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domingo, 5 de novembro de 2023

Evolução


 Evolução…

No início...raiva, raiva e mais raiva! As entranhas remexiam-se a toda a hora, dia e noite. Queriam sair de onde estavam, expulsar o que lhes pesava, o que sentiam. 

coração e o estômago reclamavam...uma sede imensa de vingança povoava a minha mente, o meu corpo, todo o meu ser. 

Pela dor que me causaste, e por todos os sonhos construídos, com toda a perfeição...e carinho, durante quatro anos. 

Sonhos de felicidade, de amor, de família, do eu-tu igual a nós...destruídos como um terramoto em segundos que não deixa nada de pé. 

De um dia para o outro, restou a desilusão, a tristeza, a solidão, a baixa auto-estima, a ponto de te dar razão! Onde já se viu? Hoje sei que nunca a tiveste. 

À medida que o coração foi secando, e as lágrimas cristalizaram,  a raiva foi dando lugar à indiferença, a indiferença que mostrou que não me merecias. 

E de facto, não! Com isto surgiu a revolta e o arrependimento por tudo o que te dei. Tudo o que te dei com amor, tu mandaste para a fogueira da ilusão, e para o terramoto da minha desilusão. 

Doeu! Muito! Muito tempo. Com uma imensa cratera que ficou  cheia de lixo! Recentemente...a cratera permanece, mas ao contrário de antes, atualmente a cratera está vazia. 

Agora...não há lá nada. Nem raiva, nem ódio, nem indiferença ou sede de vingança sequer! Tudo o que pudesse lá ficar, seria muito mau! 

Seria um lixo tóxico, e seria continuar a valorizar-te. Isso não podia continuar a acontecer. Agora...o que às vezes ainda permanece, é o sentimento de gratidão por todos os bons momentos, e muito bons. 

Felizes, românticos, de grande carinho, ternura, inocência, simplicidade, risos, e sonhos construídos em conjunto. 

Gratidão, por um dia me teres dado valor, por me permitires mostrar o que eu era. Gratidão por receberes o meu amor, por me deixares amar-te, pela possibilidade de libertar amor. 

Gratidão, por me fazeres sentir alguém especial, e amada! Gratidão por ter olhado, um dia, para mim com os olhos do coração! 

Sim, gratidão, é muito vasta, não se restringe a ti. Mas por agora...é para ti...gratidão pelas boas recordações! Nada mais! Gratidão por tudo, e até...um dia!

                                                                                FIM 

                                                                         Lara Rocha 

                                                                        

        

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Monólogo de reflexão, silêncio que dói, revolta

        

        Começaste por me responder. De há uns tempos para cá...não respondes mais. Como dói receber o teu silêncio! Como dói o teu silêncio! Como dói a tua indiferença...Como dói não ter respostas para o teu silêncio. 

        Silêncio! Quero ouvir as palavras do teu silêncio. Quero ver cada palavra do teu silêncio. A que é que sabe o teu silêncio? Quero saborear e provocar, sentir alguma coisa no meu corpo...Boa ou má...Quero agarrar no teu silêncio.

        Quero saber se é um silêncio quente, ou um silêncio gelado! O silêncio que me mandas...é gelado!
E a cada silêncio teu, mais gelada me torno. O coração não quer o teu silêncio gelado. Porque é que és assim? Será que o teu silêncio diz alguma coisa, ou muita coisa?

        Diz-me...Mostra-me o teu silêncio. Eu quero saber o que é que ele diz...Quero ouvir palavra por palavra...letra por letra...Gostava de sentir o teu silêncio. Gostava de o transformas em pessoa...Será que o teu silêncio é uma criança que pede colo?

        Será que o teu silêncio sofre? Será que o teu silêncio tem medo? Será que o teu silêncio tem sonhos? Será que o teu silêncio tem lágrimas? Será que o teu silêncio tem risos? Será que o teu silêncio tem sorrisos?

     Será que o teu silêncio é um mistério? Sim, é um mistério. Que eu gostava de entender...De entender o teu silêncio! Gostava de saber o que fazes com as luzinhas que te mando. Gostava de saber o que fazes com as minhas palavras, com os carinhos...

        Porque não me respondes? Porquê essa tua indiferença em relação a mim? Porque não me envias as tuas palavras? Eu gosto delas, gosto de ti...É por isso que não me respondes? É por eu gostar de ti?
És mesmo ignorante. O meu gostar de ti não esse que tu pensas, o meu gostar de ti é sincero, inocente, com o coração...

