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quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Castelinho de sonho

      



  Era uma vez uma menina que sonhou com um castelinho, mas não era igual aos que ela já tinha visitado com os pais. Este ficava escondido numa floresta, por onde era preciso passar, com pequeninas surpresas. 
    Cascatinhas, borboletas gigantes e cheias de cores, que esvoaçam à frente de quem passa, agulhas de pinheiros pequeninos, e troncos fininhos de árvores que adoram passar carinhosamente pelos cabelos das pessoas, e estas ficam todas arrepiadas, sorriem, riem de cócegas. 
    Passar por árvores que parecem ter olhos e sorrir para os visitantes, sentir um cheirinho tão agradável a mentol fresco, a flores, vê-las aos seus pés, ao lado, na relva, tão grandes e tão bonitas! 
    Ver pássaros e ouvi-los, de todas as espécies a chilrear, cada um com o seu cantar, parece uma sinfonia confusa, a desfilar diante dos olhos. Cada qual o mais bonito, cheio de cores, passam à frente da menina, e ela acaricia-os. 
    A paisagem é encantada, mágica. De repente, ouve uma música alegre, olha para todo o lado, e vê um jovem palhacinho, sorridente, mascarado, a dançar e a tocar, aos pés de uma árvore. 
    Para de tocar, olha para a menina, faz uma vénia, e com um sorriso, estende o braço, convida-a a entrar naquela árvore.
- Olá menina bonita, entra! Muito bem vinda. 
- Olá! Adorei a tua música. Mas entro aí na árvore? Como?
    E o palhacinho tira uma chave dourada do bolso. A árvore está cheia de fechaduras. 
- Tanta fechadura! Qual é a que pertence a esta? 
- Experimenta. 
- O que tem lá para ver? 
- Verás! 
- Mas... 
- Experimenta.
    A menina fica preocupada, experimenta várias fechaduras, que não abrem, até que uma delas abre. 
- Boa! Conseguiste...agora...fica à vontade! 
- Tu não vens comigo? 
- Não! 
- Mas, porque não? Como é que eu me oriento ali dentro? 
- Não precisarás de ninguém para te orientar. Quando entrares, saberás. É para explorar! Vais adorar. 
- Obrigada… 
    A menina entra, com medo, e começa a explorar todo o local. A entrada é uma gruta, cheia de cristais, uns transparentes, outros coloridos, tem um pequeno lago, com água a borbulhar, transparente, com peixes de vários tamanhos e cores. 
    Por cima dela, lindos candeeiros com uma boa luz, e outros que variam a intensidade das luzes, as cores: umas mais fortes, outras mais suaves. 
    Ela fica surpresa, encantada, solta grandes exclamações, e sorri. 
- Áh! Que lindos. 
    De repente, olha para o lado e dá um grito, porque vê um bando de morcegos pendurados, a dormir, enrolados nas suas asas. 
- Que coisa horripilante é esta? 
    E desata a correr, por um corredor, com armários, até uma sala, luxuosa, onde se senta numa cadeira poltrona de cor azul, macia, de veludo, para recuperar o fôlego. 
     Na sala havia uma mesa, com cadeiras e uma varanda. 
- Deve morar aqui alguém…! Que cadeira tão bonita, macia...confortável. Será a casa daquelas criaturas nojentas, penduradas? 
    Ouve uma voz: 
- Estás enganada! Aquelas criaturas horripilantes, são morcegos inofensivos, a dormir. Não é deles, eles estão aqui, porque são nossos amigos. 
- Quem está a falar?
    Aparece à sua frente, uma menina de cabelos longos, da sua idade, e do seu tamanho, a sorrir. 
- És tu que moras neste castelo? 
- Sim. Anda conhecer o resto!
- Mas aquele palhacinho que toca lá fora, dá a chave a toda a gente? 
- A toda a gente não! Só a quem ele sente que é uma boa pessoa. É que sentimo-nos muito sozinhos, e adoramos receber visitas de pessoas especiais, como tu. 
- Onde está a tua família? 
- Está ali. 
    A menina dá-lhe a mão, abre a varanda da sala, e leva-a para um belo jardim, onde estão os pais e os irmãos, a apanhar sol, confortavelmente deitados em colchões, sorridentes.  
    Os cães da família, que correm atrás das bolas das crianças, brincam uns com os outros, aproximam-se dela, cheiram-na, ela faz-lhes carinhos, e eles lambem-na eufóricos. Ela ri-se. 
- Eu gosto muito de cães! Tão fofinhos, estes. Também tenho cães. 
