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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

AS SETE UTILIDADES DOS ARCO-ÍRIS


        Era uma vez um grupo de belos arco-íris que viviam nas nuvens, e agradavam a todos os habitantes de árvores gigantes, e na terra. Eram cobiçados por todos.
        Um dia, quando um arco-íris se preparava para aparecer na terra entre as nuvens, um anão que vivia no cimo de uma árvores tão gigante que tocava nas nuvens, estava na sua varanda e puxou o arco-íris. Gostou tanto dele que o meteu num frasco.
        O anão gostava tanto dele que olhava todos os dias para o frasco onde o tinha prendido e andava com o frasco sempre atrás dele, abrindo um grande sorriso.
        Um dia, o anão tropeçou, caiu, o frasco partiu e o arco-íris saiu.
        Numa outra nuvem, uma gotinha de chuva estava a precisar de uma nova toalha para a sua saída de banho. Quando ia a sair a porta, puxou outro arco-íris do grupo, e limpou-se a ele. Até se sentiu mais bonita.
        Numa outra nuvem, vivia uma cozinheira que precisava de apoios e pegas para as panelas. Quando viu um arco-íris, agarrou nele, cortou-o em vários pedaços e usou esses pedaços para as pegas e apoios que precisava.
        Outro arco-íris foi apanhado por uma jovem cegonha que voava com um bebé, e como estava muito vento, pediu ao arco-íris que a cobrisse e ao bebé também. O arco-íris fê-lo com todo o gosto. Tanto o bebé como a cegonha, ficaram muito mais quentinhos.
        Um pequeno pintor, que vivia noutra nuvem, estava sem tintas. Quando ia sair para as comprar, cruza-se com outro arco-íris, agarra nele, espreme cada uma das cores, torce-as, para frascos, mistura as cores, e arranja muitas cores.
        Um monstrinho que era muito guloso e comilão, mal viu um arco-íris à sua frente, não resistiu. Transformou as sete cores do arco-íris em rebuçados, doces, gomas, borrachinhas e outras coisas que ele adorava comer.    
         Por fim, muitos dos arco-íris foram sugados pelas nuvens, para enfeitarem os campos na terra e serem admirados pelos habitantes.
        E vocês? Se pudessem pegar no arco-íris, o que faziam com ele? Imaginem e desenhem, ou peçam a alguém para escrever. Divirtam-se e vejam como é lindo um arco-íris.

FIM
Lálá

(1/Dezembro/2014) 

