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quinta-feira, 14 de maio de 2015

O CONQUISTADOR DE MAIO

          Era uma vez uma aldeia muito grande, longe das cidades, com muitos habitantes, que não tinham dinheiro a mais, mas eram muito boas pessoas. Era uma aldeia cheia de história, e mistérios, recheada de belezas naturais, como as cascatas, grutas, flores, e pássaros raros muito bonitos.
Além de todas as surpresas da Natureza, os visitantes ainda eram simpaticamente recebidos pelos habitantes mais velhos que adoravam companhia, e eram excelentes guias turísticos.  
Para dar a conhecer a aldeia, até ofereciam água das minas, chás e biscoitos para quem queria, e fruta da época. Os visitantes não resistiam a tantas coisas boas, e compravam mesmo tudo o que eles vendiam. Muitos dos habitantes era disso mesmo que viviam.
Enquanto os mais velhos caminhavam com os visitantes pela aldeia, contavam as suas aventuras, brincadeiras e travessuras de quando eram mais novos, nesses espaços, e histórias da própria aldeia.
            De todas as histórias da aldeia, a que mais gostavam de contar, era uma muito especial que deixava os adultos mais românticos, emocionados e a sonhar acordados. A história do conquistador de Maio.
            Era a história de como as cerejeiras da aldeia tinham aparecido lá, em sítios que pensavam não ser possível nascer qualquer flor, quanto mais cerejeiras ou outra árvore de fruta qualquer. A realidade é que elas estavam lá e davam cerejas de fazer crescer água na boca.
            Eles contavam que há muitos, muitos anos atrás… nessa aldeia…viveram reis e rainhas com os seus pequenotes uma vida cheia de riqueza, no castelo que ainda existia, e foi reconstruído por um grupo de estudiosos de história, tal e qual como era na época.
            No mês de Maio desse ano, numa noite quente, em que o vento forte trazia atrás de si chuva e trovoada, as princesas estavam à janela dos seus quartos à procura da Lua que estava escondida atrás das nuvens, e das estrelas.
Não viram nem a Lua nem as estrelas, mas viram uma sombra que parecia ser um cavalo com o cavaleiro. Como estava escuro ficaram assustadas, e foram para os quartos.
Os olhos delas tinham a sua razão…era uma sombra, mas ao mesmo tempo era um belo jovem rapaz, alto, de capa preta que ia montado no seu cavalo de uma longa viagem e parou ali para descansar.
No dia seguinte, as princesas voltaram à janela, e chovia e trovejava muito, o pobre cavaleiro estava encharcado a dormir encostado a uma árvore de tronco largo e grosso, com ar muito cansado e o seu elegante e belo cavalo também ao seu lado, enroscado nele para o aquecer e proteger.
Os guardas do castelo ficaram com muita pena dos dois, e foram levar a notícia aos reis. Os reis mandaram-nos levar o cavaleiro e o cavalo para um dos quartos que estava vazio no castelo.
Os guardas acordaram o rapaz e o cavalo, e convidaram-nos a ir para o quarto. Os dois aceitaram, tomaram um belo pequeno-almoço, digno de reis, o rapaz pôs a capa a secar, tomou um banho quente e vestiu uma roupa seca. O cavalo teve a mesma sorte, e fez num instante uma série de novos amigos, todos os outros cavalos do castelo.
O rei mandou-o chamar, e as princesas ficaram todas apaixonadas pelo rapaz, que era mesmo bonito, simpático e delicado com as meninas. Todas as meninas quiseram tornar-se amigas dele.
Ele também as achava muito bonitas, mas como gostava de todas, decidiu ser só amigo delas, e não se apaixonou por nenhuma. Elas competiam entre si sem ele saber, para ver de quem ele gostava…cada uma achava que o rapaz estava apaixonado por si.
Uns dias depois, o rei mandou o rapaz embora porque achava que ele estava a fazer mal às meninas, já nem estavam a ser amigas umas das outras, e porque ele era muito pobre…não podia ser para aquelas meninas. E o rapaz obedeceu, triste. Agradeceu, e saiu do castelo.
O seu cavalo e os outros cavalos ficaram muito tristes, mas prometeram uns aos outros, voltar a encontrar-se em breve. Como ele era pobre, não deixou nada, nenhum presente para elas.
As meninas ficaram muito tristes e chorosas quando souberam na manhã seguinte que ele tinha ido embora, mas como ele era muito pobre, a tristeza das meninas passou depressa…elas não queriam um namorado pobre.
Nesse mesmo mês, mas no ano seguinte, o rapaz voltou à aldeia e deixou na janela dos quartos das meninas um saquinho de veludo com alguma coisa lá dentro. Elas ficaram muito surpresas, abriram o saquinho a pensar que era um anel de diamantes ou mesmo pedrinhas preciosas, mas só viram caroços que pareciam de fruta.
Ficaram tão zangadas e desiludidas, aos gritos, e a chorar, que atiraram todos os caroços pela janela fora com toda a sua força e o mais longe que podiam. Estes espalharam-se por toda a aldeia, por muitos sítios.
Uns tempos depois, começaram a aparecer cerejeiras de forma misteriosa, que deram belas cerejas como as que existem hoje lá na aldeia. Contam eles que quando as cerejeiras ficaram em flor, as princesas viam a sombra do rapaz e ouviam o seu cavalo a relinchar durante todo o mês de Maio.
Elas perceberam que afinal os caroços que estavam à sua janela, não eram diamantes, nem pedras preciosas, mas era tudo o que o rapaz tinha para lhes dar, além da amizade.
Enquanto havia cerejas na aldeia, o rapaz estava lá, e as meninas encontravam-se com ele, sem os reis saberem, porque ele era pobre, não tinha diamantes para oferecer, mas tinha um coração maravilhoso e um sorriso que encantava as meninas. Passavam belos momentos juntos.
Dizem que foi assim que nasceram aquelas cerejeiras da aldeia naqueles lugares estranhos e de forma espontânea, quase mágica. Ficou conhecido como o conquistador de Maio, porque visitava a aldeia no mês de Maio.
Se aconteceu mesmo assim ou não, ninguém sabe dizer, mas todos adoram esta história.

