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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Mãos






Mãos...as mãos são uma perfeição por natureza, mas o uso que lhes damos é bom e mau. 

Há mãos que se seguram uma à outra, 

e seguram outros pares de mãos, 

com todo a generosidade e bondade do coração. 

Essas são mãos que brilham, 

mesmo que a sua luz não se veja! 

São mãos que partilham, 

mãos que ajudam, 

que dão força,

que animam, 

que mimam, 

que preenchem um coração dorido, sem cor. 

Há mãos que se juntam uma à outra, 

que acreditam umas nas outras, 

pedem por elas, 

por outros, 

mãos que se unem a outras mãos, 

em círculo ou em fila 

para melhorar o mundo, 

a saúde, 

partilhar a união, 

a alegria, 

a fé, 

a música, 

o amor, 

a amizade. 

Há mãos que se estendem, 

abertas, prontas para dar, 

outras que se fecham, 

prontas para receber sem dar, 

como flores 

que se abrem e fecham 

com a luz do sol ou a noite. 

Podem ser mãos boas 

ou mãos que se fecham indiferentes. 

Há mãos que falam, 

que gritam, 

que apertam, 

que magoam, 

que matam de todas as formas, 

há mãos que pegam ao colo, 

mãos que seguram amor, 

e partilham, 

mãos que se procuram, 

umas mãos encontram-se, outras não. 

Há mãos que passeiam sozinhas, 

outras acompanhadas, 

mãos que escrevem, 

mãos que carregam pesos, 

que limpam, 

arrumam, fazem tudo, 

e mãos que não fazem quase nada, 

porque outras mãos fazem no seu lugar, 

mas são mãos que precisam de outras mãos. 

Há mãos que disparam, 

mãos que destroem, 

mãos que constroem, 

outras mãos que oferecem flores, 

mãos que cantam, 

mãos que insultam, 

mãos que animam, 

mãos que entristecem. 

Há mãos que cortam, 

mãos que se mostram, 

mãos que se escondem, 

mãos de fada, 

mãos de feras, 

mãos que abraçam, 

mãos que separam, 

mãos que empurram, 

mãos que ameaçam, 

mãos que pensam, 

mãos que tiram, 

mãos que põem. 

Há mãos que plantam, 

e mãos que arrancam, 

mãos que brincam umas com as outras, 

e mãos que põem outras mãos de lado. 

Há mãos que contam histórias, 

outras mãos ouvem-nas, 

há mãos que limpam lágrimas, 

e mãos que as provocam nos outros. 

Há mãos que criam, 

inventam, 

pintam, 

desenham, 

escrevem, 

tocam instrumentos 

e fazem outas mãos bater palmas, 

sorrir, ou emocionar-se, 

há mãos que não se tocam, 

há mãos que fogem, 

outras mãos ficam à espera.  

Há mãos que se seguram com promessas 

e mãos que são largadas ao abandono, 

sem que as promessas se cumpram. 

Há mãos que se cumprimentam,

mãos que pedem, 

mãos que se isolam, 

mãos que repousam em cima das pernas, 

mãos que seguram livros 

e folheiam páginas, 

mãos que meditam,

mãos que tricotam. 

Há mãos que acariciam animais, 

e mãos que os agridem, 

há mãos cansadas, 

outras mãos doridas, 

mãos pesadas, 

mãos leves, 

mãos que seguram outras 

independentemente da cor, 

e mãos que só querem outras iguais às suas. 

Há mãos sujas e mãos limpas, 

mãos de trabalho duro, 

mãos mimosas, 

vaidosas, que gostam de ser vistas, 

mãos valiosas, 

mãos criminosas, 

mãos amorosas, 

mãos nervosas, 

mãos calmas. 

E todas são...Mãos! 

                            Fim 

                         Lara Rocha

                      7/Fevereiro/2024 

                              



 

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

O mar com uma espuma diferente


Era uma vez um mar numa ilha paradisíaca, com a água transparente, onde se via o fundo, cheio de pedras, conchas, búzios, pedras e peixes. 

A areia era muito branca, e as ondas quase não se viam, eram tão calmas! Um dia, uma coisa estranha aconteceu: a espuma das ondinhas que era branca, começou a aparecer de todas as cores em tons claros, vindas não se sabia de onde. 

Os habitantes ficaram muito intrigados e assustados. Foram investigar, e não viram nada que pudesse indicar aquelas cores, nem sequer tinha mau cheiro. 

No dia seguinte, as cores mudaram outra vez, mas eram mais escuras. Voltaram a procurar e não encontraram nada de estranho! 

- Alguma coisa muito má, muito estranha está a acontecer aqui. - comenta um habitante 

- Estas cores não são nada normais, na espuma! - observa outro 

- Ontem eram claras, hoje são escuras. - acrescenta outro 

- Mas no mar não vimos nada de tintas. 

- Pois não! 

- É isso que é esquisito. 

Faz-se silêncio, e veem a sair do mar alto, um ser feito de água, transparente e com brilhantes, ao longe nem se via se era uma cara humana ou um outro ser qualquer, com uma paleta de cores, pincéis na mão, uma tela de areia. 

Os habitantes esconderam-se com medo, e ficaram a espreitar. O ser misterioso não se deu por achado, e pôs-se a desenhar sentado na areia. 

Respirou fundo, olhou para a paisagem, voltou a olhar e desenhou na areia com cores, que apareceram misteriosamente, pois a paleta não tinha cores. 

Fez uns lindos desenhos, perfeitos, ao longo de toda a praia, uns desenhos eram mais claros, outros mais escuros, uns onde se via bem o que estava desenhado, outros, pareciam mais sem formas, ou com formas geométricas, coloridas. 

No fim da praia, desenhou um corpo, com brilhantes, o dele, com uma lágrima a cair.  Foi lavar os pinceis e a paleta ao mar, a sorrir, e...mistério desfeito! 

As cores da espuma vinham do pintor misterioso que não era humano, mas feito de água e brilhantes. Os habitantes rodearam-no, com ar ameaçador. 

- Áh! Então és tu que andas a poluir o nosso mar...? - diz um morador 

- Poluir? O que é isso? - pergunta o ser

- Estás agora a fazer-te de santinho...muito inocente! Olha para esta porcaria de espuma! - reclama um habitante 

- A nossa espuma era branca, e tem aparecido com cores. Investigamos, e não vimos de onde poderiam vir, agora já sabemos. - explica outro 

- Mas...esta praia é vossa? - pergunta o pintor peixe 

- É! - respondem todos 

- O que vens para aqui fazer? Sujar tudo? - ralha um senhor 

- Não! Eu vim pintar. - responde o pintor peixe 

- E lavas os pincéis no mar! Para ficarmos com poluição, não é? Muito bonito…! - ralha uma senhora 

- Não. Esta tinta não é poluente, nem tóxica, é natural. Vem toda do que o mar dá. - explica o peixe 

- E o mar dá poluição. - insiste outra senhora a ralhar 

- Não, não é poluição! É feito das algas, das pedras de corais, de escamas de peixes, areia. - responde o peixe 

- Não vimos cores nenhumas, só agora na areia, e na espuma! - diz uma menina 

- Mas é isso mesmo! As cores que aparecem na areia e na espuma são naturais. - volta a explicar o peixe 

- De onde vens? - pergunta outra senhora 

- És tão estranho! - comenta outra menina 

- Eu sou um peixe pintor. 

- Peixe pintor? - perguntam em coro 

- Nunca outra ouvimos! - comenta um rapaz 

- E vocês também pode experimentar...querem? - convida o peixe 

- Eu quero! - disse um 

- Com muito gosto. Aproxima-te que eu não mordo! - desafia o peixe 

- Os desenhos que fizeste na areia, são...bonitos. - aprecia uma menina 

- Obrigado. - responde o peixe 

- Este último é...triste! - repara um menino 

- É. Sou eu.

