Número total de visualizações de páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta animais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta animais. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 13 de maio de 2025

O pequeno pavão

    



foto tirada por Lara Rocha 

 
     Era uma vez um pavão pequenino que viu a sua imagem refletida num lago do jardim. Ficou imóvel a olhar para a imagem: 

- Quem é esta criatura na água? Que ser estranho! Está a olhar para mim e a repetir o que eu digo...mas eu não o oiço. 

    Dá uma bicada na água e o seu reflexo desaparece, formando pequeninas ondulações. 

- Nunca outra vi, desapareceu? 

    Olha outra vez e volta a ver a imagem. 

- Apareceste outra vez? 

    O reflexo não responde. 

- Estás a gozar comigo, é? Eu não acho piada nenhuma, por estares a repetir tudo o que eu faço e tudo o que digo. Porque é que estás aí? 

    O reflexo não responde. O pequeno pavão fica nervoso, vira-se de lado e no reflexo vê as suas lindas penas traseiras, brilhantes na água, abana-se, o reflexo faz tudo. Começa a gritar nervoso, e aos saltinhos com os olhos muito abertos assustado: 

- Agora tenho olhos atrás? O que é isto? 

    Salta, olha para a água e lá está o seu reflexo, com as pequenas penas a abanar. Grita, sacode-se, salta nervoso e assustado. Corre a abanar-se, os outros animais observam-no intrigados e a rir: 

- O que é que lhe está a dar? - comenta um macaco às gargalhadas 

- Realmente...ele não parece nada bem! - diz um esquilo que estava a saborear uma noz. 

- Está para ali aos gritos, a sacudir-se, a correr, a saltar...vou  perguntar-lhe se está tudo bem com ele - diz um coelho a rir-se

- Parece que tem algum inseto a chateá-lo ou a picá-lo! 

    Aproxima-se do pavão:

- Então moço? O que se passa? Estás muito agitado! 

    O pavão continua a saltar, a gritar, não responde ao coelho e vai a correr para a beira dos pais: 

- Pai, Mãe, está um bicharoco dentro da água do lago a olhar para mim, a imitar tudo o que eu digo e faço. Depois...desaparece, volta a aparecer. Virei-me de lado, olhei para a água e lá estava ele a imitar-me. Mas agora vi que tenho ramos de árvores colados ou espetados nas costas, ou mais abaixo, ainda por cima com umas centenas de olhos, não os contei mas deve ser próximo disso. Aparecem na água lá com  o outro que também tinha iguais...e vocês também têm! O que é isto? Como é que estes paus com olhos vieram aqui parar? Socorro! Tirem-me isto, por favor. Eu corri, saltei, e não saíram.

    Os pais desatam às gargalhadas. 

- Estão-se a rir? Eu aqui em sofrimento, numa grande aflição, e vocês riem-se? Ááááhhhh, não estava à espera. 

- Mostra-nos esse bicharoco do lago. - diz a mãe a rir 

- Vocês não vão gostar de o conhecer! Tenho a certeza. - diz o pavão pequenino 

- Nós conhecemos esse bicharoco, mas mostra-nos! - diz o pai a rir 

- Conhecem? - pergunta o pavãozinho muito surpreso 

- Sim, mas mostra-nos, para termos a certeza que é quem estamos a pensar. 

    Os pavões adultos, vão a rir à gargalhada o caminho todo até ao lago. 

- Aqui! - diz o pequeno e espreita 

    Os pais também espreitam, e veem o seu reflexo: 

- Olha que bonitos que nós estamos! - diz a mãe a sorrir 

- Mas então, onde está o bicharoco? 

- Está aqui...e agora tem mais dois. - diz o pequeno

- Não vês que somos nós, e tu? - comenta a mãe 

- É o nosso reflexo? - acrescenta a mãe? 

- Olha tu...eu...e a mãe. - diz o pai 

    O pequeno pavão olha várias vezes para os reflexos na água e para os pais, que continuam a rir 

- Mas...mas...como é que pode ser? - pergunta o pavãozinho 

- É como se nos estivéssemos a ver ao espelho, em casa. 

- Mas estes não têm os ramos das árvores espetados ou colados aqui atrás, com os olhos… 

    Os pais viram-se de lado, e as grandes penas luminosas veem-se refletidas na água. 

