Número total de visualizações de páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta alimentação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta alimentação. Mostrar todas as mensagens

domingo, 12 de janeiro de 2020

O coelho e a pressa

           

                                                                  foto tirada por Lara Rocha 

           Era uma vez um coelho muito trabalhador. Estava tão cansado da noite anterior, que se deitou cedo e dormiu até de manhã. O seu despertador tocou, mas o pobre coelho estava a dormir tão bem, e a sonhar uma coisa tão boa que não ouviu, e deixou-se estar no quentinho da cama. 
           Quando o sonho acabou, o coelho despertou, e saltou da cama, dando um grito, nervoso: 
- Óh! Mas como é possível...já é tão tarde, e eu aqui! Como é que eu pude dormir tanto...
           Foi à casa de banho, refrescou-se, penteou-se, vestiu-se e calçou-se. Passou na cozinha, pegou na sua garrafa de vidro, com sumo de cenoura que já deixa preparado na noite anterior, bateu a porta e saiu a correr, sem a chave. 
           Pelo caminho, bebeu o sumo e quando chegou ao trabalho: 
- As minhas chaves de casa? Eu fechei a porta de casa? Não me lembro! Ai, como eu estou! 
           Trabalha, mas sempre preocupado com essa dúvida: se tinha fechado a porta, e onde estavam as chaves da sua casa. A sua sorte, e ele ainda não sabia, foi que uma coruja, sua vizinha que vivia na grande árvore, acordou com a correria dele, e percebeu que se passava alguma coisa. 
- O coelho hoje está muito nervoso! Nem fechou a porta da casa! Saiu a correr, não disse Bom Dia...não tomou o pequeno almoço em casa...o que terá acontecido? Ele não devia deixar a porta batida. E as chaves estão ali. O que vale é que eu estou sempre aqui, e vou tomando conta. Mas vocês, não façam isso! É sempre bom verificar se deixam a vossa casa em segurança. 
            A coruja ficou de olhos fechados, mas ouvidos bem abertos. Quando o coelho chegou do seu trabalho, a andar devagar, quase de gatas, orelhas baixas e língua de fora, os olhos quase fechados, sentou-se no chão. 
- As minhas chaves? Como...vou...entrar em...casa? 
            E lentamente, procurou as chaves. 
- Óh...onde as pus...
            A coruja apercebe-se do canssaço dele. 
- Olá coelho! Olha como tu estás! 
- Ai..- geme o coelho 
- O que foi? - pergunta a coruja 
- Estou tão cansado! - responde o coelho 
- Já percebi. Hoje saíste a correr, bateste a porta, e não levaste as chaves, pois não? 
- Não! Estou à procura delas. 
- Eu percebi que não as levaste. Só bateste a porta! - diz a coruja. 
- Viste-me sair? 
- Vi. Porque é que ias a correr tanto? 
- Porque estava muito atrasado! Não ouvi o despertador a tocar, estava a sonhar uma coisa tão boa, e tão cansado da noite anterior, que não consegui acordar. 
- Pois foi! Mas fica descansado. A tua casa ficou em segurança. Mas é melhor descansares, e para a próxima vais mais devagar! Assim não te esqueces das chaves! Nem de fechar a porta. 
- Fiquei o dia todo preocupado se tinha fechado a porta, e onde estavam as minhas chaves! Ai...estou tão cansado! 
- Já deu para ver. 
- Obrigada, coruja, por tomares conta da minha casa, enquanto estou fora! 
- De nada! É essa a minha função. A tua casa abre sem chave...a porta só está batida. 
            O coelho respira de alívio, roda o trinco, entra e cai no chão. 
- Descansa e alimenta-te! - recomenda a coruja
- Está bem! Até já...- responde o coelho
            O coelho come um belo prato de troços de couve, uma rica sopa de erva, e deita-se. 
Ele costuma rezar e agradecer o seu dia, a saúde, a casa, e o trabalho, os alimentos e o seu corpo. Além de agradecer, desta vez, pediu força e um bom descanso, para não voltar a esquecer-se das chaves. 
            Adormeceu com a esperança de dormir descansado, e na manhã seguinte acordou com uma nova energia, cheio de alegria. Não precisou de tomar o pequeno-almoço pelo caminho, nem ir a correr. Disse bom dia à coruja, fechou a porta da sua casa à chave, e não se esqueceu dela! 
            Lá foi ele a cantarolar até ao trabalho. 

