Número total de visualizações de páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta História para todas as idades; boneca mágica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta História para todas as idades; boneca mágica. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 4 de abril de 2024

A boneca que mudava de cor de olhos

 

         Era uma vez uma boneca diferente das outras, que foi oferecida por uma tia a uma sobrinha. A boneca que parecia com expressão séria, sorriu, no dia em que foi comprada. 
    A tia pensou que estava a imaginar, e sorriu com ela, porque fez-lhe lembrar a sua infância. A boneca tinha olhos que pareciam de vidro, da cor dos girassóis, com rajadas amarelas, muito bonita, cabelos de cristal, pareciam prata, uma boquinha perfeita, uma roupa lindíssima. 
    Na noite em que a tia a comprou, reparou que os cabelos da boneca, brilhavam no escuro, com estrelas pequeninas, planetas, sóis, pintinhas, luas. 
    Depois do susto, e de achar que estava a imaginar coisas, sorriu, e dormiu. De manhã, viu que os olhos da boneca estavam mais escuros, pareciam dois bolinhos de chocolate, estava a sorrir, e os cabelos dourados, como o sol. 
- Que estranho! Acho que se está a passar alguma coisa estranha comigo. Parece que preciso de ir ao médico. - suspira a tia 
    A tia foi dar as suas voltas, e quando regressou, a boneca já estava olhos que pareciam de vidro, com a mesma cor dos girassóis, e os cabelos castanhos claros, com pétalas de girassóis. 
- O que é isto? A boneca está enfeitiçada, ou sou eu que estou a perder o juízo? Ainda bem que amanhã já vou oferecê-la, e pergunto à minha sobrinha se vê o mesmo que eu. 
    A boneca sorri, à noite, a tia repara que a boneca tinha os olhos quase pretos, e salpicados de branco, que cintilavam em várias cores, pareciam estrelas a brilhar. Os seus cabelos estavam igualmente pretos. 
    A tia ficou assustada. Apagou a luz, com medo, e viu outra vez os cabelos a brilhar como o espaço. Acendeu a luz, e a boneca estava igual. Voltou a apagar a luz, viu as estrelas dos olhos a cintilar, e os cabelos a brilhar. 
    Ela senta-se na cama assustada. Pergunta à boneca: 
- Óh boneca...tu falas? 
- Sou uma boneca! - responde esta 
    A tia grita, treme, acende a luz. 
- Cruzes...! Quem é que falou? 
    Procurou debaixo da cama, nos armários, a boneca desata às gargalhadas. 
- Não sei porque estás a fazer isso...? Fui eu que falei, claro, quem mais poderia ser? - pergunta a boneca a rir 
- Ou sou eu que estou a ficar com algum problema? 
- Não. Fui mesmo eu. Ainda não reparaste nas minhas mudanças, nos olhos e nos cabelos? 
- Já. Até pensei que estava a imaginar, a voltar a ser criança. 
   A boneca ri: 
- Já foste criança, mas de certeza que não tiveste uma boneca como eu. 
- Não. Ainda bem, porque se não, sentia medo de ti. 
- Não sei porquê? Eu não faço mal! Sou assim tão feia? 
- Não. Não...! Mas ontem estavas de uma maneira, hoje estás doutra...
- Ora, e tu também não ficas assim? Uns dias estás mais animada, outros mais amuada? 
- Sim, e é por isso que tu mudas de formas e cores? 
- Sim, quem me fabricou, acho que tinha esse objetivo, tornar-me mais parecida com as pessoas. 
- Ainda por cima, falas...! 
- Então...? Tu não falavas com as tuas bonecas, e elas não te respondiam, na tua imaginação? 
- Sim, claro, mas pensei que essa fase já tinha passado. 
- Não sei porque é que põem prazos limites a nós, bonecas, para estar convosco. 
- Porque crescemos. 
- Crescem em tamanho, e deixam de gostar de nós, abandonam-nos como se fossemos prejudicar alguma coisa na vossa vida. Que tristeza! 
