Número total de visualizações de páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta morcegos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta morcegos. Mostrar todas as mensagens

domingo, 6 de outubro de 2024

Como será a toca dos morcegos?

Foto de Lara Rocha 

   











Era uma vez no jardim de uma casa grande, onde vivia uma família com dezenas de morcegos nas árvores. 

    As crianças sentiam medo de os ver esvoaçar no escuro da noite, mesmo depois dos pais e dos avós terem dito que eram morcegos, importantes para a Natureza, e para os humanos, não faziam mal. 

    Comiam mosquitos e outros insetos que apanhavam, e de dia ninguém os via. Como mesmo assim não conheciam, nunca se tinham aproximado deles, nem das árvores onde viviam, durante o dia, a imaginação das crianças, começou a funcionar, para ver se deixavam de ter medo. 

- Como será a casa deles? - pergunta uma menina 

- Os papás e os avós disseram que eram por aí, nas árvores. - afirma um menino 

- Mas eles dormem de cabeça para baixo! - comenta outra menina 

- Sim, e nas árvores existe muito espaço para dormirem de cabeça para baixo, imagino eu, porque todas as árvores aqui são enormes. - diz outra menina 

- Pois é! Também não sei. - comenta outro menino 

- Será que a casa deles tem salas, quartos, casas de banho, cozinhas, despensas, frigoríficos, fogões, lareiras, sofás, camas, cadeiras, mesas, armários e tudo o que nós temos? - pergunta uma menina 

- Acho que não. - dizem todos 

- Também acho que não. Eles são muito pequenos para caber nas árvores com isso tudo, e as árvores também não são grandes. - comenta um menino 

- Eu acho que eles não devem ter mobília, dormem pendurados em qualquer lado! - afirma outra menina 

- Pois, também acho. - concordam todos 

- Será que eles têm cobertores? - pergunta uma menina 

- Claro que não. Se dormem pendurados, onde é que vão segurar os cobertores, e os lençóis? - responde um menino 

- Pois, é verdade! - concorda a menina 

  Espreitam pela janela, e veem as sombras dos morcegos muito pequeninos, pendurados. 

- Olhem, estão ali… - repara uma menina 

- A dormir cá fora? - pergunta um menino 

- Devem estar com frio. - diz outra menina 

- Não. Eles já são frios quando dormem. - afirma outro menino 

- Parecem folhas! - comenta uma menina a rir 

- Pois é. - dizem todos a rir 

    Chega o Avô e comenta: 

- Então, o que estão para aí a dizer? 

- Avô, olha os morcegos ali. - diz uma menina 

- Estão cá fora! - exclama outra menina 

- Sim, e depois? - pergunta o Avô

- Eles devem estar congelados! - comenta outra menina 

- Parecem folhas...(todos riem) 

- Querem ir vê-los mais perto? - desafia o Avô 

- Está bem. - concordam todos 

- Eles não vão acordar? - pergunta outro menino 

- Não. - garante o avô 

    O Avô vai com eles a uma das árvores onde estão três morcegos muito próximos, a dormir, de cabeça para baixo, as asinhas fechadas sobre si mesmos, pendurados num raminho fininho. 

- Olhem eles aqui! - diz o Avô 

- Áhhhh…- exclamam as crianças

- São mesmo pequeninos! - repara uma menina 

- Pois são. Olhem as asinhas deles...fechadas para dormirem e para não aquecerem, porque eles são de sangue frio, e só assim é que conseguem dormir. E para não verem a luz do sol. - explica o Avô  

- Podemos tocar-lhes? - pede uma menina 

- Sim. Com carinho e sem medo - diz o Avô 

    Cada menina e cada menino faz festinhas nos morceguinhos, primeiro com medo de tocar, depois, como os morcegos não reagiam, tocaram à vontade. Adoraram a experiência, soltaram risinhos e exclamações.  

- Áhhh! Que giro, são fofinhos. - comentam 

- São! E sabem uma coisa engraçada? Quando se magoam numa asa, ela cura-se sozinha. - conta o Avô 

- A sério? - perguntam todos surpresos 

- Sim! - garante o Avô 

- Já viste algum assim, Avô? 

- Aqui vejo todos os dias. E vi, quando andei na tropa, mas os morcegos eram gigantes. 

- Gigantes? - perguntam todos 

- Sim. 