                                                                       FIM 
                                                                       Lálá 
                                                                12/Janeiro/2020 

Nota: para todos os interessados em explorar a interpretação desta história com as crianças, convido-vos a solicitar a respetiva, com questões, à autora, que enviará por e-mail. 
(Lara Rocha) 
lala.rochapsiact@gmail.com    

sábado, 18 de abril de 2015

O GONÇALO E A MARIA LUÍSA NO VALE DO SOL

                                                                bonecos de Lara Rocha 

Os dois irmãos: Gonçalo e Maria Luísa, que vivem com os pais numa grande cidade, todos os Sábados, e às vezes às sextas-feiras à noite, vão dormir a casa dos Avós. Os Avós não vivem com eles na cidade, vivem num bairro de um vale que se chama o Vale do Sol. A viagem até lá não é muito longa, e eles adoram ir para lá.
No vale, vivem muitos dos seus primos, e tios, além dos avós. Quando se juntam é sempre uma enorme festa. Os meninos brincam e correm, andam a cavalo, de pónei e de burro, alimentam os animais com carinho, e ajudam os mais velhos na colheita dos alimentos.
E por falar em alimentos…estes meninos só comem aqueles que lhes fazem bem à saúde. Aqueles alimentos que são nossos amigos, dão força aos nossos ossos, e fazem-nos crescer, oferecidos pela terra.
Os produtos que colhem dos belos campos verdes são: brócolos, beringelas, couve-galega, couve-flor, couve-roxa, cenouras, rúculas, ervilhas, espargos, nabos, alho francês, aipo, feijão branco, feijão vermelho, feijão verde, feijão preto, feijão manteiga, salsa, batatas, beterrabas, rabanetes, courgettes, pepinos, pimentos, tomates, azeitonas, alfaces, grelos, espinafres, milho, trigo, centeio, cabaças, cebolas, abóboras.
Não falta: leite de vaca, que usamos para beber, para fazer iogurtes caseiros, manteiga, queijo… ovos de galinha, e às vezes carne. Fazem pão caseiro, no forno a lenha, broa e bolinhas de pão, enchidos que fazemos com carne dos nossos animais, bolas de carne caseira, pão com chouriço.
Frutos secos, como as nozes, castanhas, amêndoas…frutos como: amoras vermelhas, amoras pretas, nêsperas, romãs, maçãs, laranjas, peras, uvas, figos, e melancia.
E também…flores para chá e para alegrar as nossas casas: girassóis, rosas vermelhas, rosas brancas, rosas cor-de-rosa, rosas de todas as cores, malmequeres brancos e amarelos, alfazema, alecrim, e muitas outras…lenha, sementes!
            Graças aos produtos da terra, todos tinham uma saúde maravilhosa, fantástica, óptimas defesas, muito raramente ficavam doentes, mesmo junto de outras pessoas ou meninos que ficavam doentes. Os médicos davam-lhes sempre os parabéns pelo corpo deles funcionar tão bem, e diziam que era da alimentação que faziam.
Um dia, apareceu nesse bairro, uma mãe desesperada, e um menino muito gordinho, com pouca saúde, que tinha vindo do médico por causa de vários problemas de saúde.
Só comia e mexia-se muito pouco, estava a ficar demasiado pesado, a roupa já quase nenhuma lhe servia, e tinha muitas dores de barriga, ficava muitas vezes mal-disposto.
            A mãe procurava dar-lhe comida saudável, como ela comia, mas o menino não gostava de nada, só de coisas com um óptimo sabor, mas que nos fazem mal.
Batatas fritas, panados, rissóis, croquetes, doces, sumos, leite com chocolate, bolachas de chocolate, e muitas outras delicias…só podem ser comidas de vez em quando. Mas este menino, como muitos outros, comia todos os dias.
Detestava sopa, provava e deitava fora, detestava arroz de feijão, detestava legumes e cozidos…vinha muito zangado porque o médico disse-lhe que ele tinha que mudar a sua alimentação, caso contrário, ia continuar a engordar cada vez mais, e a ficar muito doente.
O médico mandou-o fazer dieta: substituiu-lhe os fritos que ele tanto gostava, e todos gostamos: rissóis, croquetes, panados, batatas fritas, doces, por alimentos muito bons, que fazem bem à saúde e são deliciosos.
            Mandou-o comer…sopas, cheias de legumes, saladas, massas, e peixe, água, fruta, algum pão, e por uns tempos não comer fritos. Tudo ficou registado num calendário, e a mãe ouviu atentamente e promete cumprir.
            A mãe aplaudiu e agradeceu ao médico, mas o menino não gostou nada e chorou, muito zangado. Ele não queria ter de deixar de comer todas as coisas boas que tanto gostava, e comer coisas que achava horríveis.
            Os dois foram ao vale do sol, porque sabiam que lá havia produtos da terra muito bons, frescos, e saudáveis. O menino estava muito zangado.
- Boa tarde, peço desculpa…mas aqui tem legumes não tem? – Pergunta a mãe
- Sim! Muitos. – Respondem todos
- E vendem?
- Vendemos!
