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terça-feira, 8 de setembro de 2015

A ONDINHA IRRITADA



Era uma vez uma praia como as outras, com areia, mar e rochas. Na praia havia sempre muitas pessoas a apanhar sol, crianças a jogar futebol, e a brincar. No mar, os animais e as ondas tinham os seus trabalhos e era um ambiente sossegado, mas de um dia para o outro, tudo se transformou.
Passou a ser muito agitado por causa de uma ondinha que parecia pequena mas ultimamente andava armada em onda grande, muito revoltada, inquieta agitada, irada, irritada, e quando vinha à superfície aproveitava para descarregar o seu mau-humor e a sua ira na praia.
Só fazia asneiras! Se via crianças a construir castelinhos de areia, ou a brincar vinha e destruía os castelinhos. Outras vezes, dava banho completo às crianças, e elas desatavam a fugir, a chorar e a tremer de frio, aos gritos. Arrastava brinquedos, e tirava as bolas aos adultos que estavam a jogar, ou quando via casais de namorados também gostava de os refrescar, para os lembrar que estavam na praia, e deitava-os para trás, empurrando-os, ou molhando-os e enchendo-os de areia da cabeça aos pés.
Enquanto todos ficavam muito zangados, a ondinha ria às gargalhadas e voltava para o fundo do mar mais relaxada, toda feliz. A rainha do mar via tudo, e recebeu várias queixas de outros seres do mar, da ondinha…isto deixou-a realmente irritada e mandou que chamassem a ondinha.
- Mas o que é que se passa com ela? Só faz asneiras…Chamem aquela endiabrada da Ondinha…
Os guardas da rainha vão chamar a ondinha. A ondinha não sabia a rainha já tinha visto tudo. Ela espreita, e a Rainha diz-lhe docemente, e sorridente:
- Estás a espreitar? – Mas logo fica muito séria e grita – Entra!
A ondinha estremece, a rainha respira fundo para não explodir.
- Precisas de alguma coisa, rainha?
- Senta-te! – Ordena
A ondinha senta-se a medo.
- Os teus pais? – Pergunta a rainha
- Estão na praia.
- Vou ter de falar com eles! E vou directa ao assunto contigo. Não sei como é que eles ainda não perceberam que estás muito diferente…talvez porque te misturas com as outras, e eles nem vêem…confiam…acham que têm uma menina muito bem comportada. Mas não gosto nada do que tu andas a fazer.
- Eu?
- Não…! Eu! Claro que és tu. O que é que se passa contigo? Andas muito irritada, só fazes asneiras. Vais lá para cima, pareces inofensiva, e de repente, do nada…transformas-te em algo parecido com tsunami…destróis tudo. Destróis os castelinhos das crianças que elas fazem com tanto carinho, paciência e arte! Arrastas os seus brinquedos, dás-lhes banho dos pés à cabeça! Levas bolas de futebol e outros jogos dos adultos. Enrolas namorados, arrastas toalhas, molhas roupas, lavas roupas e chapéus…Ai! Mas o que significa isto tudo? Quem é que tu pensas que és? Nunca foste assim. – Diz a rainha, primeiro calma, depois, com a irritação sobe no tom de voz.
A ondinha fica assustada e preocupada responde:
- Rainha, eu…não sabia que já tinhas visto tudo!
- Ora! Estás farta de saber que vejo sempre tudo, e vieram-me fazer queixas! Não posso permitir que faças coisas como estas que tens feito!
- Mas é assim tão mau?
- É. Mesmo muito mau. Pões vidas de pessoas em risco…e depois…? Quem é que as ia tirar daqui? Ias-nos meter em sarilhos, e é tudo o que nós não queremos.
- Eu só queria brincar!
- Tens muita coisa para brincar cá em baixo, porque raio hás-de brincar com vidas humanas?
- Eles também brincam connosco.
- Sei muito bem que andas a fazer isto por mal. Sinto-te muito revoltada…tudo o que estás a fazer é por revolta! Não pode ser.
- É que…eu…adoro a praia.
- Não és só tu. Todos adoramos a praia. E as pessoas também. Isso não justifica o que estás a fazer.
- É que…eu…só estava a tentar proteger a praia daqueles malditos.
- O quê?
- Sim, os humanos só poluem, só estragam.
- Isso é verdade, mas também não serve de justificação. Não vais conseguir evitar que eles poluam, infelizmente, porque eles não têm nada nas cabeças. Mas não vais ser tu, a fazer essas coisas, que lhes vais pôr alguma coisa nos miolos para deixarem de poluir. Um dia…vão pagar cêntimo por cêntimo, as consequências do que fazem, aliás, já estão a pagar, mas ainda não repararam. Isso nunca vão perceber, mas é problema deles!