- Não tinhas medo deles? - pergunta uma menina, surpresa 

- Não! - garante o Avô 

- E eles não vos faziam mal? - pergunta um menino 

- Não, nós não éramos refeição para eles. - diz o Avô a rir 

- Eles também dormiam assim, pendurados? - pergunta outra menina 

- Dormiam! - responde o Avô 

- Nas árvores? - pergunta um menino 

- Sim, e noutros sítios, como aqui. - responde o Avô 

- Deviam ser pesados! - comenta outra menina pensativa a imaginar 

- Eu peguei num ao colo, era pesadinho, sim. - conta o Avô  

- Pegaste num ao colo? - perguntam em coro surpresos 

- Ele não te mordeu? - pergunta outro menino 

- Claro que não...ele estava a dormir! Eles é que têm medo de nós. - diz o Avô 

- Têm? - perguntam todos surpresos 

- Pois. - diz o Avô 

- Porquê? - perguntam todos 

- Não sei. Talvez...porque saibam que podemos fazer-lhes mal. Acham que somos uma ameaça para eles. Nunca lidaram connosco, como os cães, os gatos, e outros animais. Convivem connosco na paz, partilham o mesmo espaço que nós, mas não há qualquer perigo! - explica o Avô

- Nunca pensei! - comenta uma menina 

- Nós é que temos medo deles. - diz um menino 

- Não há razões para ter medo destes bichinhos. - garante o Avô 

    Todos riem. 

- E a toca deles, tem mobílias? - pergunta um menino 

    O Avô dá uma sonora gargalhada

- Óh filho, achas que sim? Para que querem mobílias, se eles dormem pendurados em qualquer sítio? 

- E quando está frio? - pergunta outra menina 

- Eles caçam na mesma, e depois metem-se...talvez...numa toca! - explica o Avô 

- Acho que está aqui uma toca! - repara uma menina 

- É. Parece! Ora espreita… - sugere o Avô 

    A menina espreita para metade de um tronco com uma grande abertura e por dentro, parece ter escadinhas. 

- É aqui, Avô, olha quantos estão a dormir pendurados aqui, nas escadinhas do tronco. 

    Todos espreitam. 

- Realmente, não tem mobília nenhuma! - comenta um menino 

- Claro que não. - diz o Avô a rir 

- Estes também estão a dormir, com as asinhas fechadas sobre eles mesmos, para se aquecer, talvez. - comenta outra menina 

- Onde é que eles guardam o que caçam, se não tem frigorífico? - pergunta um menino 

- Eles não precisam de frigorífico para guardar o que caçam. Comem tudo na hora, quando têm fome, voltam a sair. Já comem quantidade suficiente para aguentar o dormir de dia. - explica o Avô 

- Está ali outro, Avô! Debaixo do telhado da casota do cão. - repara outra menina

- Está sim, sra. Deve ser por isso que o cão ladra tanto. 

- Será que ele não tem medo do cão? 

    O Avô ri: 

- Claro que não tem medo do cão. O cão não lhe chega, nem tem medo dele, ladra só para o cumprimentar.  Olhem quantos estão ali, no fio onde antes se punha a roupa a secar! 

- Áh! Que giro. - comentam em coro 

- E onde é que eles têm casa de banho? - pergunta uma menina 

- Fazem em voo. Achas que estão preocupados como nós? Não precisam de casa de banho, nem de mobílias. - responde o Avô a rir 

- Eu pensei que a toca dos morcegos também era uma casa como a nossa! - comenta uma menina 

    Todos riem 

- Eu também. - diz outra menina 

- Não, já têm tudo o que precisam. Dormem onde possam ficar de cabeça para baixo, e à sombra, à fresca, o resto não precisam de mais nada. Só precisam de comida. - comenta o Avô 

- Uau! - suspiram todos 

- E como é que eles veem a comida? À noite, têm lanternas? - pergunta outra menina 

O Avô dá uma gargalhada

- Claro que não têm lanternas, mas têm detetores, uma espécie de radares, nos bigodes e os olhos é como se fossem infra vermelhos que lhes indicam onde estão os petiscos. 

- Que giro! - exclamam todos 

- Vamos dar por aí uma volta, a ver se encontramos mais. - convida o Avô 

- Ali, Avô, debaixo daquele telhado onde se guardam as espigas. 

- Isso mesmo, no espigueiro. Olha como eles dormem ali. À sombra, sossegados, de cabeça para baixo até à noite. - responde o Avô

- E caçam a noite toda? - pergunta outro menino 

- Talvez! Deve ser também por isso que dormem o dia todo. Também não gostam de muita luz. A luz do dia não os deixa ver a comida. - responde o Avô

    Continuam à procura de morcegos, e reparam em muitos morcegos pendurados nos sítios mais estranhos, conversam e riem, ficam encantados com o que veem. 