- Estou à procura de produtos da terra saudáveis para o meu filho que está com muitos problemas de saúde. Só gosta de coisas que fazem mal, e não é capaz de comer alimentos bons, ou sopa. Torce o nariz a tudo, e come que é um exagero. Vai fazer dieta pela saúde dele. O médico cortou-lhe tudo o que é frito…que ele comia aos quilos por semana… rissóis, croquetes, panados, batatas fritas, doces e mandou-o comer legumes, peixe, sopas, saladas, frutas…- Diz a mãe
- Detesto isso tudo. – Grita o menino zangado
- Mas isso faz mesmo mal. – Diz um senhor, tio dos meninos
- Pois claro que faz. – Concorda a mãe
- Veio ao sítio certo! – Diz uma Avó
- Aqui vai ganhar saúde. – Diz outra Avó
- Venha connosco. – Diz outra Avó
            E a mãe segue as senhoras. Os meninos acompanham as Avós, e ajudam a recolher os melhores alimentos para o menino. Ainda lhe dão algumas ideias para pratos, e sopas.
            A mãe ouve atentamente, mas o menino resmunga sempre. Torce o nariz a tudo. Voltam para casa, e a mãe começa logo a preparar uma bela sopa cheia de legumes frescos. O menino insiste que não gosta, mas o cheiro que fica no ar, deixa-o com água na boca, e a fome aperta.
- Eu detesto aquilo…mas…tem um cheiro tão bom…Huummm…será que o sabor também é bom? Óh…que tristeza não poder comer mais aquelas coisas deliciosas. – Murmura o menino.
A mãe faz uma sopa requintada, um creme de legumes, todo passado, espesso, e cheira maravilhosamente bem.
- Anda comer! – Chama a mãe
            O menino lá vai encolhido, quase arrastado, devagar e com ar de nojo. Mas a fome apertava. Ao entrar na cozinha sente um cheirinho delicioso:
- Huummm…que cheirinho é este? – Pergunta ele
- É delicioso, não é? – Sorri a mãe
- É.
- É dos nossos pratos. – Diz a mãe
            Os dois sentam-se à mesa.
- Tem uma cor bonita! Mas eu não gosto! – Diz o menino
- Pois tem! E o sabor ainda é melhor. Só podes dizer que não gostas, quando provares. E olha que há muitos meninos que passam fome, e adorariam comer isto. – Lembra a mãe
- Isso é triste! – Diz o menino
- Pois é! Mas acontece mesmo, por isso deixa-te de esquisitices e come. – Diz a mãe
            O menino está mesmo certo de que não vai gostar. Mas decide provar:
- Eu sei que não vou gostar. Mas vou provar só porque gosto muito de ti, mamã. E só porque há muitos meninos que passam fome.
- Está bem! Eu também gosto muito de ti…e sei que vais adorar.
            O menino mete uma colher, encolhido e de nariz torcido, mas saboreia.
- Huummm….não gosto. – Mete outra colher – não gosto! – Mete outra colher – Acho que…não gosto…gosto…não gosto… afinal… gosto. Óh, não pode ser…eu não posso gostar disto.
- Claro que podes gostar disto, e deves gostar de tudo, comer de tudo. Mas tens de comer primeiro o que te faz bem.
            Ele come a sopa toda, deliciado.
- Hum…está muito…lhec…não! Está muito boa. – Diz o menino a sorrir
- Eu disse que ias gostar! – Diz a mãe a rir
- Tens sempre razão, mamã.
            Chega o pai a casa, e fica muito surpreso ao ver o filho a comer a sopa.
- Pai…olha…estou a comer um creme com montes de legumes.
- Que milagre foi esse? Fazes tu muito bem.
- Teve de ir ao médico, o Dr. Mandou-o comer muitos legumes, muitas sopas, saladas, massa, fruta…e não comer fritos durante uns tempos. – Explica a mãe
- Áh! Muito bem. Apoiadíssimo. – Acrescenta o pai
- Tem a mania que não gosta de nada, olha como comeu. – Repara a mãe
- Só comi porque cheirava bem, e porque foste tu que fizeste, e porque gosto muito de ti, e porque há muitos meninos que têm fome, e porque…eu também tenho fome.
            Os três desatam a rir. A mãe serve o resto da comida, com saladas, legumes, e a conversar alegremente. O menino come tudo. Ao fim de alguns dias, já se sentia melhor, e estava a começar a ficar mais na linha. A mãe fez-lhe sopas todos os dias, pratos de peixe, saladas e massas tal como o Dr. Tinha indicado.
            O menino aprendeu a comer de tudo, mesmo que não gostasse tanto de uns alimentos, como de outros, mas comeu todos, cumpriu tudo, e voltou a ficar elegante, com mais energia, mais saúde, sem nunca deixar de comer.
O importante foi mesmo ele ter deixado de comer fritos todos os dias. Às vezes comia do que gostava mais, mas lembrava-se logo de uns dias depois comer coisas saudáveis.
            As sopinhas da mamã são mesmo boas, e são feitas com tantos legumes que nos fazem tão bem…com tanto carinho, que são mesmo nossas amigas.
Com as sopinhas, o menino não teve mais problemas de saúde. Uns tempos depois, mãe e filho voltaram ao vale do sol para agradecer os legumes. Todos aplaudiram o menino que estava agora muito mais elegante, e saudável.
            Ganharam mais um amigo…e até o convidaram muitas vezes para ir ao vale brincar com eles, e comer coisas deliciosas, mas saudáveis, e ele foi. Todos ficaram orgulhosos.