        Não é um gostar de amor...ou de desejo. É um gostar de carinho, um gostar sensível, um gostar, que nada tem de assustador. Meto-te medo? Porquê? Porque é que as tuas palavras tão bonitas ficam presas para mim?

        Porque é que o teu silêncio não fala? Ele existe...mas porque não me diz nada? Porque é que o teu silêncio foge? O que esconde o teu silêncio? Eu não gosto do teu silêncio. Não o entendo. Diz ao teu silêncio que fale comigo...Fala, silêncio...Fala.

                                                                        Lara Rocha 

sábado, 6 de novembro de 2021

MONÓLOGO DESILUSÃO, LIBERTAÇÃO DE MÁGOA E RAIVA

 


         Chegaste á  minha vida embrulhado em sorrisos, e em palavras simpáticas, em trocas de mensagens, e de repente mudaste...Passei a ser o quê, para ti? Parece que me eliminaste da tua vida...Ainda tinha tanto para te dar! Tanto para te mostrar! Tínhamos tanto para viver, conversar, escrever, partilhar, criar, aprender, construir...

        O que aconteceu? Porque passaste a ser gelado comigo? É a indiferença que me ofereces? Depois de te oferecer carinho? É a indiferença que queres receber de mim? É com o teu silêncio que retribuis?
A tua indiferença dói em mim...O teu silêncio dói em mim...Todas as mensagens que te mando e não respondes, doem em mim.

        Nem quando digo que preciso do teu abraço, das tuas palavras...Dói em mim o teu gelo e dói a minha decisão de responder com indiferença, quando a minha vontade é de te dizer essa dor toda que me sufoca. 

        O que faço para me livrar da dor que a tua indiferença causa em mim? Como faço para reagir aos teus silêncios que doem em mim? Como vou lidar com uma indiferença sem respostas, que não compreendo, e que me dói?

        Dói em mim ter de te ignorar, para ver se sentes a minha falta. Sentirás? Não sei se é o melhor que faço, porque dói muito em mim. Não sei se me vou livrar da dor, porque dói muito em mim. Neste momento...Obrigas-me a ser também indiferente contigo...Talvez isso te deixe livre. E se as nossas almas tiverem algo para viver juntas. 

        Viverão...Não fugirás mais...Não teremos medo. Talvez agora tenhamos. Talvez só nessa altura saberei a resposta, à pergunta se esta é a melhor decisão...Dói muito em mim,
Mas talvez seja isso que queiras.

        Diz-me...O que vou fazer com todo o carinho que tinha para te dar, que ficou preso em mim, e que tu me obrigaste a fechá-lo? Sim, todo o que ficou contigo, e o que ainda era para ti, antes de receber o teu silêncio e indiferença? 

        Diz-me...E o carinho que te dei? O que fizeste com ele? Chegou a ti, ou fechaste-lhe a entrada do teu coração? Diz-me...O que vou fazer a todos os restos de desilusão que deixaste me mim? Com todas as mensagens que ficaram sem resposta, com toda a ingratidão? 

        Diz-me...O que vou fazer com o teu gelo? O que vou fazer com os sentimentos bons que fizeste nascer em mim? Já fiz! Esses guardei-os num lugar especial, aqueles em que trocamos algumas palavras simpáticas, e fugazes, aqueles momentos em que pelo menos agradecias...Porque deixaste de o fazer? 

        Porque é que descaradamente passaste a ignorar-me? Como se eu não existisse, como se não me visses...É claro que me vias! É claro que sabias, e sabes que eu existo. Porque fazes isso comigo? Diz-me...O que vou fazer contigo? 

        Isso não precisas de dizer, mesmo que queiras...Já sei qual é a tua resposta...É igual às anteriores. Indiferença! Silêncio! Distância! Ingratidão! Diz-me...O que vou fazer contigo, com o gostar de ti, mesmo sem ser correspondida, com a tua energia boa. 

        Porque não dizes nada?  Desliguei-me de ti. Não porque quisesse, mas porque és tu que me fazes agir assim. Sim, tu! Eu não queria ser como tu. Desligada, indiferente, fria, distante, Não queria ser nada como tu, apesar de gostar de ti. mas a forma como me tratas, é assim que me obriga a tratar-se...É uma retribuição. 

