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segunda-feira, 13 de maio de 2024

Álbum de recordações

ALBUM DE RECORDAÇÕES 




Hoje abri um álbum de fotografias,

e entre elas

apareceram as tuas!

A cada foto tua…

Uma fadinha

andou a brincar

com o meu coração,

e puxou uns fios fininhos

com os quais teci o meu amor por ti,

há uns anos atrás…

cuja luz se apagou

quando tu acabaste!

Mas esses fios fininhos

que ela apanhou

no cantinho escuro onde ficaste,

fizeram vibrar as cordas da saudade!

Não de ti,

mas do calor do teu abraço!

Uma estrelinha

brilhou timidamente,

em cada um dos meus olhos

ao lembrar dos teus abraços

e na minha garganta

suou um…

«obrigada»...

Para sempre…

Primeiro amor!

Sinto-te...

Sinto a tua presença,

Sinto o teu calor,

Sinto o teu corpo,

Sinto os teus braços,

a envolver-me.

Sinto o calor desses abraços,

Sinto os teus olhos a olhar para mim,

Sinto a meiguice que eles me transmitem,

Sinto a doçura e calma dos teus olhos.

Sinto a tua doçura,

Sinto a tua respiração,

Sinto a tua mão,

Sinto o teu coração a bater.

Sinto a tua presença,

Ouço a tua voz meiga, doce e serena,

Sinto os teus lábios,

Sinto a tua pele,

Sinto todo o teu corpo.

Sinto toda a tua luz,

dentro do meu coração.

Apenas na minha imaginação!

No dia em que…

Deixamos de ser o nós,

e voltamos a ser

eu e tu…

foi o dia em que

me desintegrei como um meteorito

o dia em que

deixei de saber quem era,

pois tu levaste contigo

tudo de mim!

No dia em que morri por dentro…

pus o meu coração encharcado

e a estourar de lágrimas,

a secar

nas cordas da máscara do sorriso,

mas o coração furou

e o meu mundo parou!

O meu corpo ficou doente!

O meu cérebro latejou,

estourou…

as lágrimas 

saíram pelos olhos

num mar de sofrimento,

dor,

raiva…

o coração batia descompensado,

confuso,

louco…

não dormi várias noites!

Até que gritou: «chega!»

Quando gritou «chega!»,

acalmei à força…

com um sol forçado.

Entretanto,

o coração foi secando,

ficando com menos lágrimas! 

E voltei a saber quem era,

muito lentamente,

voltei a construir-me,

e a reconstruir-me

quando 

reentrei para o teatro.

Foi maravilhoso!

Voltei a sorrir com vontade.

Renasci!

E o coração continuou a secar,

no varal dos meus olhos!

Umas vezes

envolvido em máscaras,

outras tantas vezes

voltou a encher-se de lágrimas,

a doer,

a apertar,

a gritar.

Outras vezes,

voltou a secar…

Hoje,

o coração

já não está a secar,

mas por vezes

ainda fica na sombra! 

O que levaste

No dia em que decidiste acabar

Levaste-me contigo 

Para onde estavas, 

Inteira, 

Sem me tocar. 

Eu estava a Norte, 

E tu a Sul. 

Dizias que eu estava dentro de ti, 

No teu coração. 

Aí, tinhas razão! 

Eu estava mesmo no teu coração. 

Não porque me amavas, 

Mas porque eu não tinha maldade, 

E estava apaixonada. 

Quando estamos apaixonados 

Deixamos de ver a realidade! 

Tudo à nossa volta 

nos parece verdade! 

Ficamos dominados 

pelo farol da ilusão. 

Levaste todo o meu corpo. 

Todos os milímetros da minha pele 

Onde me tocaste, 

E todos os pedacinhos 

que encostei na tua pele 

Nos nossos abraços carinhosos. 

Levaste todo o meu fogo, 

Toda a minha luz, 

Todo o meu brilho, 

Todo o meu sorriso, 

Todas as minhas lágrimas 

Todos os meus sonhos! 

Todos os meus desejos! 

Todas as minhas dores. 

Levaste todos os meus cacos, 

E levaste-me inteira… 

Sem me ter devolvido 

um único pedaço. 

Levaste quem dizias 

ser a mulher da tua vida! 

Eu acreditei! 

Ensurdecida pela música das tuas palavras 

Que acreditei serem verdadeiras. 

Levaste uma mulher 

Que deixou de existir. 

Levaste a mulher que já fui, 

Mas já não sou! 

Sou uma mulher muito diferente 

Que nunca mais conhecerás...!

Nunca mais verás, 

Nem ouvirás, 

Muito menos 

Sentirás. 