A CAIXA VAZIA
























    Era uma vez um grupo de meninos pequeninos que estavam no corredor do seu colégio, e de repente ouviram alguém a chorar muito. Olharam todos uns para os outros e não estava nenhum a chorar.
- Está alguém a chorar…! – Observa uma menina
- Não somos nós. – Dizem todos
- Pois não…
- Mas alguém está.
        E procuram por todas as salas alguém que possa estar a chorar. Não está ninguém. Voltam ao corredor, e voltam a ouvir chorar, sem saber de onde, e quem. De repente, vêem água a cair de uma caixa vazia.
- Olhem…está aqui água…- Diz um menino
- Pois está…- Dizem todos
- E estou a ouvir chorar…
- Eu também.
     A água vinha da caixa…eram as suas lágrimas.
- Óhhh… - Dizem todos
- A caixa está a chorar! – Repara uma menina
- Coitadinha! – Comenta outra menina
- Pois está… - Dizem todos
- Porque estás a chorar? – Pergunta outra menina
- Porque estou vazia. – Responde a caixa
- Tens fome?
- Não.
- Então porque querias estar cheia?
- Queria estar cheia de brinquedos para dar a meninos que não têm.
- Nós estamos aqui a fazer isso.
- Mas eu ainda não tenho nada.
- Porque os nossos pais ainda não trouxeram…
- Mas fica descansada, nós vamos pedir aos nossos pais outra vez, para deixarem aqui uma prendinha.
- Não chores mais, está bem?
- Se me prometerem que vão encher-me de brinquedos e outras coisas, para meninos pobres, eu não choro mais.
- Prometemos!
        Os meninos cumpriram a promessa. Quando os pais vão lá buscá-los, eles dizem-lhes que a caixa estava a chorar muito triste, porque estava vazia e queria estar cheia de brinquedos e outras coisas para muitos meninos pobres.
        Os pais ficam felizes e orgulhosos por terem uns filhos sensíveis e bondosos, e nos dias seguintes dessa semana, a caixa que chorava por estar vazia, ficou muito feliz e risonha porque fica cheia de brinquedos, comida e roupas para dar a meninos mais pobres. Até a enchem muitas mais vezes.
        Na noite de Natal, os meninos pobres recebem muitas prendas, e os meninos que encheram a caixa, recebem um presente extra: uma luzinha, que um duende do Pai Natal lhes deixa na almofada com um bilhetinho que diz para eles porem essa luzinha junto deles, junto do coração…era o prémio pela sua bondade. A luz do amor, da bondade, da partilha e da felicidade.
        Os meninos, não esqueceram nunca mais essa noite de Natal tão especial. Nem os que deram os presentes, nem os que receberam. E os que deram os presentes, nunca mais se separaram da luzinha.
        Feliz Natal…e que a luzinha oferecida pelo Pai Natal brilhe cada vez mais em nós, todo o ano, porque Natal pode ser todo o ano. E não se esqueçam de agradecer tudo o que têm, mesmo que achem que vos falte alguma coisa. Com certeza falta muita coisa, não temos tudo, nem podemos ter tudo o que queremos, mas o mais importante é que não falte: a saúde, a comida, roupa, higiene, amor, carinho, atenção, dedicação e amizade, e partilha, quando queremos ou podemos.
        Esses são os presentes mais importantes que podemos e devemos ter todo o ano, e não só no Natal.

FIM
Lálá

(1/Dezembro/2014)

BAILADO NO GELO

        Era uma vez um cantinho que uma floresta que estava completamente gelada, e congelada. Tudo o que era água estava em pedra, as flores estavam cobertas de gelo, os troncos cheios de neve e gelo, e um silêncio gelado. Tudo dormia.
        Uma menina passou nesse jardim, e arrepiou-se.
- Mas como é possível…? Está tudo petrificado…gelado…! Não gosto!
        A menina fecha os olhos, e imagina o jardim todo em movimento. De repente, ela abre os olhos, e ouve uma música suave e alegre. Olha para todo o lado, e não sabe de onde vem.
De uma gruta que parecia congelada, deslizam do seu interior, lindos cisnes e patinhos, por cima do gelo, sem partir, e dançam ao som da música como se andassem de patins. A menina fica encantada, e bate palmas.
De um tronco congelado, aparecem dezenas de lindas borboletas e pequeninas fadinhas que andam de patins de gelo, em cima do gelo das pétalas das flores, congeladas. Deslizam levemente e com delicadeza. Lindo! Fazem piruetas, saltam, rodopiam no solo, e o gelo não parte. Patinam de flor em flor, felizes.
Mais à frente, a menina anda em cima de gelo que está no chão, com cuidado. Escorrega e senta o rabo no chão. Outras fadas riem-se e dão-lhe as mãos, e todas escorregam alegremente, dançam em cima do gelo, de mãos dadas, brincam e o gelo não parte.
Mais à frente, estão uns ursinhos bebés a brincar em cima de pequenos pedaços de gelo, partidos, num grande lago, que nos anos anteriores costumava ter camadas muito grossas de gelo, e dentro da água, estão mergulhadas foquinhas, golfinhos, pinguins e muitos peixes diferentes.
Estes animais não parecem nada felizes. A menina pergunta-lhes porquê. Eles explicam-lhe que estão muito preocupados porque o gelo está a desaparecer, porque o planeta está a mudar e a aquecer. Isso é muito perigoso para eles.
A menina perguntou-lhes o que podia fazer para os ajudar. Eles responderam…nada! Ela pensou que eles estavam a dizer para ela nadar na água gelada, e começa aos gritos.
A mãe vai ter com ela. Ela abre os olhos…
- Mãe…os bichos queriam que eu nadasse na água gelada.
- Que água gelada? Que bichos?
- Áhhh…estou em casa.
- Claro. Onde querias estar?
- Pensei que estava num jardim congelado, onde dançaram borboletas, e fadas de patins, cisnes, e patinhos que caminharam sobre o gelo do lago, patinaram nas pétalas das flores que estavam congeladas, que lindo! Dançavam tão bem! Tão levezinhas…. E depois…estive num lago enorme, onde vi ursos a brincar em cima de pedaços de gelo, separados do gelo…eu perguntei-lhes se podia fazer alguma coisa por eles, e eles mandaram-me nadar…disseram…nada! Mas como é que eu ia nadar naquela água gelada…?
- (ri) Áh! Já percebi…estavas a sonhar…
- Estava? Parece que sim…se estou no quarto, e no quentinho…estava a sonhar. Ufa! Que susto!
- Foi porque ouviste dizer que o gelo está a derreter e o planeta a aquecer…não foi?
- Foi. Fiquei muito preocupada…
- Pois. E é de ficar.
- Não podemos fazer nada?
- Podemos…muita coisa. Principalmente…reciclar tudo o que pudermos, não destruirmos ainda mais a natureza, limpá-la para não a queimar…mas não basta seres tu, ou eu…ou nós as duas…tem que ser toda a gente!
        Afinal…era só um sonho, mas um dia destes, se não tivermos cuidado, pode acontecer.

