Número total de visualizações de páginas

sexta-feira, 17 de julho de 2026

A joaninha pintora. O que pintará?

 


  Era uma vez uma joaninha pintora. Pintava na sua casa, em forma de cogumelo. Quando ia para o campo em busca de inspiração, às vezes levava num carrinho: o seu cavalete, a sua mesinha com gavetas onde guardava as tintas e os pincéis, as telas, ou um caderno, e lápis, e as refeições. 

   Porque quando saía para a Natureza, pintava e desenhava uma série de coisas. Ela dizia que falava com a Natureza, e pintava o que esta lhe dizia, pedia, sentia. Todos olhavam para ela, muito surpresos, porque viam-na sentada ao ar livre ou à janela, na beira dos rios, debaixo das árvores, até parecia que falava sozinha, ria, às vezes chorava. 

- O que estará a fazer aquela, ali? - perguntava um 

- Parece estar a pintar. - dizia outro 

- Mas o que pintará? - pergunta outro 

- Ela fala sozinha...ou será que fala com amigos imaginários? - comenta outra 

    Dão uma gargalhada. 

- Eu até tenho medo de me aproximar dela….! - diz uma a rir 

- Realmente, - diz outra a rir 

  Riam, e comentavam, mas nunca se aproximavam. Uma tarde, um menino inocente, de cabelos encaracolados, olhos claros, cara redondinha, narizinho arrebitado e pequenino, de quatro anos foi ter com ela, quando estava sentada num campo. Olhou-a fixamente, sorriu, ela retribuiu, 

- Olá! - diz a criança 

- Olá! Que lindo boneco que és. Estás sozinho? - diz a Joaninha 

- Obrigado. - sorri o pequeno -  Posso fazer-te uma pergunta? 

- Claro que sim. 

- O que fazes aí sentada? 

- Estou a pintar! Olha... - a Joaninha mostra o seu desenho 

- Áh! É ali...que bonito! Parece uma fotografia, verdadeira. 

- É! É ali, Obrigada! - sorri a Joaninha 

- Os adultos também gostam de pintar? 

- Gostam! Alguns, fazem disso, o seu trabalho diário, como eu. 

- Pintas todos os dias? 

- Sim. 

- E como se chama esse trabalho? 

- É uma profissão...sou pintora, desenhadora, Estudei muito, às vezes dou aulas, para ensinar a pintar e a desenhar, outros, pintam para brincar. Esse é o meu trabalho. O que fazem os teus pais? 

- São professores dos grandes. 

- Áh! Muito bem. O que ensinam? 

- A minha mãe ensina Francês, o meu pai Ciências. 

- Hummmm... duas áreas muito bonitas. Achas que eles gostam do que fazem? 

- Acho que não gostam muito. Às vezes chegam muito zangados, e resmungam dos crescidos, do trabalho, de reuniões. 

- Pois. Imagino! 

- E tu, gostas do que fazes? 

- Adoro! Não estou com ideias todos os dias, mas quase sempre desenho ou pinto qualquer coisa, Tu, andas no colégio? 

- Sim. No meu colégio, também fazemos isso...pintamos uns desenhos, ou com os dedos. 

- Que giro! É muito bom. Gostas mais de pintar com pincéis, lápis, marcadores, tintas, ou com os dedos? 

- Gosto de todos! 

- Que bom. 

- Posso fazer-te outra pergunta? 

- Claro! 

- O que pintas? 

- Olha, pinto muitas coisas diferentes, com tintas diferentes, tamanhos diferentes, imagens diferentes. Queres que pinte a tua carinha? 

- Quero! - sorri vaidoso 

- Boa. Senta-te aí onde quiseres, e podemos ir conversando um bocadinho. 

- Está bem! 

  O menino escolhe um sítio verdejante, encostado a uma árvore, ao lado da joaninha, à sombra, numa posição que a deixa deliciada, pela doçura do olhar, do sorriso e da inocência dele. Enquanto ela pinta, ele pergunta: 

- O que pintas mais? 

- Pinto...água, pássaros, árvores, pedras, montanhas, minas, animais que andam por aí ou que vejo. Pinto...O sol, as nuvens, a lua, as estrelas, os planetas, as flores, as borboletas, os cães, os gatos, os cavalos, os pintainhos. Pinto caras, casas bonitas, baloiços, crianças, bebés, casais. Pinto o nascer e o pôr do sol, o dia e a noite, pinto coisas da cidade, da aldeia, pinto sonhos, palavras, cores, tristezas, alegrias, festas, risos, choros, mar, praia, areia, peixes, algas, lagos, montanhas, campos, objetos, Pinto a chuva, a neve, o vento, a trovoada, vulcões, o que penso, o que sinto, muitas coisas. 