    Dão as boas vindas à menina visitante, de forma tão carinhosa como se fosse família. Conversam com ela, os irmãos e a menina convidam-na para dar um mergulho na piscina de água quente, tão bonita, tão agradável, que borbulha como um jacusi, não dá vontade de sair de lá. 
    Saltam, brincam, riem, conversam umas com as outras, com brinquedos, mergulham, e chega um grupo de senhoras, muito simpáticas, que trazem a comida. 
    Um banquete, que ela nunca tinha visto, tudo com um ar delicioso, dizem para ela comer tudo o que lhe apetecesse. Ela agradece. 
    Depois da barriguinha cheia e muita diversão, mostram-lhe o resto do castelo, com quartos grandes, mobiliário muito bonito, varanda, com vista para as montanhas distantes, muito altas, algumas com neve nos picos, e para a floresta.
    Cada quarto tinha fotografias, luzinhas de presença que se ligava antes de dormir, em forma de estrelas, como se estivessem no espaço. 
    Cada um com a sua casa de banho privativa, luxuosa, as camas confortáveis, bonecos e brinquedos no quarto dos mais pequenos, livros, secretárias, armários com roupas, e tudo muito bonito. 
    De repente, percebem que se está a formar uma tempestade, e avisam a menina para voltar para casa dela, guardar a chave, e seria sempre muito bem vinda àquele castelinho. 
- Uma tempestade? Mas estava um dia tão bonito, tão quente! 
- Pois estava, mas aqui é mesmo assim, de repente, tudo muda, e as tempestades visitam-nos. 
    A menina agradece, acompanham-na até à porta, a conversar alegremente, abraçam-se, dão dois beijinhos, desejam boa viagem, e que chegasse a casa antes da tempestade. 
    Ficou prometida uma nova visita, deu um abraço ao palhacinho que lhe deu a chave, e no sonho, quase a chegar à sua casa, a menina percebeu que também se estava a formar uma tempestade. 
    Na realidade acordou com um grande e estrondoso trovão, e uma grande chuvada. Ela acorda assustada, os pais vão ao quarto dela, e veem-na sentada na cama. 
- Então filha, dormiste bem? - pergunta a mãe 
- Sim! Vim agora da floresta, ainda bem que cheguei a casa antes da tempestade. Lá na floresta também se estava a formar, por isso é que acharam melhor que eu viesse embora antes da tempestade. Afinal, aqui também vai haver uma tempestade.
- Sim, já começou! - diz o pai 
- Mas qual floresta é que estás a falar? - pergunta a mãe 
- A floresta que visitei, tinha coisas muito bonitas, uma paisagem mágica, borboletas gigantes, pássaros de todas as espécies, cores, passei lá umas horas muito boas, com um palhacinho muito simpático que tocou uma música, deu-me uma chave dourada, para eu experimentar num monte de fechaduras e ver qual abria. 
    Abriu uma, e conheci um castelo tão bonito, com pessoas tão simpáticas, animais, comi petiscos deliciosos, brinquei muito com eles, os cães eram uma fofura. Os quartos eram todos bem decorados, as paredes tinham estrelinhas que acendiam à noite. Adorei! 
- Mas não te vimos, nem ouvimos sair... - comenta o pai a rir 
- Óhhhh...foi um sonho? - pergunta a menina desiludida e triste? 
- Sim! Estás na tua cama, no teu quarto...- diz a mãe 
- Óh!
- Acordaste com o trovão, não? - pergunta o pai 
- Sim. Pensei que foi verdadeiro! Foi tão bonito. - comenta a menina 
- Claro! - dizem os pais 
- Mas foi só um sonho. 
- Eu queria que tivesse sido verdadeiro...! - diz a menina triste 
- Esquece o sonho, a noite já acabou, o sonho foi com ela. Vá, vamos tomar o pequeno almoço, e fazer outras coisas, porque hoje não dá para ir lá para fora. - diz o pai 
- Está bem. - diz a menina triste 
- Podes escrever esse sonho, se foi assim tão bonito! - sugere a mãe a sorrir 
- Tu também escrevias os teus sonhos?
- Alguns. 
- Boa ideia. - diz a menina a sorrir 
- Mas primeiro tomamos o pequeno almoço. - lembra o pai 
- Está bem. 
    A menina levanta-se, e vai com os pais para a cozinha. Tomam o pequeno almoço, conversam alegremente, e fora de casa, a tempestade continua. 
    No fim do pequeno almoço, a menina segue a sugestão da mãe: escreve o sonho, sorridente. 

