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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O espantalho muito pretendido




Era uma vez um espantalho que vivia num campo onde havia muitas abóboras, carnudas, grandes e enormes, lindas, que dava mesmo vontade de comer. Os cães tomavam conta dele, e não deixavam ninguém tocar-lhe ou roubá-las. Ladravam sem parar, rosnavam e atiravam-se se fossem teimosos. Uma vez, uns pássaros tentaram comer uma abóbora, e tirar palha do espantalho para construir ninhos.
- Fora daí…! Au…Au…au… - Gritavam os cães
- Deixa o espantalho! – Gritava outro cão
- As abóboras não são para vocês…ponham-se a voar daqui para fora. – Rosnou outro cão.
- Óh…por favor…eu preciso de palha e erva para fazer um ninho! – Pediam os passarinhos
- E eu preciso de palha para cobrir os meus filhos nos ninhos, aquecê-los…por favor…deixem-nos levar daqui um bocadinho de palha! – Implora outro passarinho.
- Não pensem que essa vossa história nos comove. Fora! – Gritou outro cão
- Há muita palha e erva por aí! Nesta não tocam! – Acrescenta outro cão.
Os passarinhos levantavam voo, tristes, e tentavam voltar para roubar palha, mas os cães estavam sempre atentos e rosnavam e ladravam, perseguiam-nos até que eles saíssem do campo.
- Teimosos! – Resmungavam os cães.
- Voltaram? – Pergunta um cão a rosnar
- Querem ser a nossa refeição? – Pergunta outro cão
- Vá lá! Só um bocadinho…por favor! – Pediam os passarinhos
- Não! – Gritam os cães
- Da próxima vez que voltarem, vão ser o nosso jantar, ou dos nossos donos. – Resmunga outro cão ameaçador
Os passarinhos lá iam procurar palha para outro lado, mesmo assim às vezes ainda tentavam aproximar-se, só que rapidamente eram corridos. Mas não eram só os passarinhos que queriam comer a palha do espantalho.
Os burrinhos e os cavalos também tentavam comer a palha mais baixa, a dos pés e pernas do espantalho, que era onde chegavam melhor. Os cães não deixavam. Ladravam, rosnavam e corriam atrás dos cavalos e dos burrinhos, que fugiam muito assustados e só paravam quando sentiam que estavam seguros, longe dos cães.
Às vezes a vontade dos cavalos e dos burrinhos comerem a palha do espantalho era maior do que o medo e do que os cães, por isso, voltavam a tentar várias vezes, mas os cães não deixavam.
- Fora daqui! – Gritavam os cães a ladrar muito irritados
- Teimosos. – Resmungavam
- Esta palha não é para comer… - Relembrava outro cão
Os burrinhos e os cavalos tentavam de várias maneiras conquistar a amizade dos cães, para ver se tinham sorte, e se estes os deixavam comer a palha que eles tanto queriam, mas não adiantava nada…! Os cães não caiam!
Numa noite, uma bruxa sobrevoou o campo na sua vassoura:
- Áh! Mas que beleza de espantalho! Vais ser meu…ih, ih, ih, ih, ih, ih, ih…ih, ih, ih… - comenta a bruxa
Os cães ficam muito atentos, e agitados:
- Que coisa é aquela que está ali parada? – Pergunta um cão
- Acho que…não sei…! – Responde outro cão
- Tem um aspeto assustador! – Diz outro cão
- É uma bruxa! – Reconhece o espantalho
Os cães ficam muito agitados e assustados, juntam-se mais à volta do espantalho com os dentes de fora, a rosnar, mas a bruxa não teve medo, deu umas sonoras gargalhadas e adormeceu os cães agitando a sua vassoura, antes que eles tivessem tido oportunidade de defender o espantalho.
- Óh! Não acredito! O que aconteceu aos bichos? Costumavam proteger-me e agora deixam-me ir com este ser que não conheço! Ai…ela vai dar cabo de mim! Maldita. – Diz o espantalho muito assustado
A bruxa leva o espantalho consigo, levantando voo às gargalhadas, toda satisfeita. Já no seu buraco onde vivia, a bruxa tinha algumas dezenas de espantalhos.
Ela tentou destrui-lo e transformá-lo em mau, mas os outros espantalhos que ela já tinha lá, gostaram tanto deste que não deixaram que ela lhe fizesse mal.
Um dos espantalhos adormeceu a bruxa com um sopro muito mal cheiroso, que ela própria lhe tinha dado, e assim conseguiram todos fugir para o campo de onde tinha sido levado o espantalho, que estava cheio de abóboras iluminadas, e onde todos festejaram toda a noite.
De manhã todos dormiram no campo, em cima de molhos de palha, sem ninguém dar por eles. A bruxa não desistiu, estava louca de fúria, tentou várias vezes atacar o campo e destruí-lo, mas a união dos espantalhos que tinham ganho alguns poderes, evitou que a bruxa conseguisse vencer as suas maldades.
Ela ficou muito irritada, frustrada, e surpresa, porque achava que era muito poderosa e afinal estava a ser vencida por espantalhos que tinha transformado para serem seus escravos.
E as festas continuaram!
Fim
Lálá
(30/Outubro/2016)


