Era uma vez uma boneca diferente das outras, que foi oferecida por uma tia a uma sobrinha. A boneca que parecia com expressão séria, sorriu, no dia em que foi comprada.
Histórias infantis, para crianças, adolescentes, e adultos, peças de teatro e monólogos
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quinta-feira, 4 de abril de 2024
A boneca que mudava de cor de olhos
Era uma vez uma boneca diferente das outras, que foi oferecida por uma tia a uma sobrinha. A boneca que parecia com expressão séria, sorriu, no dia em que foi comprada.
quarta-feira, 29 de novembro de 2023
O mar com uma espuma diferente
Era uma vez um mar numa ilha paradisíaca, com a água transparente, onde se via o fundo, cheio de pedras, conchas, búzios, pedras e peixes.
A areia era muito branca, e as ondas quase não se viam, eram tão calmas! Um dia, uma coisa estranha aconteceu: a espuma das ondinhas que era branca, começou a aparecer de todas as cores em tons claros, vindas não se sabia de onde.
Os habitantes ficaram muito intrigados e assustados. Foram investigar, e não viram nada que pudesse indicar aquelas cores, nem sequer tinha mau cheiro.
No dia seguinte, as cores mudaram outra vez, mas eram mais escuras. Voltaram a procurar e não encontraram nada de estranho!
- Alguma coisa muito má, muito estranha está a acontecer aqui. - comenta um habitante
- Estas cores não são nada normais, na espuma! - observa outro
- Ontem eram claras, hoje são escuras. - acrescenta outro
- Mas no mar não vimos nada de tintas.
- Pois não!
- É isso que é esquisito.
Faz-se silêncio, e veem a sair do mar alto, um ser feito de água, transparente e com brilhantes, ao longe nem se via se era uma cara humana ou um outro ser qualquer, com uma paleta de cores, pincéis na mão, uma tela de areia.
Os habitantes esconderam-se com medo, e ficaram a espreitar. O ser misterioso não se deu por achado, e pôs-se a desenhar sentado na areia.
Respirou fundo, olhou para a paisagem, voltou a olhar e desenhou na areia com cores, que apareceram misteriosamente, pois a paleta não tinha cores.
Fez uns lindos desenhos, perfeitos, ao longo de toda a praia, uns desenhos eram mais claros, outros mais escuros, uns onde se via bem o que estava desenhado, outros, pareciam mais sem formas, ou com formas geométricas, coloridas.
No fim da praia, desenhou um corpo, com brilhantes, o dele, com uma lágrima a cair. Foi lavar os pinceis e a paleta ao mar, a sorrir, e...mistério desfeito!
As cores da espuma vinham do pintor misterioso que não era humano, mas feito de água e brilhantes. Os habitantes rodearam-no, com ar ameaçador.
- Áh! Então és tu que andas a poluir o nosso mar...? - diz um morador
- Poluir? O que é isso? - pergunta o ser
- Estás agora a fazer-te de santinho...muito inocente! Olha para esta porcaria de espuma! - reclama um habitante
- A nossa espuma era branca, e tem aparecido com cores. Investigamos, e não vimos de onde poderiam vir, agora já sabemos. - explica outro
- Mas...esta praia é vossa? - pergunta o pintor peixe
- É! - respondem todos
- O que vens para aqui fazer? Sujar tudo? - ralha um senhor
- Não! Eu vim pintar. - responde o pintor peixe
- E lavas os pincéis no mar! Para ficarmos com poluição, não é? Muito bonito…! - ralha uma senhora
- Não. Esta tinta não é poluente, nem tóxica, é natural. Vem toda do que o mar dá. - explica o peixe
- E o mar dá poluição. - insiste outra senhora a ralhar
- Não, não é poluição! É feito das algas, das pedras de corais, de escamas de peixes, areia. - responde o peixe
- Não vimos cores nenhumas, só agora na areia, e na espuma! - diz uma menina
- Mas é isso mesmo! As cores que aparecem na areia e na espuma são naturais. - volta a explicar o peixe
- De onde vens? - pergunta outra senhora
- És tão estranho! - comenta outra menina
- Eu sou um peixe pintor.
- Peixe pintor? - perguntam em coro
- Nunca outra ouvimos! - comenta um rapaz
- E vocês também pode experimentar...querem? - convida o peixe
- Eu quero! - disse um
- Com muito gosto. Aproxima-te que eu não mordo! - desafia o peixe
- Os desenhos que fizeste na areia, são...bonitos. - aprecia uma menina
- Obrigado. - responde o peixe
- Este último é...triste! - repara um menino
- É. Sou eu.