FIM
Lara Rocha 
(18/Abril/2015)




sábado, 28 de março de 2015

Os coelhos e o chocolate

           

             Era uma vez um coelhinho que vivia numa floresta com a sua enorme família. Um dia, ele e os primos foram à caça aos ovos. Iam tão distraídos no seu caminho que nem reparam que tinham entrado num caminho muito diferente, onde não havia ovos mas cheirava a chocolate.
            Seguiram o cheiro, cheios de vontade de atacar os ovos de chocolate que esperavam encontrar. Mas não encontraram um ovo sequer. O cheiro a chocolate estava cada vez mais forte, e quando levantaram os olhos à sua frente…viram um portão feito de chocolate. Todos pararam.
- Huummm…que cheirinho! – Suspira um coelho já com água na boca
- O cheiro aqui é mais forte. – Diz outro coelho
- Então os ovos estão por aqui, de certeza! – Diz uma coelhinha
            De repente um coelho dá uma cabeçada no portão. Quando olha para a sua frente…
- Um portão de chocolate? – Pergunta um coelho
- O quê? – Perguntam todos
- Dei uma cabeçada aqui… Estão a ver a mesma coisa que eu?
- Sim. – Respondem todos
- Então não foi da cabeçada!
- Não!
- Estou mais descansado. Como é que eu não vi isto?
- Estavas concentrado no cheiro…
- Pois…eu estava à espera de encontrar aqui ovos de chocolate.
- Esperem aí…! – Alerta uma coelhinha
- O que foi? – Perguntam todos preocupados
- Isto não existia aqui pois não? – Pergunta a coelhinha
- Não! – Respondem todos
- Eh…ooooohhhh… Acho que nos enganamos no caminho! Eu não estou a conhecer nada disto.
- Nem eu! – Respondem todos
- Ou então… montaram uma armadilha para nos apanhar.
- Quem?
- Os humanos!
- Será?
- Huummm… - Dizem todos
- Talvez não.
- Uma bruxa?
- Não! - Respondem todos
- Entramos?
- Sim.
- Já que viemos por aqui…
- Vamos ver.
- Eu nunca vi nenhum portão de chocolate.
- Nem eu! – Respondem todos
            E entram, com muito medo.
- Bem – vindos à aldeia de chocolate. – Soa uma voz
            Todos procuram a voz
- Entrem…não tenham medo! – Diz outra voz
            Eles estremecem, e caminham levezinho, de olhos bem abertos, e ouvem gargalhadas. Os coelhos param, e parece que de repente ficam congelados.
- Que gargalhada arrepiante! – Diz uma coelhinha
 - Acho que isto é mesmo uma armadilha… - Comenta outro coelho muito assustado
            Continuam a caminhar devagar e tudo à volta deles é feito de chocolate. As pessoas, as casas, os animais, os transportes, as árvores, as flores, e até o sol, a lua, as estrelas, o mar, os rios, e as montanhas. Eles estavam encantados, e cheirava a chocolate por todos o lado.
De repente, ficou um calor muito abafado e forte, e tudo ia começar a derreter, mas logo a seguir formaram-se muitas nuvens e ficou um frio cortante.
- Óhhh…o que é que está a acontecer? – Pergunta um coelho
- Ainda há poucos minutos estava um calor que quase não se respirava, agora…este frio cortante, e o céu cheio de nuvens…
- As alterações climáticas chegaram aqui ao mundo do chocolate?
- Mas aqui não há poluição.
- Pois não, mas o clima está todo alterado…aqui também pode estar.
- Isto parece-me cada vez mais uma armadilha.
- Será?
- Sim…
- Ai…que medo!
            E uma voz de um coelho grita:
- Saiam daí!
- É a voz do meu pai…
- Sim!
- Será que estamos em perigo?
            Duas vozes chamam por eles, e ralham, agora mesmo atrás deles:
- O que é que estão a fazer no frigorífico?
- Saiam já daí.
- Não vêem que isso está a refrescar?
- Não podem estar sempre a abrir e a fechar…
