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quinta-feira, 18 de abril de 2024

A surpresa dos pacotes dourados

 A surpresa dos pacotes dourados 


Foto de Lara Rocha 

    Era uma vez um cesto com uns pacotinhos dourados muito atraentes, brilhantes, que apareceram num descampado, onde pastavam animais. 

    Uma alma solitária passeava durante a noite, sobre um céu de lua cheia, e estrelas cintilantes. Essa pessoa já conhecia a zona de trás para a frente, e da frente para trás, todos os esconderijos, todas as árvores, todos os animais.  

    Mas viu uma coisa nova, nesse passeio noturno, que o deixou muito surpreso. Os animais estavam calmos, por isso não seria ameaçador, ficou muito intrigado com uma cesta que continha pacotinhos de luz dourada. 

    Olhou, voltou a olhar, olhou outra vez, rodeou a cesta, ansioso por lhe tocar, até que um esquilo grita de uma árvore: 

- Não mexas aí. 

    O rapaz estremeceu, olhou para o esquilo: 

- É teu? 

- Não! 

- Então porque não posso mexer? Quero ver o que é, se é perigoso para nós. 

- Não, não é perigoso para nós. 

- Como é que sabes? 

- Porque tem uma luz dourada. 

- E o que é que isso garante que é seguro? 

- É. 

- Quem pôs isto aqui? 

- Não sei. 

- Apareceu aqui do nada...? 

- Sim. Bem, quer dizer...do nada não deve ter sido, mas também não sei quem foi, nem para quê! 

- É tão bonito...até apetece tocar. 

- Mas é melhor não tocarmos.

- Porquê? 

- Porque não é nosso. 

- Pois, aí tens razão! 

    Aparece o dono da cesta: 

- Mexeste aí? 

- Não! Estava só a olhar. Porquê?

- Porque vou ser eu que vou distribuir estes pacotinhos pelas portas. 

- Áh! Que lindos, e o que têm? 

- Têm coisas especiais. 

- São de comer? 

- Alguns. 

- E outros? 

- Outras coisas. 

- De onde vieste? 

- Das estrelas! 

- Das estrelas? (ri) Só se for nos teus sonhos. 

- É verdade. Vim das estrelas, são desejos que me pediram. 

- Desejos? (ri à gargalhada) Coitadinhos, santa inocência…!

- O quê? Nunca tiveste desejos? 

- Sim, mas nunca se realizaram, nem foram distribuir pacotinhos dourados pela porta, com os desejos realizados. 

- Porque não eram possíveis de realizar, ou não pediste com o coração. 

- E quem pediu esses? 

- Muita gente. 

- Esses são realizados? 

- São! Com licença, vou ao meu trabalho. 

    Pega na cesta, e começa a distribuir os pacotinhos dourados pelas casas, e põe-nos na beirada da janela. Uns pacotinhos tinham rebuçados com sabor a fruta, outros tinham um pozinho e quando abrissem sairia um animalzinho. 

    Outro pacote tinha sorrisos, que se espalhariam por todo o lado. Outro muito grande, tinha abraços para todos, cada um ia recebê-los quando alguém abrisse o pacotinho. 

    Noutro pacotinho estava um irmãozinho para uma criança que pediu esse desejo, noutro tinha um passarinho, noutros, um lindo boneco que dava luz, para umas crianças que tinham medo do escuro. 

    Noutro muito grande, havia comida, que chegaria para cada um, e outro seria levado para países onde há fome. Outro pacote muito grande, tinha pontinhos de luz, que eram todos os pedidos de cura, para quem sofria, por parte de adultos e crianças, que pediram esse desejo, seriam espalhados por todos os hospitais e casas que precisavam. 

     Outro pacotinho tinha livros, a pedido de uma criança que adorava ler, mas a família não tinha dinheiro para comprar muitos livros, o que o deixava muito triste. 

     Mas o maior pacote dourado de todos, continha o pedido de Paz para o Mundo, era tão grande, que o dono da cesta teve de saltar em cima dele, para o abrir, fez um grande estrondo. 

    A alma solitária que tinha falado com o dono da cesta, estremeceu, e gritou: 

- Mentiroso! A dizer que os pacotinhos não eram perigosos, e tinham desejos. Tinham era bombas. 

