lembrem-se…os pequenos não fazem as coisas perfeitas, como vocês querem ou gostariam, Ninguém é perfeito! Nem vocês! E as crianças, ao ser valorizadas por pequenas coisas, sentir-se-ão igualmente valorizadas, esforçar-se-ão por fazer ainda melhor das vezes seguintes…! Dessa forma, sem críticas severas e destrutivas, os vossos filhos crescerão de forma equilibrada, feliz e com boa auto-estima…fundamental para a sanidade mental. Se a criança cresce na crítica, é isso que ela vai aprender a ser e a fazer aos outros. Se a criança cresce no meio da violência, é isso que vai mostrar aos outros. Se a criança cresce no ódio é o que ela vai sentir em relação a si mesma e em relação ao outro. A família é um excelente laboratório social, muito importante para a formação de cidadãos, que dependendo dos pais, poderão ser cidadãos de classe, bondosos e solidários, e também mais humanos e felizes. Não precisam de gritar, com os vossos filhos quando fazem alguma coisa mal, ou menos perfeita que vocês, nem de humilhar, pois dessa maneira não aprendem, muito pelo contrário. 

FIM
Lálá
(25/Dezembro/2012)