- Vão brincar para outro lado.
            Os coelhos não estão a perceber nada:
- O quê? – Perguntam todos
- Mas…onde estamos? – Pergunta uma coelhinha
- O que é que vos deu para estarem metidos no frigorífico? – Pergunta uma mãe coelha
Frigorífico? – Perguntam todos assustados
- Sim. – Respondem os adultos
- Nós entramos num portão… muito diferente dos nossos. – Explica um coelhinho
- Foi! – Respondem todos
- Porque nos cheirou muito bem a chocolate! – Acrescenta uma coelhinha
- Pois! – Dizem todos
- Íamos à procura dos ovos de chocolate e acho que nos enganamos no caminho! – Explica outro coelhinho
- Sim! – Respondem todos
- E duas vozes convidaram-nos a entrar no portão de chocolate. – Continua outra coelhinha
- Pois foi. – Dizem todos
- Depois entramos, e tudo era feito de chocolate…
- As casas…
- As pessoas…
- As árvores…
- Até o sol e a lua, as fontes, as montanhas… era tudo de chocolate!
- Sim…! – Dizem todos  
- Depois…começou a derreter…
- E… de repente sentimos muito frio.
- Pensamos que eram as alterações do clima, como na nossa floresta.
- Pensamos que estava sol e calor, e depois, que ficou o céu cheio de nuvens e muito frio.
- Que disparate! – Riem todos os adultos
- Não repararam que entraram no frigorífico onde guardamos tudo para a festa? – Diz uma coelha a rir
- É claro que ia tudo derreter se ficasse cá fora. – Acrescenta outra adulta
- Sentiram frio porque estão no frigorífico. – Explica outra coelhinha
- Então…? – Perguntam os coelhinhos muito surpresos
- Isto não é uma aldeia de chocolate?
-É uma aldeia de bombons de chocolate, que vão ser comidos na festa, mas tem de estar no frigorífico quietinhos…por isso fora daí. – Resmunga outra coelha adulta
- E não voltem a abrir tão cedo a porta do frigorífico. – Recomenda outra coelha adulta
- Seus gulosos! – Dizem todas a rir
- Iam ficar mesmo jeitosos aí no frigorífico com os bombons… - Ri-se um coelho
- Iam ser comidos como os bombons! – Diz outra coelha adulta a rir
            Os coelhinhos ficam tristes, e envergonhados.
- Ai…que vergonha! – Dizem todos
- Mas então…onde estão os ovos? – Pergunta um coelhinho
- Ainda não vimos nenhum. – Acrescenta outro
- Ainda não estão por aí… - Responde outra coelha adulta
- Quando vão estar? – Pergunta outro coelhinho
- Um dia destes. Não falta muito. – Responde um coelho adulto
- É que cheirava mesmo bem a chocolate… - Conclui mais outro pequeno
- Agora vão brincar para outro lado.
          E vão. Uns dias depois, chegam os tão desejados ovos de chocolate, que se encontram por toda a floresta. Os coelhinhos comem-nos até não poder mais, e muito felizes. Comem tantos, e ficam tão felizes que parecem ligados às tomadas…não param de saltar, rir, rebolar, brincar, correr e inventar outras brincadeiras.
    Os bombons que eles pensavam que era uma nova floresta, feita de chocolate, desapareceram num instante. Mas depois de tanto chocolate…todos ficam mal-dispostos, muito mais pesados, muito cansados e doentes. Passam vários dias a comer comida de dieta, sopas brancas, e chás, até ficarem outra vez bem.
       O chocolate dá energia e alegria, mas quando exageramos a comê-lo, depois de tanta energia que ele nos dá, ficamos cansados!
        Esta é a única altura do ano em que estes coelhinhos comem chocolate. E nós também podemos comer, mas nada de exageros…não devemos comer chocolate até ficarmos doentes. Só uns bocadinhos de cada vez.

E vocês? Gostam de chocolate? Comem muito chocolate?
Comam com juízo!

FIM
Lálá
(28/Março/2015)