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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

AS MEIAS DA Meia-lua E A MENINA

                                                          
desenhada por Lara Rocha 

Era uma vez uma menina que pediu um desejo muito diferente às estrelas, porque o que todos os outros meninos, e ela própria, já tinham pedido muitos desejos.
- Olá estrelas...eu sei que estou sempre a pedir-vos desejos, e todos os outros meninos…às vezes pedem ainda muito mais que eu! Hoje, peço-vos uma coisa diferente! Quero que me mandem meia-lua para eu estar sempre com ela. Quero uma amiga feita de meia-lua. É que eu peço à minha mãe para brincar comigo, e ao meu pai, estão sempre na porcaria daquela máquina, cheia de botões, e esquecem-se que têm filhos. Os manos não querem brincar comigo, têm os brinquedos deles…são grandes, e muito estranhos…até penso que não ouvem nem falam…são mesmo tolinhos estes grandes! E eu sinto-me sempre muito sozinha. Se soubesse que os meus pais não me iam ligar nenhuma, eu tinha pedido à cegonha para me deixar lá naquele sítio, sossegada! Grandes palermas! Não são vocês, estrelas, são eles…os grandes que não querem saber de mim…! Perceberam? Obrigada.
            As estrelas estão às gargalhadas lá em cima. Nunca ouviram um pedido como este e tanta reclamação vinda de um ser tão pequeno, como gente grande! A menina tinha razão.
Ela tinha muitos brinquedos, mas não tinha o que mais queria…os pais estavam sempre muito ocupados, os irmãos mais velhos tinham outros interesses, e a menina estava muito tempo sozinha.
As estrelas percebiam isso, e comunicaram o desejo da menina à Lua grande. Ela desata às gargalhadas:
- Ai, estas crianças são de rir…! Ela quer o quê? – Pergunta a Grande Lua
- Coitadinha é mesmo inocente… - Diz uma estrela
- Acha que o mundo é mágico, e que tudo acontece só com o querer, e a vontade…só porque deseja, e pede às estrelas, já acha que vai ter. – Acrescenta outra estrela
- Era bom que assim fosse! – Suspira outra estrela
- Pois era! – Diz a Lua
- Onde vamos arranjar isso? Nunca outra tinha ouvido. Acham que é possível? – Pergunta a Lua
- Sim! – Dizem as estrelas em coro
- São tão inocentes como elas! – Diz a Lua a rir
- Para nós não há impossível, quando se trata de desejos de crianças. – Diz outra estrela
            As estrelas fazem uma pequenina magia, e criam um pedaço de meia-lua, feito de esponja, com um belo cabelo escuro, liso, comprido, brilhante, olhos azuis, nariz, boca, orelhas, braços, mãos, pernas, pés e umas lindas meias calças, às riscas, todas coloridas.  
- Áh! Que linda obra! – Diz a Lua a sorrir
- Eu disse que para nós, não havia coisas impossíveis quando se trata de crianças! – Reforça a estrela
- Tens toda a razão! Muito bem! – Diz a Lua
            As estrelas agradecem e enviam a meia-lua para o quarto da menina. A menina primeiro assusta-se, encolhe-se, mas reconhece a Lua.
- Áh! És a meia-lua que pedi às estrelas?
- Boa noite…sim, isso mesmo! Foste tu que me pediste?
