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quinta-feira, 18 de abril de 2024

A surpresa dos pacotes dourados

 A surpresa dos pacotes dourados 


Foto de Lara Rocha 

    Era uma vez um cesto com uns pacotinhos dourados muito atraentes, brilhantes, que apareceram num descampado, onde pastavam animais. 

    Uma alma solitária passeava durante a noite, sobre um céu de lua cheia, e estrelas cintilantes. Essa pessoa já conhecia a zona de trás para a frente, e da frente para trás, todos os esconderijos, todas as árvores, todos os animais.  

    Mas viu uma coisa nova, nesse passeio noturno, que o deixou muito surpreso. Os animais estavam calmos, por isso não seria ameaçador, ficou muito intrigado com uma cesta que continha pacotinhos de luz dourada. 

    Olhou, voltou a olhar, olhou outra vez, rodeou a cesta, ansioso por lhe tocar, até que um esquilo grita de uma árvore: 

- Não mexas aí. 

    O rapaz estremeceu, olhou para o esquilo: 

- É teu? 

- Não! 

- Então porque não posso mexer? Quero ver o que é, se é perigoso para nós. 

- Não, não é perigoso para nós. 

- Como é que sabes? 

- Porque tem uma luz dourada. 

- E o que é que isso garante que é seguro? 

- É. 

- Quem pôs isto aqui? 

- Não sei. 

- Apareceu aqui do nada...? 

- Sim. Bem, quer dizer...do nada não deve ter sido, mas também não sei quem foi, nem para quê! 

- É tão bonito...até apetece tocar. 

- Mas é melhor não tocarmos.

- Porquê? 

- Porque não é nosso. 

- Pois, aí tens razão! 

    Aparece o dono da cesta: 

- Mexeste aí? 

- Não! Estava só a olhar. Porquê?

- Porque vou ser eu que vou distribuir estes pacotinhos pelas portas. 

- Áh! Que lindos, e o que têm? 

- Têm coisas especiais. 

- São de comer? 

- Alguns. 

- E outros? 

- Outras coisas. 

- De onde vieste? 

- Das estrelas! 

- Das estrelas? (ri) Só se for nos teus sonhos. 

- É verdade. Vim das estrelas, são desejos que me pediram. 

- Desejos? (ri à gargalhada) Coitadinhos, santa inocência…!

- O quê? Nunca tiveste desejos? 

- Sim, mas nunca se realizaram, nem foram distribuir pacotinhos dourados pela porta, com os desejos realizados. 

- Porque não eram possíveis de realizar, ou não pediste com o coração. 

- E quem pediu esses? 

- Muita gente. 

- Esses são realizados? 

- São! Com licença, vou ao meu trabalho. 

    Pega na cesta, e começa a distribuir os pacotinhos dourados pelas casas, e põe-nos na beirada da janela. Uns pacotinhos tinham rebuçados com sabor a fruta, outros tinham um pozinho e quando abrissem sairia um animalzinho. 

    Outro pacote tinha sorrisos, que se espalhariam por todo o lado. Outro muito grande, tinha abraços para todos, cada um ia recebê-los quando alguém abrisse o pacotinho. 

    Noutro pacotinho estava um irmãozinho para uma criança que pediu esse desejo, noutro tinha um passarinho, noutros, um lindo boneco que dava luz, para umas crianças que tinham medo do escuro. 

    Noutro muito grande, havia comida, que chegaria para cada um, e outro seria levado para países onde há fome. Outro pacote muito grande, tinha pontinhos de luz, que eram todos os pedidos de cura, para quem sofria, por parte de adultos e crianças, que pediram esse desejo, seriam espalhados por todos os hospitais e casas que precisavam. 

     Outro pacotinho tinha livros, a pedido de uma criança que adorava ler, mas a família não tinha dinheiro para comprar muitos livros, o que o deixava muito triste. 

     Mas o maior pacote dourado de todos, continha o pedido de Paz para o Mundo, era tão grande, que o dono da cesta teve de saltar em cima dele, para o abrir, fez um grande estrondo. 

    A alma solitária que tinha falado com o dono da cesta, estremeceu, e gritou: 

- Mentiroso! A dizer que os pacotinhos não eram perigosos, e tinham desejos. Tinham era bombas. 

    E vai a correr ver se o encontra. Quando o vê, murmura: 

- Afinal…

    Aproxima-se dele: 

- Então disseste que esses pacotinhos dourados não eram perigosos, e ouvi um estouro...têm bombas? 

    O dono da cesta ri: 

- Para de dizer disparates e olha à tua volta, olha para o que está a acontecer diante dos teus olhos, e ali, aquelas partículas douradas a circular. 

    Abriu, e todo o pó espalhou-se no ar, onde era possível ver as partículas luminosas a seguir o seu caminho por toda a atmosfera, e dirigir-se para esses países. 

- É pó tóxico? 

- Não, claro que não. É um pó muito especial, vais já ver qual é. 

    Todos se assustaram com o estrondo, abriram as janelas e as portas, viram os pacotinhos, viram o dono da cesta, e as partículas douradas pelo céu, quase se confundiam com as estrelas. 

