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quinta-feira, 14 de maio de 2015

O CONQUISTADOR DE MAIO

          Era uma vez uma aldeia muito grande, longe das cidades, com muitos habitantes, que não tinham dinheiro a mais, mas eram muito boas pessoas. Era uma aldeia cheia de história, e mistérios, recheada de belezas naturais, como as cascatas, grutas, flores, e pássaros raros muito bonitos.
Além de todas as surpresas da Natureza, os visitantes ainda eram simpaticamente recebidos pelos habitantes mais velhos que adoravam companhia, e eram excelentes guias turísticos.  
Para dar a conhecer a aldeia, até ofereciam água das minas, chás e biscoitos para quem queria, e fruta da época. Os visitantes não resistiam a tantas coisas boas, e compravam mesmo tudo o que eles vendiam. Muitos dos habitantes era disso mesmo que viviam.
Enquanto os mais velhos caminhavam com os visitantes pela aldeia, contavam as suas aventuras, brincadeiras e travessuras de quando eram mais novos, nesses espaços, e histórias da própria aldeia.
            De todas as histórias da aldeia, a que mais gostavam de contar, era uma muito especial que deixava os adultos mais românticos, emocionados e a sonhar acordados. A história do conquistador de Maio.
            Era a história de como as cerejeiras da aldeia tinham aparecido lá, em sítios que pensavam não ser possível nascer qualquer flor, quanto mais cerejeiras ou outra árvore de fruta qualquer. A realidade é que elas estavam lá e davam cerejas de fazer crescer água na boca.
            Eles contavam que há muitos, muitos anos atrás… nessa aldeia…viveram reis e rainhas com os seus pequenotes uma vida cheia de riqueza, no castelo que ainda existia, e foi reconstruído por um grupo de estudiosos de história, tal e qual como era na época.
            No mês de Maio desse ano, numa noite quente, em que o vento forte trazia atrás de si chuva e trovoada, as princesas estavam à janela dos seus quartos à procura da Lua que estava escondida atrás das nuvens, e das estrelas.
Não viram nem a Lua nem as estrelas, mas viram uma sombra que parecia ser um cavalo com o cavaleiro. Como estava escuro ficaram assustadas, e foram para os quartos.
Os olhos delas tinham a sua razão…era uma sombra, mas ao mesmo tempo era um belo jovem rapaz, alto, de capa preta que ia montado no seu cavalo de uma longa viagem e parou ali para descansar.
No dia seguinte, as princesas voltaram à janela, e chovia e trovejava muito, o pobre cavaleiro estava encharcado a dormir encostado a uma árvore de tronco largo e grosso, com ar muito cansado e o seu elegante e belo cavalo também ao seu lado, enroscado nele para o aquecer e proteger.
Os guardas do castelo ficaram com muita pena dos dois, e foram levar a notícia aos reis. Os reis mandaram-nos levar o cavaleiro e o cavalo para um dos quartos que estava vazio no castelo.
Os guardas acordaram o rapaz e o cavalo, e convidaram-nos a ir para o quarto. Os dois aceitaram, tomaram um belo pequeno-almoço, digno de reis, o rapaz pôs a capa a secar, tomou um banho quente e vestiu uma roupa seca. O cavalo teve a mesma sorte, e fez num instante uma série de novos amigos, todos os outros cavalos do castelo.
O rei mandou-o chamar, e as princesas ficaram todas apaixonadas pelo rapaz, que era mesmo bonito, simpático e delicado com as meninas. Todas as meninas quiseram tornar-se amigas dele.
Ele também as achava muito bonitas, mas como gostava de todas, decidiu ser só amigo delas, e não se apaixonou por nenhuma. Elas competiam entre si sem ele saber, para ver de quem ele gostava…cada uma achava que o rapaz estava apaixonado por si.
Uns dias depois, o rei mandou o rapaz embora porque achava que ele estava a fazer mal às meninas, já nem estavam a ser amigas umas das outras, e porque ele era muito pobre…não podia ser para aquelas meninas. E o rapaz obedeceu, triste. Agradeceu, e saiu do castelo.
O seu cavalo e os outros cavalos ficaram muito tristes, mas prometeram uns aos outros, voltar a encontrar-se em breve. Como ele era pobre, não deixou nada, nenhum presente para elas.
As meninas ficaram muito tristes e chorosas quando souberam na manhã seguinte que ele tinha ido embora, mas como ele era muito pobre, a tristeza das meninas passou depressa…elas não queriam um namorado pobre.
Nesse mesmo mês, mas no ano seguinte, o rapaz voltou à aldeia e deixou na janela dos quartos das meninas um saquinho de veludo com alguma coisa lá dentro. Elas ficaram muito surpresas, abriram o saquinho a pensar que era um anel de diamantes ou mesmo pedrinhas preciosas, mas só viram caroços que pareciam de fruta.
Ficaram tão zangadas e desiludidas, aos gritos, e a chorar, que atiraram todos os caroços pela janela fora com toda a sua força e o mais longe que podiam. Estes espalharam-se por toda a aldeia, por muitos sítios.
Uns tempos depois, começaram a aparecer cerejeiras de forma misteriosa, que deram belas cerejas como as que existem hoje lá na aldeia. Contam eles que quando as cerejeiras ficaram em flor, as princesas viam a sombra do rapaz e ouviam o seu cavalo a relinchar durante todo o mês de Maio.
Elas perceberam que afinal os caroços que estavam à sua janela, não eram diamantes, nem pedras preciosas, mas era tudo o que o rapaz tinha para lhes dar, além da amizade.
Enquanto havia cerejas na aldeia, o rapaz estava lá, e as meninas encontravam-se com ele, sem os reis saberem, porque ele era pobre, não tinha diamantes para oferecer, mas tinha um coração maravilhoso e um sorriso que encantava as meninas. Passavam belos momentos juntos.
Dizem que foi assim que nasceram aquelas cerejeiras da aldeia naqueles lugares estranhos e de forma espontânea, quase mágica. Ficou conhecido como o conquistador de Maio, porque visitava a aldeia no mês de Maio.
Se aconteceu mesmo assim ou não, ninguém sabe dizer, mas todos adoram esta história.

