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domingo, 14 de outubro de 2018

EU, A RITA QUE RI, E A DORA QUE CHORA (Psicólogos, estudantes de psicologia; população geral)





                Partilho o meu corpo com duas gémeas, que me transformam numa autêntica marioneta, conforme a telha! Uma chama-se Rita, a outra chama-se Dora. Vejo-as. Umas vezes nos espelhos, outras vezes fora de mim. Fisicamente são muito parecidas, mas uma tem um feitio insuportável, a Dora, a outra, é mais simpática, a Rita. Umas vezes aparece só uma, e passa muito tempo comigo, outras vezes é a outra. No início pensei que apesar de ser adulta, tinha voltado de repente a ser criança, àquela idade dos amigos imaginários, e por isso era eu a imaginar, para não me sentir sozinha. Depois achei que seria efeito secundário do stress no trabalho, por estar a fazer o que não gostava, de onde felizmente fui despedida porque disse na cara da besta do patrão umas quantas e boas que ele já estava a pedir há muito. Nesse dia senti que a Rita estava comigo, não é que ela me tenha feito rir, mas deu-me força, muito raiva, tornou-me a voz mais forte, e extrovertida! Nem parecia eu. Ela, a Rita, é mesmo assim. Quando toma conta de mim, faz-me rir, sair da casca, é super fácil atrair a atenção dos gajos, e fazer deles tudo o que eu quero…ai…adoro vê-los todos encolhidos com o medo, mas ao mesmo tempo, com vontade de me comer…! Cromos! Eu uso-os e deito-os fora, é o que eles merecem. Mas com a Rita, dá-me gozo fazer isso, parecemos duas lobas selvagens! Ao lado da Rita sinto-me linda, atraente, maravilhosa, uma felicidade que não tem explicação, mas é tão boa…só sinto quando ela está comigo. Ela não tem papas na língua, é tão engraçada (ri) fala que nunca mais acaba, mas diz coisas acertadas, tudo o que lhe vem à cabeça. Vou com ela às compras, gasto dinheiro, mas assim sinto-me preenchida. Quem é que nunca se sentiu bem a fazer compras? É terapêutico. O pior, descobri mais tarde, quando a Rita me deixou sem dinheiro para pagar as contas, e a minha família teve de suportar os gastos. Não sabia como lhes explicar, não podia dizer que foi a Rita porque não iam acreditar, só eu é que a vejo. A Rita até me desafia e incentiva a fazer coisas arriscadas, perigosas, que achava nunca ser capaz. Felizmente nunca aconteceu o pior, nem pensava nisso, e fazia-o, mas se fosse agora, talvez não o fizesse. A Rita é louca! Mas até gosto dela, farto-me de rir com ela! Até nem sei de quê, mas também não interessa. Olhamos para a cara uma da outra, e as coisas que ela diz, e partimo-nos a rir. Rir é bom! Fica tudo a olhar para nós…para mim…quando me veem a rir. Rir é bom, e eu gosto da companhia da Rita que ri. A outra gémea, a Dora, é completamente diferente: mais metida nela, tristonha, quase não fala, chora por tudo e por nada, é muito infeliz, queixinhas, está sempre com sono e outras vezes com as paranoias e aqueles pensamentos suicidas. Acha que é feia, que ninguém gosta dela, é um fracasso, não vale nada, é esquecida, vê tudo feio, tudo mau, tudo escuro, dói-lhe tudo, não quer saber de nada, não se envolve com nada, parece um esqueleto em pé. Tem uma série de ideias estranhíssimas, que quando as ouço até fico assustada. Acha sempre que ela é a pior em tudo! Desconfiada! Eu tenho pena dela porque está sempre a chorar e não consegue sair daquele estado de tristeza, como se não houvesse amanhã. A Rita nem me deixa dormir. Mas eu compreendo a Dora que tanto chora, porque às vezes também me sinto assim! E como a compreendo, choro sem fim, porque sei o que ela sente. E quando a Dora está comigo, fico como ela… sempre triste, revoltada, ansiosa, cheia de medos, pensamentos estranhos e assustadores, com vontade de acabar comigo. Às vezes quando estou com a Dora sei que não sou a única, não estou sozinha na tristeza, partilhamos uma com a outra as coisas más, e até já pensamos em conjunto num suicídio. Nunca o concretizamos porque aparece a Rita que nos faz rir. A Rita não nos compreende. Só eu e a Dora é que nos entendemos. O que eu não gosto nas duas é quando aparecem de surpresa, sem avisar, sem hora nem lugar marcado, e muitas vezes já paguei caro por isso. Porque se aparece a Rita que ri, faz-me rir com pessoas que me estão a contar tristezas. Ora, nesse momento devia aparecer a Dora que chora, tal como quando me insultam…eu pareço uma trovoada, respondo, estouro, é a Rita que me faz agir dessa forma. Diz ela que é para me defender, mas às vezes corre mal. Outras vezes, a Dora chega, e reajo com tanto choro a coisas tão estupidas e insignificantes que até é ridículo, porque a Dora que chora é mesmo assim. É muito sensível. Dizem que sou maluca. Porque devia ignorar, mas a Dora não aparece nesse momento, diz ela que é para os outros não me humilharem tanto, e para eu não ouvir e calar, coisas que magoam, como ela faz. Já lhe disse que isso não é bom! Coitada! Não consegue ser diferente. Não sei se gosto mais de uma ou da outra! São diferentes. Acho que gosto das duas, mas prefiro a Rita que ri, só que…a Dora que chora também tem coisas positivas. Antes de conhecer as duas, eu era mais do estilo da Dora, ficava muitas vezes como ela, mas depois, fiquei mais parecida com a Rita que ri…hoje, acho que sou uma mistura da Rita que ri, com a Dora que chora, tenho coisas de uma, e coisas da outra. Afinal…eu…a Rita que ri, e a Dora que chora, seremos a mesma pessoa? Ou três pessoas diferentes? Todo o ser humano tem uma Rita que ri, e uma Dora que chora!