Talvez 

Essa mulher que já fui, 

Que tu levaste, 

Também já nem sequer exista 

dentro de ti. 

Talvez 

Essa mulher que levaste 

Esteja neste momento 

Esmigalhada 

no teu coração 

Lá para um canto qualquer... 

Ou, pode ser 

que quem tens agora 

tenha expulsado

a mulher que já fui 

e que estava 

no teu coração. 

Talvez 

Ela tenha deafeito

essa mulher 

que levaste contigo.

Ou pode ser 

que essa mulher 

por vezes 

Povoe o teu pensamento 

em forma de recordação 

Onde está essa mulher, 

que levaste contigo? 

Eu, nunca mais a vi...

E tu? 

Voltaste a vê-la? 

Voltaste a senti-la 

dentro de ti? 

Como dizias sentir-me! 

A mulher que levaste.  


Lara Rocha 

21/3/2014 

terça-feira, 27 de junho de 2023

Baú

 

Palavras soltas, pensamentos sem sentido, perdidos, recordações 


Durante os anos em que vivemos o nosso amor, fomos duas duas árvores que crescemos juntas. Duas árvores com alma, frágeis, que ensinaram uma à outra e aprenderam juntas. 

Duas sementes inocentes, ainda debaixo da terra, com medo de aparecer depois de um longo sono de muitos invernos, com medo do mundo à sua volta, e com medo do amor, de amor, sem sequer saber conscientemente o que era Amor, e o que era Amor. 

Estávamos dispostos a aprender, e era um desejo comum. Duas sementes que se encontraram no momento delas, em que estavam destinadas a encontrar-se para continuar a amar. 

Talvez o amor que nos unia, sempre tivesse existido, e quando menos creditei, já tinha desistido, tu provaste que os meus amigos tinham razão. 

Diziam-me que havia alguém guardado para mim, alguém especial, que ia aparecer no momento certo, quando tivesse de ser. Com a minha idade, comparava-me com os que tinham (alguns); e achava que nunca teria. 

Tenho a sensação que as nossas almas se reconheceram e reencontraram para cumprir o seu propósito, igual ou diferente, só elas saberão pelo que nos fizeram viver um com o outro.

Não senti medo, entreguei-me a ti, deste-me uma oportunidade, eu aceitei. Lançaste a primeira semente! Começou uma amizade simples, sem pressa, com bons momentos, partilhas, telefonemas, mails, alegrias, passeios, almoços, brincadeiras, gargalhadas. 

Pediste-me em namoro de uma forma tão bonita, inocente, simples, mas sincera. Eu aceitei. O meu primeiro amor! Correspondido! Como estava feliz, alguém que me valorizava como eu era, que gostava de mim, que me conquistou sem pressa, pela amizade, que tanto me ensinou, que era como eu imaginava muitas vezes. Foi num sítio maravilhoso, com uma música que chamamos «a nossa música», um dia muito emotivo, os dois adorávamos. 

Senti-me como se naquele dia alguns dos meus medos tivessem desaparecido. Sim, tu sabes, tinha medo de amar, medo de me entregar, eu tinha-te dito isso. E tu compreendeste-me, porque também sentias alguns, acolheste-me, conquistaste-me sem pressa, ofereceste-me um livro que me ajudou. 

Essa foi outra raiz que construiu a nossa relação. Um amor que vimos crescer. juntos, e as sementinhas de carinho, amizade, respeito, companheirismo, felicidade, que regamos com amor, e mesmo com dor. 

Um amor que fizemos por crescer e vimo-lo crescer, cada raminho, cada folhinha, cada raminho, cada tronco com os nossos abraços. A cada troca de olhares, tão mágico, como só nós soubemos como era especial, quando nós nos calávamos, os nossos olhos falavam uns com os outros, contemplavam-se, olhavam-se. 

Enquanto isso acontecia, sorriamos sem saber bem de quê, talvez fossem os nosso olhos que se tocavam, abraçavam ou beijavam. A cada troca de olhares, vimos despertar folhinhas, das mais pequeninas, às maiores, que cresceram com cada lágrima que chorei sempre que ias embora. 

Fomos flores abertas a cada sorriso, a caba brilho no olhar, quando deixávamos que eles falassem uns com os outros. Fomos árvores com folhas de todas as cores, acompanhando as estações do ano.

Descansamos à sombra das raízes, que se foram tornando mais fortes, com os sonhos que construímos juntos, de vida a dois, de sermos dois num só, como já nos sentíamos, a cada enlace de mãos, a cada abraço, a cada gargalhada, a cada passeio, de cada vez que ouvíamos a nossa música juntos, e a emoção quase transbordava, transformando-se em estrelas brilhantes. 