FIM
Lálá

(14/Maio/2015) 

terça-feira, 12 de maio de 2015

O mar dentro de uma caixa

         Era uma vez uma menina que foi pela primeira vez a uma praia com os seus pais. Levou um vestido fresco, leve e colorido por cima do fato-de-banho, chapéu na cabeça, óculos de sol na cara, e chinelos.
Os pais carregaram a lancheira com o almoço e as bebidas frescas e o guarda-sol. Ela levou os baldes, as pás e moldes para brincar na areia.
Que sorte…quando chegou à praia, começou logo a saltitar de felicidade e um sorriso aberto.
- Áh! A praia é isto? – Pergunta ela
- Sim! – Respondem os pais
- Que grande…tem muita areia e ali está o mar, com os seus carneirinhos. Posso ir?
- Ainda não. – Diz a mãe
- Primeiro vamos instalar-nos e pôr protector solar. – Acrescenta o pai
A menina estica a sua toalha e ajuda os pais a estender as deles. Os pais acomodam as coisas, abrem o guarda-sol, põem protector solar.
- Mãe…posso ir? – Pergunta a menina
- Vai. Mas não saias da nossa vista. – Recomenda a mãe
- Está bem. – Responde a menina
- O pai ou a mãe já vai ter contigo. – Diz o pai
- Boa! – Diz a menina
- Entra devagar…! – Recomenda a mãe
A menina vai para as possecas, feliz, a correr com um balde e uma pá. Mas com o entusiasmo de ver o mar tão perto que lhe tinham falado, entrou rápido e deu um grito.
- Ai…que fria!
E volta para a areia. Senta-se e enche o balde. O pai vai ter com ela.
- Pai. Está fria a água.
- Está? Ainda é cedo. – Diz o pai
E o pai fica a brincar com a menina. Constroem um lindo castelo, e inventam uma história, divertidos. Na hora de mais calor, os dois vão para a sombra do guarda-sol, almoçam e de tarde dormem uma sesta.
Quando acorda, a menina brinca alegremente nas possecas que não foram embora, brinca com os baldes e as pás e com os moldes. Os pais brincam com ela e aproveitam para se refrescar na água do mar.
Ao fim do dia:
- Princesa…vamos embora. – Informa a mãe
- Óh não! – Diz a criança triste
- Tem de ser. – Diz o pai
- Eu quero ficar aqui…gostei tanto da praia e do mar…- Reclama a menina
- Voltamos noutro dia! – Diz a mãe
- Este foi só o primeiro. – Diz o pai
- E o mar não foge! – Reforça a mãe
- Não?
- Não! – Respondem os dois
- Mas eu quero levar o mar e a areia numa caixa. – Pede a menina
- Está bem…- Diz o pai
E vai buscar uma garrafa vazia que ficou do almoço. Põe um pouco de areia no fundo e enche o resto com água do mar.
- Aqui está! Vês? – Diz o pai
- Boa Papá! Conseguiste meter o mar e a areia numa garrafa? És o maior… - Elogia a menina
- Isto é só um bocadinho. – Diz o pai a sorrir
- Claro. A praia é muito, muito grande! Tem muita, muita areia…e tem muita, muita água. – Diz a menina
- Pois tem. – Dizem os pais
- Até amanhã, praia. Até amanhã areia…até amanhã mar. – Diz a menina
A menina sorri, e volta para casa com os pais, muito feliz, com a garrafa cheia de areia e de água do mar. O pai mete a garrafa numa caixa dela.
- Pai…onde está a garrafa?
- Está aí, em cima da mesa.
- Eu quero-a à minha beira. A minha praia. Quero dormir na minha praia.
O pai faz-lhe a vontade. No dia seguinte a menina vai para o colégio e conta aos amigos que tinha levado a praia para casa com ela, que tinha dormido na praia e com a praia, e a areia e o mar estavam guardadas numa caixa durante o dia, enquanto ela ia para o colégio.
Os seus amiguinhos quiseram ver a sua praia. Pediu ao pai a caixa onde estava a garrafa com a areia e a água, e levou-a para o colégio. Mostrou aos amiguinhos, e todos adoraram.
Quando todos os meninos foram à praia com o colégio, fizeram o mesmo: também guardaram a praia na caixinha das recordações, a areia e o mar dentro de uma linda garrafa de vidro, tapada, com pedrinhas pequeninas e conchas que cada um apanhou.
A menina passou a ter duas praias: a dela que já tinha na sua garrafa e na sua caixinha, e agora a praia dos meninos do colégio, guardada na caixinha das recordações dos meninos, juntamente com as muitas fotografias que tiraram.
Não podemos guardar a praia toda, porque não cabe…é enorme, nem o mar…mas podemos ter um bocadinho de areia e um bocadinho de mar junto de nós, na nossa casa…num frasco e, ou, numa caixinha das recordações, para sempre que quisermos vê-la ou visitá-la, mesmo se estiver a chover. A praia e o mar são de toda a gente, mas também podem ser um bocadinho só nossas.