FIM

Lara Rocha

(14/Outubro/2018)



segunda-feira, 23 de julho de 2012

OS MENINOS QUE TOCAVAM VIOLINO

Personagens
- Pedro (1 criança)
- Diana (1 criança mais velha)
- Mãe
- Narradora
- Senhoras
- Senhores
- Um pintor
- Um pianista
- Um guitarrista
- Uma cantora
- Uma bailarina
- Uma professora de bale

NARRADORA – Diana e Pedro são dois meninos irmãos, de uma família com grandes necessidades financeiras, vivem numa aldeia, numa casinha humilde, pequenina, simples e bonita, onde pelo menos amor, união, e felicidade não faltam. A mãe é doméstica e costureira mas não ganha muito dinheiro e está à espera de dois gémeos. O pai está emigrado em França e vem poucas vezes a casa, por motivos de trabalho, para reunir mais dinheiros e dar mais condições à família. Com o dinheiro que juntou, no Natal ofereceu aos pequenos um violino a cada, que adoram música e têm muito jeito. O pai pediu-lhes que tocassem esse instrumento pelas ruas para ver se alguém os ajudava dando algum dinheiro. Acordam muito cedo, antes do sol se levantar, e percorrem ruas diferentes da aldeia todos os dias. A mãe vai acordá-los com um beijinho. Pedro chora. Hoje não quer ir.
PEDRO (a chorar) – Mamã, hoje não quero ir!
MÃE – Porquê meu amor…? 
PEDRO – Está muito escuro lá fora. A esta hora ainda não está ninguém nas ruas.
MÃE – Mas olha que há pessoas que se levantam ainda mais cedo que tu.
PEDRO – Mas já são pessoas crescidas, já não tem medo do escuro!
MÃE – Há muitas crianças que se levantam muito cedo, como os seus pais. E há crescidos que também têm medo do escuro. Mas não precisas de ter medo.
DIANA – Pedrinho…não sejas medricas! Estás comigo e os nossos anjinhos da guarda também vão connosco! (p.c) Não queres ajudar a Mamã…e ter os brinquedos que gostas, mas não há dinheiro para comprar? Não queres ter uma casa mais confortável e maior para brincarmos com os manos?
PEDRO – Sim…!
DIANA – Esta noite sonhei com uma fada! Por isso hoje vamos ter muita sorte!
PEDRO – Mentirosa!
DIANA – Mentirosa, eu?
PEDRO – Sim! As fadas não existem…
DIANA – Já te disse que existem! Tu também já as viste…!
PEDRO – Não vi nada. Isso são coisas de meninas. 
DIANA – És sempre o mesmo totó.
MÃE – Vá lá queridos…acreditem que eu não queria que vocês tivessem de andar a tocar pelas ruas para juntar dinheiro, mas não vai ser por muito tempo, prometo-vos! Daqui a pouco o papá está de volta com mais dinheiro e vamos aos bocadinhos melhorando a nossa vida!
DIANA – Os manos também vão tocar?
MÃE (sorri) – Não sei…pode ser, se souberem tocar tão bem como vocês…!
(Eles sorriem)
DIANA – Eu ensino – lhes.
PEDRO – Nós tocamos bem, mamã?
MÃE (sorri) – Sim, meus amores! Muito bem! É delicioso ouvir-vos…! (p.c) vocês têm de lutar para terem o que querem…para ajudar! E têm esse dom da música aproveitem! (p.c) Eu sei que vão ter muito sucesso…! (p.c) Eu passo lá…para vos ver. Para onde vão?
DIANA – Para a rua do colégio da Guida.
MÃE – Está bem! Eu apareço lá. (p.c) Já sabem…sempre a sorrir…agradeçam tudo, mas não dêem muita conversa a estranhos que vos pareçam maus!
OS DOIS – Está bem!
NARRADORA – Levantam-se os dois, abraçam e beijam a mãe, lavam-se e vestem-se. A mãe prepara uma lancheira com coisas para eles comerem. Tomam leite e lá vão eles de mãozinha dada com o violino. O Pedro triste, a Diana sorridente. A mãe reza pelos filhos a chorar e fica a vê-los.
DIANA (sorri) – Hoje muita gente vai reparar em nós…!
PEDRO – Como é que sabes?
DIANA (sorri) – Porque a fada disse.
PEDRO – Que fada?
DIANA (sorri) – A que apareceu no meu sonho! Quando sonho com fadas é quando temos muita sorte e quando muita gente repara em nós.
PEDRO – Espero bem…!
NARRADORA – Sentam – se na rua deserta, tiram os violinos dos sacos, olham para o céu.
DIANA – Olha, já está quase a ser dia! As estrelas já estão quase a ir dormir.
PEDRO – Pois…até parece que elas dormem!
DIANA – Claro que dormem! O sol já está por aí…olha…está mais claro.
PEDRO – Sim! Eu não gosto de escuro! Não tens medo do escuro?
DIANA – Sim, quando está escuro mesmo. Mas agora não tenho! Estou contigo e há muitas luzes por aqui. (p.c) Vamos começar a tocar. Não te esqueças de sorrir!
PEDRO – Não me apetece.
DIANA – Assim as pessoas só vão reparar em mim…
PEDRO – Está bem … que sorte a tua!
DIANA – Anda lá! Sorri mesmo sem ter de quê…! Os sorrisos atraem as pessoas.
NARRADORA – Pedrinho lá faz um esforço e sorri. Eles começam a tocar uma doce melodia, com os violinos, e…parece magia…eles a tocar e o céu a clarear, o sol a começar a nascer…
DIANA – Olha, Pedrinho…o sol gostou tanto de nos ouvir tocar que veio ver quem era…olha…está a sorrir!
PEDRO – O sol não tem olhos nem boca…nem ouvidos…!