Tudo estava bem encaminhado, com pedido de casamento, e de repente, alguma coisa terrível aconteceu...a árvore de raízes fortes, bonita, foi enfraquecendo, ficou doente, secou. 

Deixou de haver sonhos a dois nas raízes, fusões de raminhos e troncos que se entrelaçavam com os abraços, a nossa música não tocou mais, os olhos deixaram de falar, as bocas também, tornamo-nos flores fechadas.

Passou a ser noite sem estrelas, sem lua, o dia todo para mim, para ti talvez fosse dia 24h, sem noite. Tantos anos depois, não me interessa saber como está a tua árvore, a que plantaste com outra. 

A minha árvore desapareceu, não voltaram a aparecer sonhos, nem projetos, nem sorrisos, nem raízes, muito menos sementes para as construir. 

Os medos voltaram, e deixei de acreditar outra vez no amor. Pelo menos nessa forma de amor. A única coisa que resta, não é sequer que haja alguém especial à minha espera, ou pensar que vai aparecer no momento certo....deixei de acreditar nisso! 

O que resta, são as boas lembranças, estrelas cadentes, astros que de vez em quando percorrem a mente, e de longe a longe, fazem sorrir. Não sei se a nossa história ficou completa, talvez tivesse durado o que tinha de durar, para cumprirmos a nossa missão um com o outro, sem que os nossos sonhos juntos, de sermos um só e outros, tantos que construímos, tivessem de ser real, e de acontecer. 

O fim foi inesperado, doeu, entristeceu, morri, nunca mais foi a mesma, não sei se melhor ou se pior (eu acho); já falo em ti, há muito sem chorar, sem dor, mas com ódio e raiva (algumas vezes), pela pessoa que fui e levaste contigo, e pela pessoa pior em que me tornei depois de ti. 

Quis muitas vezes vingar-me, tu sabes do que estou a falar, e como ia fazê-lo, a tua sorte foi que ainda tive a capacidade de pensar duas vezes... 

Devolve-se as minhas melhores partes, que ficaste com elas. Para que as queres, se a outra é melhor? A reconstrução ainda está a acontecer...

Foste o meu melhor, e o meu pior. Que pena! Mas é porque não tinha que ser...isso às vezes dóis, sabes?! Mas tu não quiseste ser o meu melhor, nem conhecer tanto de melhor que tinha para te dar. 

A carne foi fraca. Resta-me agradecer-te por tudo de bom, por tudo o que aprendi contigo, e desejar que fiques feliz, em paz, com quem rega agora a tua árvore. 


                                                FIM 

                                            Lara Rocha 

                                            27/Junho/2023 

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Entre a lembrança e o recomeçar...- monólogo para adolescentes e adultos

    
Desenho de Lara Rocha 

       Enquanto tocaste no violino do meu coração, com os teus beijos, os teus abraços, o teu olhar, as tuas mãos nas minhas...enquanto os nossos corpos estavam juntos...as cordas do violino do meu coração...e do teu...tocaram juntas, e o seu som ecoou por todo o meu corpo, por todo o meu ser...quando deixaste de me amar...as cordas do violino do meu coração, vibraram desafinadas, descoordenadas, descompassadas, misturadas, confusas, e choraram...e no meu ser...ficou o silêncio, pois as cordas do violino do meu coração. cansaram de tanto chorar...e secaram! 
    Agora...o violino permanece...aos poucos, voltou a tocar músicas alegres! Que pena não as ouvires...apenas para saberes, que o violino do meu coração, toca alegremente mesmo sem ti! Apanhei todas as notas musicais que pairaram no ar, a cada gargalhada sincera que davas. 
     Com cada nota musical, fiz a mais linfa música de amizade que se transformou num grande amor...e essa música tocou até que o leitor avariou, nem a música, nem o amor voltaram a tocar. 
   Mas as notas musicais que pairavam, aquelas com que construí a nossa música de amor ficaram guardadas para sempre na floresta da memória. Às vezes ainda ouço essas notas musicais, e a música completa. Mas a música agora é triste! 
     De cada vez que te vi, pendurei nas cortinas do meu coração: desejos, sonhos e sorrisos, palavras alegres. Das janelas dos meus olhos elas desprenderam-se e voaram em forma de beijos quando me sorriste e quando me ofereceste uma flor. Óh, afinal a flor era só mais um dos desejos que pendurei com os outros nas cortinas do meu coração, e que voou da janela dos meus olhos. 
    Com o pincel das tuas longas e escuras pestanas, pintaste com o verde dos teus olhos, um lindo jardim de Primavera no meu coração. 
    Desenhaste com a tua boca, estrelas...e colaste-as nos meus olhos, e no meu sorriso. Flores abertas ao sol. O tempo passou, e como não cuidaste mais do jardim que pintaste em mim, nem olhaste mais para as estrelas e flores...o jardim da Primavera transformou-se num jardim silencioso, sem cor, nem vida...pelo gelo da tua indiferença, pelas palavras geladas que me dirigias, e todo o meu corpo, todo o meu ser, toda a minha alma, congelou! 
  Nesse jardim, debaixo do gelo, juntamente comigo, transformei as lágrimas que os meus olhos deixaram cair, por ti...em sólidos candeeiros de cristais de estalactites que no fim...quando voltou a ser Primavera brilharam e derreteram todo o gelo que tinhas deixado no meu coração! 
   Até um dia...quem sabe... meu escultor de gelo...ou meu pintor de Primavera ! Ou simplesmente...até já...bem...sei onde te encontrar, e estás nem perto...se nos voltarmos a encontrar... olha para os meus olhos, e verás no que me transformei!   