        Acredita. Não queria fazer isso, Mas fi-lo...Porque...CANSEI! As tuas respostas cansaram-me, a tua indiferença cansou-me, a tua ingratidão cansou-me, o teu silêncio cansou-me! Cansei-me de te dar o que não me davas, nem o mais essencial e primário...um...«obrigada/o» A DESILUSÃO apoderou-se de mim. 

        Como podes ser assim? Eu não sou perfeita, e podias não gostar de mim nem podias gostar...Não tens tempo, não é? Claro, tempo...o tempo tem as costas largas, e anda de mãos dadas com a vontade. Querias preza fácil, e rápida, para consolares os teus olhos, mas o que ia adiantar...? 

        Isso iria preencher a tua alma? Não tens tempo para mi, mas tens para todos os outros/as...Só para mim é que não tens tempo? Porquê? Não tens tempo para conhecer alguém difícil, que não se mostra facilmente, mas mostra-se. Só tinhas de ter tentado...Só tinhas de ter «perdido algum tempo». Diz-me...

        O que vou fazer com a decisão que tomei? Igual à tua, mas difícil de aceitar? Sim, para mim é difícil...Porque eu não queria fazer o mesmo que tu. Diz-me...Porque te afastaste, sem dizer nada? Diz-me...

        Como vou desprender tudo o que eu tinha de bom para ti? A quem vou dar? A quem vou abrir o meu coração? A quem vou mostrar a minha luz? Foi a minha luz que não te permitiu olhar para mim, e receber tudo o que eu tinha para ti? 

        Diz-me...Porque decidiste não dizer mais nada? Porque passaste a ignorar-me? Porque te tornaste indiferente a mim? Porque me obrigaste a mudar? Diz-me...Já sei que não me dizes nada! 

                                                            Lara Rocha 


sexta-feira, 16 de abril de 2021

monólogo: gelo, chuva fria e gotas de orvalho













A cada desilusão, a cada ilusão que criamos, a cada tristeza que sentimos. A cada perda, cada derrota, cada abandono...cada doença, a cada maldade, a cada injustiça...lançamos um pedaço de gelo para o nosso coração. 

Umas vezes grande, outras vezes pequeno, mas é sempre uma pedra de gelo! 
Uns pedaços derretem, outros não! Uns transformam-se em lágrimas, outros ganham ainda mais força, peso e espessura. 

E quanto mais gelo acumulamos mais pesados ficamos. E mais frios somos. Quem pode desfazer os cubos de gelo? Talvez...Cada um de nós, alguém, ou nunca os desfaremos. Mas mais cedo ou mais tarde, o gelo torna-se visível Mais gelado, mais duro. E nós? Em que nos transformamos? Em nada  a não ser...Gelo! 

As lágrimas que caem dos nossos olhos, umas vezes são chuva fria, outras vezes são água do mar. Umas vezes são águas limpas,  outras vezes, águas poluídas. Umas vezes transportam alegria outras vezes tristeza.

Outras saudades de bons momentos, de pessoas especiais, outras, muitas outras coisas. Mas todas lavam a alma, e desatam os nós que às vezes apertam tanto tempo a garganta  E o coração. Cada gota de orvalho brilha com os raios de sol.

Cada gota de orvalho é um brilhante oferecido pelos anjos. Cada gota de orvalho conta um desgosto da terra, uma dor, por cada  crueldade do homem. Em cada gota de orvalho pode também brilhar um olhar ou um sorriso feliz. Cada gota de orvalho é um lindo mistério, um toque mágico, uma promessa boa, um bom presságio, pelo menos, de um momento de paz!  Enquanto vemos uma gora de orvalho a brilhar  com o sol. 

                                                                Fim 

                                                            Lara Rocha 

                                                            16/4/2021





sexta-feira, 2 de abril de 2021

Incerteza quase certa - amor platónico

      



       Sabemos algumas coisas um do outro, mas não sei se algum dia virás...mas espero-te! Mesmo na incerteza quase certa, espero-te, porque enquanto existe incerteza, há alguma esperança de certeza, mesmo pequenina, existe, e mantém a vontade que venhas para a minha realidade acesa. 

        Não sei se algum dia te terei ao meu lado, como quase te sinto enquanto imagino que estás ao meu lado. Quando te imagino sinto uma breve esperança que aconteça. Por isso, mesmo na incerteza, de poder ser uma certeza incerta. espero-te! Em qualquer relação há incertezas, certas e incertas. Por isso, eu e tu somos humanos, mas pode alguma certeza, dentro da incerteza, uma certeza negada. 