    E vai a correr ver se o encontra. Quando o vê, murmura: 

- Afinal…

    Aproxima-se dele: 

- Então disseste que esses pacotinhos dourados não eram perigosos, e ouvi um estouro...têm bombas? 

    O dono da cesta ri: 

- Para de dizer disparates e olha à tua volta, olha para o que está a acontecer diante dos teus olhos, e ali, aquelas partículas douradas a circular. 

    Abriu, e todo o pó espalhou-se no ar, onde era possível ver as partículas luminosas a seguir o seu caminho por toda a atmosfera, e dirigir-se para esses países. 

- É pó tóxico? 

- Não, claro que não. É um pó muito especial, vais já ver qual é. 

    Todos se assustaram com o estrondo, abriram as janelas e as portas, viram os pacotinhos, viram o dono da cesta, e as partículas douradas pelo céu, quase se confundiam com as estrelas. 

- Este é o vosso maior desejo, comum a todos, e lá vai ele… olhem que bonito! E estão aí os de cada um. - diz o dono da cesta. 

    Todos aplaudem, felizes, maravilhados com aqueles pontos de luz dourada, para a paz no mundo, e para a cura de quem estava em sofrimento, por doenças e outras razões. 

    Cada um abre o seu pacotinho e agradece ao dono da cesta, todos ficam com uma lagriminha de felicidade ao ver que o desejo de paz e de cura para quem sofre, ia a caminho, e seria realizado. Esperavam e acreditavam eles. 

- Desculpa. Tinhas razão! É mesmo especial. 

- Nunca pediste esse desejo? 

- Não, mas daqui para a frente vou pedir. 

- Boa! Vais vê-lo assim! 

- Gratidão! - gritam todos, e aplaudem. Abraçam-se, sorriem, ficam a apreciar as viagens das partículas douradas pelo céu. 


                                            FIM 

                                       Lara Rocha 

                                     18/Abril/2024 

    Vamos pedir também esse desejo? 

Todos e cada um de nós, vamos pedir um pacotinho dourado de Paz para o Mundo, o fim do Sofrimento, e da fome, o fim da Guerra, a cura para quem está doente e a sofrer? 

    Vamos acreditar que veremos esse pozinho dourado a cobrir os céus, juntamente com as estrelas, e que esses nossos desejos vão realizar-se? 

    Que desejos pediriam? 

Incluíam esses desejos de paz, e cura? 

Como imaginam essa cestinha? 

E os pacotinhos dourados? Acreditam ou acreditariam, acreditarão que esses desejos podem ser realizados? 

Porque não experimentamos, pedir com o máximo de pessoas com quem nos damos bem, e nós próprios, todas as próximas noites, pedir um pacotinho de paz e cura para o Mundo? 

Podem deixar nos comentários, se quiserem :) 

                                    


