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domingo, 1 de setembro de 2024

Somos fortes




 Somos fortes ou fazemo-nos de fortes? 

Umas vezes somos, 

outras vezes fingimos que somos. 

Mas o fingir não dura para sempre. 

Um dia, 

queremos fingir que somos fortes, 

mas todo o nosso corpo 

e principalmente as nossas lágrimas traem-nos. 

Tiram-nos a máscara de fortes! 

Não quer dizer que somos fracos, 

afinal apenas significa que…

um dia cansamos de fingir que somos fortes. 

Um dia as máscaras caem e ficamos despidos, 

porque um dia cansamos de fingir que somos fortes, 

o fingimento não dura para sempre 

e o que se encontra por trás das máscaras de fortes 

também não fica lá para sempre. 

Somos humanos, 

não somos fantoches, 

não temos máscaras…

as máscaras 

mais cedo ou mais tarde derretem…

e tudo se revela. 

Umas vezes somos realmente fortes, 

sem máscaras, 

outras vezes fingimos que somos fortes. 

Até que a máscara cai e não conseguimos mais. 

Nem fingimos mais que somos fortes. 

A força não se vê na máscara. 

Vê-se nos momentos 

em que ela se revela por trás da máscara, 

e nesse momento, 

não há fingimento que nos valha! 

Tudo passa a ser real, seja o que for. 

Podemos conseguir fingir…

até que os olhos perdem a força. 

Sim, 

eles também cansam, 

nós podemos fingir, 

mas os olhos não. 

                                        Fim 

                                   Lara Rocha 

                                  27/Abril/2014 

segunda-feira, 28 de agosto de 2023



Fui nos braços da Lua
Ao colo dela,
Linda, 
Redonda de felicidade, 
Brilhante. 
Para o mundo 
Onde vive a inocência...

Onde passeamos todos juntos, 
De mãos dadas pela paz.
Onde brincamos sem maldade
Onde partilhamos 
Onde somos autênticos e felizes. 

Onde não há guerra,
Nem dor 
Nem raça 
Só amor! 

Onde tudo é perfeito. 
Onde há cor 
Onde todos os sonhos são possíveis 
Onde não se fecham portas. 

Onde a música nunca para 
Onde o sol brilha, 
Onde não há noite,
Só estrelas que brilham de dia, 
Nem limites, 
Nem fronteiras. 
LÁ…
No mundo da fantasia 
LÁ…
No cantinho secreto, 
Onde não há tempo...
Onde vive
A eterna e bela infância

Lara Rocha 
5/Dezembro/2014

domingo, 9 de maio de 2021

pecados

foto tirada por Lara Rocha 


   Pecado...Dizem que é pecado escolheres amar alguém do mesmo sexo.  

Porquê? Como pode ser pecado, amar? Pecado...É ter de esconder o amor, só porque amas alguém do mesmo sexo. 

Pecado...amar...? Se o amor tem tantas formas. Pecado, é perseguirem-te pelas tuas escolhas, simplesmente por amares, como se o amor tivesse sexo. 

Pecado é seguires as regras da sociedade sem fazerem sentido para ti, é fazeres coisas, só porque a sociedade também faz, diz ou pensa...Pecado é sentires-te inferior, ou não gostares de ti como és, só porque alguém não gostou, ou só porque a sociedade acha que...Pecado é mudares só para agradar ao outro, pecado é sofreres, a fazer coisas que te obrigam a fazer, só para ficares bem visto ou seres aceite no grupo. 

Pecado é teres de esconder as tuas verdadeiras emoções, quando elas se manifestam, só porque os outros vão dizer...Fazer, ou pensar...Pecado é fechares-te só porque tens medo, pecado é ficares com alguém que não te preenche, só porque os outros já encontraram a sua cara metade, só porque dizem que és encalhada, ou que vais ficar para tia...

Que sentido é que isso faz, se na verdade tu não estás preocupado/a com isso? Para quê ter alguém só porque sim? Só porque dizem, só porque comentam...Só porque fazem. São felizes? 

Se tu és feliz assim, para que vais ser infeliz, só porque os outros…? Isso é pecado!  Pecado é a Guerra, mostrar a guerra, matar, principalmente crianças, explora-las, maltratarem-nas, abandonarem-nas, ou violarem-nas. 

Pecado é querer enriquecer a custa da exploração do desgraçado que trabalha para ele e para a família, sendo tratado como ratazana do esgoto ou objeto. 