DIANA – Ai, Pedrinho…estás muito chato hoje! Assim ninguém nos vem ver! Se achas que o sol não nos veio ver, nem gostou de nos ouvir é problema teu.
NARRADORA – Ouve-se passos, eles recomeçam a tocar docemente. Passam duas velhinhas de braço dado, e param a ouvir os meninos encantadas, batem palmas no fim e dão-lhes duas moedas valiosas a cada um.
SENHORA 1 – Que doçura de meninos!
SENHORA 2 – Tão lindos…!
SENHORA 1 – Tocam tão bem!
SENHORA 2 – Isto é uma preciosidade!
SENHORA 1 – Sim. Um dom divino. Tão pequeninos, mas com muito valor…!
SENHORA 2 – Não deixem de tocar, bonequinhos!
SENHORA 1 – Os vossos pais?
DIANA – A mamã está em casa. O papá muito longe daqui... em França!
SENHORA 1 – Coitadinhos…
SENHORA 2 – Hão-de ter muita sorte!
SENHORA 1 – Olhem, quando eu voltar da missa, dou-vos umas roupinhas dos meus netos que já não lhes servem está bem?
(Eles sorriem)
MENINOS – Sim! Muito obrigada.
SENHORA 2 – Eu também trago…!
SENHORA 1 – Vou rezar por vocês.
SENHORAS – Até já.
MENINOS (sorriem) – Até já.
SENHORA 1 – Áááhh…já tomaram o pequeno-almoço?
MENINOS (sorriem) – Sim, muito obrigada!
SENHORA 2 – Que delícia de meninos…
SENHORA 1 – São muito educados.
(Os dois sorriem)
PEDRO (sorri) – Que bom…vão-nos dar roupas e…sapatos…ou brinquedos.
DIANA (sorri) – Sim! (p.c) Que senhoras tão simpáticas.
PEDRO (sorri) – Pois são!
NARRADORA – Abre-se uma janela de uma casa em frente, e eles voltam a tocar, com um sorriso. A senhora fica deliciada a ouvir e a sorrir. No fim bate palmas. Vai para dentro.
DIANA (sorridente, murmura ao irmão) – Continua a tocar, Pedrinho!
PEDRO – Agora toca tu sozinha!
DIANA – Está bem…se queres assim…
NARRADORA – A Senhora aparece pouco depois com um saco de comida, roupas e alguns brinquedos, e deita-lhes uma moeda em cada saco de violino, faz um carinho a cada um, sorridente.
SENHORA 3 – Isto é para vocês, lindos meninos! Comida, roupas e alguns brinquedos! (p.c) Vocês precisam não precisam?
MENINOS (tristes) – Sim…
DIANA – Somos pobres. É por isso que estamos a tocar nas ruas, a ver se ajudamos a mamã, o papá e os manos ou manas que os papás encomendaram à cegonha.
SENHORA 3 – Áh! Então também vos vou trazer roupinhas para os bebés…ainda não chegaram?
DIANA – A mamã diz que eles vêm a caminho. Mas é de um sítio muito longe por isso ainda demora um bocadinho.
SENHORA 3 – Pois…! (p.c) Precisam de alguma coisa?
MENINOS – Não, obrigada.
DIANA – A senhora já nos deu muita coisa!
SENHORA 3 (sorri) – Ora essa…! Eu sei que vocês precisam. (p.c) Vou procurar roupas para os manos…! (p.c) continuem a tocar, que é delicioso! (p.c) Estudam música? (eles não percebem) Huuummm… quem vos ensinou a tocar?
OS DOIS (sorriem) – Ninguém!
SENHORA 3 – Fantástico…muito bem!
OS DOIS (sorriem) – Obrigada.
SENHORA 3 – Já volto.
DIANA – A mamã é costureira…se precisar de alguma coisa para cozer nós levamos.
SENHORA 3 – Obrigada, queridos!
(sorriem).
NARRADORA – A senhora vai a casa. Eles continuam a tocar felizes. Acordam uma jovem estudante.
ESTUDANTE – Estou a sonhar, ou está alguém a tocar violino?
(Vai à janela) Ááááhhh…uns meninos tão pequeninos a tocar…tão bem…que lindo…! Será que…humm…devem estar a pedir para alguém…! (p.c) Vou dar – lhes qualquer coisa… (p.c) Uaaauuu…isto deve ser um sonho…! (ela bate palmas e grita) Que lindo…excelente! Parabéns. (p.c) Nunca acordei tão bem disposta como hoje! Com esta música tão linda! (Eles sorriem e agradecem). Podem vir aqui todos os dias acordar-me! Adoro o som desse instrumento…! (p.c) a sério…venham todos os dias acordar-me, a esta hora, está bem?
MENINOS (sorriem) – Está bem.
DIANA (sorri) – Quer mesmo?
ESTUDANTE (sorri) – Sim! Venham mesmo! Peço-vos.
(Os meninos sorriem felizes).
MENINOS – Está bem. (sorriem) Obrigada!
ESTUDANTE (sorri) – Eu é que vos agradeço.
NARRADORA – Os dois meninos estão felizes e tocam até com mais gosto. A estudante deixa também uma moeda para cada um. A senhora deixa um saco cheio de roupinhas de bebé, dos filhos e dos netos. Os meninos agradecem. Continuam a tocar alegremente. Passa uma bailarina, também encantada pela música.
BAILARINA – Que lindo…! (p.c) Toquem outra vez, por favor…para eu dançar, posso?
OS MENINOS (sorridentes) – Sim, claro.
DIANA (sorridente) – Com todo o gosto! Mas…esta música não dá para dançar…
BAILARINA (sorri) – Dá! Dá perfeitamente para dançar bale.
DIANA (surpresa) – Ai dá? Danças bale?
BAILARINA (sorri) – Sim. Vais ver…toca lá!
NARRADORA – Diana volta a tocar com um sorriso, e a bailarina começa a dançar graciosamente, muito elegante, com aqueles passinhos, é encantador. Pedrinho fica encantado. Diana também toca feliz e deliciada. Quem passa fica como hipnotizado a apreciar. No fim batem palmas maravilhados. Os meninos e a bailarina agradecem.