- Eu odeio aqueles objectos dos pequenos.
- Que objectos?
- Aquilo com que eles fazem castelos, e tiram a areia.
- Não é justificação para essas asneiras.
- Odeio bolas.
- Eu também, mas o que é que isso implica contigo?
- Nada! Mas não gosto, e podem estragar a praia.
- O quê? Que disparate. Nunca ninguém se queixou de estragos por bolas.
- Odeio aqueles namoradinhos sentados na areia. Eu gosto de os enrolar para os acordar e lembrarem-se que estão na praia…há gente a vê-los.
- É muito pior ver guerra.
- Não gosto.
- Não é motivo para fazeres as asneiras que fazes.
- Eu só quero proteger a praia, o mar e a ti…!
- Isso é muito bonito de tua parte, mas não serve de desculpa para o que fazes. Vou ter de te castigar.
- Óh não! Por favor, rainha. Desculpa, eu não volto a fazer asneiras.
- Pensa em silêncio no que tens feito. Aí…quieta. (pequena pausa, silêncio) Minha pequena…ainda és muito criança, com muitos sonhos, sem maldade, achas que és super criança, que tens poderes para salvar o mundo, e a humanidade, mudar as mentes…melhorar o planeta. (Silêncio) Já percebi, estás revoltada com os humanos pelas asneiras que eles fazem, e maldades contra nós, contra a nossa casa. Tens razão. Todos nós ficamos, claro que é injusto, revolta, magoa…e temos imensa vontade de nos vingarmos deles, de fazer ainda pior do que eles nos fazem. Mas…por muito que queiras, as tuas maldades, asneiras, não vão servir para os emendar, nem ensinar, ou mudar as mentes. Descansa, o planeta tratará de lhes ensinar e castigar. Aliás, já está a tratar disso. O planeta tem a força de todos nós juntos e muita mais que só ele sabe! Deixa-os aproveitar enquanto têm!
A ondinha fica pensativa.
- O que posso fazer agora?
- Não voltes a fazer asneiras e tenta ser amiga dos humanos, carinhosa como as outras.
- Está bem.
Aparecem as filhas da rainha do mar, lindas como ela.
- E o castigo, rainha? Qual vai ser? – Pergunta a ondinha triste
A rainha suspira, olha para as filhas, elas sorriem-lhe:
- Bem…preciso de pensar… o que acham?
- Mamã…eu acho que ela está a precisar de um abraço! – Diz uma
- O que ela fez não foi bom, mas à beira do que eles nos fazem, também não foi nada de mal…só foi…umas brincadeirinhas…uns sustinhos a fingir… - Diz outra
- Acho que ela não fez por mal. – Diz outra
- É. Acho que ela fez isso só para chamar a atenção. Como é pequenita, quer que reparem nela…fingindo que é grande. – Diz outra
- Pois. A sua raiva é grande…eu sinto as vibrações… ui…! – Diz a mais velha
- Sim! – Dizem todas
- Olha que daqui a pouco o mar ainda fica mais poluído do que o que está, com a tua revolta. – Diz um caranguejo
- Xiu! – Mandam todas
- É. Eu não fiz por mal. – Confirma a ondinha
- Huummm…um abraço…huuummmm… bem…acho que…- Pensa a rainha
- Siiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmm… - Dizem todas a sorrir
- Parece-me…bem! Menina agora vê lá o que fazes! Não te esqueças do que eu te disse, e vou dizer aos teus pais que precisam de estar mais atentos.
- Está bem! Não me esquecerei. Muito obrigada.
- Agora…podem ir.
E as princesas, uma por uma abraçam a ondinha, depois dão um abraço colectivo e vão para a superfície brincar. A ondinha gostou tanto daqueles abraços que voltou a ser tão meiga como era antes, carinhosa, e durante muito tempo pensou no que a rainha lhe tinha ensinado.
A ondinha e as princesas tinham combinado que para a ondinha não voltar a fazer maldades e asneiras, sempre que se sentisse irritada, raivosa, revoltada e com vontade de se vingar…procurava as princesas, elas davam-lhe um abraço e brincavam juntas. Foi mesmo isso que ela fez, desde esse dia. Talvez a verdadeira razão fossa a falta de um abraço…tornaram-se uma verdadeira família.
Os abraços fazem milagres, tornam-nos melhores pessoas, não é? Ficamos mais calmos com um abraço, ganhamos mais saúde, e ficamos mais felizes não é?
Já experimentaram?
Vamos dar todos um abraço pelo menos a quem está ao nosso lado? Como se sentiram?
A ONDINHA SENTIU-SE ÓPTIMA.
FIM
Lálá
(7/Setembro/2015)