sábado, 18 de abril de 2015

O GONÇALO E A MARIA LUÍSA NO VALE DO SOL

                                                                bonecos de Lara Rocha 

Os dois irmãos: Gonçalo e Maria Luísa, que vivem com os pais numa grande cidade, todos os Sábados, e às vezes às sextas-feiras à noite, vão dormir a casa dos Avós. Os Avós não vivem com eles na cidade, vivem num bairro de um vale que se chama o Vale do Sol. A viagem até lá não é muito longa, e eles adoram ir para lá.
No vale, vivem muitos dos seus primos, e tios, além dos avós. Quando se juntam é sempre uma enorme festa. Os meninos brincam e correm, andam a cavalo, de pónei e de burro, alimentam os animais com carinho, e ajudam os mais velhos na colheita dos alimentos.
E por falar em alimentos…estes meninos só comem aqueles que lhes fazem bem à saúde. Aqueles alimentos que são nossos amigos, dão força aos nossos ossos, e fazem-nos crescer, oferecidos pela terra.
Os produtos que colhem dos belos campos verdes são: brócolos, beringelas, couve-galega, couve-flor, couve-roxa, cenouras, rúculas, ervilhas, espargos, nabos, alho francês, aipo, feijão branco, feijão vermelho, feijão verde, feijão preto, feijão manteiga, salsa, batatas, beterrabas, rabanetes, courgettes, pepinos, pimentos, tomates, azeitonas, alfaces, grelos, espinafres, milho, trigo, centeio, cabaças, cebolas, abóboras.
Não falta: leite de vaca, que usamos para beber, para fazer iogurtes caseiros, manteiga, queijo… ovos de galinha, e às vezes carne. Fazem pão caseiro, no forno a lenha, broa e bolinhas de pão, enchidos que fazemos com carne dos nossos animais, bolas de carne caseira, pão com chouriço.
Frutos secos, como as nozes, castanhas, amêndoas…frutos como: amoras vermelhas, amoras pretas, nêsperas, romãs, maçãs, laranjas, peras, uvas, figos, e melancia.
E também…flores para chá e para alegrar as nossas casas: girassóis, rosas vermelhas, rosas brancas, rosas cor-de-rosa, rosas de todas as cores, malmequeres brancos e amarelos, alfazema, alecrim, e muitas outras…lenha, sementes!
            Graças aos produtos da terra, todos tinham uma saúde maravilhosa, fantástica, óptimas defesas, muito raramente ficavam doentes, mesmo junto de outras pessoas ou meninos que ficavam doentes. Os médicos davam-lhes sempre os parabéns pelo corpo deles funcionar tão bem, e diziam que era da alimentação que faziam.
Um dia, apareceu nesse bairro, uma mãe desesperada, e um menino muito gordinho, com pouca saúde, que tinha vindo do médico por causa de vários problemas de saúde.
Só comia e mexia-se muito pouco, estava a ficar demasiado pesado, a roupa já quase nenhuma lhe servia, e tinha muitas dores de barriga, ficava muitas vezes mal-disposto.
            A mãe procurava dar-lhe comida saudável, como ela comia, mas o menino não gostava de nada, só de coisas com um óptimo sabor, mas que nos fazem mal.
Batatas fritas, panados, rissóis, croquetes, doces, sumos, leite com chocolate, bolachas de chocolate, e muitas outras delicias…só podem ser comidas de vez em quando. Mas este menino, como muitos outros, comia todos os dias.
Detestava sopa, provava e deitava fora, detestava arroz de feijão, detestava legumes e cozidos…vinha muito zangado porque o médico disse-lhe que ele tinha que mudar a sua alimentação, caso contrário, ia continuar a engordar cada vez mais, e a ficar muito doente.
O médico mandou-o fazer dieta: substituiu-lhe os fritos que ele tanto gostava, e todos gostamos: rissóis, croquetes, panados, batatas fritas, doces, por alimentos muito bons, que fazem bem à saúde e são deliciosos.
            Mandou-o comer…sopas, cheias de legumes, saladas, massas, e peixe, água, fruta, algum pão, e por uns tempos não comer fritos. Tudo ficou registado num calendário, e a mãe ouviu atentamente e promete cumprir.
            A mãe aplaudiu e agradeceu ao médico, mas o menino não gostou nada e chorou, muito zangado. Ele não queria ter de deixar de comer todas as coisas boas que tanto gostava, e comer coisas que achava horríveis.
            Os dois foram ao vale do sol, porque sabiam que lá havia produtos da terra muito bons, frescos, e saudáveis. O menino estava muito zangado.
- Boa tarde, peço desculpa…mas aqui tem legumes não tem? – Pergunta a mãe
- Sim! Muitos. – Respondem todos
- E vendem?
- Vendemos!
- Estou à procura de produtos da terra saudáveis para o meu filho que está com muitos problemas de saúde. Só gosta de coisas que fazem mal, e não é capaz de comer alimentos bons, ou sopa. Torce o nariz a tudo, e come que é um exagero. Vai fazer dieta pela saúde dele. O médico cortou-lhe tudo o que é frito…que ele comia aos quilos por semana… rissóis, croquetes, panados, batatas fritas, doces e mandou-o comer legumes, peixe, sopas, saladas, frutas…- Diz a mãe