- És tu? E estás triste? - pergunta o menino 

- Às vezes também fico! - diz o peixe 

- Porquê? - pergunta o menino 

- Por causa de uma sereia que não gosta de mim, mas eu gosto dela. 

- E porque não vais atrás dela, e fazes tudo para a  conquistar? - sugere uma jovem 

- Não! O amor não se obriga, nem se força. Se a outra pessoa não quer, não podemos obrigá-la, nem insistir. 

- Mas já lhe disseste que gostas dela? - pergunta outra jovem 

- Sim! 

- E ela disse-te na cara que não gosta de ti? - pergunta um jovem rapaz 

- Disse. 

- Não foi nada simpática! - comenta o jovem rapaz 

- E tu, o que fizeste? - pergunta outro jovem 

- Deixei-a em paz! Respeitei a vontade dela. 

- Óh, mas isso é triste, e dói. - diz uma jovem 

- É. Mas as coisas são assim mesmo! É essa tristeza que pinto com as cores escuras, principalmente este último, que sou eu com uma lágrima. Dói muito, claro! E as cores claras, são a esperança que algum dia, se não for ela, conheça outra, que goste de mim, como eu gostar dela. Ou então, que sejamos bons amigos! 

- Áh! Que lindo! - dizem todos 

- Ela pediu distância, eu dou-lhe distância. 

- Ela magoa-te e tu ainda gostas dela? - comenta uma jovem rapariga 

(Cai uma lágrima com estrelas, dos olhos do peixe, enquanto faz silêncio) 

- Pinto para curar a minha dor! - responde o pintor 

- E resulta? - pergunta outra jovem rapariga 

- Para mim, sim! Vocês conseguem sempre conquistar quem gostam? 

- Não! - respondem todos 

- Mas tentamos, insistimos a conquistar de maneiras diferentes, tentamos, até que da outra parte haja sinais. - explica outro jovem rapaz 

- Mas não perdemos muito tempo. - diz outro jovem rapaz 

- Perder tempo? Para conquistar é preciso tempo, não é perder tempo, nem acontece de um dia para o outro. Eu e ela éramos amigos, mas quando eu disse que gostava dela, ela transformou-se, e disse que amigos podíamos ser, mas não queria mais nada. Mas agora, acho que nem amigos! 

- E não continuaste a tentar? - pergunta outro jovem rapaz 

- Não! O que tiver de acontecer, acontecerá. Se tivermos de ter alguma coisa um com o outro, ou se nunca tivermos de ter nada um com outro, outra virá que queira, ou não! 

- Áh! Que lindo. - dizem todos 

- És forte! - comenta uma jovem rapariga 

- Não, sou fraco, é por isso que ela não gostou de mim. 

- Acho que não. Ela não gostou de ti, porque não tinha de ser essa! - responde uma senhora 

- Acha? 

- Acho, pelo menos é o que nós dizemos aqui, quando não somos correspondidos no amor. 

- Áh! Também está bem visto, sim senhora. 

- Estes desenhos vão desaparecer com a água! - comenta um senhor 

- Os de ontem, também desapareceram. Não faz mal, lava a minha dor! 

- Então, tens a certeza que essas tintas não são poluentes? - pergunta outro senhor  

- Tenho. Queria experimentar, não queria? Venha!  

O ser misterioso, orienta, explica como se faz, e todos ficam encantados. Veem os outros desenhos na areia, um por um, e tentam imaginar o que significam.

- Que bonitos! - suspira uma menina a sorrir 

- Obrigado. - diz o peixe 

- Já experimentaste oferecer-lhe um desenho teu, destes tão bonitos ou outros? - pergunta uma jovem rapariga 

- Não! 

- Porque não? Ela até podia gostar. - comenta outra jovem rapariga 

- Ela não está disponível para me ver através dos desenhos. 

- Então ela não te merece. - acrescenta outra senhora 

- Podias experimentar! A ver se a conquistavas. - sugere um jovem rapaz 

- É espetacular, este tipo de pinturas! - comenta o senhor que experimenta 

- Olha que bonitas. Muito bem. Mais alguém quer aprender? - diz o peixe 

- Eu, eu, eu, eu...- todos querem aprender 

- Boa! Então virei quando quiserem aqui ensinar-vos. 

- Obrigado, obrigada, desculpa a nossa ameaça, pensávamos que era poluição. - comenta um senhor 

- Não faz mal, compreendo. Eu acho que pensaria o mesmo! 

Combinam os dias, e todos aprendem a fazer aqueles desenhos, a espuma branca ganha todos os dias novas cores, umas mais alegres, outras mais escuras, conforme os sentimentos e emoções que cada um pintava. 

O pintor peixe, estava feliz e orgulhoso, por ensinar a sua arte, e os habitantes, felizes por aprender. Tornaram-se uma família, divertiam-se sempre muito, ele ajudava quem precisava, conversavam muito e faziam lanches, festas. 

Ainda bem, que não era poluição! Uns tempos mais tarde, quando a sua dor estava curada, o pintor peixe encontrou um amor correspondido e apresentou-o aos amigos, que os pintaram na areia, dentro de um coração. 

                                                    FIM

                                                Lara Rocha 

                                                29/11/2023 


domingo, 5 de novembro de 2023

Escrever

 Escrever…

Foto, caderno e caneta de Lara Rocha 

Escrever é limpar a alma, varrer o coração, arrumar as gavetas das emoções, organizar os pensamentos, arquivar recordações. 

Escrever é...libertar e lavar o nosso mundo interior, melhorar a nossa saúde, perceber o que acontece, procurar e encontrar respostas, viajar, fazer despertar sonhos. 

Escrever é...ganhar asas e pousar na felicidade, escrever é...andar de mãos dadas com a nossa criança interior, 

Escrever é pôr todo o nosso ser a respirar, a revelar-se, a construir-se diariamente, na sua totalidade. 

Escrever é...transformarmo-nos a nós, ao mundo, aos outros, é permitir que a nossa imaginação se revele, e nos faça viver! 

Escrever é deixar sair todas as «máscaras», que engolimos, escondemos, para fingir que está tudo bem. 

Escrever é viver, sonhar, respirar, brincar com as palavras, com imagens, com sinais de pontuação. 

Escrever é...deixar o corpo e a alma sair da prisão, falar, rezar, pedir, implorar, cantar, gritar, chorar, rir, sonhar, segredar, dar voz aos sentimentos, emoções e pensamentos. 

Escrever é plantar e ver nascer um novo ser, a cada transformação. Escrever é...sentirmo-nos vivos, inteiros, únicos, verdadeiros. 

Escrever é...fazer viver, é viver! Acalmar, curar, limpar, respirar, clarear, ser feliz! 

E para vocês? O que significa escrever? O que escrevem, para que escrevem? 

                                                           FIM 

                                                      Lara Rocha 


                                                        

sábado, 23 de outubro de 2021

Ai mundo!

         

 Ai, Mundo, Mundo…Como precisavas de um abraço! E só um não te chegava! Talvez…10 milhões de abraços, ou 100 milhões…Será que voltarias a circular dentro dos teus eixos? 100 Mil milhões…Curar-te-iam das maldades?

            Ai, Mundo, Mundo…Louco…Perdido…Ai, Mundo, Mundo…Em que estado tu estás! Um dia uma criança sonhou…com uma grande bola azul que estava perdida num espaço imenso…A criança olhou para a bola azul, encantada…

            Aproximou-se…Deixou-se levar pela beleza da sua luz…E pelo tamanho da bola…A bola chamava-a...A criança tocou-lhe a medo…A bola sorriu-lhe, a criança sorriu, olhou a bola, tocou-lhe, e a bola gritou-lhe:

- Cuida de mim! por favor!