- Fui. Vou mostrar-te a minha casa toda!
            A menina dá a mão à meia-lua, e mostra-lhe a casa toda, os pais, os irmãos, os animais. As duas têm longas conversas, dão belos passeios, partilham segredos, brincam juntas, cantam e dançam, riem, e tornam-se grandes amigas.
            O cãozinho dela é que não acha piada nenhuma, ter de dividir a atenção e o carinho da dona, com outro ser…que ele nem sabia muito bem quem era, nem o que estava lá a fazer. Ficou muito ciumento.
            Um dia, o cão perseguiu a meia-lua, ladrou-lhe, rosnou-lhe, correu atrás dela, saltou-lhe, tentou mordê-la mas não conseguiu atacá-la, ela fugiu a tempo muito assustada.
            Quando estava a salvo outra vez no espaço, a meia-lua muito triste, envia as suas meias calças às riscas, todas coloridas para a menina com um bilhetinho a dizer: «quando quiseres que vá ter contigo, ou brincar contigo, calça estas meias, e prende o malvado do teu cão».
            A menina chega ao quarto e não vê a sua amiga meia-lua. O cão estava comprometido. A menina chama:
- Meia-lua…meia-lua…onde estás? Foste dar uma volta?
            Ela olha para o cão, e este está a tremer, encolhido e a ganir.
- Tu sabes de alguma coisa…!
            Olha para cima da sua cama, e vê as meias da meia-lua.
- Estão aqui as meias da meia-lua, e a meia-lua, onde está?
            Ela lê o bilhete que está escrito com estrelas brilhantes. Fica muito zangada, e começa aos gritos com o cão, a ralhar, pois está-lhe com muita raiva, de ter assustado a sua amiga. O cão fica envergonhado, encolhe-se e gane.
- Cão palerma! – Grita a menina – Vou chamá-la e vais pedir-lhe desculpa, ouviste? Ou ponho-te fora de casa.
            O cão fica triste e encolhido. A menina calça as meias calças coloridas da meia-lua, e a meia-lua aparece. Ela grita nervosa e assustada:
- Outra vez, este? Tira-mo da frente, se não vou ficar muito zangada contigo e não venho mais brincar contigo. Foi ele que me tirou daqui. Quase de desfazia toda…não faltava muito para eu ficar em pedaços. – Diz a meia-lua assustada
- Tens toda a razão, meia-lua. Desculpa! Este palerma já teve o castigo, e já ouviu um ralhete. Quer dizer-te uma coisa.
            O cão pede desculpa e lambe a menina.
- Não é a mim que tens de me dar beijos. Estou muito zangada contigo! – Acrescenta a menina
- Ele não fez por mal…deve ter ficado com ciúmes. Até o percebo. – Diz a meia-lua.
            O cão ladra, abana o rabo, enrosca-se à volta da meia-lua, e á volta da menina. A menina faz festas ao cão.
- Podes fazer-lhe festas…ele é meigo! – Garante a menina
            A meia-lua faz festas ao cão, ri-se, e ele brinca com as duas. Desse dia em diante, a menina e a meia-lua não voltaram a separar-se, e muitas vezes a menina até vestia as lindas meias-calças da meia-lua. A menina levava a meia-lua para todo o lado, e as duas divertiam-se muito…ela nunca mais se sentiu sozinha.
            E vocês? Gostavam de ter uma amiga feita de meia-lua? E umas meias tão bonitas como as da meia-lua?


