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quinta-feira, 3 de outubro de 2024

O esquilo bondoso



    Era uma vez um esquilo que não parava um segundo!   Enquanto estava de olhos abertos, tinha sempre o que fazer, parecia ligado à tomada. 

   Corria de um lado para o outro, pedia aos trabalhadores no campo, que lhe emprestassem cestas, baldes, bacias, e desaparecia na floresta. 

    Os trabalhadores emprestavam-lhe, não sabiam para que era, mas achavam engraçada e misteriosa aquela correria toda. 

    Apanhava uma série de bolotas, pinhas, castanhas, folhas de Outono, enchia tudo o que podia, ficava com uma boa quantidade para si, para poder comer no Inverno, no conforto da sua casinha de árvore, e partilhar se precisasse. 

    Armazenava, mas distribuía por quem mais gostava, dizia que não podia perder tempo e tinha muito que fazer. 

    O que iria fazer um esquilo, com aquilo tudo? - perguntavam os trabalhadores 

    O esquilo fazia embrulhos de bolotas nas folhas que caiam das árvores, de várias cores, e oferecia aos outros esquilos, aos porcos que também comiam bolotas. 

    Deixava à porta dos trabalhadores tudo o que lhe emprestavam, com pequenos mimos, embrulhados nas folhas: pinhas que pintava com muitas cores diferentes, as cores do Outono.  

    Outras mais brilhantes, uvas com um tamanho grande, e um sabor delicioso, que eles desconheciam, maçãs grandes, bonitas e doces, castanhas grandes.

    Os trabalhadores ficavam muito surpresos, e numa tarde em que o esquilo passou a correr, perguntaram:

- Ei...obrigado por teres devolvido o nosso material! 

- De nada! Obrigado eu - diz o esquilo a sorrir 

- Onde vais a correr tanto? 

- Podemos ajudar? 

- Fica aqui um bocadinho connosco! 

- Ahhh...está bem! - diz o esquilo, um pouco cansado

- Mas, porque o trouxeste com isto tudo? - pergunta uma senhora 

- Para vos agradecer, e lembrar que é Outono! 

- Mas que coisas tão bonitas! - diz uma senhora 

- E são deliciosas! - diz outro senhor 

- Onde foste buscá-las? - pergunta outras senhora  

- Fui...por aí! O que interessa é que tenham gostado! - responde o esquilo 

- Claro que sim! - respondem todos 

- Mas gostávamos de saber onde é, para irmos apanhar também. - comenta outra senhora 

- Aaaaahhhh... eu trago-vos! 

- Mas que querido! - comenta uma senhora a sorrir 

- Que esquilo tão generoso! - diz uma menina 

- Também dou a quem precisa mais, sim. - confirma o esquilo 

- Então, estás convidado para a nossa festa. 

- Está bem! Obrigado. Quando é? E onde? 

    Os trabalhadores explicam tudo, contam a tradição, e o motivo da festa. O esquilo não fazia ideia, mas adorou ouvir tudo sobre a famosa tradição no Outono. 

    Depois de muita conversa: 

- Muito obrigado. Adorei saber tudo o que me contaram. Cá estarei. Se precisarem de alguma coisa de mim, eu ando sempre por aí.

- E andas sempre a correr? 

- Bem...quase sempre! Não posso perder muito tempo. Tenho muita coisa para fazer. Não sei andar de outra maneira - diz o esquilo 

- Mas também precisas de descansar! 

    Todos riem. 

- Sim, também descanso! Então...até já.

- Até já. - dizem todos 

    Lá vai o esquilo, e a festa começa a ser preparada. Sem que estivessem a contar, no dia da festa, de manhã bem cedo, o esquilo estava no largo, verdejante, a fazer a decoração das mesas, com coisas que tinha feito, parecido com os presentes que ofereceu aos trabalhadores.

    Cheio de energia, feliz, pinhas aqui, pinhas ali, pintadas de diferentes cores, castanhas espalhadas, uvas em cima de folhas de árvores, nozes ao natural, outras pintadas na casca de fora, lindas! Velas em cascas de nozes, e outros objetos decorativos que o esquilo tinha criado. 

    Quando os trabalhadores viram, nem queriam acreditar. 

- Ááhhhhh... que coisa mais linda! - suspiram 

- Obrigado! - diz o esquilo a sorrir 

- Mas não precisavas de ter este trabalho todo! 

- Fiz com todo o gosto, não foi trabalho nenhum. Trabalho têm vocês, a preparar as refeições e petiscos todos! 

- Sim, mas também fazemos com gosto. 