        A criança abraçou a bola ternamente e disse:

- Quem és tu…?

- Sou o Mundo onde vives.

- Cuidarei muito bem de ti. És linda, perfeita!

- Sou o teu Mundo.

        O Mundo de cada um pode ser perfeito, na sua imaginação, Mas o Mundo em que vivemos está muito longe de o ser. Já foi perfeito…Já foi meio perfeito e meio imperfeito, Mas agora não está imperfeito, sequer…Nem perfeito…Se estivesse imperfeito…Não estaria mal…Mas o nosso Mundo está louco, doente, desordenado, revoltado, descontrolado…

        Ai, Mundo, Mundo…Como tu estás! Perfeito…? Só aos olhos inocentes e puros das crianças. O mundo de cada um…Pode ser perfeito e também imperfeito mas…E a ti linda bola azul…A ti, quem te volta a pôr perfeita? 

        Mesmo na imperfeição, pela inveja de quem não o é, e nunca será…! Continuas a ser perfeita! Porque teimam…Em transformar a tua perfeição, em imperfeição? Para quê? Só pode ser por inveja…Gente louca, gente feia por dentro, gente doente, gente maldosa…

        Ai, Mundo, Mundo…Existe em mim, uma parte de ti perfeita…Onde só eu caminho, onde só eu toco, onde só eu te abraço, onde só eu te protejo, e cuido de ti. Ai, Mundo, Mundo…só precisas de amor…Não de ódio e Guerra! Mas onde está o amor? Está perdido…Só existe naquela parte de ti…Que em mim…É perfeita!

        Ai, Mundo, Mundo…Faltam-te abraços, falta-te respeito…falta amor por ti…Ai, Mundo, Mundo…Pobre Mundo! Cuidarei sempre de ti, como sempre fiz…Com amor, com gratidão, com carinho, com respeito…

        Ai, Mundo, Mundo…Abraços e Beijos. Melhores dias virão para ti…Meu Mundo…Linda bola azul. Um dia, uma criança sonhou…Sonhou com um Mundo. Um Mundo azul…lindo...um Mundo limpo, sem poluição…só natureza pura…Um Mundo sem Guerra, cheio de paz, e de pessoas boas…      Onde todos eram amigos, onde havia respeito entre todos e por todos. 

        Onde havia bondade, simpatia, sorrisos, sinceridade, felicidade. Um Mundo…Onde não havia miséria, onde havia comida para todos…Onde não havia poder, nem superiores…Onde todos se ajudavam…e conviviam…

        Um Mundo…Onde os velhinhos não estavam sozinhos, e eram admirados por todos, respeitados e protegidos por todos, onde não eram abandonados pelos filhos…Um Mundo…onde todos tinham família, cheia de amor e carinho.

        Onde a Mulher tinha valor, onde a mulher não era usada, nem maltratada…Um Mundo…onde as crianças estavam com os seus pais…Onde eram amadas, desejadas pelos pais, onde tinham carinho…Um Mundo…Onde todos tinham casa, e ninguém dormia na rua…

        Um Mundo…Sem doenças, sem violência. Um Mundo…Cheio de sol, e às vezes com chuva…Um Mundo…cheio de cores…e de sonhos…Onde todos trabalhavam, onde todos se ajudavam…Onde todos viviam com alegria!

        Mas o Mundo só pode ser de sonho, e perfeito, naquele lugar especial e mágico…A nossa imaginação capaz de criar um Mundo especial…Só nosso! O Mundo real, não é perfeito…Mas podia ser bem melhor! 

        Um Mundo onde o coração e a paz fossem os reis…

Um Mundo Perfeito!

FIM 

Lara Rocha 

(1/Março/2013)  

terça-feira, 7 de abril de 2020

encanto/desencanto - monólogo


encanto/desencanto


        Alma sonhadora, alma que deseja, alma vazia que sonha e fantasia, alma sozinha, alma que se entrega, e abre as portas à desilusão. Alma, que se encanta tanto, que se deixa levar, pelo canto do encanto, encantada, desilude-se quando acorda para o desencanto, e percebe que toda a música era encantadora...quando o rádio se desligou, tudo terminou...E depois?  
        Quem nos cura da desilusão? Quem criou a ilusão? Não! O coração? Não, porque fica ferido...A mente? Talvez...talvez tenha sido ela que criou a ilusão...Os olhos? Não! Esses são as vítimas inocentes, são os navegantes da ilusão que viagem nas águas da desilusão, levados pela ilusão, à procura da realidade, de compreensão, de força e de olhos bem abertos para ver a desilusão! 
       Pobre coração que alimenta uma ilusão que nem existe...Porque fazes isso, coração? A nossa mente, o nosso ser, a nossa pessoa precisa das ilusões e desilusões para se contruir, cair, crescer, e renascer, descobrir-se. 
     Porque fazes isso, mente? Porque fazes isso? Fico com raiva de ti, quando crias ilusões, que depois não passam de fantasias, mas enquanto acreditamos nas ilusões que crias, parece que nos sentimos preenchidos.  
     Porque precisamos de sonhar, criar, para percebermos quem somos na verdade. E somos muito mais do que as ilusões e as desilusões. Vivemos entre o encanto e o desencanto...a ilusão e a desilusão... Quem as cria? Nós...o coração, os olhos, a mente? Talvez...apenas...nós.