            FIM
           Lálá
(16/Dezembro/2014)
           



segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A ESTRELA SEM LUZ




   Era uma vez uma estrela de Natal que apareceu de forma muito misteriosa num jardim de uma enorme cidade. 
   No meio de tantas estrelas de Natal que enfeitavam o parque e a cidade, todas lindas, cheias de brilho e luz…havia uma que estava apagada, pousada no chão, e ninguém tinha reparado nela.
      Um menino que vivia na rua, com os seus pais e muitos irmãos, muito pobre, ficava muito feliz com as luzinhas de Natal, porque a cidade até se tornava mais quente. 
     Num passeio nocturno, o menino viu essa estrela apagada.
- Huummm…uma estrela sem luz…
   Ficou pensativo a olhar para a estrela. Aproxima-se uma animadora de rua, que ficou triste ao ver o menino e ofereceu-lhe um abraço, um carinho no rosto, um beijo e um casaco seu.           Neste momento, acendeu-se uma pequenina lâmpada da estrela. O menino devolveu o casaco à animadora. A lâmpada apagou-se.
- Agradeço muito a sua bondade, mas não posso aceitar. – Diz ele
         Acendem-se duas lâmpadas da estrela.
- Porque não podes aceitar?
- Porque já me deu a melhor prenda…
         Acendem-se muitas lâmpadas da estrela
- Eu? O casaco?
- Não. O seu abraço e o seu beijo.
         Acendem-se mais lâmpadas da estrela.
- Áhhh…filho, isso é insignificante…faz parte da minha educação…os meus pais ensinaram-me a cumprimentar assim…é um gesto de simpatia e delicadeza. 
      Por muito que tenhas gostado do carinho, estou a dar-te o casaco…e quero que fiques com ele. E vou dar-te muitas mais coisas…
- Não se incomode comigo! Eu sou de rua…
            As lâmpadas da estrela apagam-se todas.
- E…? Eu também sou de rua. Quero que trabalhes comigo.
- Eu…? Trabalhar consigo…?! Mas o que faz? Eu não sei nada…nunca estudei…vai ser uma vergonha para si.
- Vai ser um enorme orgulho, trabalhar contigo, tenho a certeza.
- Eu não quero prejudicá-la…não sei fazer nada…
- Sabes sim…vou dizer-te como é…
   A animadora explica ao menino, o seu trabalho. Ele abre um grande sorriso, e muitas lâmpadas da estrela, voltam a acender-se. 
      Os dois ficam surpresos com aquela estrela que umas vezes apaga-se toda, outras vezes, acende algumas lâmpadas, e outras vezes apaga as lâmpadas. 
       O menino aceita trabalhar com a animadora, e é um sucesso. Ganham os dois, muito dinheiro, e a admiração de todos os que passam, que se emocionam e aplaudem, deixando também roupas e outros bens que já não precisam.
     O menino fica muito feliz, e consegue ajudar muitíssimo a sua família, que ganha muito melhores condições de vida. 
     A estrela enche-se de luz, transforma-se numa linda mulher, com uma roupa cheia de luzinhas, que parece que hipnotiza toda a gente com a sua beleza.
- Mas que linda! – Suspira a animadora a sorrir
- Obrigada. – Diz a mulher
- Eu acho que a conheço…! – Diz o menino para a mulher
- É possível, eu ando sempre por aí. Mas nem todos me vêem.
         A sua roupa e todo o seu brilho tornam-se diferentes, conforme o que sente…se está feliz, e gosta do que ouve, fica cheia de luz, cintilante, se está triste, ou desiludida…a sua roupa fica com menos luzes, ou até nenhumas.
- Por acaso não viu uma estrela que estava no chão do parque, que tanto dava luz, como não dava? – Pergunta o menino
- Por acaso vi. Estás diante dela…
- Ãh?
- Isso mesmo, eu sou a estrela que viste…aquela que se acendia e apagava.
- Áh! Que linda…e porque é que faz isso?
- Sou a tua estrela guia, quer dizer…a vossa…procura conduzir-vos para o sucesso.
     Aproxima-se um conjunto de muitos meninos, e a mulher transforma-se em estrela apagada. Os meninos circundam-na, e a animadora sugere:
- Vamos fazer um cordão humano, pelo menos mais pobres?
- Sim! – Gritam todos
     Dão todas as mãos, e por cada menino, acende-se uma lâmpada na estrela. Quando dão a mão a outro, outra lâmpada, até que a estrela fica enorme e cheia de luz. 
     Os meninos ficam deliciados com a luz da estrela, abrem um grande sorriso, e o menino diz:
- Já sei quem és!
- És a estrela do amor…a estrela do bem. – Diz a animadora
- Isso mesmo! – Diz a estrela a sorrir
    A estrela desfaz-se e cada lâmpada transforma-se em algum bem material para crianças pobres: umas, em roupas como calças, gorros, meias, camisolas, camisas, cobertores, outras em sapatos, outras em comidas e bebidas, e algumas em dinheiro que depois foram distribuídos pelos mais pobres.
   E tanto a estrela, como todos os que a acenderam, ficaram muito mais felizes, ricos e iluminados. A estrela que estava apagada, voltou a dar luz.

