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quinta-feira, 24 de março de 2016

cabelos de conchas (Adolescentes e adultos)

NARRADORA - Era uma vez um grupo de princesas que vivia no fundo do mar, mas passeavam-se constantemente pela praia. Todas eram lindas e maravilhosas, diferentes e cada uma com as suas particularidades. A sua beleza hipnotizava e bloqueava o cérebro dos homens que para elas olhassem, e estes acabavam muitas vezes por arriscar a própria vida, com a vontade de lhes tocar. Eles queriam, mas elas eram fechadas e misteriosas…não abriam as suas conchas presas aos longos cabelos para qualquer um, e assim, elas defendiam-se, ao mesmo tempo que tentavam ensinar os homens a respeitar as mulheres, porque muitos deles eram já casados e com filhos. Uns aprendiam a lição, e não voltavam a olhar para elas…passavam a dar valor às suas mulheres e a respeitá-las. Quando não aprendiam, elas davam-lhes umas boas lições, uns sustos de arrepiar os cabelos, e davam-se ao respeito, preparando algumas armadilhas. Certo dia de Verão, um jovem pescador foi até à praia. Era casado, mas quando viu uma das sereias com os cabelos de conchas, ficou louco…fascinado com a sua beleza, e atirou-se ao mar para tentar agarrá-la. Ela sabia que era casado, portanto, não lhe deu qualquer valor, mas ele queria a qualquer custo conquistá-la e satisfazer o seu instinto animalesco…queria…devorá-la…Ele nadou, nadou, nadou…atrás da sereia que desfilava lentamente pelas águas e se afastava. Ela, farta de ser perseguida, mergulhou os enormes cabelos e rodou-os com toda a força, rodando a cabeça e a cauda, e com isto formou uma onda enorme, que apanhou o jovem, deu-lhe voltas e mais voltas…ele grita e pede socorro, tenta nadar, mas está a ficar cansado, de tanta sacudidela.
JOVEM (grita, muito aflito) – Socorro! Ajuda-me!
SEREIA – Safa-te…! Luta!
JOVEM (grita, aflito) – Não consigo.
SEREIA – Claro que consegues!
JOVEM (aflito) – O mar…estava mesmo apetitoso…distraí-me! Por favor…ajuda-me…estou a afogar-me.
SEREIA – Porque te meteste no mar?
JOVEM (aflito) – Porque…sei nadar…! E…Porque te vi…! 
SEREIA – Porque vieste atrás de mim?
JOVEM – Porque tu chamaste-me!
SEREIA – Eu? Nem abri a boca!
JOVEM – Enfeitiçaste-me!
SEREIA – Eu? Como é que te enfeiticei se não sou bruxa?
JOVEM – Com a tua beleza…!
SEREIA – O que é que tem a minha beleza? Ela não fala.
JOVEM – Não resisti.
SEREIA – Eu não te obriguei a vir atrás de mim, tu é que vieste!
JOVEM – Sim, porque queria ver se existes mesmo, ou se és uma alucinação.
SEREIA – E porque seria uma alucinação? Sou uma mulher como as outras, apenas vivo aqui na praia. Não tens mulher?
JOVEM – Tenho…mas…
SEREIA – Mas…não te chega uma não é?
JOVEM – Chega…mas…tu és melhor que ela!
SEREIA – Ei…muito cuidado! Melhor…? A comida é que é melhor ou pior…o sabor…os cheiros…as relações entre os amigos…agora…eu…sou melhor que ela? Não sou de comer!
JOVEM – Eu bem que te espetava o dente…és muito mais bonita e jeitosa que ela.