- Não são ramos de árvores coladas, muito menos com olhos! São as nossas penas, e as tuas também vês, quando te pões de lado. - explica o pai 

- As tuas ainda são pequeninas, mas à medida que vais crescendo, elas também crescem. Ficam como as nossas! - acrescenta a mãe 

    O pavão pequeno fica boquiaberto, muito surpreso e em silêncio. Os animais à volta riem à gargalhada, com os pavões grandes. 

- Ele estava aqui, completamente histérico, nem me respondeu - diz o coelho a rir-se 

    Gargalhadas de todos 

- Pensávamos que ele estava a fugir de algum inseto, ou que estava a picá-lo. - diz o esquilo às gargalhadas, com os pavões grandes 

- Então...não há outro a imitar-nos na água? - pergunta o pequeno 

- Não, claro que não. - dizem os pais 

    Os pais abrem as penas maravilhosas, todos os animais batem palmas, como costumam fazer. O pavãozinho pequeno abre as dele, os pais e os outros animais também aplaudem. Ele sorri. 

- Sois maravilhosos! - grita uma preguiça num tronco

-Obrigada! - dizem os pavões 

- Onde é que o pequeno há bocado ia com tanta pressa, aos saltos, aos gritos…? - pergunta a preguiça

- Estava a ver os reflexos na água e não sabia o que era, nem de quem eram. Eram dele, e depois nossos. - responde a mãe

Todos riem

- Pensei que tinha ramos de árvores com olhos, colados às costas, ou mais abaixo. E que estava uma criatura monstruosa a imitar tudo o que eu dizia e fazia. Que susto que eu apanhei - diz o pavãozinho a rir

Conversam alegremente, passado uns tempos o pequeno pavão cresce como os pais, e vê o seu reflexo na água do lago, com as penas enormes e bonitas. 

Vai frequentemente ao lago, e abre as penas, umas vezes com os pais, outras, sozinho e vaidoso, os outros batem palmas. 

Adora desfilar, e exibir as suas penas lindíssimas, vai com outros para esse lugar festejar, brincar, rir, conversar, saltar, correr e receber palmas. 

A grande família de pavões era realmente bonita e especial, pelas suas penas e espetáculos que davam quando as abriam. 

                                                                Fim 

                                                          Lara Rocha 

                                                        12/Maio/2025 

sexta-feira, 25 de março de 2016

Duas famílias

Personagens:

- 1 Menino pequenino, bonzinho, de 6 anos, cabelo loiro, olhos castanhos, pele branca, educado muito meigo, simpático, chama – se Pedro
 - 1 menino mau, revoltado, nervoso, vingativo, de 9 anos, cabelo preto, curto e liso, pele branca, olhos castanhos, mal educado…chama – se Roberto

- Avô Rafael (Avô do Pedro)                       
- Mamã Paula (Mãe do Pedro)                     
- Papá Cláudio (Pai do Pedro)
- Avó Diana (Avó do Pedro)
- Dona Tânia (Mãe do Roberto)                                        
- Sr. Filipe (Pai do Roberto)
- Avó Paulina (Avó do Roberto)
- Avô Afonso (Avô do Roberto)
- 1 Cãozinho