- Acredito! Estou curioso para provar - diz o esquilo

- Já está quase tudo pronto, daqui a bocadinho começamos a trazer. 

- Querem ajuda? 

- Não, obrigado! Já fizeste tanto. 

- Está bem. 

    Os trabalhadores estão maravilhados, e como o esquilo não consegue estar quieto, vai ajudar. Todos riem com a energia dele. 

    Depois de tudo pronto, começa a festa. Vestidos a rigor, muita música, muita animação, muita dança, muitos abraços, cantares, fotografias, petiscos, brincadeiras, jogos, o esquilo come de tudo, adora tudo, até não poder mais, como os trabalhadores. 

    Há momentos de contemplação da Natureza em silêncio, e agradecimento de cada um a tudo o que ela dá, tudo o que ela tem de maravilhoso. 

    Escrevem bilhetinhos, e põem aos pés de uma árvore, abraçam a árvore, acariciam-na, encostam-se a ela, dão as mãos à volta da árvore, de olhos fechados, e dizem em coro, em voz alta: «gratidão, Mãe Natureza por tudo o que nos dás!» 

    Largam as mãos, sorriem, aplaudem, e depois a animação continua noite dentro, com o esquilo sempre divertido, a fazer rir toda a gente, muita gargalhada e brincadeiras, a beber e a brindar com sumos de frutas, deliciosos, dançam, batem palmas, e a festa acaba com a chegada do nascer do sol, apreciado por todos. 

    O esquilo e os habitantes estão muito cansados e com sono, e cada um vai para sua casa. Depois de recuperados, ao fim do dia, comem o que sobrou, e ajudam a arrumar as coisas, com o esquilo todo elétrico. 

    O esquilo passa a ser visto como um amigo, um elemento de uma grande família, que visitava praticamente todos os dias, além da dele, mesmo no Inverno, com neve e frio, bem agasalhado, perguntava a todos se precisavam de alguma coisa. 

    Era muito bem recebido nas casas todas, ofereciam-lhe chá e biscoitos deliciosos. E no Natal voltavam a fazer uma grande festa, com a presença do esquilo, e os seus presentes tão lindos para cada um. 

    Estava sempre presente, e até apresentou a sua família, e amigos, aos trabalhadores, que nunca tinham visto tanto esquilo junto, e tão simpáticos como eram. 

    No Inverno ficava mais recolhido, a preparar presentes, mesmo assim, visitava a família e os amigos humanos. 

    Era um esquilinho mesmo bondoso! 

E vocês? 

Se fizessem uma festa no Outono, quem levariam? 

O que poriam nas mesas? 

Que produtos de Outono conhecem? 

Como seria essa festa? 

Podem deixar nos comentários, se quiserem :) 


                                            FIM 

                                      Lara Rocha 

                                       3/10/2024 

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Os olhos dourados do bebé

 

Foto e boneco de Lara Rocha 

    








Era uma vez um bebé, que vivia numa floresta com os seus pais e família, numa árvore. 

 Quando estava calor, dormiam num monte de relva fofa, macia, aos pés da árvore, e quando estava frio, dormiam dentro da árvore. 

Durante o dia aproveitavam o calor natural do sol, e a sombra, no cimo da árvore. 

Todos se conheciam nessa floresta, e de vez em quando, era visitada por pessoas.

Um dia de Verão, um grupo de crianças foi com adultos visitar a floresta, de dia. 

De repente, viram um lindo bebé a dormir em cima da relva fofa, aos pés da árvore, coberto por uma mantinha. 

  Os pais estavam no cimo da árvore, descansados, porque sabiam que o bebé estava em segurança, e sempre vigilantes. Os vizinhos também davam uma olhadela. 

Os visitantes aproximaram-se, deliciados com a beleza do bebé. 

Quando este abriu os olhos, eram de cor amarelo dourado, de pestanas longas, cabelos que pareciam penas, muito bem tratados e luminosos, brancos com tons azulados. 

Era uma fofura. Os visitantes assustaram-se, e o bebé também. 

Um adulto descansou o bebé, a sorrir: 

- Olá pequenino, não te vamos fazer mal. Que lindo que tu és! 

    O bebé retribui o sorriso. 

- É um animal bebé… 

- Não! Acho que é humano. 

- Os humanos não têm esta cor de olhos, e a cara dele, não parece humana, igual à nossa. 

- Mas é muito bonito! 

- É. 

Os pais desceram, e aproximaram-se, eram uns lindos pássaros de uma espécie rara, com penas enormes, de muitas cores, pareciam pavões, olhos igualmente amarelos dourados que brilhavam. 

Todos ficam espantados, com a beleza deles, surpresos. 

- Áh! Que lindos, estes pássaros. 