- Este é o vosso maior desejo, comum a todos, e lá vai ele… olhem que bonito! E estão aí os de cada um. - diz o dono da cesta. 

    Todos aplaudem, felizes, maravilhados com aqueles pontos de luz dourada, para a paz no mundo, e para a cura de quem estava em sofrimento, por doenças e outras razões. 

    Cada um abre o seu pacotinho e agradece ao dono da cesta, todos ficam com uma lagriminha de felicidade ao ver que o desejo de paz e de cura para quem sofre, ia a caminho, e seria realizado. Esperavam e acreditavam eles. 

- Desculpa. Tinhas razão! É mesmo especial. 

- Nunca pediste esse desejo? 

- Não, mas daqui para a frente vou pedir. 

- Boa! Vais vê-lo assim! 

- Gratidão! - gritam todos, e aplaudem. Abraçam-se, sorriem, ficam a apreciar as viagens das partículas douradas pelo céu. 


                                            FIM 

                                       Lara Rocha 

                                     18/Abril/2024 

    Vamos pedir também esse desejo? 

Todos e cada um de nós, vamos pedir um pacotinho dourado de Paz para o Mundo, o fim do Sofrimento, e da fome, o fim da Guerra, a cura para quem está doente e a sofrer? 

    Vamos acreditar que veremos esse pozinho dourado a cobrir os céus, juntamente com as estrelas, e que esses nossos desejos vão realizar-se? 

    Que desejos pediriam? 

Incluíam esses desejos de paz, e cura? 

Como imaginam essa cestinha? 

E os pacotinhos dourados? Acreditam ou acreditariam, acreditarão que esses desejos podem ser realizados? 

Porque não experimentamos, pedir com o máximo de pessoas com quem nos damos bem, e nós próprios, todas as próximas noites, pedir um pacotinho de paz e cura para o Mundo? 

Podem deixar nos comentários, se quiserem :) 

                                    


segunda-feira, 24 de outubro de 2022

A tradição do 31 de Outubro

    Era uma vez uma aldeia onde viviam bruxinhas traquinas, inocentes, boas, brincalhonas, com os seus pais. Umas eram desajeitadas, outras vaidosas, umas magrinhas outras mais redondinhas, umas mais altas, outras mais baixinhas. 

   Adoravam brincar, ajudar quem precisava, curavam alguns doentes, e adivinhavam algumas coisas. Todos gostavam muito delas, e eram quase todos família. Mas havia uma noite, em que as bruxinhas marotas, amigas, não se entendiam. 

      Havia uma competição e desfiles, bailes de vassouras, roupas, na noite de dia 31 de Outubro, em que elas levavam tudo muito a sério. 

   Quase se esqueciam que eram amigas, e família, vestiam-se, calçavam-se, penteavam-se, maquilhavam-se, cada uma diferente da outra, mas todas achavam que eram as merecedoras dos prémios, e que tinham tudo mais bonito do que a outra. 

    Não faltavam prémios para as melhoras, para as mais bonitas, para as vassouras mais espetaculares, as vassouras mais fora do comum, os sapatos mais limpinhos, as botas mais altas, os cabelos, os chapéus, as pinturas, tudo era votado. 

      Durante o ano, os animais com penas: gaivotas, pavões, pássaros das mais diferentes espécies, galinhas, perus, patos, garças, cisnes, faisões, milhafres, águias, mochos, corujas, penas de todas as cores, tamanhos, deixavam as suas penas, as que caiam naturalmente, ou aquelas que eram arrancadas com o vento, nas corridas, lutas e brincadeiras entre eles, num armazém, para as bruxinhas irem lá buscar na noite de festa. 

      Assim livraram-se de ser caçados e torturados o resto do ano, pelas bruxinhas para lhes arrancar as penas. Era a euforia e histeria total, quando se aproximava a data. 

      As bruxinhas lembravam-se de ir todas ao mesmo tempo, apanhar todas as penas que mais gostavam, e idealizar vestidos, imaginar quais podiam pôr nos sapatos, nos cabelos, na roupa, tiravam todas as que queriam, ou achavam que iam usar. 

        Davam gritinhos de alegria, às vezes engalfinhavam-se, quando queriam a mesma pena, gritavam umas com as outras, arrancavam as penas das mãos, depois pediam desculpa, quando a bruxa mais velha gritava: 

- Parem imediatamente, ou ficam fora do concurso! Há penas para todas, porque é que estão a fazer tanta guerra? 

    A bruxa mais velha tinha toda a razão, pediam desculpa e continuavam à procura, entusiasmadas. Trocavam ideias, e iam logo de seguida preparar as coisas. Era um corridinho de casa em casa, para a casa das costureiras, para os sapateiros, para os cabeleireiros. Deixavam as suas ideias, o que queriam, e tudo ficava pronto para a grande noite. 

     No dia 31 de Outubro, estavam todas que não se aguentavam, todas vaidosas, bem vestidas, bem calçadas, bem penteadas, bem maquilhadas, todas lindas, todas diferentes, cada uma como gostava mais. 

