Número total de visualizações de páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta reconhecimento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta reconhecimento. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

O esquilo bondoso



    Era uma vez um esquilo que não parava um segundo!   Enquanto estava de olhos abertos, tinha sempre o que fazer, parecia ligado à tomada. 

   Corria de um lado para o outro, pedia aos trabalhadores no campo, que lhe emprestassem cestas, baldes, bacias, e desaparecia na floresta. 

    Os trabalhadores emprestavam-lhe, não sabiam para que era, mas achavam engraçada e misteriosa aquela correria toda. 

    Apanhava uma série de bolotas, pinhas, castanhas, folhas de Outono, enchia tudo o que podia, ficava com uma boa quantidade para si, para poder comer no Inverno, no conforto da sua casinha de árvore, e partilhar se precisasse. 

    Armazenava, mas distribuía por quem mais gostava, dizia que não podia perder tempo e tinha muito que fazer. 

    O que iria fazer um esquilo, com aquilo tudo? - perguntavam os trabalhadores 

    O esquilo fazia embrulhos de bolotas nas folhas que caiam das árvores, de várias cores, e oferecia aos outros esquilos, aos porcos que também comiam bolotas. 

    Deixava à porta dos trabalhadores tudo o que lhe emprestavam, com pequenos mimos, embrulhados nas folhas: pinhas que pintava com muitas cores diferentes, as cores do Outono.  

    Outras mais brilhantes, uvas com um tamanho grande, e um sabor delicioso, que eles desconheciam, maçãs grandes, bonitas e doces, castanhas grandes.

    Os trabalhadores ficavam muito surpresos, e numa tarde em que o esquilo passou a correr, perguntaram:

- Ei...obrigado por teres devolvido o nosso material! 

- De nada! Obrigado eu - diz o esquilo a sorrir 

- Onde vais a correr tanto? 

- Podemos ajudar? 

- Fica aqui um bocadinho connosco! 

- Ahhh...está bem! - diz o esquilo, um pouco cansado

- Mas, porque o trouxeste com isto tudo? - pergunta uma senhora 

- Para vos agradecer, e lembrar que é Outono! 

- Mas que coisas tão bonitas! - diz uma senhora 

- E são deliciosas! - diz outro senhor 

- Onde foste buscá-las? - pergunta outras senhora  

- Fui...por aí! O que interessa é que tenham gostado! - responde o esquilo 

- Claro que sim! - respondem todos 

- Mas gostávamos de saber onde é, para irmos apanhar também. - comenta outra senhora 

- Aaaaahhhh... eu trago-vos! 

- Mas que querido! - comenta uma senhora a sorrir 

- Que esquilo tão generoso! - diz uma menina 

- Também dou a quem precisa mais, sim. - confirma o esquilo 

- Então, estás convidado para a nossa festa. 

- Está bem! Obrigado. Quando é? E onde? 

    Os trabalhadores explicam tudo, contam a tradição, e o motivo da festa. O esquilo não fazia ideia, mas adorou ouvir tudo sobre a famosa tradição no Outono. 

    Depois de muita conversa: 

- Muito obrigado. Adorei saber tudo o que me contaram. Cá estarei. Se precisarem de alguma coisa de mim, eu ando sempre por aí.

- E andas sempre a correr? 

- Bem...quase sempre! Não posso perder muito tempo. Tenho muita coisa para fazer. Não sei andar de outra maneira - diz o esquilo 

- Mas também precisas de descansar! 

    Todos riem. 

- Sim, também descanso! Então...até já.

- Até já. - dizem todos 

    Lá vai o esquilo, e a festa começa a ser preparada. Sem que estivessem a contar, no dia da festa, de manhã bem cedo, o esquilo estava no largo, verdejante, a fazer a decoração das mesas, com coisas que tinha feito, parecido com os presentes que ofereceu aos trabalhadores.

    Cheio de energia, feliz, pinhas aqui, pinhas ali, pintadas de diferentes cores, castanhas espalhadas, uvas em cima de folhas de árvores, nozes ao natural, outras pintadas na casca de fora, lindas! Velas em cascas de nozes, e outros objetos decorativos que o esquilo tinha criado. 

