Histórias infantis, para crianças, adolescentes, e adultos, peças de teatro e monólogos
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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020
REENCONTRO - Para adolescentes e adultos (romance)
domingo, 12 de janeiro de 2020
O coelho e a pressa
Quando o sonho acabou, o coelho despertou, e saltou da cama, dando um grito, nervoso:
- Óh! Mas como é possível...já é tão tarde, e eu aqui! Como é que eu pude dormir tanto...
Foi à casa de banho, refrescou-se, penteou-se, vestiu-se e calçou-se. Passou na cozinha, pegou na sua garrafa de vidro, com sumo de cenoura que já deixa preparado na noite anterior, bateu a porta e saiu a correr, sem a chave.
Pelo caminho, bebeu o sumo e quando chegou ao trabalho:
- As minhas chaves de casa? Eu fechei a porta de casa? Não me lembro! Ai, como eu estou!
Trabalha, mas sempre preocupado com essa dúvida: se tinha fechado a porta, e onde estavam as chaves da sua casa. A sua sorte, e ele ainda não sabia, foi que uma coruja, sua vizinha que vivia na grande árvore, acordou com a correria dele, e percebeu que se passava alguma coisa.
- O coelho hoje está muito nervoso! Nem fechou a porta da casa! Saiu a correr, não disse Bom Dia...não tomou o pequeno almoço em casa...o que terá acontecido? Ele não devia deixar a porta batida. E as chaves estão ali. O que vale é que eu estou sempre aqui, e vou tomando conta. Mas vocês, não façam isso! É sempre bom verificar se deixam a vossa casa em segurança.
A coruja ficou de olhos fechados, mas ouvidos bem abertos. Quando o coelho chegou do seu trabalho, a andar devagar, quase de gatas, orelhas baixas e língua de fora, os olhos quase fechados, sentou-se no chão.
- As minhas chaves? Como...vou...entrar em...casa?
E lentamente, procurou as chaves.
- Óh...onde as pus...
A coruja apercebe-se do canssaço dele.
- Olá coelho! Olha como tu estás!
- Ai..- geme o coelho
- O que foi? - pergunta a coruja
- Estou tão cansado! - responde o coelho
- Já percebi. Hoje saíste a correr, bateste a porta, e não levaste as chaves, pois não?
- Não! Estou à procura delas.
- Eu percebi que não as levaste. Só bateste a porta! - diz a coruja.
- Viste-me sair?
- Vi. Porque é que ias a correr tanto?
- Porque estava muito atrasado! Não ouvi o despertador a tocar, estava a sonhar uma coisa tão boa, e tão cansado da noite anterior, que não consegui acordar.
- Pois foi! Mas fica descansado. A tua casa ficou em segurança. Mas é melhor descansares, e para a próxima vais mais devagar! Assim não te esqueces das chaves! Nem de fechar a porta.
- Fiquei o dia todo preocupado se tinha fechado a porta, e onde estavam as minhas chaves! Ai...estou tão cansado!
- Já deu para ver.
- Obrigada, coruja, por tomares conta da minha casa, enquanto estou fora!
- De nada! É essa a minha função. A tua casa abre sem chave...a porta só está batida.
O coelho respira de alívio, roda o trinco, entra e cai no chão.
- Descansa e alimenta-te! - recomenda a coruja
- Está bem! Até já...- responde o coelho
O coelho come um belo prato de troços de couve, uma rica sopa de erva, e deita-se.
Ele costuma rezar e agradecer o seu dia, a saúde, a casa, e o trabalho, os alimentos e o seu corpo. Além de agradecer, desta vez, pediu força e um bom descanso, para não voltar a esquecer-se das chaves.
Adormeceu com a esperança de dormir descansado, e na manhã seguinte acordou com uma nova energia, cheio de alegria. Não precisou de tomar o pequeno-almoço pelo caminho, nem ir a correr. Disse bom dia à coruja, fechou a porta da sua casa à chave, e não se esqueceu dela!
Lá foi ele a cantarolar até ao trabalho.
FIM
Lálá
12/Janeiro/2020
Nota: para todos os interessados em explorar a interpretação desta história com as crianças, convido-vos a solicitar a respetiva, com questões, à autora, que enviará por e-mail.
(Lara Rocha)
lala.rochapsiact@gmail.com
segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
Os búzios ao nascer do sol
Era uma vez uma praia, sossegada, selvagem, paradisíaca, muito limpa, de areias brancas e água quente, transparente, onde havia muitos tesouros no mar. Ouviam-se as gaivotas a piar, aflitas, numa grande correria atrás de peixe fresco, mas naquela praia nunca conseguiam pescar, porque os peixes eram todos enormes, e tão bonitos que nem elas queriam comer.
Mesmo assim pousavam na areia e ficavam a apreciar a beleza do mar. Adoravam sentir a brisa nas suas penas e patas, em contraste com a areia fresca e quente, conforme a hora do dia.
Se estava demasiado calor, as gaivotas encontravam um abrigo seguro debaixo das palmeiras rasteiras, e às vezes recebiam uns pequeninos peixinhos que os peixes grandes apanhavam e não gostavam, para agradecer o facto de não serem comidos.
O vento também marcava a sua presença na praia. Umas vezes soprando levemente, outras vezes, mais forte, e mesmo demasiado forte. Tão forte que parecia que desfazia a praia toda, e claro, levantava a água.