- Áhhhh!!! Tanta coisa. Como consegues? - pergunta o menino encantado 

- Consigo. - ri - Não pinto tudo no mesmo dia, nem todos os dias, porque também existem outras coisas para fazer, como limpar a casa, fazer comprar, preparar as aulas, ler, escrever, sair com amigos, mas são coisas que gosto, e que me chamam mais à atenção. 

- Que giro. Dizem que falas sozinha, falas? Com os teus amigos invisíveis? 

   Ela dá uma gargalhada. 

- Não, querido! Falo com a Natureza, 

- Com a Natureza? 

- Sim. 

- E ela fala? 

- Fala. Eu tenho longas conversas com ela, como estou a falar contigo agora. Às vezes até desenho coisas que ela me conta, e pede! 

- A sério? 

- Sim. Fala e ouve. Quando ela está triste, eu também fico, e desenho a nossa tristeza! Quando está feliz, eu também fico, desenho coisas mais felizes. 

- Nunca falei com ela, nem a ouvi. 

- Mas podes falar com ela, que ela ouve, e também fala connosco! Todos podemos conversar com ela, e ela responde-nos! Mas temos todos os dias muita pressa, que não a ouvimos, nem falamos com ela, Um dia destes podes experimentar. 

- Está bem! Tu podias mostrar-nos esses desenhos todos. 

- Sim, estava a pensar nisso. Um dia destes. 

- Onde moras? 

- Ali, naquela casa em forma de cogumelo! 

  O desenho está pronto, ela mostra. O menino, solta exclamações de espanto, ela mostra um espelho. 

- Está igual! - diz o menino 

- Gostaste? 

- Adorei. 

  O menino abraça-a carinhosamente, com um sorriso de orelha a orelha, ela retribui, e dá-lhe um beijo sonoro na bochecha. 

- És um menino muito especial. - dia a joaninha 

- Sou? Porquê? 

- Porque és carinhoso, sensível, educado. 

    Ele sorri. 

- Obrigado.

- Foi um gosto enorme este bocadinho contigo. 

- Também gostei muito. 

   Os Avós do menino chamam-no, e quando veem que ele está com a joaninha ralham com ele. 

- O que estás a fazer, rapaz? Deixa a senhora em paz, - ralha a Avó 

- Não incomoda nada! Ora essa, foi um gosto,

- Estivemos a falar um com o outro, olhem o desenho que ela fez de mim, que lindo que está! - diz o menino

    Os Avós sorriem encantados. 

- Que lindo! - diz a Avó 

- Está maravilhoso! - diz o Avô 

- Perfeito, parece mesmo ele. Desculpe, é curiosidade de criança. - sorri a Avó 

- Não tem problema, é um menino muito especial. Parabéns aos pais e aos Avós pela educação que lhe deram. 

- Muito obrigada! - dizem os Avós a sorrir 

- Quanto temos que pagar, por esta obra? - pergunta o Avô 

- Ora essa, não têm de pagar nada, fiz com todo o gosto, porque quis. - diz a Joaninha 

- Mas….- dizem os dois ~

- Não é justo! - diz a Avó 

- É justo, sim. - diz a Joaninha a sorrir - Se quiserem conhecer os meus trabalhos, estejam à vontade para visitar a minha casa ali naquele cogumelo. 

- Muito obrigado. Iremos lá com certeza! 

   Os Avós conversam mais um pouco com a joaninha, muito simpáticos. Ficaram tão curiosos, que contaram aos pais do menino, que adoraram e foram à casa da joaninha ver os trabalhos dela, compraram alguns, deram os parabéns, conversaram, riram, e elogiaram. 

    Os Avós, os pais, o menino falaram tanto dos desenhos e pinturas da joaninha que espalharam pela aldeia toda, pela cidade, pelas escolas, convidaram-na para fazer uma exposição, no parque da grande cidade, na aldeia. 

    Encanta muitas pessoas, e vende uns quantos quadros. Todos ficaram a saber o que pintava a joaninha. Com as suas pinturas ensinou os apreciadores a falar com a Natureza e a ouvi-la. 

                                                          FIM 

                                                     Lara Rocha 

                                                       17/7/2026 

        E vocês, o que acham que a joaninha pintava? 

        Se vocês fossem a joaninha pintora, o que pintavam? 


        

Sem comentários:

Enviar um comentário

Muito obrigada pela visita, e leitura! Voltem sempre, e votem na (s) vossa (s) história (s) preferida (s). Boas leituras