Histórias infantis, para crianças, adolescentes, e adultos, peças de teatro e monólogos
Número total de visualizações de páginas
segunda-feira, 22 de abril de 2019
A amizade entre as gotinhas de água e a aranha
Era uma vez uma aranha que vivia num país muito quente, poluído, onde já não chovia há muitos anos. Os habitantes e os animais que lá viviam já estavam habituados ao calor. Mas ultimamente estava a ser demasiado, o calor, e a secura.
Uma aranha passeava pela areia quente, sem pressa, e aos saltinhos pequeninos para não sentir tanto o quente, procurava desesperadamente uma sombra, era quase um oásis encontrar alguma. Para não ficar ao sol, ela andava mais rápido, e finalmente encontrou uma palmeira com grandes folhas. Trepou rapidamente pelo tronco e chegou à primeira folha, dobrada, macia.
- Áh! Que bela sombra! - Suspira a aranha - Encontrei o paraíso. Como é possível este forno, quase ficava esturricada. Que sufoco...aqui está fresquinho. Áh! Que bom. Só falta água para ser perfeito. Quando irá acontecer? Aiiii...
Umas gotas de água ouviram o seu desejo e ficaram com pena dela. Decidiram cair da atmosfera e pousaram em cima da teia. A aranha tece uma teia em cima da folha, muito vagarosamente, mas o efeito final parece uma colcha rendilhada. Finalmente repousa num cantinho da sua teia. Adormece, e sonha com muita água, que havia água por todo o lado, e ela nadava feliz, saboreava a frescura da água, e refrescava-se.
As gotinhas já lá estão a brincar e a saltar na teia, quando a aranha acorda a sorrir. Teve de olhar várias vezes para as gotinhas, pois pensava que ainda estava a sonhar.
- Água...? Ááááááhhhhh.... Sim, quero água! Quero tanto água que até sonho com ela. Acho que ainda estou a sonhar, e a vê-las aqui. Mas com este calor é impossível haver água. Ai, que sede! Água... por favor, onde há água? Água!
- Coitadinha, está a delirar com o calor. - diz uma gotinha
- Olá! - dizem as gotinhas em coro
- Água...- diz a aranha
- Estamos aqui. - Respondem as gotinhas
Sacodem-se e molham a aranha, outras gotas contorcem-se por cima da aranha e dão-lhe um belo jato de água. A Aranha suspira feliz, ri.
- É real ou estou a sonhar?
- É real.
- Água? Isto é água? Áááááááhhhhhh... Á-g-u-a...Água! Sim, é agua! - Salta a aranha feliz - molhem-me mais, por favor.
As gotas juntam-se, entrelaçam-se, abraçam-se, e enchem um buraco no tronco da palmeira com água. Depois enchem outro buraco ainda maior com água para ela beber. A aranha sorri, saltita feliz, toda brilhante.
- Áh! Água... Muito obrigada. Quero beber mais água...
Abre a boca, e as gotinhas deitam mais água na teia para a aranha se molhar e beber sempre que sentisse sede. As gotinhas riem ao ver a enorme felicidade da aranha.
- Quando precisares de água, chama-nos. - Diz outra gotinha
- Muito obrigada!
As gotinhas voltam para a sua casa, e a aranha sente-se tão feliz, mas tão feliz que fica mergulhada na água que as gotinhas deixaram no tronco. Mas, começou a pensar:
- Eu estou aqui agora, rodeada de água, que maravilha! Mas...e os humanos, será que também não precisam de água? Eu até lhes dava alguma, mas não quero saber, também não gostam de mim, nem da minha família. Que se arranjem! Espera...e se eu lhes der água, será que eles me aceitam melhor e começam a gostar mais de mim? Hum, acho que não. Eles são muito nojentos. Tratam-nos muito mal, não merecem! Não. Esta água é toda para mim. Óh…mas...e se há bebés? E outros animais? Todos precisamos de água! Mas não quero saber.
Enquanto a aranha refletia, dividida entre a bondade e a vontade de ignorar quem não gosta dela, começa a chover torrencialmente. Ela dá um grito, e muito assustada corre para uma toca onde estavam morcegos a dormir. Ela nem reparou.
Choveu durante horas e horas seguidas, as pessoas da terra ficaram tão felizes, queriam tanto água, e precisavam mesmo, que dançaram, apanharam chuva, cantaram, encheram baldes, atiraram-se para as piscinas, porque estava calor.
A chuva foi tanta que encheu barragens completamente vazias. Felizmente voltou a haver muita água nas torneiras, criaram ilhas naturais no meio de areias, encheu tanques, fez crescer vegetais, e voltou a haver água que se farta, o que foi ótimo para a alimentação dos animais.
A teia da aranha ficou cheia de gotinhas saltitantes, que se desprendiam com o vento, que as sacudia. Umas conseguiam agarrar-se à teia, outras caíam. A aranha ficou deliciada a ouvir o barulho da chuva a cantar em tudo o que batia. Ela saiu da toca e foi brincar com as gotinhas. Por isso, além de água, a aranha ganhou novas amigas que adoravam saltar na sua teia, e elas, em troca para agradecer, matavam-lhe a sede, e refrescavam-na. A aranha e as gotinhas tinham longas conversas, riam e brincavam muito umas com as outras. Sempre que estava tudo demasiado seco, as simpáticas gotinhas levavam as famílias e as amigas para inundar tudo outra vez.
E assim cresceu uma linda amizade entre as gotinhas e a aranha.
FIM
Lala
22/Abril/2019
segunda-feira, 4 de março de 2019
A lição do lixo à volta das escamas
Era uma vez um ouriço-do-mar que fugiu do oceano onde vivia com a sua família, de muito longe por causa da poluição. Percorreram longos quilómetros à procura de uma casa onde não houvesse lixo. Estava difícil de encontrar, mas finalmente, passaram por uma montanha aquática onde a água era transparente, morna e bem salgada como eles gostavam! Cheirava bem a algas.
Estavam muito cansados, por isso instalaram-se no primeiro sítio que viram, e caíram num sono como já não se lembravam de ter. Tudo parecia calmo, outros animais que passavam, olhavam para eles, mas não lhes tocavam.
Mas um acontecimento inesperado, despertou-os de repente, e assustou-os muito. Um violento tremor de terra! Instalou-se a agitação e o terror debaixo de água. Não sabiam bem o que estava a acontecer, mesmo assim, viam todos a correr de um lado para o outro, e um peixinho gritou-lhes:
- Saiam daí. Estão num sítio muito perigoso.
