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quarta-feira, 6 de julho de 2022

A flor da praia

     Era uma vez uma flor que apareceu misteriosamente numa duna da praia. 

  Não se sabe quem, ou como nasceu uma flor num sítio ventoso e árido, mas a realidade é que ela estava lá e sobrevivia. 

      Tinha sempre amigas gaivotas que a abrigavam quando estava feio, fazendo um círculo à sua volta, os pescadores regam-na sempre que é preciso e as plantas das dunas também a protegiam, fechando e encostando-se para a abrigar. 

       Ela tinha uma paisagem privilegiada, para o mar, sentia uma enorme curiosidade de experimentar sempre que ouvia as gaivotas, os pescadores e outras pessoas que iam à praia, falar do mar. 

        Só não queria incomodar para que a levassem ao mar. Sentia aquela aragem e cheirinho a maresia, a peixe, a sal, a algas. 

       Dormia sonecas embalada pelo som do movimento das ondas, via os barquinhos e as suas luzes, apreciava o pôr e o nascer do sol, as suas cores mágicas, as estrelas à noite. 

       Imaginava como seria estar na água, mas queria sentir a água. Um dia contou esse seu desejo às suas amigas gaivotas, e pouco tempo depois, estava um dia tão quente, que quase não se respirava, não se via ninguém na areia, um sol que crestava tudo. 

       As gaivotas também estavam tão cansadas com o calor que só conseguiam estar à sombra e na água. 

       Convidaram a flor para ir à agua. Ela disse logo que sim, e ficou tão feliz, que até lhe cairam umas lágriminhas. 

        As gaivotas lavaram-na no bico. Entraram no mar, e a flor nem conseguia acreditar. Primeiro estranhou e sentiu um bocadinho de medo, mas as gaivotas encheram-na de coragem: nadaram com ela, molharam-se várias vezes, brincaram com ela, saltitaram, riram, nadaram, boiaram. 

        A água estava agradavelmente quente, e calma, a flor adorou senti-la, juntamente com a aragem, o sal e o sol.  Viu peixes e tudo o que via do seu lugar parecia assustadoramente grande! Sentiu as cossegas das algas no seu pé e nas pétalas, e adorou a sensação.  

       Depois do banho e já mais fresca, as gaivotas voltaram a po-la na sua areia. Conversaram alegremente, a flor não tinha palavras para descrever o que tinha sentido, como estava feliz, nem sabia como agradecer às gaivotas por a terem levado a experimentar o mar, como tanto queria! 

       As gaivotas sentiram-se orgulhosas e tão felizes como a flor. Ficou a promessa de voltarem ao mar, muito em breve. 

       Esta flor vivia num belo sitio, e realizou o seu sonho. Foi sortuda! E vocês, já viram uma flor na praia? Se vissem esta flor ou outra, o que faziam? O que veriam? 

Podem deixar as vossas respostas nos comentários. 

                                       Fim

                                     Lara Rocha 

                                   6/Julho/2022 


 