E vocês? Também têm alguma caixinha das recordações? O que é que já guardaram lá? Já alguma vez guardaram a praia ou o mar dentro de um frasco ou caixa?

FIM
Lálá
(12/Maio/2015)
    

sexta-feira, 8 de maio de 2015

AS PESTANAS


           Era uma vez uma joaninha que tinha uns lindos olhos castanhos claros, enormes, e umas pestanas ainda maiores, reviradas para cima. Toda a sua família tinha esse pormenor que fazia a diferença das outras famílias de joaninhas.
        As suas pestanas eram muitas vezes visitadas por borboletas e pirilampos que não resistiam em experimentar, pousavam nelas, deixavam-se escorregar e até baloiçavam. Queriam ver e sentir de que eram feitas.
         Quando a invasão começou, no início, a joaninha até achou alguma piada, e permitiu que tocassem ou pousassem nas suas enormes pestanas, mas cansou-se, e começou a ficar com os olhos muito irritados de tanto bichinho que pousava lá.
       Não queria cortar as pestanas, porque elas eram bonitas e uma defesa para os seus lindos olhos verdes, mas também não queria ser má e correr o risco de perder as amizades que tinha construído com quem pousava nas pestanas.
Como é que ela ia resolver? Não podia ter tudo…ou cortava as pestanas e deixava de ter os olhos irritados, ou mandava os bichinhos embora e ia ficar de certeza muito triste porque perdia os amigos.
O que é que ela ia fazer? Mas que grande dúvida. Foi conversar com a sua madrinha, uma formiga grande, e simpática, muito amiga da família, a quem ela chamava com muito carinho «Dlinda». Contou-lhe o que estava a acontecer, e pediu ajuda para a sua dificuldade.
- O que faço, Dlinda…?
A madrinha aconselhou-a:
- Olha: deves dizer aos teus amigos, a verdade! Diz-lhes que gostas muito deles, que deixaste que eles tocassem e sentissem nas tuas pestanas mas eles não vão poder fazer mais isso porque estás com os olhos irritados, e se eles pousarem nas tuas pestanas vão irritar ainda mais os teus olhos. Além disso, também eles podem ficar doentes, se continuarem a tocar nas tuas pestanas assim.
- A sério?
- Sim! Essa irritação nos olhos é contagiosa! Se tocarem ai podem apanhar. É como o vírus que provoca a constipação.
- Áh! Não sabia.
- Sim, é mesmo.
- Mas eu acho que eles vão ficar muito tristes comigo!
- Não vão nada! Eles são teus amigos, e vão continuar a ser, só não vão mais para as tuas pestanas, até porque as tuas pestanas não são um parque de diversões, certo?
- Certo.
- Por muito que eles gostem das tuas pestanas, não têm o direito de brincar com elas, ou de se divertirem com elas. Eles vão continuar a ser teus amigos, e a brincar nos sítios onde é para brincar…nos mesmos onde tu brincas.
- Entendi. E se mesmo assim eles ficarem zangados comigo?
- Não lhes ligues…
- Obrigada, Dlinda…
- De nada, querida. Até logo…
- Até logo.
        A joaninha sai de casa da madrinha. Encontra os amigos que costumavam pousar nas suas pestanas.
- Óh, não amigos…por favor…não pousem mais nas minhas pestanas. Eu sei que gostam muito delas, e eu também gosto muito de vocês, mas não vão poder pousar mais aqui. Podem ficar doentes…isto pega-se…como as constipações. Estão irritadas.
- Óh! Desculpa! – Dizem todos os amigos
- Coitadinha…estás doente? – Comenta uma borboleta
- Isto passa. – Diz a joaninha
- Por nossa causa? – Pergunta um pirilampo
- Talvez não tenha sido por vossa causa. – Diz a joaninha