DIANA (sorri) – És tão bonita…e danças tão bem!
BAILARINA (sorri) – Obrigada. Vocês também tocam que dá gosto ouvir! (p.c) Deixem que eu vou falar com a minha professora de bale e ela tem de vos vir ver…! (p.c) Muitos parabéns e continuem assim a tocar tão bem!
(Sorriem)
MENINOS – Obrigada!
NARRADORA – A bailarina aparece pouco depois com a professora. Eles já estão a tocar outra música, sorridentes. Já várias pessoas lhes deixaram dinheiro. A professora de bale sorri e ouve deliciada.
BAILARINA (sorridente) – Olha…toca outra vez aquela música que eu dancei… não te importas?
DIANA (sorri) – Claro que toco…com muito gosto. Vais dançar outra vez?
BAILARINA (sorri) – Sim! Para a minha professora ver!
NARRADORA – Diana toca com um grande sorriso e feliz, a bailarina dança. A professora sorri emocionada, bate palmas.
PROFESSORA DE BALÉ – Indescritível…! (sorri) Estou arrepiada de emoção… (p.c) Que beleza…! (p.c) Eu…onde moram? (p.c) É que eu quero que vocês entrem num espectáculo…mas tenho de falar com a vossa mãe!
(Os meninos estão radiantes e dizem onde moram)
PROFESSORA DE BALÉ – Ainda hoje passo lá! (p.c, a sorrir) É mágica a forma de vocês tocarem! (p.c) Transportam…fazem sonhar…!
MENINOS (sorriem) – Obrigada!
PROFESSORA DE BALÉ – Continuem meus bonecos… (sorri) tocam maravilhosamente bem!
NARRADORA – Eles estão radiantes, e continuam a tocar. Passam um pianista, um guitarrista, e uma cantora, que param para apreciar. Parece que ficam hipnotizados. No fim batem palmas e comentam.
PIANISTA – Que lindo!
GUITARRISTA – Estas crianças vão ter futuro.
PIANISTA – Sim. Já consigo ouvir a música que tocaria com eles a acompanhar no violino…!
GUITARRISTA – Yá! Podíamos contratá-los!
CANTORA – Mas…olha para o aspecto deles…coitadinhos…
GUITARRISTA – Isso o aspecto dá-se um jeito!
PIANISTA – Sim, o aspecto é secundário…eles tocam com alma…
CANTORA – Também gostei muito de os ouvir. Mas…como é que eles vieram parar à rua…?! Porquê…?! Óh meninos…tocaram muito bem, mas vocês não deviam estar na escola?
MENINOS – Agora não!
CANTORA – Não andam na escola?
MENINOS – Não.
DIANA – A mamã ensinou-nos a ler e a escrever…diz que não temos dinheiro para ir para a escola!
GUITARRISTA – São pobres…!
PIANISTA – A vossa mãe?
DIANA – Está em casa a trabalhar! Nós é que andamos a tocar a ver se ajudamos, para ter melhores condições…não sei o que é isso, mas ela é que diz.
CANTORA – Hummm…
PIANISTA – Nós queremos ajudar-vos.
(Eles sorriem)
CANTORA – Podemos fazer uma experiência convosco?
OS DOIS – O que é isso?
CANTORA – Vocês tocam violino, eu canto. Ele toca piano e ele guitarra. Mas como não temos aqui piano…ele vai tocar guitarra…ou canto só eu…e vocês acompanham-me está bem?
(Os dois sorriem)
MENINOS – Está bem!
NARRADORA – Os meninos tocam lindíssimo como sempre, e a cantora acompanha-os também com uma linda voz. Quem passa fica deliciada, bate palmas e dá moedas aos meninos.
CANTORA (sorri) – Uaaaauuuuu…
GUITARRISTA (sorri) – Que momento tão…relaxante!
PIANISTA (sorri) – Não podia ter sido melhor. Até estou arrepiado de emoção!
CANTORA (sorri) – Yá! Vamos contratá-los! Nós queremos ajudar-vos…!
GUITARRISTA (murmura) – Sim…e a nós também!
CANTORA (sorri) – Vocês ainda vão ser muito famosos…muito conhecidos…! São fantásticos! (p.c) Onde moram?
GUITARRISTA – Vamos lá agora falar com a vossa mãe. (p.c) Já voltamos.
NARRADORA – Eles indicam, e continuam na mesma rua a tocar alegremente. A cantora, o guitarrista e o pianista dirigem-se para casa dos meninos. Batem à porta. A mãe estremece, espreita à janela assustada.
MÃE – Bom dia…
OS TRÊS (sorriem) – Bom dia!
PIANISTA – É aqui que moram uns meninos que tocam violino…tão bem…que fazem…viajar quem ouve…?
MÃE – s...sim…porquê?conteceu alguma coisa com eles?
OS TRÊS – Não!
GUITARRISTA – Não se preocupe, com eles está tudo bem.
CANTORA (sorri) – Vê – se logo que são seus filhos…bonitos como a senhora!
MÃE (sorri) – Obrigada! (p.c) Mas…não estou a perceber o que os trouxe cá?!
CANTORA – Nós…ouvimos os seus filhos a tocar…fizemos uma experiência com eles, eu cantei e eles acompanharam-me com aquele instrumento de sonho…! Foi um momento inesquecível…mágico…! (A mãe sorri orgulhosa) Nós queremos ajudá-la a si e aos seus filhos! (p.c) Eles não podem nem precisam de continuar na rua…se a senhora aceitar a nossa proposta…nós queremos contratá-los para fazer parte do nosso grupo! (p.c) Já há meses que andamos à procura de um violonista, mas não ficamos satisfeitos, porque os que nos aparecem não tocam com alma, como os seus pequenotes! (p.c) Nós pagamos muito bem!
MÃE – Mas…vocês são artistas?
OS TRÊS – Sim…