- Eu gostava de ser morcego, nem que fosse só uma noite! - diz um menino 

- Que nojo! Ias comer insetos...! - comenta uma menina 

- Para que queria ser morcego? - pergunta outro menino 

- Só para ver como é que eles ficam à noite, como é que eles veem a comida à noite, como é que veem as cidades e as aldeias, os campos. - imagina o menino 

- Devia ser giro! - diz outra menina a rir 

- Eu não queria ser morcego! - comenta outro menino 

- Porque não? 

- Não gosto de dormir pendurado...quer dizer, acho que não ia gostar. 

- Se fosses mesmo morcego, ias gostar, porque era assim que dormias, e que dormem todos os morcegos. - diz uma menina 

- Pois. - dizem todos 

- Eles são muito leves e livres! - diz uma menina 

- Acho que também gostava de ser morcego uma noite, e dormia numa gruta cheia de cristais. - diz outra menina 

    Todos riem

- Isso também gostava, e com água! - acrescenta outra menina 

    À noite, espreitam pela janela, e veem dezenas de morcegos a esvoaçar numa correria de um lado para o outro. 

    Agora já não sentem medo, e riem às gargalhadas a ver a agitação, com voos cruzados, a subir e a descer, outros a pousar nas tocas, depois de um bom bocado a caçar. 

    Assim, perderam o medo dos morcegos, e todos os dias, apreciavam-nos da janela, riam, imaginavam histórias com morcegos, viam-nos de dia, faziam-lhes festinhas. 

    E vocês? 

Gostavam de ser morcegos por uma noite? 

Como seria? 

O que veriam?  

Onde dormiriam? 

Como imaginam as tocas dos morcegos? 

Já viram morcegos ao vivo? Como eram? 

                                                    FIM 

                                                 Lara Rocha 

                                             6/Outubro/2024 



segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O BANDO DE MORCEGOS

          
foto de Lara Rocha 

            Era uma vez um bando de morcegos, que decidiu mudar da cidade para o campo, porque o ar da cidade estava a ficar demasiado poluído. Os mosquitos na cidade eram cada vez menos e de cada vez pior qualidade, quase sem sabor, e os morcegos andavam a ficar fracos, magros, com as forças a falhar.
Não havia praticamente sítios escuros, e os sítios que havia mais escuros, estavam completamente lotados de morcegos. E mais…o ruído era cada vez mais forte: música barulhenta aos gritos em muitas ruas, muitas conversas em que um falava mais alto que o outro, parecia que ninguém se ouvia, carros, motas, camiões e autocarros a circular a toda a hora, toda a noite, por todo o lado.
Toda esta barafunda, confundia os morcegos e deixava-os de rastos…cansados, nervosos e desorientados. Voaram em bando vários quilómetros e começaram a entrar num sítio mais sossegado…nos arredores da cidade. Ficaram muito mais calmos, quase não havia luz, não se ouvia grandes barulhos a não ser dos outros animais noturnos, e havia mosquitos com fartura.
Voaram felizes e calmos pelo campo, comeram até se fartar, e instalaram-se comodamente em vários troncos de árvores velhas, cheias de grandes buracos.
No dia seguinte, recompostos da viagem e com a barriga aconchegada, vão visitar o campo seguinte. Encontram a mesma coisa. Alimentam-se e voltam para o primeiro campo, o da noite anterior.
Nas noites seguintes, exploram os outros campos, felizes e aterram num campo cheio de abóboras. Eles não conheciam esse sabor, e nunca tinham provado, mas viram tantos pássaros a picar uma abóbora que quiseram provar. Gostaram tanto, como gostam de mosquitos, e a abóbora desapareceu num piscar de olhos.
Na noite seguinte, foi muito pior…pássaros, morcegos e bruxas fazem uma festa nesse campo e destroem uma série de abóboras. A dona do campo nem quer acreditar. Apanha-os em cheio, e eles ficaram tão assustados que não fugiram. A senhora distribui vassouradas pelos morcegos, bruxas e pássaros. Grita-lhes, ralha-lhes, e só depois de apanharem é que fogem.
A dona volta a plantar tudo, muito zangada e triste, os seus netos aproveitam as carcaças das abóboras comidas, e fazem decorações assustadoras…parecidas com caras de monstros, bocas gigantes com dentes enormes feitos nas cascas, cortam grandes olhos, muito abertos e põem dentro velas a arder. Iluminadas com velas ainda ficam mais monstruosas e metem mais medo.
Fizeram estas máscaras com as cascas de abóboras e de cabaças, na esperança de que aqueles visitantes indesejados e atrevidos também tivessem medo e não voltassem a estragar o campo dos avós.
Felizmente…aconteceu o que eles queriam. Os invasores voltam ao campo, pensando que a dona já se tinha esquecido, e que já deveria haver lá coisas apetitosas para eles comerem. A senhora estava às escuras a ver da janela do seu quarto:

- Venham, venham meus diabos! Vão ver a bela surpresa que tenho para vocês! É o meu agradecimento por me terem estragado o campo.

