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terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Os misteriosos frasquinhos cor-de-laranja

     

  




         Era uma vez um menino e uma menina, irmãos, que estavam na janela do seu quarto, numa noite quente de Verão a ver as estrelas. De repente, olham para uma janela em frente da sua casa e veem uns frasquinhos cor-de-laranja na beirada, que davam luz. 

- Olha o que está ali! - repara a menina 

- Onde? - pergunta o menino 

- Ali, mesmo em frente, nesta janela. 

- São frascos! 

- Sim, mas são diferentes. 

- Porquê? 

- Não os vês a dar luz? 

- Sim, realmente... 

- Se calhar foi uma estrela que caiu lá. 

- Que palermice! Achas que as estrelas caem em frascos...? Claro que não. 

- Não sei. Nunca vi nenhuma a cair, mas já ouvi dizer que caem. 

- Mas se caíssem a casa desaparecia! Nem iam ficar frascos. 

- Que mau... 

- Foram os Avós que disseram, que se as estrelas caíssem na terra, faziam muita destruição, e que raramente acontece, são cometas a passar. Aquelas a quem pedem desejos...como se fossem acontecer mesmo. 

- Já experimentaste? 

- Já. E não se realizou. 

- Óh, que pena, mas se calhar pediste uma coisa impossível de acontecer. 

- As estrelas não realizam todos os desejos? 

- Não. 

- Tu também já pediste algum desejo às estelas? 

- Já. 

- E realizou-se? 

- Um sim, outro não. 

(Os dois riem) 

- Os adultos inventam cada uma! 

- Pois é! 

(Riem outra vez) 

- Mas eu gosto de os ouvir. 

- Eu também, algumas coisas. 

- Como é que aqueles frasquinhos dão luz? - pergunta o menino 

- Não sei. Não me parece luz. 

- Tem de ser luz, se não, não conseguíamos ver daqui. 

- Se calhar estão lá metidos pirilampos. - diz a menina 

- Quais pirilampos? Achas que os pirilim...pirilampos estão ali metidos? Eles nem dão essa luz, e gostam mais de voar, acho que não se metiam nuns frascos. - diz o menino 

- E cheira a qualquer coisa no ar....

- Acho que vem de lá! 

- Já sei...devem ser coisas para afastar mosquitos, moscas, abelhas e outros bichos como aquele que temos no quarto. 

- Para isso estavam ligados à tomada. 

- E podem estar ligados à tomada, nós é que não vemos daqui. 

- Ou pode ser um doce de laranja a arrefecer! 

- Hummm... se for, vou pedir à vizinha um frasquinho desses para comer...pode ser...um gelado de... 

- Cheira a... 

- Laranja! - dizem os dois ao mesmo tempo 

- Hummm... 

- Vamos pedir à Avó ou ao Avô para ir connosco ver o que é que aqueles frascos têm. 

- Boa. 

            Os dois meninos vão à cozinha numa grande gritaria, a pedir aos avós e aos pais que vão com eles ver o que têm aqueles frascos, puxam as mãos dos adultos, falam ao mesmo tempo e rápido. 

- Parou tudo! - impõe-se o pai 

- Fala um de cada vez, meninos...! - relembra a mãe 

- O que aconteceu? Não percebi nada do que vocês disseram. - diz a Avó 

- Nem eu. Mas devem ter visto alguma coisa. - acrescenta o Avô 

- Venham connosco, por favor! - pede a menina docemente 

- A esta hora? - pergunta a mãe 

- Onde vão a esta hora...? Só se for para a cama! - diz o pai 

- Vimos umas coisas cor-de-laranja numa janela, queremos saber o que é! Dão luz. 

- Umas coisas cor-de-laranja que dão luz...? - pensa alto a Avó 

- Sim, Avó, aqui na janela em frente, e cheira a laranja! - diz o menino 

        Todos riem. 

- Está bem, como está calor, vamos lá ver. 

        Levantam-se todos, e vão com os pequenos. Sentem cheiro a laranja no ar, e veem os frasquinhos na beirada da janela. 

- Áh! São velas de laranja! - diz a mãe 

- Velas de laranja...? Como é que se fazem essas velas de laranja? - pergunta a menina 

- Não sei, mas existem essas velas com cheiro de frutas. - diz a mãe 

- Mas as chamas não se veem! - repara o menino 

- Pois não, mas realmente são velas. - confirma a Avó 

        Aproximam-se mais, a dona da casa vai à janela, cumprimenta os vizinhos. O menino pergunta à senhora o que são aqueles frasquinhos. A senhora responde que são velas para afugentar insetos, que cheiram a laranja. 

        A vizinha convida-os a entrar para conversarem um pouco, e tomarem um refresco de limão. Eles aceitam, e enquanto bebem um refresco de limão, conversam alegremente. As crianças deliciam-se a olhar para as pequenas velas nos frasquinhos que as fez pensar em tantas coisas diferentes, quando afinal eram só....velas com cheiro a laranja. 

E vocês? 

Se vissem frasquinhos a dar luz à noite, de que cor seriam? 

O que seriam? Velas? 

A que cheiravam? 

Se fossem velas, como seria a chama? Grande ou pequena? De que cor? 

Que outras coisas podiam ter os frascos? 