    Quando os trabalhadores viram, nem queriam acreditar. 

- Ááhhhhh... que coisa mais linda! - suspiram 

- Obrigado! - diz o esquilo a sorrir 

- Mas não precisavas de ter este trabalho todo! 

- Fiz com todo o gosto, não foi trabalho nenhum. Trabalho têm vocês, a preparar as refeições e petiscos todos! 

- Sim, mas também fazemos com gosto. 

- Acredito! Estou curioso para provar - diz o esquilo

- Já está quase tudo pronto, daqui a bocadinho começamos a trazer. 

- Querem ajuda? 

- Não, obrigado! Já fizeste tanto. 

- Está bem. 

    Os trabalhadores estão maravilhados, e como o esquilo não consegue estar quieto, vai ajudar. Todos riem com a energia dele. 

    Depois de tudo pronto, começa a festa. Vestidos a rigor, muita música, muita animação, muita dança, muitos abraços, cantares, fotografias, petiscos, brincadeiras, jogos, o esquilo come de tudo, adora tudo, até não poder mais, como os trabalhadores. 

    Há momentos de contemplação da Natureza em silêncio, e agradecimento de cada um a tudo o que ela dá, tudo o que ela tem de maravilhoso. 

    Escrevem bilhetinhos, e põem aos pés de uma árvore, abraçam a árvore, acariciam-na, encostam-se a ela, dão as mãos à volta da árvore, de olhos fechados, e dizem em coro, em voz alta: «gratidão, Mãe Natureza por tudo o que nos dás!» 

    Largam as mãos, sorriem, aplaudem, e depois a animação continua noite dentro, com o esquilo sempre divertido, a fazer rir toda a gente, muita gargalhada e brincadeiras, a beber e a brindar com sumos de frutas, deliciosos, dançam, batem palmas, e a festa acaba com a chegada do nascer do sol, apreciado por todos. 

    O esquilo e os habitantes estão muito cansados e com sono, e cada um vai para sua casa. Depois de recuperados, ao fim do dia, comem o que sobrou, e ajudam a arrumar as coisas, com o esquilo todo elétrico. 

    O esquilo passa a ser visto como um amigo, um elemento de uma grande família, que visitava praticamente todos os dias, além da dele, mesmo no Inverno, com neve e frio, bem agasalhado, perguntava a todos se precisavam de alguma coisa. 

    Era muito bem recebido nas casas todas, ofereciam-lhe chá e biscoitos deliciosos. E no Natal voltavam a fazer uma grande festa, com a presença do esquilo, e os seus presentes tão lindos para cada um. 

    Estava sempre presente, e até apresentou a sua família, e amigos, aos trabalhadores, que nunca tinham visto tanto esquilo junto, e tão simpáticos como eram. 

    No Inverno ficava mais recolhido, a preparar presentes, mesmo assim, visitava a família e os amigos humanos. 

    Era um esquilinho mesmo bondoso! 

E vocês? 

Se fizessem uma festa no Outono, quem levariam? 

O que poriam nas mesas? 

Que produtos de Outono conhecem? 

Como seria essa festa? 

Podem deixar nos comentários, se quiserem :) 