        Não sei se algum dia nos envolveremos num abraço, num ou em muitos, como gostava! Na incerteza, existe alguma certeza, pelo menos no desejo. Mesmo assim, espero-te! Nunca se sabe! Não sei se algum dia os nossos corpos se fundirão um no outro, recheados de beijos longos, apaixonados, a sentir as batidas do coração um do outro, e a respiração excitante. 

      Mesmo assim, espero-te, mesmo sabendo que é quase impossível de acontecer. Entre o impossível, existe o quase, por isso, pode acontecer. 

     Espero-te! Espero por aquele dia que não se vai chegar, mas algum dia, se encontrares as chaves que perdi e entrares no meu coração, vais encontrar tesouros só teus. Mesmo assim, espero-te, porque nada é certo, tudo é certo e incerto. Por isso, espero-te! 

    Não sei se algum dia de sonho, os nossos lábios se tocarão, mas mesmo assim, espero-te, porque desejo, espero-te, ainda que fique pelo desejo.

 Não sei se algum dia as nossas mãos se entrelaçarão e sentirei a sua temperatura, a maciez da pele, a doçura do teu corpo encostado ao meu, e nós, em momentos só nossos. 

       Não sei se fico pelo desejar ou pela esperança incerta de vir a acontecer. Mesmo assim, espero-te! Não sei se algum dia sentirei a tua respiração junto de mim, e o teu coração a bater às vezes mais forte, outras vezes calmo, relaxado por estar ao meu lado, ou apaixonado por mim, e eu por ti. Mas ainda assim, espero-te! 

   Não sei se algum dia os nossos olhos falarão um com o outro, sem palavras, apenas na linguagem secreta deles, que só eles compreendem. Mesmo assim, espero-te, porque tudo pode acontecer, ou não. Ninguém sabe, mas a incerteza, ou a certeza incerta também estimula a vontade que aconteça, e dá força para esperar esse dia chegar. 

  Não sei se algum dia incerto, seremos com certeza um só, numa só alma, num só abraço, num só beijo, num só amor. Mesmo assim, espero-te, porque este esperar faz derreter o gelo deixado pelas muitas desilusões de amores não correspondidos, na incerteza dessa realidade, espero-te! 

  Não sei se alguma vez te terei...mesmo assim, espero por ti. Não sei se alguma vez de encontrarei, como te encontro na imaginação e nos sonhos, nos desejos, na fantasia, mesmo assim, na incerteza, há sempre uma esperança de certeza. 

    Não sei se alguma vez repararás em mim, mas mesmo assim espero-te, porque entre o não saber, e o imaginar que podes reparar em mim alguma vez, dá-me força para continuar a esperar por ti, ou por outra pessoa qualquer. 

     És um ensaio, para o meu autoconhecimento, mesmo assim, espero-te porque podes passar de rascunho a desenho de uma linda história de amor, quase impossível, mas entre o impossível está o quase, que pode ficar com im, e passar a ser possível. 

  Não sei se um dia te vou dizer, ou tu a mim....mas...espero-te Amor! Sim, espero por ti. Mas o esperar também cansa! Por isso, talvez um dia destes não espere mais por ti. Amor...encontramo-nos no sítio do costume. 

    Naquele lugar onde o nosso amor existe e é certo, onde tudo pode acontecer com certeza! Estou lá, estás lá, amor, para vivermos o nosso amor incerto, certo nesse lugar certo. 

Porque no lugar que desejava, e onde tanto esperei por ti, cansei, tu não reparaste em mim, os nossos corpos não se sentiram, nada aconteceu afinal. 

         Continuamos lá, eu adolescente, e tu ainda solteiro, só meu, só para mim. Esperava esperar-te, mas cansei de te esperar. 

     Continuas lá, num cantinho feliz da minha adolescência, onde não precisava de esperar por ti, estavas sempre lá, disponível para mim, a toda a hora, naquela fase onde achamos que tudo é possível. 

 Como somos inocentes, mas a idade da inocência até é gira, o pior é quando acordamos para a realidade, onde nunca nos vimos, nunca nos sentimos, numa fomos um do outro! Ajudaste no meu autoconhecimento. 

     Obrigada por todos os sonhos e fantasias que tive contigo, obrigada por me inspirares, obrigada por te ter conhecido, e mesmo distante...aprecio-te! 