CANTORA – Mal conhecidos, mas havemos de lá chegar! Fazemos alguns espectáculos principalmente de solidariedade e casamentos e baptizados…algumas festas de anos…
MÃE – Desculpem…eu agradeço a vossa boa vontade, mas…não quero os meus filhos nessa vida de artistas…vádios… 
PIANISTA – Por favor, não faça essa maldade com eles! Coitadinhos!
GUITARRISTA – Não os impeça de mostrarem o que tem de melhor! (p.c) Olhe que eles não precisam de voltar às ruas se aceitar a nosso proposta!
CANTORA – Não tem pena que os seus filhotes andem na rua para ajudar…?
MÃE – Claro que tenho. Fico sempre com o coração apertado…mas não há outra solução. E ainda bem que eles têm esse dom.
CANTORA – Claro. Não quer o melhor para os seus filhos?!
MÃE – Claro que sim, por isso é que estou a recusar a vossa proposta! A vida de artista não é boa para eles…! (p.c) Os artistas não ganham e vão sempre por maus caminhos.
GUITARRISTA – Desculpe…isso são ideias de pessoas que no fundo têm inveja! (p.c) Nós não andamos por maus caminhos!
CANTORA – Pois!
PIANISTA – Nós só estamos a aproveitar um dom divino e partilhamos a amizade…o gosto pela música…a felicidade!
MÃE – Vida de artista, não é vida. E vocês também só estão a querer aproveitar-se dos meus filhos para ganharem fama e dinheiro à custa de os explorar.
CANTORA – Francamente…se a senhora tivesse um dom divino seja para o que for ia desperdiçá-lo, escondê-lo? Aquelas crianças não podem continuar na rua! (p.c) E olhe que vai melhorar muito a sua vida!
GUITARRISTA – Eles hipnotizam toda a gente que passa.
MÃE – Sim, bem sei que eles têm esse dom, e tocam realmente muito bem! Mas…não acho que seja o melhor para eles! (p.c)
CANTORA – Está de bebé?
MÃE (sorri) – Sim. Vem dois a caminho.
CANTORA (sorridente) – Que giro! Parabéns. E está a correr tudo bem?
MÃE (sorri) – Sim!
PIANISTA – Está a ver?!...Mais uma razão para aceitar a nossa proposta! Vai precisar de muito sustento…os outros também ainda são muito necessitados!
CANTORA – Não vamos explorar os seus filhos! Só vamos dar a conhecer a qualidade deles, e melhorar a sua vida que bem precisa! Eu não sou mãe, mas acredite que fiquei preocupada e com o coração apertado de os ver tocar na rua…!
MÃE – É muito bonito de sua parte, mas que garantias é que eu tenho de que vocês vão ter sucesso, e que vão tratá-los bem? (p.c) É que infelizmente há gente má!
CANTORA – Eu percebo a sua preocupação, mas pode confiar em nós! (p.c) Nós vimos buscá-los quando tivermos espectáculos, e vimos trazê-los no fim dos espectáculos. Até pode vir connosco e assistir aos ensaios, aos espectáculos…
NARRADORA – Aparece a professora de bale.
PROFESSORA DE BALÉ – Bom dia…é aqui a casa dos meninos que tocam violino?
MÃE – É sim…aconteceu alguma coisa com eles?
PROFESSORA DE BALÉ – Não! Eles estão óptimos…é a mãe?
MÃE (sorri) – Sim…!
PROFESSORA DE BALÉ (sorridente) – É uma senhora cheia de sorte…tem uns filhotes preciosos! Lindos…tocam que é uma coisa…é indescritível ouvi-los…!
MÃE (sorri, orgulhosa) – Obrigada.
PROFESSORA DE BALÉ – Eu vim pedir-lhe autorização para que os seus filhos participem nos meus espectáculos de bale eu pago bem…! (p.c) E eles devem ir para a escola. É um crime andarem na rua para ajudar a família, correrem muitos perigos…com estas idades! (p.c) Com o dinheiro que lhes vou dar, não vão precisar de voltar às ruas. Vão melhorar a sua vida e muito! (p.c) Eles têm um dom divino…aproveite! (p.c) É uma asneira deixá-los fugir! (p.c) Deixe-os ir! (p.c) A minha aluna passou na rua onde eles estavam a tocar e dançou ao som daquele instrumento maravilhoso.
MÃE – Mas…é todos os dias?
PROFESSORA DE BALÉ – Não! É por isso que podiam e devem ir para a escola! Não é justo estarem na rua!
CANTORA – Então…se não é todos os dias, os outros tocam connosco…que também não será todos os dias.
PROFESSORA DE BALÉ – Já tem outra coisa para fazer?
MÃE – Eu…ainda não decidi!
CANTORA – Nós viemos aqui convidar os filhos dela para tocarem connosco, porque também ficamos hipnotizados pela maneira deles tocarem. Eles tocam com sentimento. E também pagamos muito bem! Connosco eles não precisavam de voltar à rua.
PROFESSORA DE BALÉ – Se a senhora quiser, eles podem participar nas duas coisas! Só lhes vai fazer bem…não os vai prejudicar em nada! E devem estudar! Tenho a certeza que vão ficar muito contentes.
CANTORA – Nós chegamos primeiro! Mas a senhora diz que não quer os filhos na vida de artistas. (p.c) Nem todos os artistas vão por maus caminhos.
MÃE – Eu…ensino-lhes o que é preciso…não há dinheiro para escolas.
PROFESSORA DE BALÉ – Por favor…aceite a nossa ajuda! Não de vai arrepender! (p.c) Eu sei que infelizmente não vive à larga, e que precisa de ajuda. 