E vocês, se fossem passear por uma floresta, como esta menina, como seria? 
O que viam pelo caminho? 
Tinham um palhacinho à vossa espera? 
Ele dava-vos a chave? 
Seria dourada? 
Como seria a entrada do castelo, e todo o seu interior? 
Podem imaginar como quiserem, e deixar nos comentários. 

                                       FIM 
                                  Lara Rocha
                                 9/Outubro/2024  

    
    

domingo, 6 de outubro de 2024

Como será a toca dos morcegos?

Foto de Lara Rocha 

   











Era uma vez no jardim de uma casa grande, onde vivia uma família com dezenas de morcegos nas árvores. 

    As crianças sentiam medo de os ver esvoaçar no escuro da noite, mesmo depois dos pais e dos avós terem dito que eram morcegos, importantes para a Natureza, e para os humanos, não faziam mal. 

    Comiam mosquitos e outros insetos que apanhavam, e de dia ninguém os via. Como mesmo assim não conheciam, nunca se tinham aproximado deles, nem das árvores onde viviam, durante o dia, a imaginação das crianças, começou a funcionar, para ver se deixavam de ter medo. 

- Como será a casa deles? - pergunta uma menina 

- Os papás e os avós disseram que eram por aí, nas árvores. - afirma um menino 

- Mas eles dormem de cabeça para baixo! - comenta outra menina 

- Sim, e nas árvores existe muito espaço para dormirem de cabeça para baixo, imagino eu, porque todas as árvores aqui são enormes. - diz outra menina 

- Pois é! Também não sei. - comenta outro menino 

- Será que a casa deles tem salas, quartos, casas de banho, cozinhas, despensas, frigoríficos, fogões, lareiras, sofás, camas, cadeiras, mesas, armários e tudo o que nós temos? - pergunta uma menina 

- Acho que não. - dizem todos 

- Também acho que não. Eles são muito pequenos para caber nas árvores com isso tudo, e as árvores também não são grandes. - comenta um menino 

- Eu acho que eles não devem ter mobília, dormem pendurados em qualquer lado! - afirma outra menina 

- Pois, também acho. - concordam todos 

- Será que eles têm cobertores? - pergunta uma menina 

- Claro que não. Se dormem pendurados, onde é que vão segurar os cobertores, e os lençóis? - responde um menino 

- Pois, é verdade! - concorda a menina 

  Espreitam pela janela, e veem as sombras dos morcegos muito pequeninos, pendurados. 

- Olhem, estão ali… - repara uma menina 

- A dormir cá fora? - pergunta um menino 

- Devem estar com frio. - diz outra menina 

- Não. Eles já são frios quando dormem. - afirma outro menino 

- Parecem folhas! - comenta uma menina a rir 

- Pois é. - dizem todos a rir 

    Chega o Avô e comenta: 

- Então, o que estão para aí a dizer? 

- Avô, olha os morcegos ali. - diz uma menina 

- Estão cá fora! - exclama outra menina 

- Sim, e depois? - pergunta o Avô

- Eles devem estar congelados! - comenta outra menina 

- Parecem folhas...(todos riem) 

- Querem ir vê-los mais perto? - desafia o Avô 

- Está bem. - concordam todos 

- Eles não vão acordar? - pergunta outro menino 

- Não. - garante o avô 

    O Avô vai com eles a uma das árvores onde estão três morcegos muito próximos, a dormir, de cabeça para baixo, as asinhas fechadas sobre si mesmos, pendurados num raminho fininho. 

- Olhem eles aqui! - diz o Avô 

- Áhhhh…- exclamam as crianças

- São mesmo pequeninos! - repara uma menina 

- Pois são. Olhem as asinhas deles...fechadas para dormirem e para não aquecerem, porque eles são de sangue frio, e só assim é que conseguem dormir. E para não verem a luz do sol. - explica o Avô  

- Podemos tocar-lhes? - pede uma menina 

- Sim. Com carinho e sem medo - diz o Avô 

    Cada menina e cada menino faz festinhas nos morceguinhos, primeiro com medo de tocar, depois, como os morcegos não reagiam, tocaram à vontade. Adoraram a experiência, soltaram risinhos e exclamações.  

- Áhhh! Que giro, são fofinhos. - comentam 

- São! E sabem uma coisa engraçada? Quando se magoam numa asa, ela cura-se sozinha. - conta o Avô 

- A sério? - perguntam todos surpresos 

- Sim! - garante o Avô 

- Já viste algum assim, Avô? 

- Aqui vejo todos os dias. E vi, quando andei na tropa, mas os morcegos eram gigantes. 

- Gigantes? - perguntam todos 

- Sim. 

- Não tinhas medo deles? - pergunta uma menina, surpresa 

- Não! - garante o Avô 

- E eles não vos faziam mal? - pergunta um menino 

- Não, nós não éramos refeição para eles. - diz o Avô a rir 

- Eles também dormiam assim, pendurados? - pergunta outra menina 

- Dormiam! - responde o Avô 

- Nas árvores? - pergunta um menino 

- Sim, e noutros sítios, como aqui. - responde o Avô 

- Deviam ser pesados! - comenta outra menina pensativa a imaginar 

- Eu peguei num ao colo, era pesadinho, sim. - conta o Avô  

- Pegaste num ao colo? - perguntam em coro surpresos 

- Ele não te mordeu? - pergunta outro menino 

- Claro que não...ele estava a dormir! Eles é que têm medo de nós. - diz o Avô 

- Têm? - perguntam todos surpresos 

- Pois. - diz o Avô 

- Porquê? - perguntam todos 

- Não sei. Talvez...porque saibam que podemos fazer-lhes mal. Acham que somos uma ameaça para eles. Nunca lidaram connosco, como os cães, os gatos, e outros animais. Convivem connosco na paz, partilham o mesmo espaço que nós, mas não há qualquer perigo! - explica o Avô

- Nunca pensei! - comenta uma menina 

- Nós é que temos medo deles. - diz um menino 

- Não há razões para ter medo destes bichinhos. - garante o Avô 

    Todos riem. 

- E a toca deles, tem mobílias? - pergunta um menino 

    O Avô dá uma sonora gargalhada

- Óh filho, achas que sim? Para que querem mobílias, se eles dormem pendurados em qualquer sítio? 