SEREIA - Não te iludas com a minha beleza, nem de outra mulher qualquer! Tudo não passa de uma tentação enganosa…uma armadilha dos teus olhos. O amor não está na beleza. Quem está ao teu lado, quem cuida de ti, quem dorme na tua cama, quem te cozinha, quem te beija…é quem te ama, não é aquela que te acende a chama do desejo, só porque os olhos se encantam com ela. Eu sou bonita, mas posso ser um diabo para ti…o que ganhas em ficar com uma mulher que te agrada aos olhos, mas não te preenche o coração?
JOVEM – Achas que ela nunca me traiu com outro que achou mais bonito?
SEREIA – Tenho a certeza disso! Se ela te ama não fez isso, ao contrário do que tu estás a fazer. Ama-la?
JOVEM – Sim…se não, não tinha casado com ela.
SEREIA – Isso não é justificação…podes ter casado com ela pela beleza que os teus olhos viram.
JOVEM – Não…eu já nem a acho bonita.
SEREIA – Mas para te satisfazer ela serve não é?
JOVEM – Serve. E que mais há no casamento?
SEREIA – Para ti o casamento é só…satisfazer as tuas necessidades corporais, é isso?
JOVEM – Não…eu gosto muito dela…amo-a.
SEREIA – Então porque vieste atrás de mim?
JOVEM – Porque tu fizeste qualquer coisa para me trazeres para aqui, é porque também queres…
SEREIA – Quero o quê?
JOVEM (sorri) – Ter alguma coisa comigo.
SEREIA (ri) – Como és ignorante e convencido. Tu conheces a mulher que tens ao teu lado?
JOVEM – Claro que conheço…já estou casado com ela há tanto tempo, namoramos muitos anos.
SEREIA – Mulher…na sua totalidade!
JOVEM – Sim…
SEREIA – Conheces o corpo dela…mas…interiormente sabes como ela é?
JOVEM – Sim, é quase como eu, e como tu…
SEREIA – Estou a falar de emoções, sentimentos, vontades e tristezas…
JOVEM – Não sei, isso são coisas dela…quando está de trombas eu mando-a dar uma volta, não faltava mais nada…ter de a aturar.
SEREIA – Não sabes o que é uma mulher, nem o que é amar.
JOVEM – Sei, sim!
SEREIA – Então porque vieste atrás de mim…?
JOVEM – Já disse…porque a tua beleza enfeitiçou-me.
SEREIA – A minha beleza tem as costas largas, queres ver…?
JOVEM – Vá lá…deixa-me agarrar-te…conhecer-te…
SEREIA (ri) – Queres…possuir-me, queres tu dizer…! Não é?
JOVEM – Sim, é. Tenho a certeza que ias gostar…!
SEREIA (ri) – Como és idiota…ignorante…primitivo! Só porque conheces o físico da tua mulher, e de outras mulheres, já achas que entendes muito de mulheres, e que todas gostam. Devias ter vergonha. Lá porque os homens só funcionam com os olhos, e às vezes mal…as mulheres funcionam com o coração e com as emoções…coisa que vocês não fazem a mais pequena ideia do que seja! A mulher é muito mais do que…um objecto de prazer…como vocês as fazem sentir.
NARRADORA – Ela sacode os cabelos, e dá com eles na cara do jovem. O mar agita-se mais, e aperta-o. Ele grita.
JOVEM (aflito) – Ai…! O que é isto…?
SEREIA – É para pensares na mulher que tens.
JOVEM (aflito) – Estou farto dela…ela já não me diz nada. Já não vale nada…estamos sempre a discutir.