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Mistério na janela


foto de Lara Rocha 

foto de Lara Rocha 

Era uma vez uma menina que estava no seu quarto à noite, deitada na sua cama à espera que o sono chegasse. Ela deitava-se sempre cedo, mas às vezes não adormecia logo. 
A janela estava meia aberta, e a persiana meia aberta, meia fechada, porque o dia tinha estado escaldante e a noite ainda estava muito quente. 
Como era na aldeia, não havia perigo, e a mãe ia fechar a janela quando se fosse deitar. Além de estar uma noite quente, a menina não gostava de tudo escuro pelo menos enquanto não adormecesse.
A certa altura, quando já estava quase com os olhos a fechar olhou para a janela e viu qualquer coisa a brilhar. Estava com tanto sono que nem ligou. 
Na noite seguinte, voltou a ver o brilho na sua janela mas nem se levantou para ir ver o que era. Nas outras noites ela pensou que eram coisas diferentes!
Primeiro pensou que era algum pirilampo que andava por lá a voar como muitos outros que ela via todas as noites. Depois pensou que a luz fosse uma estrela que caiu do espaço para ela não ter medo do escuro.
Noutra noite pensou que fossem as gotinhas da rega a brilhar com a luz da rua. Ou podia ser o João Pestana a chegar à janela, para lhe trazer soninho e sonhos, ou uma garrafinha de soninho com sonhos, que ele tivesse deixado por lá para ela, ou teria caído do saquinho sem querer e ficou ali…talvez ele se tivesse esquecido. Ou seria uma prendinha para ela, de alguma fada.
Mas de manhã quando abria a janela, não via nada. Começou a achar muito estranho, misterioso…e queria descobrir o que era, mas o sono vencia sempre, por isso a menina ficava sempre pelo querer e pelo ver a luzinha, mas não sabia mais nada.
Uns dias depois disse à sua mãe, mas a mãe não ligou, não deu importância nenhuma, riu-se e pensou que era imaginação da menina. A menina nunca se levantou para ver o que estava na sua janela, mas queria muito saber.
Perguntou ao João Pestana se sabia o que era, e ele respondeu que não. E agora…um segredo…não contem nada! Mas é claro que ele sabia muito bem o que era porque também mandava soninho e sonhos para essa luzinha, só que elas pediram-lhe para não dizer nada, tiveram medo de ser expulsas.
Nessa noite, em que ela estava mesmo disposta a descobrir o que brilhava na sua janela, a menina pediu ao João Pestana para ir mais tarde, e este fez-lhe a vontade. 
Foi deixar soninho e sonhos noutros quartos, e voltou ao dela. Ele sabia que mais cedo ou mais tarde, a menina ia pedir-lhe isso, e descobriria. Estava deitada com os olhos bem abertos, e mal viu a luzinha pousar na janela saiu da cama disparada.
Quando abriu a janela…mas que grande surpresa! Viu que afinal a luzinha não era nada do que tinha pensado. Não era nenhuma estrela, que estava lá para lhe tirar o medo ou fazer companhia, não eram pirilampos nem gotinhas da rega que brilhavam com a luz da rua, nem o João Pestana, nem garrafinhas de soninho.
Era uma linda borboleta de asas enormes, finas e de cor muito clarinha que abrigava debaixo delas, cobria, protegia e deixava passar a luz das lindas e pequeninas fadas enquanto as mais crescidas trabalhavam. A borboleta tomava conta delas.
A pequena ficou espantada, eufórica e encantada, saltitou e riu. Não estava a acreditar no que os seus olhos azuis estavam a ver. A borboleta ficou assustada, pediu desculpa por ter pousado ali, e pediu autorização para ficar na sua janela pois tinha umas pequeninas a seu cargo, e aquele espaço era mesmo muito bom para elas, mas não queriam invadi-lo sem autorização. Se a menina não deixasse, elas iam para outro sítio.
A menina ficou tão feliz, e gostou tanto daquela presença surpresa, que disse logo que ficassem, e até lhes arranjou um abrigo mais quente e confortável, porque não demorava nada a chegar o Outono e o tempo frio e a chuva.
O abrigo era espaçoso, quente, protegido do mau tempo e seguro. Até uma cobertura extra para os dias rigorosos de Inverno. Sentiam-se como umas verdadeiras rainhas num palácio. 
Gostavam tanto no sítio que até as fadas mais crescidas foram para o abrigo com a borboleta e as pequenas. E também ganharam uma amiga muito querida, que lhes dava atenção, carinho e com quem tinham longas e animadas conversas e brincadeiras.
E vocês? Já viram luzinhas ou coisas brilhantes na vossa janela? Foram ver o que era? O que viram? Se vissem alguma coisa brilhante ou luzinhas na vossa janela, iam ver o que era? O que poderia ser?
Fim
Lara Rocha 

(2/Setembro/2015)