- E quando está frio? - pergunta outra menina 

- Eles caçam na mesma, e depois metem-se...talvez...numa toca! - explica o Avô 

- Acho que está aqui uma toca! - repara uma menina 

- É. Parece! Ora espreita… - sugere o Avô 

    A menina espreita para metade de um tronco com uma grande abertura e por dentro, parece ter escadinhas. 

- É aqui, Avô, olha quantos estão a dormir pendurados aqui, nas escadinhas do tronco. 

    Todos espreitam. 

- Realmente, não tem mobília nenhuma! - comenta um menino 

- Claro que não. - diz o Avô a rir 

- Estes também estão a dormir, com as asinhas fechadas sobre eles mesmos, para se aquecer, talvez. - comenta outra menina 

- Onde é que eles guardam o que caçam, se não tem frigorífico? - pergunta um menino 

- Eles não precisam de frigorífico para guardar o que caçam. Comem tudo na hora, quando têm fome, voltam a sair. Já comem quantidade suficiente para aguentar o dormir de dia. - explica o Avô 

- Está ali outro, Avô! Debaixo do telhado da casota do cão. - repara outra menina

- Está sim, sra. Deve ser por isso que o cão ladra tanto. 

- Será que ele não tem medo do cão? 

    O Avô ri: 

- Claro que não tem medo do cão. O cão não lhe chega, nem tem medo dele, ladra só para o cumprimentar.  Olhem quantos estão ali, no fio onde antes se punha a roupa a secar! 

- Áh! Que giro. - comentam em coro 

- E onde é que eles têm casa de banho? - pergunta uma menina 

- Fazem em voo. Achas que estão preocupados como nós? Não precisam de casa de banho, nem de mobílias. - responde o Avô a rir 

- Eu pensei que a toca dos morcegos também era uma casa como a nossa! - comenta uma menina 

    Todos riem 

- Eu também. - diz outra menina 

- Não, já têm tudo o que precisam. Dormem onde possam ficar de cabeça para baixo, e à sombra, à fresca, o resto não precisam de mais nada. Só precisam de comida. - comenta o Avô 

- Uau! - suspiram todos 

- E como é que eles veem a comida? À noite, têm lanternas? - pergunta outra menina 

O Avô dá uma gargalhada

- Claro que não têm lanternas, mas têm detetores, uma espécie de radares, nos bigodes e os olhos é como se fossem infra vermelhos que lhes indicam onde estão os petiscos. 

- Que giro! - exclamam todos 

Vamos dar por aí uma volta, a ver se encontramos mais. - convida o Avô 

- Ali, Avô, debaixo daquele telhado onde se guardam as espigas. 

- Isso mesmo, no espigueiro. Olha como eles dormem ali. À sombra, sossegados, de cabeça para baixo até à noite. - responde o Avô

- E caçam a noite toda? - pergunta outro menino 

- Talvez! Deve ser também por isso que dormem o dia todo. Também não gostam de muita luz. A luz do dia não os deixa ver a comida. - responde o Avô

    Continuam à procura de morcegos, e reparam em muitos morcegos pendurados nos sítios mais estranhos, conversam e riem, ficam encantados com o que veem. 

- Eu gostava de ser morcego, nem que fosse só uma noite! - diz um menino 

- Que nojo! Ias comer insetos...! - comenta uma menina 

- Para que queria ser morcego? - pergunta outro menino 

- Só para ver como é que eles ficam à noite, como é que eles veem a comida à noite, como é que veem as cidades e as aldeias, os campos. - imagina o menino 

- Devia ser giro! - diz outra menina a rir 

- Eu não queria ser morcego! - comenta outro menino 

- Porque não? 

- Não gosto de dormir pendurado...quer dizer, acho que não ia gostar. 

- Se fosses mesmo morcego, ias gostar, porque era assim que dormias, e que dormem todos os morcegos. - diz uma menina 

- Pois. - dizem todos 

- Eles são muito leves e livres! - diz uma menina 

- Acho que também gostava de ser morcego uma noite, e dormia numa gruta cheia de cristais. - diz outra menina 

    Todos riem

- Isso também gostava, e com água! - acrescenta outra menina 

    À noite, espreitam pela janela, e veem dezenas de morcegos a esvoaçar numa correria de um lado para o outro. 

    Agora já não sentem medo, e riem às gargalhadas a ver a agitação, com voos cruzados, a subir e a descer, outros a pousar nas tocas, depois de um bom bocado a caçar. 

    Assim, perderam o medo dos morcegos, e todos os dias, apreciavam-nos da janela, riam, imaginavam histórias com morcegos, viam-nos de dia, faziam-lhes festinhas. 

    E vocês? 

Gostavam de ser morcegos por uma noite? 

Como seria? 

O que veriam?  

Onde dormiriam? 

Como imaginam as tocas dos morcegos? 

Já viram morcegos ao vivo? Como eram? 

                                                    FIM 

                                                 Lara Rocha 

                                             6/Outubro/2024 



quinta-feira, 3 de outubro de 2024

O esquilo bondoso



    Era uma vez um esquilo que não parava um segundo!   Enquanto estava de olhos abertos, tinha sempre o que fazer, parecia ligado à tomada. 

   Corria de um lado para o outro, pedia aos trabalhadores no campo, que lhe emprestassem cestas, baldes, bacias, e desaparecia na floresta. 