FIM
Lálá

(14/Maio/2015) 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

PRESENTES DE MAIO


        Era uma vez uma aldeia onde viviam poucas pessoas em moinhos abandonados que foram transformados em casas. Eram quase todos familiares, e davam-se muito bem. A aldeia vivia do comércio dos produtos que a terra produzia, e de visitas de estudo.
        Na aldeia o clima variava muito…tanto estava frio de manhã e calor de tarde, ou calor ou frio todo o dia, outras vezes calor de dia e frio à noite. Chuva, sol, nevoeiro e vento no mesmo dia, mas os habitantes já estavam habituados e gostavam. Devia ser por isso que os produtos eram tão deliciosos e frescos.
        Gostavam muito de viver aqui, e o seu dia-a-dia era como o de toda a gente da cidade: os adultos iam trabalhar para a cidade, as crianças para os colégios e escolas da cidade, quando precisavam de médico iam à cidade, e fazer algumas compras de coisas que não havia na aldeia e voltavam ao fim-da-tarde. Na aldeia só ficavam os habitantes que trabalhavam na terra.
        Mas esta aldeia tinha acontecimentos que eram só deles…festas e tradições próprias que não havia em mais lado nenhum, e também recebiam uns pequenos presentes da Natureza que todos recebemos em Maio! Os campos oferecem flores para fazer as coroas com Maios, tempestades e cerejas.
        No final do mês de Abril, os seus habitantes já se previnem…apanham as toneladas de cerejas que produzem, e tapam com plásticos próprios, as cerejeiras onde ainda não há cerejas, ou ainda estão a crescer.
        Mas as tempestades, aqui são mais fortes…muito assustadoras, e geralmente chegam sem aviso, duram horas e às vezes dias. Um dia que começa com um belo sol quente, passado algum tempo, é interrompido por trovões estrondosos, que até fazem tremer o chão e as janelas das casas, raios que riscam as nuvens escuras, e parece que caem no chão.
        A trovoada não vem sozinha…o vento acompanha-a, e é tão forte que parece aspirar tudo à sua volta, faz redemoinho, e chega a deitar árvores abaixo, a arrancar plantas da terra, e raízes ou até telhados.
        O ramalhete da tempestade, não ficava completo se não houvesse a chuva que traz consigo a saraiva, muito pesada e tocada a vento, faz muito barulho…parecem pedras a cair.
        Ao fim-de-semana e à noite quando podem, juntam-se nas casas uns dos outros, à lareira a conversar e a conviver alegremente, comem cerejas e fazem bolos, compotas, sabonetes e cremes caseiros e velas com cheiro a cereja.
        Em Maio comem-se as cerejas ao borralho.

                                       FIM
                                       Lálá
                                   (2/Maio/2015)