FIM
Lálá

(1/Dezembro/2014) 

sábado, 29 de novembro de 2014

Dona Preguiça, os vizinhos e o Tempo

                                             
   









   Era uma vez uma Preguiça, muito gorda que vivia quase sempre deitada numa árvore, pouco se mexia e só dormia. 
  Fazia tudo muito devagar. Era muito caladaPor cima do seu tronco, vivia um casal, misterioso, silencioso, discreto, que praticamente só eram vistos de noite
   Durante o dia, dormiam e estavam quase sempre dentro do tronco, na sua toca.
     Por baixo, aos pés da árvore, viviam muitas famílias de muitos cogumelos, que a Preguiça mal conhecia. Eram mal-encarados, antipáticos, coscuvilheiros, venenosos, por isso não tinham amigos.  
      Tinha ao lado, uns vizinhos muito mexidos, traquinas, que não paravam quietos. Subiam e desciam os troncos das árvores mais de cem vezes por dia, muito rápido…pareciam foguetes e muito barulhentos: guinchavam, gritavam, faziam muitos ruídos. Alguns muito irritantes.
        No meio da árvore da Preguiça, e da árvore dos macacos, havia outra pequena árvore, onde habitada por morcegos que se metiam dentro do tronco, numa toca pequenina e escura
      Nos troncos viviam e pousavam dezenas de passarinhos de todas as espécies. Dentro das tocas não chovia, mas fora delas chovia muito, e quando chovia, a preguiça nem sequer saía.
    Todos os dias, passa por esse sítio um ser muito misterioso, demasiado rápido, quase não lhe vêem o rosto nem o corpo de tão rápido que ele anda. 
      Dizem que se chama Tempo e anda sempre de um lado para o outro. É mais rápido que os coelhos e que todos os animais que correm.
- Não percebo quem é este ser…! – Comenta um macaco
- Nem eu! Não sei porque anda com tanta pressa… - Responde outro macaco
- Até fico cansada…só…de…o ver… (boceja) passar… (espreguiça-se) Ai…ele anda tão…rápido! – Acrescenta a Preguiça
- Pois é! – Respondem todos
- Espera… (boceja outra vez) Este deve ser…- Diz a Preguiça
- Eu sou o Tempo, de quem toda a gente fala! É por isso que todos dizem que o tempo passa a correr. Eu sou o tempo e passo mesmo sempre a correr! – Grita o tempo a correr
- E não ficas…cansado? – Pergunta a Preguiça
- Às vezes. Mas não posso parar. Às vezes ando um pouco mais devagar, quer dizer…eu ando sempre igual…mas as pessoas dizem que às vezes ando devagar. – Explica o Tempo
- Ai…estou atrasada para a festa! – Grita uma bailarina que passa
- Lá vou eu… - Grita o tempo
- Está na hora de ir almoçar! – Comenta um lobo esfomeado que vai à procura de comida
- Já vou. – Diz o tempo
- Já é tão tarde! – Suspira um lavrador que passa depressa
- Óh não…Já estamos no fim da manhã… resmunga uma coelhinha
- Ufa…estou cansado…mas não posso parar. – Confessa o tempo
- Vai mais devagar. – Sugere uma tartaruga
- Não posso. Este mundo anda cheio de pressa…não sei para quê! – Diz o tempo
- Mas para quê…? Tanta pressa…! Com tanta pressa…não vêem nada. – Diz um mocho
        O tempo já desapareceu da beira deles, sem darem por isso. O tempo é mesmo assim. Não o vemos, mas sentimos bem a sua passagem, mas já a preguiça é muitas vezes nossa amiga, ou inimiga, mas conseguimos vê-la e senti-la.