    Os trabalhadores emprestavam-lhe, não sabiam para que era, mas achavam engraçada e misteriosa aquela correria toda. 

    Apanhava uma série de bolotas, pinhas, castanhas, folhas de Outono, enchia tudo o que podia, ficava com uma boa quantidade para si, para poder comer no Inverno, no conforto da sua casinha de árvore, e partilhar se precisasse. 

    Armazenava, mas distribuía por quem mais gostava, dizia que não podia perder tempo e tinha muito que fazer. 

    O que iria fazer um esquilo, com aquilo tudo? - perguntavam os trabalhadores 

    O esquilo fazia embrulhos de bolotas nas folhas que caiam das árvores, de várias cores, e oferecia aos outros esquilos, aos porcos que também comiam bolotas. 

    Deixava à porta dos trabalhadores tudo o que lhe emprestavam, com pequenos mimos, embrulhados nas folhas: pinhas que pintava com muitas cores diferentes, as cores do Outono.  

    Outras mais brilhantes, uvas com um tamanho grande, e um sabor delicioso, que eles desconheciam, maçãs grandes, bonitas e doces, castanhas grandes.

    Os trabalhadores ficavam muito surpresos, e numa tarde em que o esquilo passou a correr, perguntaram:

- Ei...obrigado por teres devolvido o nosso material! 

- De nada! Obrigado eu - diz o esquilo a sorrir 

- Onde vais a correr tanto? 

- Podemos ajudar? 

- Fica aqui um bocadinho connosco! 

- Ahhh...está bem! - diz o esquilo, um pouco cansado

- Mas, porque o trouxeste com isto tudo? - pergunta uma senhora 

- Para vos agradecer, e lembrar que é Outono! 

- Mas que coisas tão bonitas! - diz uma senhora 

- E são deliciosas! - diz outro senhor 

- Onde foste buscá-las? - pergunta outras senhora  

- Fui...por aí! O que interessa é que tenham gostado! - responde o esquilo 

- Claro que sim! - respondem todos 

- Mas gostávamos de saber onde é, para irmos apanhar também. - comenta outra senhora 

- Aaaaahhhh... eu trago-vos! 

- Mas que querido! - comenta uma senhora a sorrir 

- Que esquilo tão generoso! - diz uma menina 

- Também dou a quem precisa mais, sim. - confirma o esquilo 

- Então, estás convidado para a nossa festa. 

- Está bem! Obrigado. Quando é? E onde? 

    Os trabalhadores explicam tudo, contam a tradição, e o motivo da festa. O esquilo não fazia ideia, mas adorou ouvir tudo sobre a famosa tradição no Outono. 

    Depois de muita conversa: 

- Muito obrigado. Adorei saber tudo o que me contaram. Cá estarei. Se precisarem de alguma coisa de mim, eu ando sempre por aí.

- E andas sempre a correr? 

- Bem...quase sempre! Não posso perder muito tempo. Tenho muita coisa para fazer. Não sei andar de outra maneira - diz o esquilo 

- Mas também precisas de descansar! 

    Todos riem. 

- Sim, também descanso! Então...até já.

- Até já. - dizem todos 

    Lá vai o esquilo, e a festa começa a ser preparada. Sem que estivessem a contar, no dia da festa, de manhã bem cedo, o esquilo estava no largo, verdejante, a fazer a decoração das mesas, com coisas que tinha feito, parecido com os presentes que ofereceu aos trabalhadores.

    Cheio de energia, feliz, pinhas aqui, pinhas ali, pintadas de diferentes cores, castanhas espalhadas, uvas em cima de folhas de árvores, nozes ao natural, outras pintadas na casca de fora, lindas! Velas em cascas de nozes, e outros objetos decorativos que o esquilo tinha criado. 

    Quando os trabalhadores viram, nem queriam acreditar. 

- Ááhhhhh... que coisa mais linda! - suspiram 

- Obrigado! - diz o esquilo a sorrir 

- Mas não precisavas de ter este trabalho todo! 

- Fiz com todo o gosto, não foi trabalho nenhum. Trabalho têm vocês, a preparar as refeições e petiscos todos! 

- Sim, mas também fazemos com gosto. 

- Acredito! Estou curioso para provar - diz o esquilo

- Já está quase tudo pronto, daqui a bocadinho começamos a trazer. 

- Querem ajuda? 

- Não, obrigado! Já fizeste tanto. 

- Está bem. 

    Os trabalhadores estão maravilhados, e como o esquilo não consegue estar quieto, vai ajudar. Todos riem com a energia dele. 

    Depois de tudo pronto, começa a festa. Vestidos a rigor, muita música, muita animação, muita dança, muitos abraços, cantares, fotografias, petiscos, brincadeiras, jogos, o esquilo come de tudo, adora tudo, até não poder mais, como os trabalhadores. 

    Há momentos de contemplação da Natureza em silêncio, e agradecimento de cada um a tudo o que ela dá, tudo o que ela tem de maravilhoso. 

    Escrevem bilhetinhos, e põem aos pés de uma árvore, abraçam a árvore, acariciam-na, encostam-se a ela, dão as mãos à volta da árvore, de olhos fechados, e dizem em coro, em voz alta: «gratidão, Mãe Natureza por tudo o que nos dás!» 