quarta-feira, 23 de março de 2016

A bruxa irada



Era uma vez umas flores muito belas que viviam sossegadas no seu jardim. Certo dia, uma bruxa que odiava flores, perguntou ao seu namorado:
- Bruxão, monstrão…meu horroroso…quem é mais bonita…eu…ou aquelas coisas?
- Claro que és tu, minha horrorosidade monstrona. – Responde o namorado
- Pois claro! Eu sabia! É claro que não ias gostar daquelas pirosas, vaidosas, pois não?
- Claro que não! Eu só gosto de ti…quer dizer, odeio-te, minha monstruosa horrível.
        A bruxa desata a rir, e trocam carinhos. Entretanto, sem ela saber, e enquanto tomava o seu banho em lama quente, o namorado foi ter com as flores, ao jardim.
        Ele tinha dito à bruxa que não gostava de flores, mas mentiu! Na verdade, ele gostava mesmo muito das flores, e até ia ter com elas, disfarçado de vespa.
        As flores não sabiam quem ele era, mas gostavam dele…ele tinha sempre uma conversa muito agradável e simpática, era delicado. As flores nem imaginavam que era o monstro namorado da bruxa.
E por falar na bruxa…quando ela não viu o seu namorado em casa, e ele não respondia às suas chamadas, foi ao seu caldeirão ver se o descobria.
Quando a bola de cor de fogo do caldeirão abriu, ela viu o seu namorado disfarçado de vespa, de volta das flores de quem ela tinha tanta inveja e tanto detestava.
- Mas o que é isto? O que é que ele está a fazer de volta destas pirosas?
- Ele mentiu-te! – Soa uma voz
- Mentiu? Como assim?
- Mentiu! Disse-te que não gostava das flores, mas na verdade…gosta…e olha como! Olha para ele, vestido ou disfarçado de vespão, para andar à volta delas…! E mais…
- Mais? Não chegava mentir-me?
- Não! Mentiu-te, e chega! A mentira que ele te disse, não foi só essa, de que não gostava das flores…ele acha-as lindas!
- O quê?
- Isso mesmo…ele acha as flores muito mais bonitas do que tu!
- Não pode ser!
- É! Olha para ele, todo derretido com elas…
- Ááááhhh… (grita) não pode ser!  
- Pode! E é!
- Mas como é possível? Como é que ele fez isto comigo? Maldito! E malditas flores…
- Confessa lá…tu até gostas delas…
- Claro que não. Já me conheces bem…
- Estás ruída de inveja delas.
- Bom…claro…isso sim. Mas a culpa é dele.
- Pois. Ninguém diz o contrário. Porque estás tão ciumenta?
- E achas que não é para estar?
- Acho que não! Elas são só umas flores…tu és uma bruxa. Com as flores, nunca vai poder ter nada…e contigo…pode…e tem!
- Ele nunca me fez isto.
- Que tu saibas…
- Sabes de alguma coisa, que eu não sei?
- Não. Só sei tudo o que tu sabes.
- Huummm…
- Mas que saibamos, ele nunca te enganou, nem tu a ele.
- Eu já. Ele é que não soube!
- A sério? Ááááhhh…
- Claro.
- Conta-me…
- Noutra altura, agora não posso! Tenho de me concentrar no castigo… ele mentiu-me a dobrar… maldito!
        Fica tão nervosa, tão irritada e chateada, que grita, guincha, e pensa numa vingança.
- Malditas…e maldito! Vão ver…
        Prepara no caldeirão um castigo: uma valente tempestade! Primeiro, põe milhares de nuvens no céu, roxas, pretas, cinzentas, azuis-escuras, quase a rebentar. O sol fica completamente tapado.
- Ei…! – Dizem todas as flores
- O que aconteceu? – Pergunta uma flor
- Ficou noite, de repente? – Pergunta outra flor
- Não! – Dizem todas
        Olham para o céu.
- Parece que vai chover! – Diz o namorado da bruxa
- Pois! – Dizem todas
- Óh não! – Diz o namorado da bruxa
- O que foi? – Pergunta outra flor
        O namorado suspeita, mas disfarça:
- Áh! Acho que vamos ter de nos abrigar.
- Onde? – Perguntam as flores
- Acho que vamos ter de levar com ela! – Comenta outra flor
        A bruxa desata às gargalhadas, e grita, gira as mãos, e faz levantar uma forte ventania. A vespa que era o seu namorado, tenta voar, mas não consegue, e dá uma série de cambalhotas com o vento.
        As flores gritam e quase são arrancadas da terra, batem várias vezes na terra e choram muito assustadas, abraçam-se para tentar segurar-se.
        A vespa bate várias vezes nas árvores pelo jardim, e desata a chover, uma valente tromba de água. As flores ficam rodeadas de lama, e quando estavam quase a afogar-se, com tanta água, o namorado da bruxa chama uma nuvem amiga sua, e boa. Ela desce ao jardim e protege-as da chuva.
        A bruxa fica completamente histérica de raiva.
- Outra…? Mas que traidor…
        Castiga o namorado de várias maneiras, sacode-o, puxa-lhe as asas, aperta-o, tenta esmagá-lo, dá-lhe sapatadas através do vento, e forma-se trovoada. As flores não se molharam mais, com a nuvem a protegê-las. A bruxa puxa o namorado, todo amassado. Ele grita quando a vê:

- Olha o que me fizeste! Foste tu, não foste?
- Quem mais podia ser? Idiota…traidor…- grita a bruxa
- O quê?
- O quê? Pergunto eu… o que é que estavas a fazer de volta daquelas pirosas malditas? E disseste que não gostavas delas…
- Eu sabia que isso tinha garra tua.
        Ela dá-lhe um estalo e puxa-lhe os cabelos. Agarra-lhe no pescoço e grita-lhe:
- Mentiste-me! Maldito! Disseste que não gostavas daquelas nojentas, e afinal disfarças-te de vespa para andar de volta delas.
- Sou só amigo delas!
- Sou só amigo delas…que palerma! Odeio essa palavra. Isso é traição.
- Não. É amizade. Tu também tens amigos, e amigas, mas és minha namorada.
- Mas eu não me disfarço para ir ter com eles, e tu sabes quem são…tu disfarças-te de vespa para andar de volta delas. E ainda chamaste outra…para as defender…que ódio…
- Claro. Como é que eu ia chegar a elas? Que outra?
- Aquela nuvem. Não tinhas nada que te chegar a elas.
- Porquê?
- Porque eu odeio-as…são horrorosas…e tu, todo babado com elas…que nojo. Mentiste-me!
- Não menti…só não te disse!
- Estúpido. Não me disseste, e mentiste!
- Ciumenta.
- Claro que sou. E depois?
- E depois? É mau.
- É como nós. Podias gostar de outra coisa…de outra bruxa qualquer…agora…daquelas…francamente! Traíste-me.
- Não te traí. Amigas não são a mesma coisa que namoradas. Não sejas assim.
- Estás feito bonzinho agora…? Foram elas que te deram a volta à cabeça? Disseste que eu era a mais bonita, então porque foste atrás delas?
- E és. Mas as flores também são bonitas.
- Ainda confessas?
- Confesso. Acho-as bonitas, mas não podia dizer-te porque já sei que és muito ciumenta.
- Quem é mais bonita afinal?
- És tu! Mas elas também são, não és a única bonita…
- Palerma! Pelo menos agora não me mentiste…é a tua sorte…mas, ai de ti que vás outra vez ter com elas.
- Mas o que é que tem, ir ter com elas?
- Ainda perguntas? Não podes.
        Dá-lhe umas fustigadas.
- Ai! – Geme ele
- É para aprenderes que sou tua! E mais ninguém pode ser.
- Elas são minhas amigas.
- Não podem ser. Ou elas, ou eu.
- Que disparate. Então o nosso namoro fica por aqui.
- Vais atrás delas?
- Vou. Para ver se ganhas juízo.
        Ele sai a porta, e a bruxa faz uma série de maldades, para tentar destruir as flores e o namorado. Mas ele defende-se e defende sempre as amigas. Protege-as.
        Mais tarde, a bruxa sentiu falta do namorado e pediu-lhe que voltasse, prometendo que o deixava ser amigo das flores. Ele não acreditou nela, e não voltou.
        A bruxa cansou-se, e desistiu de chatear o rapaz, entregando-se à tristeza e à solidão. O choro dela ouvia-se muito longe, e estava a ficar doente, fraca.
Isto fez com que ela deixasse de ser má, e tornou-se também amiga das flores, que a ajudaram com pena dela. Assim, ganhou outra vez o amor do namorado.
        E foram felizes para sempre…com a amizade das flores, a quem a bruxa pediu desculpa. Ela deixou de ser má e de ser ciumenta.