quinta-feira, 24 de março de 2016

encontro na lua

foto de Lara Rocha 

NARRADORA - Era uma vez uma rapariga que se refugiava muitas vezes no mundo da Lua, onde se sentia livre, feliz, compreendida, pois lá podia libertar a sua raiva e a sua dor, gritar, chorar, rir, desabafar com a Lua, dançar, saltar, falar com as estrelas, e com o Sol e os planetas. Apesar de estar acompanhada pelos seus amigos do espaço, ela sentia que faltava qualquer coisa…para se sentir mais completa. Não havia mais humanos nesse espaço, era só ela. Até que um dia…a rapariga lá estava no espaço a chorar e a gritar, e os amigos já não a podiam aturar. O Sol, com pena dela, reúne com a Lua e os dois conversam sem a rapariga ouvir.
SOL – Minha querida…desde já obrigada por teres vindo!
LUA – Ora, meu amor, tu sabes que eu nunca falto quando me chamas! Por acaso…já tinha saudades de te encontrar pessoalmente! (p.c) Falamo-nos todos os dias, e graças às novas tecnologias podemos ver-nos todos os dias…mas é muito diferente…não há nada como isto para sentir o teu calor…!
SOL (sorri) – Áh, áh, áh…sempre amorosa! (p.c) Estás coberta de razão! (p.c) Continuas linda!
LUA (ri) – Ai, seu sedutor…não me aqueças demasiado…senão…posso fazer alguma asneira!
SOL (ri) – Ai, ai…sua tentadora…! Por mim, podes fazer as asneiras que quiseres. (p.c) Adoro quando me provocas…!
(Os dois riem). 
LUA – A conversa está a ficar incendiada! Muito boa…mas…tu não marcaste este encontro comigo, para me seduzires, ou para namorar pois não querido? (p.c.) Não é que eu não tenha saudades, mas…bom…temos de ser fortes, e aguentar a nossa sina. 
SOL (embaraçado) – Óh…nem me fales nisso, até murcho com as saudades! Mas sim, tens razão…e sabes que te adoro e que não tenho problemas em elogiar-te…!
LUA (ri) – Sei, meu amor…fazes isso todos os dias, mas sei que tens algo muito importante para me dizer hoje (vaidosa) para além das minhas qualidades…! (p.c) Vá…fala logo, sem rodeios…!
SOL (sorri) – Adoro essa tua sensibilidade!
LUA (sorri) – Lembra-te que sou mulher!
SOL (sorridente) – Óóóhhhh…Sim…Uma bela mulher!
LUA (sorri) – És sempre o mesmo engatatão. Mas diz lá…! Porque é que me chamaste aqui?
SOL – Está bem…! Eu…decidi falar contigo por causa destes gritos que estou a ouvir.
LUA – Já não são estranhos…eu ouço estes gritos a choros todos os dias, desde há muito tempo.
SOL – Mas…quem é que grita assim…?
LUA – A minha amiga!
SOL – Aquela terráquea?
LUA – Sim.
SOL – Cruzes…parece um bicho com dores…! Ai…até me gelam…e os meus raios até se encolhem…! O que é que ela tem?
LUA – Tem o coração partido, e ferido!
SOL (com pena) – Óóóhhhh…Coitadinha! Como é que ela se magoou?
LUA – Apaixonou-se pela pessoa errada!
SOL (com pena) – Empurraram-na foi?! Ou atiraram-lhe qualquer coisa?
LUA – É. Empurraram-na para a tristeza!
SOL – E onde é que é isso? Um novo planeta…aqui…algures neste grande universo?
(A Lua ri-se)
LUA – Não…é no território do coração dela! (p.c) Dentro dela!
SOL (intrigado) – Não sei onde é! (p.c) Bem…também, isso agora não é importante. Eu quero é que ela pare com estes gritos e que pare de chorar… (p.c) Ela já não se pode aturar.
LUA – Deixa-a estar sossegada!
SOL – Mas…ela não pode continuar assim! Isso incomoda-me! (p.c) Não sei há quanto tempo é que ela está com estes gritos e choros, mas se continua assim, vai enlouquecer o Universo.
LUA – Quanto a enlouquecer, podes ficar descansado, querido, isso não vai acontecer! Quem dera ao Universo suportar estes gritos e choros…em vez de suportar a poluição e a destruição que os desgraçados dos terráqueos estão a provocar-lhe. (p.c) Isso sim…é que está a pôr o Universo de pernas para o ar.
SOL – Mas por que raio é que ela tinha que vir para aqui fazer isso…e com tanto espaço lá em baixo…!
LUA – Porque lá em baixo também já ninguém a atura…!
SOL – Como eu os compreendo…! Não admira…! Então que pare de uma vez por todas com isso!
LUA – Ninguém a compreende…só eu!
SOL – Não sei como aguentas ouvir isto.
LUA – Ora…sou mulher…! Compreendo-a! A dor dela é muito grande! E a ferida no coração dela não fecha.
SOL – Ora…ela que vá ao médico. Tu não és médica para lhe tratar das feridas…não tem que vir para aqui incomodar toda a gente.
LUA – Esta dor não passa com medicamentos nem com médicos…!
SOL – Não…?
LUA – Não.
SOL – Que dor tão estranha. (p.c) Por favor…deusa das deusas espaciais…tu és amiga dela, manda-a calar!
LUA (vaidosa) – Eu não posso fazer isso com ela!
SOL – Mas porquê? Não te incomodam os gritos dela?
LUA – Bom…não consigo ficar indiferente, mas sou amiga dela…deixo-a estar…dou-lhe o meu espaço, a minha presença e os meus ouvidos…! Para ela se libertar da dor.
SOL – Até aí entendo…e se podermos ser uns para os outros…estar disponíveis…fantástico…agora…dias e dias a ouvir estes gritos…chega! És amiga dela, mas podes muito bem mandá-la calar e parar com isso…! 
LUA – Aqui é o único espaço que ela tem disponível e livre, para estar sozinha, e a chorar e a gritar…para aliviar a sua dor. Na terra toda a gente faz o que tu queres que eu faça com ela, mas isso não está correto.
SOL – E não podes acabar com a dor dela?
LUA – Não! Isso não sou eu que decido! (p.c) Só ela saberá quando pode parar de chorar e de gritar…só ela pode saber quando já não lhe dói.
SOL – Acho que devíamos ajudar esta rapariga para bem de todos…mandá-la de volta para a terra…e aí, ela que faça o que entender.
LUA – Isso não é ser amigo, meu amor…se eu estivesse assim triste como ela…tu mandavas-me embora…? Abandonavas-me? (p.c) Aliás, eu também já estive assim, quando nos proibiram de nos encontrarmos…! E doeu muito…tal como ela…também chorei dias e dias…e noites e noites…até fiquei doente…! Até reapareceres…! É por isso que entendo bem a dor dela. (p.c) A minha também ninguém ma tirou!
SOL (triste) – Óóóóóóóhhhh…meu amor…isso também me doeu muito!
LUA – E porque é que compreendes a minha dor…nessa situação e não compreendes a dela…? (p.c) É a mesma dor…a minha e a dela…no coração! Eu fiquei com uma ferida enorme, e ela também. Estamos a ajudá-la deixando-a estar aqui, sozinha…sem criticá-la…até fechar a ferida. Mas esse fecho só depende dela…e pode demorar muito ou pouco.
SOL – Mas eu estava triste, e não gritava desta maneira…nem chorava.
LUA – Eu sim. Tinha dias em que gritava e chorava como ela…outras vezes era mais baixo…conforme a intensidade da dor! (p.c) Vocês homens têm uma maneira diferente de mostrar os sentimentos e a dor incluída.