- O que é que está a acontecer, pergunta um ouriço-do-mar.
- Não temos tempo de explicar, agora. Venham atrás de nós! Rápido.
Os ouriços-do-mar seguem-nos, assustados. Levanta-se um monte de areia que se move a uma velocidade arrepiante, e corre debaixo da água, formam-se centenas de bolhas de água que sobem em redemoinho para a superfície, e quase arrasta tudo o que é animal, mas eles já sabem que quando isso acontece, juntam-se e escondem-se num abrigo que construíram no casco de um navio afundado há muitos anos.
O caos vai para a superfície, e as água nas profundezas acalmam. Todos respiram de alívio.
- Passou! - suspiram todos
Um peixe matreiro, muito bonito, mas perigoso, grita:
- Intrusos!
Estava a falar dos ouriços-do-mar. Como eram todos muito unidos, e todos obedeciam às ordens desse peixe, porque tinham medo dele, o que ele dissesse, tinham de fazer, se não, eram castigados. Na verdade não gostavam de muitas coisas que ele fazia ou dizia, mas ninguém tinha coragem de o desafiar.
- Óh, não...nós viemos na paz, à procura de um lugar para viver, porque o nosso estava cheio de lixo! Quase não conseguíamos respirar! - explica um deles
- Eu não perguntei nada! - exclama o peixe arrogante
- Ele odeia perguntas... - diz outro peixe
- Fora daqui. - Grita o peixe
- Mas nós... - tenta outro ouriço-do-mar
- Não quero saber de explicações! Fora... - Grita o peixe
Os ouriços-do-mar afastam-se tristes. O peixe malvado vai passear todo emperuado e de repente algo se enrola nas suas barbatanas. Não consegue nadar, nem sair do mesmo sítio, e quanto mais tenta libertar-se, mais atado fica.
Os ouriços-do-mar vêem a aflição do peixe, vão ter com ele, e ele escorraça-os, grita com eles, chama-lhes nomes feios, mas eles não se deixam intimidar.
- Vão-se embora...eu não vos quero aqui. - Grita o peixe
- Para de te mexer e de gritar! - recomenda um ouriço
- Olha que porcaria que ele tem aqui à volta...
- Como vamos tirar daqui isto?
Os ouriços-do-mar agem rapidamente, juntam-se e quando encontram uma possível saída do lixo, uns puxam dum lado, outros doutro, cortam com os seus picos partes dos fios, passa um peixe espada e ajuda a cortar os fios, e aos bocadinhos vão libertando o peixe.
No fim estavam todos completamente exaustos. Respiram fundo, e caem na areia lentamente.Os ouriços agradecem ao peixe espada. O peixe está ofegante e muito nervoso, mas ao mesmo tempo envergonhado, por isso, depois de estar um pouco em silêncio, começa a soluçar e a chorar. Os ouriços-do-mar aproximam-se, olham-no, a medo, recuam.
- Estás bem? - pergunta um ouriço
- Ele odeia perguntas, lembras-te? - relembra o ouriço
- Vamos... - diz um ouriço com medo
- Óh... esperem! - Diz o peixe a chorar
Eles param, e olham para o peixe
- Estou muito envergonhado! Desculpem... muito obrigado por me terem tirado aquela porcaria! Ai, quase me acontecia alguma coisa má! Não sei de onde veio aquilo.
- Nós tínhamos toneladas...talvez... dessa porcaria na nossa zona!
- E o que é?
- É lixo... coisas que os humanos já não precisam...
- É que... não devem ter onde pôr.
- Parece que é o que dizem!
- Malditos! - Grita o peixe zangado
- Nós? - perguntam os ouriços assustados
- Não! Aqueles...
- Áh, sim! Tens razão...
- Eu fui muito bruto convosco. Escorracei-vos e vocês ainda me libertaram do lixo! Desculpem.
- Na hora de precisar...
- Pois, eu sei! Não merecia.
- Não foi isso que quisemos dizer!
- Na hora de alguém precisar não pensamos muito. Respondemos!
- Mas eu fui tão estúpido, que vocês deviam deixar-me ali enrolado naquela coisa.
- Porquê?
- Isso ia tirar-te a brutidade?
- Tu realmente não és nada simpático, és arrogante e bruto, mas talvez também tenhas as tuas razões para ser assim!
- Sim, têm razão!
- Toda a gente tem medo de ti.
- Medo de mim? Acham?
- Claro que sim!
- Óh, também não queria isso... é que eu acho que se não for mau, ninguém vai gostar de mim.
- Que disparate!
- Acham?
- Claro. Eles e toda a gente gostam de amigos bons.
- Que vergonha... sou um monstro!
- Não... és bonito, mas podes ser mais suave a falar como os outros.
- Como?
- Queres aprender?
- Quero! É uma forma de vos pedir perdão, e de agradecer!
- Podemos ficar?
- Claro que sim! Por favor!
Os ouriços-do-mar dão umas verdadeiras aulas ao peixe, de como ser amigo e generoso com os outros, para gostarem dele, sem ser mau. Mas que grande mudança. O peixe mau passou a ser um verdadeiro doce, cavalheiro, colaborador, educado, delicado, sedutor, brincalhão, divertido... e todos os outros que o rodeavam repararam. Elogiaram-no, chamavam-no sempre que precisavam, ele fazia convívios e divertia-se muito!
Deixou de ser um chefe mau, e tornou-se no que sempre tinha sido: um peixe amigo, como os outros, que precisava dos outros, e que ajudava quem precisava. Desde esse dia, aquele lugar subaquático nunca mais foi o mesmo. Ao primeiro sinal de lixo, instalava-se a confusão, juntavam-se todos, e devolviam o lixo à superfície, na tentativa que os humanos deixassem de fazer lixo nas praias.
Acham que seria uma boa solução para resolver o problema dos lixos nas praias e nos mares?
FIM
Lálá
4/Março/2019
Estavam muito cansados, por isso instalaram-se no primeiro sítio que viram, e caíram num sono como já não se lembravam de ter. Tudo parecia calmo, outros animais que passavam, olhavam para eles, mas não lhes tocavam.