                                            Lara Rocha 
     

terça-feira, 12 de maio de 2020

Monólogo romântico para adolescentes e adultos



         Desenhado por Lara Rocha 

  




























   Quando os nossos olhos se tocavam, e as palavras se calavam, apenas os olhos falavam entre si. Não conseguíamos ouvi-los, mas mesmo assim era tão bom...Tão leve...Momentos silenciosos, de paz, que repetimos muitas vezes...
 Momentos em que só os nossos olhos conversavam entre si e beijavam, e os nossos corpos, parados, rendidos, entregues à magia daquele silêncio. 
  Diálogos secretos entre os meus e os teus olhos. Olhos que se juntavam e se tornavam num só olhar envolvidos no amor. O que conversavam? O que confessavam? O que procuravam? O que encontravam
os nossos olhos quando se tocavam? 
 Quando os nossos olhos falavam, nós ficávamos calados. Só o silêncio reinava, só a paz, só o brilho das estrelas, e nós...Eu e tu...
 O nosso corpo descansava lado a lado, enquanto os nossos olhos conversavam! Que momentos tão bons...Que momentos tão mágicos...Foram aqueles em que os nossos olhos conversavam e os nossos corpos se calavam.
  Que momentos tão serenos e tão silenciosos para nós...Mas de grande magia e com certeza grandes conversas entre os meus e os teus olhos.
  Quem me dera voltar a viver esses momentos, esses, em que os nossos olhos conversavam e os nossos corpos se calavam. 
  Quem me dera voltar a viver esses momentos, só para ouvir o que os nossos olhos conversavam, enquanto os nossos corpos se calavam.
  Será que conseguiria ouvir o que os nossos olhos diziam? Talvez o coração saiba o que os nossos olhos conversaram, mas por causa da dor, não queira lembrar, ou confessar...
  Saudades desses momentos em que os nossos olhos eram apenas um! Gostava de poder mergulhar um dia...Só por uns momentos, nessas memórias. Para sentir paz...e sorrir ao recordar...Aqueles momentos tão, e só, nossos! Em que nos calávamos, e os nossos olhos conversavam...Brilhavam.  
  Quando folheio o livro das recordações ainda recordo esses momentos tão deliciosos, e mágicos, entre os nossos olhos. Momentos em que o Universo todo se refletia nos nossos olhos, e no nosso sorriso. 
  Enquanto os nossos olhos conversavam...esses momentos entre os nossos olhos, tão deles, tão nosso...Ainda cintilam na minha memória dos momentos de Felicidade!
  Agora que os teus olhos se cruzam com outros olhos...Será que eles também conversam com esses outros olhos? Será que nos teus olhos ainda vês o reflexo dos meus olhos, quando os teus olhos conversam com outros olhos, que não os meus? 
 Será que o Universo ainda brilha nos teus olhos, agora que te encontras com outros olhos que não os meus, como brilhava nos nossos olhos, quando conversavam?
 Era mágica aquela fusão de olhares...tão doce, tão especial. Tenho saudades! Sim. Saudades dessas conversas entre os nossos olhos.
  Queria poder voltar atrás no tempo, e trazer para o hoje, apenas esses momentos, em que só os nossos olhos falavam e os nossos corpos paravam!
 Entregues à Luz que iluminava os nossos olhos. Não sei bem como se chamava essa LUZ. Chamavas-lhe AMOR, mas se fosse AMOR, essa LUZ não teria fundido, teria continuado a brilhar só para os nossos olhos!
  Tenho saudades! Sim! Dessa conversa entre os nossos olhos! Que lindo momento...tudo deixava de existir. 

                          Lara Rocha