Pecado é usar o ser humano e violar os seus direitos, a sua liberdade de escolher! Pecado...É julgarem-te por seres diferente. Pecado...É ignorarem-te, quando mais precisas, deixarem-te pendurada num encontro, e nem sequer atender o telefone ou não dar satisfações, fazer de conta que não combinaram nada, e no dia seguinte está tudo bem. 

Pecado...É gozarem das tuas dificuldades, eles não as têm? Pecado...É fazerem de conta que não existes. Pecado...É desvalorizarem-te! 

Pecado é usarem-te. Pecado é roubar. Pecado é prometer e fazer-te feliz com palavras bonitas, e depois tudo desaparece, quando já conseguiram o que queriam de ti, pecado é aproveitar-se da bondade de alguém. 

Pecado é magoar, humilhar, ofender. Pecado é ficar apenas por palavras! Pecado...Deixa o pecado! O pecado não é teu...Tu não és pecado! Tu não pecas, Tu és tu, e só pecas se deixares de ser tu, só a pensar nos outros. 

Pecado é tudo o que não és. Pecado é prenderes o amor dentro de ti, só porque alguém o recusou. Lembra-te, há mais alguém, além desse que não te viu. Pecado é viveres na sombra. 

Não faltam pecados, mas tu, és tu, e és diferente. Isso não é pecado! Sê tu própria, esquece os outros...que várias vezes também te esquecem! Esquece o que os outros dizem, pensam ou acham...Esquece esse assunto de ter de...Fazer como os outros, ser como os outros, esquece o não poder fazer ou dizer, porque os outros...Faz o que faz sentido para ti, e deixa os outros. Mostra a tua verdadeira essência, se  os outros não gostam, não gostam, problema deles...Não deixes que os outros te apaguem aquilo que és, como és, e o que dás. Pecado é não seres quem és! 

                                                                    FIM 
                                                                    Lara Rocha 
                                                                    9/Maio/2021
 
  
 

sábado, 8 de maio de 2021

Terra!

 

Desenhado por Lara Rocha 


Porquê? 

Porquê tanta gente sem vida, ou vivas mas vazias? Porquê? Tanta gente violenta, com sede de vingança, porquê? Tanta cabeça perdida? Porquê tanta gente louca a fundir-se na terra, em lágrimas, em desespero? Porquê tanta gente em destruição, que vive entre gritos, os delas e os dos outros contra elas? Porquê tanta gente a suicidar-se? 

Tantos porquês, que pensamos...tantos porquês que ficam sem resposta, apenas com a certeza...o mundo está doente! Tempestades absurdas nunca antes vistas, intempéries nunca antes sentidas, sismos e tsunamis que parecem descarregar toda a raiva que o ser humano exala a toda a hora, contra a terra, contra si, contra todos. 

A raiva do ser humano que passa para a terra, e esta devolve, em forma de fenómenos atmosféricos perfeitamente escandalosos, que apenas faziam parte do nosso pior imaginário, dos nossos pesadelos, mas estão a materializar-se. 

Que medo! Sim, muito! Isto é para acordar! Acordemos enquanto é tempo, se é que ainda o temos, porque ele voa. Tudo isto é para nos sacudir as consciências, para termos consciência do que andamos a fazer, a comportarmo-nos com a terra. 

Devíamos amar a Terra, como amamos as nossas mães, avós, filhas, irmãs, é dela que viemos, é nela que vivemos desde que nascemos, é dela que vivemos.

Cuidemos dela, amemo-la, protejamo-la, ou então, ela vai ensinar-nos a amá-la, e já não iremos aprender, já será tarde demais, ela já nos terá ensinado. Continua a ensinar, fá-lo todos os dias, mas os seus filhos, todos nós, continuamos a não ouvir, a não querer aprender a ler as mensagens que ela nos manda todos os dias. 

Ignorámo-la, e ela vai aprendendo a fazer o mesmo connosco. E não pensemos que as tempestades só acontecem fora, aqui no nosso cantinho sagrado não acontece nada! 

Pois, mas os glaciares derretem a olhos vistos, os fenómenos naturais visitam-nos, nada está como antes! Nada será igual àquela terra onde já vivemos. Não é só lá fora que as desgraças acontecem, e que a terra dá lições, aqui, a nós, também dá e dará, mais cedo ou mais tarde. 

Aliás, já estão a acontecer, nós é que com o corre corre, a ambição da produção, da riqueza, do dinheiro, da produção, esquecemos o resto, o principal. A nossa casa de origem! A nossa mãe de origem! 

Somos todos responsáveis, vejamos bem o que estamos a fazer. Por causa do homem selvático, louco, assassino da Natureza, que a destrói, de todas as maneiras que pode, polui com tudo o que inventa, só a pensar em si, no seu viver bem, talvez aí esteja a explicação de tudo! Pobre terra. Doente e cheia de doentes! 