FIM
Lara Rocha 
(8/Dezembro/2014)



ENTRE AS NUVENS


        Era uma vez um jardim gelado, numa noite ainda mais gelada, com muita chuva e vento. Todos os habitantes estavam resguardados do frio à lareira, e a conviver. De repente, uma menina vai à janela e vê umas luzes a mexer entre as nuvens.
- Áh! O que é aquilo?
     Estavam tão entretidos uns com os outros, que não deram importância ao que a menina disse. A menina fica zangada e pergunta aos gritos:
- Ei, grandes…por favor…peço um bocadinho da vossa atenção…
        Todos param e olham para ela em silêncio.
- Obrigada! Está ali uma coisa muito estranha entre as nuvens.
- O quê? – Perguntam todos
- Umas luzes a mexer.
       Todos olham pela janela e também vêem as luzes entre as nuvens.
- Espera…acho que já sei o que é… - Diz a mãe
- O que é? – Perguntam todos
- Surpresa! – Diz a avó a sorrir
- Daqui a bocadinho já vão ver. – Diz a mãe
- Quando é que chega o Pai Natal? – Pergunta outra menina
- Ainda falta muito? – Pergunta outro menino
- Não. Está quase a chegar! – Diz o Avô.
- Olha pai…as luzes estão a andar à roda…e há cada vez mais luzes entre as nuvens.
- Pois é. – Diz o pai
- Será que o Pai Natal nos vai trazer todos os presentes que pedimos? – pergunta outra menina
- Isso não sei. – Diz o pai
- Tu portaste-te bem, ele é capaz de te trazer tudo o que pediste. – Assegura outro menino
- Olha quem fala… - Diz a menina
- Não basta terem-se portado bem…é preciso que o pai Natal tenha conseguido construir os brinquedos todos a tempo. – Diz a Avó
- Ele não tem tempo para tudo…há meninos e meninas que pedem tudo e mais alguma coisa que seja… - Diz o Avô
     O que eles não vêem é a animação que vai atrelada às luzes que se vêem entre as nuvens…são centenas de duendes, fadas e palhacinhos numa grande diversão, com muitos risos, e cantos de Natal. Acompanham o simpático barbudinho.
  De repente, ouvem muitos sininhos, e musiquinhas, milhares de luzinhas a piscar. E da janela, vêem um comboio cheio de luz e de cor, a rasgar as nuvens.
     O comboio roda e caminha pelas nuvens antes de aterrar, escrevendo a mensagens, cheia de estrelas: Feliz Natal, linda família!
      Os cães ladram, os gatos miam, todos ficam maravilhados, com sorrisos de orelha a orelha, e de todas as casas, saem as portas, felizes, e aplaudem. 
     O comboio desce devagar, com todos numa grande alegria a dançar, a cantar e a rir.
- O Pai Natal chegou! – Diz a Avó
- Pai Natal! – Gritam todos
  O Pai Natal canta, sorridente e todos acompanham:
- Hoh, hoh, hoh…hoh, hoh, hoh…hoh, hoh, hoh, oh, ooooohhhh… hoh, hoh, hoh, hoh, hoh…
- Cheguei…hoh, hoh, hoh, hoh…cheguei…! – Grita o Pai Natal, feliz e risonho
- É Natal, é Natal…! – Gritam todos com o Pai Natal
- É Natal, é Natal! – Respondem todas as pessoas com um grande sorriso
- Quero ver lindos sorrisos…sentir paz, amor, e alegria! Que lindos brilhos nos olhares…hoh, hoh, hoh, hoh…Feliz Natal! Óh, sim…esta família vai ter presentes…! – Diz o Pai Natal
     O comboio do Pai Natal aterra na neve, e distribui muitos presentes por todos os meninos e crescidos. 
    Trocam abraços e carinhos, e agradecimentos, tiram fotos, abrem os presentes, partilham uns com os outros.
    As Avós fazem uns belos chás quentes, para quem quer, e para o Pai Natal e amigos. Bebe o comboio, bebem os anões, duendes e fadas, e o próprio Pai Natal. Fazem um belo brinde, e festejam juntos.
     Afinal as luzes que eles viam entre as nuvens eram do comboio do Pai Natal que trazia muita alegria, sorrisos, carinhos, simpatia e presentes. Todos receberam o que queriam.