- És tu? E estás triste? - pergunta o menino
- Às vezes também fico! - diz o peixe
- Porquê? - pergunta o menino
- Por causa de uma sereia que não gosta de mim, mas eu gosto dela.
- E porque não vais atrás dela, e fazes tudo para a conquistar? - sugere uma jovem
- Não! O amor não se obriga, nem se força. Se a outra pessoa não quer, não podemos obrigá-la, nem insistir.
- Mas já lhe disseste que gostas dela? - pergunta outra jovem
- Sim!
- E ela disse-te na cara que não gosta de ti? - pergunta um jovem rapaz
- Disse.
- Não foi nada simpática! - comenta o jovem rapaz
- E tu, o que fizeste? - pergunta outro jovem
- Deixei-a em paz! Respeitei a vontade dela.
- Óh, mas isso é triste, e dói. - diz uma jovem
- É. Mas as coisas são assim mesmo! É essa tristeza que pinto com as cores escuras, principalmente este último, que sou eu com uma lágrima. Dói muito, claro! E as cores claras, são a esperança que algum dia, se não for ela, conheça outra, que goste de mim, como eu gostar dela. Ou então, que sejamos bons amigos!
- Áh! Que lindo! - dizem todos
- Ela pediu distância, eu dou-lhe distância.
- Ela magoa-te e tu ainda gostas dela? - comenta uma jovem rapariga
(Cai uma lágrima com estrelas, dos olhos do peixe, enquanto faz silêncio)
- Pinto para curar a minha dor! - responde o pintor
- E resulta? - pergunta outra jovem rapariga
- Para mim, sim! Vocês conseguem sempre conquistar quem gostam?
- Não! - respondem todos
- Mas tentamos, insistimos a conquistar de maneiras diferentes, tentamos, até que da outra parte haja sinais. - explica outro jovem rapaz
- Mas não perdemos muito tempo. - diz outro jovem rapaz
- Perder tempo? Para conquistar é preciso tempo, não é perder tempo, nem acontece de um dia para o outro. Eu e ela éramos amigos, mas quando eu disse que gostava dela, ela transformou-se, e disse que amigos podíamos ser, mas não queria mais nada. Mas agora, acho que nem amigos!
- E não continuaste a tentar? - pergunta outro jovem rapaz
- Não! O que tiver de acontecer, acontecerá. Se tivermos de ter alguma coisa um com o outro, ou se nunca tivermos de ter nada um com outro, outra virá que queira, ou não!
- Áh! Que lindo. - dizem todos
- És forte! - comenta uma jovem rapariga
- Não, sou fraco, é por isso que ela não gostou de mim.
- Acho que não. Ela não gostou de ti, porque não tinha de ser essa! - responde uma senhora
- Acha?
- Acho, pelo menos é o que nós dizemos aqui, quando não somos correspondidos no amor.
- Áh! Também está bem visto, sim senhora.
- Estes desenhos vão desaparecer com a água! - comenta um senhor
- Os de ontem, também desapareceram. Não faz mal, lava a minha dor!
- Então, tens a certeza que essas tintas não são poluentes? - pergunta outro senhor
- Tenho. Queria experimentar, não queria? Venha!
O ser misterioso, orienta, explica como se faz, e todos ficam encantados. Veem os outros desenhos na areia, um por um, e tentam imaginar o que significam.
- Que bonitos! - suspira uma menina a sorrir
- Obrigado. - diz o peixe
- Já experimentaste oferecer-lhe um desenho teu, destes tão bonitos ou outros? - pergunta uma jovem rapariga
- Não!
- Porque não? Ela até podia gostar. - comenta outra jovem rapariga
- Ela não está disponível para me ver através dos desenhos.
- Então ela não te merece. - acrescenta outra senhora
- Podias experimentar! A ver se a conquistavas. - sugere um jovem rapaz
- É espetacular, este tipo de pinturas! - comenta o senhor que experimenta
- Olha que bonitas. Muito bem. Mais alguém quer aprender? - diz o peixe
- Eu, eu, eu, eu...- todos querem aprender
- Boa! Então virei quando quiserem aqui ensinar-vos.
- Obrigado, obrigada, desculpa a nossa ameaça, pensávamos que era poluição. - comenta um senhor
- Não faz mal, compreendo. Eu acho que pensaria o mesmo!
Combinam os dias, e todos aprendem a fazer aqueles desenhos, a espuma branca ganha todos os dias novas cores, umas mais alegres, outras mais escuras, conforme os sentimentos e emoções que cada um pintava.