  Claro que agora já não te espero, mas continuas a fazer parte de uma recordação feliz. E todos passamos por ela. 

Até qualquer dia, amor platónico, que acreditava ser real na certeza da incerteza. 

                                                                                      Lara Rocha 

                                                                                        2/4/2021


sexta-feira, 5 de março de 2021

Monólogo: Sinto frio esta noite

 

Monólogo: Sinto frio esta noite

Sinto frio. Sinto frio esta noite, como já senti frio noutras noites. Um frio que me invade e congela até os ossos. Um frio que vem de dentro talvez. Um frio silencioso, neste silêncio da noite onde os meus olhos procuram juntamente com a mente as palavras que vagueiam pelo meu quarto!

Palavras…aquelas que são como estrelas, cintilantes como o teu sorriso, de amor, carinho e delicadeza! Aquelas palavras que o corpo todo gosta de ouvir, aquelas palavras que preenchem, aquelas palavras que constroem sonhos.

Sonhos…aqueles onde nos encontramos por momentos só nossos, aqueles sonhos em que nos fundimos, olhamo-nos e conhecemos cada milímetro de pele um do outro, aquelas palavras que descrevem cada detalhe, cada olhar que não precisa de palavras para sentirmos a presença um do outro.

Procuro aquelas palavras que te trazem a mim. Procuro aquelas palavras que não me dizes. Sinto frio esta noite. O frio do teu silêncio, e a tua ausência.

Sinto frio esta noite, como já senti noutras noites. Um frio que vem de dentro e de fora quando descolo pedaços de mim, pedaços de amor e carinho que vão em palavras que te envio…sinto frio porque perco esses pedaços de mim, sinto frio esta noite, porque esses pedaços de mim não voltam e fazem-me falta.

Os meus olhos procuram no espaço esses meus pedaços para me aquecer, que toda a minha essência gostaria de os receber, regressados de ti, depois de lhes teres tocado e segurado com carinho, e devolvido a mim embrulhados em gratidão, nem que fosse só «obrigado. Beijinhos».

Sinto frio esta noite, como já senti em tantas outras, um frio que me gela inteira, um frio por dentro, quando vejo nos e-mails e redes sociais…o teu silêncio, a tua ausência e indiferença que dói.

Sinto frio esta noite pela desilusão, pelo meu sonho de receber algo de ti, construído por palavras, aquelas palavras que gostava de ouvir de ti, algo que não fosse o teu silêncio, e o gelo da tua ingratidão, indiferença. Enquanto estás quente na tua cama, eu estou gelada na minha. Sinto frio esta noite…!

Fim

Lara Rocha 

(13/Julho/2016)



sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

o sentido do amor (monólogo para adolescentes e adultos)

                  desenhada por Lara Rocha


Olá, sou a J., sobrevivente de uma tentativa de suicídio, uma não, várias! Mas esta última é a que me lembro mais porque é a mais recente, e...quase me fazia não estar aqui para contar.

Tenho um bebé, que amo com todo o meu ser, aliás, ele passou a ser a minha razão de viver, e o que dá sentido à minha existência. Mas nem sempre foi assim. Durante muito tempo, odeei e recusei, não desejei esse bebé, mais precisamente, desde que o pai dele me deixou.

Trocou-me por outro homem, que na verdade eu também conhecia mas nunca imaginei que tivessem tanta intimidade. Senti nojo dele, a pensar que ele me tinha dado um filho, e andado já com...outro!

A minha felicidade de ter um filho, o meu desejo e fantasias, ter um filho fazia parte do meu sentido de vida, de família, de mulher, tudo se apagou quando me revelou a sua homossexualidade.

Eu não tinha nada contra os homossexuais, mas nunca imaginei que lidasse com um tão de perto. Depois do nojo e da revolta, da vontade de tirar o bebé que ele me tinha dado, para ficar com um homem...conversamos os três, de forma civilizada, e percebi que ele queria esse filho, mas não fazia sentido para ele, estar comigo, sem me amar.

A minha feminilidade deixou de existir, senti-me...usada, vazia, como é que eu ia ter um filho de um homossexual? Como é que eu ia contar ao nosso filho que nasceu do amor falso, entre um homem e uma mulher, que eram mais amigos do que marido e mulher? Como é que ter uma relação de pai e mãe, com o nosso filho, se ele estaria com outro homem?