- Pois, também não sei porque não nos deixam brincar a partir de uma certa idade. Mas vocês, bonecas, ficam tristes? 
- Claro! Fazemos-vos companhia, passamos bons momentos convosco, e depois abandonam-nos. 
- Também, sinceramente...custa um bocadinho! Mas são regras. 
- Não concordo com o haver essas regras. Podem brincar connosco sem limites de idade, nem que seja às escondidas. Nós vemos o vosso brilho no olhar, e os sorrisos de ternura, quando veem bonecas, e bonecos. 
- É, isso é verdade. Ainda hoje gosto muito de bonecos. 
- Não parece! 
- Eu sei. Desculpa. Vou oferecer-te à minha sobrinha amanhã. 
- Mal cheguei e já me vais abandonar. 
- O que posso fazer? Ela é que está de aniversário. 
- Vai buscar outra à loja, e ficas comigo! 
- Hummm... 
- Não sei, tu não foste barata. 
- Gostas da tua sobrinha, não gostas? 
- Gosto, claro que sim. 
- E gostaste de mim? 
- Gostei. 
- Então porque não compras uma igual e ficas comigo? Eu faço-te companhia. 
- Mas como é que mudas de cor de olhos e cabelo, se és uma boneca? 
- Não sei. Quem me construiu disse que eu era o reflexo das emoções de quem ficava comigo, do dia e da noite. Não me perguntes o que é isso porque não sei, só ouvi isso. 
- Áhhhh....que giro! Acho que me convenceste. Tu queres ficar comigo? 
- Sim. 
- Está bem, então, amanhã passo na loja e compro outra igual a ti. 
- Boa! Obrigada. 
    A tia pega na boneca, e deita-a à beira dela, sorri encantada, por vê-la brilhar no escuro, faz-lhe uma festinha e cobre-a. 
- Boa noite, boneca noite.
- É esse o meu nome? 
- Não, estou só a chamar-te assim, porque estás como a noite. 
- Áh. Está bem. Obrigada, igualmente. 
    No dia seguinte, a boneca estava com um sorriso aberto, olhos que pareciam de vidro e reflexos de girassol, cabelos dourados. A tia põe-na sentada na cadeira, e os olhos da boneca ficam amarelos, como o sol, os cabelos com rajadas loiras e cor-de-laranja, amarelas, castanhas. 
- Bom dia, linda boneca. Dormiste bem? 
- Bom dia. Sim, dormi muito bem, e tu? 
- Também. 
- Que bonita que estás agora. 
- Obrigada. 
- Vou buscar uma igual a ti, e oferecer à minha sobrinha, conversamos mais tarde, está bem?
- Está bem. Parabéns à tua sobrinha. 
- Obrigada.
    A tia vai à loja e compra uma boneca igual. Oferece-a e a sobrinha adora a boneca. Abraça-a, beija-a, dá-lhe a mão, faz-lhe festas. Ao longo do dia, a boneca vai mudando de cor e a  sobrinha repara, comenta com a tia. 
    A tia faz de conta que não sabe de nada, e fica surpresa. A boneca da sobrinha muda de cor de olhos e cabelos, conforme as emoções, quase como a da tia. 
- Que linda! - dizem as duas 
    A sobrinha estava sempre a mostrar à tia as diferenças da boneca. A tia ri-se, e no fim da festa, regressa a casa. Lá está a boneca dela, sentada na cadeira à sua espera. 
    A tia e a boneca têm uma longa conversa, sobre a festa e a boneca oferecida à sobrinha, as mudanças e as reações dela. As duas riem muito, e vão descansar. 
    A boneca tinha razão. A tia podia continuar a brincar e a apreciar bonecas, independentemente da idade, nem precisava de contar aos outros, e já foi criança, mesmo assim, essa criança ainda existe. 
    É bom brincar, em qualquer idade. 

                             FIM 
                         Lara Rocha 
                        4/Abril/2024 

Se vocês tivessem uma boneca assim, como é que ela seria?  Quais seriam as cores e as respetivas emoções que veriam nos olhos, e nos cabelos da boneca? O que mudava na boneca? 

Toca a imaginar :) 

Podem deixar nos comentários, todas as respostas são subjetivas e válidas.