O pintor peixe, estava feliz e orgulhoso, por ensinar a sua arte, e os habitantes, felizes por aprender. Tornaram-se uma família, divertiam-se sempre muito, ele ajudava quem precisava, conversavam muito e faziam lanches, festas.
Ainda bem, que não era poluição! Uns tempos mais tarde, quando a sua dor estava curada, o pintor peixe encontrou um amor correspondido e apresentou-o aos amigos, que os pintaram na areia, dentro de um coração.
FIM
Lara Rocha
29/11/2023
sábado, 23 de outubro de 2021
pés, caminhos, reflexão
quadro pintado a óleo por Lara Rocha
Alguma vez pensamos nos pés? Sim, quando eles doem, quando temos as unhas encravadas, quando as cortamos, quando os sapatos nos fazem bolhas, quando nos apertam, quando nos cansam, quando os lesionamos, torcemos, partimos.
Temos pés, e é bom senti-los, é bom sentir que estão a doer, que estão quentes ou que estão gelados.
É sinal que temos pés, e mais ou menos perfeitos temos pés. Podemos senti-los. Mesmo a doer, podemos senti-los, e é bom porque eles podem levar-nos a todos os lugares onde quisermos.
Mas, e os que não têm pés, ou que não podem mexe-los? Nem se lembram deles, não podem caminhar, nem correr. Os que têm pés e não conseguem mexe-los, nem senti-los, não sentem nem frio, nem calor nem dor? Será que pensam nos pés?
Quando caminho, quando toco os pés no chão…sinto o chão que piso…sinto a terra…o seu calor e o seu frio…sinto as minhas pulsações e as pulsações da Terra…Umas vezes serenas, outras vezes aceleradas.
Caminhamos, a correr, com os pés assentes no chão, mas nem percebemos que o fazemos. Mais rápido, mais devagar. Damos os pés como adquiridos, como partes do nosso corpo, mas andamos muitas vezes sem sentir que estamos a andar.
Mexemos os pés, mas não nos lembramos que temos pés, nem para que servem, muito menos que são eles que nos permitem fazer mil e uma coisas, dentro e fora de casa, sozinhos e uns com os outros.
Mexemos os pés, mas será que sentimos realmente o chão onde pisamos? A maioria das vezes penso que não, porque vamos a pensar noutras coisas, a resmungar da pressa que levamos, ou dos atrasos, dos contratempos, e nos problemas para resolver.
Nós lá, em cima...e os nossos pés, no chão, a levar-nos por muitos caminhos diferentes, que se pensarmos bem, nem sabemos quais são na realidade. Vamos de forma automática. Os pés levam-nos, o que interessa é lá chegarmos.
Sorrimos enquanto caminhamos? Uns sim, outros não, umas vezes sorrimos enquanto caminhamos, porque nos lembramos de alguma coisa agradável, ou porque aceleramos os passos para chegar com entusiamo onde queremos, para nos encontrarmos com quem gostamos, fazer recados, ou simplesmente...passear!
Passeamos, ou andamos de forma automática, sem pensar nos pés, e sem ver o que realmente temos de bom à nossa volta? Alguma vez pensaram que ao andar, podemos sentir, ou imaginar...o sorriso e a felicidade da Terra, o sol…a energia que nos percorre todo o corpo…e invade o nosso ser, a nossa mente?
Também acho que podemos sentir, ao caminhar com os nossos pés e com todos os sentidos apurados, as lágrimas da Terra, quando chove…a sua doença…o seu rosto de dor, de cansaço…a sua desilusão por tanto mal que lhe fazemos, em troca de tanta coisa boa que ela nos dá, quando está nublado, ou cinzento!
Já sentiram as lágrimas da terra? Já, e nem repararam...quando chove! Porque só reclamamos que é uma tristeza, é uma chatice estar a chover, que fica tudo cinzento e triste, que parece que as pessoas adormecem, que seca...! Parece noite todo o dia.
E os nossos pés, lá continuam, firmes, resistentes, às vezes o dia todo encharcados em água e resistem, porque recolhem, respeitam e tentam transformar as lágrimas da terra em coisas boas!
Os nosso pés aguentam! E os caminhos que percorremos com eles encharcados também aguentam, o nosso peso, a nossa resmunguice, o nosso desagrado, o nosso cansaço. Ai, se os caminhos falassem!
