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terça-feira, 8 de setembro de 2015

A ONDINHA IRRITADA



Era uma vez uma praia como as outras, com areia, mar e rochas. Na praia havia sempre muitas pessoas a apanhar sol, crianças a jogar futebol, e a brincar. No mar, os animais e as ondas tinham os seus trabalhos e era um ambiente sossegado, mas de um dia para o outro, tudo se transformou.
Passou a ser muito agitado por causa de uma ondinha que parecia pequena mas ultimamente andava armada em onda grande, muito revoltada, inquieta agitada, irada, irritada, e quando vinha à superfície aproveitava para descarregar o seu mau-humor e a sua ira na praia.
Só fazia asneiras! Se via crianças a construir castelinhos de areia, ou a brincar vinha e destruía os castelinhos. Outras vezes, dava banho completo às crianças, e elas desatavam a fugir, a chorar e a tremer de frio, aos gritos. Arrastava brinquedos, e tirava as bolas aos adultos que estavam a jogar, ou quando via casais de namorados também gostava de os refrescar, para os lembrar que estavam na praia, e deitava-os para trás, empurrando-os, ou molhando-os e enchendo-os de areia da cabeça aos pés.
Enquanto todos ficavam muito zangados, a ondinha ria às gargalhadas e voltava para o fundo do mar mais relaxada, toda feliz. A rainha do mar via tudo, e recebeu várias queixas de outros seres do mar, da ondinha…isto deixou-a realmente irritada e mandou que chamassem a ondinha.
- Mas o que é que se passa com ela? Só faz asneiras…Chamem aquela endiabrada da Ondinha…
Os guardas da rainha vão chamar a ondinha. A ondinha não sabia a rainha já tinha visto tudo. Ela espreita, e a Rainha diz-lhe docemente, e sorridente:
- Estás a espreitar? – Mas logo fica muito séria e grita – Entra!
A ondinha estremece, a rainha respira fundo para não explodir.
- Precisas de alguma coisa, rainha?
- Senta-te! – Ordena
A ondinha senta-se a medo.
- Os teus pais? – Pergunta a rainha
- Estão na praia.
- Vou ter de falar com eles! E vou directa ao assunto contigo. Não sei como é que eles ainda não perceberam que estás muito diferente…talvez porque te misturas com as outras, e eles nem vêem…confiam…acham que têm uma menina muito bem comportada. Mas não gosto nada do que tu andas a fazer.
- Eu?
- Não…! Eu! Claro que és tu. O que é que se passa contigo? Andas muito irritada, só fazes asneiras. Vais lá para cima, pareces inofensiva, e de repente, do nada…transformas-te em algo parecido com tsunami…destróis tudo. Destróis os castelinhos das crianças que elas fazem com tanto carinho, paciência e arte! Arrastas os seus brinquedos, dás-lhes banho dos pés à cabeça! Levas bolas de futebol e outros jogos dos adultos. Enrolas namorados, arrastas toalhas, molhas roupas, lavas roupas e chapéus…Ai! Mas o que significa isto tudo? Quem é que tu pensas que és? Nunca foste assim. – Diz a rainha, primeiro calma, depois, com a irritação sobe no tom de voz.
A ondinha fica assustada e preocupada responde:
- Rainha, eu…não sabia que já tinhas visto tudo!
- Ora! Estás farta de saber que vejo sempre tudo, e vieram-me fazer queixas! Não posso permitir que faças coisas como estas que tens feito!
- Mas é assim tão mau?
- É. Mesmo muito mau. Pões vidas de pessoas em risco…e depois…? Quem é que as ia tirar daqui? Ias-nos meter em sarilhos, e é tudo o que nós não queremos.
- Eu só queria brincar!
- Tens muita coisa para brincar cá em baixo, porque raio hás-de brincar com vidas humanas?
- Eles também brincam connosco.
- Sei muito bem que andas a fazer isto por mal. Sinto-te muito revoltada…tudo o que estás a fazer é por revolta! Não pode ser.
- É que…eu…adoro a praia.
- Não és só tu. Todos adoramos a praia. E as pessoas também. Isso não justifica o que estás a fazer.
- É que…eu…só estava a tentar proteger a praia daqueles malditos.
- O quê?
- Sim, os humanos só poluem, só estragam.
- Isso é verdade, mas também não serve de justificação. Não vais conseguir evitar que eles poluam, infelizmente, porque eles não têm nada nas cabeças. Mas não vais ser tu, a fazer essas coisas, que lhes vais pôr alguma coisa nos miolos para deixarem de poluir. Um dia…vão pagar cêntimo por cêntimo, as consequências do que fazem, aliás, já estão a pagar, mas ainda não repararam. Isso nunca vão perceber, mas é problema deles!