FIM
Lara Rocha 
(29/Novembro/2014)




domingo, 23 de novembro de 2014

A LENDA DO INVERNO



     Era uma vez um Avô que estava sentado à lareira, numa sala muito confortável, num dia de pleno Inverno, muito chuvoso e frio com os seus netos. De repente suspira e comenta com a esposa:
- Querida…está um dia de pleno Inverno, não está?
- Está!
- Não estás com frio?
- Não. Estou muito confortável e tu?
- Eu também. E muito bem acompanhado pelos meus netos.
- Avô, também somos netos da Avó! – Reclama uma menina
- Pois somos! – Acrescenta um menino
- Claro que somos…somos dos dois. – Responde outra menina
- Não sejas egoísta. Nossos netos…- Diz a Avó.
            Todos desatam a rir.
- Avô…ou Avó…conte-nos uma história… - Sugere outra menina
- Uma história? Não sei nenhuma história. A tua Avó é que sabe. – Pergunta o Avô
- Sim, sei muitas… e tu também sabes. – Responde a Avó.
- Não…tu é que sabes… - Diz o Avô
- Vá lá…
- Contem! – Pedem os 4 netos em coro
- Está bem. Eu conto. – Diz a Avó. Era uma vez…
      Era uma vez, num país muito longe da Terra, numa outra galáxia, onde tudo era encantado. Havia sol, calor, praias, lagos, rios, mares, sereias, fadas, anjos, duendes, unicórnios e muitos outros seres maravilhosos. 
         Não havia poluição e tudo era perfeito. Mas um dia…tudo mudou. Uma coisa muito terrível aconteceu! 
      O que era perfeito, transformou-se. Tudo por culpa de uma bruxa invejosa, malvada, que vivia num sítio escuro, feio, cheio de criaturas nojentas e más. 
        Essa bruxa gostava de um príncipe que vivia nas redondezas do seu mundo assustador. Quer dizer…ela não tinha sentimentos…só queria o príncipe para contrariar a princesa, e depois transformá-lo num mauzão ao seu serviço. 
      Felizmente, o príncipe não gostava dela, tinha medo dela, e não caía na sua conversa muito agradável. 
        Como a bruxa não queria que o príncipe ficasse com ela, fez um feitiço, e preparou uma armadilha monstruosa como ela. 
     Primeiro deixou que os dois apaixonados fossem para uma das muitas lindas florestas, e quando se abraçaram…a paisagem transformou-se completamente. 
      O sol escureceu, o céu ficou cheio de nuvens pesadas, e do céu voaram pássaros horrendos, feios, que lançavam dos seus bicos, fogo. 
      O casal ficou muito assustado e tentou fugir, mas quanto mais fugia mais fogo crescia á sua volta. 
    Depois…a terrível bruxa, enviou fadas muito atraentes, mas sopravam gelo. Elas voavam e sopravam…e tudo ficou congelado, cheio de neve.
    Um dragão de gelo atravessou as nuvens, e transformou as gotas de chuva em flocos de neve. Caiu com tanta intensidade que tudo ficou gelado, até o pobre casal apaixonado. 
   A maldita bruxa riu às gargalhadas, ficou orgulhosa e feliz, porque o seu feitiço tinha funcionado. 
     Quando regressou à floresta, para levar o príncipe para o seu castelo escuro, um bebé de gelo, criado por uma fada boa arrotou e congelou a bruxa, sem ela contar. 
       Nessa altura, o sol voltou a brilhar, o céu voltou a ficar azul, e voltaram a voar pássaros lindos. Tudo voltou a ser como era antes. a bruxa ficou transformada num boneco de neve, mas com o sol derreteu. 