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A lenda do Outono

                                                        foto tirada por Lara Rocha 

Era uma vez uma aldeia isolada, entre montanhas, onde vivia um velho sábio, com muita idade, e uma família enorme. Conta uma lenda desta terra que no tempo em que ele viveu, não havia previsões do tempo, nem rádios, nem televisões. Tudo se aprendia com o dia-a-dia, com a natureza, e sabiam muito bem quando terminava uma estação do ano, e começava outra, quando ia chover ou estar frio, sol, neve ou trovoada.
Um dia esse velho sábio reparou que ele e todos os seus familiares ficavam mais tristes no Outono e no Inverno, mas ele não gostava de se sentir assim, nem de ver os seus tristes.
Durante vários dias pensou como poderia melhorar…experimentou com eles dançar, cantar, fazer passeios a pé, festas e outras coisas novas. Tudo isso funcionava só durante algum tempo, mas depois tudo voltava ao mesmo. Ele queria algo com um efeito prolongado.
Pediu ajuda à Mãe Natureza, explicou-lhe como se sentiam e ela teve uma ideia. Falou com os seres que vivem nas nuvens e que as enchem de chuva, falou com artistas e com seres mágicos, explicou-lhes o que queria, e eles puseram mãos à obra.
Encheram várias nuvens com água colorida, sol, e trovoada. O vento soprou essas nuvens e levou-as para essa aldeia, depois, as nuvens abriram-se e despejaram toneladas de água…só que não era água da chuva, transparente, esta era colorida: em tons de verdes, amarelos, vermelhos, castanhos, roxos, e o sol também sempre presente.
Essa água cheia de cores espalhou-se por todo o espaço, caiu em cima das casas, e como todos os habitantes saíram das casas para ver o que estava a acontecer, também levaram com a água colorida, e o sol.
Sentiram uma grande felicidade, por ver o sol, e mesmo quando não havia sol, eles sentiam uma nova energia, e alegria, principalmente quando viram que o milho estava a crescer muito rápido nos campos, as espigas a espreitar, as castanhas enormes penduradas nos castanheiros, as uvas carnudas e cheias de sumo a enfeitar os arames, envolvidos nas folhas, as romãs, as maçãs, as pêras e as abóboras a despertar na terra e nas árvores.
Todos os anos, a Natureza dava-lhes essa chuva de cores, e esses produtos maravilhosos. Eles faziam festas para agradecer, e começaram a perceber que essa era uma nova estação do ano...a Mãe Natureza disse-lhes que essa nova estação do ano, se chamava Outono, e vinha antes do Inverno.
Ainda hoje, muitas pessoas vão para essa montanha assistir à chagada e dar as boas vindas ao Outono, pois acreditam que ela vem de lá, outros acreditam tratar-se de uma lenda, e que o Outono é inventado pelos cientistas.
Se foi lenda, tem o seu fundo de verdade, não é? Vejam se descobrem a parte verdadeira do que diziam ser uma lenda? Isso mesmo…os produtos da terra, as cores e o tempo no Outono.
Que outras magias encontram no Outono? Também conhecem alguma lenda sobre o Outono? Qual?

FIM
Lálá
(27/Agosto/2015)