                                                                        Fim 

                                                                    Lara Rocha 

                                                                    4/Janeiro/2022 

terça-feira, 12 de maio de 2015

O mar dentro de uma caixa

         Era uma vez uma menina que foi pela primeira vez a uma praia com os seus pais. Levou um vestido fresco, leve e colorido por cima do fato-de-banho, chapéu na cabeça, óculos de sol na cara, e chinelos.
Os pais carregaram a lancheira com o almoço e as bebidas frescas e o guarda-sol. Ela levou os baldes, as pás e moldes para brincar na areia.
Que sorte…quando chegou à praia, começou logo a saltitar de felicidade e um sorriso aberto.
- Áh! A praia é isto? – Pergunta ela
- Sim! – Respondem os pais
- Que grande…tem muita areia e ali está o mar, com os seus carneirinhos. Posso ir?
- Ainda não. – Diz a mãe
- Primeiro vamos instalar-nos e pôr protector solar. – Acrescenta o pai
A menina estica a sua toalha e ajuda os pais a estender as deles. Os pais acomodam as coisas, abrem o guarda-sol, põem protector solar.
- Mãe…posso ir? – Pergunta a menina
- Vai. Mas não saias da nossa vista. – Recomenda a mãe
- Está bem. – Responde a menina
- O pai ou a mãe já vai ter contigo. – Diz o pai
- Boa! – Diz a menina
- Entra devagar…! – Recomenda a mãe
A menina vai para as possecas, feliz, a correr com um balde e uma pá. Mas com o entusiasmo de ver o mar tão perto que lhe tinham falado, entrou rápido e deu um grito.
- Ai…que fria!
E volta para a areia. Senta-se e enche o balde. O pai vai ter com ela.
- Pai. Está fria a água.
- Está? Ainda é cedo. – Diz o pai
E o pai fica a brincar com a menina. Constroem um lindo castelo, e inventam uma história, divertidos. Na hora de mais calor, os dois vão para a sombra do guarda-sol, almoçam e de tarde dormem uma sesta.
Quando acorda, a menina brinca alegremente nas possecas que não foram embora, brinca com os baldes e as pás e com os moldes. Os pais brincam com ela e aproveitam para se refrescar na água do mar.
Ao fim do dia:
- Princesa…vamos embora. – Informa a mãe
- Óh não! – Diz a criança triste
- Tem de ser. – Diz o pai
- Eu quero ficar aqui…gostei tanto da praia e do mar…- Reclama a menina
- Voltamos noutro dia! – Diz a mãe
- Este foi só o primeiro. – Diz o pai
- E o mar não foge! – Reforça a mãe
- Não?
- Não! – Respondem os dois
- Mas eu quero levar o mar e a areia numa caixa. – Pede a menina
- Está bem…- Diz o pai
E vai buscar uma garrafa vazia que ficou do almoço. Põe um pouco de areia no fundo e enche o resto com água do mar.
- Aqui está! Vês? – Diz o pai
- Boa Papá! Conseguiste meter o mar e a areia numa garrafa? És o maior… - Elogia a menina
- Isto é só um bocadinho. – Diz o pai a sorrir
- Claro. A praia é muito, muito grande! Tem muita, muita areia…e tem muita, muita água. – Diz a menina
- Pois tem. – Dizem os pais
- Até amanhã, praia. Até amanhã areia…até amanhã mar. – Diz a menina
A menina sorri, e volta para casa com os pais, muito feliz, com a garrafa cheia de areia e de água do mar. O pai mete a garrafa numa caixa dela.
- Pai…onde está a garrafa?
- Está aí, em cima da mesa.
- Eu quero-a à minha beira. A minha praia. Quero dormir na minha praia.
O pai faz-lhe a vontade. No dia seguinte a menina vai para o colégio e conta aos amigos que tinha levado a praia para casa com ela, que tinha dormido na praia e com a praia, e a areia e o mar estavam guardadas numa caixa durante o dia, enquanto ela ia para o colégio.
Os seus amiguinhos quiseram ver a sua praia. Pediu ao pai a caixa onde estava a garrafa com a areia e a água, e levou-a para o colégio. Mostrou aos amiguinhos, e todos adoraram.
Quando todos os meninos foram à praia com o colégio, fizeram o mesmo: também guardaram a praia na caixinha das recordações, a areia e o mar dentro de uma linda garrafa de vidro, tapada, com pedrinhas pequeninas e conchas que cada um apanhou.
A menina passou a ter duas praias: a dela que já tinha na sua garrafa e na sua caixinha, e agora a praia dos meninos do colégio, guardada na caixinha das recordações dos meninos, juntamente com as muitas fotografias que tiraram.
Não podemos guardar a praia toda, porque não cabe…é enorme, nem o mar…mas podemos ter um bocadinho de areia e um bocadinho de mar junto de nós, na nossa casa…num frasco e, ou, numa caixinha das recordações, para sempre que quisermos vê-la ou visitá-la, mesmo se estiver a chover. A praia e o mar são de toda a gente, mas também podem ser um bocadinho só nossas.

E vocês? Também têm alguma caixinha das recordações? O que é que já guardaram lá? Já alguma vez guardaram a praia ou o mar dentro de um frasco ou caixa?

FIM
Lálá
(12/Maio/2015)