                                            FIM 

                                      Lara Rocha 

                                       3/10/2024 

sábado, 6 de junho de 2015

No jardim do moinho

foto de Lara Rocha 

Era uma vez uma casa num recanto escondido de uma floresta, um antigo moinho de uma família muito rica. Dessa família só uma rapariga ainda jovem quis ficar com o moinho, que todos os mais velhos diziam não servir para nada…achavam que esse moinho não passava de um molho de pedras.
Para essa jovem passou a ser a sua casa, pois ficava muito perto do seu local de trabalho, e assim poupava dinheiro. Mobilou o moinho, com a ajuda dos amigos que lhe deram muitos móveis de que já não precisavam ou não gostavam.
Uns restauraram umas coisas, e reconstruíram outras, outros concertaram cadeiras, mesas, sofás e montaram a cozinha, a luz elétrica, água, lareira, fogão, frigorífico, tinha tudo! O moinho não tinha divisões, como outra casa qualquer, mas ela conseguiu que tudo o que precisava coubesse no espaço que tinha disponível, e ficou maravilhosa.
O moinho tinha um anexo, e outro andar por cima, com um grande e agradável terraço onde a jovem adorava estar, ver a paisagem, descontrair e meditar, ou apanhar sol. Sentia-se muito bem no seu moinho, tinha jardim e horta onde não faltavam quase todos os alimentos que se podem cozinhar e comer, por isso, quase não fazia compras. Os seus pais iam muitas vezes visitá-la ao moinho, almoçavam, passeavam e jantavam e ajudavam-na sempre.
Uma noite ela foi ao terraço porque viu da janela de baixo algo diferente no jardim. No inicio teve medo, mas também não ficava descansada se não fosse ver o que era, e saber se estava em segurança.
De cima, teve a certeza que havia algo de diferente…umas flores que brilhavam no escuro, como os pirilampos.
- Será que estão pirilampos presos ou fechados naquelas flores? Nunca vi…se calhar, como vem chuva amanhã abrigaram-se ali, talvez não consigam voar…! Mas…estão muito quietas e as suas luzes estão acesas.
Viu a sombra dos gatos vadios que ela alimenta, cheirarem as flores de onde se viam as luzes iguais às dos pirilampos mas que não mexiam. Os gatos começam a miar…estão desconfiados.
Antes que ela perguntasse mais alguma coisa, uma bela surpresa acontece…as flores abrem uma por uma, e de cada uma sai uma bailarina pequenina, graciosa e levezinha, com asinhas finas, que se assustam quando veem os enormes olhos dos gatos.
Quando percebem que são os gatos respiram de alívio e mudam de cor a cada pequenino movimento que fazem. A jovem assiste completamente rendida.
- Áh! Mas o que é isto? Estarei a ver bem?
Desce as escadas do terraço e vai para o jardim, junto das flores. Sim…está a ver mesmo bem! As pequeninas bailarinas são mesmo mágicas…de cada flor de onde elas aparecem, ouve-se uma música diferente, e cada bailarina dança ao som dessa música.
Elas fazem lindas danças, espalham luz e cor por todo o jardim, voam de flor em flor e dançam a música de cada uma. A jovem aplaude, e segue todos os movimentos encantadores das pequenas, com um enorme sorriso, toda enternecida e com os olhos muito brilhantes.
São pequeninas fadas que foram enviadas a pedido das crianças com quem a jovem trabalha, que a adoram, e que lhe retribuem todos os dias todo o carinho e atenção que ela lhes dá, com beijos, abraços, desenhos, flores, mimos e mais mimos. Desta vez, o mimo foi enviar fadinhas bailarinas, cheias de luz, para alegrar e fazer companhia à jovem.
A fadinha chefe diz-lhe:
- Olá, boa noite! Viemos alegrar a tua noite e fazer-te companhia, a pedido de umas crianças que conheces muito bem e que querem mostrar-te o quanto te adoram…
E a outra fadinha acrescenta:
- O quanto te adoram e o quanto te agradecem tudo o que lhes dás.
- Já sei quem são! Óh! Que queridas, e queridos…todos os dias dão-me mimos. Dou-lhes o meu melhor e eles merecem…retribuem.
- Verdade! – Dizem todas
- Eles acham que nunca é demais… - Diz outra fadinha
- Obrigada! Tão lindas que vocês são. Adorei ver-vos dançar. Se estiverem com eles, dêem-lhes um beijinho muito repenicadinho como aqueles que lhes dou, com desejos de boa noite e bons sonhos. Adorei a surpresa.
- Daremos o recado! – Garante uma fadinha
- Vamos para lá agora. – Diz outra
- Tomem conta deles e dos seus sonhos. – Pede a jovem
- Fica descansada! – Dizem todas
- Serão sempre muito bem-vindas à minha casa! – Diz a jovem sorridente
- Voltaremos! – Garantem
- Aqui tens flores que adoramos. – Diz outra fada
- São vossas! – Diz a jovem a sorrir
- Até já. – Dizem todas
- Até já. – Responde a jovem
E as fadinhas bailarinas voltam para o quarto das meninas e dos meninos, dão-lhes o recado, e eles até dormem melhor nessa noite. Gostam tanto do jardim à volta do moinho que nessa mesma noite vão lá dormir, outras dormem nas beiradas das janelas do moinho e outras no terraço.
Todas as noites elas dançam para a jovem que as aplaude e segue todos os seus movimentos, às vezes até dança com elas. Elas trazem uma nova luz ao jardim e ao moinho, e uma nova cor e alegria às noites da jovem.