FIM
Lara Rocha 

(8/Dezembro/2014)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A MULHER LAVA


          Era uma vez um fundo do mar muito sossegado, lindo, transparente, cheio de mistérios, peixes e tesouros raros. 
          As pessoas faziam muitos mergulhos e tiravam fotos, filmavam, pintavam quadros, escreviam poemas e canções inspirados nele.
    Mas este sonho, tornou-se um dia, num terrível pesadelo, sem que ninguém alguma vez pudesse ter imaginado. 
     Num sítio escuro do fundo do mar, havia umas pequeninas crateras e montanhas que estavam sossegadas, até que uma pequenina bolinha vermelha transparente, é atirada para o mar…atirada ou caiu de algum sítio. Ninguém tinha visto nada.
    A bolinha foi direta ao fundo do mar, e instalou-se num sítio de águas claras. Veio um grupo de golfinhos, e brinca com a bolinha, a atirar uns para os outros, e a bater com a cauda.
       No meio da brincadeira, a bolinha foge para o sítio escuro do mar, e cai dentro de uma cratera, de uma montanha. 
      O que nem eles nem ninguém sabiam era que dentro da bolinha estava um ser muito pequenino que se alimentava de raiva, ódio, violência, maldade.
      O que parecia ser uma bolinha inofensiva, de brincar, rapidamente cresceu nessa cratera que recebia todas as energias más da humanidade…mesmo aquela que não se via, e transformou-se numa bola gigante de fogo.
      A bola subiu para a superfície, todos ficaram assustados, e seguiram-na para ver o que era aquilo. Fica um pouco a boiar. Toda a gente da praia, pára a olhar para ela intrigados e ao mesmo tempo muito assustados.
De repente…a bola explode e de lá de dentro, sai uma enorme mulher, feita de lava incandescente, aos gritos. 
Todos gritam e ela cresce, cresce, cresce…é um verdadeiro monstro. Com braços e pernas feitas de lava escaldante, rocha a arder, de cor vermelha, laranja e preto.
- Mas o que é isto? – Perguntam todos assustados
      A mulher monstruosa inclina-se do mar sobre as pessoas com um ar pesado, e voz tenebrosa:  
- Isto? Isto…pergunto eu…olha…olha…insetos? Será a minha comida?
     Todos tentam fugir, mas ela agarra uma molhada deles, que quase derretem. Ela cheira-os, aperta-os nas gigantescas mãos e tira deles toda a energia má. 
      Depois, atira-os à água e faz uma grande onda, que os leva para a areia. A mulher dá um estrondoso arroto depois de satisfeita.
- Huummm…estava mesmo com fome. E vocês, seus incógnitos…? Fraquinhos…eeehhhh…têm a mania que são muito fortes, muito poderosos…quem é que são os fortes afinal? Áh, áh, áh… como é possível terem tanta coisa má, dentro de vocês? Para mim, ainda bem, porque esse é o meu alimento. É por isso que sou enorme…e quando crescer…vou dar grande! (gargalhada) Não gosto de vocês…são um bando de falsos…interesseiros…materialistas…nunca vi tanta porcaria junta! Lhec. Parece que saí daquela ilha cheia de plástico e lixo, e vim para outra com mais lixo ainda…! Insuportáveis…!
- Quem és tu, grande monstra? – Pergunta um senhor assustado
   A mulher de lava atira uma bola incandescente e preta:
- Odeio que me façam perguntas…odeio falar sobre mim! – Grita a mulher de lava zangada
- Quem te criou? – Pergunta outra senhora
       A mulher lança outra bola incandescente:
- Ora…que pergunta! Foram vocês, é claro!
- Nós? – Perguntam todos
- Sim…quem mais poderia ser…? Vocês é que estão cheios de coisas horríveis, más…É por isso que sou assim.
- Então tu és a materialização dos nossos sentimentos maus, como raiva, ódio, maldade, vingança, violência…? – Pergunta outro senhor
- Isso mesmo! Sois feitos de porcaria…só sabem dar porcaria às vossas crianças que são futuros adultos, feitos de lixo, e de porcaria!
- Como é que sabes? – Pergunta uma senhora
- Ora…eu venho de vocês…é claro que tenho de saber.
- Porque é que nos estás sempre a acusar? – Pergunta outro senhor
- Porque a culpa é mesmo vossa. Eu não sou cínica como vocês todos…o que digo, é mesmo a verdade…é mesmo o que eu sei…!
- Desaparece, monstro! – Implora um senhor
- Nunca desaparecerei.
- Porque não?
- Porque sou mais forte que todos vós juntos…
- Maldita!
- Vocês é que me querem assim.
- Não queremos maldade!
- Mas eu estou aqui…e se estou…é porque vocês querem maldade…aliás, vocês são maldade. Ai…estou cansada…papinho cheio…e agora…uma bela soneca!
    A mulher lava fica petrificada e faz-se silêncio. Da areia só se vê um monte de rochas. As pessoas ficam muito assustadas, mas estavam aliviadas e mais felizes. 
      Então, depois desse dia, todos os que tinham sentimentos maus, iam à praia oferecer à mulher lava, que as comia satisfeita.
       Às vezes também somos homens e mulheres de lava. Comemos muitos sentimentos maus, muitas energias más. 
   Quando estivermos com muita raiva, ou sentimentos muito maus, vamos oferecê-la à mulher de lava. 
     Querem criar uma? Desenhem a vossa mulher de lava, e desenhem todos os vossos sentimentos maus para ela se alimentar.
Fim
Lara Rocha 
(4/Dezembro/2014)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