         O sol já pintou toda a Serra de dourado e está escaldante. Numa casinha rústica típica da Serra, com um grande espaço verde á volta, vive o menino Pedro com os Pais e os Avós.
Os Avós já foram tratar dos animais e dos cultivos da horta, desde que os passarinhos anunciaram o nascer do dia com os seus doces chilreares.
Pedro ainda está no mundo dos sonhos.
Paula já acordou para preparar o pequeno-almoço ao marido que está a resmungar porque ela se atrasou a acordar e não o despertou á hora que ele pretendia.
– Querido, não precisas de tomar o pequeno-almoço a correr… ainda é cedo!
– Já estou atrasado! Já devia ter saído há muito! Já me devias ter acordado há muito tempo…não sei como é que te deixaste adormecer outra vez sabendo que eu tinha que sair… tanto te pedi…
– Desculpa meu amor! O nosso filho vomitou vezes sem conta esta noite, fartei – me de acordar para o limpar e mudar os lençóis, senão era desagradável, tive que lhe fazer 1 chá, pôr – lhe toalhas de água fria na testinha… aliviá-lo porque ele estava muito quente, cheio de febre.
– (preocupado) Mas… vomitou porquê?
– Não sei querido. Deve ser ouvidos ou garganta.
– (preocupado) E não me chamaste?!
– Não amor! Eu sei que tens que trabalhar e á noite tens de descansar. Não havia necessidade de te acordar, fofinho! (p.c.) Não ias fazer nada!
– Querida, ao menos estava do teu lado e entretinha – o. 
– Não deve ser nada grave! Há bocadinho estava a dormir bem. Depois eu estava tão cansada e com sono de manhã ouvi o despertador, mas olha, deixei – me estar mais um bocadinho. Desculpa!
– Ok, ok…! Desculpa, não sabia que tinhas passado a noite acordada.
– Pensaste que era preguiça?
– (a sorrir) Desculpa! Vai descansar agora, meu amor, enquanto ele dorme e por favor: qualquer coisa liga – me. É melhor levá-lo ao Dr. Miguel.
– Está bem. Vai descansado!
– Vou lá cima dar – lhe 1 beijinho.
Cláudio e Paula vão ao quarto do pequeno que acabou de acordar todo sujo á volta dele e comentam:  
– (preocupado) Vomitou outra vez.
– Vou levá-lo ao Dr. Vai descansado, eu trato dele.
– Eu ligo mais tarde.
– Está bem meu amor. Bom trabalho!
– Obrigado.
Ele dá 1 beijo terno á mulher e outro ao filho que fala com o Pai, e o Pai responde:
– (choquinho a choramingar) Onde vais papá?
– Vou trabalhar filho!
– (choquinho) Não vais brincar comigo?
– Mais tarde sim, filho. Agora vou trabalhar para ganhar dinheiro. Até já!
– Até já! Não demores.
Cláudio sai depressa, Paula pega no Pedro ao colo, beija – o carinhosamente, dá – lhe banho numa conversa muito animada, os dois trocam carinhos, enquanto a mãe fala com o pequeno, e o pequeno responde:
– Dói alguma coisa meu amor?
– A garganta.
– Áh, então vamos ao Dr. Miguel… ele vai dar um remedinho e vai já passar sim?
– Pica não!
– Não.
– Tu não deixas pois não?
– Não.
A Paula veste – o, dá – lhe o pequeno-almoço e aparece o Avô Rafael e cumprimenta os dois sorridente:  
– Bom Dia!
         Os dois respondem em coro (a sorrir):  
– Bom Dia!
Pedro pendura – se no Avô e dá – lhe beijinhos, o Avô retribui. Paula faz um pedido ao Pai, o qual aceita de imediato:
– Óh Pai, não se importa de tomar conta dos recados para mim, se aparecerem freguesas… é que eu tenho de o levar ao médico.
– Óh filha, eu levo – o.
– Eu tenho umas coisas para acabar, mas primeiro está o meu filho; depois digo às freguesas o que aconteceu.
– Não, filha vai acabar o que tens a fazer, descansada, eu levo – o lá!
– Não se importa?
– Óh mulher, eu sou AVÔ dele, achas que me vou importar? Está descansada… suspeitas de quê?
– Não sei bem, talvez uma crise de garganta ou ouvidos. Ele diz que lhe dói a garganta, tem febre e vomitou várias vezes de noite.
– Está bem. Não te preocupes, eu vou lá. Vai tratar do teu trabalho. Eu tomo conta do recado. A Mãe também deve estar a chegar com as coisas para a sopa que tu pediste.
– Está bem… (sorri) Muito obrigada, Pai.
– Ora essa... até já.
Paula dá um sonoro beijo nas bochechas vermelhas do filho, o pequeno retribui sorridente e Paula informa-o:  
– (a sorrir) Vais com o Avô, está bem?
– (a sorrir) Sim, está bem. Até já Mamã.
– (a sorrir) Até já, meu Amor!
A Mãe é costureira, e tem trabalhos para acabar, vai para o atelier dela. A Avó Diana passa pelo marido e pelo neto cumprimentam-se, e a Avó diz a sorrir:  
– Bom Dia, meu anjinho.
– (a sorrir) Bom Dia, Vovó.