       A bruxa mais velha da aldeia dava inicio à grande noite. 

- Boa noite a todos! Que bom reencontrarmo-nos aqui, mais um ano, bem de saúde, hoje, durante o ano alguns de nós estivemos doentes, e estes seres maravilhosos curaram-nos, mas hoje estamos bem! Muito bem vindos, e vamos então dar inicio à festa das vossas filhas, as nossas bruxescas fantásticas. Que lindas que elas estão! 

- Nem todas… - comenta uma bruxinha traquina vaidosa 

- Já vão começar? - ralha uma mãe 

- Claro que não, eu sou a mais bonita de todas! - diz outra bruxinha vaidosa 

- Ai, que vergonha! - murmura a mãe de uma delas 

- Calem-se meninas, querem perder o concurso? - comenta outra bruxinha mais crescida 

- Olha, olha...não tens espelho em casa….- diz outra bruxinha mais pequena invejosa 

- Tu é que tens a mania! - ralha outra pequena 

       Ouve-se um barulho de chicote: 

- Saem já do concurso! - ralha a bruxa mais velha

   Ouve-se o barulho de um gigantesco trovão. As bruxinhas encolhem-se todas 

- Concordo totalmente! - gritam as mães e os pais 

- Se se portam mal, saem. - comenta outra bruxa mais velha 

- Pois claro! - dizem os pais e as mães em coro 

     As bruxinhas param de se provocar. Os pais orgulhosos das filhas, fotografavam, filmavam, aplaudiam. As bruxinhas desfilavam, umas malandrecas riam umas das outras, gozavam, chamavam feias, levavam uma vassourada, e retribuíam. 

      Quando isso acontecia, a bruxa mais velha penalizava, e se o mau comportamento era demasiado grave, saía do concurso. Dançavam juntas, e individualmente, exibiam as vassouras, os penteados, os vestidos, os sapatos, a maquilhagem, e todos votavam nas preferidas. 

     No final de várias provas, como corridas de vassouras, danças com sapatos, e sem sapatos, cânticos, brindes, comidas, caças aos tesouros bruxescos, jogos de descoberta, dramatizações, em que todos riam muito, muita alegria, muita gargalhada, algumas quedas com as corridas, para ganharem, risos, gritos, saltos, e outros jogos, chegava a hora da votação. 

    Aquela que ninguém queria, porque todas achavam que mereciam ganhar, mas só as mais votadas recebiam prémios maiores. 

   As outras todas que não eram tão votadas, ficavam tristes, choravam, gritavam, saltavam, guinchavam, ralhavam com os animais pelas penas, mas recebiam na mesma uma medalha de cristal com bons poderes. 

   Aplaudiam cada uma, mas entre elas, não achavam piada nenhuma, engalfinhavam-se, faziam caretas umas às outras, gritavam, empurravam-se, puxavam os cabelos umas às outras, davam vassouradas, ou arrancavam penas e outros adereços umas das outras. 

      Às vezes os pais tinham de subir ao palco impor respeito e parar com a luta. As que ganhavam os melhores prémios nas diferentes categorias do concurso, não cabiam nelas de felicidade e vaidade. As outras ficavam furiosas, mesmo ganhando as medalhas. 

    Ficavam zangadas e amuadas, andavam no dia seguinte era um silêncio quase aterrador na aldeia,  as bruxinhas não se falavam, passavam o dia a descansar, e a dormir, pela longa noite, que acabava só de manhã, e a recuperar o cansaço. 

      No dia seguinte, pediam desculpa, davam os parabéns, trocavam abraços, a seguir estavam amigas outra vez, e os animais começavam logo no fim dessa festa a acumular as suas penas para elas. A bruxa mais velha transmitia sempre esta mensagem final: 

- Na verdade, o mais importante não é quem ganha, quem é a mais bonita, quem tem a roupa mais especial, ou os sapatos mais estranhos, os cabelos, a maquilhagem, as carteiras, as vassouras. Porque todas ganharam, pela coragem de participar, todas participaram porque são amigas umas das outras, e o que conta realmente, é a noite de diversão que vivem, a amizade que comemoram, mesmo com as pequenas lutas, o cair das máscaras, que acontece quando mostram inveja umas das outras, ou querem o que a outra tem e elas não. Não precisam de lutar, porque cada uma de vocês é diferente, cada uma de vocês é bonita à sua maneira, cada uma de vocês usa o que quer, e as outras não têm de se pronunciar, gozar ou criticar. Vestem-se como gostam, calçam-se como gostam, usam o que mais gostam. O mais importante deste concurso é o encontro, a união, a competição saudável, a felicidade, a diversão, a  vida, o reencontro! Não precisam de ter inveja umas das outras, nem de se imitarem umas às outras, só porque elas ganharam. Todos os anos ganham meninas diferentes, por isso, o que conta não é o concurso, é o que aprendem com ele, o estarem juntas. Estão todas muito bonitas, são todas muito bonitas e não é só neste dia, são todos os dias, porque têm bons corações, gostam de ajudar os outros, e são boas meninas. Isso sim, é o mais importante. Sejam felizes todas, o resto do ano, e até para o ano! Obrigada a todas. Obrigada aos pais que ajudaram, e obrigada às meninas por todo o esforço e empenho! 