- Eu odeio aqueles objectos dos pequenos.
- Que objectos?
- Aquilo com que eles fazem castelos, e tiram a areia.
- Não é justificação para essas asneiras.
- Odeio bolas.
- Eu também, mas o que é que isso implica contigo?
- Nada! Mas não gosto, e podem estragar a praia.
- O quê? Que disparate. Nunca ninguém se queixou de estragos por bolas.
- Odeio aqueles namoradinhos sentados na areia. Eu gosto de os enrolar para os acordar e lembrarem-se que estão na praia…há gente a vê-los.
- É muito pior ver guerra.
- Não gosto.
- Não é motivo para fazeres as asneiras que fazes.
- Eu só quero proteger a praia, o mar e a ti…!
- Isso é muito bonito de tua parte, mas não serve de desculpa para o que fazes. Vou ter de te castigar.
- Óh não! Por favor, rainha. Desculpa, eu não volto a fazer asneiras.
- Pensa em silêncio no que tens feito. Aí…quieta. (pequena pausa, silêncio) Minha pequena…ainda és muito criança, com muitos sonhos, sem maldade, achas que és super criança, que tens poderes para salvar o mundo, e a humanidade, mudar as mentes…melhorar o planeta. (Silêncio) Já percebi, estás revoltada com os humanos pelas asneiras que eles fazem, e maldades contra nós, contra a nossa casa. Tens razão. Todos nós ficamos, claro que é injusto, revolta, magoa…e temos imensa vontade de nos vingarmos deles, de fazer ainda pior do que eles nos fazem. Mas…por muito que queiras, as tuas maldades, asneiras, não vão servir para os emendar, nem ensinar, ou mudar as mentes. Descansa, o planeta tratará de lhes ensinar e castigar. Aliás, já está a tratar disso. O planeta tem a força de todos nós juntos e muita mais que só ele sabe! Deixa-os aproveitar enquanto têm!
A ondinha fica pensativa.
- O que posso fazer agora?
- Não voltes a fazer asneiras e tenta ser amiga dos humanos, carinhosa como as outras.
- Está bem.
Aparecem as filhas da rainha do mar, lindas como ela.
- E o castigo, rainha? Qual vai ser? – Pergunta a ondinha triste
A rainha suspira, olha para as filhas, elas sorriem-lhe:
- Bem…preciso de pensar… o que acham?
- Mamã…eu acho que ela está a precisar de um abraço! – Diz uma
- O que ela fez não foi bom, mas à beira do que eles nos fazem, também não foi nada de mal…só foi…umas brincadeirinhas…uns sustinhos a fingir… - Diz outra
- Acho que ela não fez por mal. – Diz outra
- É. Acho que ela fez isso só para chamar a atenção. Como é pequenita, quer que reparem nela…fingindo que é grande. – Diz outra
- Pois. A sua raiva é grande…eu sinto as vibrações… ui…! – Diz a mais velha
- Sim! – Dizem todas
- Olha que daqui a pouco o mar ainda fica mais poluído do que o que está, com a tua revolta. – Diz um caranguejo
- Xiu! – Mandam todas
- É. Eu não fiz por mal. – Confirma a ondinha
- Huummm…um abraço…huuummmm… bem…acho que…- Pensa a rainha
- Siiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmm… - Dizem todas a sorrir
- Parece-me…bem! Menina agora vê lá o que fazes! Não te esqueças do que eu te disse, e vou dizer aos teus pais que precisam de estar mais atentos.
- Está bem! Não me esquecerei. Muito obrigada.
- Agora…podem ir.
E as princesas, uma por uma abraçam a ondinha, depois dão um abraço colectivo e vão para a superfície brincar. A ondinha gostou tanto daqueles abraços que voltou a ser tão meiga como era antes, carinhosa, e durante muito tempo pensou no que a rainha lhe tinha ensinado.
A ondinha e as princesas tinham combinado que para a ondinha não voltar a fazer maldades e asneiras, sempre que se sentisse irritada, raivosa, revoltada e com vontade de se vingar…procurava as princesas, elas davam-lhe um abraço e brincavam juntas. Foi mesmo isso que ela fez, desde esse dia. Talvez a verdadeira razão fossa a falta de um abraço…tornaram-se uma verdadeira família.
Os abraços fazem milagres, tornam-nos melhores pessoas, não é? Ficamos mais calmos com um abraço, ganhamos mais saúde, e ficamos mais felizes não é?
Já experimentaram?
Vamos dar todos um abraço pelo menos a quem está ao nosso lado? Como se sentiram?
A ONDINHA SENTIU-SE ÓPTIMA.
FIM
Lálá
(7/Setembro/2015)