Nada parecia real, tudo parecia um pesadelo, um filme de terror...mas era bem real, existia, e estava diante dos meus olhos, do meu corpo, que foi usado para fabricar uma criança, que depois…não ia ter...um pai a viver com a mãe!

Surreal. Que vergonha seria para mim, e para o nosso filho, dizer aos outros que era filho de um homem, e tinha uma relação com outro homem. Foi um turbilhão de emoções, um sofrimento, uma angústia que nunca tinha vivido antes.

Porquê a mim? Que sonhava com uma família como a minha… um pai, uma mãe e o rebento! Não, uma mãe, um filho e um pai homossexual que estava com outro homem. Nem eu parecia real, acho que deixei de existir, de ser alguém quando ele me disse que escolheu esse caminho.

Queria desaparecer, e reaparecer numa forma normal. Então...achei que só conseguiria se desse cabo de mim. Não queria aquela realidade, tentei mudar. E mudei, nem me lembro como o fiz, mas sei que acordei no hospital, nos cuidados intensivos, cheia de máquinas, e buzininhas, luzinhas, tubos, batas brancas e verdes, máscaras, gente estranha, que nem sabia quem era, ou se era mesmo gente.

Nem me lembrei que estava grávida. Não era eu, era outra qualquer, que nem eu própria conhecia. Vi o pai do meu filho com o companheiro, nem os reconheci, estavam lavados em lágrimas.

Foram eles que me trouxeram para aqui, onde ainda estou a recuperar, pelos vistos, há várias semanas, e no início não dava sinais de recuperação. Tiveram de me tirar o bebé que foi para a incubadora, fazer tratamentos, e já tinha bastante tempo de gestação, mas com o que fiz…ficou com sequelas.

Felizmente, estão a fazer de tudo, e ele tem melhorado. Sobrevivemos os dois, e quando peguei nele ao colo, pouco depois de recuperar...não sei o que senti! Mas parecia que não conhecia aquele ser, nem eu, nem ele.

Não sentia nada! Só aquele corpinho minúsculo, e magrinho, numa paz, encostado a mim. Olhei para o pais dele e para o companheiro, que choravam e sorriam do lado de fora.

Fiquei com raiva deles, pareciam dois idiotas, quando saí, olhamos os três para a incubadora...uns para os outros, conseguimos conversar, e chegamos a um acordo. Ele, o pai, assumiria o seu papel, o companheiro iria contribuir com tudo o que pudesse, seria o padrinho, a quem a criança também chamaria de tio, e...seríamos uma família.

Que bonito! Que coisa tão romântica e fácil. Não sei o que senti na hora...mas...quando olhei para o bebé…uma nova coisa estava a nascer em mim. Eu olhava-me ao espelho, não me reconhecia, nem me identificava.

Tinha medo de mim mesma, do meu reflexo! Achava que era outra a perseguir-me. Tive de me reconstruir, reinventar, aquela criatura precisava de mãe e de pai, e tinha! Recebi todo o apoio do pai do meu filho, do companheiro, decidi e consegui respeitar, aceitar a escolha dele, e a ajuda do pessoal de saúde.

Tem sido um processo muito difícil e longo, mas se sobrevivi...é porque tinha de ser… é porque… a criança queria ter-me como…mãe...não sei se sou! Hoje sinto raiva, medo, desconfiança e insegurança, mas já tenho alguma consciência do que sou, de quem sou!

Parece que perdi parte, ou a totalidade de quem era, e de quem sou agora, ainda desconheço de mim. Sinto raiva, por não ter aceitado logo a escolha do pai do meu filho, não compreendi que ele não era obrigado a ficar comigo, só porque aconteceu de engravidar!

Talvez eu até o tenho ajudado a descobrir e a assumir a sua escolha, a sua verdadeira identidade sexual. Desde que ele cumpra as suas funções de pai. Esse acontecimento destruiu toda a noção de família que me transmitiram.

Eu achava que família, era pai, mãe, juntos na mesma casa, que se amam, e os filhos! Mas fui-me apercebendo que muitos amigos, não viviam com os dois pais na mesma casa, o amor entre os pais acabava, mas continuavam a encontrar-se com os filhos.

Para mim, fazia-me confusão, mas hoje é cada vez mais comum, e não há problema, a não ser quando não assumem o divórcio, ou quando se vingam nos filhos da frustração.