AS SETE UTILIDADES DOS ARCO-ÍRIS


        Era uma vez um grupo de belos arco-íris que viviam nas nuvens, e agradavam a todos os habitantes de árvores gigantes, e na terra. Eram cobiçados por todos.
        Um dia, quando um arco-íris se preparava para aparecer na terra entre as nuvens, um anão que vivia no cimo de uma árvores tão gigante que tocava nas nuvens, estava na sua varanda e puxou o arco-íris. Gostou tanto dele que o meteu num frasco.
        O anão gostava tanto dele que olhava todos os dias para o frasco onde o tinha prendido e andava com o frasco sempre atrás dele, abrindo um grande sorriso.
        Um dia, o anão tropeçou, caiu, o frasco partiu e o arco-íris saiu.
        Numa outra nuvem, uma gotinha de chuva estava a precisar de uma nova toalha para a sua saída de banho. Quando ia a sair a porta, puxou outro arco-íris do grupo, e limpou-se a ele. Até se sentiu mais bonita.
        Numa outra nuvem, vivia uma cozinheira que precisava de apoios e pegas para as panelas. Quando viu um arco-íris, agarrou nele, cortou-o em vários pedaços e usou esses pedaços para as pegas e apoios que precisava.
        Outro arco-íris foi apanhado por uma jovem cegonha que voava com um bebé, e como estava muito vento, pediu ao arco-íris que a cobrisse e ao bebé também. O arco-íris fê-lo com todo o gosto. Tanto o bebé como a cegonha, ficaram muito mais quentinhos.
        Um pequeno pintor, que vivia noutra nuvem, estava sem tintas. Quando ia sair para as comprar, cruza-se com outro arco-íris, agarra nele, espreme cada uma das cores, torce-as, para frascos, mistura as cores, e arranja muitas cores.
        Um monstrinho que era muito guloso e comilão, mal viu um arco-íris à sua frente, não resistiu. Transformou as sete cores do arco-íris em rebuçados, doces, gomas, borrachinhas e outras coisas que ele adorava comer.    
         Por fim, muitos dos arco-íris foram sugados pelas nuvens, para enfeitarem os campos na terra e serem admirados pelos habitantes.
        E vocês? Se pudessem pegar no arco-íris, o que faziam com ele? Imaginem e desenhem, ou peçam a alguém para escrever. Divirtam-se e vejam como é lindo um arco-íris.