   Isso não consolava as bruxinhas nessa noite, mas nos dias seguintes eram carinhosas umas com as outras, e tudo voltava ao normal. 

                                                           FIM 

                                                       Lara Rocha 

                                                       24/Outubro/2022

        

domingo, 12 de setembro de 2021

O saquinho surpresa


     

   Era uma vez um grande campo de cultivo variado, onde sobrevoou um pássaro enorme, de uma espécie rara, e largou um saco grande, no solo, deixou-o aberto e levantou voo. 

    Logo que pousou no chão, saíram do saco doze coelhinhos de várias cores, que correram pelo campo fora entre as plantações.

    Estavam com tanta fome e cheirava-lhes tão bem que comeram algumas cenouras, folhas de nabos, couves, erva, beberam água fresca de uma fonte, e procuraram tocas, que encontraram rapidamente em casotas feitas de palha.  

   Dormiram até ao dia seguinte. e quando os agricultores chegaram nem queriam acreditar no que estavam a ver. 

     Parecia que o campo tinha sido invadido por centenas de toupeiras esfomeadas. De repente veem na terra seca e húmida, marcas de patas de coelho, por todo o lado, e o saco enorme. 

      Como é que aquele saco foi lá parar? E onde estava, os coelhos? Correram todo o campo, e encontraram os coelhinhos nas tocas. 

      Apesar de estarem muito zangados com a destruição que os coelhos provocaram, ficaram enternecidos com eles, e sentiram pena deles.         Quando os coelhos os viram ficaram assustados e tremiam de medo, mas os humanos foram muito queridos com os animais. Acariciaram-nos e levaram-nos ao colo para sua casa. 

    Deixaram-nos ao ar livre e à noite recolheram-nos para os proteger do frio, dos animais selvagens onde já estavam outros coelhos e com quem construíram uma grande família.  

        Livraram-se de ser vendidos ou cozinhados, e viveram num lugar seguro, onde eram alimentados e acarinhados. 

        Afinal o saco perdeu o mistério...era um saco surpresa com coelhinhos, largados por uma ave para os proteger. 

     E vocês? Se encontrassem um saco misterioso, o que teria? Podem deixar as respostas nos comentários.  

                                                                                       FIM 

                                                                                           Lara Rocha 

                                                                                    11/Setembro/2021 

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A aldeia de croché

Era uma vez uma senhora muito velhinha, há muitos anos atrás que se lembrou de ocupar o seu tempo livre, desde que era criança, e enquanto foi mais jovem, até as suas mãozinhas começarem a ficar encarquilhadinhas e doridas, fazendo peças em croché.
Esta atividade tinha começado com a sua bisavó, que já tinha ensinado á sua avó e à sua mãe, e esta última à senhora, muito comum na maioria das famílias. Todas as mulheres se reuniam na aldeia, de todas as idades, nas casas umas das outras, e nas eiras à sombra, ou nos campos, nos intervalos de outros trabalhos.
Era lindo ver tanta geração a fazer coisas tão bonitas, com tanta delicadeza, amor, gosto e perfeição, enquanto conversavam durante horas, riam, rezavam, cantavam, e depois de fazerem mais mil e uma coisas.
Cada uma fazia o que queria…toalhas, almofadas, rendas, apoios, lençóis, cobertas, paninhos para cestinhos, até que as gerações mais novas começaram também a inventar «pessoas» em croché, e a juntar outras materiais, para fazer bonecas de todo o tipo, lindas.
As bonecas pareciam mesmo «pessoas» umas enormes, outras médias e mais pequenas, com todos os pormenores: cabelos, olhos, nariz, boca, braços, mãos, dedos, pernas… almofadavam com espuma, penas ou restos de lãs, e tecidos, vestiam-nas com roupas em croché de outras cores, e até tinham sapatinhos em croché de todas as cores.
Nenhuma boneca era desperdiçada, mesmo aquelas que não eram tão perfeitas, ou que tinham alguns «erros» de construção, porque como quem as construía dizia…a sociedade também tem pessoas imperfeitas.
Esta ideia inspirou-as e construíram bonecas em croché com cadeiras de rodas, andarilhos, muletas, bengalas, óculos, membros mais curtos que outros…tal como elas viam entre as pessoas da cidade, e na própria aldeia.
Depois lembraram-se de experimentar fazer casas e meios de transporte, árvores, flores, montanhas e animais em croché. Gostaram tanto da experiência que foram experimentando cada vez mais coisas novas, e conseguiram construir uma verdadeira «cidade em croché».
Num dia em que se lembraram de juntar todas as peças que já tinham feito, perceberam que já tinham uma cidade, e quiseram expor. Todos ficaram muito surpresos e maravilhados.
As fadas foram as primeiras visitantes e adoraram, decidiram dar um prémio pela dedicação delas, e gosto, as peças de croché não eram simples pedaços de croché expostos e imóveis, puseram logo tudo em movimento com os seus poderes mágicos!
Todas as peças mexiam e faziam sons, principalmente as peças da natureza, parecia um presépio animado, e todas as mulheres que construíram esta cidade de croché ficaram muito felizes, parecia que tinham voltado a ser crianças.
O Presidente da Câmara divulgou pelas cidades, e a aldeia encheu-se de milhares de visitantes que fotografavam, queriam comprar tudo…mas como elas não queriam vender, os visitantes encomendavam e pagavam bem. Não tiveram mais sossego, mas também ganharam muito dinheiro.
Com esse dinheiro ajudaram-se uns aos outros, porque era uma aldeia pobre, no inicio, construíram coisas que faziam falta, melhoraram as condições das casas, mesmo assim continuaram a ser as pessoas simples que sempre foram, e a dedicar-se ao croché.
Foi assim que nasceu a Aldeia de Croché que fez para sempre as delícias de quem visitava…que pareciam voltar à infância e à magia. Mulheres inspiradoras, com mãos de fada, e amor pelo que faziam.     