Enquanto os nosso pés percorrem os caminhos, nem olhamos para eles, ou se olhamos é para ver se não pisamos dejetos de animais ou se encontramos dinheiro. Não pensamos nas pessoas que deram no duro vários dias ou meses a construir os passeios que nos tornam as caminhadas mais seguras, nem o que eles sofreram.
Às vezes, a Terra é o reflexo do que sentimos, ou seremos nós, que nos refletimos na Terra…? Penso muitas vezes nisso. Não há respostas corretas…tudo depende da perspetiva!
Sinto a raiva da Terra…nas buzinas e na poluição, nas guerras, nos gritos, na impaciência, e a paz! Enquanto caminho sinto o meu corpo e os meus ossos…a minha respiração.
Sinto a respiração da Natureza e da Terra, as suas pulsações que se fundem e confundem nas minhas, as suas carícias nas brisas e as suas explosões de mau humor nas ventanias.
Sinto vida, e sinto-me viva enquanto caminho, sinto a vida da Terra…em tudo o que mexe diante dos meus olhos, e nas coisas mais simples. Sinto a magia e o recomeço…o fim…e o renascimento…
Às vezes, enquanto caminho…os meus pés fazem-me caminhar por outros locais, onde sinto outras emoções, onde brinco com seres mágicos, danço, rio, converso e choro. Tenho os meus pés biológicos, e os meus pés imaginários.
Os meus pés imaginários fazem-me caminhar por florestas, onde sinto a erva, e a Terra fofa, onde abraço árvores, e onde me deito à sombra…a apreciar os sons que a floresta me proporciona…o canto dos passarinhos, o sussurrar dos rios, o lamurio das águas, a delicadeza das flores…onde escuto o murmúrio do vento que tal como um verdadeiro cavalheiro, aparece tímido entre os pinheiros…
São experiências das quais me orgulho por ter tido a oportunidade de viver e experimentar, mas muitas crianças não têm essa experiência. Por isso, os meus pés reais às vezes vão pelos caminhos e relembram outros caminhos por onde já andaram! Uma defesa, possivelmente, para não reparar tanto no que há de menos bom, e mau, feio à nossa volta.
Outras vezes…os meus pés imaginários…fazem caminhar por praias paradisíacas, onde sinto a areia, a água a lavar-me a alma, e a atravessar a pele…Outras vezes sinto nuvens debaixo dos pés, enquanto caminho…e picos…e vidros…e paus, e pedras…mas estou calçada…!
Enquanto caminho, sinto toda a essência da terra, e tudo o que esta me oferece. Quando uso sapatos novos, para um dia especial…sinto…sinto a insatisfação dos meus pés, por algo que não estão habituados, e às vezes pelo desconforto, mas também alguma vaidade neles…!
Ainda mais, e apesar de adorar andar descalça, quando me lembro que muitos povos onde não há sapatos ficaram na maior felicidade por ter sapatos, nem que os magoasse no início. Por isso, apesar da dor e do desconforto, é bom sentir isso! É sinal que temos pés e sapatos.
Quando olho para trás…para os caminhos por onde os meus pés me levaram…eles já caminharam por muitos tipos de caminho, mas saíram sempre intactos, embora cansados, desgastados, doridos, torcidos...aguentaram, seguraram-me…e continuam a fazer muito por mim.
Levam-me onde eu quero! Estou orgulhosa deles…e mais tortos, menos tortos (pé muito raso )…são meus. São uns verdadeiros guerreiros, como eu, caminharam comigo por caminhos de luz, de trevas.
Sofreram, quase desistiram, outras vezes saíram de caminhos mesmo com medo do desconhecido, voltaram atrás, andaram para a frente, recuaram, pararam, viram outros caminhos, seguiram-nos, uns com coragem, outros para ver onde iam dar.
Os meus pés percorreram caminhos que gostaram, e outros que não gostaram, mas estiveram sempre lá, e estão! Cresceram comigo, e fizeram-me crescer como pessoa. Continuam a levar-me por caminhos que mal começam, acabam, e voltam para trás, outros caminhos onde sentem muito medo, mas vão, e até descobrem coisas interessantes, outros são escuros, e eles não vão.
Às vezes vão por caminhos que parecem luminosos no início, mas lá para o meio e fim não têm saída, há que voltar para trás pelo mesmo sítio, e não descobrem nada! Os meus pés às vezes percorrem caminhos que os iludem, e desiludem.
