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domingo, 13 de dezembro de 2015

Os duendes da mamã

O Pai Natal trabalha todo o ano, mas o mês de Dezembro, é o mais exigente! O que vale é que ele tem muitos duendes a trabalhar consigo, e são uma grande ajuda. Uns ficam na fábrica a construir brinquedos, outros vão fazer a ronda pelas casas dos meninos, que pedem tudo!
Mas como ele não pode dar tudo, pede aos seus duendes que vejam o que é que os meninos precisam mesmo, o que é mais urgente para eles, ou mais útil, no meio de longas cartas. Para isso, visitam as casas dos meninos sem que sejam vistos, e anotam tudo, vêem tudo e comunicam ao Pai Natal.
Às vezes o Pai Natal é tão generoso que oferece presentes extra, mais um ou dois do que as crianças ou os adultos pedem…quando não pedem nada, o Pai Natal dá a seu gosto…alguma coisa que lhes seja preciso.
Numa dessas casas, os quatro duendes que registavam os pedidos, apanharam um enorme susto quando espreitam pela janela e conversam uns com os outros.
- Ei! – Dizem os 4
- O que é isto?
- Não sei! – Respondem todos
- Vínhamos à procura de um quarto, certo?
- Certíssimo. – Respondem todos
- Pessoal, acho que nos enganamos no sítio!
- Ora confirma aí, Fred…
                O duende confirma na agenda e no GPS, e todos procuram o nome da rua, o número da porta.
- É aqui.
- Confirma-se.
- Está tudo correcto!
- Então, se calhar o quarto é para outro lado.
- Será?
- Porquê?
- Isto não é um quarto!
- Parece mais…
- Um armazém…
- Uma feira…
- Uma dispensa…
- Um sótão…
- Uma garagem…
                Dão a volta à casa toda
- Acho que é mesmo aqui.
- Até custa a acreditar.
- Como é possível?
- Ele consegue entrar aqui?
- Não sei como.
- EU não conseguia.
- Nem eu!
- Brinquedos todos a monte.
- Espalhados.
- Brinquedos destruídos, com estilhaços por todo o lado.
- Tudo fora do sítio…
- E ainda pede mais brinquedos!
- Ele precisa é de armários e gavetas… muitas…para isto tudo.
                De repente a mãe do menino entra no quarto dele, e quase rebenta de tão vermelha que fica, tão irritada.
- Ááááááááhhhhhh…não posso acreditar! Ainda não arrumou um único brinquedo. Que pocilga! Como é possível? Ai…que nervos. Apetece-me pegar nesta porcaria toda e deitar tudo ao lixo…ainda se estivessem bem tratados podia dá-los, mas a maior parte deles está em pedaços. Quantas vezes já o mandei arrumar esta porcaria? Que raiva! Vou ter de o pôr de castigo.
                Os duendes entram no quarto.
- Com licença, Mãe.
- Mais bonecos? – Pergunta a mãe muito irritada
- Calma. Nós somos ajudantes do Pai Natal. Somos duendes e estamos aqui para a ajudar.
- Duendes?
- Sim. – Respondem todos
                Eles fazem uma vénia ao mesmo tempo. Ela sorri.
- E como é que me podem ajudar?
- Percebemos que está desesperada! – Diz um duende
- E não é para menos. – Acrescenta outro duende
- Pois não! Já viram este quarto? Parece uma pocilga. Em vez de o arrumar como já o mandei milhares de vezes… diz que arruma, venho aqui e está tudo na mesma. Ainda me pede mais brinquedos…ele não tem noção. É claro que não vai ter brinquedos, a não ser que outros lhos dêem…mas tinha de arrumar esta porcaria! A minha vontade é pegar nisto tudo e deitar ao lixo, ou os melhores dar a outras crianças…mas até tenho nojo. Acho que essas crianças merecem melhor. – Explica a mãe
- O seu filho precisa de armários e gavetas para arrumar isto tudo! – Diz outro duende
- Armários…e…gavetas? (a mãe fica pensativa) Huummm…não tinha pensado nessa. Mas acho que é uma óptima ideia! Mas será que mesmo assim ele vai arrumar?
- Sim! – Dizem todos
- Serão armários muito bonitos. Deixe connosco, não se preocupe.
- Bem…muito obrigada.
                Os duendes regressam e contam ao Pai Natal. O Pai Natal põe logo mãos à obra e constrói uns lindos armários e gavetas. Na noite de prendas, os duendes levam tudo e ainda arrumam o quarto. A mãe vai espreitar para ver se tinham mesmo trazido os armários e as gavetas. Que grande surpresa…
- Áhhhh… e trouxeram mesmo? Que lindo que ficou. Quem arrumou?
- Nós! – Dizem os duendes
- Agora sim…está um quarto maravilhoso. Óhhhh…Pai Natal…muito obrigada.
                Trocam aplausos, e sorrisos. O menino nem quer acreditar no quarto que está a ver, mas gostou tanto de o ver arrumado que aprendeu a ser arrumado. Combinou com a mãe que depois de usar os brinquedos, os arrumaria. E assim fez. A mãe ficou muito orgulhosa, e o quarto nunca mais ficou desarrumado como estava quando os duendes o viram.
E vocês? Arrumam o vosso quarto? Arrumam sempre depois de brincarem? Tratam bem os vossos brinquedos? É muito importante termos o nosso quarto arrumadinho, tudo nos sítios.
FIM
Lálá
(10/Dezembro/2015)