Os tesouros não eram moedas de ouro, nem pedras preciosas, ou outros objetos deixados por navegadores. Eram estrelas do mar gigantescas e pequenas, de todas as cores, que deixavam qualquer um hipnotizado, ainda por cima, dançavam devagar, ao sabor da maré, e apanhavam sol, ao mesmo tempo que boiavam nas águas. Peixes de todas as cores e tamanhos, aos milhares, pedras, conchas e búzios mais que perfeitos.
Um dia, em conversa, os búzios descobriram que tinham um sonho comum: ver o nascer do sol. Ouviam outros peixes falar da beleza do nascer do sol, e ficavam muito curiosos. Quiseram muitas vezes viver essa experiência, mas nunca conseguiram, porque estavam a dormir à hora que o sol nascia.
Certa noite, ficaram tão entusiasmados com a ideia que depois de uma noite de festança, finalmente conseguiram realizar esse desejo. Foram para a superfície, eram aos milhares, e festejavam, cantavam, dançavam, faziam de tudo para se manterem acordados.
De repente, fez-se silêncio em toda a praia. Um búzio reparou que o céu estava diferente.
- Está a começar... - comenta um búzio
Só se ouvia o zumbido das pequeninas ondas carneirinhos a acariciar a areia. Os búzios estavam ansiosos, e não tiravam os olhos do céu, onde viam milhões de estrelinhas a desaparecer por trás das lindas cores que iam mudando, à medida que o sol começava a aparecer. A cada mudança de cor, soltavam longas exclamações e sorrisos de encanto.
- Áááááááhhhhh... que coisa linda!
-Uuaaaaaaaaaaaaaaauuuuuuuuuuuuuuuuu!
- Parece magia!
- Como conseguem?
- Que lindo!
- Ah, adoro aquelas cores.
Comentam uns com os outros. O próprio mar mudava as suas cores com o reflexo.
- Áh!
Tanta coisa bonita que queriam apanhar tudo, e não perder nada!
- O sol... - exclamam todos
E tinham razão. O sol estava mesmo a aparecer, lindo, redondo, brilhante, cada vez mais alto. Os búzios estavam tão felizes, que nem falavam, e muito cansados, depois de uma noite de festa, sem dormir. Queriam aspirar tudo o que estavam a ver de tão bonito. Apesar de cansados, tinham acabado de realizar um sonho antigo, e comum: ver o sol nascer. Aplaudem, sorriem, e adormecem no mesmo lugar onde ficaram para ver o sol a nascer. Mais nenhum falou, e cada um deles dormiu embalado pelas cores do amanhecer.
Depois deste espetáculo que viram, fizeram o mesmo outras manhãs, e em todas as vezes a que assistiram ao nascer do sol, ficaram tão maravilhados como da primeira vez. De cada vez que viram, a horas diferentes, perceberam que as cores eram diferentes, mas todas, eram simplesmente mágicas.
De certeza que os seus sonhos foram com aquelas cores, não acham?
FIM
Lálá
23/ Dezembro/ 2019
segunda-feira, 9 de dezembro de 2019
monólogo Mulher deixa-te disso
ANJOS DE ASAS VERDES (monólogo para adultos)
sexta-feira, 29 de novembro de 2019
Demência de uma hipocondríaca (monólogo) psicólogos; estudantes de psicologia; população em geral
Todos os dias temos memória! Memórias. A memória faz-nos mover, agir de forma automática, quase sem pensarmos, principalmente naqueles gestos rotineiros, aprendemos, lemos, estudamos, escrevemos.
Pela
memória emocionamo-nos (ou re-emocionamo-nos), rimos às gargalhadas, choramos,
sentimos saudades, e vontade de repetir determinados momentos, ou lembramos
acontecimentos que queríamos esquecer, e esquecemos por vezes recordações que
gostaríamos de reavivar todos os dias, falamos, pensamos, decidimos, sentimos o
mundo à nossa volta, defendemo-nos de agressões internas e externas.
A memória por vezes corresponde a momentos, outras informações ficam armazenadas, e umas são ativadas sempre que necessário, outras parece que se apagam.
A memória
pode ser tão fugaz como um suspiro, dá sentido à nossa vida e à nossa existência, às nossas relações, pois
permite-nos armazenar informações relativas a rostos e dados sobre as pessoas
que nos são familiares, permite-nos andar com segurança por espaços, e conhecer
outros, sem esquecermos as nossas origens, a memória conta histórias.
Em todos os tipos de memória, há a conservação do passado através de imagens ou representações que podem ser evocadas. Não há tempo sem um conceito de memória, não há presente sem um conceito de tempo, não há realidade sem memórias e sem uma noção de presente, passado e futuro.
A memória é o armazenamento e evocação de informação adquirida através de experiências, e a aquisição de memórias designa-se aprendizagem. Memória e aprendizagem estão interrelacionadas, as memórias, tal como os sonhos, planos e projetos, nascem do que alguma vez percebemos ou sentimos.
Mas a memória também nos atraiçoa, não dura para sempre, tem quebras, falhas, lapsos que nos assustam. Ninguém imagina a angústia que me assombra! A mim e a toda a gente, mas parece que só eu, em nome de todos os que sofrem do mesmo que eu, tenho coragem de assumir esse medo.





