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domingo, 25 de outubro de 2015

O gato e o sol

      
                                                                        foto de Lara Rocha 

          Era uma vez uma gato vadio que adorava vaguear pela cidade, caminhar sem pressa pelos jardins, principalmente aqueles com vista privilegiada para o rio. Embora o vento fosse às vezes frio, ele também gostava muito de sentir os arrepios e ficar com o pelo espetado, com a aragem, e de levar com ele no focinho, porque arrastava perfumes deliciosos, que lhe abriam o apetite. e até o faziam sonhar...correr atrás de boa comida e encontrava! 
       Era um gato romântico e conquistador, solitário e sonhador, por isso, outra coisa que ele adorava fazer era vaguear pelos telhados, ver o pôr do sol, a lua, as estrelas e o nascer do sol. Não tinha sítio certo de dormir...umas vezes aterrava onde o cansaço lhe cotucava, ou quando o soninho chegava...tanto era nos jardins, debaixo de um banco, como nos telhados, nas soleiras das portas ou em carcaças de árvores, dentro de troncos. 
      Um dia o gato estava em cima de um telhado, de telhas quentes, que já conhecia muito bem, porque as pessoas davam - lhe mimos e comida, até tinham um ninho confortável para ele num anexo da casa, que era uma lavandaria. Em cima do telhado cheirava muito bem, pela chaminé...enquanto esperava para ver o que hoje lhe tocava jantar, olhou para o céu...procurou a lua e as estrelas, mas só viu muitas nuvens. 
       O cheiro da comida estava cada vez mais perto, e era cada vez melhor, tal como a sua fome. Desceu do telhado, e óh...que delicioso prato o esperava! A família deixou para ele à entrada da lavandaria, uma rica sopa forte, cheia de petiscos que ele adorava. Ficou consolado, e como comeu tudo...adormeceu pouco depois. Nesse dia já tinha andado muito, estava cansado.
      Acordou quase de manhã, o céu estava escuro, mas ele estava cheio de energia. decidiu subir ao telhado a ver se a luz tinha aparecido, ou se estava escondida. Estava bem visível...e cheia! À sua volta haviam estrelas, e uma pequenina claridade sobressaía no meio da escuridão. 
      Tudo silencioso...Mas num instante...começa a clarear o dia...a lua vai embora, as estrelas vão atrás dela, e o sol começa a aparecer devagarinho, envergonhado. O gato sorri...de repente, o sol transforma-se bum barco todo iluminado, onde vai a linda luz com as estrelas. O gato não acredita no que está a ver e solta uma grande exclamação. 
      Ele nunca tinha visto um barco assim...e o sol barco navega nas ondas, de todo o tipo: grossas e escuras, grandes e brancas, bem enroladas. Algumas vezes, o barco parece que desaparece...e volta a aparecer, outras vezes, aparece só um bocadinho do barco: 

- Óh não...será que o barco se afundou? Onde foi? Agora...parece que o barco está a arder...tem uma cor vermelha! (O gato fica inquieto...) E não se vê todo...O que aconteceu? A lua e as estrelas escaparam? Atiraram-se à água? Será que foi o vento? - Pergunta o gato e dos seus olhos até escaparam umas lágrimas. - Como é que eu vou viver aqui... sem o sol...a lua e as estrelas? - Lamenta o gato triste. 

          E desce do telhado, volta para o seu ninho.

- Eu gostava tanto da lua, do sol, e das estrelas...como é que o sol se transformou num barco? Será que foi só hoje? Ou já acontecia antes? Será que foi algum feitiço da lua? Óhhh... 

         E volta a dormir. Quando acorda vê muita claridade à sua frente, dá um grande salto assustado e sai da lavandaria. Mesmo por cima de si está um sol maravilhoso, lindo, luminoso, o céu muito azul e já estava a aquecer. 

Os meninos da casa estavam mergulhados na piscina a brincar felizes com a água e os adultos a apanhar sol. 

- Olá dorminhoco! - Dizem os meninos ao gato 

- Será que eles não viram a mesma coisa? 

       Tudo está como antes! Olha para cima, não vê o barco, com luz, que levava a lua e as estrelas, que aparecia e desaparecia, e parecia que tinha ardido, nem as ondas. 

- Afinal...o sol não desapareceu? Áh! Boa! E a lua e as estrelas...hummm...acho que...é dia...por isso...só está o sol! Então...eu...sonhei ou imaginei que aquilo estava a acontecer! Claro! Ainda bem...não queria nada que aquilo acontecesse. O mundo não existia de não houvesse sol...que horror...o sol é tão bom! Faz tanta falta. Obrigada Sol, por apareceres todos os dias...e por fazeres tão bem ao nosso planeta! Se mais ninguém te agradece...agradeço eu...que sou um gato, mas também sonho contigo, gosto e preciso de ti, querido sol! 

        Os gatos sonham e agradecem à maneira deles, e vocês, meninos, já pensaram como o sol é importante para nós? E para a nossa terra? Já agradeceram? 