                                        Lara Rocha 

                                        8/Maio/2021 

domingo, 21 de fevereiro de 2021

monólogo reflexão sobre a sexualidade


 Reflexão sobre sexualidade


O ser humano é um corpo, tem um corpo, mas é muito mais do que isso, é um todo, construído desde a conceção, influenciado pela genética, ambiente, relação de vinculação, estímulos internos e externos.

Possui um espírito, uma mente, uma alma, uma personalidade e uma sexualidade, seja ela qual for. É uma energia que faz parte de nós, desenvolve-se e adapta-se, manifesta-se com recurso ao corpo.

O corpo mantém-nos em contacto com o outro, aproxima e afasta, embora todos tenhamos o desejo e a necessidade de ternura, de amor nas suas diferentes formas. Homem e mulher, são diferentes nos carateres que definem o seu género biologicamente determinado no que se refere a anatomia, fisiologia e emocionalidade.

Apesar das diferenças, os dois géneros complementam-se, e partilham em comum o aspeto social, a necessidade de partilhar experiências, afetos, sentimentos, ternuras, carinhos, gestos de amor e contacto íntimo com alguém.

A sexualidade humana, abarca várias dimensões: biológica, psicológica, social e moral. A dimensão biológica (as diferenças físicas; mecanismos de reprodução, as alterações físicas que o corpo vai conhecendo).

A dimensão psicológica composta por emoções e sentimentos que vão mudando ao longo do desenvolvimento, logo, opiniões relativas à própria imagem (maior ou menor apreciação e valorização do corpo).

A dimensão social, que se reflete nos contactos sociais, nas relações bem e, ou mal sucedidas, os comportamentos esperados pela sociedade e atribuídos por esta a cada género.

Não menos importante é a vertente espiritual que de certa forma, molda a forma como cada um de nós vai assumir os seus compromissos, e as consequências que advirão das suas escolhas feitas livremente, o valor que dará a rituais religiosos, de união, ou a interpretação que fazem do divórcio, do casamento, das uniões, das relações com os outros, com responsabilidade por si e pelos outros.

Somos seres em constante construção, pois confrontamo-nos a todo o momento com um conjunto de escolhas livres para fazermos, decisões para tomarmos e assumirmos a responsabilidade por todas as consequências, às quais respondemos mais ou menos fácil, a par da nossa personalidade e em conjunto com os valores éticos, morais, sociais e culturais que cada família transmite aos seus elementos.

Homens e mulheres têm direito e liberdade de escolha quanto à sua orientação sexual, independentemente do sentido da reprodução, esta deve ser vivida de forma respeitosa, segura, baseada em valores como o dar e receber amor, tendo em conta a dignidade da pessoa.

Este respeito e dignidade, inclui o saber estar na relação com o outro, conhecer-se bem e conhecer o outro através do diálogo assertivo, sincero, aberto, sobre o que cada um gosta, e o que não gosta, encontrando juntos alternativas para que seja do agrado do casal e proporcione, tanto satisfação, realização, como felicidade.

Apesar de sermos livres nas escolhas, é esperado e desejável que não nos esqueçamos de respeitar as escolhas do outro, mesmo que vão contra as nossas, ou que nos desiludam, provoquem dor.

Só assim estaremos a respeitar quer a nossa, quer a dignidade do outro, um fator crucial para a harmonia e felicidade do casal, no sentido de construir um «nós», composto por dois «eus» diferentes, que partilham os mesmos sentimentos, e procuram complementar-se.

Para haver sexualidade tem de haver mútua vontade, mútuo desejo, mútua satisfação. Disponibilidade, por parte dos dois, imaginação, fantasia, cumplicidade, amizade, companheirismo, respeito.

Para haver sexualidade, é essencial a valorização e apreciação do corpo que se tem, sentir prazer na exploração sensorial e emocional, com todos os órgãos dos sentidos disponíveis.

A sexualidade é uma descoberta constante, um conhecimento contínuo (do próprio e do outro), uma (re) descoberta e um (re) apaixonar, brincar, aprender e apoiar. A sexualidade é rir, proteger, chorar, discutir, fazer as pazes, pedir desculpa, dialogar, compreender, e se necessário, deixar estar sossegado/a um pouco.

A sexualidade é também estar em silêncio, no mesmo espaço, lado a lado, a fazer coisas diferentes, e ou estar, simplesmente a contemplar-se, a deixar que os olhos se toquem e conversem entre si, com sorrisos sem sentido, que só os olhos sabem.