E vocês?
Conhecem croché?
Conhecem alguém que faça croché?  
Conseguem imaginar uma cidade com pessoas e casas…tudo feito em croché?
Gostavam de visitar essa cidade?

FIM
Lálá

(13/Junho/2016)

quarta-feira, 30 de março de 2016

O caça sonhos da aldeia

          
         Foto de Lara Rocha 

           Era uma vez uma aldeia pequenina, onde vivia gente simples, em casas feitas nos troncos de árvores e onde reinava a paz. Na entrada dessa aldeia havia um caça sonhos grande, muito bonito, leve que protegia os habitantes de pesadelos. Acolhia e guardava bons sonhos, sorrisos, abraços e gestos de bondade, energias de amizade, e coisas boas.
          Um dia as energias de pesadelos invadiram a aldeia, vindas de um pónei que fugiu de um circo e que estava muito nervoso, assustado...cavalgava desnorteado de um lado para o outro, a dar coices, a correr desajeitado, a levantar muito pó, num campo entre girassóis, que se fecharam com o susto. 
         Por um lado o pónei queria mesmo fugir, não aguentava mais aquele ambiente cheio de barulho, aquela música a gritar, aqueles enfeites todos que espalhou pelo caminho e a inveja dos outros animais, que ele não percebia a razão. Ao mesmo tempo, ele estava assustado, não conhecia nada, mas aquele parecia-lhe um lugar seguro.
        Por onde ele passou, espalhou más energias que chegaram à floresta, mesmo com o caça sonhos à entrada. Os habitantes da aldeia começaram a ficar com muito mau humor, carrancudos, nervosos, a peguinhar uns com os outros, resmungavam, protestavam por tudo e por nada, discutiam, e estavam muito estranhos. Até o caça sonhos ficou mais pesado, com as cores escuras e molengo...parecia estar doente.
- Não sei o que está a acontecer, mas não me sinto nada bem. - Murmura o caça sonhos
Voa uma fada pequenina trazida pelo vento:
- Olá...o que temos aqui? Sinto o ambiente muito pesado. E tu incluída.
- É verdade! Não sei o que está a acontecer...mas acho que a culpa é minha.
- O quê?
- Sim.
- Mas que disparate! Porque haveria de ser por tua causa...não estás com bom aspeto.  
- Sinto-me estranho...e todos estão loucos.
- Realmente o ambiente está pesado.
Os dois conversam.
- Esperem aí que eu já resolvo tudo... - Diz o vento
- Como? - Perguntam os dois
- Já vão ver. - Responde o vento
Chama uma família de bruxas.
- Mas o que é isto? - Pergunta o caça sonhos assustado
- Não acredito no que tu acabaste de fazer... - Comenta a fada
- Até ele está louco. - Comenta o caça sonhos
- O que é que lhe deu para chamar estas...? - Pergunta a fada surpresa  
- Olá...Espero que tenhas bons motivos para me teres interrompido os meus trabalhos. - Diz uma bruxa áspera.
- Mas que coisa horrorosa...um caça sonhos e uma fada. - Comenta outra bruxa empertigada
- Que nojo...cheira bem demais. - Comenta outra bruxa
- Para que é que nos trouxeste para aqui, sua peste? - Pergunta outra bruxa
- Maldito! - Dizem todas em coro
- Não penses que gosto da tua presença,...só te chamei porque sei que vais adorar o que tenho para te dar. - Diz o vento
- Ááááááhhhh...!!!! - Exclamam as bruxas surpresas
- Ele não está bom da cabeça...! - Comenta a quarta bruxa
- Nisso elas têm razão! - Comenta a fada, baixinho
- Também acho! - Concorda o caça sonhos   