- Detesto isso tudo. – Grita o menino zangado
- Mas isso faz mesmo mal. – Diz um senhor, tio dos meninos
- Pois claro que faz. – Concorda a mãe
- Veio ao sítio certo! – Diz uma Avó
- Aqui vai ganhar saúde. – Diz outra Avó
- Venha connosco. – Diz outra Avó
            E a mãe segue as senhoras. Os meninos acompanham as Avós, e ajudam a recolher os melhores alimentos para o menino. Ainda lhe dão algumas ideias para pratos, e sopas.
            A mãe ouve atentamente, mas o menino resmunga sempre. Torce o nariz a tudo. Voltam para casa, e a mãe começa logo a preparar uma bela sopa cheia de legumes frescos. O menino insiste que não gosta, mas o cheiro que fica no ar, deixa-o com água na boca, e a fome aperta.
- Eu detesto aquilo…mas…tem um cheiro tão bom…Huummm…será que o sabor também é bom? Óh…que tristeza não poder comer mais aquelas coisas deliciosas. – Murmura o menino.
A mãe faz uma sopa requintada, um creme de legumes, todo passado, espesso, e cheira maravilhosamente bem.
- Anda comer! – Chama a mãe
            O menino lá vai encolhido, quase arrastado, devagar e com ar de nojo. Mas a fome apertava. Ao entrar na cozinha sente um cheirinho delicioso:
- Huummm…que cheirinho é este? – Pergunta ele
- É delicioso, não é? – Sorri a mãe
- É.
- É dos nossos pratos. – Diz a mãe
            Os dois sentam-se à mesa.
- Tem uma cor bonita! Mas eu não gosto! – Diz o menino
- Pois tem! E o sabor ainda é melhor. Só podes dizer que não gostas, quando provares. E olha que há muitos meninos que passam fome, e adorariam comer isto. – Lembra a mãe
- Isso é triste! – Diz o menino
- Pois é! Mas acontece mesmo, por isso deixa-te de esquisitices e come. – Diz a mãe
            O menino está mesmo certo de que não vai gostar. Mas decide provar:
- Eu sei que não vou gostar. Mas vou provar só porque gosto muito de ti, mamã. E só porque há muitos meninos que passam fome.
- Está bem! Eu também gosto muito de ti…e sei que vais adorar.
            O menino mete uma colher, encolhido e de nariz torcido, mas saboreia.
- Huummm….não gosto. – Mete outra colher – não gosto! – Mete outra colher – Acho que…não gosto…gosto…não gosto… afinal… gosto. Óh, não pode ser…eu não posso gostar disto.
- Claro que podes gostar disto, e deves gostar de tudo, comer de tudo. Mas tens de comer primeiro o que te faz bem.
            Ele come a sopa toda, deliciado.
- Hum…está muito…lhec…não! Está muito boa. – Diz o menino a sorrir
- Eu disse que ias gostar! – Diz a mãe a rir
- Tens sempre razão, mamã.
            Chega o pai a casa, e fica muito surpreso ao ver o filho a comer a sopa.
- Pai…olha…estou a comer um creme com montes de legumes.
- Que milagre foi esse? Fazes tu muito bem.
- Teve de ir ao médico, o Dr. Mandou-o comer muitos legumes, muitas sopas, saladas, massa, fruta…e não comer fritos durante uns tempos. – Explica a mãe
- Áh! Muito bem. Apoiadíssimo. – Acrescenta o pai
- Tem a mania que não gosta de nada, olha como comeu. – Repara a mãe
- Só comi porque cheirava bem, e porque foste tu que fizeste, e porque gosto muito de ti, e porque há muitos meninos que têm fome, e porque…eu também tenho fome.
            Os três desatam a rir. A mãe serve o resto da comida, com saladas, legumes, e a conversar alegremente. O menino come tudo. Ao fim de alguns dias, já se sentia melhor, e estava a começar a ficar mais na linha. A mãe fez-lhe sopas todos os dias, pratos de peixe, saladas e massas tal como o Dr. Tinha indicado.
            O menino aprendeu a comer de tudo, mesmo que não gostasse tanto de uns alimentos, como de outros, mas comeu todos, cumpriu tudo, e voltou a ficar elegante, com mais energia, mais saúde, sem nunca deixar de comer.
O importante foi mesmo ele ter deixado de comer fritos todos os dias. Às vezes comia do que gostava mais, mas lembrava-se logo de uns dias depois comer coisas saudáveis.
            As sopinhas da mamã são mesmo boas, e são feitas com tantos legumes que nos fazem tão bem…com tanto carinho, que são mesmo nossas amigas.
Com as sopinhas, o menino não teve mais problemas de saúde. Uns tempos depois, mãe e filho voltaram ao vale do sol para agradecer os legumes. Todos aplaudiram o menino que estava agora muito mais elegante, e saudável.
            Ganharam mais um amigo…e até o convidaram muitas vezes para ir ao vale brincar com eles, e comer coisas deliciosas, mas saudáveis, e ele foi. Todos ficaram orgulhosos.

