Era uma vez uma borboleta muito bonita que num dos seus voos, reparou na tristeza dos rostos das pessoas. Disfarçou-se de pessoa, perguntou a cada um, o porquê de tanta tristeza.
Eram tão gelados que não responderam, olharam para ela de canto, sem sorrir. Então lembrou-se de perguntar que dia era hoje. Encolheram os ombros e mais uma vez não responderam.
A borboleta fica triste, e vai desabafar com uma flor a boiar na água, por trás de uma cascata, que ela conhecia muito bem. A borboleta espreita:
- Olá, poso entrar?
- Claro, amiga! À vontade! Já sabes que as minhas portas estão sempre abertas para ti. Sinto que estás...carregada! O que aconteceu?
- Sim, tens razão. Podemos dar um abraço? - pergunta a borboleta
- Com todo o gosto, nem precisas de pedir. - diz a flor
As duas abraçam-se, e a borboleta deixa escapar umas lagriminhas.
- Obrigada!
- Ãhhhh..? Porque estás a agradecer? Sempre demos abraços!
As duas riem:
- É verdade, mas há dias em que sabem ainda melhor, e hoje é um deles. - diz a borboleta
- Sei! Hoje estás triste. Senta-te, vamos conversar. - diz a flor
As duas sentam-se no rochedo, a flor faz um chá para as duas:
- Estou a fazer o chá, mas podes falar. - diz a flor
- Queres ajuda? - pergunta a borboleta
- Não, obrigada. Isto fica já pronto.
- Então...hoje estou triste, sim, esta gente é muito estranha! - diz a borboleta
- Quem?
- Estas pessoas da cidade!
- Áh, sim, são. Mas porque estás tristes com eles?
- Será que estas pessoas não falam? Tanto peso, tanta tristeza e frieza nestes rostos, será que não sabem sorrir ou dar umas boas gargalhadas? Porquê? Tanta coisa bonita, parece que não reparam em nada. Será que sabem quem chega hoje?
- Pois, tens razão! Também não sei o que se passa com eles. Mas isso deixa-te triste?
- Deixa! Porque gosto tanto de ver sorrisos, pessoas simpáticas que reparam em mim, e em ti, que falam, que riem. Estas parece que carregam a cidade, a floresta, os montes todos.
- É verdade. Mas o que perguntaste e eles não responderam?
- Perguntei a cada um, o porquê de tanta tristeza. Eram tão gelados que não responderam, olharam para mim de canto, sem sorrir. Perguntei que dia era hoje, e quem chega hoje. Encolheram os ombros e mais uma vez não responderam. A indiferença deles, deixou-me triste!
A flor serve o chá à borboleta.
- Este chá é muito bom! É novo.
A borboleta prova.
- Hummm…é mesmo! De que é?
- Chá de amora.
- Hummm, que bom!
- Entendo a tua tristeza e desilusão, mas achas que podemos fazer alguma coisa? - pergunta a flor
- Pois...não sei. Mas até gostava!
- Eu acho que...estão a precisar de ver alguma coisa...diferente! Do nosso reino.
- diz a flor
- Sei. Também acho que pode ser isso que lhes está a fazer falta. Mas o quê, mais concretamente? Eles são estranhos, não sabemos o que gostam.
- Pois...Não sei...assim, um espetáculo Natural, com o Sol, ou com a Lua…!
- Parece-me bem, se eles estiverem disponíveis, ou quiserem. - diz a flor
- Podemos perguntar. - sugere a borboleta
- Sim.
As duas tomam o chá, a conversar alegremente, No fim, falam com o Sol e com a Lua, explicam a situação, e perguntam como podem ajudar. Os dois combinam aparecer no céu de mão dada, e abraçar-se, sem os avisar.
Fica combinado. No dia seguinte, os habitantes continuavam frios, sérios, indiferentes, a borboleta tentava falar com eles, mas não respondiam, nem olhavam para ela.
De repente, algo obrigou as pessoas a parar. Receberam um alerta nos telemóveis e na televisão, para um fenómeno espacial: um encontro entre o sol e a lua. O céu ia ficar escuro, com estrelas, de dia, e poderiam ver esse encontro.
Todos apontaram os telemóveis, na expectativa e com medo. O céu de dia, realmente escureceu, parecia quase noite. Todos sorriam: uns à janela das casas, outros na praça, outros na rua, outros nos locais de trabalho. Viam-se milhares de estrelas pelo céu, com uma cor muito bonita.
Estava tudo à espera do sol e da lua. A borboleta e a flor também viram. De repente, o momento mais esperado. A linda bola amarela alaranjada, luminosa, aparece no céu, mais brilhante e maior do que nunca, que parece dançar, com um passo estiloso.
O Sol estende a mão, com essas cores, todos os que o viam, abriram a boca de espanto. Vinda de um sítio diferente, aparece a lindíssima Lua, cheia, brilhante, enorme, luminosa, com a mão estendida, da mesma cor,
- Uau! Que coisas mais lindas...Nunca vi disto...Que beleza! - suspiram todos, comentam, fotografam, sorriem.
O Sol e a Lua rodam um à volta do outro, sedutores, apaixonados, o Sol estende a mão de onde sai uma rosa vermelha, e entrega à Lua. A Lua, fica rosada e sorri, com o gesto. Volta à sua cor normal, dá a mão ao sol, e os dois abraçam-se.
Da Terra arrancam exclamações, suspiros, sorrisos, gritinhos, palmas, e depois parecem estar a dançar, com movimentos elegantes, abraçam-se várias vezes, estendem as mãos, dançam de mão dada, um com o outro.
A borboleta e a flor estão orgulhosas do que conseguiram. Como estavam diferentes, felizes, encantados, simpáticos, luminosos como o Sol e como a Lua, deixam escapar umas lagriminhas, aplaudem, fotografam.
- Mágico! - comentam todos e aplaudem
- O Sol e a Lua de mão dada, brincam com nuvens, e escrevem a palavra: Outono, com elas.
- Áh! Pois é...hoje começa o Outono. - comenta uma senhora
- Uau! Chegou de uma forma nunca antes vista. - comenta outra senhora
- Que lindo! - suspira uma adolescente
- Quem me dera um amor assim. - comenta outro
- E eu, ter alguém que me oferecesse uma rosa, que dançasse comigo. - diz outra adolescente
Aquele momento fez toda a gente sonhar, imaginar cenas bonitas, o sol e a lua recolheram, as estrelas também, e tudo voltou ao normal, mas as pessoas mudaram para sempre, depois daquele momento.
Tornaram-se mais atentas ao espaço, mais simpáticas umas com as outras, mais faladoras e sorridentes, trocaram mais abraços, e falaram no episódio vezes sem conta.
Até o Outono estava surpreso, e maravilhado, porque todos repararam nele, em toda a sua beleza, como já não acontecia há muito tempo. Uma surpresa da borboleta que deixou todos felizes.
Lara Rocha
24/Setembro/2026
E vocês? O que ofereciam a essas pessoas? Gostavam de receber uma prenda assim?
Podem deixar nos comentários, se quiserem.
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