sábado, 7 de março de 2015

A força das borboletas

































Era uma vez um bando de gaivotas que voava sobre o mar de uma praia. As gaivotas faziam belos bailados, e formas em voo, que dava gosto ver. Todos os que iam à praia ficavam maravilhados, tiravam fotos e aplaudiam, por isso, elas achavam que eram as donas da praia. 
Um dia, a praia foi invadida por centenas de borboletas, de todas as cores, que passaram a ser o centro das atenções, pois nunca tinham sido vistas por ali. 
As gaivotas ficaram muito ciumentas e invejosas, raivosas, quiseram vingar-se porque as pessoas deixaram de reparar nelas.
        As gaivotas falam umas com as outras:
- Mas o que é que está a acontecer aqui?
- Quem são estas?
- Gaivotas bebés?
- E de todas aquelas cores?
- Aquilo não são gaivotas!
- O que são?
- Não sei…parecem outros pássaros.
- Seja o que for…a praia é nossa. Não podem estar aqui.
- XÔ…
As borboletas estão tão felizes com aquele sítio que nem ouvem. As gaivotas voam em direção a elas, dão-lhes bicadas, atiram-se a elas com as patas, e prendem-nas de propósito.
- Não podem estar aqui…
- XÔ…
- Já agora! – Diz uma borboleta
- Quem são vocês para nos mandarem embora…este sítio é para todos.
- Quem são vocês? – Pergunta uma gaivota
- São uns pássaros muito estranhos. – Comenta outra gaivota
- Parecem pássaros pré-históricos. – Diz outra gaivota às gargalhadas
Todas as gaivotas riem.
- Somos borboletas! – Dizem todas
- Quem? – Perguntam as gaivotas
- Bor-bo-le-tas! – Repetem as borboletas.
- Ora…são pássaros, como nós. – Contrapõe outra gaivota
- Não! Vocês são pássaros, nós somos borboletas.
- Muito mais bonitas que vocês! – Diz uma borboleta
As gaivotas desatam a rir
- Nunca se viram ao espelho de certeza! – Goza uma gaivota
- Claro que já nos vimos muitas vezes ao espelho…na água. – Diz uma borboleta
- Não interessa. Vocês não são daqui. – Grita outra gaivota
- Parecem as rainhas disto tudo! – Comenta uma borboleta
- E somos! – Dizem todas em coro
- Essa agora… - Dizem todas as borboletas
- XÔ… - Gritam as gaivotas agitadas
Levantam voo, picam-nas, dão-lhes bicadas, pisam as asas, atiram-lhes pedrinhas do mar que levam nas patas de nos bicos, ouriços e impedem-nas de voar. 
As borboletas gritam, unem-se e vencem sempre. São mais fortes que as maldades das gaivotas e escaparam, mesmo com as gaivotas às centenas.
As borboletas cansaram-se de ser maltratadas, e quando se preparavam para desaparecer dali, um menino atrevido começou a atirar pedras enormes para a água e atingiu uma série de gaivotas, ferindo-as.
As borboletas voltaram para trás e juntas, às centenas, empurraram uma pedra enorme e atiraram para os pés do rapaz. Ele grita, e quase desmaia com dores. Senta-se na areia, e borboletas e gaivotas desatam às gargalhadas.
Umas borboletas vão ter com as gaivotas feridas, que estão muito surpresas com o que viram.
- Estão feridas…! – Exclama uma borboleta
- Deixem-nos cuidar de vocês! - Diz outra borboleta
- Depois de vos ajudarmos, vamos embora! – Diz outra borboleta
- Ai… - Geme uma gaivota
- Isto dói tanto! – Diz outra gaivota
As outras borboletas juntam-se e vão para a praia, atrair alguém para ajudar as gaivotas feridas. Com as suas maravilhosas cores, e misturas nos bailados, muitas pessoas são atraídas para o mar, para acompanhar o voo das borboletas.