    Largam as mãos, sorriem, aplaudem, e depois a animação continua noite dentro, com o esquilo sempre divertido, a fazer rir toda a gente, muita gargalhada e brincadeiras, a beber e a brindar com sumos de frutas, deliciosos, dançam, batem palmas, e a festa acaba com a chegada do nascer do sol, apreciado por todos. 

    O esquilo e os habitantes estão muito cansados e com sono, e cada um vai para sua casa. Depois de recuperados, ao fim do dia, comem o que sobrou, e ajudam a arrumar as coisas, com o esquilo todo elétrico. 

    O esquilo passa a ser visto como um amigo, um elemento de uma grande família, que visitava praticamente todos os dias, além da dele, mesmo no Inverno, com neve e frio, bem agasalhado, perguntava a todos se precisavam de alguma coisa. 

    Era muito bem recebido nas casas todas, ofereciam-lhe chá e biscoitos deliciosos. E no Natal voltavam a fazer uma grande festa, com a presença do esquilo, e os seus presentes tão lindos para cada um. 

    Estava sempre presente, e até apresentou a sua família, e amigos, aos trabalhadores, que nunca tinham visto tanto esquilo junto, e tão simpáticos como eram. 

    No Inverno ficava mais recolhido, a preparar presentes, mesmo assim, visitava a família e os amigos humanos. 

    Era um esquilinho mesmo bondoso! 

E vocês? 

Se fizessem uma festa no Outono, quem levariam? 

O que poriam nas mesas? 

Que produtos de Outono conhecem? 

Como seria essa festa? 

Podem deixar nos comentários, se quiserem :) 


                                            FIM 

                                      Lara Rocha 

                                       3/10/2024 

terça-feira, 17 de setembro de 2024

A brincadeira da menina Outónia

Foto de Lara Rocha 

Era uma vez uma menina chamada Outónia que todos os anos visita o Planeta Terra, mas este ano está desmotivada e triste, revoltada, porque de ano para ano, deixam de reparar na sua chegada. 

Ela gosta de ser o centro das atenções, adora oferecer coisas bonitas, mas se não reparamos nesses presentes, fica triste. Nos últimos anos, a Outónia percebeu uma grande mudança na forma como os habitantes lidam com ela. 

A pobre menina tem-se sentido invisível, reparou que muitos dos habitantes vão a olhar para os telemóveis, completamente absorvidos naqueles minúsculos aparelhos, pela rua e em todo o lado. 

Passa por todos, e ninguém a vê, nem um sorriso, nem para uma árvore ou uma simples folha olham, ou um passarinho pequenino. A menina Verona que estava quase de saída da sua estadia em Portugal, vê a Outónia a espreitar à janela numa nuvem, triste, a olhar para Portugal. 

- Olá Outónia! - diz a Verona 

- Olá! - responde a Outónia 

- Como estão a correr as tuas férias? - pergunta Verona 

- Bem, e as tuas? - pergunta Outónia 

- Também! Já estou quase de regresso a outro lugar. 

- Eu não vou para aí este ano. 

- Não vens? Como não vens? 

- Não! Podes ficar aí mais tempo, ou a Invernia já pode vir também. 

- Mas...o tempo dela ainda não chegou! Não podemos passar umas por cima das outras, chegamos para tudo. E somos amigas, vimos para aqui no tempo que temos de vir. Eu ainda tenho mais lugares para onde ir! Tenho sempre alguém que me substitua, e és tu, Outonia! A mãe, quer assim. 

- Eu sei, mas arranjem outra! A Primavera ou inventem outra! - diz a Outonia desanimada 

- Não me parece que isso possa acontecer, ou que alguma vez vá acontecer! 

- Azar o deles. Também, não fará diferença para esses aí. 

- Quem? 

- Os que vivem aí em baixo.

- Porque não? Claro que faz diferença. Eles precisam de nós as quatro, todos os anos. 

- Isso era antes! Agora só querem aquelas coisas nas mãos, só olham para aquilo e nós não existimos. 

- Isso é verdade, e é triste, mas não é caso para não vires, porque ainda há quem repare em nós. Ainda vejo gente a passar sem essas coisas nas mãos, e a olhar para as árvores, para as folhas, a sorrir por sentirem o vento, crianças divertidas a pisar folhas que caem...- relembra a Verona 

- A sério? 

- Sim. Estás triste, já percebi! - diz Verona 

- Eu cansei de ser ignorada! Se não for, não faço diferença. 

- Óh! Não digas uma coisa dessas, vens e logo vês! Há sempre alguém que repara em nós. Tu é que só estás a ver e a pensar em quem não repara...para quê? Para ficares triste. Mas quem repara, fica feliz de nos ver. 

- Achas? 

- Tenho a certeza! Anima-te. Está quase a chegar o teu dia. 

Chegou o dia em que a Verona saiu de Portugal, e a Outónia chegou. Como estava triste, trouxe muitas nuvens carregadas e frio. Ouviu muitas reclamações, de gente que passou cheia de pressa, passeou vagarosamente. 