A sexualidade está nos momentos em que os corpos relaxam, simplesmente envolvidos nos abraços um do outro, debaixo da manta, no sofá, ou de mãos dadas, ver o outro feliz, com pequenos mimos, abraçar, tocar, beijar, fazer arrepiar, acariciar, segredar, e tudo o que for da vontade conjunta.

Não é sexualidade, as situações em que uma relação é forçada, não é consentida, nem desejada, quando decorre em contexto de violência no qual não existe respeito, nem dignidade.

Não é sexualidade quando a pessoa usa o corpo do outro para satisfação machista, egocêntrica, muito menos quando se expõem momentos íntimos, humilham ou envergonham.

O amor e a sexualidade não são a mesma coisa que posse, nem ciúmes cegos, quando provocam dor, e quando não existe liberdade para cada um ser como é, o que é, consigo, e com os outros.

Lara Rocha

20/Fevereiro/2021

terça-feira, 12 de maio de 2020

UIVO - monólogo reflexão sobre o mundo para adolescentes e adultos

            

            O que está a acontecer connosco? Parece que o gelo dos glaciares derreteu, mas veio parar aos nossos corações. O gelo dos glaciares derretidos,  congelou os nossos corações, gelou os nossos sentimentos. 
              Petrificou os nossos gestos de amor, e carinho para com os outros. Transformamo-nos em pedras. O gelo dos glaciares materializou-nos. 
              Parece que o nosso planeta se transformou num enorme glaciar com pessoas,  feitas de gelo, debaixo da pele... é por isso que eu uivo! 
              Sim, uivo, não são só os lobos que uivam...  Uivo, sim, não são só os lobos que uivam...As pessoas também uivam de medo, raiva e dor, tristeza, indignação pelas crueldades, injustiças, friezas.
          Uivo, pelos pequeninos anjos que perdem a vida, a infância que mal conhecem, a dor dos pais. Uivo pelas lutas desiguais, pelas imagens perturbadoras de fugas impedidas.
          Uivo, pelo desespero de quem procura o sonho de uma vida melhor...Uivo, por quem procura PAZ e só encontra cães famintos por dinheiro, sem mais preocupações que transportam em camiões ou barcos pessoas... Aos milhares como se fossem pedras ou materiais,  só por dinheiro, como quem troca animais em feiras...
           Uivo, de raiva com todas as forças pelo número de desempregados
com família, sem família, sem emprego...Cabeças loucas, seres ocos, vazios, perdidos, em busca de melhor.  
           Qualquer um de nós está melhor do que aqueles que fogem, dos que vivem com medo, dos que lutam, dos que nunca sabem o que vai acontecer daqui a uns segundos...Ninguém sabe! Mas não precisamos de fugir... Para já.
            Uivo, por tantas vidas que se têm perdido, atrás de um sonho, que se afunda e se funde na dor. Sonho idealizado, de uma felicidade utópica, de uma vida melhor...que acaba tão rápido como o sonho que procuram numa fuga.
           Anjos sem rumo, almas sem nome, sem cor, com dor.
Almas que procuram a Luz, almas que só encontram a escuridão!  
Uivo...Com todos os que sofrem, uivo baixinho pelas minhas desilusões, uivo baixinho pelas minhas tristezas, uivo baixinho pelas minhas angústias...Que nada mais são do que simples sons de bocejos. 
      Mas uivo bem alto, e vamos todos uivar a plenos pulmões pelos refugiados, pelas almas desorientadas, pelos que correm atrás de um sonho, de uma vida, e encontram apenas...DOR, VAZIO, MEDO, DESESPERO...
         Vamos dar as mãos, e criar uma corrente de luz, paz e amor...pela PAZ, POR UM MUNDO MELHOR! Uivemos bem baixinho por nós mesmos...Pois...por maiores que sejam as nossas tristezas.  
         Elas são apenas nuvens no espaço quando comparadas com este flagelo, que nos invade todos os dias, com aquelas imagens que horrorizam...que nos gelam! 
Uivemos... 