CANTORA – Ainda por cima vem mais dois bebés a caminho…não vai querer que eles passem sofrimento pois não?
MÃE – Não! Por isso mesmo é que os meus filhos andam na rua…eu…agradeço a vossa ajuda, mas…acho que não! A vida de artista não é vida!
PROFESSORA E CANTORA – Por favor, não faça isso!
CANTORA – A minha mãe no inicio também não achou piada, mas logo que me foi ouvir, mudou de ideias!
PROFESSORA DE BALÉ – Não os prenda na gaiola! Eles são dois passarinhos que precisam de voar, com um instrumento magnifico…vá lá! Eles merecem uma oportunidade…tenho a certeza de que não se vai arrepender. Não os deixe na rua! (p.c) Leve-os para uma escola, e deixe-os participar nos espectáculos! (p.c) vai ser muito bom para todos vocês…!
GUITARRISTA – Sim.
MÃE – Humm…não sei…!
PROFESSORA DE BALÉ – Eu entendo as suas preocupações com as crianças, mas pode confiar em mim!
CANTORA – Em nós também!
MÃE – Humm…eu…preciso de consultar o meu marido!
PROFESSORA DE BALÉ – Então, fique com o meu contacto, e quando falar com o seu marido diga! Mas olhe…aconselho-os a aceitar!
CANTORA – Fique com o nosso também!
MÃE – Está bem. Depois entro em contacto convosco! (p.c) Muito obrigada! Ou…se quiserem aguardem um momento, que vou ligar – lhe e já vos digo.
TODOS – Nós esperamos.
MÃE – Querem tomar alguma coisa?
TODOS – Não, obrigada.
MÃE – Com licença.
NARRADORA – A mãe entra em casa, e murmura…
MÃE – Ai, valha – me Deus…será que devo aceitar…? Será que é bom para eles…? Não será perigoso… (p.c) Ai…(suspira) Eu…acho que até vai ser bom para eles…que eles merecem esta oportunidade…vou ver…(liga ao marido).
NARRADORA – Entretanto as crianças estão a tocar na rua e passa um pintor com o material numa mala. Fica especado a olhar para eles, deliciado com o som, abre a mala, pega no papel, tintas e começa a desenhar com um sorriso de orelha a orelha. Primeiro desenha os meninos, depois, imagens que lhe vêm á cabeça ao ouvir a música, e sorri.
PINTOR – Lindo… (sorri) maravilhoso… (p.c) delicioso… (p.c) encantador… (p.c) fabuloso… (p.c) serviram-me de inspiração para desenhos lindíssimos! (p.c) Estas crianças são uma obra de arte…(p.c) que espectáculo… (p.c) É a conjugação perfeita entre a inocência e a pureza da criança…o sorriso delas…a suavidade e a magia do som do violino…o brilho das estrelas dos olhares…a claridade do sol…(p.c) uaaauu…que sonho! (p.c., bate palmas) Parabéns meninos!
MENINOS (sorriem) – Obrigada!
NARRADORA – Deita uma nota recheada em cada um, sorriem e agradecem e tocam outra. O pintor faz mais desenhos e deita mais algumas moedas e vai para o trabalho dele.
DIANA (feliz) – Eu não te disse que hoje íamos ter muita sorte?! Que muita gente ia reparar em nós?!
PEDRO (sorri) – Pois foi.  
NARRADORA – De volta a casa dos meninos, estão todos à espera da resposta da mãe. Aparece à porta, sorri.
MÃE – Bom…o meu marido decidiu aceitar, e disse que eles podem participar, mas por favor…não os usem para o mal...não se aproveitem deles para o vosso benefício.
PROFESSORA DE BALÉ (sorri) – Foi o melhor que podiam ter decidido! (p.c) Já sabe que pode ir assistir aos ensaios, e aos espectáculos.
CANTORA – De nossa parte também, à vontade.
MÃE – Obrigada!
PROFESSORA DE BALÉ – Meta-os na escola primária.
MÃE – Quando tiver dinheiro.
PROFESSORA DE BALÉ – Naquela escola não paga nada.
MÃE – Mas é preciso material escolar…e é caro!
PROFESSORA DE BALÉ – Quanto a isso não se preocupe! Eu conheço a professora, e tenho a certeza que ela vai ajudar, e eu também.
MÃE (sorri) – O pai ficou muito orgulhoso e feliz!
(Todos sorriem)
CANTORA (sorri) – E não é para menos! Eles são fantásticos…!
MÃE (sorri) – Não sei como vos agradecer.
PROFESSORA DE BALÉ (sorri) – Não se preocupe com isso.
GUITARRISTA (sorri) – Vai ver que não se vai arrepender!
NARRADORA – Combinam e esclarecem os pormenores, e algumas dúvidas da mãe, aparecem as crianças com sacos de roupas, brinquedos e comida. Ficam muito felizes com a novidade que a mãe lhes dá. A mãe inscreve-os na escola, eles são muito inteligentes e gostam de ir à escola, fazem espectáculos e encantam toda a gente. Rapidamente a vida desta família melhora bastante, e com o dinheiro que ganhando compram uma casa maior, as crianças já não voltam às ruas. Os bebés nascem e no fim aparece o casal bem vestido, os bebés ao colo e os outros dois ao lado felizes, bem vestidos à porta da casa nova. Toda a gente tem um dom especial: uns para música, outros para desenho ou escultura e pintura, outros para o desporto, outros para costura e trabalhos manuais, canto, dança…esses dons podem ser rentabilizados e mudar a vida das pessoas para bem melhor. O mais importante é que se faça o que se gosta!