Mas um acontecimento inesperado, despertou-os de repente, e assustou-os muito. Um violento tremor de terra! Instalou-se a agitação e o terror debaixo de água. Não sabiam bem o que estava a acontecer, mesmo assim, viam todos a correr de um lado para o outro, e um peixinho gritou-lhes:
- Saiam daí. Estão num sítio muito perigoso.
- O que é que está a acontecer, pergunta um ouriço-do-mar.
- Não temos tempo de explicar, agora. Venham atrás de nós! Rápido.
Os ouriços-do-mar seguem-nos, assustados. Levanta-se um monte de areia que se move a uma velocidade arrepiante, e corre debaixo da água, formam-se centenas de bolhas de água que sobem em redemoinho para a superfície, e quase arrasta tudo o que é animal, mas eles já sabem que quando isso acontece, juntam-se e escondem-se num abrigo que construíram no casco de um navio afundado há muitos anos.
O caos vai para a superfície, e as água nas profundezas acalmam. Todos respiram de alívio.
- Passou! - suspiram todos
Um peixe matreiro, muito bonito, mas perigoso, grita:
- Intrusos!
Estava a falar dos ouriços-do-mar. Como eram todos muito unidos, e todos obedeciam às ordens desse peixe, porque tinham medo dele, o que ele dissesse, tinham de fazer, se não, eram castigados. Na verdade não gostavam de muitas coisas que ele fazia ou dizia, mas ninguém tinha coragem de o desafiar.
- Óh, não...nós viemos na paz, à procura de um lugar para viver, porque o nosso estava cheio de lixo! Quase não conseguíamos respirar! - explica um deles
- Eu não perguntei nada! - exclama o peixe arrogante
- Ele odeia perguntas... - diz outro peixe
- Fora daqui. - Grita o peixe
- Mas nós... - tenta outro ouriço-do-mar
- Não quero saber de explicações! Fora... - Grita o peixe
Os ouriços-do-mar afastam-se tristes. O peixe malvado vai passear todo emperuado e de repente algo se enrola nas suas barbatanas. Não consegue nadar, nem sair do mesmo sítio, e quanto mais tenta libertar-se, mais atado fica.
Os ouriços-do-mar vêem a aflição do peixe, vão ter com ele, e ele escorraça-os, grita com eles, chama-lhes nomes feios, mas eles não se deixam intimidar.
- Vão-se embora...eu não vos quero aqui. - Grita o peixe
- Para de te mexer e de gritar! - recomenda um ouriço
- Olha que porcaria que ele tem aqui à volta...
- Como vamos tirar daqui isto?
Os ouriços-do-mar agem rapidamente, juntam-se e quando encontram uma possível saída do lixo, uns puxam dum lado, outros doutro, cortam com os seus picos partes dos fios, passa um peixe espada e ajuda a cortar os fios, e aos bocadinhos vão libertando o peixe.
No fim estavam todos completamente exaustos. Respiram fundo, e caem na areia lentamente.Os ouriços agradecem ao peixe espada. O peixe está ofegante e muito nervoso, mas ao mesmo tempo envergonhado, por isso, depois de estar um pouco em silêncio, começa a soluçar e a chorar. Os ouriços-do-mar aproximam-se, olham-no, a medo, recuam.
- Estás bem? - pergunta um ouriço
- Ele odeia perguntas, lembras-te? - relembra o ouriço
- Vamos... - diz um ouriço com medo
- Óh... esperem! - Diz o peixe a chorar
Eles param, e olham para o peixe
- Estou muito envergonhado! Desculpem... muito obrigado por me terem tirado aquela porcaria! Ai, quase me acontecia alguma coisa má! Não sei de onde veio aquilo.
- Nós tínhamos toneladas...talvez... dessa porcaria na nossa zona!
- E o que é?
- É lixo... coisas que os humanos já não precisam...
- É que... não devem ter onde pôr.
- Parece que é o que dizem!
- Malditos! - Grita o peixe zangado
- Nós? - perguntam os ouriços assustados
- Não! Aqueles...
- Áh, sim! Tens razão...
- Eu fui muito bruto convosco. Escorracei-vos e vocês ainda me libertaram do lixo! Desculpem.
- Na hora de precisar...
- Pois, eu sei! Não merecia.
- Não foi isso que quisemos dizer!
- Na hora de alguém precisar não pensamos muito. Respondemos!
- Mas eu fui tão estúpido, que vocês deviam deixar-me ali enrolado naquela coisa.
- Porquê?
- Isso ia tirar-te a brutidade?
- Tu realmente não és nada simpático, és arrogante e bruto, mas talvez também tenhas as tuas razões para ser assim!
- Sim, têm razão!
- Toda a gente tem medo de ti.
- Medo de mim? Acham?
- Claro que sim!
- Óh, também não queria isso... é que eu acho que se não for mau, ninguém vai gostar de mim.
- Que disparate!
- Acham?
- Claro. Eles e toda a gente gostam de amigos bons.
- Que vergonha... sou um monstro!
- Não... és bonito, mas podes ser mais suave a falar como os outros.
- Como?
- Queres aprender?
- Quero! É uma forma de vos pedir perdão, e de agradecer!
- Podemos ficar?
- Claro que sim! Por favor!
Os ouriços-do-mar dão umas verdadeiras aulas ao peixe, de como ser amigo e generoso com os outros, para gostarem dele, sem ser mau. Mas que grande mudança. O peixe mau passou a ser um verdadeiro doce, cavalheiro, colaborador, educado, delicado, sedutor, brincalhão, divertido... e todos os outros que o rodeavam repararam. Elogiaram-no, chamavam-no sempre que precisavam, ele fazia convívios e divertia-se muito!
Deixou de ser um chefe mau, e tornou-se no que sempre tinha sido: um peixe amigo, como os outros, que precisava dos outros, e que ajudava quem precisava. Desde esse dia, aquele lugar subaquático nunca mais foi o mesmo. Ao primeiro sinal de lixo, instalava-se a confusão, juntavam-se todos, e devolviam o lixo à superfície, na tentativa que os humanos deixassem de fazer lixo nas praias.
Acham que seria uma boa solução para resolver o problema dos lixos nas praias e nos mares?