                                                    Lara Rocha

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

monólogo Mulher deixa-te disso



Mulher...és perfeita! Deixa-te disso.... Disso... dessas coisas que fazes ao teu corpo que já é perfeito na sua imperfeição. Só para que os outros gostem, só para repararem que tens mamas grandes, ou rabo arrebitado e grande. Gosta do teu corpo assim como ele, imperfeito, perfeito! Para quê massacrá-lo com silicone, se és um ser humano e não uma boneca? As bonecas têm o seu corpo, tu tens o teu, em todo o seu esplendor!
Mulher, deixa-te de pensar no que os outros vão pensar. Deixa de pensar se os outros vão gostar de ti. Para de te torturar só porque achas que os outros vão gostar de ti assim, daquela ou de outra maneira, porque alguém que conheces, tem o que tu não tens, e toda a gente gosta. Toda a gente gosta.... Será?
Já pensaste que pode ser só para serem simpáticos e conquistar? Já pensaste alguma vez, que talvez essa mulher que tem o que tu achas que devias ter para gostarem de ti, pode sofrer muito, ou perceber que todos são falsos com ela?
Para quê essa coisa de a outra tem, todos gostam...se, o que ele tiver for de plástico, falso, só para os outros gostarem? Será que essa mulher que achas que é melhor que tu, só porque tem atributos que achas que todos gostam, não sofreu? Será que ela não perdeu a sua identidade? Acredita que sim!
Quando mudas o teu corpo com o qual nasceste, aquele corpo maravilhosamente imperfeito, perfeito, que os teus pais te deram, e o que trabalho que deu fazer-te...o que a tua mãe sofreu para que nascesses...não tiveste trabalho nenhum, deram-te tudo o que tens, o teu pai e a tua mãe, e todos os antepassados, marcaram a sua presença em ti, nesse corpo que tens.
Talvez um dia, ou brevemente sejas mãe. Imagina, teres de passar por tudo o que a tua mãe passou, e o ou a/os teus filhos quererem mudar tudo? Não ficarias triste por isso? Não ficarias magoada? Imagino que sim! As mães sofrem muito, o corpo delas muda completamente para nascermos, e depois de nascermos, e nós vamos dar-lhe como presente a mudança do corpo que ela e o nosso pai fizeram com tanto amor?
Vamos agradecer aos nossos antepassados toda a magia, toda a história, toda a continuidade de geração em geração de muito mais que um mero nome familiar, mudando o nosso corpo, só porque achamos que os outros vão gostar.
Mas, e quem muda coisas no corpo, será que gosta mesmo? Será que sacrificando o corpo perfeito, e tornando-o falso, imperfeito, vai mesmo conseguir conquistar os outros?
Não tenhas ilusões. Não. É claro que não vai. Se queres mudar alguma coisa em ti, muda se a tua saúde está em risco, ou muda o que achas menos bonito, mas para tu gostares!
Para agradar aos teus olhos, não aos olhos dos outros, não lhes faças a vontade, porque muitas mulheres mudam o corpo maravilhoso que sempre tiveram, para consolar olhos gulosos de homens e mulheres invejosos que acham que as relações só existem se houver beleza física, se tiverem um conjunto de características, que só as referenciam para satisfazer o seu ego, sem pensar se essas são mesmo as mais importantes para se construir uma relação!
Não te iludas, mulher, não faças isso, tudo não passa de uma fantasia. O que constrói uma relação verdadeira é o que levas no coração, aquilo que dás, a pessoa que és... e pessoa é corpo, mas é ainda mais alma! Para quê fazer-lhes a vontade... nada disso, tu é que tens as tuas vontades, tu é que tens valor, tu é que dás o teu melhor. Se não gosta, não gosta, paciência. É porque não é para ti, e mereces muito mais!
Quem gosta mesmo de ti, não vai ver se tens mamas e rabo grande, de plástico, de tens rugas, gordura a mais, ou se passas fome para parecer magra! Deixa-te disso! És perfeita assim como és...com todas as características que nasceram contigo! Dá o teu coração, e tudo fora de ti mudará.
O que és, o que dás, vai luzir em todo o teu corpo fantasticamente imperfeito, perfeito. Deixa-te disso, mulher. Disso de usares coisas que toda a gente usa, só porque todos usam, se não gostas, se não te identificas, esquece!
Não importa seres diferente...não é essa diferença de teres ou não teres o que os outros têm, se nem sequer combina contigo, nem te assenta bem, ou se não te traz conforto.
Tu tens os teus gostos, tu tens as tuas vontades, tu tens o teu corpo, com essas formas, diferentes, que te tornam única. A ti, e a todos, embora pensem que todos têm de ser iguais, para serem aceites!
Deixa-te disso, mulher! Ignora comentários. Cada um é como é! Tu és assim, mulher, linda à tua maneira, perfeita na tua imperfeição, guerreira, diferente.
Fica feliz e ainda mais vaidosa por seres quem és, assim, e por não mudares só porque os outros não gostam ou te dizem coisas desagradáveis. Deixa-os com a ignorância deles, tu é que és a inteligente, porque és o que és, és natural, não andas a esconder o que não gostas, só para agradar aos outros, não mudas nada em ti, só porque os outros...é exatamente isso que te torna perfeita!