FIM
Lálá 
(23/Fevereiro/2015)





domingo, 25 de outubro de 2015

as asas da fada

       


Era uma vez uma linda fada, que vivia num tronco de uma árvore muito velha, com a sua família. Um dia, uma bruxa disfarçada de fada que se fazia muito boa amiga da fada, na verdade sentia muita inveja por ela ser tão bonita e estar quase sempre feliz. 
     A bruxa vivia longe da sua família onde todos eram maus, e com um coração vazio de sentimentos...eram infelizes, e não suportavam ver os outros felizes, por isso faziam de tudo o que podiam para roubar as coisas boas que eles não tinham. 
    Numa tarde, as duas amigas (fada e bruxa) foram dar um passeio, rir e conversar, brincar...e de repente, a bruxa fingiu que era tão meiga como a fada, e pediu-lhe um abraço. A fada, era mesmo meiga e adorava carinho, por isso recebeu o abraço com um grande sorriso...porque não sabia que a fada amiga era afinal uma bruxa...e no momento em que as duas se abraçaram, as asas da fada, tão lindas, leves, finas e brilhantes, transformaram-se em gelo...que até parecia vidro. 
     Quando a bruxa a larga, ela não consegue mexer-se, nem voar, sente-se muito pesada e cai na relva, mas não sente o chão, nas suas asas. 

Ela grita muito assustada: 

- Ai...o que é que aconteceu às minhas asas? Caí....e...não sinto a relva nelas...e...estou...tão pesada... (levanta-se e cai outra vez) não consigo levantar-me! Sinto-me... muito esquisita. 

A bruxa finge-se preocupada: 

- Então, amiga...o que se passa? 

- Não sei! estou...estranha! 

- Ah...acho que estás a ficar...doente! 

- Óh, não! Não pode ser...não quero...as minhas asas...o que é que elas têm? 

- Nada! Estão na mesma...lindas, brilhantes...acho melhor... 

- Mas...