- Humm...interesseiro.... - Dizem as bruxas
O vento, o caça sonhos e a fada dão umas boas gargalhadas.
- Meninas...calem-se! Sintam...um...cheiro diferente... - Resmunga a bruxa chefe
Todas farejam.
- Por esse cheiro é que vos chamei aqui. Não foi pelas vossas caras feias. - Diz o vento
- Obrigada! - Dizem todas as bruxas a rir
- Sempre antipático, este vento... - Diz outra bruxa
- Horrorizador... ! - Dizem as bruxas em coro a rir
- Eu sei...! Precisamos que vocês comam todas as energias más que invadiram a nossa aldeia. Estes cheiros que vocês dizem que sentem. - Diz o vento
- Áh! - Dizem as bruxas em coro
- Fedores deliciosos... então era isso! - Diz outra bruxa
- Convidaste-nos para um banquete! - Comenta outra bruxa
- Isso mesmo. - Confirma o vento
- Não sabia que tinhas estes fedores tão desagradáveis por aqui. - Comenta outra bruxa a rir
- Nós também não sabíamos...mas não gostamos deles, por isso...deleitem-se com eles. Levem-nos todos. - Diz o vento
- Óh...que maravilha... - Dizem as bruxas
Elas aspiram todas as energias más, e dão gargalhadas, enquanto isso, o pónei para à entrada da floresta. As bruxas sentem que vem dele, uma grande quantidade de energias más, circundam-no, e sugam toda a sua energia. O pónei cai de cansaço.
- Ai...que susto! - Dizem todos
- O que é isto? - Pergunta o caça sonhos
- É um pónei... - Diz a fada
- Parece muito cansado! - Diz o caça sonhos
- É. Parece que vem a fugir...coitadinho! - Diz a fada
- Obrigado... - Dizem todos
- Já se respira outro ar! - Comenta o caça sonhos a sorrir
- Também acho. - Concorda a fada
- Ai, estou a rebentar... - Diz uma bruxa
- Eu também...estou cansada de comer. - Diz outra bruxa
- Comi que nem uma besta... - Diz outra bruxa
Todas riem.
- Vamos embora...está aqui outra vez aqueles cheiros asquerosos! Lhec. - Comenta outra bruxa
- Já estou a ficar tonta...mas não quero dormir aqui. - Diz outra bruxa
- É. Vamos embora. - Concordam todas
- Obrigado... - Dizem todos
           As bruxas saem a voar lentamente e pesadas, parando muitas vezes pelo caminho...parecem balões de tanta energia má que sugaram. E na aldeia volta a respirar-se paz...o pónei desperta e sente-se bem. Conta a sua fuga e o que o levou a fugir, como encontrou aquele lugar, pediu desculpa, e pediu para o deixarem ficar lá.
           Todos ficam com pena dele, e como as bruxas sugaram as más energia, o pónei só ficou com as boas, tal como a fada, o caça sonhos que voltou a ganhar as suas belas cores, e capacidades para proteger a aldeia.
          Os habitantes voltaram a dar-se bem, como antes, quando regressaram nesse dia dos trabalhos, sentiram um novo e fresco ambiente, reuniram-se, pediram desculpas uns aos outros, e passaram a noite em festa, na companhia do pónei que adotaram e de quem cuidaram muito bem, nunca mais voltou para o circo, nem o encontraram. Do caça sonhos só saíram energias positivas como sempre, e quando sentiam que o ambiente estava a ficar outra vez tóxico, carregado, chamavam as bruxas para elas comerem à farta. Eram bruxas, mas no fundo não eram muito más.
Às vezes nós também nos enchemos de energias más...e precisamos de coisas que nos devolvam as boas energias.
Já vos aconteceu? Como ficaram outra vez bem dispostos e felizes?
FIM
Lálá
(30/Março/2016)  