            Eles aterram no campo descansados, mas quando vêem que o espaço estava cheio de cabeças luminosas, com caras horríveis, quase gelam…olham para as caras, correm de um lado para o outro, desatam aos guinchos, chocam uns contra os outros, e gera-se uma grade confusão.
            A dona do campo e os netos desatam às gargalhadas a ver a aflição dos invasores, e as quedas, os choques, as sapatadas e os guinchos entre eles.

- Áh, áh, áh…parecem umas baratas tontas! – Diz uma neta a rir

- Funcionou mesmo bem, Avó! – Diz outro neto

- Nunca vi bruxas, morcegos e pássaros com tanto medo de abóboras e cabeças a arder.

            A senhora às gargalhadas põe a cabeça de fora e grita:
- Se voltam a dar cabo do meu campo, serão as vossas cabeças que irão decorar o campo! Xôôô…bandidos…atrevidos…

            Todos desatam a fugir, e não voltam para aquele campo. Depois dessa noite, só foram para os campos abandonados que tinham o que comer, e puderam fazer todas as festas que queriam, sem estragar o que não deviam.
            Claro que foram mauzinhos com a senhora, mas melhoraram a saúde deles e engordaram! Não precisaram de voltar à poluição cada vez mais concentrada nas cidades.

            E vocês? Se fossem morcegos…onde preferiam viver? Nas cidades ou nos campos? Porquê?

FIM
Lálá
(26/Outubro/2014)


            