- Já podias ter dito há mais tempo, amiga. – Diz outra borboleta
- Gostamos muito de ti…- Dizem todos
- Tens toda a razão…as pestanas não são sítios para pousar. – Diz outra borboleta
- Mas podemos brincar noutro sítio… - Diz a joaninha
- Claro! – Dizem todos
- No parque, no jardim, no campo… - Sugere outra borboleta
- Então não ficaram tristes comigo? – Pergunta a joaninha
- Claro que não! – Dizem todos
- Nós é que temos que te pedir desculpa… - Diz uma borboleta
- Ficaste doente por nossa causa! – Diz outra borboleta
- Vamos brincar? – Diz a joaninha
- Vamos! – Gritam todas
       Vão todos com a joaninha, de patinhas no chão, ou a voar, a cantarolar, a conversar e a rir para o campo. De repente, sentam-se à sombra debaixo de uma flor enorme. Caem das pétalas, duas gotas de chuva nas pestanas da joaninha, uma em cada olho.
- Ai…está a chover? – Pergunta a joaninha
- Não! – Respondem todas
- Caiu-me uma gota nas pestanas.
        As duas gotinhas riem, escorregam e brincam com as pestanas.
- Ei…saiam daí. – Gritam todas
- Os olhos dela estão irritados. – Lembra uma borboleta
- Não podem tocar aí. Vão ficar doentes. – Lembra outra borboleta
- Não te preocupes! – Dizem as gotas
- Nós estamos a lavar as pestanas. – Diz uma gota
- É para isso que servimos…lavar…desinfetar… - Diz outra gota
- Daqui a pouco já não tens nada! – Diz uma gota
- É como quando se chora! – Diz outra gota
- Isso mesmo! As lágrimas também lavam. – Diz uma gota
- Fecha os olhos! – Diz outra gota
       A joaninha fecha os olhos e as pestanas ficam para a frente. As borboletas estão muito curiosas e atentas.
- Vejam lá o que vão fazer aos olhos da nossa amiga! – Diz uma borboleta preocupada
- Fica descansada. – Assegura uma lágrima
- Sabemos o que estamos a fazer! – Diz outra lágrima
- Não abras antes de dizermos. – Diz uma lágrima
- Está bem. – Diz a joaninha
       As duas gostas, enrolam-se sobre si mesmas, e lançam um grande jato de água, lavando as enormes pestanas da joaninha, como se fosse um chuveiro, deslizam sobre as pestanas e parece que estão a esfregá-las. A água suja cai toda no chão sem molhar a cara da joaninha, e toda a irritação desaparece. As borboletas estão espantadas.
- Áhhh…! – Exclamam todas
- Como é possível?
- Desapareceu tudo!
- Tudo? As pestanas também? – Pergunta a joaninha assustada
- Não! Tudo o que era irritação. As pestanas estão aí, continuam enormes e lindas.
- Áh! Que susto! – Diz a joaninha a rir
- Estás ótima! – Diz uma gota
- Obrigada! – Diz a joaninha
- Como vos posso agradecer? – Pergunta a joaninha
- Chama-nos sempre que precisares! – Diz outra gota
- Encontras-nos sempre aqui. – Diz uma gota
        A joaninha volta a brincar feliz. As gotinhas vão trabalhar para outros sítios, e sempre que ela fica com os olhos irritados, lá estão as gotinhas. As nossas pestanas não são tão enormes como as da joaninha, mas também ficam irritadas e sujas de vez em quando, mesmo sem querermos.
     A água limpa tudo…a da torneira ou as lágrimas, e as pestanas protegem-nos os olhos…abrem e fecham quando vamos dormir, ou quando está vento e muito sol, para o lixo não entrar. É para isso que elas existem!

FIM
Lara Rocha 
(8/Maio/2015)


              

terça-feira, 5 de maio de 2015

O pássaro de asas douradas

 
Pintado por Lara Rocha num livro para colorir de arte terapia e relaxamento para adultos. 