FIM
Lálá
4/Março/2019
Etiquetas:
- para todas as idades,
amizade,
cooperação,
leixo,
mar,
medo,
ouriços-do-mar,
peixs,
perigo,
poluição,
praia,
respeito,
solução
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
O sonho mágico do rapaz mágico
Era uma vez um jovem rapaz, bonito, elegante, que tinha nascido com um dom de fazer magia. Simpático, brincalhão, não falava por palavras mas tinha um coração bom e era tão expressivo, que através da mímica e do olhar, transmitia luz a quem o via. Às vezes aparecia com a cara pintada, outras vezes, não. Queria distribuir alegria por todo o lado e o que gostava mais era de ver a expressão de surpresa e sorrisos de quem o via. Para isso, oferecia pequenas lembranças e conseguia que sorrissem.
Passou por uma menina que ficou a olhar para ele, muito séria. Ele olhou para ela, sorriu, tirou o chapéu, ajoelhou-se e ofereceu uma flor maravilhosa, com pétalas brilhantes. Ele beijou delicadamente a flor, estendeu a mão para a menina, ofereceu-lhe a flor. A menina encantou-se com ele, abriu um lindo e aberto sorriso, agradeceu, e o rapaz levantou-se, feliz, com um sorriso de orelha a orelha, saltitou e soprou pequenas luzinhas em forma de pó.
Mais à frente, viu uma criança a chorar. Quando a criança o viu parou de chorar, olhou-o, o mágico sacudiu o chapéu e de lá saltou um balão em forma de lua cheia. O menino riu, e o rapaz sorriu. A mãe do bebé quase resmungou, mas quando viu o rapaz, ficou calada. O rapaz roda o chapéu no ar, e tira uma estrela que dava gargalhadas, tão engraçadas que a mãe do pequeno riu como já não acontecia há muito tempo. O seu filho até ficou surpreso e riu também.
Depois, passou por um homem que dormia debaixo de um banco de jardim, aquecido pelo candeeiro. O rapaz sentiu pena dele, e enquanto dormia, num toque mágico construiu-lhe uma casa pequena, mas toda mobilada, com alimentos, água e roupas. O homem acordou assustado, quase o agredia, mas o mágico indicou-lhe a casa. O senhor ficou tão emocionado que lhe pediu desculpa e entrou na sua nova casa. Nem queria acreditar no que estava a ver. O senhor nunca mais dormiu na rua.
Num hospital, o rapaz mesmo com muita vontade de chorar, sorria para todos, e oferecia do seu chapéu: bonecos, flores, brinquedos com música, luzinhas, borboletas que davam beijinhos, e com isso, conseguiu curar muitos doentes.
A sua mãe vai ao quarto, e acorda-o:
- Filho...está na hora de ires para a escola.
- Mãe… eu quero ser mágico.
- Sim, sim. A tua magia agora é estudares.
- Mas, mãe…é a minha missão. Eu sonhei com isso!
- A tua missão é estudares, para seres alguém.
- Mas eu quero ser alguém...quero ser mágico.
- Cala-te! Eu dou-te a magia. Magia é alguma profissão? Magia dá valor a alguém? Francamente. Não me voltes a falar nisso.
- Claro que é uma profissão. Claro que faz de mim alguém...posso fazer bem a muita gente.
- Esquece lá a magia e despacha-te! E ai de ti, que os professores digam que estás distraído.
O rapaz levanta-se, zangado. Arranja-se para ir para a escola, toma o pequeno almoço, sopra a mão e deixa uma flor para a mãe em cima da mesa. A mãe fica surpresa.
- Até logo, mamã. Amo-te. Ainda vais ter orgulho no teu filho. E na magia!
A mãe quase ralha com ele, porque não gosta que ele seja mágico, não quer reconhecer que o filho tem esse dom, e acha que é tudo um disparate da cabeça dele. Ele podia não ter o chapéu de mágico, e claro, todas as magias que ele sonhou, não se realizaram, mas...fazia magia de outra maneira! Com a sua simpatia, delicadeza, educação, sensibilidade, meiguice e amizade. A verdadeira magia deste rapaz estava na sua bondade. No que ele fazia despertar nos outros. Todos gostavam dele. Uns anos mais tarde, tirou um curso de magia, e outro curso para trabalhar como enfermeiro. Era feliz, e continuou a fazer grandes magias por ser como era.
FIM
Lálá
16/Janeiro/2019
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
Histórias de amor, ou histórias de terror?
Era uma vez uma árvore onde viviam muitos morcegos, corujas, e mochos. Um morcego tinha muita imaginação e adorava ler. Devorava livros e mais livros.
Gostava tanto de histórias que quando as lia parecia que as vivia. Tanto, que falava sozinho, ele dizia que estava a falar com as personagens, mas ninguém, a não ser ele as via. Gritava, insultava, agitava-se, às vezes até se atirava de repente e caia no chão. Todos ficavam assustados, até que se habituaram aos seus repentes, e riam com ele.
Embora lesse um pouco de tudo, o que gostava mesmo era de histórias tenebrosas, assustadoras, de terror, aquelas que assustam e ao mesmo tempo muitos gostam de ouvir. Não entendiam como não tinha pesadelos de noite, com tanta história de terror, mas não tinha, e adorava contá-las aos outros pequenos, o que passou a ser um grande problema, porque tinham pesadelos.
Uma noite, as corujinhas pequenas quiseram juntar-se ao grupo, e ouvir as histórias. Quando perceberam que eram de terror, viraram costas e foram ler outras histórias, as delas, mais românticas, de temas que as meninas gostam. Nessa noite, mesmo não ouvindo as histórias de terror, elas tiveram pesadelos, talvez porque ouviram os mochos a gritar e a rir.
Os mochinhos eram teimosos, ouviam as histórias, e claro, de noite tinham um sono muito agitado, mexiam-se, gritavam, caiam abaixo da árvore. Os pais dormiam como se nada fosse, as morceguinhas e as corujinhas acendiam as luzes e tentavam acalmá-los.
- Olhem, meninas, os valentões acordaram assustados! - diz uma morceguinha irónica
(Todas riem)
- Coitadinhos… - dizem todas a rir
- Vão ouvir mais histórias de terror, vão…! - recomenda uma corujinha a rir de fininho
- Que palermas! - comenta outra morcega
- A culpa é do teu irmão. - Resmunga um morcego que acordou estremunhado
- Essa agora…? Porquê?
- Porque ele é que nos lê essas histórias.
- Se não gostam, porque as ouvem?
- Porque ele é nosso amigo!