FIM
Lara Rocha 
(18/Abril/2015)




sábado, 28 de março de 2015

Os coelhos e o chocolate

           

             Era uma vez um coelhinho que vivia numa floresta com a sua enorme família. Um dia, ele e os primos foram à caça aos ovos. Iam tão distraídos no seu caminho que nem reparam que tinham entrado num caminho muito diferente, onde não havia ovos mas cheirava a chocolate.
            Seguiram o cheiro, cheios de vontade de atacar os ovos de chocolate que esperavam encontrar. Mas não encontraram um ovo sequer. O cheiro a chocolate estava cada vez mais forte, e quando levantaram os olhos à sua frente…viram um portão feito de chocolate. Todos pararam.
- Huummm…que cheirinho! – Suspira um coelho já com água na boca
- O cheiro aqui é mais forte. – Diz outro coelho
- Então os ovos estão por aqui, de certeza! – Diz uma coelhinha
            De repente um coelho dá uma cabeçada no portão. Quando olha para a sua frente…
- Um portão de chocolate? – Pergunta um coelho
- O quê? – Perguntam todos
- Dei uma cabeçada aqui… Estão a ver a mesma coisa que eu?
- Sim. – Respondem todos
- Então não foi da cabeçada!
- Não!
- Estou mais descansado. Como é que eu não vi isto?
- Estavas concentrado no cheiro…
- Pois…eu estava à espera de encontrar aqui ovos de chocolate.
- Esperem aí…! – Alerta uma coelhinha
- O que foi? – Perguntam todos preocupados
- Isto não existia aqui pois não? – Pergunta a coelhinha
- Não! – Respondem todos
- Eh…ooooohhhh… Acho que nos enganamos no caminho! Eu não estou a conhecer nada disto.
- Nem eu! – Respondem todos
- Ou então… montaram uma armadilha para nos apanhar.
- Quem?
- Os humanos!
- Será?
- Huummm… - Dizem todos
- Talvez não.
- Uma bruxa?
- Não! - Respondem todos
- Entramos?
- Sim.
- Já que viemos por aqui…
- Vamos ver.
- Eu nunca vi nenhum portão de chocolate.
- Nem eu! – Respondem todos
            E entram, com muito medo.
- Bem – vindos à aldeia de chocolate. – Soa uma voz
            Todos procuram a voz
- Entrem…não tenham medo! – Diz outra voz
            Eles estremecem, e caminham levezinho, de olhos bem abertos, e ouvem gargalhadas. Os coelhos param, e parece que de repente ficam congelados.
- Que gargalhada arrepiante! – Diz uma coelhinha
 - Acho que isto é mesmo uma armadilha… - Comenta outro coelho muito assustado
            Continuam a caminhar devagar e tudo à volta deles é feito de chocolate. As pessoas, as casas, os animais, os transportes, as árvores, as flores, e até o sol, a lua, as estrelas, o mar, os rios, e as montanhas. Eles estavam encantados, e cheirava a chocolate por todos o lado.
De repente, ficou um calor muito abafado e forte, e tudo ia começar a derreter, mas logo a seguir formaram-se muitas nuvens e ficou um frio cortante.
- Óhhh…o que é que está a acontecer? – Pergunta um coelho
- Ainda há poucos minutos estava um calor que quase não se respirava, agora…este frio cortante, e o céu cheio de nuvens…
- As alterações climáticas chegaram aqui ao mundo do chocolate?
- Mas aqui não há poluição.
- Pois não, mas o clima está todo alterado…aqui também pode estar.
- Isto parece-me cada vez mais uma armadilha.
- Será?
- Sim…
- Ai…que medo!
            E uma voz de um coelho grita:
- Saiam daí!
- É a voz do meu pai…
- Sim!
- Será que estamos em perigo?
            Duas vozes chamam por eles, e ralham, agora mesmo atrás deles:
- O que é que estão a fazer no frigorífico?
- Saiam já daí.
- Não vêem que isso está a refrescar?
- Não podem estar sempre a abrir e a fechar…