Era uma vez um lugar gelado, com neves eternas, onde o sol praticamente nunca era visto, porque embora ele tentasse entrar o gelo era imenso e era a mesma coisa que não entrar. Não havia flores, nem animais porque não encontravam lá comida, só árvores enormes que faziam uma imensa sombra.
O gelo da paisagem estendia-se aos seus habitantes: pessoas muito sérias, tristonhas, com ar pesado, que não sabiam rir, nem se olhavam ou falavam uns com os outros. Só quando o sol tentava entrar é que todos faziam uma grande festa, mas era de pouca dura.
Um dia, uma criança que lá vivia viu alguma coisa dourada a brilhar no céu. Pensou que era uma estrela, mas esta mexia-se, e ficou na sua janela a ver se voltava a mexer-se ou se desaparecia.
Para sua surpresa, o que ela pensava ser uma estrela mexeu-se, e foi-se tornando maior…quanto mais se aproximava, maior se tornava. Só aí é que ela viu que afinal não era uma estrela, era um enorme pássaro muito bonito, de penas recortadas e finas, cheias de cor e douradas nas pontas, pareciam asas bordadas.
- Áh! Que lindo! – Diz a menina  
O pássaro quase congelado pousa na janela da menina. Ela abre a janela.
- Posso entrar só um bocadinho? – Pediu o pássaro
- Claro que sim…deves estar congelado.
- Quase!
Ele entra.
- Uau! És tão bonito. – Diz a menina
- Obrigado. – Responde o pássaro
- Nunca te vi por aqui. Parecias-me uma estrela.
- Eu sou de muito longe.
- E porque é que vieste aqui?
- Em breve saberás.
- Porque é que não posso saber agora?
- Ainda é cedo.
- Porquê?
- Porque ainda é cedo. Não posso dizer já. Como é que conseguem viver aqui neste gelo? Não têm sol, nem paisagem, flores ou animais…
- Sim! É mesmo muito frio aqui, mas já estamos habituados.
- O sol não entra aqui, pois não?
- Muito raramente! Quando entra fazemos uma grande festa.
- Imagino! Espreitei pelas janelas das casas, e não estavam nada sorridentes.
- Não. Acho que nenhum de nós sabe o que é isso!
- Não sabem sorrir?
- Não.
- E rir?
- Também não. Já é de nós sermos muito tristes e sérios…
- Não admira, com este gelo e sem sol.
- O sol faz milagres?
- Faz! É muito precioso e preciso.
Os dois têm uma longa conversa até a menina ir dormir. O pássaro também já estava a ficar muito triste naquele ambiente, pois estava muito habituado ao sol.
Voltou para a sua toca e pediu a uma estrela que lhe desse um banho de sol. A estrela fez-lhe a vontade e ele ficou outra vez com as penas douradas.
Depois, no dia seguinte de manhã bem cedo, voltou ao sítio gelado e com o nascer dos primeiros raios de sol, abanou as suas asas douradas e dançou.
A menina lá estava na janela à procura dele, e quando o viu ficou muito surpresa. Com o mexer das asas douradas, caem na neve raios enormes de sol e todo o gelo começa a partir.
Fica nesse espaço uma claridade imensa, e aparece o sol no céu…as enormes árvores que tapavam o sol, e estavam encostadas umas às outras para se aquecerem, desencostam-se e afastam-se.
Finalmente o sol conseguiu entrar lá e até as árvores sentiram o seu calor ainda leve por ser muito cedo…mesmo assim, elas já estão mais sorridentes e com uma força renovada. Até já têm mais cor.
Depois, o pássaro sacode as suas asas de cor, e onde o gelo derreteu rapidamente caem sementes de flores que vão nascer em breve de todas as cores.
As pessoas saem de casa e nem querem acreditar….que grande mudança. Primeiro, todas abrem um pequenino sorriso, e depois quando vêem tanta claridade abrem um sorriso de orelha a orelha. Olham uns para os outros, e em vez de não se falarem nem sorrirem, cumprimentam-se sorridentes.
- Áh! Que milagre…quem fez isto? - Diz a menina
        O pássaro pousa outra vez na sua janela:
- Muito melhor agora…e ainda verão muitas mais surpresas.
- Então foste tu?
- Sim!
- Foi para isto que vieste?
- Foi.
- Isto era o que eu não podia saber ontem?
- Isso mesmo.
- Que lindo! Muito obrigada! A nossa aldeia nunca mais vai ser a mesma. O sol é lindo.
- É. E vai aquecer ainda mais.
- Boa!
- Já vi as pessoas que saíram de casa cumprimentarem-se com sorrisos abertos.
- Mas o sol veio para ficar?
- Claro que sim.
- Obrigada! – Diz a menina
E nesse mesmo dia, no fim dos trabalhos das pessoas, ainda de dia, os habitantes juntaram-se todos na praça do sol, que embora tivesse esse nome, não via o sol há muito tempo, e festejaram a presença do sol.
Estavam todos muito sorridentes, e procuraram conhecer-se uns aos outros, até estavam a sentir calor porque não estavam habituados a tanto sol. O pássaro de asas douradas aprecia orgulhoso e feliz, pousado no solo e recebe muitos mimos das pessoas.
Desde esse dia, o sol nunca mais saiu de lá, até porque adorava ver os sorrisos e a felicidade dos habitantes, pela sua presença, e porque toda a natureza precisava dele para nascer e tornar aquele espaço mais bonito, mais saudável e alegre. E conseguiu.
O sol faz bem a tudo! Aquece-nos, dá-nos luz, cor, saúde e alegria, porque todos nós, seres humanos também somos filhos da Mãe Natureza como o sol, e precisamos dele. Quando não há sol ficamos mais tristes como as pessoas deste sítio.
E vocês? Gostam de sol?
Sabem qual é a importância do sol para nós e para o planeta?
  