- Lá porque é amigo, não têm de gostar das mesmas coisas que ele! - diz a irmã do morcego
- Pois. - Concordam todas
- Nós não temos medo! - afirma convicto um mochinho que ainda está a tremer do pesadelo
- Naaaaaa... - exclamam todas a rir
- Então porque é que estás a tremer, e acordaste aos gritos?
- Eu…? A tremer, e aos gritos…? Tu é que deves ter tido um pesadelo… - diz o morcego que parecia uma vara verde, armado em forte. Elas riem
Uma morcega dá um espirro. Os mochinhos e os morceguinhos escondem-se assustados. As meninas riem
- Até um espirro lhes mete medo, quanto mais, uma história de terror.
- Pois é.
- Acham que são muito corajosos…
- Eu não gosto nada dessas histórias.
- Nem eu!
- É por isso que quando as oiço, mesmo não estando muito atenta, estes palermas a gritar, assusto-me, tenho sonhos maus.
- Eu também.
- Nós sabemos que aquilo não é real, mas não sei porquê...mete medo.
- Pois é.
- Não temos que gostar todos do mesmo.
- Claro que não.
- E se eles experimentarem ouvir ou ler as histórias que nós lemos? - sugere uma morceguinha
- Boa! - concordam todas
Uma noite as corujinhas e as morceguinhas convidaram os amigos que se diziam muito corajosos, mas na verdade tinham muito medo, a ouvir as histórias que elas liam.
- As histórias que vocês gostam, são pirosas...- resmunga um mochinho
- Mas ouviste-as, e vais ver como esta noite não vais ter pesadelos! - garante uma morceguinha
- Eu até acho que gosto de histórias de amor, mais do que de terror. - pensa alto um morceguinho
- Claro, o amor é muito mais bonito, terror... já temos muito, à nossa volta e é mau! - diz uma morceguinha
- À noite precisamos de ouvir coisas bonitas, agradáveis, para descansar e ter bons sonhos! - acrescenta uma corujinha
Nessa noite, não tiveram pesadelos, e alguns descobriram que afinal também gostavam das histórias para meninas. Como, ainda assim, gostavam das histórias de terror, e pensavam que sabiam que essas histórias não eram verdadeiras, decidiram experimentar ler essas histórias de dia, e as outras das meninas à noite.
Uma noite, as corujinhas pequenas quiseram juntar-se ao grupo, e ouvir as histórias. Quando perceberam que eram de terror, viraram costas e foram ler outras histórias, as delas, mais românticas, de temas que as meninas gostam. Nessa noite, mesmo não ouvindo as histórias de terror, elas tiveram pesadelos, talvez porque ouviram os mochos a gritar e a rir.
Os mochinhos eram teimosos, ouviam as histórias, e claro, de noite tinham um sono muito agitado, mexiam-se, gritavam, caiam abaixo da árvore. Os pais dormiam como se nada fosse, as morceguinhas e as corujinhas acendiam as luzes e tentavam acalmá-los.
- Olhem, meninas, os valentões acordaram assustados! - diz uma morceguinha irónica
(Todas riem)
- Coitadinhos… - dizem todas a rir
- Vão ouvir mais histórias de terror, vão…! - recomenda uma corujinha a rir de fininho
- Que palermas! - comenta outra morcega
- A culpa é do teu irmão. - Resmunga um morcego que acordou estremunhado
- Essa agora…? Porquê?
- Porque ele é que nos lê essas histórias.
- Se não gostam, porque as ouvem?
- Porque ele é nosso amigo!
- Lá porque é amigo, não têm de gostar das mesmas coisas que ele! - diz a irmã do morcego
- Pois. - Concordam todas
- Nós não temos medo! - afirma convicto um mochinho que ainda está a tremer do pesadelo
- Naaaaaa... - exclamam todas a rir
- Então porque é que estás a tremer, e acordaste aos gritos?
- Eu…? A tremer, e aos gritos…? Tu é que deves ter tido um pesadelo… - diz o morcego que parecia uma vara verde, armado em forte. Elas riem
Uma morcega dá um espirro. Os mochinhos e os morceguinhos escondem-se assustados. As meninas riem
- Até um espirro lhes mete medo, quanto mais, uma história de terror.
- Pois é.
- Acham que são muito corajosos…
- Eu não gosto nada dessas histórias.
- Nem eu!
- É por isso que quando as oiço, mesmo não estando muito atenta, estes palermas a gritar, assusto-me, tenho sonhos maus.
- Eu também.
- Nós sabemos que aquilo não é real, mas não sei porquê...mete medo.
- Pois é.
- Não temos que gostar todos do mesmo.
- Claro que não.
- E se eles experimentarem ouvir ou ler as histórias que nós lemos? - sugere uma morceguinha
- Boa! - concordam todas
Uma noite as corujinhas e as morceguinhas convidaram os amigos que se diziam muito corajosos, mas na verdade tinham muito medo, a ouvir as histórias que elas liam.
- As histórias que vocês gostam, são pirosas...- resmunga um mochinho
- Mas ouviste-as, e vais ver como esta noite não vais ter pesadelos! - garante uma morceguinha
- Eu até acho que gosto de histórias de amor, mais do que de terror. - pensa alto um morceguinho
- Claro, o amor é muito mais bonito, terror... já temos muito, à nossa volta e é mau! - diz uma morceguinha
- À noite precisamos de ouvir coisas bonitas, agradáveis, para descansar e ter bons sonhos! - acrescenta uma corujinha
Nessa noite, não tiveram pesadelos, e alguns descobriram que afinal também gostavam das histórias para meninas. Como, ainda assim, gostavam das histórias de terror, e pensavam que sabiam que essas histórias não eram verdadeiras, decidiram experimentar ler essas histórias de dia, e as outras das meninas à noite.
Gostaram da experiência, mas poucos dias depois, voltaram a não resistir ao convite do amigo morcego que lia as histórias de terror. Lá voltaram os pesadelos! Elas não tentaram mais, mas desafiaram-se uns aos outros, para ver quem tinha razão...se eles, ou elas.
Convidaram toda a floresta para ouvir histórias de amor, e histórias de terror. Quem quisesse histórias de amor, ia para as morceguinhas e corujinhas, quem gostasse de histórias de terror, ia ouvir os morceguinhos e mochinhos.
Nos primeiros dias, os mochinhos e morceguinhos, ganharam, tiveram muitos animais a ouvir as histórias de terror, e as corujinhas e as morceguinhas não tiveram ninguém para as ouvir. Todos ficaram muito entusiasmados a ouvir as histórias de terror, mas nessas noites ninguém dormiu, todos tiveram pesadelos.