      Como derreteu, tentou arranjar outra vez maneira de prender o príncipe. Voltaram as lindas fadas e dragões de gelo, que tudo congelaram, menos a bruxa. 
     O casal ficou outra vez petrificado. A bruxa tentou pegar no príncipe ao colo, mas estava colado ao chão, agarrado à sua princesa. 
    A bruxa puxou, puxou, puxou…bateu no gelo, atirou fogo e nada descongelou. Ela ficou possuída, ainda mais maldosa e raivosa. Inventou muitos feitiços, mas não conseguiu o que queria. 
O casal continuava intacto debaixo do gelo, e o gelo sem derreter. 
     Reza a lenda que foi assim que o Inverno nasceu. Do amor do casal que ficou protegido pelo gelo, para que a bruxa não conseguisse destrui-lo.                   Embora estivessem congelados, o amor dos dois debaixo do gelo, continuava bem ardente, verdadeiro…e dizem que os dois escaparam por um túnel subterrâneo…só os bonecos de gelo continuavam lá. 
      Uns anos depois, a bruxa encontrou o amor…ou o horror da sua vida…por quem se apaixonou loucamente…um ser asqueroso e horrível como ela, mau, que fazia tudo o que ela queria…assim, ela nunca mais perseguiu o bondoso príncipe da princesa. 
     Diziam os antigos, que muitos anos depois, sempre que havia neve e frio, era a bruxa a tentar apanhar o príncipe, mas nunca conseguia porque só os bonecos de gelo, dos dois estava lá. 
         Os dois, estavam num lugar seguro e quente. A bruxa pensava que os bonecos de gelo eram eles, mas sempre que tentava tirá-los de lá, nunca conseguia. 
       Dizem ainda hoje, que as fadas e o dragão de gelo aparecem por lá todos os anos, várias vezes…não para fazer mal, ou fazer o que a bruxa mandava, mas apenas porque querem. 
       Para passear e transformar a paisagem…só por brincadeira! E tudo fica cheio de neve. Dizem também que foi assim que nasceu o Inverno…para proteger os amores.
- Áhhh…que lindo! – Suspiram e sorriem os netos
- Está a nevar lá fora! – Repara a Avó
- São os príncipes debaixo dos bonecos de neve, ou serão as fadas e o dragão que vieram para cá brincar? – Pergunta outra menina
- Podia ter sido verdade…! – Suspira uma das meninas a sorrir
- Pois era! – Concordam todos
- Para mim…sempre foi verdade! – Diz a Avó a sorrir
- Sempre te contaram essa verdade… - Diz o Avô a sorrir
- Pois foi…
- A mim também!
- E eu vi o casal congelado, as fadas e o dragão a congelar tudo… - Garante a Avó.
- Viste? – Perguntam todos
- Vi. Quando era da vossa idade…e depois…vivi o amor do príncipe e da princesa…com o vosso Avô…
- Ááááhhh…que lindo! – Suspiram e sorriem os netos
- Então tu e o Avô também foram transformados em bonecos de neve? – Pergunta um menino
- Fomos! – Responde o casal
- Havia bruxas invejosas, apaixonadas pelo vosso avô, que bem tentaram…mas os feitiços delas, foram quebrados pelo nosso amor que nem o gelo do Inverno quebrou. – Diz a Avó
     O Avô ri-se, beija a mão à Avó, e abraçam-se. Os netos ficam deliciados e sorriem encantados. Conversam e riem uns com os outros, até que chega a hora de jantar, e todos se levantam. A neve fica lá fora…e o Inverno também. A lenda…bom…fica nos ouvidos e na imaginação de cada um de nós.