                                       FIM
                                       Lara Rocha 

                                    (5/Maio/2015)  

segunda-feira, 4 de maio de 2015

PRESENTES DE MAIO


        Era uma vez uma aldeia onde viviam poucas pessoas em moinhos abandonados que foram transformados em casas. Eram quase todos familiares, e davam-se muito bem. A aldeia vivia do comércio dos produtos que a terra produzia, e de visitas de estudo.
        Na aldeia o clima variava muito…tanto estava frio de manhã e calor de tarde, ou calor ou frio todo o dia, outras vezes calor de dia e frio à noite. Chuva, sol, nevoeiro e vento no mesmo dia, mas os habitantes já estavam habituados e gostavam. Devia ser por isso que os produtos eram tão deliciosos e frescos.
        Gostavam muito de viver aqui, e o seu dia-a-dia era como o de toda a gente da cidade: os adultos iam trabalhar para a cidade, as crianças para os colégios e escolas da cidade, quando precisavam de médico iam à cidade, e fazer algumas compras de coisas que não havia na aldeia e voltavam ao fim-da-tarde. Na aldeia só ficavam os habitantes que trabalhavam na terra.
        Mas esta aldeia tinha acontecimentos que eram só deles…festas e tradições próprias que não havia em mais lado nenhum, e também recebiam uns pequenos presentes da Natureza que todos recebemos em Maio! Os campos oferecem flores para fazer as coroas com Maios, tempestades e cerejas.
        No final do mês de Abril, os seus habitantes já se previnem…apanham as toneladas de cerejas que produzem, e tapam com plásticos próprios, as cerejeiras onde ainda não há cerejas, ou ainda estão a crescer.
        Mas as tempestades, aqui são mais fortes…muito assustadoras, e geralmente chegam sem aviso, duram horas e às vezes dias. Um dia que começa com um belo sol quente, passado algum tempo, é interrompido por trovões estrondosos, que até fazem tremer o chão e as janelas das casas, raios que riscam as nuvens escuras, e parece que caem no chão.
        A trovoada não vem sozinha…o vento acompanha-a, e é tão forte que parece aspirar tudo à sua volta, faz redemoinho, e chega a deitar árvores abaixo, a arrancar plantas da terra, e raízes ou até telhados.
        O ramalhete da tempestade, não ficava completo se não houvesse a chuva que traz consigo a saraiva, muito pesada e tocada a vento, faz muito barulho…parecem pedras a cair.
        Ao fim-de-semana e à noite quando podem, juntam-se nas casas uns dos outros, à lareira a conversar e a conviver alegremente, comem cerejas e fazem bolos, compotas, sabonetes e cremes caseiros e velas com cheiro a cereja.
        Em Maio comem-se as cerejas ao borralho.

                                       FIM
                                       Lálá
                                   (2/Maio/2015)