sábado, 7 de março de 2015

A força das borboletas

































Era uma vez um bando de gaivotas que voava sobre o mar de uma praia. As gaivotas faziam belos bailados, e formas em voo, que dava gosto ver. Todos os que iam à praia ficavam maravilhados, tiravam fotos e aplaudiam, por isso, elas achavam que eram as donas da praia. 
Um dia, a praia foi invadida por centenas de borboletas, de todas as cores, que passaram a ser o centro das atenções, pois nunca tinham sido vistas por ali. 
As gaivotas ficaram muito ciumentas e invejosas, raivosas, quiseram vingar-se porque as pessoas deixaram de reparar nelas.
        As gaivotas falam umas com as outras:
- Mas o que é que está a acontecer aqui?
- Quem são estas?
- Gaivotas bebés?
- E de todas aquelas cores?
- Aquilo não são gaivotas!
- O que são?
- Não sei…parecem outros pássaros.
- Seja o que for…a praia é nossa. Não podem estar aqui.
- XÔ…
As borboletas estão tão felizes com aquele sítio que nem ouvem. As gaivotas voam em direção a elas, dão-lhes bicadas, atiram-se a elas com as patas, e prendem-nas de propósito.
- Não podem estar aqui…
- XÔ…
- Já agora! – Diz uma borboleta
- Quem são vocês para nos mandarem embora…este sítio é para todos.
- Quem são vocês? – Pergunta uma gaivota
- São uns pássaros muito estranhos. – Comenta outra gaivota
- Parecem pássaros pré-históricos. – Diz outra gaivota às gargalhadas
Todas as gaivotas riem.
- Somos borboletas! – Dizem todas
- Quem? – Perguntam as gaivotas
- Bor-bo-le-tas! – Repetem as borboletas.
- Ora…são pássaros, como nós. – Contrapõe outra gaivota
- Não! Vocês são pássaros, nós somos borboletas.
- Muito mais bonitas que vocês! – Diz uma borboleta
As gaivotas desatam a rir
- Nunca se viram ao espelho de certeza! – Goza uma gaivota
- Claro que já nos vimos muitas vezes ao espelho…na água. – Diz uma borboleta
- Não interessa. Vocês não são daqui. – Grita outra gaivota
- Parecem as rainhas disto tudo! – Comenta uma borboleta
- E somos! – Dizem todas em coro
- Essa agora… - Dizem todas as borboletas
- XÔ… - Gritam as gaivotas agitadas
Levantam voo, picam-nas, dão-lhes bicadas, pisam as asas, atiram-lhes pedrinhas do mar que levam nas patas de nos bicos, ouriços e impedem-nas de voar. 
As borboletas gritam, unem-se e vencem sempre. São mais fortes que as maldades das gaivotas e escaparam, mesmo com as gaivotas às centenas.
As borboletas cansaram-se de ser maltratadas, e quando se preparavam para desaparecer dali, um menino atrevido começou a atirar pedras enormes para a água e atingiu uma série de gaivotas, ferindo-as.
As borboletas voltaram para trás e juntas, às centenas, empurraram uma pedra enorme e atiraram para os pés do rapaz. Ele grita, e quase desmaia com dores. Senta-se na areia, e borboletas e gaivotas desatam às gargalhadas.
Umas borboletas vão ter com as gaivotas feridas, que estão muito surpresas com o que viram.
- Estão feridas…! – Exclama uma borboleta
- Deixem-nos cuidar de vocês! - Diz outra borboleta
- Depois de vos ajudarmos, vamos embora! – Diz outra borboleta
- Ai… - Geme uma gaivota
- Isto dói tanto! – Diz outra gaivota
As outras borboletas juntam-se e vão para a praia, atrair alguém para ajudar as gaivotas feridas. Com as suas maravilhosas cores, e misturas nos bailados, muitas pessoas são atraídas para o mar, para acompanhar o voo das borboletas.
Chegam ao mar, e apercebem-se do menino com o pé magoado, e as gaivotas feridas a piar. Chamam logo a guarda marítima, e os salva-vidas levam as gaivotas para o posto de socorro, onde são tratadas. 
O rapaz é levado para o posto médico.
- Como é que elas ficaram feridas? – Pergunta o socorrista
- Fui eu que lhes acertei com pedras. – Assume o rapaz
- Isso faz-se? – Pergunta o socorrista
- Não…
- Tiveste agora o troco, levaste com uma pedra no pé.
- Pois foi.
     As borboletas levantam voo para ir embora, e uma gaivota chama-as.
- Esperem…
         Elas param, olham para a gaivota.
- Precisas de ajuda? – Pergunta uma borboleta
- Não.
- Então vamos embora! – Diz outra borboleta
- Esperem… - Pede a gaivota
- Vocês é que querem que vamos embora. A praia é só vossa…não foi o que disseram? – Pergunta outra borboleta
- Desculpem! Nós fomos muito egoístas. Fiquem à vontade, o tempo que quiserem. Aliás, estamos envergonhadas, porque tratamos-vos mal, e vocês salvaram-nos há bocadinho…foram vocês, não foram?
- Só fizemos o que achamos melhor.
- Além disso, não suportamos ver o que aquele palerma estava a fazer, contra qualquer animal. – Diz outra borboleta
- Faríamos isso com qualquer animal que estivesse a ser atacado ou maltratado. Acrescenta outra borboleta
- Mas nós maltratamos-vos…deviam ter-nos deixado assim feridas, e abandonadas.
- Para quê? – Pergunta uma borboleta
- A nossa bondade e amizade, são muito mais forte que a vossa maldade e egoísmo. Para que é que nos íamos vingar?
- Sim, é verdade! – Diz a gaivota
- Nós ficamos com ciúmes porque vocês passaram a ser o centro das atenções…que antes éramos nós. – Explica a gaivota
- Nós não viemos para aqui, para ser o centro das atenções…só viemos passear e divertir-nos, conhecer outros sítios. – Diz uma borboleta
- Pois…vocês é que interpretaram como se fossemos uma ameaça. – Diz outra borboleta
- Viemos em paz, não para fazer guerra ou disputar a atenção convosco. – Explica outra borboleta
- Já tivemos a paga. Perdoem-nos… e fiquem aqui connosco, por favor. – Diz a gaivota
- Para quê?
- Para continuarem a dar-nos bicadas e patadas…?
- Não! Para serem nossas amigas, e para nos protegerem. Eu não sabia do que vocês eram capazes. – Diz a gaivota
- Somos capazes de muito mais…
- Só queremos paz.
- Por favor…dêem-nos uma oportunidade, de vos pedirmos desculpa, de vos agradecer e de vos retribuir o que fizeram por nós, mesmo depois de vos tratarmos tão mal. – Pede a gaivota
        As borboletas olham-se.
- Está bem! – Respondem todas
E a gaivota abre um grande sorriso. Juntam-se todas, trocam carinhos, e brincam umas com as outras. As borboletas e as gaivotas tornaram-se grandes amigas, e até fizeram espetáculos juntas, daqueles que se veem nas praias, de vez em quando. 
As lindas borboletas misturaram-se com as gaivotas, e ao fim da tarde, juntavam-se centenas de pessoas para ver aquele espetáculo.
Se até as gaivotas e as borboletas podem ser amigas, e conseguem, porque é que o ser humano não pode, não consegue ou não quer ser amigo, do seu semelhante, mas ao mesmo tempo, diferente?

FIM
Lara Rocha 

(7/Março/2015)