E quando viu todos a olhar para os ecrãs, dá um grande espirro, que faz cair gotas de chuva e abana as árvores de onde caem milhares de folhas em cima das cabeças, em cima dos telemóveis, da roupa, dos pés, das pessoas que passavam. 

Sacudiram as folhas e continuaram, muito irritadas. 

- Nem assim...- murmura a Outónia, zangada 

Foi para os sítios que a amiga Verona indicou, onde reparavam nelas. As aldeias dos arredores da cidade. Levou um vestido brilhante, de sol, parecia de ouro, com as cores das folhas no Outono, e desfilou pelos campos. 

Os girassóis, as espigas de milho, as uvas, as castanhas que espreitavam dentro dos ouriços, as nozes, reconheceram-na. Abriram um grande sorriso, suspiraram de encanto e gritam em coro: 

- Olá Outónia.

- Olá! - responde a Outónia a sorrir 

- Muito bem vinda! - diz um girassol 

- Que bonita que estás! - diz uma castanhinha 

- Obrigada! - diz a Outónia a sorrir 

A Outónia não cabe nela de felicidade. 

- Obrigada por estares de volta! - diz uma videira

- Uau! Sempre bonita. Fizeste boa viagem? - elogia uma espiga 

- Sim, obrigada. Ainda pensei não vir, mas depois a Verona convenceu-me. 

- Ora...porque não vinhas? - pergunta uma folha de videira 

- Não podias faltar, nem pensar! Fazes muita falta. - diz uma uva

- Claro! - dizem todos 

- Obrigada, por repararem em mim. 

De repente, os donos da casa vão para o campo, olham em volta e reparam que tudo está muito mais bonito, muito maior, brilhante, luminoso, com cores vivas e uma brisa suave. 

- Áh! Que maravilha. - suspira um Sr. já com alguma idade 

- Ela chegou! - diz a esposa a sorrir 

- Quem? - perguntam os adultos

- A Outónia. - respondem todos os mais velhos 

- Quem é essa? - perguntam surpresos 

- Então? Que dia é hoje? Não é hoje que começa o Outono? Ai essas cabeças. Não admira, só veem telemóveis à frente - resmunga outra senhora 

A menina Outónia dá uma gargalhada, com vontade, e aplaude. Os adultos ficam um pouco envergonhados. 

- Muito boa! Afinal não sou só eu que reparo e resmungo - diz a Outónia a rir 

Os rapazes e meninas mais novas, filhos dos adultos, estão completamente absorvidos com os telemóveis, nem reparam, nem estão atentos à conversa dos adultos. 

Chegam ao campo, os mais novos sentam-se debaixo de uma grande árvore, um castanheiro, com os telemóveis ligados, sem falarem sequer uns com os outros, enquanto os pais e os avós trabalham na apanha de fruta (uvas, castanhas, espigas, nozes), conversam e riem entre eles, encantados com as surpresas da Outónia. 

A Outónia fica irritada com o que vê, crianças que em vez de estarem a correr pelos campos e a ajudar os adultos, a apreciar as coisas bonitas, estão debaixo de uma árvore a olhar para ecrãs pequenos, sem conversar. 

- Meninos, larguem essa coisa, e venham mas é para aqui! - grita o Avô zangado 

Foi como se o Avô não tivesse falado. Os dois Avôs aproximam-se, zangados: 

- Não ouviram o que o Avô disse? - grita um dos Avós 

- Larguem isso! - grita o outro Avô 

Não respondem, nem olham para os Avós. A Outónia, muito irritada, dá uma ajuda: gira, gira, gira e volta a girar sobre si mesma, depressa, a soprar, e faz levantar uma montanha de folhas do chão para cima das crianças da cabeça até aos pés. 

Elas gritam, o vento é tão forte que lhes tira os telemóveis das mãos, e atira folhas de várias cores brilhantes, para a cara delas, faz cair ouriços no chão, aos pés deles. 

As crianças gritam assustadas, mas ficam encantadas com as folhas. Os Avós riem e agradecem à Outónia: 

- Muito bem, Outónia. 

- Era o que nós íamos fazer! 

- Muito obrigado! 

Os pais das crianças ficam muito surpresos e envergonhados. 

- É, meninos, venham para aqui. - diz a mãe 

- Larguem isso e venham brincar com a Natureza! - diz o pai 

- Pois claro! - murmura e aplaude a Outónia a rir 

- Agora estais a falar? - pergunta um Avô 

- Nem deviam trazer isto para aqui. - diz o outro Avô 

- Também acho - diz a Outónia a rir 

- Na vossa infância, não tinham nada disto, e eram mais saudáveis, mais felizes. - lembra uma Avó 

- Mesmo! Até eu era mais feliz - ri a Outónia 

- Já para ali. - grita um Avô 

- Excelente! - diz a Outónia 

- O que vamos fazer com isto? - pergunta uma criança 

- Óh valha-nos...nem têm imaginação para inventar brincadeiras com folhas. - comenta um Avô 

- Nós sabíamos bem o que fazer com elas! - comenta o outro Avô 

- Brinquem com as folhas, criaturas! - grita o outro Avô 

- Inventem. 