O presente da Princesa Verona


A princesa Verona costuma aparecer na terra no Verão, chega no dia 21 de Junho, quando a princesa Vera vai de férias. 
Não é difícil saber que ela chegou, desfila com toda a sua beleza e sedução, todos sentem os seus passos leves, tão leves… que parece flutuar.
As suas roupas saltam à vista de quem passa, pelas suas cores ardentes, e arejadas, frescas, cheia de luz, brilho, alegria, sorrisos e risos. 
Ela é tão especial que contagia todos os seres humanos mais felizes, entusiasmados, procuram as praias, o mar, as montanhas, e tudo o que refresque. 
O Sol entrega-se completamente a ela, fica louco de paixão e desejo por esta princesa, eufórico…
Mas…esta princesa também vai de férias, para a chegada de outra princesa: a Outonia, não sem antes deixar um presente aos terráqueos porque sabe que todos ficam muito tristes quando vai embora. As duas são muito amigas, e encontram-se no dia 21 de Setembro.  
        Este ano a Princesa Verona não sabia o que deixar de presente, e pediu ajuda à sua amiga Outonia que chegou na noite de 20 para 21 de Setembro, com uma Lua Cheia enorme, luminosa, um céu cheio de estrelas, e um ar quente no cimo da montanha mais alta nos arredores da cidade. 
          A Lua sorri às duas.
- Amiga Outonia…fizeste boa viagem?
- Olá Verona, sim, foi muito longa, mas correu tudo bem, obrigada. Já vais embora não é?
- Sim! Vou de férias. Sei que eles vão ficar muito bem entregues. Mas não sei o que lhes deixar de presente desta vez! – Suspira a princesa Verona
            A lua tosse:
- Desculpa, princesa Verona, mas não concordo…acho que já deixaste um belo presente para eles…olha que não merecem tanto. Fartaram-se de pegar incêndios.
- Isso é verdade! – Responde a princesa Verona
- Até tu ficaste com alergias e doente, lembras-te? – Relembra a lua
- Sim, claro que me lembro… - Diz Verona triste
- Então, acho que não devias deixar nada. – Sugere a Lua
- A Lua tem razão, amiga. – Concorda a princesa Outonia
            Faz-se silêncio e as três ficam pensativas.
- Olha…se fazes mesmo questão de deixar alguma coisa…espera até de manhã, e aparecemos as duas juntas, numa dança… - Sugere a Outonia
- Não posso esperar. Tenho de ir andando…bom, este ano não deixo nada. – Diz a Verona
- Ou mandas depois. – Diz a Outonia
- Porque não fazem agora, vocês as duas? Pode ser que alguém vos veja…- Sugere a Lua
- É…também nos divertimos um pouco. O que achas? – Pergunta Outonia
- Está bem! – Concorda Verona
         As duas estalam os dedos, dão umas voltas, rodopiam perto do chão, e aparecem vestidas de gala. 
      Aparece logo o vento coscuvilheiro, e as fadas da Natureza, que começam a tocar com as suas harpas, flautas, violinos, violoncelos, ferrinhos e tambores.
As fadas sabem muito bem que música tocar, e as duas princesas dançam ao som das várias músicas, leves, lindas, de mãos dadas, a flutuar, e cruzam-se várias vezes.
Enquanto dançam, espalham magia por todo o lado, riem, rodam no ar, com os longos cabelos a esvoaçar, as árvores do espaço despertam, e dançam com as princesas…as suas folhas começam a desprender-se devagar, a medo, uma por uma, e também elas dançam umas com as outras, juntamente com as princesas.
Ainda ficam muitas nas árvores, aquelas que são mais tímidas, e que já estão tristes por saber que a princesa Verona vai embora. 
Cada princesa espalha as suas cores, o vento dá uma ajudinha, soprando-as em diferentes direcções, e elas juntam-se, separam-se, fazem rodas sempre a dançar, e a rir, misturam-se ao dar abraços, as princesas acariciam as árvores, e os seus troncos arrepiam-se de frio. 
Umas folhas que caíram dão as mãos e fazem um enorme cobertor de folhas para cobrir os ramos das árvores.
É uma noite cheia de música, de diversão, muitas gargalhadas e brincadeiras entre as duas princesas, as folhas e as árvores. 
Com os primeiros raios da manhã, as centenas de folhas que caíram adormecem no chão, aos pés das árvores, a Princesa Verona saiu discretamente, e silenciosa, suavemente, quando a princesa Outonia também se deitou e dormiu na relva fofa.
Na manhã seguinte, o sol aparece, e a princesa Outonia acorda com a claridade.
- Já é de manhã? Verona…
            Procura Verona pelos arredores, mas não a vê.
- A Verona já foi embora.
- Óhhh…! Não pode ser, e eu adormeci, sem falar mais com ela, ou sem lhe dar um abraço. Óh Verona, podias-me ter acordado! – Diz Outonia, triste
            Do sol, Verona responde:
- Outonia…dorme! Ainda é muito cedo.
- Porque é que já foste embora? Não te vi mais, nem falamos mais, nem te dei um abraço!
- Demos muitos abraços…vá lá, não fiques triste, se não também fico. Eu vou voltar, muito em breve!
- A sério? – Diz Outonia com um sorriso
- Claro que sim. Só chegaste hoje, mas eu ainda vou continuar aí contigo mais uns dias. Para fazermos mais umas festas! Gostei muito desta noite. – Diz Verona sorridente
- Eu também! Era por isso que eu já estava triste…a pensar que só nos veríamos daqui a uns meses! – Responde Outonia
- Não! Já devias saber que todos os anos eu fico contigo mais tempo…não te lembras?
- Claro que me lembro, mas vi-te com tanta pressa…
- Eu sou assim. Tu já chegaste, mas eu vou ficar mais uns dias. Este é o meu presente para os terráqueos, este ano…para lhes dizer que embora esses me tivessem mal tratado, acredito que vão melhorar, e que podem mudar…passar a tratar-me melhor. Vão apanhar um grande susto, vais ver.
- Com a tua presença?
- É! Mas daqui a bocado eu conto-te…agora descansa, que eu também vou descansar.
- Está bem. Obrigada, amiga!
- Obrigada eu…até já.
- Até já.
           As duas princesas dormiram um pouco, e voltaram a encontrar-se muitos dias seguidos. Foi um início de Outono muito seco, e com dias ainda muito quentes. 
        A princesa Verona ainda ficou mais dias, e queria assustar os humanos, mas estava mais preocupada em divertir-se.
A princesa Outonia é mais tímida, e chegou discreta, mas igualmente linda: vestida com cores: vermelhos, verdes, amarelos, cor-de-laranja, castanho claro e escuro, roxo. 
E este ano a princesa Outonia ensinou a sua amiga princesa Verona a construir lindos tapetes com as folhas, parecem mantas de retalhos, cheios de cores.
A princesa Verona adorou. Por isso é que vemos sempre tantas folhas espalhadas pelo chão, o que tem a sua beleza, pela mistura de cores, e variedade de tamanhos, formatos...
As crianças adoram andar por cima destes tapetes, mas nem sempre acaba bem…porque caem…principalmente quando chove.
Alem destas belezas, estes dois manos oferecem às pessoas: castanhas, frutos deliciosos como uvas, que fazem muito bem à saúde, milho, espigas, há muita alegria nas vindimas, fazem-se magustos, e os campos ficam lindíssimos.
Como as pessoas no Outono ficam mais tristes, a princesa Verona ficou muitos mais dias, com a sua amiga princesa Outonia, para as deixar mais felizes e mais bem-dispostas.
As duas princesas estiveram pouco tempo sem se verem, porque não tardou nada e chegou a Princesa Invernia, antes do dia previsto, com todas as suas belezas.
E vocês? Já sentiram a presença destas duas princesas? A Verona e a Outonia?
Que presentes já vos deixou a Princesa Verona antes de ir de férias?
E a princesa Outonia? Já viram os lindos tapetes que ela faz?