NA GAIOLA

                                                                 foto de Lara Rocha 

         Era uma vez um bando de homens sem juízo na cabeça, ambiciosos e esfomeados por dinheiro e pelo mal, que andavam com a ideia fixa e maldosa de caçar pássaros, e vendê-los a preços muito elevados, principalmente aqueles mais raros, maiores e mais bonitos…mas os pequenos também serviam. Eram vendidos em feiras.
        Montaram uma armadilha, muito bem montada, uma enorme cerejeira, de plástico, carregada de cerejas vermelhas também enormes. Eles sabiam que os pássaros adoram cerejas, e o plano era, quando estivessem todos pousados na árvore, lançavam uma rede gigante para os apanhar. Os homens estariam escondidos.
        Infelizmente, o plano deles funcionou na perfeição, e logo de manhã cedo, esconderam-se na floresta onde estava a armadilha. Os pássaros às centenas, que voavam em paz, à procura de comida, não pensaram que estavam ou que podiam estar em perigo…e foram atraídos pelas cerejas…hum…que bom comer cerejas logo de manhã, e logo daquele tamanho.
        Dezenas de pássaros de espécies já em vias de extinção, grandes, pequenos e médios, enormes…de asas muito coloridas… voaram em direção à cerejeira, e quando picaram a primeira cereja, a rede soltou-se e sem demora fechou-se, prendendo -os.
        Os homens aplaudem, festejam aos gritos, com abraços e gargalhadas.
- Conseguimos! – Gritam todos
        Os pássaros estão muito agitados, chilreiam fortemente:
- O que é isto?
- Onde estamos?
- O que aconteceu?
- Acho que caímos numa armadilha.
- Óh não! – Gritam todos os pássaros aflitos
- Como pode ser?
- Malditos!
- E agora?
- Como vamos sair daqui?
        Os homens levam a rede cheia de pássaros para um camião e fecham-nos. Levam-nos para casa de um deles, onde tem uma gaiola enorme com uma porta de ferro para os homens entrarem e saírem, e os pássaros ficam cada um numa gaiola mais pequena, como se fosse um móvel cheio de janelinhas pequenas. Planearam tudo ao pormenor.
        No momento em que começaram a largar os pássaros nas gaiolinhas, estes tentaram de tudo para se libertarem, mas quanto mais se mexiam e mais tentavam arranhar ou picar as mãos dos homens, mais apertados eram. Os bichos fazem um grande barulho.
- Onde estamos?
- Este não é o nosso mundo.
- Claro que não.
- Estamos presos.
        Começam todos a chilrear nervosos.
- Silêncio! – Grita um homem grosso
        Fecham a grande gaiola, e os pássaros olham uns para os outros, tristes.
- Malditos.
- Isto não vai ficar assim.
- Eles que esperam.
- O que é que vão fazer connosco?
- Não sei. Mas isto não é bom.
- Pois não! – Dizem todos
- Eu quero sair daqui. – Grita um
- Eu também! – Dizem todos
        Faz-se novo silêncio
- Estamos todos juntos. – Comenta um
- Que grande vantagem! – Responde outro
- Sim, pode muito bem ser uma vantagem se pensarmos todos juntos, e vamos sair todos juntos daqui.
- Só nos teus sonhos…
- Como?
- Ainda não sei como, mas sei que vamos sair. – Garante
        Um homem vai levar-lhes comida e bebida, e todos metem os bicos e as garras entre as malhas das grades, arranham e picam as mãos deles. Ele grita e sai a correr. Os pássaros comem e bebem.
- Não gosto nada disto!
- Nem eu!
- Mas temos de comer e beber, para ter força e pensar numa maneira de sairmos daqui.
- Sim!
        Depois do papo cheio, ficam calados, quietos e pensativos. Aproxima-se uma matilha de lobos.
- Lobos! – Dizem os pássaros
- Só nos faltava esta.
- O que é que nos vão fazer?
- Também estão feitos com eles?
- Calma…vamos tentar ser amigos deles. – Sugere um pássaro
- Estás louco? – Perguntam todos
- Isso é impossível.
- Vamos ser amigos de quem anda sempre a tentar comer-nos? 
- Vamos agora ser amigos…? Daqueles…? Nem pensar.
- Sim, é claro que vamos ser amigos deles. Qual é o problema? Pensem…esqueçam a parte da caça…eles podem muito bem ser a nossa salvação!
- Salvação? – Perguntam todos
- Claro. Estão lá fora!
- Pois!
- E também não adoram propriamente os homens…
- A não ser que tenham sido mandados por eles.
- Para dar cabo de nós!
- Vamos ter esperança.
- Eles já nos devem estar a imaginar no espeto ou no grelhador.
- Estás mesmo muito nervoso.
- Calem-se um bocadinho…
        Os lobos entram na gaiola grande a cheirar tudo, olham para os pássaros.
- Tantos pássaros aqui! – Comenta um lobo
- Estes são mesmo loucos. – Diz outro lobo
- Quem? Os pássaros ou o homem? – Pergunta uma loba
- Os homens, é claro!
- Primeiro a nós…agora eles… - Diz outra loba
- E quantos já não passaram por aqui! – Diz outra loba
- Felinos, borboletas, insetos, répteis… - Lembra outra loba
- Felizmente estávamos por perto. – Diz um lobo orgulhoso
        Os pássaros engolem em seco de medo e preocupação. O pássaro quebra o gelo:
- Bom dia!
- Bom dia! – Respondem todos os lobos