- Não sabemos como brincar com isto! - diz uma menina 

- Santa Ignorância! - comenta a outra Avó 

- Vão ver aos telemóveis. - diz outra senhora que está a ajudar, a rir-se 

Todos dão uma gargalhada. 

- Como brincamos com elas, pai? - pergunta outra 

- Não acredito que estão a perguntar isso! - diz a Outónia, surpresa 

- Então...puxem pela imaginação, elas estão em cima de vocês, aos vossos pés, inventem! 

- Também acho! - diz a Outónia 

- Na nossa geração, sabíamos bem como brincar com elas. 

- Confirmo! - diz a Outónia 

- Tendes aí castanhas, para apanhar, e tirar os ouriços. - diz outra mãe 

- Como se faz isso? - pergunta outra criança 

Os adultos nem querem acreditar. Os mais velhos ensinam os mais novos, a brincar com as folhas, dão ideias, brincam com eles, ensinam as crianças e apreciam com elas a beleza de cada folha. 

Ensinam como se tiram as castanhas dos ouriços, mostram a beleza das uvas, das maçãs, das espigas, provam-nas, ajudam a apanhar os frutos, as nozes, e as castanhas. 

Num instante, as crianças divertem-se e inventam novas brincadeiras. A Outónia aprecia, deliciada e sorridente, orgulhosa, vaidosa, ri às gargalhadas com o vento. 

A Outónia ri às gargalhadas com o vento, não se lembraram mais, nem procuraram mais os telemóveis. Viram passarinhos que andavam por lá desde sempre, mas só nesse dia os viram, e ouviram o seu canto, porque nos outros dias estavam a olhar para o telemóvel. 

Fizeram carinhos nas penas, viram os girassóis nesse dia e nunca tinham visto, viram as lindas uvas e folhas que nunca tinham visto. Saborearam, sentiram o sabor das maçãs, das uvas, o vento na cara e no cabelo a fazer-lhes mimos, sentiram as castanhas, nozes, abriram ouriços, coisas que nunca pensaram ver, nem fazer, deram água e alimento aos animais da quinta. 

Os adultos perceberam como eles estavam felizes,  e que tudo era muito mais saudável do que os jogos eletrónicos e os telemóveis, naquelas idades. 

Nos dias seguintes, as crianças não quiseram saber dos jogos eletrónicos, divertiram-se como nunca, e ajudaram os adultos. A Verona tinha razão! 

Em cada aldeia por onde a Outónia passou, era valorizada e apreciada, reparavam na sua chegada e ganhavam saúde, estavam sempre à espera dela para fazer festas, brincadeiras, apreciar tudo o que ela lhes dava, todas as surpresas. 

Faziam danças, desenhavam, fotografavam, cantavam, aprenderam a fazer pão de milho, centeio, a apanhar cereais, comeram pipocas, desfolharam espigas, brincaram com elas, fizeram bolos com os produtos do Outono, e perceberam que tudo o que está fora dos telemóveis vale a pena ver, apreciar, contemplar, tocar, provar, cheirar, brincar, sentir, aprender coisas novas, e ser feliz. 

A Outónia ficou tão feliz que retribuiu e encheu os habitantes de mimos. 

                                                       FIM 

                                                   Lara Rocha

                                                11/Setembro/2024  

E vocês? 

O que fazem no Outono? 

Já experimentaram estas coisas tão deliciosas que a Outónia oferece? 

Já viram a Outónia a chegar? 

Como a imaginam se ela fosse uma menina? 

Podem desenhá-la, ou escrever nos comentários. 

Estejam atentos...ela está a chegar, quero ver quem a vai apreciar, e recebê-la com carinho.  





domingo, 1 de setembro de 2024

Somos fortes




 Somos fortes ou fazemo-nos de fortes? 

Umas vezes somos, 

outras vezes fingimos que somos. 

Mas o fingir não dura para sempre. 

Um dia, 

queremos fingir que somos fortes, 

mas todo o nosso corpo 

e principalmente as nossas lágrimas traem-nos. 

Tiram-nos a máscara de fortes! 

Não quer dizer que somos fracos, 

afinal apenas significa que…

um dia cansamos de fingir que somos fortes. 

Um dia as máscaras caem e ficamos despidos, 

porque um dia cansamos de fingir que somos fortes, 

o fingimento não dura para sempre 

e o que se encontra por trás das máscaras de fortes 

também não fica lá para sempre. 

Somos humanos, 

não somos fantoches, 

não temos máscaras…

as máscaras 

mais cedo ou mais tarde derretem…

e tudo se revela. 

Umas vezes somos realmente fortes, 

sem máscaras, 

outras vezes fingimos que somos fortes. 

Até que a máscara cai e não conseguimos mais. 

Nem fingimos mais que somos fortes. 

A força não se vê na máscara. 

Vê-se nos momentos 

em que ela se revela por trás da máscara, 

e nesse momento, 

não há fingimento que nos valha! 

Tudo passa a ser real, seja o que for. 

Podemos conseguir fingir…

até que os olhos perdem a força. 

Sim, 

eles também cansam, 

nós podemos fingir, 

mas os olhos não. 

                                        Fim 

                                   Lara Rocha 

                                  27/Abril/2014