FIM
Lara Rocha 
(27/Agosto/2015)



quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A personagem da história



Era uma vez uma menina que adorava passear nos livros, sempre acompanhada das personagens. Todos os dias ela ia por sítios diferentes, e às vezes voltava àqueles lugares que tinha gostado mais, e encontrava-se outra vez com os seus amigos, que a levavam de volta à Natureza.
Outras personagens, noutros lugares, ofereciam – lhe flores, chocolates, chás, bolos caseiros, roupas e brinquedos. Outras personagens eram muito estranhas no seu aspecto, mas encantadoras por dentro…muito bondosas.
Essas levavam-na a passear por locais misteriosos, cheios de objectos que serviam de pistas para ela seguir, enigmas por todo o lado…a cada passo que ela dava, encontrava alguma coisa, com códigos secretos, imagens, sons, e cores que tinha de descobrir. As surpresas nunca mais acabavam!
Todas as personagens pensavam em conjunto com ela sobre as pistas, e isso era uma grande ajuda, porque já conheciam bem esses lugares, mesmo assim, eles próprios ficavam a conhecer coisas que nunca imaginavam existir.
Quando descobriam…era um verdadeiro mundo de sonhos, onde às vezes encontravam coisas estranhas. A menina gostava muito dessa parte.
Outras vezes, mergulhava com sereias, golfinhos e cavalos-marinhos, no fundo do mar, de águas quentes, limpas e transparentes, sem lixo. Muito diferente das praias que ela conhecia.
Explorava com eles corais, tocava em algas enormes e de cores diferentes, que pareciam fazer-lhe mimos, via peixes raros, lindos, e alguns um pouco feios, mas bondosos e sossegados.
Depois, deva passeios por lagoas, em barcos feitos de cascas de nozes, e velas de escamas de peixes, às cores. De dia nesse mar, ela via um reflexo do sol na água, e montes de brilhantes a boiar e a mexer-se na superfície. Que lindo!
Quando ela passava pelo brilho reparava que eram fadas do mar…cada qual a mais bonita, com fato-de-banho brilhante, que se refrescava e divertia, dançava e mergulhava entre gargalhadas.
Quando os barquinhos de casca de noz, passavam por elas, elas voavam à volta deles, e salpicavam-nos com água e brilhantes. Todos adoravam esse mimo.
Também passeava muitas vezes por parques, jardins, palácios, castelos e nuvens. Um dia, uma das suas viagens a um parque, foi interrompida por uma personagem que saiu do livro onde vivia e foi ter à sala da menina, onde já tinha estado antes.
A personagem estava muito triste e com as lágrimas nos olhos. A menina conhecia essa personagem, e perguntou-lhe o que tinha acontecido, como é que ela tinha ido ali parar.
A personagem disse-lhe que foi passear e perdeu-se…agora não conseguia voltar a casa, por isso, lembrou-se de ir visitar a sua amiga menina, para ver se ela a podia ajudar.
A menina deu a mãozinha à personagem e garantiu-lhe que a ajudava. Abriu o livro da história onde vivia a personagem, folheou as primeiras folhas, e diz-lhe:
- É aqui que tu vives!
- Áh! Isso mesmo…sim…esta é mesmo a minha casinha… - Diz a personagem feliz com um grande sorriso
- Mas já vais voltar, ou queres lanchar comigo, e eu volto a deixar-te em casa, mais daqui a bocadinho? – Sugere a menina
- Áh! Está bem, se não vou atrapalhar…vamos!
As duas lancham juntas, e conversam alegremente. Mais tarde, como prometido, a menina abre o livro da casa da personagem, dão um abraço e dois beijos, a menina dá-lhe a mão e a personagem entra em sua casa.
- Muito obrigada, amiga! – Diz a personagem
- De nada! Aparece sempre que quiseres.
- Combinado!
A mãe chama a menina para ir jantar. Ela fecha o livro, e vai jantar. Quando vai dormir, a menina já tem as fadas dos sonhos e o João Pestana à sua espera, comodamente instalados na sua cama.
Quando ela chega, também vive com eles milhares de aventuras, dá muitos passeios, e descobre novos mundos, nos sonhos. Ela adora receber a visita de personagens, e divertir-se com elas.  
Ler, ver livros, e ouvir histórias, faz-nos dar muitos passeios, conhecer muitos sítios, brincar com personagens, e diverte-nos. É muito bom!
E vocês? Já conheceram, divertiram-se, e foram passear com personagens de livros que leram, ou histórias que ouviram?
Onde?
Com que personagens?
O que viram?
O que gostaram mais?
Qual foi o melhor passeio que deram?
Que personagens gostaram mais de todas, até agora?