FIM
Lálá

(1/Dezembro/2014) 

A CAIXA VAZIA
























    Era uma vez um grupo de meninos pequeninos que estavam no corredor do seu colégio, e de repente ouviram alguém a chorar muito. Olharam todos uns para os outros e não estava nenhum a chorar.
- Está alguém a chorar…! – Observa uma menina
- Não somos nós. – Dizem todos
- Pois não…
- Mas alguém está.
        E procuram por todas as salas alguém que possa estar a chorar. Não está ninguém. Voltam ao corredor, e voltam a ouvir chorar, sem saber de onde, e quem. De repente, vêem água a cair de uma caixa vazia.
- Olhem…está aqui água…- Diz um menino
- Pois está…- Dizem todos
- E estou a ouvir chorar…
- Eu também.
     A água vinha da caixa…eram as suas lágrimas.
- Óhhh… - Dizem todos
- A caixa está a chorar! – Repara uma menina
- Coitadinha! – Comenta outra menina
- Pois está… - Dizem todos
- Porque estás a chorar? – Pergunta outra menina
- Porque estou vazia. – Responde a caixa
- Tens fome?
- Não.
- Então porque querias estar cheia?
- Queria estar cheia de brinquedos para dar a meninos que não têm.
- Nós estamos aqui a fazer isso.
- Mas eu ainda não tenho nada.
- Porque os nossos pais ainda não trouxeram…
- Mas fica descansada, nós vamos pedir aos nossos pais outra vez, para deixarem aqui uma prendinha.
- Não chores mais, está bem?
- Se me prometerem que vão encher-me de brinquedos e outras coisas, para meninos pobres, eu não choro mais.
- Prometemos!
        Os meninos cumpriram a promessa. Quando os pais vão lá buscá-los, eles dizem-lhes que a caixa estava a chorar muito triste, porque estava vazia e queria estar cheia de brinquedos e outras coisas para muitos meninos pobres.
        Os pais ficam felizes e orgulhosos por terem uns filhos sensíveis e bondosos, e nos dias seguintes dessa semana, a caixa que chorava por estar vazia, ficou muito feliz e risonha porque fica cheia de brinquedos, comida e roupas para dar a meninos mais pobres. Até a enchem muitas mais vezes.
        Na noite de Natal, os meninos pobres recebem muitas prendas, e os meninos que encheram a caixa, recebem um presente extra: uma luzinha, que um duende do Pai Natal lhes deixa na almofada com um bilhetinho que diz para eles porem essa luzinha junto deles, junto do coração…era o prémio pela sua bondade. A luz do amor, da bondade, da partilha e da felicidade.
        Os meninos, não esqueceram nunca mais essa noite de Natal tão especial. Nem os que deram os presentes, nem os que receberam. E os que deram os presentes, nunca mais se separaram da luzinha.
        Feliz Natal…e que a luzinha oferecida pelo Pai Natal brilhe cada vez mais em nós, todo o ano, porque Natal pode ser todo o ano. E não se esqueçam de agradecer tudo o que têm, mesmo que achem que vos falte alguma coisa. Com certeza falta muita coisa, não temos tudo, nem podemos ter tudo o que queremos, mas o mais importante é que não falte: a saúde, a comida, roupa, higiene, amor, carinho, atenção, dedicação e amizade, e partilha, quando queremos ou podemos.
        Esses são os presentes mais importantes que podemos e devemos ter todo o ano, e não só no Natal.