FIM
Lara Rocha 
(23/Novembro/2014)


ÁRVORE DE ESTRELAS


Era uma vez num jardim de uma grade cidade, uma árvore quase igual às outras: tinha tronco, ramos e estava despida como todas as árvores no Outono. Uma noite, uma fada que vivia numa árvore longe da cidade, passeou por outros jardins, e não soube dizer a razão, mas uma dessas árvores despidas, chamou-lhe a atenção. A fada parou em frente à árvore e olhou-a fixamente:  
- O que é que tu tens que não me deixa sair daqui?
            A árvore não respondeu. A fada tinha a certeza que aquela árvore era especial, mesmo igual às outras. Ela continuou a passear, mas sempre a pensar naquela árvore, para ver se descobria o que é que tinha de especial e de diferente em relação às outras…todas estavam sem folhas…mas aquela…parecia querer falar com ela.
            Muito intrigada, volta ao mesmo sítio e lá estava a árvore. Igual às outras, no escuro e no silêncio da noite. Como não descobriu, foi para a sua casa. No dia seguinte, à noite, a Fada volta ao mesmo jardim e lá estava a mesma árvore que lhe chamava à atenção.
- Tu tens alguma coisa de muito misterioso, que não sei o que é!
- Não tenho nada de misterioso! Sou igual às outras. – Reponde a árvore
- Pareces igual às outras, mas tens alguma coisa que me prende a ti.
- Não entendo o que dizes.
- Tu és especial.
- Não vejo o que possa haver de especial em mim.
- Já alguma vez tiveste folhas ou flores?
- Não.
- Como não?
- Não. Nunca tive flores nem folhas…estive sempre assim, desde que me conheço, sem folhas, sem flores.
- Porquê?
- Não sei.
- Huummm…isso é muito estranho.
- Porquê?
- Porque se és igual às outras árvores, tinhas de ter folhas e flores.
- Sou igual às outras, mas nunca tive isso.
- Então é aí que está a tua diferença.
- Onde?
- No não ter folhas, nem flores.
- Mas qual é o problema disso? Somos todas diferentes…
- Isso é verdade…
- E gosto muito de ser assim.
- Alguém repara em ti?
- Reparam, claro que sim…por eu não ter flores nem folhas.
- Pois! Reparam porque és diferente…todas têm flores e folhas, menos tu.
- Isso é mau?
- Bem…não sei.
- Para mim, não!
- Mas gostavas de ser igual às outras?
- Não!
- Não?
- Não!
- Porque não?
- Porque nem elas são iguais…
- Não são iguais?
- Não. Só parecem iguais.
- Huummm… Todas têm troncos, ramos, folhas, flores…
- Umas são mais largas, outras mais estreitas, os troncos…uns têm mais curvas, outras menos curvas, uns têm mais saliências, outros menos…uns troncos são castanhos mais claros, outros troncos são castanhos mais escuros…outros troncos têm mistura de cores…
- Sim, isso é verdade…olhando bem!
- Todas têm folhas, mas umas são mais verdes, outras mais amarelas, outras vermelhas, outras roxas…outras cores misturadas.
- Sim. Pois é!
- É. E eu não tenho folhas, nem flores, mas sou uma árvore.
- Sim, e eu sou uma fada.
- Já reparei.
- Vou tornar-te ainda mais diferente…
- Não podes.
- Como não?
- Não me perguntaste se eu queria que me tornasses diferente.
- Desculpa, tens razão! Queres ser ainda mais diferente?
- Não.
- Não?
- Não. Estou muito bem assim.
            A fada segreda à árvore.
- Está bem! – Diz a árvore
            A fada dança e das suas lindas asas, saem milhares de estrelas brilhantes, leves, coloridas, pequeninas, que enchem toda a árvore. Depois, abana os seus cabelos, e deles soltam-se milhares de folhas verdes que caem sobre os ramos, onde estão as estrelas. A fada aplaude feliz.
- Mas que linda que estás agora.