Passado uns dias, já cansados de não dormir, e de ficarem com o coração a bater muito depressa com o mais pequeno barulho, ou gritar quando viam sombras, decidiram ouvir as histórias delas, e dormiram como anjos, porque eram histórias tão bonitas, que faziam sonhar e transmitiam paz.
Algum tempo depois, cada um ia para o que gostava mais, e todos continuaram amigos como antes… cada um tem os seus gostos, e se não gostamos de histórias ou filmes de terror, não temos de as ouvir, ou ver. Há milhares de histórias que esperam por nós.
E vocês? Que histórias gostam mais? Sobre quê? Já tiveram sonhos maus depois de ouvir ou ver uma história ou filme de terror?
FIM
Lara Rocha
4/12/2018
Nos primeiros dias, os mochinhos e morceguinhos, ganharam, tiveram muitos animais a ouvir as histórias de terror, e as corujinhas e as morceguinhas não tiveram ninguém para as ouvir. Todos ficaram muito entusiasmados a ouvir as histórias de terror, mas nessas noites ninguém dormiu, todos tiveram pesadelos.
Passado uns dias, já cansados de não dormir, e de ficarem com o coração a bater muito depressa com o mais pequeno barulho, ou gritar quando viam sombras, decidiram ouvir as histórias delas, e dormiram como anjos, porque eram histórias tão bonitas, que faziam sonhar e transmitiam paz.
Algum tempo depois, cada um ia para o que gostava mais, e todos continuaram amigos como antes… cada um tem os seus gostos, e se não gostamos de histórias ou filmes de terror, não temos de as ouvir, ou ver. Há milhares de histórias que esperam por nós.
E vocês? Que histórias gostam mais? Sobre quê? Já tiveram sonhos maus depois de ouvir ou ver uma história ou filme de terror?
FIM
Lara Rocha
4/12/2018
Etiquetas:
amizade,
árvore,
gostos,
histórias de amor,
histórias de terror,
morceguinhas,
morceguinhos,
partilha,
pesadelos
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
A árvore Cristal
Foto de Lara Rocha
Era uma vez uma árvore centenária, a quem chamavam Cristal. Já tinha visto crescer e envelhecer várias gerações de pessoas da mesma família, estava no meio de tantas outras, cheia de folhas com as cores do Outono: amarelas, castanhas, verdes claras, verdes escuras, vermelhas, manchadas e todas lindas.
Uma menina que olhava pela sua janela, num dia de aguaceiros, reparou em algo muito diferente que nunca tinha visto naquela árvore de quem toda a família falava. A Cristal estava muito mais brilhante do que as outras.
O vento soprava forte, e quando abanava as folhas, esta parecia que estava cheia de leves teias de aranha que dançavam ao vento. Foi a correr ter com a mãe à cozinha, que estava muito atarefada, pediu que visse a Cristal:
- Mamã, o que achas que tem aquela árvore?
- Qual?
- A Cristal.
- Para mim são todas as árvores iguais, que mudam as suas folhas conforme a estação do ano, e estão ali desde há dezenas ou centenas de anos.
- Está bem, eu sei isso tudo, mas a Cristal, tem... qualquer coisa que a faz brilhar muito. Acho que são teias de aranha penduradas.
- Que disparate! As aranhas não andam nas árvores. Quer dizer, podem andar, mas não fazem as teias ali.
- Porquê? Têm medo de alturas?
- É! Deve ser.
- Olha...elas a abanarem com as folhas, sempre que o vento lhes dá.
- Sim, mas duvido que sejam teias de aranha.
- Mas as teias de aranha não brilham ao sol, nem abanam com o vento?
- Sim, fazem isso tudo, mas não neste sítio.
- Porque não?
- Ai...óh filha, vai fazer outra coisa. Deixa lá a Cristal sossegada, ela não te come.
- É vaidosa?
- É.
A menina fica amuada, a mãe volta para o seu trabalho. Não satisfeita com aquela resposta, foi perguntar ao seu pai que ralhou com ela porque também estava muito ocupado, e não podia perder tempo a olhar para árvores. Disse para perguntar à Mãe, mas isso já tinha feito. A menina, triste, foi tentar a sua sorte, e perguntar aos avós que estavam a trabalhar na horta.
- Avó, olha a Cristal está a brilhar.
- Áh. É linda.
- Porque é que ela brilha tanto? São teias de aranha penduradas nas folhas que abanam com o vento?
- Não me parece! - diz o Avô
- Também acho que não. - Diz a Avó
- Então o que brilha?
- É um presente dos anjos! - diz o Avô com ar poético a sorrir
- A sério? Tu viste Avô?
- Vi.
- E como é que eles fizeram isto?
- Isso é segredo deles! - diz a Avó a sorrir
- Tu também viste os anjos, Avó?
- Vi.
- Áh! Que lindo! Está tão bonita esta árvore. São cristais?
- São! - Respondem os dois
- Transparentes como as lágrimas. - Diz a Avó
- Lágrimas? De quem? - pergunta a menina
- Não sei! - Dizem os Avós
- O sol beija os cristais - diz a Avó
- Beija os cristais? Então são estrelas? - deduz a menina
-É! São estrelas de dia! - Sorri o Avô
- São iguais às estrelas da noite? - pergunta a menina
- Não! Estas estrelas só se vêem de dia, e as outras só se vêem de noite.
- Também são os anjos? - pergunta a menina
- São! - respondem os dois
- E porque é que eles põem estrelas de dia e estrelas de noite?
- Para nos mostrar que estão connosco, que nos amam e protegem. - responde o Avô
- Áh! Que lindo. Obrigada, anjos. E porque é que eles não puseram cristais em todas as árvores? Ficam tão bonitas! - observa a menina
- Não devem ter que chegue. - Diz a Avó
- Ou então, puseram naquela árvore para que tu os visses, fica mesmo em frente à tua janela... - justifica o Avô
- Uau! - Sorri a menina
- Eles estão felizes! - Diz a Avó
- Como sabes?
- Porque estão a dançar nas folhas! - diz o Avô
- Áh, tu consegues vê-los?
- Consigo! E tu também estás a vê-los.
- Estou?
- Estás. Estão a cintilar...vês?
- Sim, mas eu não estou a ver anjos.