SOL – Está bem…és mulher…e ela também…compreendem-se. Mas custa-me muito ouvi-la assim…!
LUA – Compreendo-te querido…mas não podemos fazer muito mais nada…a não ser…deixá-la aqui, entregue à sua dor! (p.c) Ao fazer isso já estamos a ajudá-la.
SOL – Mas que chatice…! Que bichos mais complicados, são vocês, mulheres…! (A Lua ri-se) Olha, diz a essa tua amiga que se despache a fechar a ferida e que pare de gritar e de chorar dessa maneira…ou que mude de sítio.
LUA – Diz isso ao coração dela.
SOL – E digo! Como é que entro em contacto com ele?
LUA (a rir) – Não consegues. Deixa-a estar sossegada.
SOL – Não consigo porquê?
LUA (a rir) – Não há telecomunicações para lá!
SOL (murmura) – Ainda por cima…!
LUA (sorri) – Em breve, ela vai ficar bem.
SOL – Assim espero!
LUA (sorri) – Sim, podes ter a certeza que sim.
SOL – Ai…! Amor…o que eu não faço por ti…!
(Sorriem)
LUA (sorri, vaidosa) – Eu sei que fazes tudo por mim…é por isso que te amo tanto!
SOL (sorridente) – Eu sei minha querida! Eu também ardo de amor por ti!
LUA (sorridente) – Eu sei… (p.c) Já me disseste tudo?
SOL – Sim!
LUA – Então…vamos trabalhar e encontramo-nos mais tarde, no baile de sempre!
SOL (sorri) – Claro, minha rainha. Até já…!
LUA (sorri) – Até já amor!
SOL (sorri) – Mil beijos…já com saudades…!
(Os dois riem, e vão trabalhar. A Lua vai ter com a rapariga).
LUA – Amiga…!
(A rapariga olha para ela e para de chorar)
RAPARIGA – Olá amiga Lua…desculpa!
LUA – Desculpa de quê?
RAPARIGA – Por eu estar aqui outra vez, e a chorar e a gritar outra vez!
LUA – Não tens que pedir desculpa! Este espaço é teu! É como se fosse a tua casa!
RAPARIGA – Obrigada! Aqui é muito melhor que a minha casa! Aqui é o único sítio onde posso estar sozinha, sem me criticarem…e sem me chamarem de louca…tu…Lua…és a única que me compreendes.
LUA – Sim, compreendo-te muito bem! (p.c) Sou mulher, e já passei pelo mesmo!
RAPARIGA – As mulheres da terra não me compreendem…nunca devem ter passado pelo mesmo.
LUA – Não acredites nisso! Elas não demonstram…mas de certeza que já passaram pelo menos…se calhar não lhes doeu tanto…isso depende da sensibilidade de cada uma de nós.
RAPARIGA – É…deve ser isso! (p.c) Sabes, eu já estou um bocado farta de chorar e de gritar…e queria acabar logo com esta dor…mas…não consigo!
LUA – Não é fácil, eu sei…e sei bem como dói. Mas em breve tenho a certeza que vais conseguir livrar-te dessa dor!
RAPARIGA – Às vezes parece que nunca vai passar.
LUA – Claro que vai passar! (p.c) Tudo passa, minha querida! Por muito doloroso que seja.
NARRADORA – As duas conversam mais um pouco, e enquanto isso, chega um rapaz, desnorteado, a olhar para todo o lado e um pouco assustado.
RAPAZ – Eeeiii…! Mas…onde é que estou…? (p.c) Quase podia jurar que estava no meu quarto…mas isto não é o meu quarto…aqui há eco…no meu quarto não… (Olha em volta…e para a frente, e vê a Lua) Ááááááhhhh…eu estou a ver a Lua…?
(A Lua apercebe-se do rapaz, sorri).
LUA (sorridente) – Olha…temos visitas…!
RAPARIGA – Óhhh…não acredito! Nem aqui eu estou em paz…?!
(A rapariga olha para trás e assusta-se)
RAPARIGA – Um gajo…não pode ser…! Como é que ele veio aqui parar.
LUA (ri) – Calma, amiga…há espaço para todos! (p.c) Ele é humano como tu! Da Terra.
RAPARIGA – É uma besta…! (p.c) Eu vim para aqui, para ter paz, não foi para me encontrar com…aquela espécie…da idade da pedra…! (p.c) O que eu quero neste momento e para sempre, é nunca mais me envolver e encontrar com homens…!
LUA (ri) – Olha que ele é bem jeitoso…!
RAPARIGA – Só tem areia na cabeça, e calhaus no coração!
LUA (ri) – Nem o conheces…coitado do moço…! Ele pode estar aqui pelos mesmos motivos que os teus!
RAPARIGA – Achas…? Eles não sofrem!
LUA (sorri) – Eu não tenho tanta certeza disso. Olha que muitos terráqueos homens, procuram-me para desabafar e sofrem.
RAPARIGA – Isso é só fachada…! (p.c) Não tenho pena nenhuma deles. (p.c) É muito bom que sofram…muito…para aprender a respeitar a mulher…!
LUA – Sim, tens razão, mas pelo menos fala com ele, pode ser que seja diferente.
RAPARIGA (chateada) – Eu não quero esses malditos, nem como amigos! (p.c) Eles não prestam. Não valem nada.
LUA (a rir) – Estás a julgar todos…por causa de um!
RAPARIGA – Isso é o que todos dizem lá em baixo, mas é tudo mentira. Ainda não conheci nenhum diferente.
LUA (sorri) – Óh querida, são todos diferentes. Tu és diferente de mim…eu sou diferente de ti…o sol…é diferente de nós…as estrelas são diferentes…mas somos todos amigos.
RAPARIGA – Mas vocês são puros…não tem maldade, ao contrário dos humanos…! 
LUA – Sim, tu és humana, e nós somos seres do espaço…mas…e daí?
RAPARIGA – Não se apaixonam…nem têm desgostos.
LUA – Áh, áh…ai não…isso é o que tu pensas! (p.c) Também nos chateamos e temos desgostos…!
RAPARIGA – A sério?
LUA – Claro.
(O rapaz grita)
RAPAZ – Eeeeeeiiii…Luuuuuuuuuaaaaaaaa… (eco)  
(Ele anda mais um pouco em direção á Lua)
RAPAZ – Luuuuuuaaaaa….?!
LUA – Sim…sou eu! (sorri) Olá, muito bem - vindo.
RAPAZ – Onde estou?
LUA (sorri) – Na minha casa…na… Lua!
RAPAZ (sorri) – Óóóhhhh…sim…?! (p.c) Quase podia jurar que estava no meu quarto, mas isto aqui não é o meu quarto…e…estou a ver-te!
RAPARIGA (murmura) – Estavas lá tão bem…para que é que saíste de lá…!
LUA (sorri) – Sim, estás a ver-me!
RAPAZ (sorri) – Esta…é tua filha…?
RAPARIGA (resmunga) – Esta…vírgula…! Eu não sou um pedaço de Lua, ou uma cratera…! Tenho uma cratera mas não sou cratera…ás vezes não me importava de ser.
RAPAZ – Desculpa…não te queria ofender. Não és um pedaço de Lua…ou cratera…mas és um pedaço de mulher…!
RAPARIGA (irónica) – Acredito mesmo que isso seja verdade… (p.c) só tens treta…!
RAPAZ – Desculpa…?! Por acaso conhecemo-nos?
RAPARIGA – Não.
RAPAZ – É tua filha, Lua?
RAPARIGA – Quem me dera…!
LUA (sorri) – Não. É uma grande amiga, que me veio visitar.
RAPAZ – Ááááhhh…está bem…! (segreda à Lua) É pouco simpática. (p.c) Devias escolher melhor as tuas amigas…!
LUA (segreda) – Não digas isso…ela está triste!
RAPAZ (baixinho) – Ááááhhh…OK.
RAPARIGA – Segredinhos…?
RAPAZ – Olha óhhh…pedaço de Lua…ou de estrela…não penses que a Lua é só tua…eu também sou amigo dela, e posso ter segredos com ela…assim como tu tens! Não é, Lua?
LUA (sorri) – Claro que sim.
RAPAZ – Que coisa mais feia…!
RAPARIGA (chateada) – Já não é novidade para mim, ouvir dizer que sou feia.
RAPAZ – Acontece que eu não estava a falar de ti…sua…convencida!
RAPARIGA (ofendida) – Mas que grande lata…!