                                                           FIM
                                                           Lálá
                                                     (6/Junho/2015)  


domingo, 12 de outubro de 2014

A casa escura

       
                                                          foto de Lara Rocha 

        Era uma vez uma casa sombria, pintada de negro, com móveis negros e a própria pessoa que lá vivia era igualmente uma figura escura, que se vestia sempre de negro. Tinha ficado assim porque vivia sempre numa grande tristeza, por estar longe da sua casa, da sua família e por não ter amigos. Como ele se vestia sempre de escuro, as outras pessoas tinham medo dele. 
        Ele não era mau. Era apenas uma pessoa triste e solitária. Os seus melhores amigos eram os livros, que tinha às centenas em casa, num quarto com pouco luz. Um dia, o rapaz sombrio saiu, e reparou num lindo arco-íris que tinha acabado de se formar na montanha. Ele nunca tinha visto tal coisa…como passava a maior parte do tempo na sua casa escura.
Fica encantado e parece hipnotizado pelo arco-íris. Desata a correr pelo campo fora até à montanha onde está o arco-íris, mas não consegue apanhá-lo, porque entretanto desaparece. Isto deixa-o muito irritado, e corre mais um pouco. Procura numa gruta, escura onde entra aos gritos, e só vê luzes pequeninas verdes a aparecer.
- O que venha a ser isto? – Pergunta um morcego irritado
- Que barulho é este? – Pergunta outro morcego
- (boceja) Ááááhhh…quem é que nos veio interromper o sono?
        O rapaz está cheio de medo.
- Desculpem…quem são vocês? – Pergunta ele a tremer
        Os morcegos dão uma sonora gargalhada.
- Olha, olha…estamos a ser visitados por um esqueleto! – Comenta um morcego a rir
- E treme! – Diz outro morcego às gargalhadas
- Óh meu…vasa daqui. – Diz um morcego calmo
- Onde estou? – Pergunta o rapaz
- Ora…na nossa casa! – Responde um morcego a rir
- Quem te deu permissão para entrar? – Pergunta uma morcega chateada
- A porta está sempre aberta… - Responde outro morcego
- Áh! Pois é. – Responde a morcega
- Mas parece que ele ou…ela…ainda não percebeu onde está. – Diz outra morcega a rir
        Os morcegos voam à volta do rapaz, nervosos e guincham pela gruta, e expulsam o rapaz de lá, aos gritos, cheio de medo. Ele corre e cruza-se com um cavalo que trava a fundo e levanta uma poeirada.
- Ai, que susto! Isto são maneiras de se andar pelo campo? – Relincha o cavalo  
- Desculpa…não te vi.
- Eu sou bem grande. Quase te passava a ferro…estás louco?
- Não. Só fujo de uma gruta de morcegos…
- Áh! Fino…foste-te meter na toca dos morcegos… (ri) esperto! As coisas não correram bem pois não? Eles odeiam ser perturbados…
- Pois. Eu não sabia que tinha entrado na toca dos morcegos.
- Não conheces a zona?
- Não.
- Áh! E o que vieste fazer por aqui?
- Vim atrás de umas riscas coloridas que vi em cima do monte.
- Riscas coloridas? Ááááááhhhh…tu não estás bom dessa mioleira… os morcegos viraram-te ao contrário. Que riscas coloridas? E logo no monte… (ri)
- Estavam ali. (O arco-íris aparece outra vez) Olha, estão ali outra vez…sabes o caminho para lá?
- Sei, mas para que vais atrás do arco-íris?
- Estou atrás daquelas riscas às cores…
- Sim, e é o arco-íris.
- Áh! Que lindo.
- Nunca tinhas visto?
- Não.
- Em que planeta é que tu vives?
- Na Terra! Como tu.
- Então como é que nunca viste o arco-íris, nem sequer sabias o nome?
- É que eu quase não saio de casa. Vivo numa casa escura, pintada de preto, com móveis pretos…
- Ui! Porquê?
- Porque sou um rapaz triste, vivo na tristeza.
- Isso é muito mau. Devias ter uma casa colorida para te alegrar.
- É por isso que estou atrás das riscas do arco-íris.
- Desculpa desiludir-te, mas nunca vais conseguir agarrar o arco-íris.
- Porquê?
- Porque ele não se agarra…é uma ilusão…quando o sol bate na água…
- Mas se ele aparece e desaparece é porque alguém o tira…
- Não. Ele aparece e desaparece porque quando não há sol na água, não há cores.
- Mas eu quero aquelas cores.
- Queres sair da tristeza?
- Sim.
- Então tens de pintar a tua casa, com cores alegres.