SEREIA – Está na hora de acordares, e aprenderes a olhar para a tua mulher! A tua mulher é muito mais que a única coisa a que vocês dão valor nela…e para ela é completamente secundária. A tua mulher é muito mais do que aquilo que os olhos vêem…tudo o que ela diz…Todo o corpo da mulher…cada milímetro de pele dela é uma concha fechada com verdadeiras jóias raras para serem descobertas. A mulher é um tesouro completo, principalmente o seu oceano interior. Está na hora de os descobrires. Verás que esses tesouros são muito mais bonitos que eu!
A tua mulher não é para ser possuída, nem comida…mas sim, acariciada, mimada, respeitada, valorizada!
JOVEM (aflito) – Mas…
SEREIA – Mas…?
JOVEM – Como faço isso?
SEREIA – Deixa-te levar pelo amor…e descobrirás como.
JOVEM – Mas…e a ti, como te vou descobrir?
SEREIA – Jamais me descobrirás.
JOVEM – Porque é que estás a fazer-te de difícil?
NARRADORA – A sereia não responde, envolve os cabelos à volta dele, e depois de várias voltas na água, atira-o para areia chateada. Ele está deitado na areia, a tossir, tonto e a gemer. 
SEREIA – Pensa muito bem em tudo o que te disse!
JOVEM (zangado) – Bruxa…acabaste de destruir o meu coração.
SEREIA – Tem mas é vergonha na cara…! Como é que eu destrui o teu coração se não tivemos nada um com o outro? Poderás destruir o coração da tua mulher…! Se não sabes amá-la, aprende!
NARRADORA – O jovem a pingar caminha pela praia, pensativo e devagar. A sereia desaparece. E quando regressa a casa, o jovem está realmente muito diferente! Aprendeu a amar de verdade a mulher que escolheu para casar, e torna-se muito mais carinhoso, atencioso, educado, respeitador, presente. Aos poucos, vai abrindo todas as conchas fechadas de cada milímetro de pele da sua mulher. A mulher nunca ficou a saber deste seu encontro com a sereia, mas adorou a mudança do marido. A sereia tinha toda a razão. Os dois vão passear pela praia de mão dada, e ele olha para o mar…vê a sereia a sorrir e a brilhar intensamente, feliz e emocionada. Ele olha para a sua mulher…
JOVEM (sorri) – És a mulher mais linda do mundo!
MULHER (sorri) – Há quanto tempo não me dizias isso…meu amor. Estás tão diferente!
JOVEM (sorri) – És uma mulher muito especial!
MULHER (sorri) – Que lindo!
JOVEM (sorri) – Amo cada milímetro da tua pele…amo os teus olhos, a tua boca…amo o teu coração, amo-te, minha mulher…meu amor! O teu corpo é um tesouro maravilhoso…e o teu coração, um oceano cheio de doces mistérios.
MULHER (sorri, emocionada) – Ai, meu amor…! Que doçura.
JOVEM (sorri) – É tudo verdade. Perdoa-me de nunca te ter dito antes.
MULHER (sorri) – Ainda estás muito a tempo de dizer!
NARRADORA – Os dois beijam-se e abraçam-se. A sereia deixa escapar umas lágrimas de encanto e de felicidade. De repente, olha para o céu e escurece-o. Por trás das nuvens pretas, desenha um coração cheio de estrelas cintilantes, e brilha no mar. Os dois ficam maravilhados.
JOVEM (sorri) – A nossa praia…!
MULHER (sorri) – Sim, foi aqui que nos conhecemos.
JOVEM (sorri) – Sim! E foi aqui que descobri a mulher com quem casei e sou muito feliz. A praia do renascimento!
NARRADORA – A sereia está orgulhosa. Os dois continuam a passear apaixonados, e a sereia continua a dar lições a quem precisa.