FIM.
Lálá
 (21/ Fevereiro/2010)





O passeio da Mãe Galinha e os seus pimpolhos

Numa bela tarde de Verão, a Mãe Galinha e os 6 pintainhos saíram da floresta onde vivem, em filinha, para darem um passeio. A mãe retorquiu aos pintainhos:
- Não se afastem de mim! Se quiserem ir a algum sítio ou para alguma coisa avisem-me! Vamos…pela sombra que está muito calor! (p.c) Atrás de mim…estamos todos?
            A mãe galinha olha para trás, todos olham, ela conta-os…e diz…
- Sim, estamos todos!
            O último pintainho grita:
- Falta um!
            Todos dizem em coro:
- Não falta nada.
            Um pintainho:
- A mamã acabou de contar e disse que estamos todos.
            O último pintainho diz, muito surpreso:
- Mas…não está mais nenhum atrás de mim…
            A mãe galinha ri, e responde:
- Querido, não está mais nenhum atrás de ti, porque são seis e estamos em fila…! Vamos…vamos…
            E lá seguem todos contentes, com os rabinhos a abanar e a cantar, sempre que algum malandreco tenta desviar-se, a galinha, como está sempre de olho grita:
- Para a fila, já…atrás de mim…
            Ao chegar perto de um laguinho, os pintainhos sentem sede e um deles pede à mamã:
- Mamã: estou cheio de sede…quero beber!