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

AS ÁRVORES DOS MORCEGOS

   Era uma vez uma árvore só com pequenos troncos, sem uma única folha, perdida num grande descampado, sem relva, só terra, e sem luz. 
    Por ser um sítio escuro, via-se muito bem as estrelas do céu, mas todas as pessoas tinham medo de ir para lá.
    Este era um sítio fantástico para animais noturnos, como morcegos, mochos e corujas.    À noite, esse campo ganhava vida com tanto bicho de um lado para o outro, de ramo em ramo, iam para os becos da cidade e voltavam, faziam uma grande barulheira, e de dia, dormiam na árvore.
 Um dia, uma pequena menina foi à procura de um sítio onde pudesse ensaiar sossegada as suas músicas que tocava em flauta, sem incomodar as pessoas, principalmente uns vizinhos que detestavam flauta, e ralhavam muito com ela.
    Chegou ao campo da árvore dos morcegos, e reinava o sossego. Como era de dia, os animais noturnos dormiam. Os morcegos fechados nas suas asinhas, pendurados, as corujas e os mochos nas crateras do tronco da árvore que era um sítio escuro e silencioso.
   Quer dizer…eles pensavam que era silencioso, e era! Até aparecer a menina. Pois é! Como a menina não sabia que aqueles eram animais noturnos, e dormiam de dia, nem olhou para a árvore, de tão concentrada que estava na sua flauta. 
    Andava de um lado para o outro, dançava e rodava ao mesmo tempo, com algumas quedas à mistura e ria-se sozinha. Estava tão feliz, e sentia-se tão livre que nem deu pelas horas passarem. Quase à noitinha os morcegos, os mochos e as corujas começam a despertar lentamente, e preparam-se para a noite. A menina está muito assustada, porque está escuro e esqueceu-se do caminho.
Ela olha para cima, e vê montes de olhos pregados nela
- Quem és tu? – Pergunta uma coruja
- És caçadora? – Pergunta um mocho
- Não. Sou uma menina.
- Uma menina? – Perguntam em coro
- Sim.
- Humana? – Perguntam em coro
- Sim! Porquê?
- Da cidade? – Pergunta outra coruja
- Sim.
- Huummm…estou cheio de fome… - Murmura um morcego gordo
- Era de estranhar se não estivesses com fome! – Resmunga a sua mulher
- O que é que isso quer dizer? – Pergunta a menina assustada
- Não é nada comum aparecer aqui…humanos! – Diz outro mocho
- O que é que isso quer dizer? Que me vão morder? – Pergunta a menina assustada
- Não! – Respondem em coro
- O que é isso que tens na mão? – Pergunta uma morcega
- É uma flauta! – Responde a menina
- E o que é que isso faz? – Pergunta outra morcega
- Isso tem um ar ameaçador! – Diz outra morcega
- Óh, não…não faz mal! Faz música! – Responde a menina
- Isso dá de comer? – Pergunta o morcego gordo
(Todos riem)
- Não. Quer dizer…não dá comida, mas dá consolo…! E alimenta a alma! – Responde a menina  
- Quem é a alma? Posso comê-la?
- (Ri) Não. A alma está dentro de nós. Não se pode comer.
- Óh, o consolo não é de comer! A alma também não…o que é que tu comes? – Resmunga e pergunta o morcego gordo
- Que insensível! – Resmunga a sua esposa
- Como muita coisa…mas alma e consolo não.
- E essa coisa não comes? – Pergunta o morcego gordo
- Não. Isto faz música…não se come. – Diz a menina  
- Podes tocar um bocadinho, por favor? – Pede outro mocho
- Claro que sim! – Diz a menina a sorrir
- Óh, com licença…não quero saber de tocares…quero é comer… - Resmunga o morcego gordo e voa.
     Todos riem. A menina começa a tocar, e todos os animais ficam espantados com o som da flauta, quase não pestanejam. Sorriem e choramingam, balançam o corpo e seguem a música. Todos aplaudem a menina.
- Ááááhhh! – Suspiram todos a sorrir
- Que lindo! – Diz uma morcega ainda embalada.
- É mesmo bom. – Diz um mocho a sorrir
- Onde aprendeste a tocar isso? – Pergunta um morcego
- Sozinha e na escola.
- Maravilhoso! Mexe com o coração…é lindo… - Diz uma coruja encantada
- Obrigada. Podem ajudar-me a encontrar o caminho de volta para a cidade, por favor? É que estou perdida…
- Óh, mas isso é fácil… - Diz um mocho
- Vamos para lá agora. – Diz a sua esposa coruja
- Segue-nos! – Diz um morcego
- Muito obrigada. – Diz a menina
- Por favor…toca mais um pouco para nós! – Pede outro mocho
- Claro que sim…
    E a menina vai o caminho todo a tocar feliz, os morcegos, os mochos e as corujas acompanham-na, voam e pairam à frente dela, circundam-na e dançam como bailarinos profissionais, felizes, leves e sorridentes, uns com os outros e sozinhos. Todos chegam à cidade, e os animais começam a chorar e a aplaudir.
- Óóóhhh…! – Lamentam todos
- O que foi? Não gostaram? – Pergunta a menina preocupada
- Adoramos! – Respondem todos
- Então porque estão tão tristes? – Pergunta a menina
- Porque…
- Porque…
- Porque vamos ter de nos separar! – Diz uma coruja
- Mas não por muito tempo…pois não? – Pergunta uma morcega
- Claro que não. Vamo-nos encontrar muitas vezes. E se quiserem, venham até à minha casa que lá não falta que comer.
- A sério? – Perguntam todos
- A sério. Venham.
    Os animais acompanham-na e nem querem acreditar…realmente…no sítio onde a menina vivia havia mosquitos às centenas, e outros petiscos para a bicharada. A menina entra em casa, os pais muito preocupados, mas aliviados quando a veem.
- Onde foste? – Pergunta o pai
- Fui tocar para um sítio livre, e distrai-me com as horas
- Podias ter dito! Ficamos muito preocupados! – Diz a mãe  
- Desculpem…
   A família conversa. Enquanto isso, todos os morcegos, corujas e mochos comem quanto querem. Nesse mesmo sítio tem outra árvore igualzinha à outra, onde viviam. Instalam-se lá, mesmo em frente ao quarto da menina, e ela vê-os da sua janela.
- Vão ficar aqui? – Pergunta a menina
- Sim. – Respondem todos
- O comilão já voltou?
- Já…
- Que lugar recheado…! – Diz o morcego satisfeito e regalado
(Todos riem)
- Está-se muito bem aqui. – Diz uma morcega!
- O meu quarto é este…daí podemos ver-nos! – Diz a menina
    Todos os animais ficam felizes, saltitam de alegria e pousam na beirada da janela do quarto da menina para conversarem e riem à vontade. De dia, os morcegos, os mochos e as corujas dormiam na árvore, e à noite saiam. 
   Depois desse dia, eles e a menina tornaram-se grandes amigos, e até o vizinho resmungão, começou a gostar das músicas que a menina tocava na flauta. Os morcegos protegiam a menina e toda a gente dos insuportáveis mosquitos e outros insetos, e a menina, em troca dava-lhes música que eles adoravam.

FIM
Lara Rocha 
(2/Outubro/2014)