Pelo menos, o pai do meu filho assumiu. Eu acreditava que por ser homossexual, o pai do meu filho não poderia, nem saberia amar o filho! Estava totalmente errada. Por causa daquele preconceito, sem sentido...porque...na verdade, ele e o companheiro provam-me todos os dias que me amam, à maneira deles, talvez...um amor mais puro, mais sincero.

Amam o meu...o nosso filho! Como um pai verdadeiro. Lá porque é homossexual, não deixa de ser pai. Temos medo, eu e eles, por causa do que vão dizer, quando a criança crescer...mas já combinamos que seremos uma família, o pai estará presente, o tio e padrinho também, e depois veremos!

Agora é aproveitar, lutar, ajudá-lo, respeitamo-nos os 3, temos uma relação maravilhosa, e o nosso filho, é amado! Agora sim, a minha vida faz sentido! Faz sentido eu continuar a existir, faz sentido o amor, faz sentido a união.

Faz sentido o pai não ter que ficar obrigatoriamente com a mãe, se para ele não faz sentido, nem é feliz, não é o que quer, só porque existe um filho! O amor é o que faz sentido, seja de que forma for!

E como é lindo, o resultado do nosso amor! Como é lindo este amor.

                                                        Lara Rocha

                                                    29/Dezembro/2020


quarta-feira, 13 de maio de 2020

Entre a lembrança e o recomeçar...- monólogo para adolescentes e adultos

    
Desenho de Lara Rocha 

       Enquanto tocaste no violino do meu coração, com os teus beijos, os teus abraços, o teu olhar, as tuas mãos nas minhas...enquanto os nossos corpos estavam juntos...as cordas do violino do meu coração...e do teu...tocaram juntas, e o seu som ecoou por todo o meu corpo, por todo o meu ser...quando deixaste de me amar...as cordas do violino do meu coração, vibraram desafinadas, descoordenadas, descompassadas, misturadas, confusas, e choraram...e no meu ser...ficou o silêncio, pois as cordas do violino do meu coração. cansaram de tanto chorar...e secaram! 
    Agora...o violino permanece...aos poucos, voltou a tocar músicas alegres! Que pena não as ouvires...apenas para saberes, que o violino do meu coração, toca alegremente mesmo sem ti! Apanhei todas as notas musicais que pairaram no ar, a cada gargalhada sincera que davas. 
     Com cada nota musical, fiz a mais linfa música de amizade que se transformou num grande amor...e essa música tocou até que o leitor avariou, nem a música, nem o amor voltaram a tocar. 
   Mas as notas musicais que pairavam, aquelas com que construí a nossa música de amor ficaram guardadas para sempre na floresta da memória. Às vezes ainda ouço essas notas musicais, e a música completa. Mas a música agora é triste! 
     De cada vez que te vi, pendurei nas cortinas do meu coração: desejos, sonhos e sorrisos, palavras alegres. Das janelas dos meus olhos elas desprenderam-se e voaram em forma de beijos quando me sorriste e quando me ofereceste uma flor. Óh, afinal a flor era só mais um dos desejos que pendurei com os outros nas cortinas do meu coração, e que voou da janela dos meus olhos. 
    Com o pincel das tuas longas e escuras pestanas, pintaste com o verde dos teus olhos, um lindo jardim de Primavera no meu coração. 
    Desenhaste com a tua boca, estrelas...e colaste-as nos meus olhos, e no meu sorriso. Flores abertas ao sol. O tempo passou, e como não cuidaste mais do jardim que pintaste em mim, nem olhaste mais para as estrelas e flores...o jardim da Primavera transformou-se num jardim silencioso, sem cor, nem vida...pelo gelo da tua indiferença, pelas palavras geladas que me dirigias, e todo o meu corpo, todo o meu ser, toda a minha alma, congelou! 
  Nesse jardim, debaixo do gelo, juntamente comigo, transformei as lágrimas que os meus olhos deixaram cair, por ti...em sólidos candeeiros de cristais de estalactites que no fim...quando voltou a ser Primavera brilharam e derreteram todo o gelo que tinhas deixado no meu coração! 
   Até um dia...quem sabe... meu escultor de gelo...ou meu pintor de Primavera ! Ou simplesmente...até já...bem...sei onde te encontrar, e estás nem perto...se nos voltarmos a encontrar... olha para os meus olhos, e verás no que me transformei!   