FIM 
Lálá 
(24/Outubro/2015) 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A CASA ÀS COSTAS




        Era uma vez um ser pequeno, que vivia numa grande e imensa floresta. Ele adorava viver nesse sítio, mas sempre que olhava para a paisagem de outros sítios da floresta, ficava muito curioso por conhecê-los.
        Apesar de querer conhecer, a sua maravilhosa casinha prendia-o! Nunca se afastava muito por isso, porque queria conhecer outros sítios lindos, mas não queria deixar a sua casa para trás.
        Sentia-se muito dividido, entre o ir e o ficar. Um dia, pensou, pensou, pensou…até que foi pedir ajuda ao sábio da floresta, um senhor com mais de cem anos, mas ainda com a cabeça fresca e muito simpático.
O sábio estava a meditar, sentado num rochedo cheio de ervas, encostado a uma árvore. O pequeno ser não quis incomodar, e esperou que o sábio abrisse os olhos. Mas o sábio sentiu uma presença.
- Quem está aí? – Pergunta o sábio
- Sábio…desculpe estar a incomodar. – Responde o pequeno ser
- Olá, filho.
        Abre os olhos.
- Pode terminar a sua meditação…
- Não. Senti uma presença. Agora não consigo. Não faz mal…diz-me o que precisas!
        O pequeno conta a sua dúvida.
- Hum! Estou a perceber.
- O que devo fazer?
- Anda comigo.
        Os dois entram numa oficina. O sábio constrói um cogumelo insuflável, muito leve, e muito espaçoso.
- Aqui podes meter tudo o que te faz mais falta, e viajar à vontade, parar quando quiseres, sem te preocupares com sítio para dormir.
- Uau! É linda! Mas…não é a minha casa…
- Passa a ser…
- Sim…?
- Claro. A nossa casa é sempre a nossa casa, mas também precisamos de sair dela, para conhecer outros sítios, principalmente para darmos valor ao que temos, e muitas vezes ignoramos. Experimenta como é leve! Mesmo quando puseres lá tudo o que precisas, continua leve.
        O pequeno experimenta.
- Áh! Realmente é muito leve…e de muito fácil transporte. Óh…obrigado sábio.
- Vai…leva o que quiseres, e quando voltares, saberás que tens a tua casa, a verdadeira à tua espera, no mesmo sítio.
- Sim, é verdade.
        Os dois conversam mais um pouco, e o pequeno ser regressa à sua casa. Enche a casa insuflável com o que mais precisa: comida, bebida, roupas de cama, e produtos da sua higiene, e lá vai ele.
Antes de sair de casa, olha para ela. Umas fadas que vivem no sótão da sua casa, asseguram-lhe que tomarão muito bem conta da casa enquanto ele está fora. Desejam-lhe boa viagem, e ele mete pés ao caminho com a sua segunda casa às costas.
Lá vai ele todo feliz, caminha por sítios onde nunca tinha andado, vê árvores que nem fazia a mais pequena ideia que existia, animais e plantas que desconhecia, e outras maravilhas da natureza que ele pensava que só existiam na sua imaginação.
Sobe montes, atravessa montanhas, corre, rebola, toca em tudo, anda descalço, abraça árvores, acaricia animais que encontra pelo caminho, toma banho em rios e faz tudo o que sempre quis.
Quando quer comer, beber, descansar ou apreciar com mais pormenor a paisagem, tira a casa das costas, e pousa-a no chão. Acampa em praias ou em campos verdes. Nessa casa, sente-se como se estivesse na sua verdadeira casa, da floresta. É confortável e térmica.
À noite, no silêncio, quando se deita, fica a apreciar um pouco o lindo manto de estrelas que está por cima dele, a ouvir os pássaros que chilreiam, as cigarras e os grilos, os sapos e as rãs, e o som da água dos riachos.
Ele está encantado. Dorme um rico sono, e no dia seguinte, depois de um bom pequeno-almoço, continua o seu passeio, sempre com a casa às costas. Ao chegar a uma montanha muito alta, sente o vento forte na cara, e vê uma paisagem maravilhosa. Daí, consegue ver a sua casa verdadeira e as dos vizinhos.
Abre um grande sorriso, e nessa montanha descobre centenas de tesouros e surpresas agradáveis que nunca tinha imaginado, nem visto. Nesse dia, acampou nessa montanha. Essa noite, apanhou alguns pequenos sustos, com sons de animais diferentes que tinha ouvido no campo, e o próprio som do vento, era mais assustador.
Decidiu andar mais um pouco, e começou a sentir falta da sua casa verdadeira. Então, depois de uma grande volta, voltou para a sua casa. Caminhou a noite toda, e chegou com o nascer do sol. As fadas receberam-no surpresas pelo regresso tão rápido, e ele contou-lhes tudo o que viu. Para elas já não era novidade, porque já tinham andado por todo o lado, mas no fim, voltavam sempre à casa que mais gostavam…a casa do pequeno ser!
- Sabem, eu gostei muito de conhecer todos os sítios por onde passei estes dias, mas a minha casa, é sempre a minha casa…e é a melhor. – Diz o rapaz às fadas.
        E depois desse dia, quando ele queria, lá voltava a pôr a casa às costas e passeava por onde queria, mas voltava sempre à sua casa.

FIM
Lara Rocha 

(15/Janeiro/2015)