         O Avô Rafael informa a Avó, e o Pedro acrescenta:
– Vou levá-lo ao Dr. Miguel
– Tou doente…
         A Avó Diana fica preocupada, mas o Avô Rafael tranquiliza-a:
– Mas… o que é que ele tem?
– Calma, querida, não deve ser nada grave, em princípio é uma simples crise de garganta, já que vomitou e diz que lhe dói a garganta, que tem febre. A Paula está atulhada de trabalhos para acabar, vou lá eu com ele.
– Está bem querido! Vai. Eu vou lá ter com ela ajudá-la na costura e depois fazer o almoço. Não precisas que vá contigo?
– Não! Vai ajudar a Paula, ela precisa mais.
– Está bem… Até já! Lembranças ao Dr. Miguel.
– Sim, eu dou. Até já.
Pedro dá 1 beijo na Avó, a Avó retribui. O Avô Rafael segue de mão dada com o neto, a conversar muito animados, e a Avó vai ajudar a Mãe do Pedro.  
                 ENTRETANTO NA CASA DO ROBERTO…A confusão é total.
Os Avós estão a trabalhar no campo.
O Sr. Filipe está de ressaca, é uma pessoa nervosa, que bebe muito álcool e pára pouco em casa. Não dá atenção ao filho e é violento com a mulher.
A Dona Tânia está acordada e já fez muita coisa. Está na cozinha e resmunga:  
– O raio do Homem nunca mais acorda! Parece impossível! A esta hora, aqui em casa tudo por fazer e sua excelência a trabalhar para a engorda! Chegou a umas lindas horas, chegou. Já o sol tinha nascido. Mas não quero saber; vai acordar a bem ou a mal. Dona Tânia sobe as escadas, nervosa, entra no quarto, abre a persiana e grita com o marido, que também responde de forma agressiva com a esposa:
– Óh porco de engorda… pincha já do ninho, bola de carne…! Andor…
– (grita) Cala – te! Pareces uma cabra. No monte a juntar o gado não berras tu assim. Vai berrar para o raio que te parta!
– (Grita) Anda! Salta.
– (resmunga) Vai comer erva e deixa – me dormir!
– (grita nervosa) Estás – me a chamar vaca é?! (P.C.) Onde é que tu andaste a noite toda para chegares de manhã completamente bêbado?! E eu em claro a noite toda preocupada contigo!
– (resmunga) Cala – te! Não estás a juntar o gado por isso escusas de falar alto.
– (resmunga) Responde ao que eu te perguntei!
O marido levanta – se nervoso, o Roberto acorda, vai lá ao quarto dos Pais chateado e vê o Pai a bater na Mãe; e a Mãe sem se defender. Roberto implora ao Pai, mas o Pai ameaça-o também:
– (nervoso) Não batas na Mãe.
– (nervoso) Põe – te a andar senão também apanhas.
A Dona Tânia agarra nos cabelos do Sr. Filipe e atira – lhe uma almofada para os olhos, ele larga – a deita – se na cama e adormece!
A Dona Tânia fica incrédula com a reacção que teve e ri – se, e murmura:
– Monstro… Porco de engorda… estou a ficar farta de ti!
A Dona Tânia vai – se consolar com uns cãezinhos que nasceram há muito poucos dias. Roberto está na cozinha a chorar. Dona Tânia e Roberto têm uma conversa séria:   
– Estás a chorar porquê? Não foste tu que apanhaste!
– (a chorar) Mãe… porque é que estão sempre a discutir e a bater um no outro?
– Não tens nada a ver com isso, és muito pequeno para perceber os problemas dos adultos.
– (A chorar) Como é que tu gostas do Pai, se ele te está sempre a bater e aos gritos contigo?!
– (triste) O teu Pai tem alguns problemas…mas é meu marido… já estou habituada a apanhar dele… mas no fundo amamo-nos!
– (a chorar) Não sabia que amar era dar porrada…
– (triste) E não é, mas se o teu Pai me bate é porque acha que mereço…
– (a chorar) Não mereces nada! Eu não gosto de vos ver assim! Preparas – me o pequeno-almoço?
– (zangada) Prepara tu, já és grandinho e sabes muito bem preparar…
– (a chorar) O Pai já é velhote, bate – te e tu preparas – lhe…
Dona Tânia puxa 1 orelha ao Roberto e grita-lhe:
– Cala – te. Prepara tu… e é se queres! É só deitar o leite no copo… e não digas aos Avós que o teu Pai me bate.
Ele faz o que a Mãe diz, e resmunga:
– Para esse nojento tu preparas, para mim que sou teu filho não!
– (zangada) Vê lá como falas do bichinho…
Dona Tânia enche o cão de festinhas, mimos, beijinhos, põe leite na tigela do cão e dá – lhe o leite com o cão ao colo… passado um bocado a Mãe pousa o bichinho e vai para a horta. Roberto, nervoso pega no cãozinho pelas orelhas e diz – lhe nervoso e revoltado:
– Detesto – te! A minha Mãe em vez de gostar de mim gosta de ti. Tu é que tens direito a pequeno-almoço no colo, e és um estúpido de um cão, eu sou um ser humano e eu é que devia tomar o pequeno-almoço preparado por ela, no colo dela tu é um cão… não tens direito. Tens os mimos todos para ti, eu que sou filho dela é que devia ter mimos, mas és tu que os tens… detesto – te! Vou pôr – te na rua… assim, a minha Mãe já vai gostar de mim, e dar – me o mimo todo que eu quiser.
Roberto revoltado sai com o cão pelas orelhas e anda com ele assim um bom bocado, até quase á casa do Pedro. Ai, bate no animal sem dó nem piedade, atira – o para ao chão, bate – lhe com sapatadas, dá – lhe pontapés… o cão está a tremer no chão, a ganir, e ferido.
O Avô Rafael vê aquele rapaz e vai ter com ele, juntamente com o neto e diz:   
– Um cãozinho… Coitadinho, está ferido… Roberto, de quem é este cão?
         Roberto é muito mal-educado e responde nervoso:
– Era meu… como é que você pode ter pena desta coisa, seu velho estúpido?!
         Pedro ralha com o rapaz:
– Não fales assim com o meu Avô!
         O Avô Rafael tenta falar a bem com Roberto, mas ele é mal-educado e responde de maneira rude:
– Primeiro, vê se tens mais respeito, porque eu só te fiz 1 simples pergunta… posso ser velho, mas por isso mesmo, tenho autoridade suficiente para dar umas boas sapatadas quando me faltam ao respeito… mesmo não sendo teu avô…! O que é que lhe aconteceu?
– (nervoso) Sei lá, nem me interessa!
O Avô Rafael, perde a paciência, puxa – lhe a orelha e aperta – lha, ralhando-lhe:  
– (chateado) Baixa a crista quando falas com as pessoas mais velhas!
– (grita) Ai, está – me a magoar! Você não me pode bater velho monstruoso.
– (chateado) Cala – te! Não sabes o que estás a dizer! Daqui a pouco ficas sem orelha (dá – lhe 1 sapatada no rabo) O que é que fizeste ao pobre cão? Olha o estado em que ele está!
– (nervoso) Quero lá saber do nojento do cão! Não faz falta nenhuma em casa! É um palerma! A minha Mãe gosta mais dele do que de mim … só se preocupa com ele… se eu não comer, ela não quer saber, mas se este pulguento não comer já fica toda cheia de pena e quer logo dar de comer. Só este… insignificante é que tem direito aos mimos e ao colo… eu é que sou o filho. A mim nunca dá mimo nem colo. O meu Pai também não quer saber de mim, quase nunca o vejo e quando está em casa bate na minha Mãe… tudo por causa dos cães.
         Pedro defende o animal e ralha com Roberto:  
– Não digas mal do bichinho! Ele é um ser vivo como nós, quer colo e mimos como nós. Ele não tem culpa. Eu também tenho muitos cães, a minha Mãe dá – lhes festinhas e pega neles ao colo, e a mim faz o mesmo. Dá comida aos cães e a mim também.
         O Avô dá toda a razão ao neto:
– Claro! Um não tira o lugar do outro. Os teus Pais amam – te. Os animais não têm nada a ver com os assuntos dos adultos, e não devias ter tirado da Mãe dele!
         Pedro acrescenta reprovador:
– És um menino muito mau. A Mãe do cãozinho devia – te morder!
         O Avô tenta que Roberto se coloque no lugar do cão, mas o Roberto mantém a revolta dele:
– Também não gostavas de ser tirado da tua Mãe e maltratado pois não?!
– (a chorar) Para a minha Mãe ter – te com ela ou tirarem – me dela era o mesmo. Ela até devia ficar contente e eu ia deixar de ser maltratado!
– Não digas disparates! (p. c.) vou levar – te já ao teu avô e falar com ele!
         Pedro chora com pena do cãozinho:
– Coitadinho do cãozinho!
O AVÔ Rafael pega no cãozinho com uma mão e leva o rapaz preso pela orelha e diz ao Roberto:
- Tu devias era ser arrastado pelas orelhas, ou levado preso por uma trela ou por correias puxadas por bois…seu palerma!
         Roberto responde-lhe a chorar:
– Larga a minha orelha velho.
O Avô Rafael dá – lhe outra sapatada e ralha com ele o resto do caminho a puxar – lhe a orelha. Chegam a casa do Roberto. A Avó Paulina está á porta e pergunta:  
– O que estás a fazer com o meu neto pela orelha?
         O Avô Rafael explica:
– O teu neto, além de me faltar ao respeito maltratou este pobre bichinho. Despejou toda a raiva num inocente.
         A Avó não acredita:  
– O meu neto?! Tenho a certeza que ele não era capaz de fazer isso.
         O Avô Rafael comenta, mas a Avó nega para defender o neto:
– Eu também achava que ele não era capaz de tal monstruosidade mas foi!
– Não pode ser.
A Avó chocada e incrédula, preocupada, vai ter com a Dona Tânia à cozinha, enquanto o AVÔ Rafael fala com o Avô Afonso. A Avó Paulina comunica à filha:  