- Diz outro adulto. 

- Nunca os tinha visto! 

- Nem eu. 

Cumprimentaram os visitantes, abrindo as gigantescas e longas penas. 

- Olá! 

- Olá. 

- Que pássaros tão bonitos, são de uma espécie rara, não? 

- Sim! 

- Mas temos mais família aqui. - acrescenta o pássaro 

- E são parecidos convosco? - pergunta um adulto 

- São. - respondem os dois 

- Nunca vimos esta espécie por aqui. - diz outro adulto 

- Pois, é normal. Nós não estamos sempre em exposição. 

- Áh, claro. 

- Este bebé...conhecem? - pergunta um adulto 

- Sim, conhecemos! 

- É nosso filho. 

- Filho? - perguntam todos 

- Sim, não sabem o que são filhos? - pergunta a mãe 

- Sabemos, claro, mas...não estávamos à espera de ver assim uma família tão diferente e tão bonita. - diz uma adulta 

- Mas deixam o bebé aqui assim, sozinho? - pergunta outra adulta 

- Ele não está sozinho, temos vizinhos que vão deitando o olho, e nós também estamos ali em cima, sempre vigilantes. - explica a mãe 

- Áh! E conseguem vê-lo dali? 

- Perfeitamente! - diz o pássaro 

- Já sabemos as horas a que ele adormece, a que ele acorda, quando se assusta, tal como vocês, humanas. É que lá em cima está calor para ele. - explica a mãe 

- Claro! - dizem todas 

A mãe pega no bebé e todos ficaram muito surpresos, porque pensavam que era um bebé humano. 

Afinal, era um bebé pássaro, de uma espécie rara, com peninhas pequeninas pelo corpo todo, em tons azulados, com os olhos amarelos dourados, peninhas na cabeça, e umas garrinhas que impunham respeito. 

- Áhhhh! - Exclamam todos 

- É um passarinho bebé? - pergunta uma criança 

- Sim! - dizem todos 

- Pensávamos que era um bebé humano como nós. - diz uma adulta a rir

Os pássaros riem e os visitantes também. 

- Mas ele não tem nada de humano. - diz uma adulta 

- Pois não, agora que vimos, mas enquanto estava deitadinho, todo enroscadinho, a dormir, cobertinho, pensávamos que era um bebé. 

- Óh, tão fofinho! - suspiram todos os humanos, encantados 

- Que lindo! - diz outra humana 

- Ele não tem as penas iguais a vocês, pais! - repara uma criança

- Tu também não és igual aos teus pais, pois não? - pergunta a mãe 

- Dizem que não…! 

- Claro que não. Desculpe a indiscrição (ri) são crianças. - diz outra adulta 

- Ora essa, sabemos bem como são as crianças. Faz parte, e é bom que elas reparem nessas diferenças! O nosso filho pode também não ter as mesmas cores que nós, quando crescer, ou pode ter algumas. Não sabemos, mas pela família...não tem acontecido, os filhos serem muito parecidos ou iguais aos pais. - explica a mãe 

- Com certeza. Nós humanos, também não somos iguais, dentro de casa, ainda mais diferentes, fora. - diz outra adulta 

- Ele ainda vai ganhar cor nas peninhas, estas vão cair, e vão nascer umas coloridas, como as nossas. Quando nascemos, temos estas cores azuladas, mas à medida que vamos crescendo, ganhamos outras. - explica a mãe 

- Áh! Que giro. É como o nosso cabelo quando somos bebés, e crianças, e a cor de olhos, ou os traços da cara. - acrescenta outra adulta 

- Pois. Ele ainda não anda, nem voa. 

- Tem tempo! - diz outra adulta 

- Claro que sim, e nós também, porque a infância é a idade mais bonita e passa tão rápido. - diz a mãe 

- Mesmo! - concordam todas as humanas e humanos

- Bem, não vos vamos incomodar mais! - diz uma humana 

- Não incomodam. - diz a mãe 

- Já estamos habituados a receber visitas. - diz o pássaro pai 

- Voltaremos noutro dia. - diz uma adulta 

- Quando quiserem. - diz a mãe 

- Obrigada, e desculpe. - diz outra adulta 

- Foi um gosto! - diz a mãe 

Cada um faz festinhas ao passarinho pequenino, os seus olhos brilham mais intensamente, e sorri. 

Todos retribuem a doçura com um sorriso e carinhos. 

- Voltaremos. - dizem todos 

E como prometido, passados uns dias, o grupo estava lá outra vez, brincaram com o passarinho, e com os pais, riram muito. 