- Para vocês não deve estar bom…aí metidos! – Diz uma loba
- É verdade! – Dizem pássaros e lobos
- Fomos apanhados numa armadilha! – Conta outro pássaro
- Nós também! – Dizem os lobos
- Também? – Perguntam os pássaros
- Sim.
- A nós puseram-nos pedaços de carne espalhados pela floresta, apetitosos, atraentes, suculentos…e apanharam-nos.
- A nós puseram uma cerejeira, com lindas cerejas vermelhas, mas era tudo falso! – Comenta o pássaro
- A maldade destes monstros não tem limites. – Diz outro lobo
- E depois, como é que conseguiram sair?
- Unimos as nossas forças, em pensamento e pedimos ajuda aos nossos, e eles vieram ter connosco. Atacaram esses miseráveis, malditos e abriram-nos as gaiolas. – Conta o lobo
- Mas vocês não vão precisar de fazer isso porque estamos nós aqui! – Diz outro lobo
- Vamos tirar-vos daí. – Garante outro lobo
- Já sabiam que estávamos aqui? – Pergunta um pássaro
- Sabíamos… - Respondem os lobos
- Sentimos as vibrações dos vossos pensamentos, e do perigo! – Diz uma loba
- Boa! E o que querem em troca? – Pergunta um pássaro
- Nada! – Respondem os lobos
- Queremos a vossa liberdade! Já estivemos aí, sabemos como é horrível… - Diz outro lobo
- Para agradecer aos nossos prometemos tirar daqui todos os animais que cá viessem parar. – Conta outra loba
- Há muita maldade, mas também ainda restam alguns corações bons. – Diz um pássaro emocionado
- Claro que sim! – Dizem os lobos
- Pensaram que vos íamos comer não? – Pergunta um lobo
- Sim. – Respondem todos os pássaros
- Não! Fiquem descansados! – Dizem os lobos
- Óh! Que lindo… - Dizem os pássaros
- Eu disse que íamos sair daqui. – Relembra o pássaro
- Não vamos saber como vos agradecer… - Diz outro pássaro
- Não se preocupem. – Dizem os lobos
        E cada lobo atira-se a uma gaiola, com as patas ou a boca, rodam as chaves, e as portas abrem. Os pássaros saem e também ajudam os lobos a abrir as outras. Os homens aparecem, os lobos com os dentes bem aguçados à mostra, a rosnar e a com as garras das patas bem esticadas encurralam os homens e estes como não têm por onde fugir, cheios de medo, metem-se nas gaiolas e todos os animais fecham as gaiolas com eles lá dentro. Eles gritam revoltados, nervosos, abanam as grades.
        Os lobos e os pássaros apreciam deliciados, às gargalhadas.
- Mas que espécie tão estranha…! – Comenta um lobo a rir
- Desgraçados! – Gritam os homens
- Vamos acabar convosco… - Grita um homem
- Não posso acreditar nisto…se eu vos apanho, desfaço-vos! – Diz outro homem
- Tirem-nos daqui… - Diz outro homem
- Vão para o forno. – Ameaça outro homem
        Todos os lobos riem e os pássaros também.
- Ouviram alguma coisa…? – Pergunta um lobo a gozar
- Talvez…uma varejeira… será? – Responde outro lobo a gozar
- Sim…
- Que medo…! – Diz outro lobo a rir
- É por isso que me cheira mal. – Diz outro lobo a rir
        Todos desatam às gargalhadas. 
- Esta espécie custará muito dinheiro? – Pergunta outro lobo irónico
- Acho que nem para um casaco serviam… - Diz uma loba
- São tão feios…! – Comenta outra loba a rir
- Isso não vale nem um cêntimo! – Diz outra loba
- Que raça tão fraca. – Comenta outro lobo
- Mas que bem que vocês ficam aí… - Goza outra loba
- Realmente… - Dizem todos os lobos e pássaros
- Nem para exposição vocês servem! – Diz outra loba
- Tirem-nos daqui! – Grita um homem grosso
- Descansem…vão para uma gaiola ainda maior… - Goza outro lobo
- É. Vão ver como é bom estar preso… - Diz outro lobo a gozar
- Abram isto, bichos malditos… - Gritam todos os homens
- Óh…que pena… - Dizem todos a gozar
- Nós até vos tirávamos daí, mas…infelizmente não sabemos abrir as gaiolas. – Diz outro lobo
- Algum de vocês sabe? – Pergunta uma loba a gozar
- Hum…não! – Respondem todos
- Mas que chatice… somos animais… - Comenta um pássaro
- É! Não podemos ter tudo. – Comenta outro pássaro
- É mesmo engraçado ver-vos aí metidos! – Goza uma loba
        Todos desatam às gargalhadas e viram costas. Os homens ficam fechados nas gaiolas aos gritos e a abanar as grades, até que as mulheres dão por falta deles e vão á procura. Os animais seguem felizes e divertidos para a floresta.
Pássaros e lobos tornam-se grandes amigos uns dos outros e passaram a trabalhar juntos, na salvação de outros animais que eram apanhados nas armadilhas dos desgraçados, e não foram poucas vezes. Eles não tinham sossego, mas os bichos conseguiam sempre voltar à liberdade. 
A gaiola era habitada por muitas espécies, mas desde que os lobos e os pássaros se uniram, não ficavam lá muito tempo. A maldade dos homens e as ideias fixas não tinham limite, mas a força e a união dos bichos que lutavam pelo mesmo objetivo também não!
O homem também deveria ser assim…não era? Unir-se pelo bem, pela paz… e lutar em conjunto contra o mal, sem fazer o mal.

FIM
Lálá
(2/Maio/2015)