És perfeita por seres diferente, és perfeita por não mudares o que te deram só porque os outros mudaram, ou querem que mudes, ou acham que devias mudar, ou que tens de ser assim, assado ou cozido... deixa-os falar.
Tu és assim, és o orgulho de ti própria, dos teus pais, de quem te ama, e de quem te valoriza assim! Como és, com o corpo que tens! E mantens a tua posição, fazes as tuas escolhas, tens os teus gostos, és autêntica, és única, assim, és o que és!
Mulher...não estragues o teu corpo, só porque tens rugas, cabelos brancos, peles caídas ou manchadas, peitos pendurados, dobras, pregas, o que for...para quê escondê-las? Para quê tirá-las? Elas também fazem parte de ti, e são igualmente maravilhosas, se o que trouxeres dentro for bonito, puro, sincero, de qualidade.
Tudo o que é natural é maravilhosamente bonito. Quando nasceste, já estavam reservadas para ti, todas essas transformações, se tiveste a felicidade de chegar a uma idade avançada. Muda porque tu queres, muda para ti, muda para tu gostares.
Nas mudanças, a única coisa que importa és mesmo tu! E unicamente tu, porque tu és mulher, tu és única, tu és diferente, e tu és perfeita, com todas as tuas belas imperfeições.
Tens dúvidas? Experimenta desenhar um corpo humano, feminino, ou parte dele, e verás como é difícil, porque é perfeito em toda a sua imperfeição. Até o que trazes dentro não é perfeito, mas só porque tudo funciona bem, já podes considerar perfeito e maravilhoso!
O que interessa é a tua felicidade, e tudo de mágico que podes com as imperfeições do teu corpo, pois quem gostar de ti, de verdade, vai conhecer-te em profundidade, e não em superficialidade, como acontece às amizades e ao que chamam de relações, aqueles encontros corporais fugazes, de olhos iludidos, que depois do fogo de vista, uma vez... ou algumas vezes, com sorte, perdem todo o encanto, porquê?
Porque não olham para lá da superfície. Porque valorizam tudo o que é falso, tudo o que chama a atenção por momentos. Não queiras esses encontros... exige mais, muito mais, e se for verdadeiro, ele vai ter de se esforçar, e vai gostar, mas não facilites o trabalho!
Tu és mulher, tu tens de ser respeitada, e não é só porque eles querem ou gostam que tu tens de ceder, e fazer-lhes as vontades. Desconfia de conquistas rápidas, isso não existe, é só o primeiro momento, e desaparece logo a seguir.
Pensas que se mudares algo, ele vai gostar? Esquece...se mudares o que quer que seja nem vai reparar, vai desfilar contigo, à frente dos outros, para lhes mostrar que conquistou uma gaja boa, gira, que ele é que é que é poderoso! Não lhes dês esse gosto, de exibicionismo...se é isso que ele quer, tu não fazes parte, ele não te merece!
 Mulher, gosta de ti assim. Na tua imperfeição, perfeita! E deixa os outros pensarem o que quiserem. Segue o que tu queres, segue o que gostas, segue o que achas que é o melhor para ti, independentemente do que os outros acham que tens de fazer, que tens de ser. 
Mulher, és tu que importas, não são os outros. És mulher, e só por isso já és perfeita, com todas as tuas imperfeições. A única coisa que é perfeito é o teu orgulho em ti, de seres como és, de seres diferentes, de pensares diferente, e de dares o melhor de ti. Dá-te ao respeito, tu mereces.
        És perfeita...na imperfeição! Aliás, a perfeição não existe. És mulher. O que quer que faças será bem e mal julgado. Se fazes és julgada, se não fazes és julgada, com o «devias», o «tinhas de», «porque fizeste isso», «se fosse eu...». 
         Por isso, faz o que faz sentido para ti, não importa o que digam! O que quer que faças, faz porque queres, faz por amor, faz por amizade, faz porque te faz bem. O que quer que faças de bom ou de mau pelos outros, será sempre bem ou injustamente julgado, por isso, faz o que tem sentido para ti, o que dá alívio, paz ou felicidade. 
         Faz para deixar brilhar a tua luz, haverá sempre alguém que não a suportará, mas não faz mal, não te faz falta! A tua luz é suficiente para ti e para quem gosta de ti. Como és! Deixa brilhar a tua luz, o melhor que há em ti, mesmo com a certeza de que uns vão criticar, e outros gozar ou ignorar, por isso faz o que achas melhor para ti, não porque vão falar de ti, ou ignorar-te. 
       Terás sempre alguém que te reconhecerá. e retribuirá, admirará, mesmo que não seja aquela pessoa a quem deste de ti, mesmo que te julguem, critiquem ou ignorem. Faz o que faz sentido para ti, o que deixa ser quem realmente és, sem máscaras. 
        Só tu e a tua essência importa, nada mais! Sê quem és no teu melhor e quando for preciso, no teu pior! Quem te julga ou ignora também não tem nada de perfeito! Só ainda não reparou como é imperfeito, mas um dia descobrirá, e pode ser que te ache perfeita. 
         