RAPAZ – Eu estava a dizer que coisa mais feia…teres ciúmes da nossa amiga, só porque eu também estava a falar com ela. (p.c) Óh Lua, como é que eu vim aqui parar…? Não me lembro!
RAPARIGA (resmunga) – Estavas tão bem lá na tua casota…!
RAPAZ (chateado) – Aaaaaiiii…! Óh amiga…estás mal, podes ir para outro sítio…! (p.c) Que bicho…!
LUA (baixinho) – Calma…! Não precisas de lhe dizer essas coisas…!
RAPAZ – Se estás de trombas, com os diabos à solta…dá aí uns pinchinhos a ver se melhoras…!
RAPARIGA (resmunga) – Que parvalhão!
RAPAZ – O que é que estás aqui a fazer…? Além de chatear a nossa amiga…?
LUA – Então…? Chatear…? Quem é que falou em chatear…?
RAPARIGA – Vim à procura de paz! (p.c) De libertar a minha raiva e dor…
RAPAZ – Magoaste-te? Onde…? Precisas de ajuda?
RAPARIGA – Magoaram-me…! (p.c) Não…não preciso de ajuda. (p.c) Magoaram-me no coração! E tu…? O que é que estás aqui a fazer?
RAPAZ – Eu…? (p.c) Vim…mudar de ares…! (p.c) Queria descansar um bocadinho, vir para um sítio diferente…! (p.c) Aqui também tenho um pouco de paz…quer dizer…pensava que tinha…mas estando aqui tu…! (p.c) Já estás cá há muito tempo?
RAPARIGA – Já!
RAPAZ – E gostas de estar aqui?
RAPARIGA – Sim!
RAPAZ – De onde vens?
RAPARIGA – Da Terra. Não se vê? E tu vais ficar aqui muito tempo?
RAPAZ – Eu também venho da Terra…não sei…porquê?
RAPARIGA – Então vou para outro sítio.
RAPAZ – Fica à vontade…faz o que entenderes…!
RAPARIGA – Tu és homem…!
RAPAZ – Sim…e tu és mulher…e daí? (p.c) Não podemos estar no mesmo sítio?
RAPARIGA – Não.
RAPAZ – Antes não podiam…mas agora…não vejo problema nenhum nisso. (p.c) Vais mudar de sítio por minha causa?
RAPARIGA – Vou!
RAPAZ – Está bem…muda lá…! Eu não te mordo, mas faz o que entenderes que é melhor para ti.
RAPARIGA (chateada) – Eu quero distância de vocês, homens…!
RAPAZ – Tudo bem…estás no teu direito. Se a tua escolha é mulheres…não tenho nada contra…e isso acho que não deve ser motivo para fugires de mim. Estás à vontade…é a tua escolha…o que interessa é que sejas muito feliz.
RAPARIGA (chateada) – O que é que estás para aí a pensar e a dizer?
RAPAZ – Nada…nada… (p.c) Olha, por gostares de mulheres, não precisas de te afastar ou de sofreres por causa disso…os comentários dos outros não interessam. Por mim podes ficar descansada, que não me vou pronunciar sobre isso.
RAPARIGA (indignada) – O que é que estás para aí a insinuar…?
RAPAZ – Nada…!
RAPARIGA – Eu não gosto de mulheres…!
RAPAZ – Está bem…! Pronto.
RAPARIGA – Acho que não estamos em sintonia.
RAPAZ – É provável…aqui não há rede…!
RAPARIGA (indignada) – Estás a dizer que sou uma máquina?
RAPAZ – Não, não…! Tu é que estás a dizer que não estamos em sintonia…e sintonia…é das máquinas.
RAPARIGA – Tu és um bocado burro, não és?
RAPAZ – Acho que estás a ver um bocadinho mal…estou…desfigurado…ou são os teus olhos que estão assim, de tanto chorar…?
RAPARIGA (chateada) – Ááááhhh…que atrevimento!
RAPAZ (ri) – Calma, estou só a brincar contigo, a ver se melhoras essas fuças…! Assim ficas muito feia.
RAPARIGA (chateada) – Que idiota…!
RAPAZ (sorri) – Óh…obrigado. Como é que sabes que tenho muitas ideias…?!
RAPARIGA (grita) – Cala-te!
RAPAZ (ri) – Pois…estás num nível mais abaixo que o meu.
RAPARIGA (grita) – Que estúpido…mando-te já daqui abaixo…!
LUA – Calma, meninos…! (p.c) Não falem mais…fiquem caladinhos e quietinhos…a relaxar…está bem? (p.c) Não precisam de ficar no mesmo sítio da minha casa.
RAPAZ – Por mim, cabemos os dois aqui, no mesmo sítio.
RAPARIGA (chateada) – Eu quero ficar no sítio onde estava, mas longe desta coisa.
RAPAZ – Eu não mexo contigo…fica aí, que eu fico aqui…! E não precisamos de nos falar…mas se quiseres…à vontade.
RAPARIGA – Combinado…é…acho que é mesmo melhor calarmo-nos, se não…a casa da Lua vai abaixo.
LUA (sorri) – Isso…estão muito melhor caladinhos…!
NARRADORA – Os dois sentam-se, afastados, e ficam um pouco em silêncio. A Lua sorri ao apreciar os dois, que trocam olhares em separado, não se olham diretamente, e disfarçam. De repente, os olhares dos dois fixam-se, o rapaz sorri e ela sorri levemente.
RAPARIGA – O que é que foi?
RAPAZ (calmo) – Nada…estava só a ver se estarias a dormir…!
NARRADORA – Os dois voltam a fazer silêncio e a olhar para a Lua. O rapaz deita-se um pouco, e olha para a rapariga. A rapariga olha para ele, enquanto ele não olha.
RAPARIGA – Desculpa…
(O rapaz olha)
RAPAZ (calmo) – Diz…
RAPARIGA – Posso dizer-te uma coisa?
RAPAZ – Claro! Tudo o que quiseres. Mesmo que seja insultos.
RAPARIGA (ri) – Não…não são insultos. Mas…nada…esquece…podes interpretar mal.
RAPAZ (intrigado) – Ãããããããhhhh…? (p.c) Está bem…tu é que sabes! Queres dizer, diz…não queres, não digas…!
RAPARIGA – Juras que não interpretas mal?
RAPAZ – Diz…seja o que for!
RAPARIGA – Eu…estou a gostar muito de estar no mesmo sítio que tu! (p.c) Mesmo não estando a falar contigo…estou a sentir-me bem na tua presença! (p.c) Mas não penses que estou apaixonada por ti ou interessada…ou que quero alguma coisa contigo.
(O rapaz ri-se)
RAPAZ (ri) – Desculpa…?! Deves ter perdido alguns parafusos pelo caminho.
RAPARIGA – O quê?
RAPAZ (a rir) – Estou a brincar…não leves a mal…! (p.c) É que…tens feito cada observação que mais parece de um E.T.
RAPARIGA (ofendida) – O quê? Mas…que grande ousadia…eu sei que sou feia, mas comparares-me com um E.T. Uou…!
RAPAZ (a rir) – Mas alguém disse que és algum E.T? Ainda por cima feia…? Tu é que estás a dizer! (p.c) Posso acabar a minha opinião…? Por favor…?
RAPARIGA – Sim…desculpa…!
RAPAZ – O que estás a dizer…e os teus pensamentos é que parecem de um E.T. Porque é que eu haveria de dizer ou achar que estás interessada em mim ou que queres alguma coisa comigo se nos encontramos agora…? (p.c) Só porque disseste que te sentes bem na minha presença…! (p.c) O que é que isso tem de mais…? (p.c) Tens cada uma…! (p.c) Ainda bem que te sentes bem na minha presença…já sentia a minha cabeça a prémio, da maneira que estavas com os pirolitos no ar…! Cruzes…!
(A rapariga ri-se)
RAPARIGA (a rir) – Desculpa…pois…tens razão…! (p.c) Ainda bem que não interpretaste mal. (p.c) Pelo menos não és convencido.
RAPAZ – Nunca fui. (p.c) Se quiseres dividir comigo o que sentes…podes falar à vontade…se não… ficamos os dois outra vez calados, está bem?
RAPARIGA – Está bem…desculpa ter interrompido a tua paz.
RAPAZ (sorri) – Não faz mal.
(Volta a fazer-se silêncio e a trocar-se olhares).
RAPAZ (murmura) – Huuuummmm…está-se bem aqui!
RAPARIGA (sorri) – Sim. Está mesmo! É por isso que eu venho para aqui tantas vezes!