sábado, 6 de junho de 2015

No jardim do moinho

foto de Lara Rocha 

Era uma vez uma casa num recanto escondido de uma floresta, um antigo moinho de uma família muito rica. Dessa família só uma rapariga ainda jovem quis ficar com o moinho, que todos os mais velhos diziam não servir para nada…achavam que esse moinho não passava de um molho de pedras.
Para essa jovem passou a ser a sua casa, pois ficava muito perto do seu local de trabalho, e assim poupava dinheiro. Mobilou o moinho, com a ajuda dos amigos que lhe deram muitos móveis de que já não precisavam ou não gostavam.
Uns restauraram umas coisas, e reconstruíram outras, outros concertaram cadeiras, mesas, sofás e montaram a cozinha, a luz elétrica, água, lareira, fogão, frigorífico, tinha tudo! O moinho não tinha divisões, como outra casa qualquer, mas ela conseguiu que tudo o que precisava coubesse no espaço que tinha disponível, e ficou maravilhosa.
O moinho tinha um anexo, e outro andar por cima, com um grande e agradável terraço onde a jovem adorava estar, ver a paisagem, descontrair e meditar, ou apanhar sol. Sentia-se muito bem no seu moinho, tinha jardim e horta onde não faltavam quase todos os alimentos que se podem cozinhar e comer, por isso, quase não fazia compras. Os seus pais iam muitas vezes visitá-la ao moinho, almoçavam, passeavam e jantavam e ajudavam-na sempre.
Uma noite ela foi ao terraço porque viu da janela de baixo algo diferente no jardim. No inicio teve medo, mas também não ficava descansada se não fosse ver o que era, e saber se estava em segurança.
De cima, teve a certeza que havia algo de diferente…umas flores que brilhavam no escuro, como os pirilampos.
- Será que estão pirilampos presos ou fechados naquelas flores? Nunca vi…se calhar, como vem chuva amanhã abrigaram-se ali, talvez não consigam voar…! Mas…estão muito quietas e as suas luzes estão acesas.
Viu a sombra dos gatos vadios que ela alimenta, cheirarem as flores de onde se viam as luzes iguais às dos pirilampos mas que não mexiam. Os gatos começam a miar…estão desconfiados.
Antes que ela perguntasse mais alguma coisa, uma bela surpresa acontece…as flores abrem uma por uma, e de cada uma sai uma bailarina pequenina, graciosa e levezinha, com asinhas finas, que se assustam quando veem os enormes olhos dos gatos.
Quando percebem que são os gatos respiram de alívio e mudam de cor a cada pequenino movimento que fazem. A jovem assiste completamente rendida.
- Áh! Mas o que é isto? Estarei a ver bem?
Desce as escadas do terraço e vai para o jardim, junto das flores. Sim…está a ver mesmo bem! As pequeninas bailarinas são mesmo mágicas…de cada flor de onde elas aparecem, ouve-se uma música diferente, e cada bailarina dança ao som dessa música.
Elas fazem lindas danças, espalham luz e cor por todo o jardim, voam de flor em flor e dançam a música de cada uma. A jovem aplaude, e segue todos os movimentos encantadores das pequenas, com um enorme sorriso, toda enternecida e com os olhos muito brilhantes.
São pequeninas fadas que foram enviadas a pedido das crianças com quem a jovem trabalha, que a adoram, e que lhe retribuem todos os dias todo o carinho e atenção que ela lhes dá, com beijos, abraços, desenhos, flores, mimos e mais mimos. Desta vez, o mimo foi enviar fadinhas bailarinas, cheias de luz, para alegrar e fazer companhia à jovem.
A fadinha chefe diz-lhe:
- Olá, boa noite! Viemos alegrar a tua noite e fazer-te companhia, a pedido de umas crianças que conheces muito bem e que querem mostrar-te o quanto te adoram…
E a outra fadinha acrescenta:
- O quanto te adoram e o quanto te agradecem tudo o que lhes dás.
- Já sei quem são! Óh! Que queridas, e queridos…todos os dias dão-me mimos. Dou-lhes o meu melhor e eles merecem…retribuem.
- Verdade! – Dizem todas
- Eles acham que nunca é demais… - Diz outra fadinha
- Obrigada! Tão lindas que vocês são. Adorei ver-vos dançar. Se estiverem com eles, dêem-lhes um beijinho muito repenicadinho como aqueles que lhes dou, com desejos de boa noite e bons sonhos. Adorei a surpresa.
- Daremos o recado! – Garante uma fadinha
- Vamos para lá agora. – Diz outra
- Tomem conta deles e dos seus sonhos. – Pede a jovem
- Fica descansada! – Dizem todas
- Serão sempre muito bem-vindas à minha casa! – Diz a jovem sorridente
- Voltaremos! – Garantem
- Aqui tens flores que adoramos. – Diz outra fada
- São vossas! – Diz a jovem a sorrir
- Até já. – Dizem todas
- Até já. – Responde a jovem
E as fadinhas bailarinas voltam para o quarto das meninas e dos meninos, dão-lhes o recado, e eles até dormem melhor nessa noite. Gostam tanto do jardim à volta do moinho que nessa mesma noite vão lá dormir, outras dormem nas beiradas das janelas do moinho e outras no terraço.
Todas as noites elas dançam para a jovem que as aplaude e segue todos os seus movimentos, às vezes até dança com elas. Elas trazem uma nova luz ao jardim e ao moinho, e uma nova cor e alegria às noites da jovem.

                                                           FIM
                                                           Lálá
                                                     (6/Junho/2015)  