- E como é que eu pinto a minha casa?
- Ora…com pincéis, trinchas…e tintas.
- E onde arranjo isso?
- Numa loja de tintas na cidade.
- Paga-se?
- Claro que se paga…
- Mas eu não tenho dinheiro. Nunca vou conseguir pintar a minha casa de cores…
- Não digas essas coisas tão tristes. É claro que vais conseguir. Não é assim tão caro, e podes sempre pedir aos teus amigos ou familiares…
- Estão muito longe.
- Vá lá, não inventes obstáculos. Hás-de encontrar uma maneira. Anda…vou levar-te a conhecer a área.
- (sorri) Óh…não tens medo de mim?
- Medo? Eu?
- Sim.
- Porque haveria de ter medo de ti?
- Porque estou vestido de negro. Toda a gente foge.
- Não sei porquê! É só a tua roupa. O meu pêlo também é de cor preto…é só uma cor que tu gostas. Não mete medo nenhum.
- Obrigado! – Diz o jovem a sorrir
- Sobe. – Diz o cavalo
        Ele sobe, e os dois vão passear sem pressa, a conversar e a ver a paisagem. O rapaz sente-se muito feliz. Ao fim do dia, os dois tornam-se grandes amigos, e o cavalo quer ajudar o amigo.
        Depois de o deixar em casa, vai de porta em porta, pela aldeia, e fala com as crianças e com adultos. Pede tintas de cores alegres e pincéis. Ele conta a história do rapaz, e já todos sabem que está a falar do rapaz que vive na casa de cor preta, e que anda sempre de roupa preta.
        Todos se prontificam a ajudar o rapaz. Juntam-se, e reúnem todo o material que necessitam para pintar a casa. No dia seguinte, o cavalo vai ter com o rapaz e convida-o para ir ao monte. O rapaz aceita logo, feliz.
        Enquanto os dois vão sem pressa passear e a conversar alegremente, ainda de madrugada, todos os habitantes se juntam e decoram a casa do jovem.
        Pintam em alguns pedaços da parede preta, vários e enormes arco-íris, sóis, céus azuis, praias, paisagens...cada um faz o desenho que mais gosta. Pintam os móveis de cores claras, e ao fim do dia, a casa estava nova.
        O cavalo volta com o jovem já quase à noite, e todos os habitantes estão escondidos dentro da sua casa. Quando ele abre a porta, aparece uma criança com uma lanterna virada para a sua cara e diz:
- Bem-vindo ao mundo da luz!
        Ele fica gelado com o susto.
- O que é que está a acontecer?
        De repente acendem-se luzes por todo o lado, fortes. Os habitantes fizeram a instalação eléctrica em toda a casa, e lâmpadas em todas as divisões, com uma luz forte.
        O rapaz estremece, solta grandes exclamações, olha para todo o lado, e abre um grande sorriso:
- Não acredito!
- Gostas da tua nova casa da luz? – Pergunta o cavalo
- Adoro…está maravilhosa…linda…! Quem fez isto?
        Aparecem todos os que pintaram a casa dele, os que fizeram os desenhos e encheram uma casa escura de luz, claridade, cor e brilho. Todos o abraçam e dão as boas vindas.
- Óh…até estou emocionado! Muito obrigado…são maravilhosos!
        Entram umas avós com bolos e um belo jantar.
- Óh, que honra…! Sintam-se na vossa casa…
        Eles juntam mesas que levaram, cadeiras, pratos, talheres, e copos, e festejam a nova versão do rapaz da casa escura. Conversam alegremente, riem muito, dançam, brincam, tiram fotografias, e comem bem.
Desde esse dia, o rapaz de escuro, que vivia na casa escura, encheu-se de bons amigos, que estavam sempre a convidá-lo e a conviver com ele, passou a vestir roupas mais claras, e a ser feliz…sempre com um sorriso iluminado, contagiante, e ajudava sempre os seus amigos, vizinhos, como forma de lhes retribuir a nova decoração. Passou a estar muito tempo fora de casa.
Que grande transformação! Não teve o arco-íris que ele queria…o natural que via no monte, mas ganhou muitos arco-íris na sua vida.
Teve na mesma o arco-íris na sua casa, e o sol pintados nas paredes, que tornavam a casa muito mais luminosa e clara. O rapaz que vestia roupa escura e que vivia numa casa escura, tornou-se um rapaz cheio de cor e de luz, com um sorriso que encantava todas as meninas e senhoras que o viam. Ele tinha um arco-íris gigante dentro de si.
As cores e as luzes fazem-nos muito bem. Dão-nos alegria, leveza, vida, e saúde.
FIM
Lálá
(12/Outubro/2014)
         



sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

AS BOLINHAS

NARRADORA – Era uma vez um dia de Inverno, sem chuva, mas com nuvens muito escuras, numa pequena aldeia muito montanhosa e estava um vento gelado. As crianças da aldeia estavam de fim-de-semana, e os adultos foram trabalhar para o campo. Entretanto, nas nuvens há uma grande agitação. Elas têm uma tradição de antes do Natal, largar umas bolinhas muito especiais em aldeias montanhosas, para alegrar os habitantes, que vivem mais isolados. Os habitantes da montanha não sabem dessa tradição, nem sabem como aparecem, mas ficam muito felizes quando recebem as bolinhas. É uma prenda dos antepassados que aqui já viveram, e que agora são estrelas. A nuvem chefe pergunta…
NUVEM CHEFE – Está tudo pronto, meninas?
TODAS (gritam) – Sim!
PORTEIRO – As portas também estão em condições! Posso abrir?
NUVEM CHEFE – Quando eu disser o três!
NARRADORA – Elas estão ansiosas e felizes para descer.
NUVEM CHEFE – Um…dois…três…largar!
NARRADORA – As nuvens abrem uma porta. Na terra aparece um lindo e enorme arco-íris, atrás deste, aparece outro, outro, outro e mais outro…muitos arco-íris…uns maiores, outros mais pequenos, mas todos lindos, brilhantes, luminosos, com estrelinhas.
CRIANÇA 1 – Olhem…o céu está cheio de riscas.
CRIANÇA 2 – Não são riscas, são meios círculos.
CRIANÇA 3 – São arco-íris.
TODOS – Áhhhh!!!
SRA 1 – Tantos…
TODOS (sorriem) – Que lindos!
SRA 2 – Que grande artista que é a Natureza…maravilhoso! Como é que ela consegue fazer aquilo…
SRA 3 (sorri) – Lindos!
SR – Acho que é melhor irmos para dentro…vai chover!
NARRADORA – Quando começam a entrar nas casas, as nuvens abrem as portas e largam milhões de bolinhas, umas maiores, outras mais pequenas, umas são transparentes, outras cheias de cores…mas todas são de comer, com um sabor irresistível. Umas são moles, outras têm líquidos doces. As bolinhas descem pelos arco-íris, umas transparentes que ganham as cores por onde passam, como se fossem escorregar num escorrega de crianças. Os arco-íris parecem uns colchões de molas, como no circo, paras os trapezistas, porque saltam e caem na relva do chão. Os habitantes não querem acreditar no que estão a ver.
SRA 3 – Mas o que é que está a acontecer?
SRA 2 – Está a cair o céu?
CRIANÇA 1 – As nuvens estão a desfazer?
CRIANÇA 2 – Os arco-íris estão a lançar bolas…
SR 1 – Não são os arco-íris, nem as nuvens, nem nada!
SRA 4 – Alguma coisa é! Isto não é normal.
SRA 1 – Ai, valha-me Deus…é o fim do mundo.
SR 1 – Só se for na tua cabeça!
JOVEM 1 – Eu acho que é granizo!
JOVEM 2 – Granizo? Tão leve? Huummm, não!
MÃE 1 – Isto não é água!
JOVEM 1 – Mas quando aparece o arco-íris na terra, é sinal que vai chover e as nuvens não enganam!