- Eu vou chamar o médico. Não vai ser nada grave, vais ver, mas pelo sim, pelo não...é melhor ver. Já volto. Não demoro nada. O médico é já aqui ao lado. 

- Obrigada. Ai...! 

A bruxa está comprometida. Finge que está muito preocupada e que vai chamar o médico, mas assim que se afasta, foge às gargalhadas. 

- Áh, áh, áh...consegui! Fica para aí...tótó! Caíste que nem uma patinha...quero lá saber de ti...não vais sair daí...as tuas asas estão transformadas em vidro! Tu mereces. Áh, áh, áh...peneirenta! Eu quero ver como é que agora vais sair daí, e andar por aí a desfilar, para toda a gente olhar para ti. Quero ver se alguém mais vai olhar para ti...! Para mim também não olham...nunca...ao contrário de ti...vais ver o que é bom...vais ver o que custa ser ignorada. 

E não vai chamar médico nenhum, segue para o seu horrível castelo, vitoriosa, e orgulhosa por ter conseguido transformar as asas da fada em gelo. A fada acha muito estranha a demora da amiga e do médico, levanta-se com muito dificuldade e vai para casa triste, preocupada, e desiludida, com muitas quedas à mistura. 

- Óh, não acredito...fui enganada. Como é que ela fez isto comigo...eu dei-lhe o abraço, e muitos abraços, e nunca me fez isto às asas...porque é que fez isto hoje...? Como? Eu pensei que ela era minha amiga, mas com tanto tempo que demorou, e não apareceu...mas que grande amiga! Deixou-me ali... 

Chega a casa e pede aos pais ajuda. Os pais levam-na à Avó porque perceberam logo que aquilo era obra de bruxinhas...A Avó tem poderes para destruir feitiços de bruxas. Ela vai ao colo do pai a choramingar, e quando chega a casa da Avó... 

- Avó...olha o que aconteceu às minhas asas! Não consigo fazer nada...estou muito pesada. 

- Isso foi alguma bruxita...mas vais já voltar ao normal. 

A Avó faz uma magia e o gelo das asas da fada derrete. Ela volta a ficar leve, livre, linda...a Avó até lhe dá um protector contra bruxas. E recomenda:

- Filha...vê com quem andas. Olha que nem toda a gente é quem parece. 

- Sim, Avó...agora já sei. 

- Nem toda a gente é boa como tu, e aproveita-se. Tens de estar mais atenta. 

- Sim. Obrigada, Avó. 

- Este protector vai avisar-te quando te aproximares de alguém perigoso, ou que não merece a tua bondade. 

- Entendi. 

Depois das recomendações da Avó, a fada passou a andar sempre com o protector, e a estar mais atenta. A malandreca da falsa fada volta a fingir que é muito amiga dela, e fica surpresa: 

- Óh...já estás curada. Vês? Eu disse-te que não ia ser nada grave...o que era afinal? Fiquei muito preocupada... não encontrei o médico...ele não estava lá. 

- Ui, ficaste mesmo muito preocupada...obrigada...ficaste tão preocupada que me deixaste lá...

- Desculpa...é que o médico não estava. 

- Pois...que chatice!  

A fada quase explode, e o protector avisa-a de que há perigo. Ela grita: 

- Vai-te embora! Falsa. Como é que eu me deixei levar por ti, pela tua aparência, pela tua conversa... Eu pensei que eras minha amiga, que querias o meu abraço...tudo mentira. Fingida... O teu abraço congelou as minhas asas...não conseguia voar...sentia-me presa, claro...não admira...tinha gelo...como haveria de voar ou de fazer o que quer que fosse. Invejosa...que coisa mais horrível... Só porque és má e infeliz não suportas ver ninguém bem, feliz...também podes ser feliz, mas não conheces essa palavra...roubá-la aos outros é mais fácil, dá menos trabalho...não é? Luta por ela...só assim é que vais consegui-la. Maldita! Põe-te bem longe de mim...e não volte a aparecer, se não eu não sei o que te faço. Olha que eu sou boa até certo ponto, mas quando me magoam ou desiludem...não tem volta...mostro o meu pior lado. 