Chegam ao mar, e apercebem-se do menino com o pé magoado, e as gaivotas feridas a piar. Chamam logo a guarda marítima, e os salva-vidas levam as gaivotas para o posto de socorro, onde são tratadas. 
O rapaz é levado para o posto médico.
- Como é que elas ficaram feridas? – Pergunta o socorrista
- Fui eu que lhes acertei com pedras. – Assume o rapaz
- Isso faz-se? – Pergunta o socorrista
- Não…
- Tiveste agora o troco, levaste com uma pedra no pé.
- Pois foi.
     As borboletas levantam voo para ir embora, e uma gaivota chama-as.
- Esperem…
         Elas param, olham para a gaivota.
- Precisas de ajuda? – Pergunta uma borboleta
- Não.
- Então vamos embora! – Diz outra borboleta
- Esperem… - Pede a gaivota
- Vocês é que querem que vamos embora. A praia é só vossa…não foi o que disseram? – Pergunta outra borboleta
- Desculpem! Nós fomos muito egoístas. Fiquem à vontade, o tempo que quiserem. Aliás, estamos envergonhadas, porque tratamos-vos mal, e vocês salvaram-nos há bocadinho…foram vocês, não foram?
- Só fizemos o que achamos melhor.
- Além disso, não suportamos ver o que aquele palerma estava a fazer, contra qualquer animal. – Diz outra borboleta
- Faríamos isso com qualquer animal que estivesse a ser atacado ou maltratado. Acrescenta outra borboleta
- Mas nós maltratamos-vos…deviam ter-nos deixado assim feridas, e abandonadas.
- Para quê? – Pergunta uma borboleta
- A nossa bondade e amizade, são muito mais forte que a vossa maldade e egoísmo. Para que é que nos íamos vingar?
- Sim, é verdade! – Diz a gaivota
- Nós ficamos com ciúmes porque vocês passaram a ser o centro das atenções…que antes éramos nós. – Explica a gaivota
- Nós não viemos para aqui, para ser o centro das atenções…só viemos passear e divertir-nos, conhecer outros sítios. – Diz uma borboleta
- Pois…vocês é que interpretaram como se fossemos uma ameaça. – Diz outra borboleta
- Viemos em paz, não para fazer guerra ou disputar a atenção convosco. – Explica outra borboleta
- Já tivemos a paga. Perdoem-nos… e fiquem aqui connosco, por favor. – Diz a gaivota
- Para quê?
- Para continuarem a dar-nos bicadas e patadas…?
- Não! Para serem nossas amigas, e para nos protegerem. Eu não sabia do que vocês eram capazes. – Diz a gaivota
- Somos capazes de muito mais…
- Só queremos paz.
- Por favor…dêem-nos uma oportunidade, de vos pedirmos desculpa, de vos agradecer e de vos retribuir o que fizeram por nós, mesmo depois de vos tratarmos tão mal. – Pede a gaivota
        As borboletas olham-se.
- Está bem! – Respondem todas
E a gaivota abre um grande sorriso. Juntam-se todas, trocam carinhos, e brincam umas com as outras. As borboletas e as gaivotas tornaram-se grandes amigas, e até fizeram espetáculos juntas, daqueles que se veem nas praias, de vez em quando. 
As lindas borboletas misturaram-se com as gaivotas, e ao fim da tarde, juntavam-se centenas de pessoas para ver aquele espetáculo.
Se até as gaivotas e as borboletas podem ser amigas, e conseguem, porque é que o ser humano não pode, não consegue ou não quer ser amigo, do seu semelhante, mas ao mesmo tempo, diferente?

FIM
Lara Rocha 

(7/Março/2015)