auto-estima e autoaceitação imperfeição monólogo - perfeição orgulho respeito unicidade


 Lara Rocha 
20/Agosto/2018


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Um amor bruxo-esquelético

Era uma vez uma noite de Lua Cheia, no Verão, numa cidade comum a todas as nossas cidades. Enquanto de um lado, havia barulho de discotecas, música prestes a rebentar tímpanos, gente por todo o lado, que mais pareciam ratos a sair de esgotos, numa correria e euforia loucas, bares, cafés, gritos, risos e discussões, abraços, beijos, e muitas outras coisas mais…do outro lado, existia um mundo paralelo. Muito diferente do citadino. Um sítio muito mais calmo, mais silencioso, com menos gente, pouco iluminado, e rodeado de montes, com casas, túneis, grutas e uns locais de diversão nocturna muito particulares, com uma música horrivelmente diferente daquela que se ouve nas discotecas citadinas. Nessa noite, uma linda e sexy bruxa nova, recebeu a visita de um demónio pequenino, vestido de vermelho, caudinha a dar a dar, corninhos que davam luz, e uma voz diabolicamente doce. Ele lamenta-se:
- (canta) Menina que estás à Lua com os teus cabelos… ai…varreu-se-me! Há aqui muitas bruxas à volta…eu sinto as interferências. A minha sorte é que nem preciso de cantar, para todas gostarem de mim…lindo como eu sou…! As bruxinhas não me resistem! É pena depois aparecerem intrusos que estragam tudo…! No inicio é tudo muito bonito, muito bom…mas depois…tudo voa nas vassouras delas…só pedem aqueles incógnitos…ai, meninas, meninas…que faltinha de gosto! Mas…quem sou eu para discutir gostos…só…faço o que me pedem! Estou para ver quando vai aparecer a minha diabinha metade! Pena…acho que não tenho tempo para…amores…só para…fedores. Ai, que triste sorte a minha. Uau, que jeitosa…! Óh filha, para que pedes um esqueleto…estou eu aqui, e sou bem melhor…!
(Bate na janela da bruxa)
- Boa noite, princesa bruxoca…está alguém em casa?
- Lá vem mais um…que chatos…! Ainda se fossem jeitosos…
(Ela levanta-se, e olha para a janela. Dá um grito assustada, e abre a janela)
- Ááááhhh…o que fazes aqui?
- Olá minha bruxosa linda…
- Mas que descaramento…não me conheces de lado nenhum.
- Conheço-te sim! Vim realizar o teu desejo…
- Que desejo? Não pedi nenhum desejo.
- Pediste sim…pediste…um amor…
- Ááááhhh…já me lembro. Mas eu não pedi um amor por…uma figura como tu.
- (sorri vaidoso) Ai, que simpática! Meu amor…desculpa, mas não posso corresponder-te.
- Que nojo. Eu não estava a falar de ti…nunca escolheria uma coisa como tu.
- (sorri) Óhhh…tão fofinha…Olha que se continuas com esses elogios todos, quem se vai apaixonar por ti, sou eu.
- (ri) Convencido!
- (ri) Ai…que riqueza…o esqueleto vai derreter…
- Esqueleto? Que esqueleto?
- O esqueleto dos teus sonhos.
- Onde é que ele está?
- Vais encontrá-lo hoje.
- (entusiasmada) Hoje? Onde?
- Por aí!
- Que resposta esclarecedora…por aí…por aí…é muito espaço! Como é que eu vou saber quem é?
- Vais saber.
- Como?
- Ele vai dar-te sinais.
- Ele quem?
- O teu esqueleto.
- Mas eu não pedi o meu esqueleto…pedi outro esqueleto.
- Ai, valha-nos todos os monstrengos e mais alguns…! Óh bruxa…acorda…não é o teu esqueleto que vais encontrar…esse já o tens debaixo da pele… é o esqueleto dos teus sonhos…o que me pediste!
- Áh!
- Ele vai ter contigo, não te preocupes.
- O que é que eu tenho que fazer?
- Tens de sair…e passear por aí.
- Só isso?
- Sim. E deixar que tudo aconteça naturalmente.
- Áh…está bem! Se era só isso, porque demoraste tanto?
- Porque tenho muitos pedidos.
- Invejosas.
- Todas querem o mesmo…! Não posso fazer tudo ao mesmo tempo, nem no mesmo dia.