sábado, 25 de julho de 2015

O baloiço



Era uma vez uma menina pequenina que quis andar de baloiço na casa dos seus avós, onde ficava todos os dias enquanto os seus pais iam trabalhar. 
Ela pediu à Avó para pôr o baloiço, mas a Avó disse-lhe que estava muito ocupada e não podia interromper o que estava a fazer, por isso, que fosse pedir ao Avô. 
A menina foi pedir ao Avô, mas este disse-lhe para pedir à Avó, porque também estava muito ocupado na sua oficina de concertos de carros.
- Mas Avô…já pedi à Avó e ela disse que estava muito ocupada, não podia, e para pedir a ti. Agora peço a ti e tu dizes para pedir à Avó…estão os dois muito ocupados. E eu? – Resmunga a menina triste
- Filha, vai brincar com outra coisa…mais tarde, eu ponho-te o baloiço, estamos combinados? – Negoceia o Avô
- Mas que chatice! Vocês adultos às vezes são horríveis. Põe o trabalho à frente dos filhos e dos netos. Que seca! – Resmunga e vira costas
Vai para o jardim amuada, e senta-se no banco de ferro em forma de nuvem, pintado de azul-bebé. Aparece um duende pequeno, muito traquinas, a voar muito apressado sobre as árvores de mochila às costas e óculos de sol.
- Ei…onde vais com tanta pressa? Até tu estás com pressa…? De quê? – Pergunta a menina
O duende para e olha para ela.
- Estás a falar comigo?
- Sim! Porque estás a voar tão depressa?
- Estou no meu trabalho.
- Até tu, tens trabalho? Só trabalho...só trabalho.
- Estás zangada?
- Estou.
- Posso saber porquê?
- Pedi aos meus avós para pôr o baloiço, e não podem. Pedi à minha Avó, ela disse para pedir ao meu Avô porque estava muito ocupada. Pedi ao meu Avô, ele disse para eu pedir à Avó, porque estava muito ocupado. Estão sempre muito ocupados…sempre o trabalho primeiro do que as netas.
- E qual é o trabalho deles?
- A minha Avó faz bolos, e costuras, roupas, lãs…o meu Avô concerta carros. Os meus pais estão a trabalhar, e eu fico sempre aqui. Brinco muitas vezes sozinha, e não gosto nada. Hoje queria andar de baloiço e os meus avós não podem. Que chatice. – Resmunga
- Eu ponho-te o baloiço e brinco contigo, pode ser?
- Pode! Não te importas…?
- Não.
- Mas estás a trabalhar.
- Não faz mal. Há tempo para tudo…eu quero, é ver um sorriso teu, e brilho nos olhos.
- Boa…obrigada.
O duende chama os amigos e juntos prendem o baloiço feito pelo Avô, a gosto da menina, entre duas árvores, fazem uma vénia à menina e ajudam-na a subir para o baloiço, e empurram-na.
A menina grita e ri feliz, pede para dar mais ou menos lanço, e os duendes aproveitam a boleia, numa grande alegria, e conversam divertidos uns com os outros.
- Áh, áh, áh…faz cócegas…e os cabelos a voar…Uau! Parece que até estou a voar… éééééééhhhhhhhhhhhh…………
Todos riem e aplaudem, voam à volta do baloiço, penduram-se e balançam-se. Passado um bocado, o trombone da floresta dos duendes soa, e eles estremecem.
- Óh não…vamos ter de ir embora. Até logo, menina…voltaremos.
- Até logo. Obrigada…
Eles voltam para a floresta e a menina fica outra vez sozinha e triste:
- Óh…estava a ser tão divertido. Que pena! – Lamenta a menina
A árvore dá um valente e sonoro espirro. A menina salta do baloiço muito assustada, mas ao mesmo tempo ri-se.
- Foste tu que espirraste?
- Sim, desculpa, querida…
- Santinho!
- Obrigada.
- Estás constipada?
- Sim…esta poluição.
- Óh, coitadinha. Olha, podes empurrar-me um bocadinho, por favor…?
- Claro que sim!
A menina e as árvores têm uma longa conversa, enquanto a árvore empurra o baloiço. Quando a menina não quer andar mais de baloiço, as árvores contam-lhe histórias, ela ouve encantada, e conta outras, riem e no fim da tarde voltam os duendes para brincar com a menina.
Os Avós continuam a trabalhar, até que se lembram que a menina deveria estar sozinha e saem de casa muito preocupados para o jardim. Quando vêem a menina ela está divertidíssima, e brincar com os duendes e com as árvores.
- Já acabaram o trabalho? – Pergunta a menina zangada
- Sim…
- Agora já não quero andar de baloiço. Já andei…pelo menos alguém ainda teve tempo para mim. Vocês sempre ocupados. – Resmunga
- Quem? – Perguntam os avós assustados
- Os duendes da floresta, e as árvores. Eles puseram-me o baloiço, as árvores empurraram-me e contaram-me histórias, eu contei-lhes outras…os duendes foram trabalhar, mas voltaram para brincar comigo! – Responde a menina
- Acho que é imaginação dela… - murmura a Avó
- Ááááááhhhh… - respondem os dois avós
- Porque é que vocês os dois e os meus pais…só pensam em trabalhar, e não têm tempo para mim?
Os Avós tentam explicar à menina, mas ela ainda é muito pequena para entender. Mas depois desse dia, os Avós passaram a dar-lhe um bocadinho mais de atenção, a empurrá-la no baloiço e a contar-lhe histórias.
Os duendes e as árvores substituíam os Avós, quando estes estavam muito ocupados, e a menina já não estava sozinha. Ela adorava esses amigos, eles eram muito enérgicos, eléctricos e divertidíssimos.
Perceberam que a menina se sentia muito sozinha, e como os pais também trabalhavam, eles também, mas se não fossem os Avós, a menina sentia-se abandonada. Como dizia o duende…há sempre tempo para tudo, mesmo com muito trabalho, há sempre tempo para as crianças.

FIM
Lara Rocha 
(25/Julho/2015)