O passarinho cresceu, e o grupo acompanhou as mudanças das penas, realmente, tão bonitas como as dos pais. 

Estes ganharam um amigo para a vida, foram muitas vezes à floresta, brincar e conversar com o passarinho que cresceu rapidamente, mas adorava correr com as crianças, brincar com elas, mostrar-lhes sítios encantados. 

O pássaro dava abraços carinhosos, com as penas que se foram tornando longas, e tanto as crianças como os adultos adoravam-no. 

Entretanto, chegou o Inverno, o passarinho e a família protegiam-se dentro das casas, nas árvores, no conforto das lareiras. 

Mesmo assim saiam para apanhar sol, brincar na neve com as crianças e os adultos que continuavam a acompanhá-los. 

Os pais dos diferentes pássaros também iam, com os filhotes, brincar com os adultos e as crianças na neve. 

Bebiam chá quente, que os pais faziam, faziam bonecos de neve, riam muito, eram momentos muito divertidos. 

Todos ganharam uma amizade, como uma grande família. Realmente, nem tudo o que vemos primeiro, é a realidade! 

                                        FIM 

                                  Lara Rocha 

                             29/Agosto/2024 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

as palavras desaparecidas



foto de Lara Rocha 














Era uma vez uma via láctea muito lá em cima, que estava cheia de estrelas, cometas, planetas, o sol, a lua e outros corpos celestes. De um dia para o outro, foi invadida por seres estranhos que nunca tinham sido avistados antes por aquelas zonas. 

- Mas o que é isto? - Pergunta uma estrela 

- Terráqueos? - Perguntam todas 

- Não! - Responde outro grupo 

- São família deles...? - Pergunta um planeta 

- Não me parecem. - Repara uma estrela 

- Têm um cheiro muito desagradável. - Comenta outra estrela 

- Mas que espécie rara... - Repara a lua 

- Será que é uma nova invenção daqueles lá de baixo? - Pergunta outra estrela 

- Vírus...? Ou aquelas coisas para nos tirar fotos...? - Pergunta outro cometa 

- É melhor alguém perguntar-lhes... - Sugere o sol 

Todos olham para o sol e faz-se silêncio. 

- Porque é que estão todos a olhar para mim assim? - Pergunta o sol surpreso, todos sorriem - Já percebi...vou ter de ser eu a perguntar não é? Não acredito. Todos querem saber, mas eu é que pergunto. 

Todos riem. 

- Por favor... - Dizem em coro 

- Ai...que coisa...! Está bem. - Responde o sol 

O sol sorri e pergunta: 

- Vocês desculpem...óhhhhh...desculpem...não sei os vossos nomes. - O sol chama-os 

Eles olham: 

- Está a falar connosco? - Pergunta o ser misterioso

- Sim. - Diz o sol - Eu peço desculpa, mas...são novos aqui. De onde vêm? 

- Lá de baixo. Da Terra. - Responde outro ser 

E chegam aos milhares. Encontram-se, e cumprimentam-se. 

- Mas, mas...o que é que está a acontecer? - Pergunta o sol 

- Fugimos! - Respondem todos os seres 

- Como? - Perguntam as estrelas 

- De onde? - Pergunta a Lua 

- Porque é que fugiram para aqui? - Pergunta um cometa 

- Viemos da terra. - Respondem em coro 

- Fugimos daqueles terráqueos! - Diz outro ser 

- Mas, porquê? - Perguntam todos 

- E porque é que fugiram para aqui? - Pergunta a Lua 

- Porque fomos esquecidas lá em baixo. - Justifica um dos seres 

- Mas...são todos parecidos... - Repara uma estrela 

- Sim. 

- E acham que aqui vão ser lembradas? - Pergunta o sol 

- Talvez! - Respondem os seres 

- Por favor...deixe-nos ficar aqui. - Pede outro ser 

E chegam mais outros tantos. 

- Mas vocês não são perigosos para nós? - Pergunta uma estrela com medo 

- Não! - Garantem todas 

- Desculpem...nem nos apresentamos. - Diz outro ser 

- Nós somos as palavras simples e bonitas que as pessoas deixaram de usar...

- Trocaram-nos por umas mais feias.

- São gostos! 

- Nós somos as OBRIGADAS! - Dizem em coro 

- Nós somos as MUITO! - Dizem em coro outras 

- Nós somos as PAZ! - Dizem outras 

- Nós somos os AMORES! - Dizem outras 

- E eles são os nossos filhos...os AMO-TE! - Acrescenta uma das AMORES 

- Nós somos os GOSTO DE TI... - Dizem outras 

- E eles são os ADORO-TE! - Dizem outras 

- Nós somos os SORRISOS! 