CRIANÇA 1 – Esta é uma chuva de bolas…olha Mãe…
MÃE 2 – Mas que bolas são estas?
MÃE 3 – Que coisa mais estranha! Nunca vi uma coisa destas.
CRIANÇA 2 – Quem manda isto?
SRA 3 – Porque é que isto está a acontecer?
SR 2 – Isto deve ser um castigo da natureza pela poluição.
SR 4 – Esta é aquela chuva que há todos os anos por altura do Natal!
TODOS – Áhhh! Pois é!
JOVEM 2 – Estamos quase no Natal…
SRAS – Sim, é verdade!
SR 3 – As do ano passado não podem ser, porque já as comemos…estas são outras!
SRA 4 – Mas será que estas são de comer?
SR 4 – São!
NARRADORA – Continuam a cair bolas e mais bolas, de todas as cores. Os habitantes apanham-nas alegremente, provam algumas e guardam as outras.
TODOS – Huummm…que boas!
CRIANÇA 1 (feliz) – Tantas cores…
CRIANÇA 2 (sorri) – E sabores!
CRIANÇA 4 – Estas são molinhas…Huummm…que delícia.
CRIANÇA 3 (ri) – São doces! E um bocadinho duras.
SRA 1 – Estas são salgadas.
SRA 2 – Estas são doces, mas têm uma travazinha amarga. São boas.
SR 2 – Estas sabem a morango.
SR 4 – Estas sabem a tuti-fruti.
MÃE 1 – Hum, estas sabem a pipocas!
NARRADORA – Vão a casa e enchem sacos e mais sacos com as misteriosas bolas de comer que caíram das nuvens e dos arco-íris, enviadas pelos antepassados, que observam e sorriem orgulhosos das nuvens.
ANTEPASSADO 1 – Que bom, como é bom vê-los felizes!
TODOS (sorridentes) – É!
ANTEPASSADO 2 (sorridente) – É uma recompensa por se lembrarem de nós, o ano todo, e por cuidarem tão bem do que deixamos.
ANTEPASSADO 3 (sorridente) – Bem merecem! Está tudo fantástico…! As crianças muito educadas e todos são trabalhadores, amigos.
ANTEPASSADO 4 (sorri) – Esta é a verdadeira felicidade…no seu estado mais puro…a felicidade nas pequenas coisas, na simplicidade das ofertas…!
(Na Terra todos olham para o céu)
SR 1 – São os nossos antepassados, de certeza!
SRA 1 – Sim, não tenho dúvidas disso.
SRA 2 (sorridente) – Eu também acho…um presente tão especial, e tão simples, tão bom…vindo das nuvens e do arco-íris…só pode ser de alguém especial.
SRA 4 – Sim, e são mesmo especiais…são as estrelas que olham por nós lá de cima!
TODOS – É! Muito obrigado!
SR 3 (sorri) – Até fico emocionado…!
SR 2 – Esta é a melhor lembrança que lhes podemos dar: a união, a amizade entre nós, o carinho, a família, o cuidado, a atenção, a dedicação e o respeito!
MÃE 1 – Sim, é verdade! A boa semente deles, perdura até hoje.
MÃE 3 (sorri) – E está aqui…por toda a montanha…em cada um de nós!
TODOS (sorriem) – Verdade!
(Todos aplaudem, abraçam-se uns aos outros, sorriem e mandam beijos para o céu. Nas nuvens, os antepassados sorriem felizes e orgulhosos, e retribuem as palmas).

FIM
Lálá
(23/Janeiro/2014)