Aparecem vários chicotes à volta da bruxa, e começam a afugentá-la...ela nunca mais volta a chatear a bela fada. 

Fim 
Lálá 
(23/Outubro/2015) 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

A CESTA DAS CEREJAS



   Era uma vez uma casa pequenina de pedra, pintada de branco com cerejas, muito bonita, construída entre umas cerejeiras muito grandes, de troncos muito grossos.
      Atrás da casa havia um pequeno quintal com flores de cores tão bonitas e pétalas tão grandes, tão macias, que atraiam centenas de borboletas, joaninhas e passarinhos…e até fadas da floresta que dançavam à volta delas.
   Mas…nem tudo era perfeito. Uns pássaros malvados e invejosos dos outros, que viviam no castelo de uma bruxa, na cratera de um vulcão há muito tempo desactivado, que só pensava em fazer mal.
    Como vivia num sítio feio, que ela dizia odiar…adorar…, não suportava sítios bonitos, lugares com luz, jardins bem tratados, e cheios de flores, e campos de cultivo. 
       Ela também detestava pessoas boas e felizes, por isso, sempre que podia, mandava os seus pássaros horríveis, e muito rebeldes, dar cabo de tudo o que estava de pé.
    Esses pássaros eram tão venenosos como a bruxa. Nem sequer eram para ela os produtos que mandava destruir, eram mesmo por maldade, e porque ficava feliz com destruição.
   Ninguém que era bom, sabia da existência desta malvada, o que sabiam era que esses pássaros não eram nada bem-vindos porque destruíam tudo. 
  Aterrorizavam os outros animais e os humanos. Até os cães e os lobos sentiam a maldade no ar…primeiro tinham medo e depois tentavam proteger, mas não conseguiam.
    Numa manhã, altura em que as cerejeiras estavam carregadas, a bruxa queria cerejas para um feitiço, mandou os pássaros a essa casa, que atacaram todos os que tentaram proteger a casa e as cerejas, com muito barulho, guinchos, bateres de asas agitados, e conseguiram levá-las, deixando um rasto de destruição atrás de si. As gargalhadas de vitória da bruxa fizeram tremer o seu castelo e a terra á volta.
     O casal ficou muito irritado, até que a mulher teve uma ideia: encher um cesto com todas as cerejas que tinham caído dos pássaros que as abanaram, para o caso de eles voltarem, comerem as do cesto e não as das árvores.
   As cerejas do cesto eram bonitas, doces, e grandes. Mas o marido não quis ser bom, também não queria ser mau, mas apenas dar uma ensinadela a esses terroristas.
    Pegou numa série de bolinhas de madeira e pintou-as da cor de cereja, pôs outras bolinhas de esponja pintadas de cerejas e pedrinhas redondas que imitavam na perfeição as cerejas.
   Pôs tudo numa bela cesta com perfume de cereja, e deixou bem visível. Na manhã seguinte, os pássaros da bruxa voltaram e preparavam-se para atacar outra vez a casa e as árvores, mas foram atraídos para a cesta onde estavam as cerejas falsas.
     Alguns pássaros tentaram comer, mas quando engolem ficam tão pesados que não conseguem voar mais, e vão pelo campo com muita dificuldade, à procura de veterinário para lhes tirar as pedras, mas é a bruxa quem as tira.
         A bruxa fica fora dela com a raiva, quando percebe que foi enganada, mas os pássaros já estão habituados e metem-se na gaiola antes que vão parar ao forno.
      Como a cesta funcionou, o casal volta a fazer o mesmo, mas desta vez, eles já sabem que as cerejas não são para comer, e os cães andam à solta, a rondar as cerejeiras como os pássaros têm medo, não se aproximam mais, nem comem as cerejas.
      A bruxa teve de arranjar outras coisas para os seus feitiços…e arranjou, mas pelo menos a bruxa não quis saber mais de cerejas.
         Os pássaros aprenderam a lição…de que as cerejas não são para eles.
                                               FIM
                                               Lálá
                                      (29/Abril/2015)