- Estás sim! Os cristais na árvore...e em tudo o que há na Natureza. São eles que estão lá. Nós é que nem nos lembramos que eles existem e que nos enchem de mimos! E nós...nem agradecemos! Mesmo assim, eles estão sempre ali, ali, aqui, acolá...em todo o lado! - diz o Avô
- É verdade! - Confirma a avó
- Os anjos não precisam de ser vistos, como os pintam, ou dizem que são! Eles são discretos. Mas fazem coisas maravilhosas. - Diz a Avó
- Pois é! Obrigada Anjos...adoro-vos.
Caem umas pintas de chuva e aproxima-se uma nuvem negra.
- Óh, vai chover! - repara a menina
- Os anjos até na chuva estão. - Diz a Avó
Os três entram em casa. A menina olha pela janela, e chove torrencialmente.
- Olhem... os cristais desapareceram! - repara a menina
- Os anjos foram brincar para outro lado! - diz o Avô
- E levaram os brilhantes?
- Eles voltam...
- Mamã, olha os Avós já disseram que a Cristal brilha porque estão lá anjos.
A mãe sorri ao olhar com ternura para os pais e para a menina. Eles retribuem.
- Áh...pois... eu disse-te logo que não eram teias de aranha.
- Ai, tu também já sabias?
- Já. Mas estava tão ocupada que não me lembrei quando falaste da Cristal...não estava atenta.
- Tu também vês anjos a dançar ali na árvore?
- Vejo.
- Podias ter dito logo.
Todos sorriem.
- Quis que tu visses primeiro. Podias não os ver.
- Há pessoas que não os vêem. - Diz a avó
- Então, eu já os vi em muitos lugares! - repara a menina
- Já.
- Vejo-os todos os dias.
- Sim! - dizem todos
- Em todas as surpresas que eles deixam em tudo o que é bonito na Natureza.
- Ora.
O sol reabre e as árvores ao lado também ficam brilhantes.
- Olha, Avô. Voltaram!
- Sim! Estavam abrigados...
- Ou foram buscar os outros para brincar! Porque as árvores ao lado também estão brilhantes.
- É verdade! Eles gostam de brincar acompanhados.
- Obrigada, anjos...! Pela vossa presença, e pelas prendas!
- Obrigada! - dizem todos
E vocês? Já viram anjos? Onde? Em quê?
FIM
Lálá
(22/Nov/2018)
O vento soprava forte, e quando abanava as folhas, esta parecia que estava cheia de leves teias de aranha que dançavam ao vento. Foi a correr ter com a mãe à cozinha, que estava muito atarefada, pediu que visse a Cristal:
- Mamã, o que achas que tem aquela árvore?
- Qual?
- A Cristal.
- Para mim são todas as árvores iguais, que mudam as suas folhas conforme a estação do ano, e estão ali desde há dezenas ou centenas de anos.
- Está bem, eu sei isso tudo, mas a Cristal, tem... qualquer coisa que a faz brilhar muito. Acho que são teias de aranha penduradas.
- Que disparate! As aranhas não andam nas árvores. Quer dizer, podem andar, mas não fazem as teias ali.
- Porquê? Têm medo de alturas?
- É! Deve ser.
- Olha...elas a abanarem com as folhas, sempre que o vento lhes dá.
- Sim, mas duvido que sejam teias de aranha.
- Mas as teias de aranha não brilham ao sol, nem abanam com o vento?
- Sim, fazem isso tudo, mas não neste sítio.
- Porque não?
- Ai...óh filha, vai fazer outra coisa. Deixa lá a Cristal sossegada, ela não te come.
- É vaidosa?
- É.
A menina fica amuada, a mãe volta para o seu trabalho. Não satisfeita com aquela resposta, foi perguntar ao seu pai que ralhou com ela porque também estava muito ocupado, e não podia perder tempo a olhar para árvores. Disse para perguntar à Mãe, mas isso já tinha feito. A menina, triste, foi tentar a sua sorte, e perguntar aos avós que estavam a trabalhar na horta.
- Avó, olha a Cristal está a brilhar.
- Áh. É linda.
- Porque é que ela brilha tanto? São teias de aranha penduradas nas folhas que abanam com o vento?
- Não me parece! - diz o Avô
- Também acho que não. - Diz a Avó
- Então o que brilha?
- É um presente dos anjos! - diz o Avô com ar poético a sorrir
- A sério? Tu viste Avô?
- Vi.
- E como é que eles fizeram isto?
- Isso é segredo deles! - diz a Avó a sorrir
- Tu também viste os anjos, Avó?
- Vi.
- Áh! Que lindo! Está tão bonita esta árvore. São cristais?
- São! - Respondem os dois
- Transparentes como as lágrimas. - Diz a Avó
- Lágrimas? De quem? - pergunta a menina
- Não sei! - Dizem os Avós
- O sol beija os cristais - diz a Avó
- Beija os cristais? Então são estrelas? - deduz a menina
-É! São estrelas de dia! - Sorri o Avô
- São iguais às estrelas da noite? - pergunta a menina
- Não! Estas estrelas só se vêem de dia, e as outras só se vêem de noite.
- Também são os anjos? - pergunta a menina
- São! - respondem os dois
- E porque é que eles põem estrelas de dia e estrelas de noite?
- Para nos mostrar que estão connosco, que nos amam e protegem. - responde o Avô
- Áh! Que lindo. Obrigada, anjos. E porque é que eles não puseram cristais em todas as árvores? Ficam tão bonitas! - observa a menina
- Não devem ter que chegue. - Diz a Avó
- Ou então, puseram naquela árvore para que tu os visses, fica mesmo em frente à tua janela... - justifica o Avô
- Uau! - Sorri a menina
- Eles estão felizes! - Diz a Avó
- Como sabes?
- Porque estão a dançar nas folhas! - diz o Avô
- Áh, tu consegues vê-los?
- Consigo! E tu também estás a vê-los.
- Estou?
- Estás. Estão a cintilar...vês?
- Sim, mas eu não estou a ver anjos.
- Estás sim! Os cristais na árvore...e em tudo o que há na Natureza. São eles que estão lá. Nós é que nem nos lembramos que eles existem e que nos enchem de mimos! E nós...nem agradecemos! Mesmo assim, eles estão sempre ali, ali, aqui, acolá...em todo o lado! - diz o Avô
- É verdade! - Confirma a avó
- Os anjos não precisam de ser vistos, como os pintam, ou dizem que são! Eles são discretos. Mas fazem coisas maravilhosas. - Diz a Avó
- Pois é! Obrigada Anjos...adoro-vos.