– Tânia, filha, o teu filho fez uma coisa muito má e muito feia, com um pobre bichinho de quem gostas muito…e foi mal-educado com o Avô Rafael. O cãozinho está ferido. (P.C) Foi tudo por causa de ciúmes! Ele acha que tu não gostas dele… só gostas do cão; só dás colo ao cão e mimos… e a ele não… ele sente – se rejeitado. (p.c) Não grites com ele quando falares com ele sobre o que aconteceu, nem lhe batas… agora é tarde demais para lhe bater… mostra – lhe que o amas, dá – lhe muito carinho, explica – lhe que o cão não ocupa o lugar dele, que ele é muito importante para ti e que não tem que ter ciúmes do cão, nem precisa de o tratar mal! (p.c.) Ouve – o… pergunta – lhe o que fez e porque o fez… diz – lhe que ele ocupa todo o teu coração e promete – lhe que a partir de agora vais brincar com ele e demonstrar – lhe todo o teu amor! (P.C) E que o Pai dele vai ser tratado para não te bater mais.
         O Avô Afonso está louco com o neto e grita da porta:
– Tâââââânnnnniiiiiiiaaaaaaaaaa…., Tânia…
Tânia aparece á porta. A Avó acompanha – a de braço dado e segreda:
– Controla – te filha.
         O Avô Afonso informa:
– Anda cá ver e saber a asneira que o teu filho fez.
Dona Tânia aproxima – se, calma, preocupada, meiga e fala com o Avô Rafael que responde educadamente:  
– O que foi? (P.C) Bom Dia Sr. Rafael.
– Bom Dia filha, como estás?
– Bem, obrigada e o Sr.?
– Também.
         A Avó Paulina já está a atacar a filha. A filha faz-lhe um pedido, mas o Avô Afonso também não a poupa:
– Tu não lhe dás educação, agora atura – o.
– Mãe, poupe – me das suas críticas por favor.
– Olha o que ele fez ao pobre Bobbie…
         Dona Tânia pergunta ao filho, mas antes do filho se explicar, a Avó Paulina responde a criticar a filha:
– Filho, porque é que fizeste isso?
– (chateada) Ainda perguntas? Facilidades a mais… sempre lhe disseste que sim a tudo, sempre achaste muita piadinha a tudo o que ele fazia, eu bem te disse para te impores na altura certa… tinhas sempre pena de lhe dar uma boa sapatada quando fazia o que não devia, nunca o chamaste a atenção e até te viravas contra mim quando eu ralhava com ele…
– Outra vez, Mãe?! Francamente!
– Devias ter – lhe dito que não a muitas palermices que ele fazia e eu nunca achei piada… bater ao menino…que coisa mais antiga, Mãe… era o que ele precisava! Umas boas sapatadas.
– (chateada) Chega Mãe! Não se pode voltar mais atrás!
         O Avô Afonso reforça:
– Claro que não se pode voltar atrás mas a tua sogra tem razão, e pode – se emendar o passado no presente, tomando as atitudes certas enquanto é tempo, e enquanto ele é pequeno. Ainda está muito a tempo de apanhar umas boas tareias para aprender!
         O Avô Rafael tenta acalmar os ânimos, embora concorde com os mais velhos:
– Calma! Ele acha que os Pais não gostam dele e preferem o cachorrinho a ele! Ele maltratou o bichinho com ciúmes.
Dona Tânia abraça o Roberto e diz meiga:
– Estou muito triste contigo! (P.C) Eu e o teu Pai amamos – te muito. Gostamos muito dos bichinhos, mas tu é que preenches o nosso coração todinho! (P.C) Não tens que ter ciúmes do cão.
         A Avó Paulina manda uma directa, mas Dona Tânia não gosta e responde:  
– Ele precisa é de irmãos e não de cães.
– (chateada) Mãe, por favor deixe – me falar com o meu filho e pare de me atacar está bem?! (P.C) É certo que nós adultos discutimos muito às vezes, mas a culpa nunca é dos filhos… Também sei que nem sempre te dou a atenção e o carinho que mereces…
         Roberto continua com a ciumeira dele:
– Mas dás aos cães!
         Dona Tânia nega:
– Isso não é verdade. Agora estou mais de volta dos cães porque eles são bebés e precisam de ajuda! (P.C) Não voltes a fazer isso e pede desculpa ao SR, Rafael!
         Roberto resmunga e nega-se:
– Eu não tenho que pedir desculpa a este velho; ele puxou – me as orelhas; bateu – me no rabo e veio o caminho todo a resmungar.
         A Avó Paulina e o Avô Afonso reconhecem a bondade do Avô Rafael e elogiam a sua atitude com o neto deles:
– Bendito Sr. Rafael.
– Muito obrigado, bom amigo!
         Roberto sente-se ofendido e responde:
– Ainda o defendem?
         A Avó Paulina responde:  
– Eu e o teu Avô fazíamos o mesmo, e a tua Mãe também devia fazer. Nunca te ensinamos, nem nunca te educamos para o mal.
         Dona Tânia dá uma ordem ao filho:
– Pede desculpa ao Sr. Rafael, e não me envergonhes.
         Roberto obedece contrariado:
– Desculpe!
         O Avô Rafael explica-lhe:
– Eu quero é que te lembres que os animais não têm que sofrer as consequências de tu estares chateado! Ele precisa de muito amor, carinho e atenção dos Pais… não precisa propriamente de ser espancado quando faz 1 asneira apenas, nessa altura chamá-lo a atenção e explicar – lhe porque é que aquilo não se faz. Eu sempre fiz isso com os meus filhos, com os meus netos, e os meus filhos fazem o mesmo. O Pedro nunca precisou de apanhar!
         Dona Tânia informa:
– A partir de hoje, vai ser diferente aqui em casa, filho. Porque nós amamos – te demais, vamos dar – te tudo de bom que mereces!
Roberto abraça a Mãe contente, a Mãe a ele e trocam beijos. O Avô Rafael informa:
– Quando o bichinho estiver curado, nós devolvemo – lo!
         Dona Tânia faz um pedido:  
– Não, por favor… fique com ele!
Pedro salta de alegria, sorri e bate palminhas e grita:  
– Ééééééééhhhhhhh… mais um bichinho! Que bom!
         Dona Tânia sorri e responde:
– Eu sei que ele vai ser muito bem tratado na vossa casa.
         O Avô Rafael assegura:  
– (a sorrir) Eu fico com ele com todo o gosto.
         Dona Tânia pede desculpa ao Avô Rafael:  
– Desculpe, Sr. Rafael… e muito obrigada.
         O Avô Rafael sorri e diz:
– Óh… não foi nada! Eu já fui Pai de muitos filhos Graças a Deus, e tenho netos… sei bem o que são as crianças e o que eles sentem! Até eu já fui criança! E traquina… (Riem) Vê se agora te portas bem rapaz.
         Roberto promete:
– Vou portar – me bem.
         Dona Tânia diz:  
– Lembranças a todos lá em casa!
         O Avô Rafael responde:  
– Serão dadas.
         O Avô Afonso fala com o Avô Rafael: 
– Não tomas nada, velho amigo?
– (sorri) Outro dia, meu amigo! A Paula já deve estar preocupada.
         A Avó Paulina sorri e diz:
– Óh Rafael, diz á Diana que brevemente apareço lá para tomar 1 chazinho e conversar!
         O Avô Rafael sorri e responde:
– Claro que sim. Apareçam lá todos sempre que quiserem. Até logo!
         Respondem todos em coro:
– Até logo.
O Avô Rafael regressa a casa feliz com o neto e com o cãozinho, os 2 numa conversa muito animada. A Paula e a Avó Diana estão a trabalhar na costura. Eles entram em casa, vão ter com elas e cumprimentam-nas a sorrir:
– Olá!
         A Avó Diana pergunta preocupada, o Avô responde:
– Então querido?! O que é que tem o Pedrinho lindo?
– (a sorrir) Não é nada grave. É garganta! O Sr. Dr. Mandou 1 xarope para ele tomar ao almoço e ao jantar e recomendou ficar na caminha até não ter febre.
A Avó Diana assusta – se quando vê 1 coisa preta no colo do Avô e pergunta. O Avô e o Neto respondem em coro:
– Ááááááááhhhhhh… o que é isso na tua mão querido?
– É um cãozinho.
As duas levantam – se contentes, deliciadas. Paula repara que ele está ferido e pergunta:
– Coitadinho, está ferido. Onde o encontrou?
         O Avô Rafael responde:
– É uma longa história…! Vamos tratar – lhe estas feridas e eu conto – vos.
A Mãe e a Avó do Pedro cuidam das feridas do cãozinho e alimentam – no ouvindo a história do AVÔ deliciadas.
Enquanto almoçam animados, o cãozinho está bem instalado, confortável e de vez em quando bebe leitinho e recebe festinhas dos donos.
No fim do almoço Pedro vai para a cama como o médico recomendou e o AVÔ passa a tarde a brincar com ele no quarto, a contar histórias e a ler algumas, a Avó também o vai ver frequentemente e leva – lhe chazinhos de limão com mel; bolinhos…
À noite chega o Pai Cláudio, abraça e beija carinhosamente a mulher e o filho, e os sogros. Fica deliciado com o cãozinho, faz – lhe muitas festinhas e vai com ele ao colo ver o filho.
Pedro fica muito contente, faz festinhas ao cão, a Mãe leva o cãozinho para baixo e o Pai abraça e beija carinhosamente o filho, brinca, fala com ele e riem muito, parecem 2 crianças.
Já com o Pedro quase a dormir, o Pai conta – lhe 1 história, ele adormece, o Pai cobre – o cuidadosamente, dá – lhe 1 beijo suave, apaga a luz e vai para a beira da Paula falar e namorar antes de dormirem até ao dia seguinte.
O cãozinho recupera das feridas e é muito bem tratado por todos. Sobre a família do Roberto: o Pai foi internado num Hospital de Psiquiatria e a Mãe cumpriu o que prometeu ao filho, o qual se tornou numa boa pessoa.