- Nós somos os CARINHOS! 

- E elas são os BEIJOS, e eles os ABRAÇOS. 

- Nós somos as PARTILHAS. 

- Nós somos os TEMPOS.

- Nós somos os BRINCADEIRAS. 

- Nós somos os BONDADES. 

- Nós somos os PREOCUPADOS...

- Nós somos as ATENÇÕES. 

- Nós somos as DEDICAÇÕES. 

- Nós somos a SINCERIDADE. 

- Nós somos os RESPEITOS. 

- Nós somos as AMIZADES. 

- Nós somos os VALORES. 

- E fomos trocadas por palavras horríveis como...a guerra, a fome, as armas, a violência, a falta de respeito, o ódio, o sem tempo, é tudo a correr...

- A vingança, a desconfiança, a indiferença, a mentira, a falsidade, a maldade, o egoísmo. 

- Já não agradecem...

- Já não dão valor a nada, muito menos a ninguém...

- E chegarão muitas mais. 

- Que horror! - Dizem todos os corpos celestes 

- Lá em baixo está o caos. - Diz a palavra PAZ 

- Não se pode viver lá. - Lamenta a palavra VALORES 

- Não pode ser... - Suspiram todos tristes 

- Não admira! - Diz o sol 

- Por isso é que também nós sofremos cá em cima. - Diz a Lua 

- Óh...queria tanto voltar lá para baixo! - Lamenta e choraminga a palavra AMOR

- Desculpa, já sabes que só digo a verdade...mas não te querem lá em baixo. Nem se lembram de ti...trocaram-te por outras. Aquelas que já sabes, e que tiveste oportunidade de ver. - Diz a palavra SINCERIDADE

- Mas será que eles não sentem a minha falta? - Pergunta a palavra AMOR? 

- Infelizmente não! - Diz a palavra SINCERIDADE 

- Não percebem que eu sou boa...? E vocês também? - Pergunta a palavra AMOR? 

- Não! - Respondem todas 

- Será que algum dia vão perceber...? - Pensa alto a Lua

- Andam com os gostos estragados. - Comenta uma estrela 

- Eu sempre os achei muito estranhos... - Comenta um cometa 

- Nunca gostei deles! Principalmente da forma como eles trataram a Natureza. - Desabafa o RESPEITO 

- Que não se tratem bem uns aos outros é problema deles, mas maltratar a natureza... eu ficava a ferver com o que via. - Lamenta a DEDICAÇÃO 

- Eu queria acreditar que as coisas vão mudar, e que vamos voltar lá para baixo. - Diz a palavra ESPERANÇA 

- Acho que é melhor não acreditares muito nisso. Não é fácil... - Diz a SINCERIDADE 

- A natureza está farta de enviar sinais, alertas e ralhetes, lembretes, para ver se mudam...mas só mudam para pior. - Diz a palavra PREOCUPAÇÃO 

- Com certeza! - Dizem todas 

- Quando é que tudo vai mudar para melhor...? - Pergunta a palavra PAZ 

- Essa resposta nem o Universo tem. - Responde o sol 

- Porquê? - Perguntam as palavras 

- Porque não é ele que muda as cabeças dos humanos. - Responde o sol 

- Nem nós! - Responde a Lua 

- Pois não. - Dizem todos 

E chegaram mais palavras que se sentiam esquecidas. O sol autorizou a que ficassem lá instaladas, todas as palavras que eram esquecidas. Chegaram mais, e mais...e houve espaço para todas. Formaram uma bela e enorme família. As palavras que os terráqueos esqueceram, e os habitantes da grande via láctea. Enquanto havia paz, amizade e felicidade, na terra as coisas pareciam rodar de pernas para o ar. Os humanos não entendiam a importância e a maravilha que essas palavras transportavam. Algumas crianças e adultos com  mais idade ainda chamaram algumas palavras que estavam esquecidas e fugidas, mas eram muitas mais as que continuavam esquecidas. E o mundo continuava ao contrário, sem as palavras mais bonitas. Às vezes as palavras ainda iam à Terra mostrar-se, para ver se as pessoas se lembravam delas, mas voltavam tristes, desconsoladas, pois ninguém as via. As palavras bem queriam mudar as mentalidades, mas não conseguiam...eram sempre escorraçadas, ignoradas, maltratadas. Elas ficavam radiantes, felizes e brilhantes quando se lembravam delas, mas pouco tempo depois, voltavam a ficar tristes. 

Muitas destas palavras estão realmente esquecidas...são muito pouco, ou mal usadas. É urgente encontrá-las outra vez!  

FIM 
Lara Rocha 
(8/Janeiro/2016)