- Obrigada. – Diz a árvore a sorrir
            As duas conversam mais um pouco. A fada volta para sua casa, e a árvore fica no mesmo sítio, agora linda, cheia de folhas e estrelas. No dia seguinte, toda a gente repara na árvore, na sua beleza.
- Onde está aquela árvore despida? A minha amiga…filha e neta…? Óh, não pode ser! Destruíram-na? – Pergunta uma velhinha
- Estou aqui. – Diz a árvore
            Deixa cair uma folha com uma estrelinha na bochecha da senhora velhinha. A senhora sorri, olha para a árvore.
- És tu?
- Sim.
- Mas que linda! Estás tão diferente! Como é que ganhaste tanta folha e tanta estrela da noite para o dia?
- Foi magia.
- Que linda! Estava a ficar muito preocupada…pensei que te tinham destruído.
- Não! Como vê…estou aqui.
- É. Estás muito diferente, mas a tua simpatia, voz e bondade, continuam na mesma.
- Sim, é verdade…posso estar muito diferente, por fora, mas o meu coração não a esqueceu.
- É. Estou a ver que não…
- O meu coração não esquece as pessoas boas, que cuidam de mim, que me fazem companhia, que me abraçam…
- O meu também não.
            A senhora abraça a árvore. A árvore fica tão feliz, e tão deliciada com aquele abraço carinhoso, cheio de ruguinhas, que chora de alegria. Por isso, milhares de folhas com estrelinhas caem dos ramos para o chão.
- Quem me dera ter braços para retribuir este abraço tão bom…querida Avó. – Suspira a Árvore a sorrir
            O seu desejo foi tornado realidade. A fada que lhe deu as folhas e as estrelas, gostou tanto daquela troca de carinho que transformou dois troncos da árvore em grandes braços de madeira, que abraçaram a senhora velhinha. A senhora ficou surpresa e muito feliz.
- Áh! Acho que estou a sonhar…
- Não. Está bem acordada. – Responde a árvore
- Óh, minha querida…
            E do abraço delas, sai um grande raio de luz, que transforma a senhora velhinha numa linda jovem. A fada transforma a árvore noutra jovem de carne e osso, e as duas tornam-se amigas inseparáveis, como mãe e filha, ou avó e neta. Passeiam todos os dias, brincam, riem, falam…mas todos os que passam, só vêem a velhinha e a árvore, porque não sabem ver para além da diferença, nem sabem viver com ela, ou aceitá-la e respeitá-la.
A fada viu na árvore que parecia igual às outras, algo muito especial, e era mesmo. Era muito mais do que um tronco, primeiro sem folhas, depois com folhas e estrelas, e por fim, a árvore transformou-se numa bela jovem que se tornou o consolo e o carinho para a senhora velhinha, que já tinha reparado nela, e gostava dela, mesmo sem folhas e sem flores.
Era uma árvore de estrelas, e a senhora velhinha recebeu-as, porque as conseguiu ver, na diferença. No meio de tantas árvores que pareciam iguais, aquela era diferente…e muito diferente!
Era uma árvore que fez nascer estrelas, em alguém que conseguiu ver a jovem que habitava num corpo de madeira, sem folhas… há ligações com a natureza que não se explicam. Apenas…sentem-se. E a diferença também pode ser vivida, sentida…como dizia a árvore sem folhas e sem flores…sou diferente, e daí? Não vejo problema nenhum nisso, nem quero ser igual às outras. Somos todas diferentes…parecemos apenas todas iguais.
Nós também somos todos diferentes…e parecemos todos iguais, só porque somos da mesma raça, somos feitos da mesma matéria…carne…e osso. Todos conseguimos ser árvores com folhas e estrelas, fazer nascer estrelas, pelo menos nos olhos e nos sorrisos de alguém, com um simples abraço.

FIM
Lálá

(23/Novembro/2014)