RAPAZ – Como é que descobriste este sítio?
RAPARIGA – Olha, vi umas imagens deste planeta e adorei. Fechei os olhos, e vim aqui parar. (p.c) Aqui posso libertar os meus demónios, e gritar, chorar…!
RAPAZ – Pois…estou a ver! Eu também estou a gostar muito deste sítio, só não esperava encontrar-te aqui. Uma rapariga…!
RAPARIGA – Sim, sou uma rapariga!
RAPAZ – Pois és, bem bonita.
RAPARIGA – Achas?
RAPAZ (sorri) – Sim, se não achasse não te dizia.
RAPARIGA – A sério?
RAPAZ – Sim! (p.c) És tão desconfiada!
RAPARIGA – Pois sou! Porque sofri muito por causa de um homem. (p.c) E agora…fico sempre com medo…e a achar que são todos como o outro palerma…que todos mentem…que todos vão gozar comigo…e magoar-me!
RAPAZ – Certo…mas não devias pensar assim! Toda a gente se magoa, mas passa, e em algum momento, encontramos a felicidade ao lado de outra pessoa! (p.c) Só porque alguns nos fazem sofrer, não vão ser…todos! (p.c) E esses que te fizeram sofrer com certeza ensinaram-te alguma coisa muito importante não foi?
RAPARIGA – Ensinaram-me que são todos iguais e que nenhum presta!
RAPAZ – Dizes isso agora, porque ainda estás triste e magoada…mas olha…deixa essa tua opinião aqui no espaço…e vais ver que lá na terra há homens diferentes e que te vão fazer muito feliz! Boa?
RAPARIGA – E como é que eu faço isso?
RAPAZ – Humm…grita para o espaço…ou… (a Lua interrompe)
LUA – Não…por favor…não grites aqui! Escreve…num papel que te vou dar…e mete ali no rochedo!
RAPARIGA (sorri) – Áh! Está bem. (para o rapaz) Achas que vai funcionar?
RAPAZ – Sim! Claro!
RAPARIGA – Já alguma vez tentaste fazer isso?
RAPAZ – Aqui…não…! Mas na terra já fiz muitas vezes!
RAPARIGA – E funcionou?
RAPAZ – Sim! Tudo de mau que eu sentia, escrevia num papel e amassava-o…riscava-o…rasgava-o…era muito bom!
RAPARIGA – Eu…não quero sair daqui!
LUA – Mas vais ter que sair! Aqui é só o teu refúgio, não é a tua casa!
RAPARIGA (ofendida) – Estás a expulsar-me?
LUA – Não, claro que não! (p.c) Sabes que as portas da minha casa estão sempre abertas para ti, mas não podes ficar aqui o resto da tua vida! (p.c) Na terra fazes falta!
RAPARIGA – Mas eu não quero…lá em baixo sofro muito!
LUA – Sofres muito, porque queres! (p.c) No inicio ainda se compreende que te tenha custado muito, e que tenhas ficado triste…mas…já chega, amiga! (p.c) Olha que ele está a rir-se na tua cara…não penses que ficou triste como tu! (p.c) Está na hora de te livrares dessa tristeza! (p.c) Já vai há tanto tempo…! (p.c) Siga para a frente, rapariga!
RAPARIGA – Achas?
LUA – Acho!
RAPARIGA – Eu queria livrar-me desta tristeza e desta dor…e raiva…mas não consigo!
LUA – Claro que consegues. Aqui…não consegues, porque não há homens…
RAPAZ (ofendido) – Eeeeeeiiii…e eu sou o quê?
LUA (ri) – Desculpa amigo!
(A rapariga ri)
RAPAZ (sorri) – Tens um sorriso tão bonito! (p.c) E quando ris…ficas ainda mais encantadora.
LUA (sorri) – É verdade!
RAPARIGA (sorri) – Obrigada…! (p.c) Mas olha…eu não consigo! Nem quero ir lá para baixo, muito menos conhecer homens idiotas que me magoem outra vez!
RAPAZ (zangado) – Irraaaaa…Tu és impossível! Com todo o respeito…mas é que estás sempre a bater na mesma tecla…! Sempre a dizer mal dos homens…assim, é claro que não conheces homens bons, e claro…assim vais continuar a sofrer.
RAPARIGA – Mas o que é que tem uma coisa a ver com a outra?
RAPAZ (zangado) – Claro que tem tudo a ver…! Com esse pensamento tão mau a respeito dos homens, só consegues afastá-los!
RAPARIGA – Mas eles não sabem que eu acho isso deles!
LUA – Não sabem, mas tu fechaste o teu coração…e isso eles reparam e nem se aproximam.
RAPARIGA – Claro que fechei o meu coração para sempre…mas foi para o amor…e para namorados…porque não quero voltar a apaixonar-me por nenhum homem, nem quero conhecer mais nenhum homem! Mas não fechei o coração para a amizade.
RAPAZ – Isso não é possível. Estás rodeada de homens e de certeza que há muitos que gostavam de te conhecer…Tu é que não permites…olhas para eles com cara de Rottweiler…! (p.c) Claro, eles fogem.
LUA – Com certeza há homens que pelo menos para ser amigos servem!
RAPARIGA – Duvido! Nunca conheci nenhum!
RAPAZ – Não quer dizer que não venhas a conhecer! (p.c) Basta mudares alguma coisa em ti!
RAPARIGA (chateada) – Acabaste de dizer que sou bonita…e afinal tenho que mudar alguma coisa em mim…? (p.c) Como é? Estás a gozar comigo?
RAPAZ – Eu disse que eras bonita e és! (p.c) Não estou a falar em mudares coisas em ti…fisicamente…! (p.c) Estou a falar de…abrires mais o teu coração! (p.c) Deixar que se aproximem de ti e dar-te a conhecer!
RAPARIGA – Mas vocês ficam logo todos convencidos…
RAPAZ (indignado) – O quê? (p.c) Achas que todos temos ar na cabeça, e que todos temos um amor-próprio do tamanho do mundo? (p.c) Estás muito enganada. Tens mesmo de conhecer vários homens para veres como somos diferentes.
LUA – Vá, amiga! Ouve este rapaz. Ele tem toda a razão no que diz! (p.c) Só tens que dar uma nova oportunidade ao teu coração! Vais ver que com o que aprendeste de todos os desgostos, desta vez vai ser muito diferente.
RAPARIGA – Mas…e se corre mal, outra vez?
LUA – Se corre mal outra vez…aprendes mais alguma coisa, e no próximo já vai ser melhor! (p.c) Isso faz parte, minha querida…magoam-se…sim, claro, ninguém disse que é fácil estabelecer relações uns com os outros na terra…e ninguém disse que o primeiro amor vai ser aquele para o resto da vida! (p.c) Sofre-se, mas também se aprende de umas vezes para as outras, e alguma vez vai aparecer a pessoa certa… (p.c) Aquela…especial que te amará…! (p.c) Mas isso…na hora saberás! (p.c) Não é possível prever. (p.c) Mas os vossos corações saberão quem é essa pessoa! (p.c) Só não podes prender e fechar o teu coração, como tu estás a fazer agora…aqui…presa à tua tristeza e à tua dor! (p.c) Deixa tudo isso aqui de uma vez por todas e volta lá para baixo, para a maravilhosa terra…quando abrires o teu coração, vais conhecer gente muito boa, muito especial, entre elas… (p.c) alguém…muito especial que curará todas as tuas feridas e dores…! (p.c) Liberta-te e…vai sem medo!
RAPARIGA – Aaaaaiiii…! É tão difícil!
LUA – Não é nada difícil! A tua vontade de te livrares dessa tristeza e dor é enorme…e a tua força é ainda maior!
RAPARIGA – Óhhh…não é nada! (p.c) Eu sou muito fraca!
LUA – Não sei porque estás a dizer isso! Nunca experimentaste! (p.c) Anda lá, amiga… (p.c) Liberta-te…deixa tudo isso de mau…ali…na fogueira…e vai lá para baixo!