quinta-feira, 4 de junho de 2015

As amiguinhas da mamã

       Era uma vez uma menina que costumava ter longas conversas com a lua que via da sua janela, enquanto a mãe não chegava a casa do trabalho para a deitar. A menina contava à Lua todo o seu dia, falava da mãe, do pai, dos avós, dos amiguinhos do colégio e dos seus trabalhinhos.
Como adorava livros, até contava histórias, mostrava as imagens e pedia desejos às estrelas. Um dos seus grandes desejos era que a sua mãe arranjasse um emprego onde ganhasse mais dinheiro, mas que tivesse mais tempo para estar com ela, que chegasse mais cedo para brincar com ela, e conversar.
         A mãe ficou desempregada, e nesse dia chegou muito cedo a casa, triste.
- Mamã…já chegaste hoje? – Pergunta a menina surpresa
- Sim, filha. Fiquei sem trabalho!
- Porquê?
- Por coisas muito estranhas…mas não te preocupes com isso!
- E agora?
- Agora, vou procurar outro, mas até lá, tenho mais tempo para ti, poderei brincar mais contigo.
- Boa! As estrelas realizaram o meu desejo! – Grita a menina feliz
- Tu querias que a mãe ficasse sem trabalho?
- Não. Queria que arranjasses um trabalho que te deixasse ficar mais tempo comigo.
- Áh! Está bem. Vamos brincar?
- Sim…
         E a mãe brinca com a filha, conversa e ri, apesar da tristeza. Ela sabia que a menina sentia a sua falta e que precisava mesmo da sua atenção. O sorriso e o brilho nos olhos da filha pela felicidade de estar com a mãe, preenchiam-na e tornavam a tristeza mais leve. Brincam bastante até à hora do jantar, e no fim de jantar a menina disse à mãe:
- Mamã: vou-te apresentar uma nova amiga, hoje.
- Uma nova amiga, do colégio?
- Não. Esta é diferente, mas vais adorar conhecê-la, tenho a certeza.
         Estava uma linda e quente noite de Verão, um céu cheio de estrelas e uma lua cheia enorme. Mãe e filha vão para a janela do quarto da menina onde tem um pequeno sofá. Sentam-se as duas a olhar para a Lua.
- Olha mãe, afinal hoje vou apresentar-te uma amiga e um amigo. A lua hoje está acompanhada.
- Áh. Então a tua nova amiga é a Lua!
- Sim!
- A lua vem sempre acompanhada pelas estrelas, filha.
- Mas hoje a lua vem também com o arco-íris! Olha!
- Áh! Pois é. O teu amigo é o arco-íris.
- Sim.
- Que lindo! Olá Lua, e olá arco-íris, amigos da minha filha…muito gosto em conhecer-vos. Eu sou a mãe da vossa amiguinha!
- (ri) É. A lua hoje está mais bonita sabes porquê, mãe?
- Hum…será porque está cheia?
- Sim, mas também é porque estás comigo, e os teus olhos lindos reflectem-se nela!
-Ela até fica com inveja!
- (ri) Não. A lua não é invejosa, porque ela sabe que é tão bonita como tu.
- Sabe?
- Sabe! E também acha que és muito bonita.
- É? Obrigada lua. Mas ela conhece-me?
- Conhece! Ela vê tudo. E eu falho-lhe muito de ti, todos os dias enquanto não chegas! Disse-lhe que um dia ela ia conhecer-te. Olha lua, esta é a minha mãe! É linda não é? Eu disse-te. Olha mãe, ela está a sorrir para ti!
- Áh! Olá Lua. Muito gosto.
- Lua…pede às estrelas que arranjem um trabalho para a minha mãe que dê para ficar mais tempo comigo e ganhar dinheiro. Está bem?
- Óh filha, tão querida… Agora vou ter mais tempo para ti.
- Boa! A lua tem asas! Mas eu tenho os teus braços que me pegam ao colo, que me abraçam e que me seguram ou adormecem. Gostavas de ser lua, mãe?
- É verdade. Eu gosto muito de ver a lua, mas não gostava de ser lua. Se fosse lua não te podia ter nem tocar-te.
- Pois era. Eu também não queria que fosses uma lua…só se eu fosse uma estrela… ou o sol, mas não gostava. Gosto muito de ver a lua cá de baixo, mas gosto ainda mais de te ter aqui comigo, mamã!
- Eu também, querida estrelinha, minha estrelinha que faz brilhar todo o meu ser.
- Em ti é que brilham todas as estrelas e luas que me enchem de alegria.
- Olha, agora a lua tem asas!
- Pois tem. É uma fada que está lá a dormir.
- É? Uma fada? Como é que sabes?
- Sou amiga dela, já desde bebé!
- A sério? Como é que ela é?
- É linda, pequenina. Só consegues vê-la quando estiveres deitada, quentinha e de olhos fechados. Queres vê-la?
- Sim!
- Então vamo-nos deitar e eu vou convidá-la a entrar.
- Está bem.
         As duas deitam-se na cama grande, abraçadas, e trocam mimos.
- Achas que ela vai gostar do meu pijama, mamã?
- Vai.
- Ela também usa pijama?
- Usa. O dela também é muito bonito, vais ver. Fecha os olhos…vou chamá-la!
         A menina fecha os olhos, sorridente e a mãe conta-lhe uma história maravilhosa e encantada que imaginou com a idade da sua filha sempre que olhava para a lua, como faz agora a estrela que brilha no seu coração e no seu olhar.
Nessa noite, as duas viram e sentiram a pequenina fada amiga da mãe que vivia na lua…era por isso que viam asinhas na lua, as asas da fantasia, do sonho. As duas adormecem felizes e serenas, abraçadas.
         E depois dessa noite, as duas viveram mais aventuras, deram passeios e brincaram com a fadinha que as levava para onde queriam.
         E a vossa mamã também já vos apresentaram as suas amiguinhas mágicas da infância? Peçam-lhes para vos apresentarem e contarem as suas aventuras, passeios ou brincadeiras juntas.
FIM
LÁLÁ

(3/JUNHO/2015)