FIM
Lálá
(20/Agosto/2015)


Caminho de ida e volta

                                                foto tirada por Lara Rocha 

Era uma vez uma boneca feita de madeira, palitos, por isso era fininha. A sua cabeça era uma bolinha redonda de madeira. Os olhos, dois botões pretos, o nariz uma molinha e a boca um pedacinho de feixo. Tinha cabelos compridos de cor castanha muito encaracoladinhos feitos de lã. Usava uns sapatinhos de malha a condizer com o vestido. Esta boneca vivia numa toca de uma árvore com a sua família, numa grande floresta, onde tudo era puro e bonito, não havia poluição, nem guerra.
Uma tarde, a boneca saiu de casa e disse aos pais que ia dar uma voltinha. Os pais deixaram-na ir, com muitas recomendações, as de sempre, sobre a segurança, e que ela já sabia de cor e salteado. Ouviu e prometeu ter cuidado. Ela não tinha nenhum lugar especial para ir na grande floresta, mas queria andar um pouco.
Seguiu pelo caminho do costume, e viu coisas que sempre tinham estado lá, mas como ela passava sempre a correr, ou ia distraída sozinha com as suas brincadeiras, ou com os manos, primos e amigos, por isso não reparava em nada.
Desta vez, ela caminhou devagar, e viu tudo o que conseguiu ao pormenor, coisas lindas, flores, árvores que pareciam gente, de braços abertos e troncos ondulados. Cruzou-se com coelhos, que saiam das tocas apressados, viu toupeiras à superfície à procura de raízes.
Ouviu e viu passarinhos a chilrear e crias bebés em ninhos à espera de comida, esfomeados, viu as suas mães a voar e a transportar alimentos. Parou para conversar com fadas que estavam a costurar uma bela toalha rendada, abelhas e borboletas a aspirar pólen das flores e a levá-lo para as fábricas onde os anões o transformavam, em rebuçados, cremes, xaropes, bolos, e outros objectos.
Brincou com macacos, fugiu de leões, chitas, leopardos, e panteras, correu com lebres, andou montada no cavalo Universo, e depois passeou de caracol que a levou a ver o resto…as cascatas onde estavam fadas a tomar banho, sereias a aquecer as lindas vozes e a ensaiar para espectáculos, morcegos a dormir pendurados em troncos e em grutas, onde entrou, e viu cristais no tecto e no chão.
- Que coisas tão bonitas! Nunca tinha vindo aqui. Aquelas sereias cantam mesmo bem! E que lindas que são. Um dia destes, viu ver se elas me deixam tomar ali um banhinho! As águas são transparentes. O sítio onde vivo é mesmo maravilhoso, cheio de surpresas. Como é que eu nunca vi aquilo? Se calhar já estavam lá, acho que não iam aparecer ali, só para eu ver! Estas grutas…são um sonho…parecem salões de bailes! E a água a cair…a circular por estes caminhos…parece que fazem música! É tão bom este som! Onde será que vai dar esta água?
E continua a explorar a gruta, até chegar a um laguinho com peixes de todas as cores e tamanhos.
- Áh! Que lindo! Então vem ter aqui a água! Tantos peixes…e um de cada cor…são todos diferentes.
Um peixinho brincalhão vem à superfície com a boca cheia de água, e envia um grande chafariz para a boneca, da sua boca. Ainda não satisfeito, mergulha de propósito e com esse salto, a boneca leva um banho completo. Ela grita e o peixinho ri-se.
- E agora? Como é que eu me vou secar?
E sai da gruta muito zangada. Continua em frente, e o sol seca-lhe a roupa num instante.
- Obrigada, sol!
E pára junto a um enorme campo onde estão vacas, bois, cavalos e póneis a pastar sossegados. Por trás tem uma montanha, aquela que a boneca vê do terraço da sua casa, mas nunca lá foi.
- Aqui…é onde acaba a aldeia. Já andei tudo? Parece que andei pouco.
E começa a subir à montanha. Pelo caminho apanha amoras, framboesas e umas folhas que ela conhece bem, que dão para fazer chá. Vê plantações de milho, de cabaças, pepinos, alfaces, batatas, árvores de frutos vários, cruza-se com alguns lobos que a cumprimentam e perguntam se quer ajuda, ou se está perdida. Ela agradece e diz que não, aproveita e conversa um pouco mais com eles…que simpáticos que eles são.
De repente, o céu que estava limpo, quando a boneca saiu de casa, fica cheio de nuvens, escuras, carregadas, e o sol esconde-se. A boneca estava tão encantada com a paisagem que estava a ver do cimo da montanha, que só acordou quando sentiu um vento frio e forte acabado de se levantar. A boneca estremece, olha para o céu muito surpresa, e pergunta:
- Áh! O que aconteceu? Ainda há bocado estava sol, e agora…nuvens por todo o lado e este vento…ficaram com inveja, foi? Também vieram ver a paisagem?
As nuvens riem, e caem algumas gotas de chuva em cima da boneca. A mãe da boneca, como sabia que a filha era muito distraída, pensa em tudo, e sabia que ela ia perder-se no passeio, enviou uma borboleta especial, que foi sempre atrás dela, discreta e silenciosa, para a proteger e tudo o que ela precisasse.
- Menina…acorda! Está na hora de ir para casa. Não tarda nada, vai chover forte! – Diz a borboleta
- Áh! Quem és tu?
- Estou sempre contigo!
- És a minha sombra?
- Não! Sou tua amiga e tua protectora!
- Nunca te tinha visto antes!
- Pois não…mas ando muitas vezes contigo!
A boneca sorri, não sabe que foi a mãe que a enviou, mas gosta dela e agradece-lhe.
- Então, mas ainda não me disseste o que aconteceu ao céu…
- Vamos embora! Eu explico-te pelo caminho.
- Está bem! Realmente está frio e há muitas nuvens.
Elas descem a montanha, e cruzam-se com matilhas de lobos que voltam para as tocas apressados. Os pássaros voam baixinho e com dificuldade, correm para os ninhos, caem mais pingas.
A borboleta abre as suas asas, que pareciam pequenas, mas abertas eram enormes, e abriga a boneca.
- Áh! Tens guarda - chuva?
- Tenho!
- Já sabias que ia chover?
- Já.
- Como? Eu não sabia de nada!
- Mas não se tem falado noutra coisa…tu é que com certeza, e como sempre, andas distraída!
- Do que estás a falar?
- Não reparaste que havia mais agitação na floresta?
- Reparei…mas…o que é que isso tem a ver com as nuvens e a chuva?
E passam esquilos a correr, carregados de nozes, os coelhos e as lebres voltam para as tocas a correr, tudo procura abrigo.
- Porque estão todos a fugir? – Pergunta a boneca
- Porque está a chover. Acorda rapariga…amanhã será um dia muito especial…
- Alguém faz anos?
- Não! Quer dizer…que eu conheça não!
- Então é especial porquê?
- Porque hoje...termina o Verão, e amanhã chega o Outono! No Outono, o tempo é mais instável, por isso já se preparam para depois não andarem à chuva, nem passarem fome!
- Ááááhhh…claro! Como é que eu não me lembrei disso!
- Estás sempre distraída! É por isso que estou sempre contigo!
- Óh! Muito obrigada. Foi a minha mamã que te enviou, não foi?
- Foi!
- Realmente, se não fosses tu, eu já estava toda encharcada. Nunca pensei que fosse chover.
- Claro! Mas na estação do ano que começa amanhã, devemos pensar nisso, e estar preparados para essas alterações…de calor…para frio, e de sol para nuvens, vento…
- Pois. Não me lembrei que hoje termina o Verão. Até parece que o Outono é que já chegou.
- Sim.
A chuva carrega e ela acelera o passo. Pelo caminho conta à borboleta tudo o que viu, e chega a casa, seca! Os pais ficam descansados quando ela entra a porta.
- Mãe…Pai…manos…sabiam que está a chover? – Repara a boneca
- Claro! – Respondem todos
- Basta olhar lá para fora. – Acrescenta um irmão
- Pois. Já sabiam que ia chover? – pergunta a boneca
- Não! – Respondem todos
- Mas amanhã vai haver festa aqui na floresta! – Lembra outro irmão
- Ai…já te tinham dito? – Pergunta a boneca muito surpresa
- Já! – Confirma o irmão
- A mim não me tinham dito. – Diz a boneca
- Já tinham dito, sim! Tu é que estás sempre distraída e não ligaste! – Comenta outra mana
- É verdade! – Dizem os pais
- Hoje termina o Verão! – Lembra a boneca
- Sim! – Respondem todos
- Já sabíamos. – Lembra outro mano
- E amanhã começa o Outono! – Diz a boneca
- É! – Respondem todos
- E vai haver a festa da folha, aqui na floresta. – Lembra outra mana
- Áh! Boa! Adoro essa festa! – Diz a boneca
A chuva cai torrencial, com trovoada e vento forte. A boneca conta tudo o que viu… Se não fosse a borboleta enviada pela mãe, a boneca tinha-se perdido, ou tinha apanhado uma grande chuvada.
No dia seguinte, faz-se a grande festa da folha, na floresta, com muitos petiscos, bebidas, danças e cantares.
Acham que a boneca continuou a ser muito distraída, ou começou a estar mais atenta ao que acontecia à sua volta? E vocês? Fazem alguma festa quando chega o Outono?
O que é que vêem nos vossos caminhos? 
Já alguma vez caminharam mais devagar e nesses passeios descobriram coisas que nunca tinham visto antes? O que viram? 

FIM
Lálá
(20/Agosto/2015)