FIM
Lálá

(1/Dezembro/2014)

BAILADO NO GELO

        Era uma vez um cantinho que uma floresta que estava completamente gelada, e congelada. Tudo o que era água estava em pedra, as flores estavam cobertas de gelo, os troncos cheios de neve e gelo, e um silêncio gelado. Tudo dormia.
        Uma menina passou nesse jardim, e arrepiou-se.
- Mas como é possível…? Está tudo petrificado…gelado…! Não gosto!
        A menina fecha os olhos, e imagina o jardim todo em movimento. De repente, ela abre os olhos, e ouve uma música suave e alegre. Olha para todo o lado, e não sabe de onde vem.
De uma gruta que parecia congelada, deslizam do seu interior, lindos cisnes e patinhos, por cima do gelo, sem partir, e dançam ao som da música como se andassem de patins. A menina fica encantada, e bate palmas.
De um tronco congelado, aparecem dezenas de lindas borboletas e pequeninas fadinhas que andam de patins de gelo, em cima do gelo das pétalas das flores, congeladas. Deslizam levemente e com delicadeza. Lindo! Fazem piruetas, saltam, rodopiam no solo, e o gelo não parte. Patinam de flor em flor, felizes.
Mais à frente, a menina anda em cima de gelo que está no chão, com cuidado. Escorrega e senta o rabo no chão. Outras fadas riem-se e dão-lhe as mãos, e todas escorregam alegremente, dançam em cima do gelo, de mãos dadas, brincam e o gelo não parte.
Mais à frente, estão uns ursinhos bebés a brincar em cima de pequenos pedaços de gelo, partidos, num grande lago, que nos anos anteriores costumava ter camadas muito grossas de gelo, e dentro da água, estão mergulhadas foquinhas, golfinhos, pinguins e muitos peixes diferentes.
Estes animais não parecem nada felizes. A menina pergunta-lhes porquê. Eles explicam-lhe que estão muito preocupados porque o gelo está a desaparecer, porque o planeta está a mudar e a aquecer. Isso é muito perigoso para eles.
A menina perguntou-lhes o que podia fazer para os ajudar. Eles responderam…nada! Ela pensou que eles estavam a dizer para ela nadar na água gelada, e começa aos gritos.
A mãe vai ter com ela. Ela abre os olhos…
- Mãe…os bichos queriam que eu nadasse na água gelada.
- Que água gelada? Que bichos?
- Áhhh…estou em casa.
- Claro. Onde querias estar?
- Pensei que estava num jardim congelado, onde dançaram borboletas, e fadas de patins, cisnes, e patinhos que caminharam sobre o gelo do lago, patinaram nas pétalas das flores que estavam congeladas, que lindo! Dançavam tão bem! Tão levezinhas…. E depois…estive num lago enorme, onde vi ursos a brincar em cima de pedaços de gelo, separados do gelo…eu perguntei-lhes se podia fazer alguma coisa por eles, e eles mandaram-me nadar…disseram…nada! Mas como é que eu ia nadar naquela água gelada…?
- (ri) Áh! Já percebi…estavas a sonhar…
- Estava? Parece que sim…se estou no quarto, e no quentinho…estava a sonhar. Ufa! Que susto!
- Foi porque ouviste dizer que o gelo está a derreter e o planeta a aquecer…não foi?
- Foi. Fiquei muito preocupada…
- Pois. E é de ficar.
- Não podemos fazer nada?
- Podemos…muita coisa. Principalmente…reciclar tudo o que pudermos, não destruirmos ainda mais a natureza, limpá-la para não a queimar…mas não basta seres tu, ou eu…ou nós as duas…tem que ser toda a gente!
        Afinal…era só um sonho, mas um dia destes, se não tivermos cuidado, pode acontecer.

FIM
Lálá

(1/Dezembro/2014)