            Outro pintainho acrescenta:
- Eu também mamã! Podemos ir beber àquele laguinho?
            A mãe galinha recomenda-lhes:
- Está bem, vão lá! Mas com cuidado e é só para beber! Rápido.
            Mas os pintainhos, tal como as crianças, têm uma curiosidade muito aguçada, ficarão tão entusiasmados com a água tão fresquinha, bebem e mergulham, para se refrescar, mas como não sabem nadar ficam muito aflitos, dão às patinhas para tentar nadar, gritam por socorro. A mamã galinha tira do lago um por um. Eles estão assustados, a tossir, sacodem-se, e a galinha que está muito zangada, grita:
- O que é que eu vos disse meus patetas…? Seus pintos teimosos…?!
            Um pintainho responde envergonhado:
- Disseste para não irmos para o lago…que era só para beber…!
            A galinha pergunta zangada:
- E foi isso que os meninos fizeram?
            Os pintainhos respondem em coro:
- Não!
            Outro pintainho responde:
- Desculpa-nos Mamã, mas a água estava tão fresquinha…
            Outro pintainho acrescenta:
- Pois foi! E nós estávamos com tanta sede…
Outro pintainho acrescenta:
- Sim…e com tanto calor…acabamos por cair à água!
            A galinha grita nervosa e muito zangada:
- Calem-se! Eu não quero ouvir mais nada! (p.c) Desobedeceram-me…o que é que mereciam que eu vos fizesse?
            Todos respondem em coro, cabisbaixos:
- Pôr-nos de castigo!
            A galinha grita nervosa e muito zangada:
- E vão ficar mesmo de castigo! (p.c) Vamos à praia, e lá não vão brincar…vão ficar à minha beira, quietinhos…seus…atrevidos. (p.c) E nem mais um pio…! (p.c) Todos atrás de mim. Vamos embora… (p.c) O que vocês mereciam era nem irem à praia. A vossa sorte é que eu tenho de sair. (p.c) Ai daquele que se desviar um milímetro para o lado… (p.c) Ainda vou pensar noutro castigo, isto é muito pouco para o susto que me provocaram…
            Os pintainhos lá vão em silêncio, ainda assustados, atrás da mãe galinha. A mãe galinha sempre de olho, e cacareja logo que algum se desvia um bocadinho. Chegam à praia e a galinha volta a lembrar:
- Ninguém vai brincar, nem saem da minha beira!
            Um pintainho diz:
- Óh mamã…nós gostamos tanto de ti!
            Outro pintainho acrescenta:
- Sim…! És a melhor mãe do mundo. 
A galinha fica vaidosa, e disfarça o sorriso e diz zangada:
- Eu também vos amo, é por isso que estão de castigo…Estou muito zangada e desiludida convosco! (p.c) Se eu vos disse para não mergulharem é porque eu achava que era perigoso e que não queria que vos acontecesse nada de mal…como o que vos aconteceu, ou que se afogassem! (p.c) Mas escusam de usar isso para eu vos perdoar e para se livrarem do castigo…seus…pintarecos malvados!
Todos os pintainhos dizem em coro:
- Desculpa mamã!
            Um pintainho diz:
- Vá lá, mamã…desculpa! Não fizemos por mal!
            Outro pintainho responde:
- Sim, somos pequeninos…! Não te queríamos assustar.
            Outro pintainho acrescenta:
- Anda brincar connosco…!
Outro pintainho saltita e diz: 
- Sim, sim, sim…anda Mamã…
            Um pintainho diz:
- Gostamos tanto de brincar contigo!
            Outro pintainho acrescenta:
- Vamos andar na areia molhada!
            Outro pintainho responde:
- Sim…é tão divertido…!
            Outro pintainho:
- Depois dás-nos outro castigo…
            Todos:
- Anda brincar connosco…!
            A Galinha está deliciada, mas mesmo assim não cede:
- Não! Não vão a lado nenhum…ficam aqui sentados à minha beira…e ai daquele que saia…leva castigo a dobrar…ou a triplicar…conforme o número de vezes que se desviar.
            Os pintainhos continuam a escová-la e a seduzi-la, ela tenta disfarçar, mas eles já a conhecem e sabem que ela está quase a ceder. Fazem-na rir, e sem dar isso a Mãe galinha já está a brincar com os pintainhos, a rir, a correr, a saltar, a cantar, a fazer construções na areia com a mãe todos felizes, a apanhar pedrinhas, a atirar água uns aos outros. Passam uma tarde em cheio! Ao pôr-do-sol, regressam a casa a cantarolar. A galinha lembra-se à entrada de casa muito zangada:
- Eu não acredito…! Deixei-vos brincar…estavam de castigo…! (p.c) Pintarecos malvados, levaram-me na conversa!
            Os pintainhos riem-se e saltam, chocam as patinhas uns nos outros. Um deles pergunta:
- Mas não gostaste, mamã…?! De estar connosco na praia a brincar?!

            Todos:
- Nós adoramos!
            A galinha chateada diz:
- Sim, gostei muito, mas não se livram do castigo…! Amanhã, cada um vai limpar alguma coisa em casa…!
            Todos dizem em coro, amuados:
- Está bem!
            A galinha está orgulhosa e diz:
- Agora…vão todos ao banho, rápido e vamos jantar!
            Um pintainho diz:
- Mamã…não te devias zangar connosco…assim ganhas rugas!
            A galinha dá uma patadinha no rabo do pintainho e diz:
- Deixa-te de conversas sedutoras…vocês quando me desobedecem é que me fazem ganhar rugas…andor…banho…e que isto não se volte a repetir. Mas se isto voltar a acontecer, os castigos são na hora…! (p.c) Atrevidos! (p.c) Onde é que já se viu…? Distraíram-me…mas amanhã não tem safa.
            Os pintainhos lá vão para o banho. A galinha murmura:
- Onde é que já se viu…?! Pensavam que me ia esquecer só porque brinquei com eles na praia…porque me levaram na conversa…na…na…na…na…na….! Deviam ter ficado logo de castigo…!
            Ela entra, faz o jantar, e no dia seguinte os pintainhos cumprem o castigo, e não voltaram a assustar a mãe galinha dessa maneira!

FIM
Lálá
(12/Abril/2011)