- Vão brincar para outro lado.
            Os coelhos não estão a perceber nada:
- O quê? – Perguntam todos
- Mas…onde estamos? – Pergunta uma coelhinha
- O que é que vos deu para estarem metidos no frigorífico? – Pergunta uma mãe coelha
Frigorífico? – Perguntam todos assustados
- Sim. – Respondem os adultos
- Nós entramos num portão… muito diferente dos nossos. – Explica um coelhinho
- Foi! – Respondem todos
- Porque nos cheirou muito bem a chocolate! – Acrescenta uma coelhinha
- Pois! – Dizem todos
- Íamos à procura dos ovos de chocolate e acho que nos enganamos no caminho! – Explica outro coelhinho
- Sim! – Respondem todos
- E duas vozes convidaram-nos a entrar no portão de chocolate. – Continua outra coelhinha
- Pois foi. – Dizem todos
- Depois entramos, e tudo era feito de chocolate…
- As casas…
- As pessoas…
- As árvores…
- Até o sol e a lua, as fontes, as montanhas… era tudo de chocolate!
- Sim…! – Dizem todos  
- Depois…começou a derreter…
- E… de repente sentimos muito frio.
- Pensamos que eram as alterações do clima, como na nossa floresta.
- Pensamos que estava sol e calor, e depois, que ficou o céu cheio de nuvens e muito frio.
- Que disparate! – Riem todos os adultos
- Não repararam que entraram no frigorífico onde guardamos tudo para a festa? – Diz uma coelha a rir
- É claro que ia tudo derreter se ficasse cá fora. – Acrescenta outra adulta
- Sentiram frio porque estão no frigorífico. – Explica outra coelhinha
- Então…? – Perguntam os coelhinhos muito surpresos
- Isto não é uma aldeia de chocolate?
-É uma aldeia de bombons de chocolate, que vão ser comidos na festa, mas tem de estar no frigorífico quietinhos…por isso fora daí. – Resmunga outra coelha adulta
- E não voltem a abrir tão cedo a porta do frigorífico. – Recomenda outra coelha adulta
- Seus gulosos! – Dizem todas a rir
- Iam ficar mesmo jeitosos aí no frigorífico com os bombons… - Ri-se um coelho
- Iam ser comidos como os bombons! – Diz outra coelha adulta a rir
            Os coelhinhos ficam tristes, e envergonhados.
- Ai…que vergonha! – Dizem todos
- Mas então…onde estão os ovos? – Pergunta um coelhinho
- Ainda não vimos nenhum. – Acrescenta outro
- Ainda não estão por aí… - Responde outra coelha adulta
- Quando vão estar? – Pergunta outro coelhinho
- Um dia destes. Não falta muito. – Responde um coelho adulto
- É que cheirava mesmo bem a chocolate… - Conclui mais outro pequeno
- Agora vão brincar para outro lado.
          E vão. Uns dias depois, chegam os tão desejados ovos de chocolate, que se encontram por toda a floresta. Os coelhinhos comem-nos até não poder mais, e muito felizes. Comem tantos, e ficam tão felizes que parecem ligados às tomadas…não param de saltar, rir, rebolar, brincar, correr e inventar outras brincadeiras.
    Os bombons que eles pensavam que era uma nova floresta, feita de chocolate, desapareceram num instante. Mas depois de tanto chocolate…todos ficam mal-dispostos, muito mais pesados, muito cansados e doentes. Passam vários dias a comer comida de dieta, sopas brancas, e chás, até ficarem outra vez bem.
       O chocolate dá energia e alegria, mas quando exageramos a comê-lo, depois de tanta energia que ele nos dá, ficamos cansados!
        Esta é a única altura do ano em que estes coelhinhos comem chocolate. E nós também podemos comer, mas nada de exageros…não devemos comer chocolate até ficarmos doentes. Só uns bocadinhos de cada vez.

E vocês? Gostam de chocolate? Comem muito chocolate?
Comam com juízo!

FIM
Lálá
(28/Março/2015)