FIM
Lálá
(3/Novembro/2013)

  

terça-feira, 30 de junho de 2015

Os castelos de areia

Era uma vez quatro famílias de pais, mães, e filhos, amigas umas das outras, que foram para a praia de manhã bem cedo, num dia que prometia ser muito quente.
Sentaram-se à beira do mar, que estava baixinho, cheio de possecas, e construíram com baldes e pás dois enormes castelos, tão perfeitos e com tantos pormenores que pareciam verdadeiros.
Tinham várias torres, janelas e portas, tão bem feitas, que se podia andar lá dentro, quer dizer, os humanos não, mas os animais cabiam à vontade. Os adultos estavam tão divertidos como as crianças, e faziam competições para ver quem construía melhor.
Os castelos estavam umas verdadeiras obras de arte, por isso mereceram centenas de fotografias, muitas gargalhadas e diálogos inventados como numa história ou numa peça de teatro. O sol estava a ver tudo de cima, e até ele ficou espantado, encantado.
Na hora de mais calor, todos saem da praia e os castelos ficam inteiros. O sol ficou a arder de curiosidade, e como não podia ir lá ele, lançou um raio muito fino e comprido, para que este lhe contasse tudo.
O raio passeou por todo o castelo e descreveu ao sol todos os pormenores que existiam no interior dos castelos. Enquanto ouvia as descrições, também começou a sonhar acordado e a imaginar-se nesse castelo com a Sol dos seus sonhos ou a Lua ou uma estrela…e fez questão de transformar a areia quase em pedra, para que os castelos aguentassem mais tempo.
Ele tinha a certeza que mais alguém que bem conhecia também ia adorar, e o seu raio tratou do resto: disse às fadas do mar, às sereias e às estrelas-do-mar que aquela noite traria uma prenda muito especial para elas. Elas estavam ruídas de curiosidade, e ansiosas que chegasse a noite para verem a surpresa. Não era todos os dias que tinham surpresas, muito menos vindas do sol.
O mar continuou longe dos castelos, e nessa noite, estava uma lua cheia gigante, luminosa, parecia quase dia. Umas fadas que viviam nas rochas da praia voaram e repararam naquelas obras de arte…aqueles castelos enormes, feitos em areia e tão perfeitos.
- Áh! Que lindos castelos… - Dizem todas as fadas
- Quem fez isto? – Pergunta uma fada
- Estão maravilhosos. – Comenta outra fada
- Esperem aí. O sol disse que teríamos uma surpresa esta noite, será que é esta? – Lembra outra fada
- Claro! – Respondem todas
            E ouve-se a voz do sol no espaço:
- Sim, é mesmo essa a surpresa…estes enormes e belos castelos feitos de areia.
- Ááááááhhhh… - Exclamam todas
- Maravilhosos. – Comenta outra fada
- Obrigada sol! – Dizem em coro
- Eu sabia que iam adorar. Agora o resto é convosco! Divirtam-se, e aproveitem enquanto o mar está longe. – Diz o sol a rir
- É isso. Muito obrigada…
            Elas chamam as fadas da luz, que rapidamente aparecem e iluminam todo o castelo com o seu rasto, não precisam de muita luz porque a lua já tem bastante, mas dentro dos castelos era preciso.
E mesmo sem esperarem pelas fadas da praia, as sereias e as estrelas-do-mar vão à praia e ao ver aquelas luzes todas gritam em coro:
- Castelos…? Uau! Áh, que lindos…
            E nadam rapidamente até lá, cumprimentam alegremente as fadas.
- Então era esta a surpresa? – Perguntam as sereias e as estrelas-do-mar em coro
- Isso mesmo! – Respondem as fadas a sorrir
- O sol é mesmo querido. – Comentam todas
            As fadas cozinheiras aparecem com tabuleiros recheados de pequenos petiscos como os que só elas sabem fazer.
- Não há festa com esse nome, sem petiscos, não é verdade…? – Diz a fada cozinheira chefe
            Todas ficam surpresas e aplaudem. Não sobra nem uma migalha. Os cavalos-marinhos perguntam se podem participar na festa, e também ficaram. Chegam as fadas da música que são adoradas por todos os animais da praia e a festa começa a sério, enche-se de alegria, muita dança, muitas entradas e saídas dos castelos, muitos risos e conversas cruzadas, e amizade. Parece que estão ligados à corrente eléctrica, nessa noite ninguém dormiu, até que com os primeiros raios de sol estavam finalmente muito cansados, e adormeceram onde pararam.
Quando os humanos chegaram tiveram uma bela surpresa: os castelos ainda estavam de pé, tudo direitinho, e pela área dos castelos, viram dezenas de estrelas-do-mar, pequeninas fadas a dormir nas varandas dos castelos, caranguejos e sereias a dormir à fresca, dentro dos castelos, cavalos-marinhos a dormir em sítios que nunca pensaram que seria possível, e búzios por todo o lado.
Os adultos começam a fazer muito barulho com a alegria da surpresa, tiram centenas de fotografias, que as fadas, as sereias, as estrelas-do-mar e os cavalos-marinhos acordam e desatam a fugir assustados.
De um momento para o outro, o mar sobe, fica muito agitado e destrói os castelos num abrir e fechar de olhos, e ainda dá uma bela banhoca aos humanos, que fogem mais para cima, muito zangados.
- Pelo menos ficaram as fotografias. – Comenta um dos pais
Nesse dia não houve possecas…só houve mar revolto. Será que o mar ficou com ciúmes? Uns dias depois, gostaram tanto da experiência que quando o mar voltou a descer, os humanos construíram outros castelos, e os animais fizeram outras festas.
E vocês já construíram castelos na areia quando foram à praia?
Esses castelos foram visitados por fadas, sereias e cavalos-marinhos ou estrelas-do-mar?
Gostavam que isso acontecesse?
Quem gostariam que invadisse o vosso castelo de areia?

FIM
Lálá
(29/Junho/2015)