Sim, é mesmo verdade...não raras vezes…o corpo anda, e a alma fica parada, perdida num sítio cheio de casas e ruas chamadas sentimentos. Às vezes o corpo anda vazio, pela rua, mas o seu morador ficou noutro sítio, muito …muito longe…
O corpo anda apenas comandado por um piloto automático, mas o seu interior, não leva bagagem…às vezes, ainda bem que não leva, pois, se a alma saísse connosco, não fazíamos nada, não éramos nada…imagino o que as almas encontram nessas ruas! Às vezes não é bonito.
Gosto muito de areia fresca nos pés descalços, nas noites, e nos dias de Verão…e de Inverno…adoro andar descalça. Andar para trás…não gosto, mas às vezes, ando para trás sem querer, procuro logo andar para a frente, e os meus pés teimam em não avançar, nem recuam, apenas param para ver o que é melhor.
Andar para trás, estar parado, não é bom, dói, faz sofrer, chorar, mas às vezes também é preciso pôr os pés a descansar, sem percorrer outros caminhos a não ser os da luz, os da paz, os do silêncio, que nem sempre é de ouro e em algumas situações, o silêncio mata.
Os pés biológicos, andam a par com os pés da cabeça, e a nossa alma caminha com muitos pés diferentes…umas vezes, caminha com pés de lã…outras vezes, com pés de algodão.
Umas vezes, os pés são de gelo…outras, manteiga…temos pés de pedra, chumbo, prata ou ouro…outras vezes andamos com pés de açúcar, e com pés de passarinho. Pés de bailarinos, e pés de vidro.
Outras vezes, somos caminhantes ao sabor das nossas emoções. Umas vezes, são pés que percorrem caminhos de sede, de medo, de segurança ou insegurança. Caminhos de vontade, coragem, determinação e superação.
Caminhos iluminados pela felicidade e realização, caminhos sombrios, de tristeza, dor e cansaço…também são feitos de espuma do mar, de vento, de veludo…às vezes…nem reparamos de que são feitos os nossos pés…só reparamos que eles existem, e deixamos que eles nos conduzam!
Independentemente de que sejam feitos os meus pés, ou no que eles se transformem, e dos caminhos que me levam, eu agradeço aos meus pés, porque eles funcionam, estão vivos.
Já pensaram na importância dos nossos/ vossos pés?
Por que caminhos vos levam?
De que são feitos os vossos pés?
FIM
Lara Rocha
(Abril/2010)
sexta-feira, 5 de março de 2021
Monólogo: Sinto frio esta noite
Monólogo: Sinto frio esta noite
Sinto frio. Sinto frio esta noite, como já senti frio noutras noites. Um frio que me invade e congela até os ossos. Um frio que vem de dentro talvez. Um frio silencioso, neste silêncio da noite onde os meus olhos procuram juntamente com a mente as palavras que vagueiam pelo meu quarto!
Palavras…aquelas que são como estrelas, cintilantes como o teu sorriso, de amor, carinho e delicadeza! Aquelas palavras que o corpo todo gosta de ouvir, aquelas palavras que preenchem, aquelas palavras que constroem sonhos.
Sonhos…aqueles onde nos encontramos por momentos só nossos, aqueles sonhos em que nos fundimos, olhamo-nos e conhecemos cada milímetro de pele um do outro, aquelas palavras que descrevem cada detalhe, cada olhar que não precisa de palavras para sentirmos a presença um do outro.
Procuro aquelas palavras que te trazem a mim. Procuro aquelas palavras que não me dizes. Sinto frio esta noite. O frio do teu silêncio, e a tua ausência.
Sinto frio esta noite, como já senti noutras noites. Um frio que vem de dentro e de fora quando descolo pedaços de mim, pedaços de amor e carinho que vão em palavras que te envio…sinto frio porque perco esses pedaços de mim, sinto frio esta noite, porque esses pedaços de mim não voltam e fazem-me falta.
Os meus olhos procuram no espaço esses meus pedaços para me aquecer, que toda a minha essência gostaria de os receber, regressados de ti, depois de lhes teres tocado e segurado com carinho, e devolvido a mim embrulhados em gratidão, nem que fosse só «obrigado. Beijinhos».
Sinto frio esta noite, como já senti em tantas outras, um frio que me gela inteira, um frio por dentro, quando vejo nos e-mails e redes sociais…o teu silêncio, a tua ausência e indiferença que dói.
Sinto frio esta noite pela desilusão, pelo meu sonho de receber algo de ti, construído por palavras, aquelas palavras que gostava de ouvir de ti, algo que não fosse o teu silêncio, e o gelo da tua ingratidão, indiferença. Enquanto estás quente na tua cama, eu estou gelada na minha. Sinto frio esta noite…!
Fim
Lara Rocha
(13/Julho/2016)