- Está bem.
- Agora vai.
            A bruxa arranja-se toda, e sai de casa, pronta para a conquista. O diabinho continua o seu trabalho. A bruxa desfila sexy, e olha para todo o lado. De repente, ouve um esqueleto a tocar violino e a cantar, sentado no chão, encostado a um tronco de uma árvore. A bruxa pára, e fica maravilhada com o que ouve, parece que fica hipnotizada. O esqueleto olha para ela, e o seu coração dispara, salta do peito e saltita pelo chão. Ele volta a meter o coração no peito, e olha para a bruxa a sorrir, encantado com ele. Está todo a tremer. A bruxa sorri.
- Olá…estavas a tocar tão bem, e a cantar maravilhosamente…porque paraste?
            O esqueleto fica cheio de luz, embaraçado, e o coração lateja com luz.
- (sorri) Ah…eu…gostaste?
- (sorri) Sim, muito!
- (sorri) Obrigado. Senta-te.
- Toca outra vez, por favor…
- Está bem…
            O esqueleto toca uma linda melodia e canta, feliz. A Bruxa ouve-o deliciada, e suspira. Aplaude. O esqueleto tira do violino uma rosa vermelha e oferece à Bruxa. Ela fica toda derretida e dá um beijo ao esqueleto. Ele treme todo e sorri.
- Ai…és um verdadeiro cavalheiro.
- (sorri) E tu ainda não viste nada.
- Ai…até me arrepio…
- (sorri) Isso é bom!
- É.
- Vamos dar uma volta?
- Sim…onde quiseres.
- Estás sozinha?
- Sim…quer dizer…agora estou contigo.
- Eu quero saber se…
- Não, não tenho namorado, nem filhos, nada…e tu?
- Eu também não.
            Os dois vão passear, completamente encantados um com o outro. Conversam, riem, e vão para a beira de um lago. Sentam-se a apreciar a lua, e do lago saem coraçõezinhos brilhantes a latejar. Circundam o casal, e desaparecem na pele dos dois. Os dois olham-se fixamente, a sorrir, e o esqueleto pega na mão da bruxa, delicadamente. Beija-lhe a mão, a bruxa estremece toda, derretida, e ele sorri.
- Que bruxa mais linda…nunca tinha visto igual.
- Mentiroso…com tanta bruxa bonita.
- É verdade, são bonitas, mas nenhuma fez saltar o meu coração como tu!
- (sorri) A sério?
- (sorri) Sim!
- Então quer dizer que…
- Que és especial. Eu sei que és tu o esqueleto dos meus sonhos.
- Óh…tu és a bruxa dos meus sonhos…
            Os dois beijam-se, e os mochos e as corujas começam a cantar.
- Sim, é verdade! – Dizem os dois em coro
- (esqueleto a sorrir) Nascemos um para o outro!
- (sorri) Sim, agora sei que sim…
- Óh minha bruxinha…porque demoraste tanto a aparecer?
- Não sei, minha rainha terrorífica…! Também esperei muito tempo por ti, mas o que importa é que apareceste.
- Pois é!
- Vamos recuperar o tempo perdido, amor...meu esqueleto metade!
- Sim...vamos ser felizes…!
            Os dois beijam-se, e passeiam de mãos dadas, abraçam-se felizes, caminham, conversam.
- Toca para mim, meu esqueleto elegante.
- Tudo o que quiseres, minha preciosidade…
            O esqueleto põe-se de joelhos e toca para a bruxa. A bruxa fica maravilhada, e aplaude. Um coro de morcegos canta, e os dois dançam muito abraçadinhos as músicas românticas. Aplaudem e agradecem. Depois, o esqueleto leva a bruxa a passear para uma praia romântica, numa vassoura, que a bruxa transforma numa potente mota. O esqueleto aplaude, e deliciam-se com o passeio de mota. E ao amanhecer, os dois vão dormir juntos para uma gruta. Este amor durou para sempre, com momentos muito românticos e foram felizes para sempre...

                                                           FIM
                                                           Lálá
                                               (7/Fevereiro/2014)
Desenho de Lara Rocha