RAPAZ – Quando te livrares disso, vais ver como tudo vai mudar! (p.c) Não te vão faltar homens para ser teus amigos, e homens apaixonados por ti!
RAPARIGA – Como é que sabes?
RAPAZ – Sou homem…! E sei muito bem como é…! Assim como vocês mulheres têm comportamentos iguais, os homens também.
LUA (sorri) – Claro, a raça já tem características próprias muito bem definidas e muito semelhantes. (p.c) Vai, rapariga!
RAPARIGA – Como é que eu faço isso?
LUA (dá-lhe um bloco e uma caneta) – Escreve tudo aqui, e atira para a fogueira!
RAPARIGA – Está bem…! Vou tentar!
LUA – E vais conseguir! (p.c) E tu, rapaz, queres fazer o mesmo?
RAPAZ – Não, obrigado. Eu…vim só mesmo para mudar de ares!
LUA (sorri) – Muito bem!
RAPAZ – Eu espero por ela.
NARRADORA – A rapariga escreve toda a tristeza, dor e revolta, muito chateada, de vez em quando grita, chora e rosna enquanto escreve. O rapaz e a Lua apreciam e riem em silêncio. No fim de escrever, a rapariga amassa os papéis todos, nervosa, e atira-os para a fogueira de forma agressiva. Suspira de alívio e sorri.
LUA (sorridente) – Então?
PRINCESA (sorridente) – Ááááááhhhh…que alívio! (p.c) Muito melhor! (p.c) Estou ótima.
LUA (sorridente) – Vês?! Eu disse-te! (p.c) E muito em breve vais estar em condições de seguir em frente…com o coração aberto e conhecer muitas pessoas especiais!
RAPAZ (sorridente) – Sim, é verdade! Para de chorar por quem não te merece.
PRINCESA (triste) – Vou ter saudades tuas!
LUA (ri) – Ora rapariga! (p.c) Não precisas de ficar assim! (p.c) Podes vir visitar-me sempre que quiseres! (p.c) Estarei sempre aqui. (p.c) Mas não quero que me venhas visitar triste, nem para gritar e chorar…está bem?
RAPARIGA (sorridente) – Está bem…não vou chorar mais por aquele palerma!
LUA (sorridente) – É isso mesmo! (p.c) E quando tiveres essa pessoa especial ao teu lado, podes vir para aqui com ela namorar…
RAPAZ (sorri) – Excelente ideia…! Também posso?
LUA (sorridente) – Claro.
RAPAZ (sorridente) – Aqui é um sítio excelente para namorar…não há mirones, nem concorrência…!
(Todos riem).
LUA (sorridente) – Agora…vão!
RAPAZ – Anda comigo.
LUA (sorridente) – Vocês vão encontrar-se lá em baixo! As vossas almas já se encontraram muitas vezes, e já se tocaram! Mas os vossos corpos ainda não!
RAPARIGA – O que é que queres dizer com isso?
LUA (sorridente) – Em breve vão perceber o que estou a dizer…agora…vão, meus amigos! Apareçam e sejam fortes…pacientes e felizes…combinado?
RAPAZ E RAPARIGA – Anda connosco!
LUA – Eu…? Lá para baixo, convosco…? Naaa…! Estou muito bem aqui…gosto muito de vocês, mas não posso. Também há muita gente que precisa de mim…não lhes posso virar as costas…também não o fiz para vocês!
RAPARIGA – Muito obrigada por tudo, querida Lua! (p.c) És a minha única, melhor e verdadeira amiga!
LUA (sorri) – Não tens nada que agradecer…não fiz nada de mais…só o que uma amiga deve fazer!
RAPARIGA – Foste a única que fizeste isso.
RAPAZ – Obrigado, Lua.
LUA (sorri) – De nada. Até breve…!
NARRADORA – Os dois dão a mão, olham-se fixamente, sorriem e volta para a Terra. Antes de ir cada um para o seu quarto, os dois agradecem um ao outro, abraçam-se, dão dois beijos e vão para sítios diferentes. Muito poucos dias depois, os dois voltam a encontrar-se, na Terra, falam durante horas, e rapidamente descobrem muitos pontos em comum. A amizade deles cresceu e tornou-se mais forte. Sempre que se encontravam riam muito, sentiam-se bem um com o outro, brincavam…e trocavam alguns carinhos. Os dois andavam muito felizes. Com o passar do tempo, marcaram um encontro na Lua, e aí iniciaram o seu namoro! Na Lua, os dois agradecem.
RAPARIGA (sorri) – Lua…eu consegui!
LUA (sorridente e feliz) – Vês?! Eu disse-te que ias conseguir! (p.c) Que bom ver-vos juntos e felizes! (p.c) Muito bem…souberam esperar…começaram pela amizade, falaram abertamente e muito…um com o outro, abriram os vossos corações…a amizade foi crescendo…até que agora…as vossas almas finalmente conjugaram-se com os vossos corpos que se encontraram!
RAPAZ (sorri) – Claro, o namoro não nasce assim do ar…é preciso viver primeiro a amizade…mesmo que gostássemos muito um do outro…tínhamos que nos conhecer. Não podíamos ficar pelo fogo de vista!
RAPARIGA (sorri) – Nem eu estava para pressas.
LUA (sorridente) – Fizeram muito bem! É assim mesmo que deve acontecer! Primeiro…a amizade, o diálogo, o respeito…nada de pressas.
RAPARIGA (sorridente) – Ele é uma pessoa muito especial. (p.c) Tu tinhas razão amiga Lua! (p.c) O meu coração sabe que é ele…a pessoa especial que me ama e que vai curar tudo!
RAPAZ (sorri) – Verdade! (p.c) Tu tinhas razão, Lua! As nossas almas já se tinham encontrado.
LUA (sorri) – Veem…?! Eu sei o que digo!
OS DOIS (sorridentes) – Sim! Muito obrigada!
LUA (sorridente) – Apesar de já saber o que ia acontecer…estou muito feliz pela notícia, e pela vossa presença! (p.c) Esta minha casa também é vossa casa! Apareçam quando quiserem!
RAPARIGA (sorri) – Obrigada, amiga! (p.c) Queres ser a nossa madrinha de namoro?
LUA (surpresa, sorri orgulhosa) – Eu…? Madrinha do vosso namoro?
RAPARIGA E RAPAZ – Sim!
LUA (sorridente) – Mas, mas…é preciso madrinha no namoro…? Só conhecia madrinha de casamento, ou de batizado…!
RAPARIGA (sorridente) – Não é que seja preciso, mas nós os dois queremos! Aceitas?
RAPAZ – Mas nós queremos ter madrinha, e que sejas tu, porque foi aqui na tua casa que nos conhecemos, e tu foste testemunha!
RAPARIGA (sorri) – Pois!
LUA (sorridente, feliz) – Bem…eu não fiz nada de especial…mas se fazem tanta questão que eu seja vossa madrinha de namoro…quem sou eu para dizer que não! (p.c) Aceito…até porque adoro ver-vos juntos!
RAPARIGA (sorri) – Sei que vamos ser abençoados por ti, e que vamos viver um grande amor!
LUA (ri) – Sim, isso é verdade! (p.c) Devem plantá-lo todos os dias, regá-lo com carinhos, respeito, sinceridade, diálogo, alegria…
NARRADORA – Os dois falam e riem mais um pouco com a Lua, dão um abraço e um beijo e a Lua fica deliciada e feliz. A partir desse dia, os dois foram muitas vezes namorar para a Lua, pois lá tinham paz…passado uns anos, os dois casam na Lua, e a Lua volta a ser a madrinha. Ela tinha razão…as almas dos dois encontraram-se muitas vezes, e muito antes dos seus corpos se encontrarem, foi por isso que o amor dos dois durou para sempre, e foram sempre felizes. Grande Lua…! Ela tinha razão em tudo! E que grande lição…! Obrigada, Lua.

FIM!
Lara Rocha  
(14/Julho/2012)