                                            Lara Rocha 
     

terça-feira, 12 de maio de 2020

Decisão que dói - monólogo para adolescentes e adultos




Desenhado por Lara Rocha 

     Chegaste à minha vida embrulhado em sorrisos, e em palavras simpáticas, em trocas de mensagens. 
     E de repente mudaste...passei a ser o quê, para ti? Parece que me eliminaste da tua vida.          Ainda tinha tanto para te dar! Tanto para te mostrar! 
      Tínhamos tanto para viver, conversar, escrever, partilhar, criar, aprender, construir...o que aconteceu?
      Porque passaste a ser gelado comigo? É a indiferença que me ofereces? Depois de te oferecer carinho? É a indiferença que queres receber de mim? 
     É com o teu silêncio que retribuis? A tua indiferença dói em mim. O teu silêncio dói em mim.
      Todas as mensagens que te mando e não respondes, doem em mim. 
      Nem quando digo que preciso do teu abraço, das tuas palavras...dói em mim o teu gelo, e dói a minha decisão de responder com indiferença, quando a minha vontade é de te dizer essa dor toda que me sufoca. 
      O que faço para me livrar da dor que a tua indiferença causa em mim? Como faço para reagir aos teus silêncios que doem em mim? Como vou lidar com uma indiferença sem respostas, que não compreendo, e que me dói?         Dói em mim ter de te ignorar para ver se sentes a minha falta. Sentirás? 
      Não sei se é o melhor que faço, porque dói muito em mim. Não sei se me vou livrar da dor, porque dói muito em mim.  
      Neste momento obrigas-me a ser também indiferente contigo...talvez isso te deixe livre, e se as nossas almas tiverem algo para viver juntas, viverão...não fugirás mais. 
       Não teremos medo, talvez agora tenhamos. Talvez só nessa altura saberei a resposta, à pergunta se esta é a melhor decisão...dói muito em mim, mas talvez seja isso que queiras. 
      Como vou lidar com a dor? Não sei. Resistirei. Dói a minha decisão de escolher a indiferença! 
                                        
                     Lara Rocha
           
                                               


O vidro e os sopros do coração - Monólogo para adolescentes e adultos



   O coração às vezes é idiota, de tão inocente que é. Teimoso, porque insiste em dar carinho a quem não o vê, não sente. Insiste, e depois suspira, sopra de raiva, porque é magoado, porque o apertam. Ilude-se! 

     Pensa que vai ser acarinhado, valorizado, visto. O coração às vezes parece que tem ouvidos, mas é muito ignorante, acredita no que os olhos lhe dizem, quando te vêem no vidro. 

    Gostam dessa imagem, mas depois... sopra de raiva porque não eras nada do que ele acreditava seres. 

   O coração sopra de dor, quando percebe que nem toda a gente é como ele. E que tu, que estás por trás do vidro não és nada do que eu imaginava! Como pudeste deixar-te enganar, coração idiota? 

   O coração sopra e sofre! Se os nossos corações pudessem atravessar o vidro que nos separa, e conversassem, com o encanto e magia da primeira vez, mesmo sem nos falarmos, e se os nossos olhos pudessem fixar-se nesse vidro, verias que não sou quem pensas! 

    O vidro permite-te ver flores à minha volta, e toda eu sou uma flor, mas se visses por trás do vidro que mostra flores, verias muitas vezes que estou rodeada apenas por espinhos. E às vezes até vestida de espinhos. 

      Julgas que sou um botão em flor, sempre aberto, mas se me visses por trás do vidro verias um jardim cheio de botões fechados.

   Julgas que vês em mim um olhar brilhante, cheio de luz...como um lago transparente! Se me visses por trás do vidro, verias uma floresta de sombras, dias de nevoeiro, céus com nuvens carregadas, que cobrem o sol. 

      Se me visses por trás do vidro saberias interpretar as minhas palavras com a verdade que elas carregam, e não com as máscaras do fingir que suporto a tua indiferença. 

       O vidro separa muitas coisas, é verdade! Separa a tua curiosidade, a tua vontade, separa-nos do teu medo, dos nossos olhos, com os quais poderias e deverias ver os meus. 

   O vidro separa os sopros do coração, separa os teus olhos que deveriam encontrar pedaços de mim, máscaras espalhadas, pedaços que flutuam sem rumo! 

   Se pudesses ver por trás do vidro encontrarias a pessoa que realmente sou, sem máscaras. 

                                                                            Lara Rocha 

                                                                                                                           22/Março/2018