                                      FIM.

MENSAGEM:
Pois é, nesta história tínhamos 2 famílias diferentes.
1 onde reinava a violência e a falta de amor, de carinho e atenção, na qual o Roberto era o reflexo desse ambiente: 1 criança revoltada, má, vingativa, sem o mínimo de respeito, não tinha bons sentimentos.
O Pedro era o oposto. Vivia num meio onde tinha amor de toda a gente, carinho, atenção, dedicação, delicadeza, paz, serenidade, calma, respeito, educação, bondade, por isso era 1 menino meigo, doce, amoroso, sensível, feliz, educado, respeitador…
Os Avós também tiveram 1 papel importante tal como acontece hoje em dia, os quais substituem muitas vezes os Pais na educação, crescimento e desenvolvimento dos netos como pessoas. São eles que tomam conta dos pequenos enquanto os Pais passam horas intermináveis nos locais de trabalho. São os guias sentimentais e emocionais dos netos.
A família é a base de tudo, os Pais e os filhos são reflexo de tudo o que se passa dentro das 4 paredes, bom ou mau.
O ideal seria que todas as famílias fossem constituídas por bons sentimentos, e boas pessoas. Talvez o mundo e as relações entre as pessoas fossem mais equilibrados e mais duradouras…
                                                   FIM 
                                                 Lálá
                                              (Setembro / 2005)