Caem umas pintas de chuva e aproxima-se uma nuvem negra.
- Óh, vai chover! - repara a menina
- Os anjos até na chuva estão. - Diz a Avó
Os três entram em casa. A menina olha pela janela, e chove torrencialmente.
- Olhem... os cristais desapareceram! - repara a menina
- Os anjos foram brincar para outro lado! - diz o Avô
- E levaram os brilhantes?
- Eles voltam...
- Mamã, olha os Avós já disseram que a Cristal brilha porque estão lá anjos.
A mãe sorri ao olhar com ternura para os pais e para a menina. Eles retribuem.
- Áh...pois... eu disse-te logo que não eram teias de aranha.
- Ai, tu também já sabias?
- Já. Mas estava tão ocupada que não me lembrei quando falaste da Cristal...não estava atenta.
- Tu também vês anjos a dançar ali na árvore?
- Vejo.
- Podias ter dito logo.
Todos sorriem.
- Quis que tu visses primeiro. Podias não os ver.
- Há pessoas que não os vêem. - Diz a avó
- Então, eu já os vi em muitos lugares! - repara a menina
- Já.
- Vejo-os todos os dias.
- Sim! - dizem todos
- Em todas as surpresas que eles deixam em tudo o que é bonito na Natureza.
- Ora.
O sol reabre e as árvores ao lado também ficam brilhantes.
- Olha, Avô. Voltaram!
- Sim! Estavam abrigados...
- Ou foram buscar os outros para brincar! Porque as árvores ao lado também estão brilhantes.
- É verdade! Eles gostam de brincar acompanhados.
- Obrigada, anjos...! Pela vossa presença, e pelas prendas!
- Obrigada! - dizem todos
E vocês? Já viram anjos? Onde? Em quê?
FIM
Lálá
(22/Nov/2018)
sábado, 20 de outubro de 2018
os morcegos e as bruxas no parque
Era uma vez um bando de morcegos, que sobrevoaram uma aldeia onde repararam que as casas tinham parque infantil. A morcegada pequena, como era tratada pelos adultos, fazem uma grande guincharia, com o entusiasmo por ter visto brinquedos novos.
- Óh raia miúda, calem-se. - ordena um morcego com muita idade e gordo- Parem lá de guinchar, ainda acordam o raio das bruxas. - acrescenta outra morcega idosa
As bruxas saem das árvores muito irritadas, aos gritinhos e saltinhos como os morcegos. Os morcegos quase congelam:
- Não posso acreditar... - murmura um morcego velho
- Óh não. É só falar nelas que elas aparecem! - comenta outra morcega entre dentes
- Estamos fritos! - Suspira outra morcega
- Agora vamos ter de as aturar. - resmunga outro morcego
- Malditos! - gritam as bruxas irritadas
- Isto são horas de andar a fazer barulho aqui nas nossas casas?
- Estúpidos.
- Saiam já daqui.
- Se não ainda fazemos picadinho de morcegos.
- E vocês, velhos...não sabem calar esta pardelhada?
- Desapareçam.
Lançam raios e atiram saquinhos fedorentos, para calar os pequemos morcegos, que rapidamente se escondem nas árvores e ficam em silêncio.
- Para onde foram? - pergunta uma bruxa
- Acho que já foram embora. - responde outra bruxa
- Como é possível?
- Não quero saber onde estão, só quero é que se calem!
- O que estavam a fazer, amigas?
- Eu estava no meu banho de espuma.
- Eu estava a ver televisão, quase a dormir, não dá nada de jeito.
- Eu estava a desarrumar o meu armário...que nojo...estava tão organizadinho que não sabia de nada... já disse àquela franganita de minha empregada que não quero que me arrume os armários, mas ela é teimosa. Deve estar à espera que eu solte um raio, ou a transforme em algo.
- Vamos fazer algo mais divertido? Que tal se formos beber uns copos e dançar?
- Boa!
Entram em casa, trocam de roupa, e de sapatos, pegam nas vassouras e encontram-se no largo. Olham umas para as outras:
- Áh! - dizem em coro
- Mas que bonitas que estão.
- Óh, tu também.
- Compraste um vestido novo?
- Não... transformei um que tinha.
- Está espetacular.
- E o teu?
- Este era da minha prima, aquela que trabalha no laboratório.
- Vamos...?
- Vamos.
Chocam as mãos no ar, montam nas vassouras e voam juntas para a cidade onde já conhecem bares de bruxas. Os morcegos respiram de alívio, saem das árvores e os pequenos pedem aos grandes para irem para o parque infantil. Os grandes acedem aos seus pedidos, e enquanto ficam no parque, vão dar uma volta e conviver no campo ao lado, com outros velhos amigos.
Os morceguinhos pequenos divertem-se, vão de brinquedos em brinquedo, brincam em grupo nas rodas, andam de baloiço, escorrega e mergulham no insuflável de bolas coloridas. Atiram as bolas uns para os outros, com as patinhas, rodam em cima delas, mergulham, dão cambalhotas, rondam e pousam nas luzes coloridas, fazem bailados nos tapetes sintéticos, andam nos balanços em grupos e divertem-se com muitas gargalhadas, cambalhotas, risos.
Já madrugada alta, as bruxas regressam a casa, completamente eufóricas, a rir muito, a cantar, a andar aos esses, a cair, a dar cambalhotas no ar, a aplaudirem-se umas às outras, e a segurarem-se abraçadas umas às outras.
Os morcegos pressentem o perigo e voam silenciosamente para o campo, escondem-se todos dentro de abóboras, e outros nos espantalhos, entre o milho alto, e nas cabanas de palha. As bruxas não os vêem, e passado um bocado entram em casa e os morcegos continuam a diversão deles.
A madrugada aproxima-se rapidamente, e quando o dia começa a clarear, os morcegos regressam para a cidade, e para as suas tocas, depois de uma noite tão divertida, e cansativa.
Fim
Lálá
20/10/2018
domingo, 14 de outubro de 2018
EU, A RITA QUE RI, E A DORA QUE CHORA (Psicólogos, estudantes de psicologia; população geral)
FIM
Lara Rocha
(14/Outubro/2018)
Subscrever:
Mensagens (Atom)





